sexta-feira, agosto 03, 2007

Cavaleiros andantes

Dom Quixote de la Mancha - por Salvador Dali




Cavaleiro Andante


Porque sou o cavaleiro andante
Que mora no teu livro de aventuras
Podes vir chorar no meu peito
As mágoas e as desventuras
Sempre que o vento te ralhe
E a chuva de maio te molhe
Sempre que o teu barco encalhe
E a vida passe e não te olhe
Porque sou o cavaleiro andante
Que o teu velho medo inventou
Podes vir chorar no meu peito
Pois sabes sempre onde estou
Sempre que a rádio diga
Que a américa roubou a lua
Ou que um louco te persiga
E te chame nomes na rua
Porque sou o que chega e conta
Mentiras que te fazem feliz
E tu vibras com histórias
De viagens que eu nunca fiz
Podes vir chorar no meu peito
Longe de tudo o que é mau
Que eu vou estar sempre ao teu lado
No meu cavalo de pau


Rui Veloso - in albuns: O Melhor de Rui Veloso - 20 anos depois (2000); Rui Veloso (1986); Rui Veloso ao Vivo (1988) e O Concerto Acústico: nunca me esqueci de ti (2003)



Porque as vezes o sonho mora, nas reentrancias da vida e a alma se agiganta, numa esperança que muitas vezes parece perdida sem o estar.
Porque todos nós temos um pouco de fadas e principes e mesmo que o neguemos sonhamos com aventuras, bruxas e dragões ....
Porque em nós há muito de poetas, de guerreiros, muito de busca.. e todos nós temos um pouco de Dom Quixote, de Quasimodo de joana D´ Arc ou de Ivanhoe e agimos com lealdade, honra e de sentimentos a flor da pele....
Presto aqui uma singela homenagem a todos os que mantém na vida essa faceta de cavaleiros andantes, conjugação perfeita de sonho e de ser, de poesia e amor , honra e devir, na esperança de que em todas as batalhas mantenham viva a luz do sonho.
BOM FIM DE SEMANA

quarta-feira, agosto 01, 2007

para ti... na hora do lusco-fusco

Pelo sorriso,
pelo despertar
Porque é preciso
Que haja luz no teu olhar

Porque às vezes
Parece que tudo é errado
Que os caminhos são cortados
E os sonhos encobertos

E a vida dói-nos
Dentro do coração
Como se sonhar
Fosse morrer aos poucos

Há que recordar
Que após a tempestade há a acalmia
E depois da noite escura
virá sempre um novo dia

Para que poesia
Dos teus olhos
Se inunde de sonho
Na hora do lusco-fusco

E este poeta
Tenha razão de existir
Escrevo-te este poema
Só para te fazer rir

Para que sejam quais forem
Os rumos da vida
Mantenhas acesa a esperança
De que dor dará lugar à felicidade

E saibas que sejam quais forem
Os ventos que soprarem
Arrasem o que arrasarem
Serão ventos de mudança

Porque aconteça o que acontecer
Haja o que houver
Dor ou alegria
Sonho ou cansaço

Por maior que seja o embaraço
em ti há sonho, em ti há luz
por isso faz com que em ti
more a alegria

Por teres esse sorriso
Por seres poema
Por seres luz acesa
Ou agora o meu tema

Voa como ave
Que os céus são teus
E em ti mora a luz
Que afasta os breus

Por isso esquece as mágoas
E as tristezas
Por isso esquece os medos
E as feridas

Com o tempo as cicatrizes
Serão medalhas
E a vitória é sempre
uma conquista

Porque o futuro é teu
Por sonho conquistado
E o amanha trará com ele
Como cavaleiro andante

Muito amor
Muita Amizade
Muita paz
Sonho e fantasia

..... Acredita em ti

domingo, julho 29, 2007

3 olhares sobre o vazio... talvez porque me sinto assim...

A cidade não é a solidão porque a cidade aniquila tudo o que povoa a solidão. A cidade é o vazio


La Rochelle , Pierre


O vaso dá uma forma ao vazio e a música ao silêncio
Braque , Georges


O vazio é a dor que nos amordaça os sonhos

eu .

sexta-feira, julho 13, 2007

Poesia zero


"a poesia é um sonho que morre no papel"


pedro

sábado, julho 07, 2007

o amor é ... simplesmente um comentário que se tornou post

o amor é esse nada que é... tudo
esse tudo que é nada...
a vida a correr-nos nas veias...
um troar qualquer de coração....
qualquer coisa que se perdeu
para que nos encontrassemos...
qualquer coisa qua achamos
sem a qual não seriamos...
o amor é prosa...
poesia......
uma aventura...
um pôr do sol......
um chocolate...
o teu sorriso.....

tudo

sábado, junho 30, 2007

A essência da poesia

... um magnifico texto de Pablo Neruda

"Não aprendi nos livros qualquer receita para a composição de um poema; e não deixarei impresso, por meu turno, nem sequer um conselho, modo ou estilo para que os novos poetas recebam de mim alguma gota de suposta sabedoria. Se narrei neste discurso alguns sucessos do passado, se revivi um nunca esquecido relato nesta ocasião e neste lugar tão diferentes do sucedido, é porque durante a minha vida encontrei sempre em alguma parte a asseveração necessária, a fórmula que me aguardava, não para se endurecer nas minhas palavras, mas para me explicar a mim próprio. Encontrei, naquela longa jornada, as doses necessárias para a formação do poema. Ali me foram dadas as contribuições da terra e da alma. E penso que a poesia é uma acção passageira ou solene em que entram em doses medidas a solidão e solidariedade, o sentimento e a acção, a intimidade da própria pessoa, a intimidade do homem e a revelação secreta da Natureza. E penso com não menor fé que tudo se apoia - o homem e a sua sombra, o homem e a sua atitude, o homem e a sua poesia - numa comunidade cada vez mais extensa, num exercício que integrará para sempre em nós a realidade e os sonhos, pois assim os une e confunde.
E digo igualmente que não sei, depois de tantos anos, se aquelas lições que recebi ao cruzar um rio vertiginoso, ao dançar em torno do crânio de uma vaca, ao banhar os pés na água purificadora das mais elevadas regiões, digo que não sei se aquilo saía de mim mesmo para se comunicar depois a muitos outros seres ou era a mensagem que os outros homens me enviavam como exigência ou embrazamento. Não sei se aquilo o vivi ou escrevi, não sei se foram verdade ou poesia, transição ou eternidade, os versos que experimentei naquele momento, as experiências que cantei mais tarde. De tudo aquilo, amigos, surge um ensinamento que o poeta deve aprender dos outros homens. Não há solidão inexpugnável. Todos os caminhos conduzem ao mesmo ponto: à comunicação do que somos. E é necessário atravessar a solidão e aspereza, a incomunicação e o silêncio para chegar ao recinto mágico em que podemos dançar com hesitação ou cantar com melancolia, mas nessa dança ou nessa canção acham-se consumados os mais antigos ritos da consciência; da consciência de serem homens e de acreditarem num destino comum. "
Pablo Neruda, in 'Nasci para Nascer' (Discurso na entrega do Prémio Nobel)
... para quem ama a poeisa... o sonho... a vida

segunda-feira, junho 25, 2007

(des)encontros


"Não há, portanto, razão nenhuma para censurar aos romances o seu fascínio pelos misteriosos cruzamentos dos acasos, mas há boas razões para censurar o homem por ser cego a esses acasos na sua vida quotidiana, e assim privar a vida da sua dimensão de beleza"


Milan Kundera

quinta-feira, junho 21, 2007

verão

Hoje começa o verão...
renovam-se os sonhos na promessa de calor...
descobre-se um novo alento no renovar dos raios de sol sobre a pele...
sorriem as almas como se repletas de luz....
os pés descobertos atrevem-se a cruzar a areia como se fosse a primeira vez, como dois adolescentes num primeiro encontro...
o corpo esse entrega-se ao mar como se a ele sempre tivesse pertencido e dessa entrega, a cada entrega, a cada mergulho parece haver sempre algo que renasce de novo, um pedacinho de alma que sai mais lavada... mais leve.
espero que este ano seja o vosso verão...
espero que este seja o meu verão.

sonhem sempre

sábado, junho 16, 2007

mudar de ares para mudar de vida







Pois é decidi mudar o aspecto do blog... estava a ficar demasiado deprimente e claustrofóbico.



Quer-se alegria... quer-se felicidade... quer-se amor concretizado... gestos... abraços... beijos... sonho.



Chega de tristezas, chega de lamentos..



temos de agarrar-nos ao mundo com a mesma garra, com que as gaivotas desta foto que tirei na suiça, ousam desafiar os ventos e os 3 graus de temperatura para pescar.



gosto de voces..



sonhem sempre

segunda-feira, junho 11, 2007

Para a Margarida Cardeal

"A tristeza é a manifestação mais bela da poesia".

margarida cardeal

ha coisas na vida que ultrapassam a nossa finitude
ocasos que de repente ou não se tornam reais...
uma essencia qualquer que se revela sem pressas sem medos..
uma vontade de ir que ao mesmo tempo nos retem... nos prende aqui.
qualquer coisa de insplicavel que no momento certo nos dira levanta-te e sé..
tem esperança.

escolhi esta citação e assim esta homenagem pois num dos topicos anteriores descobri uma mensagem a pedir-me para ver um post de maio de 2006... disse esse alguem que me tinha deixado uma mensagem lá ...
qual não foi o meu espanto quando no post dedicado à peça azul a cores descobri uma mensagem daquela que é para mim a minha actriz portuguesa favorita... exacto a Margarida Cardeal.
eu sei que num dos posts anteriores, sobre os seis graus, tinha falado da possibilidade de conhecermos qualquer pessoa no mundo mas prova-lo assim... ter a visita da margarida neste espaço é algo que revigora, que dá ao próprio espaço mais um pedacinho de brilho.
Por isso a ti Margarida queria agradecer-te pela mensagem que deixaste e dizer-te que te considero uma actriz fora de série e que admiro muito a capacidade que tens de ser tão versatil nos papeis que fazes quer na tv quer no teatro.
nunca esquecerei a garra e o sentimento que revelaste na peça azul a cores, que vi quando vieste a leiria, nem o quanto... mesmo para mim um aprendiz de actor... conseguiste elevar o palco a dimensão do sonho.
a todos os outros que me leem quero agradecer por comentário após comentário, partilha após partilha dartem sentido a este espaço.
bem ajam

sábado, junho 09, 2007

meme

Pois é recebi um meme atribuido pela sophie.
não estou certo de estar a altura deste prémio até porque escrevo apenas porque não consigo calar e nos ultimos tempos até esse dom já é incerto..
de qualquer forma aceito-o agradecendo desde ja a todos voces que me leem pelo facto de tornarem este blog um cantinho de sonho .
quanto as pessoas que nomeio e porque esta comunidade de partilha as vezes corre nos mesmos rios :-)
nomeio a sophie, a lisa, e a sabine do insustentaveleveza.
Espero que todos juntos possamos continuar a derramar-nos em palavras
já agora aproveito também este espaço de confidencias para homenagear a grande carla.. madrinha deste espaço sem o qual a sua existencia não era de todo possivel.
carla ... o mundo dos blogs precisa do teu brilho...
estas cá dentro a cada linha que escrevo.
bem ajam a todos

quinta-feira, junho 07, 2007

QUASE

Luis Fernando Veríssimo, um cronista brasileiro, escreveu este texto magnífico:

“Ainda pior que a convicção do não e a incerteza do talvez é a desilusão de um quase. É o quase que me incomoda, que me entristece, que me mata trazendo tudo que poderia ter sido e não foi. Quem quase ganhou ainda joga, quem quase passou ainda estuda, quem quase morreu está vivo, quem quase amou não amou. Basta pensar nas oportunidades que escaparam pelos dedos, nas chances que se perdem por medo, nas ideias que nunca sairão do papel por essa maldita mania de viver no Outono. Pergunto-me, às vezes, o que nos leva a escolher uma vida morna; ou melhor não me pergunto, contesto. A resposta eu sei de cor, está estampada na distância e frieza dos sorrisos, na frouxidão dos abraços, na indiferença dos "Bom dia", quase que sussurrados. Sobra covardia e falta coragem até pra ser feliz. A paixão queima, o amor enlouquece, o desejo trai. Talvez esses fossem bons motivos para decidir entre a alegria e a dor, sentir o nada, mas não são. Se a virtude estivesse mesmo no meio-termo, o mar não teria ondas, os dias seriam nublados e o arco-íris em tons de cinza. O nada não ilumina, não inspira, não aflige nem acalma, apenas amplia o vazio que cada um traz dentro de si. Não é que fé mova montanhas, nem que todas as estrelas estejam ao alcance, para as coisas que não podem ser mudadas resta-nos somente paciência porém, preferir a derrota prévia à dúvida da vitória é desperdiçar a oportunidade de merecer. Pros erros há perdão; pros fracassos, chance; pros amores impossíveis, tempo. De nada adianta cercar um coração vazio ou economizar alma. Um romance cujo fim é instantâneo ou indolor não é romance. Não deixe que a saudade sufoque, que a rotina acomode, que o medo impeça de tentar. Desconfie do destino e acredite em você. Gaste mais horas realizando que sonhando, fazendo que planejando, vivendo que esperando porque, embora quem quase morre esteja vivo, quem quase vive já morreu.”

sexta-feira, junho 01, 2007

Dia Mundial da Criança


Que todos nós possamos manter viva a criança que mora nas nossas almas

sexta-feira, maio 25, 2007

Este ano ...estou a formatar-me:

Este ano ...estou a formatar-me:

- deixei ir a pessoa que pensava amar, depois de três anos sem conseguir que ela acreditasse.
- a pessoa que me amava sem que eu conseguisse ama-la seguiu o seu rumo.
-percebi que este vazio se alonga minuto a minuto na cadência de um relogio em que o tempo se perde.
- percebi que as vezes a palavra amor e medo se cruzam nas linhas do percurso.
- descobri que a inocencia não é boa quando derivada da inexperiencia e que as vezes deveriamos ter falhado mil vezes antes desta para que esta não falhasse.
- descobri que as vezes resistir é perder e desistir tomar novos caminhos.
- percebi que as vezes rendermos-nos é vencer...e que há jogos em que se perde sempre.
-descobri que as vezes não confessar o nosso amor não é cobardia mas afinco.
- percebi que o silencio as vezes é diálogo e que há diálogos que se tem em silencio.
- percebi o valor do tempo que passamos com os amigos e que as vezes há amigos que se perdem com o tempo.
-descobri que as vezes é tão importante dizer a alguém para ficar como é deixa-la ir...
- percebi que o sabor da lágrima é ou pode ser tão importante como o sabor do beijo.. e que nas lágrimas vamos morrendo pouco a pouco.
- percebi que estar só as vezes é estar vazio... sobretudo quando já se aprendeu o valor do beijo, o valor do abraço, o valor do corpo e o quão bom seria ter permanecido na ingenuidade.
- descobri que a poesia é irmos-nos derramando letra a letra e que crescer é o formatar a linha dos sonhos, num volte-face da imaginação...
só espero descobrir que ficou algo de mim além de tudo isto..
algo do nada que ainda sou...

terça-feira, maio 22, 2007

as vezes

... as vezes... mesmo sem saber porque... acho que todos precisavamos de um interregno de espaço para descobrir quem somos...
outras vezes... tenho quase a certeza que cada segundo de existência faz parte de um designio qualquer para descobrirmos a luz que mora em nós...
nessas vezes apetece-me estar de olhos abertos e coração exposto... apetece-me fazer como um louco que à chuva estava na praça no outro dia... com a gabardine aberta a gritar aos céus escuros... "podem vir... podem vir... eu estou aqui e não me assustam" .
Pois venha o que vier... aconteça o que acontecer... o sonho irá continuar a existir

segunda-feira, maio 14, 2007

fazes-me falta sabes

não não é da tua presença fisíca que tenho saudades...
a ausência física é suportável... já não é de hoje e com o tempo deixou de ser notada...
a ausência que me doi nada tem de material... nada tem de contingente...antes tivesse
o que me falta é sentir o calor do teu sorriso nos meus olhos... aquele tremer terno que me percorria o corpo quando pensava em ti...
o que me doi é aquele não sei qué que deixou desocupado o meu coração onde estava protegido há tanto tempo...só por preferir não sei porqué o frio dos dias ao meu aconchego...
o que me doi é de repente pensar que te foste... ainda que sendo e continuando a ser minha amiga... porque não consegui mostrar-te que eras a luz que morava nos meus olhos... mais que isso por não ter conseguido ser a luz que brilhava sobre os teus...

o que me doi mesmo .. é pensar que mesmo com esse vazio deixado pelo não sei qué que se perdeu... mesmo sem ti, amada... circe.. o meu coração não se findou... e eu quer queira quer não queira irei continuar a existir...

segunda-feira, maio 07, 2007

rascunho

Rascunho. Plano... Projecto... Ensaio... Tirar a sorte... Palavra a palavra. .. Um sonho emberbe . Ensaiar a vida . Sonho após sonho. Sonho sem pressa. Um degrau na escada da imaginação. Passo pueril dado na vida . Passo após passo. Pé ante pé. Tentativa após tentativa. Tentativa e erro. Erro sem o qual o sonho nao se faz. Folhas rabiscadas ... Amarrotadas para aprender a vida. Para aprender o sonho.
Um beijo.. Aquele beijo adolescente que muitas vezes demos na almofada. Aquele amo-te que vez apos vez ensaiamos dizer ao espelho.
Os nãos que as vezes temos de suportar para dar valor aos sins.
O firmar das asas com que se da o primeiro voo.
A capacidade de arriscar, de ser, de amar.. Ou simplesmente... Aquilo que eu nao faço. .. Porque nestas andanças da escrita. A poesia escapasse-me letra a letra...Sem ensaios... Como se soubesse que o meu coraçao nao é capaz de conter o sentimento...

quinta-feira, abril 26, 2007

Sexo

Viver o corpo...
sobre um corpo
A pele ...
sobre a pele
viver o gesto...
Gesto após gesto
Beijo após beijo
As mãos ...
sobre as mãos
Coração...
sobre coração
Respirar...
sob respirar.
Viver o corpo
A nudez do corpo
despir a alma
dar o nosso corpo
receber um corpo...
deixarem de ser...
dois corpos
renascerem...
dois corpos
corporalizar o turbilhão
que vai dentro da alma
materializar os sentimentos
...pelos gestos
gestos após gestos
tornar-me raiz...
ser raiz...
a face visível do amor
ou o lado de cá da lua..
uma metade da maça
que sem o sentir...
perde sentido
a essência...
parte desta essência
que é a vida

segunda-feira, abril 23, 2007

seis graus... a verdade para lá da série

SEIS GRAUS ... a verdade para lá da série...

Num blog voltado para o sonho e para a poesia, tem concerteza lugar uma referencia à série “Seis Graus” que estreou esta semana no AXN e que foi produzida entre outras pessoas por J. J. Abrams, que também produziu as reputadas séries “A Vingadora» e «Perdidos»
Esta série alicerçada na história de seis pessoas de Nova Iorque, muito diferentes entre sí, que vivem as suas próprias vidas, aparentemente sem ligação comum, mas que sem darem conta disso, exercem contudo um impacto nas vidas de outros numa misteriosa cadeia de coincidências que vai aproximá-las, mudando o rumo das suas existências para sempre.

Sumariamente os personagens desta teia são:
Laura (Hope Davis) - uma mãe solteira que lamenta a perda do companheiro, que morre durante uma reportagem na guerra do Iraque.
Whitney (Bridget Moynahan), uma executiva publicitária bem sucedida e segura de si que acredita estar a ser enganada pelo namorado.
Steven (Campbell Scott), um fotógrafo artístico que no passado foi genial mas que após problemas relacionados com o consumo de drogas acredita ter perdido o talento e anseia por uma nova oportunidade.
Damian (Dorian Missick), um homem que não pode escapar ao passado criminoso do irmão e que vive o conflito entre os laços de sangue e a justiça.
Mae (Erika Christensen), uma jovem bela, livre e extrovertida, mas com um passado perigoso que tenta ocultar a qualquer custo.
Carlos (Jay Hernandez), um responsável e honesto funcionário do tribunal de Nova Iorque, perdidamente apaixonado, mas que não sabe onde o pode levar esse sentimento.

Esta série, feita de retratos do quotidiano, que se sucedem sem grandes forsings choca pela simplicidade e pela mensagem que transmite, fazendo-nos recordar que independentemente do rumo que levem as nossas vidas o amor, o êxito, a paz ou o perdão podem estar ao virar de cada esquina, mas também se podem perder num milésimo de segundo.

Se fosse uma mera ficção a série valeria por ela própria só por isso, mas pasmem-se... esta teoria tem uma raiz científica. Com efeito apartir de um estudo realizado por Milgram (MILGRAM, S. The small word problem. Psychology. Today 2, 60-67, 1967), chegou-se à conclusão que no mundo, são necessários no máximo seis laços de amizade para que duas pessoas quaisquer estejam ligadas.

Neste estudo, feito nos Estados Unidos, procurou-se, através do envio de cartas, identificar o números de laços de conhecimento pessoal existente entre duas pessoas quaisquer. Cada pessoa recebia uma carta identificando a pessoa alvo e deveria enviar uma nova carta para a pessoa identificada, caso a conhecesse, ou para uma pessoa qualquer da sua relação que tivesse maior possibilidade de conhecer a pessoa alvo. Esta, ao receber a carta, deveria enviar uma carta para os responsáveis pelo estudo.

A popularidade da crença no facto de que o número máximo de passos entre duas pessoas é 6 (seis) gerou, em 1990, uma peça de nome "Six Degrees of Separation", de John Guare, bem como um filme com o mesmo nome.

Um exemplo interessante deste estudo pode encontrado num jogo para a Internet denominado Oráculo de Bacon (The Oracle of Bacon).
O jogo, criado por Brett Tjaden, um cientista da computação da Universidade de Virgínia, e mantido, actualmente, por Patrick Reynolds mostra como o actor Kevin Bacon, se relaciona com os demais artistas, sejam de filmes americanos ou não.
Para exemplificar, a actriz Fernanda Montenegro tem um número Bacon 3, obtido da seguinte forma: ela actuou em Joana Francesa (1973) com Jeanne Moreau; esta actuou com Eli Wallach em The Victors (1963) e, finalmente, este actuou com Kevin Bacon em Mystic River (2003). Já Carmem Miranda tem um número de Bacon de 2 e Mazzaropi, 3. Pode-se, também calcular a distância geodésica entre quaisquer pares de actores. Assim entre Fernanda Montenegro e Carmem Miranda, a distância é de 2 porque Fernanda Montenegro actuou em Mãos Sangrentas (1955) com Heloísa Helena, que por sua vez actuou em Aló Aló Carnaval (1936) com Carmem Miranda.

Pessoalmente vivi já acontecimentos bastante curiosos que exemplificam esta possibilidade, sendo o mais recente o facto de sem conhecer uma ou outra previamente e sem saber que elas tinham um passado comum ser ao mesmo tempo amigo da Mónica, que conheço das andanças deste blog e que mora para os lados de Moimenta e da Raquel, sócia do meu bar favorito, “o Neckob” e que conheci o ano passado nos momentos em que um chá mil e uma noites e dois bons dedos de conversa nos transportam para a essência do deserto.... e o giro é que elas não se viam há muito tempo e chegamos à conclusão que tinhamos esta amizade em comum numa simples conversa sobre um comentário ao meu blog,

Curioso não é... esta teoria abre-nos infinitas possibilidades em todos os domínios, mesmo no amor, até porque e deixando-nos levar pela imaginação sendo certo que todos temos por hipótese “uma cara metade” existirá já alguém das nossas relações que a conhece, ou que conhece alguém que a conhece... por isso... sorriso nos lábios e toca a inventar o sonho. A felicidade está ao virar da esquina... e já agora quando a encontrarem... agarrem-se a ela com unhas e dentes...

Bem ajam...

quinta-feira, abril 19, 2007

para ti... sopro do vento

Onde paras tu sopro do vento
Que furacão te levou para longe daqui
Terá sido dor.. terá sido saudade...
Terás tu ficado tão cansada de mim
Será que não sentes falta dos meus olhos
Dos meus dias....
Será que não te faltam as poesias..
Tudo o que eu fiz... embora mal
Foi tentar erguer o sonho a tua volta
Foi tentar fazer-te ave e brisa...
A minha brisa calma
Foi querer dar-te a minha alma
querer-te minha... só minha

Hoje sei...
Que foi errado tenta-lo...
E não, nunca te quis domar...
Não te quis despojar do horizonte,
Não quis privar-te de voar
Como andorinha atormentada
Nem que fosses vela acesa,
Fechada num copo de cristal
Mas o medo de te perder era grande..
Tão grande... Como grande
Era a vontade de me dar

E eu não reparei a tempo
Que a melhor forma de te ter comigo
Era dar-te tempo... dar-te espaço...
Era abrir as janelas e portas
da minha alma
E deixa-las escancaradas
para que entrasses...
Era permanecer de olhos fechados
E braços abertos ...
Para que me afagasses
quando quisesses...
....se quisesses

Era deixar-te vir livre...
Sentir-te livre e intensa...
Como só tu sabes ser...
Sim sei que me avisas-te...
Que não és a primeira ...a passar por isto..
Cometo o mesmo erro vez após vez.
Sim sei que isto acontece sempre
Já diz lenda que pardal aprisionado
é pardal morto...
que quando se tocam as asas
de uma borboleta ...
ela deixa de poder voar...

Mas eu só quis ser teu
Mas eu só quis sonhar
Traz-me essa luz
Que mora no teu olhar
Regressa sopro do vento
Da-me o teu rebelde amar
Mora no meu pensamento
Já me sinto a derribar
Volta sopro do vento
Entende o meu cantar....
Baila sopro do vento
Dentro do meu sonhar

domingo, abril 08, 2007

inconstancia...

"... acima de tudo nao quero um dia perceber que o tanto que senti de ti se perdeu no tempo... sentir que me dei em vão... que nao brotou nada do excerto que ficou da minha alma na arvore dos teus braços... na essencia da tua luz... na inconstancia de ter a tua derme sobre a minha ...
acima de tudo não quero... porque ainda não consigo... mas talvez venha a conseguir... perceber que nos tornámos estranhos de tanto nos conhecer e que poderei embora não o admita agora... recomeçar de novo e ser feliz"


Um texto que escrevi num comment do blog da Ana... porque a inconstancia as vezes tem destas coisas


termino com um poema de Florbela Espanca...

porque há tanto que sinto e não sei dizer

Aqueles que me tem muito amor
Nao sabem o que sinto e o que sou...
Nao sabem que passou, um dia, a Dor
A minha porta e, nesse dia, entrou.
E desde entao que eu sinto este pavor,
Este frio que anda em mim, e que gelou
O que de bom me deu Nosso Senhor!
Se eu nem sei por onde ando e onde vou!!
Sinto os passos de Dor, essa cadencia
Que é ja tortura infinda, que é demencia!
Que é ja vontade doida de gritar!
e é sempre a mesma magoa, o mesmo tedio,
A mesma angustia funda, sem remedio,
Andando atras de mim, sem me largar!

Florbela Espanca

terça-feira, abril 03, 2007

os poetas...

onde para o sonho...
o grito... o gesto.....
a poesia faz-se do sentir
não da razão
um poeta escreve o sofrimento
que derrama dia a dia
canta a esperança
para esquecer a desesperança
a dor para vencer a dor....
o gesto ... para recordar...
os gestos que deixou de dar
o beijo... para se lembrar
que há um principio ou um fim
que podem ser um fim...
ou um principio de tudo.
restolho e raiz....
apatia e essência...
uma lagrima....
canta a lagrima...
porque sabe tal como a água ...
a agua que lhe corre dos olhos
a mesma água que teima
em fugir-lhe entre os dedos
é impossível conter o sonho


eu

terça-feira, março 27, 2007

Dia mundial do teatro

"O teatro é uma dimensão da poesia, isto é, a mais alta tentativa de conseguir que cada um de nós se envolva na verdade que não existe, e que é a razão de ser daquilo que dá sentido à existência e a essa coisa (...) que é o tempo."

Eduardo Prado Coelho


Porque estar em palco é recriar os sonhos, recriar a vida, ensair o amor, a amizade, os medos e as dores, as paixões,as dadivas e as perdas, reinventar a vida...
porque estar no palco é ser crítico... é não ser indiferente...
é dar o corpo e o gesto, dar a vós... tornar o nosso corpo noutro corpo, o nosso ser...noutro ser...deixar alguem... seja ele heroi ou vilão, poeta ou sonhador, guerreiro ou pedinte, louco ou apaixonado... fervilhar-nos nas veias e renascer vez após vez em cada içar de pano.

bem ajam a todos os que fazem teatro neste paraiso azul e livre que ainda é portugal...

quarta-feira, março 21, 2007

Dia Mundial da Poesia

O poeta canta o mundo com a mesma garra de quem vence mil batalhas, a mesma paixão de quem ama intensamente, a mesma essência de quem encontra o criador, a mesma magia de quem faz nascer uma criança.
Porque a luz essa nasce sempre nos recantos onde mora o sonho e o poeta embuído na criança eterna que ainda é não cessa de cantar o mundo, cantar a vida com olhos libertos de grilhetas, asas de ícaro, e uma imensa capacidade de sonhar .
Porque a poesia é ao mesmo tempo grito, sopro, gesto, memória, dádiva, luta, liberdade, essência, vida, no fundo o tudo e o nada, dos todos e os nadas do quotidiano.
Enquanto um poeta existir sobre a terra haverá sempre esperança na reeinvenção do sonho.

VIVA O DIA MUNDIAL DAS POESIA

sexta-feira, março 16, 2007

O beijo...

o turpor do beijo acende cerrado o dsejo e enaltece o sonho ... de repente o mundo teima em perder-se de palavras... a ocultar-se de gestos... a derribar-se de sonhos...
a poesia essa perde o sentido incapaz que é de descrever o sentimento.
Os poetas ou escrevem porque não beijam ou porque tendo beijado um dia ficaram de tal forma presos à memória dos lábios e da alma que que não conesguem viver sem tentarem reproduzir em palavras a profundidade do que experimentaram, tenatando ingloriamente uma perfeição inalcançavel.
Como se não soubessem que bastava o beijo e só o beijo para preservar a memória da vida.



Bom Fim de Semana

domingo, março 11, 2007

Maria Manuela Margarido

Uma sentida homenagem a Maria Margarido, poetisa santomense nascida em 1925, que desde 1953 abraçou a causa da independência e do combate anti-colonialista em África fazendo, tal como outros poetas de S. tomé e Princepe, do seu canto poetico a voz da liberdade.
Porque apesar de partires viverás sempre na forma como cantavas a beleza da tua ilha e na tenacidade com que sabias pelas palavras denunciar a miséria em que vivia o povo das "roças do café e do cacau".
Porque por cada poeta que morre uma estrela assoma aos céus, possas tu ser para sempre, aos olhos daqueles que se cruzam com os teus poemas... luz e voz da liberdade
«...
Memória da Ilha do Príncipe


Mãe, tu pegavas charroco

nas águas das ribeiras

a caminho da praia.

Teus cabelos eram lembas-lembas,

agora distantes e saudosas,

mas teu rosto escuro

desce sobre mim.

Teu rosto, liliácea

irrompendo entre o cacau,

perfumando com a sua sombra

o instante em que te descubro

no fundo das bocas graves.

Tua mão cor-de-laranja

oscila no céu de zinco

e fixa a saudade

com uns grandes olhos taciturnos.


(No sonho do Pico as mangas percorrem a órbita lenta

das orações dos ocãs e todas as feiticeiras desertam

a caminho do mal, entre a doçura das palmas).


Na varanda de marapião

os veios da madeira guardam

a marca dos teus pés leves

e lentos e suaves e próximos.

E ambas nos lançamos

nas grandes flores de ébano

que crescem na água cálida

das vozes clarividentes.
....»

quinta-feira, março 08, 2007

A felicidade exige valentia.

"Posso ter defeitos, viver ansioso e ficar irritado algumas vezes mas, não
esqueço de que minha vida é a maior empresa do mundo, e posso evitar que ela
vá à falência.
Ser feliz é reconhecer que vale a pena viver apesar de todos os desafios,
incompreensões e períodos de crise. Ser feliz é deixar de ser vítima dos
problemas e se tornar um autor da própria história.
É atravessar desertos fora de si, mas ser capaz de encontrar um oásis no
recôndito da sua alma.
É agradecer a Deus a cada manhã pelo milagre da vida. Ser feliz é não ter
medo dos próprios sentimentos. É saber falar de si mesmo. É ter coragem para
ouvir um "não". É ter segurança para receber uma crítica, mesmo que injusta.
Pedras no caminho?
Guardo todas, um dia vou construir um castelo..."


Fernando Pessoa - 70º aniversário da sua morte

Bom dia da mulher....
porque o mundo é bem mais feliz graças as cores, as luzes e aos brilhos que moram nos vossos olhos e nas vossas almas...
porque a vossa sensibilidade e bom senso são uma parte importante da nossa condição humana, esta paleta de cores mágica que é o mundo

sexta-feira, março 02, 2007

Encontro

Ela veio ter comigo
Com um sorriso de espantar
Vinha repleta de vida
Trazia um brilho no olhar.

Ela vinha um espanto
Vestida de organdis
No cabelo um lenço branco
Com colcheias e cetins

Ela beijou-me na testa
Quem dera que fossem lábios
E sentou-se a minha mesa
Com pose de quem seduz

Vinha cheia de luz
E de outros talentos vários
Roubou-me o frio dos dias
E outros traumas diários

Ela veio feito brisa
Lembrar-me que era veleiro
E do seu lenço fiz velas
Quando soltou os cabelos

Dos seus cabelos fez mar
Quando neles ondulei os dedos
Navios a sequiar
Bailando quase secretos

Ela sorriu para mim
Como se fosse meu ninho
Olhei para ela e sorri
Como se fosse ela o destino

Ela segredou-me ao ouvido
Historias de enternecer
Falou-me de terras distantes
Que sempre aspirei conhecer

Falou-me da terra mãe
Do verde que não tem fim
Falou-me das cachoeiras
Das sete cidades e assim

Falou-me das saudades
Dos campos dos girassóis
Dos voos altos do açor
Do canto dos rouxinóis

Falei-lhes das luas cheias
Dos sonhos que tinha em menino
Disse-lhe que quis ser bombeiro
Poeta, compositor

Cantei-lhe os poemas e as prosas
Com que marquei meu caminho
nas minhas secretas demandas
Em busca de amor e carinho


Ela aceitou ser meu tema
Minha doce inspiração
Aceitei faze-la poema
Juntos fizemos canção

Mas depois de tudo isto
Deixo-vos a questionar
Será que já mora sonho
Na historia que estou a contar

serão as linhas que escrevo
Marcas da imaginação
Ou o coração a dizer
Que há espaço para a paixão

Será o sonho real
Ou apenas mero pranto
O que importa e que seja sonho
para o amanha ter encanto

Por isso deixem-se ser navios
senhores doces das manhas
zarpem alegres do cais dos medos
rumo ao amanhecer

por isso peço-vos esperança
e que acreditem em vos
vossa e a luz que aqui escrevo
para os amantes e os sós

amar e bom
não e esmorecer
por isso sejam luz
sejam alma
amor acabara por acontecer

e quando o fizer...
seremos pouso
será bom
seremos ser

terça-feira, fevereiro 27, 2007

oh solidão

Oh solidão
Minha solidão
Vem ficar comigo
Dou-te o meu coração

Diz-me que és abrigo
Meu cais... ilusão
Leva-me contigo
Não importa a razão

Eu andava vazio
perdido de mim
Bússola sem rumo
À espera do fim

Eu andava parado
Sem ter onde chegar
Um barco sem caís
À deriva do olhar

Vem falar-me dos astros
Do vento ... de ti
Prende-me aos teus olhos
Quero ficar junto a ti

Vem ser meu poema
Meu sonho meu mar
Deixa-te ser meu tema
Quero poder-te cantar

Vamos tornar belo o dia
Meu amor querubim
Doce sopro do vento
Sorriso .. segredo azul de ti

Vamos dar cor ao mundo
Que é tão escuro para nós
Quero voar contigo
Juntos não estamos sós

Quero mostrar-te que há rochas
Que vencem o tempo
Para repousares teu sonho
Sem medo do vento

Quero que me ensines
A ir sem temer
porque as vezes sonhar
É aprender a viver

Oh solidão
Minha solidão
Vem ser luz
Vem ser tu

Meu ninho
Meu cais
Meu pássaro
Meu barco

Meu poema
Meus ais
Meu sopro
Meu canto

Meu sonho
Meu mar
Meu encanto louco
Perdido de te amar

Achado nos teus olhos
Nesses sonhos que trazes
Nesse azul celeste
Dos poemas que fazes

Quero escrever contigo
Sonhos sem grilhetas
Cais das descobertas
Mil poemas .... a vida

sexta-feira, fevereiro 23, 2007

Para ti Zeca Afonso

Porque passaram 20 anos desde que partiste
Porque vives para sempre nas tuas baladas e cantos
Porque foste és e serás sempre Poeta, Professor,companheiro... camarada... marinheiro de caravelas feitas de letras...
Porque como ninguem soubeste cantar a liberdade e a liberdade fez das tuas letras o seu grito, mesmo sem saberes...
Porque quando fizeram do teu canto hino soubeste ser livre e ser guia e lembrar que a liberdade é uma conquista quotidiana.
Porque como ninguém fizeste-nos ver que não existe raça, lado, credo... que o que importa é mesmo o querer... é mesmo o ser.
Porque mostras-te que os homens se podem sempre fazer "homens novos" e que não importando se vieram do "bairro negro" ou se são " indios da meia praia"ou o"homem que veio da guerra", são todos "filhos da madrugada" e assim tem direito a morar na "grandola vila morena" e a sonharem ser meninos ao som da "canção de embalar".

Porque este espaço é acima de tudo um espaço de partilha, deixo-te esta homenagem simples que partilho com os meus amigos e com todos os que quiserem vir cá... por isso "venham mais cinco"
A vocés amigos deixo uma das musicas de zeca afonso de que mais gosto, chama-se Canção Do Desterro.


(emigrandes)

Vieram cedo
Mortos de cansaço
Adeus amigos
Nao voltamos cá
O mar é tao grande
E o mundo é tao largo
Maria Bonita
Onde vamos morar
Na barcarola
Canta a Marujada
- O mar que eu vi
Nao é como o de lá
E a roda do leme
E a proa molhada
Maria Bonita
Onde vamos parar
Nem uma nuvem
Sobre a maré cheia
O sete-estrelo
Sabe bem onde ir
E a velha teimava
E a velha dizia
Maria Bonita
Onde vamos cair
A beira de àgua
Me criei um dia
- Remos e velas
Lá deixei a arder
Ao sol e ao vento
Na areia da praia

Maria Bonita
Onde vamos viver
Ganho a camisa
Tenho uma fortuna
Em terra alheia
Sei onde ficar
Eu sou como o vento
Que foi e nao veio
Maria Bonita
Onde vamos morar
Sino de bronze
Lá na minha aldeia
Toca por mim
Que estou para abalar
E a fala da velha
Da velha matreira
Maria Bonita
Onde vamos penar
Vinham de longe
Todos o sabiam
Nao se importavam
Quem os vinha ver
E a velha teimava
E a velha dizia
Maria Bonita
Onde vamos morrer "


Zeca Afonso


Bom fim de semana

sexta-feira, fevereiro 16, 2007

coisas nossas

porque há pessoas especiais que nos acompanham na nossa viagem pela vida e a quem as vezes não damos o devido valor,
porque essas pessoas estão lá, as vezes em silencio sempre que precisamos de alguem que nos ouça e sabem conter como ninguem a nossa dor quando ela teima em transbordar os rios da vida.
porque graças a elas a solidão não é tão forte porque sabemos que elas estão lá.
quero prestar-lhes, prestar-vos uma sincera homenagem por todas as belas cores que tem ajudado a dar a minha vida.

beijo para quem for de beijo, abraço para quem for de abraço

fica aqui um trecho de um poema de pablo neruda, acima de tudo porque tem muito do que disse acima.

"Tu eras também uma pequena folha
que tremia no meu peito.
O vento da vida pôs-te ali.
A princípio não te vi: não soube
que ias comigo,
até que as tuas raízes
atravessaram o meu peito,
se uniram aos fios do meu sangue,
falaram pela minha boca,
floresceram comigo."


bom fim de semana.

sexta-feira, fevereiro 09, 2007

Outra vez Quintana, com votos de um bom fim de semana

Porque descobrir Mário Quintana está a ser soberbo,
porque como eterno aprendiz de poeta admiro quem como ele consegue sonhar com as palavras.
porque ontem à noite estava na praça rodrigues lobo e ao deparar com o facto de estar sozinho la senti-me um pedacinho como ele se deve ter sentido neste poema.
Porque a mónica colocou este texto no meu post e eu amei-o
Porque haja ou não haja estrelas e céu ainda há sonho.
porque este fim de semana pode ser que apesar de tudo a lua ainda exista.

deixo-vos este poema, com uma profunda amizade e votos de um luminoso e terno fim de semana.


"Ao longo das janelas mortas
Meu passo bate as calçadas.
Que estranho bate!...Será
Que a minha perna é de pau?
Ah, que esta vida é automática!
Estou exausto da gravitação dos astros!
Vou dar um tiro neste poema horrivel!
Vou apitar chamando os guardas, os anjos, Nosso
Senhor, as prostitutas, os mortos!
Venham ver a minha degradação,
A minha sede insaciável de não sei o quê,
As minhas rugas.
Tombai, estrelas de conta,
Lua falsa de papelão,
Manto bordado do céu!
Tombai, cobri com a santa inutilidade vossa
Esta carcaça miserável de sonho..."

Mário Quintana

quarta-feira, fevereiro 07, 2007

falhar

as vezes por mais que nos esforcemos falhamos sempre, como se falhar fosse o destino ou fossemos falhados por natureza.
as vezes por mais que lutemos por uma causa, por mais que nos empenhemos, por mais sangue ou lagrimas que corram pelas veias e pelos olhos perdemos sempre.
as vezes por mais que gritemos o amor, por mais fieis e romanticos que queiramos ser, por mais intenso e dedicado que for o nosso amar percebemos que estaremos sempre sós...

assim atirados pelo vento damos por nós vencidos... e pior que isso, a ter de existir sem raizes.

sexta-feira, fevereiro 02, 2007

bom fim de semana amigos

so para dizer que vos adoro.

quarta-feira, janeiro 31, 2007

Desculpem...

Porque hoje o vento esmorece em mim o sonho,
porque há um vazio que fica além das palavras,
porque o frio do tempo se entranha no corpo e a alma gelida sente falta de cor...
porque as vezes a vida se escapa e os sonhos e os sentimentos ficam aprisionados cá dentro...
estou sem inspiração para dar luz a este espaço, dai a escassez dos posts, dai talvez a escassez das vossas visitas.
Sabem dia a dia confesso que sei menos sobre o que é a busca da essencia, talvez por isso tenha uma melodia a latejar-me na cabeça, para que saibam o que me vai no coração?

deixo-vos os "the Gift" com a letra "eu já não sei se sei"


Talvez por não saber falar de cor, imaginei
Talvez por não saber o que será melhor, aproximei
Meu corpo é o teu corpo o desejo entregue a nós
Sei lá eu o que queres dizer, despedir-me de ti
Adeus um dia voltarei a ser feliz

Eu já não sei se sei o que é sentir o teu amor,
não sei, o que é sentir, se por falar falei
Pensei que se falasse era fácil de entender

Talvez por não saber falar de cor, imaginei
Triste é o virar de costas, o último adeus
Sabe Deus o que queres dizer

Obrigado por saberes cuidar de mim,
Tratar de mim, olhar para mim, escutar quem sou,
e se ao menos tudo fosse igual a ti

Eu já não sei se sei o que é sentir o teu amor,
não sei o que é sentir, se por falar falei
Pensei que se falasse era fácil de entender

É o amor, que chega ao fim, um final assim,
assim é mais fácil de entender

Eu já não sei se sei o que é sentir o teu amor,
não sei o que é sentir, se por falar falei
Pensei que se fala-se era fácil de entender


The Gift


Bem ajam.

terça-feira, janeiro 23, 2007

Porque a inspiração tarda a morar aqui...

porque a inspiração tarda a morar aqui
porque mais do que a ausencia do sonho
me doi a confusão dos resticios dos sonhos que ainda tenho
porque não consigo fazer germinar de mim as palavras como outrora.

pedi ajuda à madrinha deste espaço para me emprestar um pedacinho da sua luz, do seu brilho.

ela trouxe consigo o seu "maninho rosticovaq.." e os dois fizeram vir a tona o maravilhoso poema que se segue.

muito obrigado a eles pela maravilhosa luz, muito obrigado a voces que ainda vem cá.




sinto o feixe de luz,
que ilumina em mim essa tua dor..
luz ou dor quente forte..
dor que sentes quando parto..
mas hoje ficamos às escuras,
eu fico.
tu ficas.
nós ficamos.
comprenetrados no silêncio da escuridão,
ouvindo o respirar ofegante
que se encontra numa noite
de luar,
como que nos abraçando..
como se nos a tocar devagarinho,
substituindo a tua mão no meu corpo,
a minha mão no teu corpo..
e imoveis,
inertes,
ali ficamos,
até a dor passar
..até a luz vir.

quinta-feira, janeiro 11, 2007

Homenagem a Mario Quintana (1906-1994)



"Eu queria trazer-te uns versos muito lindos
Eu queria trazer-te uns versos muito lindos
colhidos no mais íntimo de mim...
Suas palavras seriam as mais simples do mundo,
porém não sei que luz as iluminaria
que terias de fechar teus olhos para as ouvir...
Sim! Uma luz que viria de dentro delas,
como essa que acende inesperadas cores
nas lanternas chinesas de papel!
Trago-te palavras, apenas... e que estão escritas
do lado de fora do papel...
Não sei, eu nunca soube o que dizer-te
e este poema vai morrendo, ardente e puro, ao vento
da Poesia...
como uma pobre lanterna que incendiou!"

Mario Quintana - Extraído do livro "Quintana de bolso", Editora LP&M Pocket - Porto Alegre (RS), 2006, pág. 59, seleção de Sergio Faraco.



Deixo-vos esta homenagem ao grande poeta Mario Quintana, porque me apeteceu e hoje de manhã a minha amiga Patricia me enviou um email sobre ele, dando-me um pouco da sua maravilhosa luz para agitar o dia.

Porque este ano vou tentar sempre reter todos os dias algo positivo dos meus dias para vos devolver neste blog.


bem ajam

quarta-feira, janeiro 10, 2007

Epicuro

"Na juventude, não devemos hesitar em filosofar; na velhice, não devemos deixar de filosofar. Nunca é cedo nem tarde demais para cuidar da própria alma. Quem diz que não é ainda, ou já não é mais, tempo de filosofar, parece-se ao que diz que não é ainda, ou já não é mais, tempo de ser feliz. Jovens ou velhos, devemos sempre filosofar; no último caso, para rejuvenescermos ao contacto do bem, pela lembrança dos dias passados, e no primeiro, para sermos, embora jovens, tão firmes quanto um ancião diante do futuro. É mister, pois, estudar os meios de adquirir a felicidade; quando a temos, temos tudo; quando a não temos, fazemos tudo por adquiri-la."

Epicuro, in 'A Conduta na Vida'


"O mesmo conhecimento a que devemos o consolo de que nenhum terror é eterno ou que dure muito tempo, também nos deixa compreender que durante o terror, de duração limitada, a verdadeira segurança nos é proporcionada pela amizade"


Epicuro

"Das coisas que a sabedoria proporciona para tornar a vida inteiramente feliz, a maior de todas é uma amizade".

Epicuro

"Faz tudo como se alguem de contemplasse"


Epicuro


Bom ano, neste primeiro post 2007 deixo-vos quatro citações de um grande génio da filosofia grega, porque falam de 3 coisas que me tem feito pensar nos ultimos tempos:

- quem sou eu e quem somos nós na nossa imagem ao longo dos anos.
- amizade
- devir, como dever ser ou conduta.

simplesmente porque filosofar é preciso e a ultima citação,colocada num wallpapper que vi hoje de manhã me fez sorrir.


que o ano seja vosso para realizarem todos os sonhos.



bem ajam

domingo, dezembro 31, 2006

Novo ano... nascer, renascer voltar a nascer


Dizer um corpo.
Onde nenhum.
Mente nenhuma.
Onde nenhuma.
Ao menos isso.
Um lugar.
Onde nenhum.
Para o corpo.
Estar lá dentro.
Mover-se lá dentro.
E sair.
E voltar lá para dentro.
Não.
Sair nenhum.
Voltar nenhum.
Só entrar.
Ficar lá dentro.
Em diante lá dentro.
Parado.
Tudo desde sempre.
Nunca outra coisa.
Nunca ter tentado.
Nunca ter falhado.
Não importa.
Tentar outra vez.
Falhar outra vez.
Falhar melhor.
Primeiro o corpo.
Não. Primeiro o lugar.
Não. Primeiro ambos.
Ora um deles.
Ora o outro.
Até fartar de um deles e tentar o outro.
Até fartar também deste e fartar outra vez de um deles.
Assim em diante.
Dalgum modo em diante.
Até fartar de ambos.
Vomitar e partir.
Para onde nem um nem outro.
Até fartar desse lugar.
Vomitar e voltar.
Outra vez o corpo.
Onde nenhum.
Outra vez o lugar.
Onde nenhum.
Tentar outra vez.
Falhar outra vez.
Melhor outra vez.
Ou melhor pior.
Falhar pior outra vez.
Ainda pior outra vez.
Até fartar de vez.
Vomitar de vez.
Partir de vez.
Onde nem um nem outro de vez.
De vez e tudo.

Samuel Beckett - Pioravante marche.

Bom ano amigos.. que neste ano de 2007 possamos todos "tentar outra vez, falhar outra vez, melhor outra vez", espero que todos os vossos sonhos se realizem e que o ano que ai vem seja melhor e mais justo para todos.
obrigado por fazerem parte dos meus dias

sábado, dezembro 23, 2006

BOAS FESTAS

Era uma vez um cego de nascença. Nunca tinha visto o sol, e perguntava como era este às pessoas que enxergavam.

Alguém lhe disse: O sol é como uma bandeja de latão.

O cego bateu na bandeja de latão e ouviu o som.

Depois, quando ouviu um sino, pensou que fosse o sol.

Outra vez, disse-lhe alguém: o sol é como uma vela.

O cego apalpou uma vela, e pensou que assim era o formato do sol.

A verdade é mais difícil de descrever que o sol; e quando os homens não a conhecem, são exactamente como o cego.

Ainda que façais o possível para esclarecê-la por meio de comparações e exemplos, ela ficará tão confusa como a comparação da bandeja de latão e da vela.

Su Tungp’o

Desejo-vos um optimo natal e um ano de 2007 cheio de ternura, amor, saude e paz.

Espero que no novo ano vos traga tudo o que desejam e que a humanidade possa alcançar a harmonia e a paz de que necessita para se tornar mais igual e mais justa .

gosto muito de vocés.

ps. esta citação foi uma resposta a um poema que coloquei no blog de uma pessoa muito especial há cerca de ano e meio, desde aí tem sido maravilhoso entrar neste universo da net, mas também poder partilhar da grandeza e magia do sorriso dessa pessoa, bem como das alegrias, sonhos, loucuras e tristezas de todos vocés que vem cá e me leem.

à madrinha deste espaço queria deixar aqui uma sinecra homenagem por tudo o que é, por tudo o que sente sonha e vive, mas tembém por toda a magia que ajuda a trazer aos dias daqueles que com ela se cruzam.

a todos voces o meu sincero obrigado pela imensa capacidade que tem em partilhar-se neste imenso universo que é a escrita.

O blog é vosso..

adoro-vos

segunda-feira, dezembro 04, 2006

Dizem que a paixão o conheceu

porque este poema de Al Berto exprime muito bem o modo como me tenho sentido....
Espero que nas vossas almas a paixão esteja viva e os sonhos sejam possiveis.


"Dizem que a paixão o conheceu

dizem que a paixão o conheceu
mas hoje vive escondido nuns óculos escuros
senta-se no estremecer da noite enumera
o que lhe sobejou do adolescente rosto
turvo pela ligeira náusea da velhice

conhece a solidão de quem permanece acordado
quase sempre estendido ao lado do sono
pressente o suave esvoaçar da idade
ergue-se para o espelho
que lhe devolve um sorriso tamanho do medo

dizem que vive na transparência do sonho
à beira-mar envelheceu vagarosamente
sem que nenhuma ternura nenhuma alegria
nunhum ofício cantante
o tenha convencido a permanecer entre os vivos"


Al berto

domingo, novembro 26, 2006

desculpem ter estado ausente....

Pois é a vida tem destas coisas, todos os anos há um dia em que teimosamente ou não damos por nós a somar mais um ano, a deitar fora uma pagina do calendário, a nascer de novo, como se ficassemos mais próximo de estar a beira do fim e ao mesmo tempo pudessemos voltar a tentar, voltar a ser, quase que a renascer.
Acertaram... estou mais velhinho...
mas se querem saber acho que o balanço até foi bom.
Foi bom voltar a estar com alguns amigos que não via há muito tempo, foi bom receber os gestos de carinho e de apreço que recebi pessoalmente, por telefone, e também pela net e pelo HI5. ADOREI.
Porque a minha amiga Monica Mendes me deixou um texto muito especial como comment decidi partilha-lo convosco porque é uma enorme mensagem de esperança.


Depois de algum tempo aprendes a diferenca, a subtil diferenca, entre dar a mao e acorrentar uma alma.
E aprendes que amar nao significa apoiar-se, e que companhia nem sempre significa seguranca. E comecas a aprender que beijos nao sao contratos, presentes nao sao promessas.
E nao importa o quao boa seja uma pessoa, ela vai ferir-te de vez em quando e precisas perdoa-la por isso.
Aprendes que falar pode aliviar dores emocionais.
Descobres que se leva anos para se construir confianca e apenas segundos para destrui-la, e que podes fazer coisas num instante, das quais te arrependeras pelo resto da vida.
Aprendes que verdadeiras amizades continuam a crescer mesmo a longas distancias.
E o que importa nao e o que tu tens na vida, mas quem tens na vida.
Descobres que as pessoas com quem mais te importas na vida, sao tiradas de ti muito depressa; por isso, sempre devemos deixar as pessoas que amamos com palavras amorosas; pode ser a ultima vez que as vemos.
Aprendes que paciencia requer muita pratica.
Aprendes que quando estas com raiva tens o direito de estar com raiva, mas isso nao da o direito de seres cruel.
Aprendes que nem sempre e suficiente ser perdoado por alguem.
Algumas vezes, tens que aprender a perdoar-te a ti mesmo.
Aprendes que com a mesma severidade com que julgas, tu seras em, algum momento, condenado.
Aprendes que nao importa em quantos pedacos teu coracao foi partido, o mundo nao para para que o consertes.
E, finalmente, aprendes que o tempo, nao e algo que possa voltar para tras.
Portanto, planta teu jardim e decora tua alma, ao inves de esperar que alguem te traga flores.
E percebes que realmente podes suportar... que realmente es forte, e que podes ir muito mais longe depois de pensar que nao se pode mais.
E que realmente a vida tem valor, e que tu tens valor diante da vida! E so nos faz perder o bem que poderiamos conquistar, o medo de tentar!

William Shakespeare


Obrigado Mónica... como ves estou de volta

quarta-feira, novembro 15, 2006

Quem dera...

onde estão
os sinais de mim
pedaços soltos
dos dias que vivi
andava à procura
de sonhos
esqueci-me
de mim

quero regressar a casa
e nem sei de onde vim
não tenho morada
quem dera dize-la aqui
trago no olhar
uma quimera de sonhos
vestígios de vida
a deriva no mar
dos meus olhos

ai meu deus
quem dera
ser só essência
poeira vá de vida
num qualquer caminho
escoria ao vento
longe da impaciência
em que se afunda
a esperança

aiaiaiaii
ai
quem dera
ehehehehehe
ser fera
primavera
quem dera
um ebrio louco
vagabundo das esquinas
ai quem dera
não ter nome
não ter pouso
não ter coração

aiai
não ter alma
so ter calma
uma alucinação
só ser vento
só ser mar
só ser devoção
não pensar em ir
não pensar em vir
não estender a mão

ai quem dera
ser calor de verão
ou cais das tormentas
beijar sem pensar
todas as bocas
e mergulhar meu corpo
em insanas camas
ehehehehe

quem dera
quem dera
não saber o que é
... a espera
... a abnegação
... o sonho
... o amor
e não ter porque cantar
esta canção.

sexta-feira, novembro 10, 2006

Já não sei...

Já não sei
O que me leva a ti
Um lençol enrolado
Num sopro de cetim
Voo de um beija flor
Eterno e enamorado
Cambalhotas de poetas
Dadas com as canetas
Num céu de papel.

Já não sei
O que me faz assim
Guardador dos sonhos
que nem sequer vivi
um bêbado adiado
fadista magoado
chorando o seu fado
como um profeta
desde o dia em que te vi


Já não sei
O que me faz sonhar
Ter o mundo defronte
Mas ficar no horizonte
Desse teu rebelde olhar
Querer ser vento e nau
Só porque trago no pensamento
E pensar que conquistaria os oceanos
Se mergulhasse nos teus braços


Já não sei
O que é querer ser mar
Sem trazer lagrimas
no fundo do olhar
mares por acontecer
saudades de ti
vindas de dentro da alma
quando perco a calma
e me sinto a esmorecer

Já não sei
O que é ser luz sem ti
Candeia de sonhos
Vestígios de ti
Perfume da noite
Numa rua deserta
Doce alucinação
Meu amor
Minha prisão


Meu oculto amor
já não sei ...
....amar-te
... querer-te
... chorar-te
... sonhar-te
... viver-te
... cantar-te
... ser teu.

domingo, novembro 05, 2006

Amigo... por Monica Mendes

Porque a amizade é as vezes o único folego que nos mantem vivos

Amigo...
Aquele que me faz sorrir
Aquele que me faz feliz,
Aquele que me faz sentir
Quando estou por um triz.
Aquele que me anima
Aquele que me mima,
Aquele que me poe para cima
Quando a tristeza me domina.
Aquele que me faz rir
Quando na verdade quero chorar,
Aquele que faz tudo para me alegrar.
Aquele que E a personificaCao da amizade,
Aquele que quando esta longe
Nos faz morrer de saudade.
Sem eles,
nao saberia viver,
Me deixaria elouquecer.
Amigos sao um oceano profundo
Fazem parte do nosso mundo.
Sentem-se presentes
Mesmo quando estao ausentes,
Vivem no nosso coraCao
Nos dao a sua luz
Quando estamos na escuridao.
Muitas pessoas passam pela nossa vida
Mas os amigos verdadeiros nao passam,
Ficam...

quinta-feira, novembro 02, 2006

em memória de Bruno Carvalho


Campo base, campo base… aqui Rosado! O Bruno morreu ontem à tarde – repito - o Bruno morreu ontem, na descida!”


Rui Rosado


Embora não te tenha conhecido em vida...
Embora nunca tenhas vindo a este espaço...
Apesar de teres uma dimensão do espaço e da altitude muito maior do que a que alguma vez terei...
Apesar de não ter conhecido antes a glória dos feitos e passos que deste ao longo dos teus 31 anos de vida, nem ter podido congratular-me ou homenagear-te neste blog por eles (coisa esta trágica que é a morte, em que os herois só o são ao partirem)...
Como Português que sou... como representante daquele velho povo de guerreiros e navegantes com aquele espirito aventureiro de que tu e todos os participantes da expedição "À conquista dos Picos do Mundo" são ainda embaixadores. Venho por este meio prestar-te uma homenagem postuma e sincera, pela coragem, pela capacidade de acreditar e pela tenacidade com que ousaste ir mais além.
Nunca esqueceremos que horas antes de teres partido, quem sabe para conquistares outra montanha, noutra dimensão qualquer, conquistas-te, juntamente com o João Garcia, o Rui Rosado e o sherpa Nuro, o Shisha Pangma ou Trono dos Deuses, no Tibete, situado a 8013 metros de altitude.

Que além do trono dos deuses em que agora te sentas possas olhar-nos e orgulhares-te pelas nossas conquistas.
Que o Helder, o João, a Ana, o Rui e todos aqueles portugueses e sherpas que participam nessa ardua missão que é inscrever o nome de Portugal na lista de paises que escalaram os maiores cumes do mundo, tenham alento neste momento dificil para completarem esse intento magnifico.
Que portugal saiba honrar-vos, hoje e sempre.


bem ajas.
pelo sonho, pelo ousar querer.

domingo, outubro 29, 2006

Em torno de um banco de jardim...

A propósito do texto " O desconhecido" que a isa xana colocou no blog dela.

... Estavam perdidos os dois sós no banco do jardim....
perdidos nos seus casulos, nessa solidão que era de ambos sem o saberem...
porque essa solidão é sempre nossa e as vezes embrulha-nos, faz-nos esquecer que ao nosso lado alguém está só também.
A solidão é mais genuina se pensarmos que é só nossa ...
dá-lhe uma gradação maior, um fatalismo maior, a capacidade de suportar como herois frigios faz-nos ascender ao limbo se sentirmos que somos os únicos a sofrer assim, a sentir assim.
... Estavam os dois lado a lado,serenos, parados, quedos, calados...
O olhar dele não se tinha ainda focado na luz eterna e azul do olhar dela.
Ela não tinha ainda reparado no ar triste, melancólico, quase profético e louco dele.
Se o tivessem feito os olhos dele teriam ficado iluminados com a luz que vinha dos dela, e os dela teriam ainda ficado mais eternos porque enfeitiçado que estava ele não teria resistido a tranformar a luz que deles vinha em poema, em grito, em ode... e quando os cantasse seria a ela que cantaria até ao final dos anos.
Mas nem ele nem ela tinham reparado no outro... estavam desencontrados, os dois cada um na sua solidão ...
nessa solidão em que teriam ficado se uma borboleta não tivesse passado a esvoaçar à frente dele pousando depois sossegada no colo dela, se ao faze-lo a borboleta bela que era não tivesse feito que ele se virasse para a rapariga, se não tivesse feito que os dois olhares se cruzassem, se não os tivesse feito os dois esclamar - é linda... e assim obriga-los a romper a masmorra de silencio.
Se o facto de ele sorrir por terem os dois falado ao mesmo tempo não a tivesse cativado para o seu sorriso triste mas belo,
se o olhar cativo dela não tivesse brilhado mais ao ponto de ele não conseguir resistir-lhe e desejar mergulhar naquele azul, e desejar canta-lo...
se ficaram os dois juntos ?????
não o sei.... que importa ... afinal o banco de jardim é um abrigo...
não é...
shiu.... a borboleta ainda está pousada,
as asas abertas parecem agora um coração, parecem palpitar...
deixa-os sossegados...

quarta-feira, outubro 25, 2006

O blog faz um anito

Pois é o blog está mais velho.
foi-se um ano de partilha de sentimentos, de sonhos, de esperanças e de descrenças, de sombra e de luz.
Um ano em que me dei a conhecer e vos fui conhecendo, um ano em que nos demos, nos despojamos a nós mesmos, nos enraizamos num espacinho ainda virtual como flores que desabrocharam e deram de si..
foi e é maravilhoso ter-vos presentes, sentir-vos letra a letra, foi maravilhoso saber que palavra a palavra os meus poemas, as minhas experiencias, os autores de quem gosto e mesmo muitas vezes os vossos textos foram encontrando eco em vocés.
estou-vos gratos por cada letra, cada silaba, cada linha que escreveram, cada pensamento de sentimento que aqui perpectuaram..
a vossa grandeza é infinita acreditem.

OBRIGADO POR FAZEREM PARTE DA MINHA VIDA.

Porque este blog não existia sem a madrinha deste espaço (que além de me ter criado, pelas visitas ao blog dela, o viciozinho de me contar, foi preponderante pelos conselhos muito avizados que me ia dando quando eu fazia asneira com a net), faz todo o sentido que seja dela o poema que agora vos deixo...
com um agradecimento especial para ela, doce e meiga Carla Lopes, pela alma, pela garra e pela essencia que foi dando à minha vida ao longo deste ano.




" Só gostava de viver aquele abraço


Ao longe um abraço..
tímido e vazio
a imensa vontade de trocar palavras..
no meio de frases sem sentido.


Mas tu partis-te!
E o teu abraço desfez-se como um laço..
que nunca mais se voltou a dar.
Tantas palavras ficaram por trocar!


Hoje voltei ao teu lugar..
escrevi "adoro-te" num laço..
embalei com um abraço..
e à tua campa fui colocar.


Desta vez o abraço não ia vazio..
ia carregado de
lágrimas..
tristeza..
e de muita saudade"



Carla Lopes

sábado, outubro 21, 2006

sonho...

O sonho desaparece
Com o decorrer do tempo,
qualquer coisa me enfurece
e sei que ja nada aguento.
Penso so...
Nos pensamentos a solidao,
vejo-me a morrer lentamente,
sozinha, procuro a razao
e o sonho recordo tristemente.
Vida sem sentido...
Tento encontrar
o Mundo perdido
para nunca mais o abandonar...


Mónica Mendes



Amiga ...
escolhi este poema teu para te dizer que é muito bom conhecer-te e estar do teu lado, ainda que a distancia.
ACREDITA nos teus sonhos.

beijo meigo

a todos vocés amigos que vem ao meu blog quero dizer-vos que estou muito feliz por fazerem parte da minha vida.
a vocés dedico este blog, que hoje faz 100 posts e praticamente um ano, aproveitando desde já para vos agradecer pelo vosso incentivo e a vossa participação neste espaço que muito mais do que meu é vosso pois não fazia qualquer sentido sem o vosso brilho

bom fim de semana

quarta-feira, outubro 18, 2006

um sorriso

"Ainda que haja noite no coracao, Vale apena sorrir Para que hajam estrelas na escuridao..."


Frase que a Monica Mendes deixou no meu HI5

Porque é necessário acreditarmos sempre na esperança de um novo dia... de um novo passo.. quem sabe para superarmos mais um degrau que nos aproximara do nosso maior sonho.

domingo, outubro 15, 2006

o blog é vosso

como este mês o blog fica mais velhinho resolvi que era chegado o vosso tempo de trabalhar para ele... de agora em diante estou aberto a publicar textos, poemas e pensamentos vossos para isso basta publicarem-nos neste post como comment que eu prometo irei coloca-los num novo post .
va-la não tenham medo sei que há muitos talentos escondidos por ai .

bem ajam...
obrigado por partilharem este espaço comigo

terça-feira, outubro 10, 2006

mar e lua


Porque sei que gostas..
pela beleza da letra de chico buarque.
porque nenhum de nós teve ainda o nosso verão
na esperança de que o verão tal como o natal possa ser quando o homem quiser
acima de tudo porque onde quer que estejas...
...és a minha lua...
... o meu sol...
o meu mar
deixo-te esta letra de chico buarque... para te inspirar antes de adormeceres.
beijo meigo




Mar e lua


Amaram o amor urgente
As bocas salgadas pela maresia
As costas lanhadas pela tempestade
Naquela cidade
Distante do mar
Amaram o amor serenado
Das noturnas praias
Levantavam as saias
E se enluaravam de felicidade
Naquela cidade
Que não tem luar
Amavam o amor proibido
Pois hoje é sabido
Todo mundo conta
Que uma andava tonta
Grávida de lua
E outra andava nua
Ávida de mar

E foram ficando marcadas
Ouvindo risadas, sentindo arrepios
Olhando pro rio tão cheio de lua
E que continua
Correndo pro mar
E foram correnteza abaixo
Rolando no leito
Engolindo água
Boiando com as algas
Arrastando folhas
Carregando flores
E a se desmanchar
E foram virando peixes
Virando conchas
Virando seixos
Virando areia
Prateada areia
Com lua cheia
e à beira-mar
Chico Buarque

domingo, outubro 08, 2006

Pablo Neruda





O teu Riso


Tira-me o pão, se quiseres,
tira-me o ar, mas não
me tires o teu riso.

Não me tires a rosa,
a lança que desfolhas,
a água que de súbito
brota da tua alegria,
a repentina onda
de prata que em ti nasce.

A minha luta é dura e regresso
com os olhos cansados
às vezes por ver
que a terra não muda,
mas ao entrar teu riso
sobe ao céu a procurar-me
e abre-me todas
as portas da vida.

Meu amor, nos momentos
mais escuros solta
o teu riso e se de súbito
vires que o meu sangue mancha
as pedras da rua,
ri, porque o teu riso
será para as minhas mãos
como uma espada fresca.

À beira do mar, no outono,
teu riso deve erguer
sua cascata de espuma,
e na primavera, amor,
quero teu riso como
a flor que esperava,
a flor azul, a rosa
da minha pátria sonora.

Ri-te da noite,
do dia, da lua,
ri-te das ruas
tortas da ilha,
ri-te deste grosseiro
rapaz que te ama,
mas quando abro
os olhos e os fecho,
quando meus passos vão,
quando voltam meus passos,
nega-me o pão, o ar,
a luz, a primavera,
mas nunca o teu riso,
porque então morreria.




Pablo Neruda in Os Versos do Capitão


deixo-vos um poema de pablo neruda, que dedico a todos aqueles que sabem o valor do amor.
simplesmente porque a poesia as vezes não pertence a quem a escreve mas sobretudo a quem sente .
boa semana

quarta-feira, outubro 04, 2006

eu hoje sou

Eu hoje sou
Um poeta errante
Sem porto de abrigo
Ferido e inconstante
A dar alento a sonhos
Difíceis de viver
A escrever para não chorar
A sonhar para não morrer

Eu hoje sou
Um barco a deriva
Embalado pelas correntes
Vou chorando a brisa
Com o mar por infinito
Vivo sem grilhetas ...
sem ter porto de abrigo
onde me levam os ventos


Eu hoje sou
uma nota solta
de uma sinfonia
que já se esqueceu
errando pelo espaço
infinito da musica
procurando o tom
que um dia alguém me deu

Eu hoje sou
uma beata de cigarro
largada ao acaso
no cinzento das ruas
no filtro trago escorias
e marcas de baton
quem sabe dos lábios
de alguem que já me amou

Eu hoje sou
O vento e a madrugada
Profeta do acaso
Bêbado sem farra
Escritor finito
De um tempo que não partiu
Vivo em busca de um grito
que ninguém ouviu

E sabem
As vezes não sei porque existo
Porque me correm os dias assim
Mas vou por diante e resisto
Porque onde quer que vá
Estão dentro de mim
e sei que o céu será de novo azul
porque estarão sempre aqui

Mas hoje não sei porque
custa-me a sentir
custa-me a ser
ou até a intuir
tenho qualquer coisa no peito
difícil de soltar
algo de eterno e profundo
que não soubesse dar

mas sabem
hoje sei quem sou...
beata de cigarros
com marca de baton
veleiro abandonado
ao sabor dos ventos
poeta louco
de um conto sem nexo
ou esquecida nota musical
ou mesmo o nada

...Eu hoje sou o nada
Eu hoje sou....
Nada
Uma pedra numa estrada
Nada
Uma corda de guitarra
Nada
Um canto da cigarra
Nada
Eu Hoje sou...
Eu
NADA

segunda-feira, outubro 02, 2006

porque há baladas que se tornaram eternas

LONELY SKY



That cold north wind they call “La Bise”

Is swirling ‘round about by knees

Trees are crying leaves into the river

I’m huddled in this French café

I never though I’d see the day

But winter’s here and summer’s really over

Even the birds have packed up and gone

They’re flying South with their song

And my love, she too has gone, she had to fly



Take care it’s such a lonely sky

They’ll trap your wings, my love, and hold your flight

They’ll build a cage and steal your only sky

Fly away, fly to me, fly when the wind is high

I’m sailing beside you in your lonely sky



The old cathedral lights are low

She and I we’d often go there

To admire and sometimes kneel in prayer

Lords and Ladies lie in stone

Hand in hand from long ago

And though their hands are cold they’ll love forever

Even the choir rehearses those songs

For Christmas is not long

And alone, I sing my song, she had to fly



Out there, it’s such a lonely sky

They’ll trap your wings, my love, and hold your flight

They’ll build a cage and steal your only sky

Fly away, fly to me, fly when the wind is high

I’m sailing beside you in your lonely sky

Fly away fly to me, and if you need my love

I’m sailing beside you in your lonely sky

I’ll come in with the dawn

I’m sailing beside you in your lonely sky

On the wings of the morn

I’m sailing beside you in your lonely sky

Above the world we’ll be flying

I’m sailing beside you in your lonely sky


CHRIS DE BURGH


Simplesmente porque este fim de semana foi muito especial para mim pois foi maravilhoso ter-te sentido doce e leve como um passaro.
porque é bom saber que esse teu imenso esforço em tentares conciliar essa tua maneira especial de seres com o curso está a ser recompensado sem que percas a tua imensa condição humana.
porque achei que quando falaste da minha ideia de ir morar para o pedrogão e do facto das implicações que ela pode ter ao nivel da proximidade das pessoas senti que havia no diálogo algo de ti, como se as vezes nos (amigos) sentisses distantes.
acordei a precisar imenso de dizer-te que onde quer que vás, o que quer que faças, aconteça o que acontecer poderás contar sempre comigo, pois estarei sempre disposto a acompanhar os teus rumos quer seja a navegar como senhor dos ventos, quer ao ritmo do caracol, devagar... mas sempre atrás de ti.

Aproveito este espacinho também para dizer à menina do olhar e à Mónica Mendes (que no hi5 ou no blog me tem perguntado se estou bem) que está tudo bem comigo, embora esteja numa fase absolutamente desinspirada, pelo que no blog só tenho colocado citações...mas as vezes sentesse mais do que se consegue por no papel.
agradeço a vossa preocupação e acima de tudo o facto de continuarem a dar cor a este espaço e à minha vida.

beijo grande e eterno como o mar

quarta-feira, setembro 27, 2006

uma flor... para ti



Hoje deixo-te apenas uma flor....
porque achei que as palavras não conseguiam expressar o que queria dizer, porque elas são demasiado pequenas para agradecer pela luz que dás aos dias.
acima de tudo porque há coisas que são demasiado belas para serem escritas.
beijo meigo.
Espero que gostes .

muita força linda

bejo

terça-feira, setembro 26, 2006

Outra vez para ti

"
No Rancho fundo


No rancho fundo
Bem pra lá do fim do mundo
Onde a dor e a saudade
Contam coisas da cidade...

No rancho fundo
De olhar triste e profundo
Um moreno conta as "mágoas"
Tendo os olhos rasos d'água

Pobre moreno
Que de noite no sereno
Espera a lua no terreiro
Tendo o cigarro por companheiro
Sem um aceno
Ele pega na viola
E a lua por esmola
Vem pro quintal desse moreno

No rancho fundo
Bem pra lá do fim do mundo
Nunca mais houve alegria
Nem de noite nem de dia

Os arvoredos
Já não contam mais segredos
E a última palmeira
Já morreu na cordilheira

Os passarinhos
Internaram-se nos ninhos
De tão triste esta tristeza
Enche de trevas a natureza

Tudo por que?
Só por causa do moreno
Que era grande, hoje é pequeno
Para uma casa de sapê
Se Deus soubesse
Da tristeza lá serra
Mandaria lá pra cima
Todo o amor que há na terra

Porque o moreno
Vive louco de saudade
Só por causa do veneno
Das mulheres da cidade

Ele que era
O cantor da primavera
Que até fez do rancho fundo
O céu maior que tem no mundo

Se uma flor desabrocha
E o sol queima
A montanha vai gelando
Lembra o cheiro da morena
"

Ari Barroso, versão cantada por Citãozinho e Chororo



Porque depois de falar contigo ficou a morar em mim uma saudade imensa, uma vontade infinita de te ver e de te abraçar.
Porque há muito de nós no moreno e todos nós já sentimos a tristeza de morar no rancho fundo rodeados pela saudade.
é muito bom saber que és lua companheira.
força linda, está quase, torço por ti.

beijo meigo e terno

domingo, setembro 24, 2006

Para ti...

Porque ando sem inspiração, ou talvez porque ando tão inspirado que não consigo soltar-me no papel...
Resolvi deixar um texto de Al Berto, talvez por saber que adoras este poeta, mas sobretudo porque este poema tem algo do tanto que eu sinto e não sei escrever.
Sabes... está a doer-me muito o fim de verão.
Beijo profundo como o mar, aquele universo hidrico feito das lágrimas que verto por não te ver.
Boa semana .
Gosto muito de ti.

Escrevo-te a sentir
escrevo-te a sentir tudo isto
e num instante de maior lucidez poderia ser o rio
as cabras escondendo o delicado tilintar dos guizos
nos sais de prata da fotografia
poderia erguer-me como o castanheiro
dos contos sussurrados junto ao fogo
e deambular trémulo com as aves
ou acompanhar a sulfúrica borboleta
revelando-se na saliva do lábios
poderia imitar aquele pastor
ou confundir-me com o sonho de cidade
que a pouco e pouco morde a sua imobilidade
habito neste país de água por engano
são-me necessárias imagens radiografias de ossos rostos desfocados
mãos sobre corpos impressos no papel e nos espelhos
repara nada mais possuo a não ser este recado
que hoje segue manchado de finos bagos de romã
repara como o coração de papel amareleceu no esquecimento de te amar

Al berto in «Trabalhos do Olhar», 1976/82: Filmagens, 1980/81

quarta-feira, setembro 20, 2006

a vida....

" Quando tudo corre mal...
Quando o mundo parece ter acabado,
Quando o céu escurece,
Quando o nó na garganta nao se desfaz,
Quando as lágrimas nao param de cair...
Pensa que estás vivo,
E a vida, não é um ponto final,
Mas sim, reticências."

Monica Mendes



Porque achei que de repente este comentário da Mónica Mendes ao meu post "cansaço" merecia honras de primeira página :)

Porque pensei que este texto vos pudesse ajudar a tornar o dia mais positivo.

Porque tenho imensas saudades vossas.

acima de tudo porque GOSTEI e como GOSTO MUITO DE VOCÉS achei que era bom partilha-lo convosco.


afinal os blogs só tem sentido porque nos damos.

bom dia

domingo, setembro 10, 2006

o Bushido.. ou a via do guerreiro

Numa altura em que me sinto algo desenraizado, como se não pertencesse a este tempo, como se não fosse possivel encontrar nas formas actuais de pensar, sentir e agir um porto de abrigo. Sobretudo porque nos nossos dias somos atacados pela hipocrisia, pela desonra, pela falta de confiança, procurei algumas informações sobre aquele que considero um dos mais importantes códigos de conduta da nossa História, o código Bushido (Bushi Do) ou " A via do Guerreiro.
Este código é acima de tudo um código de principios morais e éticos que no japão ancestral pautavam a conduta dos samurais.

Os seus preceitos são:


GI - Justiça e Moralidade Atitude directa, razão correcta, decidir sem hesitar;
YU - Coragem, Bravura heróica;
JIN - Compaixão Benevolência, simpatia, amor incondicional para com a humanidade;
REI - Polidez e Cortesia, Amabilidade;
MAKOTO - Sinceridade Veracidade total, nunca mentir;
MEIYO - Honra Glória;
CHUGO - Dever e Lealdade Devoção, Lealdade
Levados por estes preceitos os Samurais ( ou bushi ) conseguiram fama pela sua honra, bravura, técnicas marciais, e por evidenciarem um imenso desapego pelas coisas materias e pela própria vida terrena, demonstrando mesmo terem um espírito inabalável diante da morte.
Este desapego é aliás notório no credo samurai que passo a transcrever.

Eu não tenho pais, faço do céu e da terra meus pais.
Eu não tenho casa, faço do mundo minha casa.
Eu não tenho poder divino, faço da honestidade meu poder divino.
Eu não tenho pretensões, faço da minha disciplina minha pretensão.
Eu não tenho poderes mágicos, faço da personalidade meus poderes mágicos.
Eu não tenho vida ou morte, faço das duas uma, tenho vida e morte.
Eu não tenho visão, faço da luz do trovão a minha visão.
Eu não tenho audição, faço da sensibilidade meus ouvidos.
Eu não tenho língua, faço da prontidão minha língua.
Eu não tenho leis, faço da auto-defesa minha lei.
Eu não tenho estratégia, faço do direito de matar e do direito de salvar vidas minha estratégia.
Eu não tenho projetos, faço do apego às oportunidades meus projectos.
Eu não tenho princípios, faço da adaptação a todas as circunstâncias meu princípio.
Eu não tenho táticas, faço da escassez e da abundância minha tática.
Eu não tenho talentos, faço da minha imaginação meus talentos.
Eu não tenho amigos, faço da minha mente minha única amiga.
Eu não tenho inimigos, faço do descuido meu inimigo.
Eu não tenho armadura, faço da benevolência minha armadura.
Eu não tenho castelo, faço do caráter meu castelo.
Eu não tenho espada, faço da perseverança minha espada.
Quem sabe se inspirados neste código nos poderemos tornar melhores pessoas.
Eu estou aberto a descobrir.
bem ajam

quinta-feira, setembro 07, 2006

Adeus férias....


Pois é as férias são agora uma miragem... Agosto parece ter definitivamente terminado...
Recomeça a rotina... o cumprimento de horários... a prisão do relógio.
Os amigos começam a ter de ir para Universidade.... deixa-se de repente de ter companhia para beber café e quando damos conta já nem as pessoas que nos serviam esse café ou aquele chá são as mesmas...
Chiça... até dói... parece que há qualquer coisa que remói cá dentro... bem nas entranhas da alma e do ser.
Quero areia debaixo dos pés... quero de volta os dias de férias em que não tive planos e que não soube aproveitar... quero os dias em que não fiquei na praia porque o tempo esteve nublado... porque estava frio.
No final das férias percebi que a praia mão estava assim tão agreste e que o calor humano das pessoas compensava tudo.
Pena é que estas férias a gosto ou a contra gosto... ainda não sei... tenha dado uma de solitário...
Acreditem passei muito tempo sozinho, com excepção das idas à praia com a minha grande mãe, o meu irmão e a Ana pequenina, do grande dia que passei com os meus bons amigos Bruno e Ines e em que corremos quase as praias todas do distrito, do especial passeio nocturno na mata de São Pedro, com o privilegio da companhia sempre especial da Diana, do Énio, da Ines e do Bruno, das saídas para tomar café com a Marilia, o Filipe e a Diana Rolo sem esquecer a grande honra e o grande desafio que foi para mim, (eu que sou um inculto no volei, pelo menos pensava que era) ajudar a minha grande amiga Marilia, a Vanessa, a Susana e o Ramalho a organizar o 2.º torneio de voleibol do Académico.
É verdade que os dias do torneio foram muito ocupados, sempre de um lado para o outro, a deitar-me às tantas da madrugada e a levantar-me antes do nascer do sol... mas no entanto foram momentos espectaculares, cheios de companheirismo e de espirito de equipa, de amizade e de capacidade de cooperação, patentes não só entre os organizadores, mas também entre os vários jogadores e entre jogadores e organização.
Adorei... posso dizer que foi um torneio genial e super disputado, com jogos super renhidos, sem nunca faltar um tempinho para o convívio e para a boa disposição.
Fiquei fã do volei de praia e acreditem se a organização me aceitar como colaborador para o ano (please... aceitem) lá estarei outra vez disposto a estar com vocês.
Antes de terminar quero agradecer não só as pessoas que estiveram comigo na organização, à Rita que acampou connosco e alegrou os dias com a sua simpatia, ao Filipe que me honrou com a possibilidade de ver o logo da grande revista dele nas T- Shirts, mas também ao Guto, ao TP, à Rita Carmim, à Beta Simões, à Fininha, ao Bruno e todos os outros jogadores, público e árbitros por me terem mostrado a magia do volei mas sobretudo por, com a sua presença terem alegrado os meus últimos dias de férias.
Aproveito ainda a oportunidade de agradecer ao meu amigo Bruno pelo companheiro que tem sido e para deixar um beijo cheio de carinho, amizade e solidariedade para a Diana e a Ines.
Que na vida possam haver sempre momentos mágicos como o que surge retractado na imagem em que o Gutto (que aliás forneceu amavelmente a “plingrafia” parece voar ..
Possa eu disputar todas as coisa como vocês disputavam as bolas.Bem ajam a todos.

quarta-feira, setembro 06, 2006

cansaço....

Hoje pela primeira vez desde há muito tempo acordei cansado de mim mesmo.
Cansado da traição do meu corpo que já não aguenta o cansaço, das minhas pernas que arquejam as vezes em esforço... da minha cabeça que lateja se não durmo....
Cansado de construir sonhos no deserto e de os ver perder no vento e nas areias, de ver formar sonhos vãos sem alicerces.
Cansado de amar sem ser amado, de querer quem não me quer, de ser ave e não voar.
Cansado de sentir que sou para os outros porto de abrigo, sabendo que não consigo abrigar-me a mim próprio...
Cansado de ficar e ver partir...
Hoje estou simplesmente farto de tudo.... da hipocrisia de quem julga sem ser julgado, da blasfémia, da frigidez deste estado paralisado que é Portugal.... da Frigidez da cultura que não nos ensina a sentir e que nos torna cada vez mais escravos das vontades in... modas in... sonhos out.
Estou cansado... de vestir a mascara ridícula que envergo dia a dia, como se ainda continuasse a acreditar.