segunda-feira, maio 29, 2006

ERNEST HEMINGWAY



"Se pensarmos um pouco, as pessoas boas sempre foram pessoas alegres. "

Ernest Hemingway
"O Bom Escritor

Todos os bons livros assemelham-se no facto de serem mais verdadeiros do que se tivessem acontecido realmente, e que, terminada a leitura de um deles, sentimos que tudo aquilo nos aconteceu mesmo, que agora nos pertencem o bem e o mal, o êxtase, o remorso e a mágoa, as pessoas e os lugares e o tempo que fez. Se conseguires dar essa sensação às pessoas, então és um bom escritor."

Ernest Hemingway

"A sabedoria dos velhos é um grande engano. Eles não se tornam mais sábios, mas sim mais prudentes "

Ernest hemingway "O Adeus às Armas"
uma homenagem merecida a alguem que soube viver a vida na sua tenacidade...
na esperança de que a obra o velho e o mar continue a saber ensinar adultos e crianças a ousarem acreditar nos seus sonhos, tal como santiago, o velho pescador.
até a um por-do-sol africano qualquer

sábado, maio 27, 2006

KERO-TE

Ele trajava um casaco azul escuro, já um bocado desbotado, mas ainda assim exuberante e uma camisa de um branco madrepérola muito bem gomada, calçava um par de sapatos ao melhor estilo inglês quase a lembrar um dançarino de outros tempos. Quem o visse aliás a passear na rua com a sua velha bengala e chapéu de coco, com aquele ar frigio e rectilíneo de quem parece andar sem tocar o firmamento, facilmente poderia imagina-lo a dançar ao lado do fred astaire, tão subtil era a sua forma de andar, de gestuar, tão delicada era a sua conduta.
- é o ultimo dos senhores! - alguém disse, O último dos poetas…
Com efeito quem atentasse ao seu rosto mesmo sem ser preciso ler as suas obras, mesmo sem ser preciso ouvi-lo, só pelo modo como os seus olhos brilhavam, só pelo modo como o seu sorriso era aberto e grande e pela forma como esse sorriso emergia do fundo da sua farta barba escura de onde a onde já ponteada pelo branco dos seus 49 anos, facilmente identificava nele um poeta, um amante do sonho mais do que da vida.
De facto ele escrevia, de facto compunha versos e versos letra a letra, de facto apregoava o amor, o canto, a mágoa, o sonho, a perda e fazia-o tão bem e de um modo tão profundo que se em qualquer recanto ele dissesse um dos seus poemas conseguia parar a cidade, comover os corações elevar a mente.
Ele sabia fazer isso, sabia o peso da palavra, a sua força, a vida tinha-lhe ensinado isso, tinha-lhe dado algo que para muitos poderia ser entendido como um dom, mas que com o passar dos anos, com o avivar e o suceder das dores já sabia ser um castigo.
Talvez por isso era agora mais contido… Não … não quero dizer menos apaixonado, quero dizer apenas mais silencioso, como se tivesse refugiado as palavras no seu peito sem faze-las vir a luz do dia.
Apesar dessa contenção fazia questão de dominar afincadamente a língua portuguesa, usava-a na sua vertente mais clássica ... tão clássica que só com o passar dos anos aceitou que farmácia se escreve agora sem “ph” e se debate ainda em acesa discussão quando alguém quer escrever por exemplo a palavra “recto” sem “C” ...
- Reto - é uma parte do rabo – diz-se recto … se eu sou recto, significa que ajo segundo os meus princípios, que sou correcto, não tem nada a ver com essa partes do corpo” – Diz ele prontamente ( e se calhar … cá para mim com alguma razão).
De resto estas novidades como o “bués”, o “curte”etc… para ele não fazem nem farão sentido algum… - “se o dicionário as integrou no vocabulário….- Mal o dele … não presta”.
Não ele não era agressivo nas discussões, e cá para nós… mesmo que fosse as pessoas já não ligavam ao que dizia… as crianças gostavam mesmo de picá-lo, habituavam-se aquele olhar paternal… gostavam de vê-lo arreliado, de ouvir as suas explicações.
Ele também gostava de se sentir picado… sempre sentia algo…sempre lhe vinham à memória as discussões na universidade nos tempos de Coimbra, sempre se lembrava da fuga à pide .
Bons tempos, os de luta… mesmo preso e torturado sentia que a liberdade era uma conquista… sabia dar valor nem que fosse ao facto de poder estar no café sentado à noite a ler o jornal do dia sabendo que as noticias não tinham sido objecto de censura.
Para ele o que fazia, os seus hábitos, as suas conquistas, o poder falar com as crianças…ser arreliado por elas, o poder ir aquele cafezinho dia após dia… era algo que fazia parte da sua deliciosa rotina diária… até porque o corpo já não se atrevia a grandes voos.
Talvez por isso o que se passou um destes dias o tenho mudado tanto… O tenha feito sentir-se novamente preechido.
Estava ele sentado no mesmo café onde ia todas as noites quando irrompe café a dentro uma jovem rapariga com os seus 19 anos, como se viesse a fugir de alguém e se senta na sua mesa como se precisasse de refugio.
Ela tinha uma aparência gótica e envergava um vestido curto preto e umas botas D. Martin. Tinha um rosto arredondado de onde sobressaia um sorriso fugidio, quase escondido pelas farripas de cabelo muito escuro e liso, mas que não conseguiam esconder a magia dos seus olhos castanhos mel, nem sequer com a ajuda do hi-line negro escuro… pelo facto de ter o contorno dos olhos algo borrado ele percebeu facilmente que ela tinha estado a chorar… sim tinha estado a chorar.
Assim ele não rejeitou a presença dela, nem mesmo quando o empregado do café lhe perguntou se ela o estava a importunar… Ele sentia que se ela estava ali era porque se sentia segura… não precisava de saber mais… ele iria protege-la… precisava de assumir isso… depois até estava a gostar de ter companhia.
Ela depois de um silencio ensurdecedor pediu-lhe desculpa por se ter sentado… disse-lhe que tinha discutido com o namorado… que ele lhe tinha tentado bater… confessou-lhe que se sentia perdida… ameaçada… - Eu amava-o mais que a mim própria.. sem ele não sou nada… mas com ele nada sou… ele consumiu-me, consome-me … mas sem ele sinto-me vazia e só. – disse-lhe ela.
Ele escutou-a sem interromper… emprestou-lhe o ombro para que ela chorasse e ela fê-lo … estiveram abraçados… Depois ele disse-lhe que só sofrendo um dia se pode alcançar o verdadeiro amor… que só quem chorou um dia pode verdadeiramente amar alguém,… que já tinha passado por essas dores e que essas dores quando saradas tinham sempre algo de luz… doravante os céus são teus... podes voar sem precisar de ninguém- ela pareceu reconfortada com as palavras dele… o seu sorriso voltou a florescer… parecia uma pessoa nova… viva…
Talvez por isso se despediu uns minutos depois, e saiu do bar.
Ele voltara a estar só… mas já não se sentia só… havia rasgos da presença dela no ar…
Uns minutos depois um barman veio entregar-lhe um pedaço de papel escrito por ele antes de partir e onde se podia ler … “hoje foste o meu anjo, obrigado por me teres acolhido nas tuas asas… agora sei que os céus são meus e também tenho o direito de voar… e porque me ensinaste que posso voar... KERO-TE”…
Ele ao ler isto ele sentiu-se tão feliz e novamente tão inteiro que nem sequer ligou ao “K” em vez do “Qu” e garanto- vos nunca nenhuma frase lhe pareceu tão bela.
Depois quem vos disse que o amor precisa de palavras...

quinta-feira, maio 25, 2006

TIMOR LOROSAE

OH! LIBERDADE!

Se eu pudesse
pelas frias manhãs
acordar tiritando
fustigado pela ventania
que me abre a cortina do céu
e ver, do cimo dos meus montes,
o quadro roxo,
de um perturbado nascer do sol
a leste de Timor

Se eu pudesse
pelos tórridos sóis
cavalgar embevecido
de encontro a mim mesmo
nas serenas planícies do capim
e sentir o cheiro de animais
bebendo das nascentes
que murmurariam no ar
lendas de Timor

Se eu pudesse
pelas tardes de calma
sentir o cansaço
da natureza sensual
espreguiçando-se no seu suor
e ouvir contar as canseiras
sob os risos
das crianças nuas e descalças
de todo o Timor

Se eu pudesse
ao entardecer das ondas
caminhar pela areia
entregue a mim mesmo
no enlevo molhado da brisa
e tocar a imensidão do mar
num sopro da alma
que permita meditar o futuro
da ilha de Timor

Se eu pudesse
ao cantar dos grilos
falar para a lua
pelas janelas da noite
e contar-lhes romances do povo
a união inviolável dos corpos
para criar filhos
e ensinar-lhes a crescer e a amar
a Pátria Timor!


Xanana Gusmão
Cadeia de Cipinang - 8 de Outubro de 1995.


Na esperança de que o povo timorense saiba reencontrar o caminho da paz e da harmonia.
porque os ultimos acontecimentos não podem fazer perigar a luta de um povo, e fazer cair por terra todas as esperanças criadas durante anos à custa de lágrimas,morte, sangue e dor.
Porque a luta pela liberdade e pela paz ocorre também nos caminhos da escrita e da palavra, deixo-vos este poema de xanana gusmão,presidente de timor lorosae, poeta, pintor e acima de tudo o obreiro da liberdade e da independência de timor.
Força XANANA. Pela tua nação,pela paz, e pelo sonho revolucionário que é ousar ser livre .

VIVA TIMOR LOROSAE

sábado, maio 20, 2006

A beleza... para os que ainda vem cá

"A beleza é triste pois ela está no lugar de algo que se foi. O tempo perdido não pode ser recuperado. Sua beleza só pode ser vivida como ausência: a beleza dói... Magia é isto: invocar o que se foi, mas que continua a nos habitar. Ou será poesia?"
Rubem Alves

Porque apesar de alguns acharem que escrever é uma dádiva e é tão facil como se não sentisse, as vezes sinto as palavras que escrevo cravarem-se como punhais no meu próprio peito.

porque cada poema é um pedaço de mim que arranco, uma cicatriz que me vem do fundo da alma. Uma cruz que marca os dias... talvez vestigios de alguem que se amou e se perdeu.
deixo-vos esta homenagem aos poetas loucos que como eu se entregam e se dissolvem aos poucos em palavras

quarta-feira, maio 17, 2006

ainda al berto...

Um texto de al berto que roubei de um commment que a rita colocou... talvez porque todos precisamos de viajar, de sentir pulsar em nós a ansia do infinito, a fuga de todas as grilhetas.

com uma homenagem especial a alguém que é uma viajante com tudo de bom o que ser viajante pode ter, uma pessoa que aceita os outros como são, na sua variedade, na sua especificidade e a quem posso chamar cidadá do mundo pois tem como patria a luz que lhe mora no coração...
simplesmente porque suponho que essa pessoa vá gostar e queria que ela soubesse que está no meu pensamento nesta fase particular da sua vida.

(...)Um dia li num livro:«Viajar cura a melancolia». Creio que, na altura, acreditei no que lia.

"Viajar, se não cura a melancolia, pelo menos purifica. Afasta o espirito do que é supérfluo e inútil; e o corpo reencontra a harmonia perdida - entre o homem e a terra. O viajante aprendeu, assim, a cantar a terra, a noite e a luz (...) Aprendeu a nomear o mundo.
Separou com uma linha de água o que nele havia de sedentário daquilo que era nómada; sabe que o homem não foi feito para ficar quieto. A sedentarização empobrece-o, seca-lhe o sangue, mata-lhe a alma - estagna o pensamento.
Por tudo isto, o viajante escolheu o lado nómada da linha de água.
Vive ali, e canta - sabendo que a sua vida não terá sido um abismo, se conseguir que o seu canto, ou estilhaços dele, o una de novo ao Universo(...)

Obrigado a todos os que vem cá e em particular a cat por merecer este post e à rita por ter partilhado comigo este texto, este pedaço de luz.
Rapidas melhoras jorge a cat.
abraço

sexta-feira, maio 12, 2006

Confissão

há uma coisa que quero partilhar com vocês, e sobre a qual tenho reflectido nos últimos tempos, que tem a ver com a interrogação sobre qual será a verdadeira razão do amor, a verdadeira razão de amarmos?
A minha duvida é simplesmente esta... Porque será que continuamos a amar mesmo que o amor nos tenha feito sofrer, uma ,duas, três vezes, teremos em nós algo de destrutivo, será o amor vida e morte, açucar e fel, luz e penumbra, algodão e lamina?
será que existe um amor perfeito à nossa espera capaz de curar as desilusões amorosas, consertar os desenganos? será que para se chegar a esse alguém é preciso sofrer, como se esse sofrimento fosse condição essencial da perfeição? Ou será que as coisas do coração são simplesmente jogos em que uns ganham e outros perdem, como actores de um enredo sem sentido?
Em conversa com uns amigos em que falava disto veio-me a cabeça a seguinte ideia mais ou menos alucinada...

se deus, acreditando que ele existe, nos fez há sua imagem e semelhança, ( e como tal se ele é perfeito, nós também temos potencialmente tudo para o ser), amar é simplesmente um acto de loucura, pois não é mais do que resignadamente ou não, nos amputarmos dessa perfeição, aceitarmos ser incompletos, para depositar essa qualquer coisa noutro alguém que nos completa ao ponto de valer a própria vida, a própria alma, a própria busca da luz, numa atitude que nos torna tão deliciosamente perfeitos.

pessoalmente sinto-me contente por ser louco, por ser imperfeito, mesmo que as vezes, sobretudo porque sei a raiz da minha imperfeição, aquela parte de mim que está ausente ,e faça sentir tenebrosamente incompleto.

Para os loucos (ou pelo menos para aqueles que se atrevem) fica o consolo deixado pela seguinte fraze de Nietzche "Há sempre alguma loucura no amor. Mas há sempre um pouco de razão na loucura "

que a razaõ e sobretudo o amor esteja convosco . BOM FIM DE SEMANA

quinta-feira, maio 11, 2006

era uma vez

Era uma vez
Era uma vez um menino
Era uma vez um menino que olhava
Era uma vez um menino que olhava o mar
Era uma vez um menino que olhava o mar e via
Era uma vez um menino que olhava o mar e via nas ondas
Era uma vez um menino que olhava o mar e via nas ondas destinos por alcançar
Era uma vez um menino que olhava o mar e via na ondas destinos por alcançar e sonhava
Era uma vez um menino que olhava o mar e via nas ondas destinos por alcançar e sonhava com novos mundos
Era uma vez um menino que olhava o mar e via nas ondas destinos por alcançar e sonhava com novos mundos quer descobria em caravelas feitas de letras,
Era uma vez uma vez um menino que sonhava que um menino que olhava o mar e via nas ondas destinos por alcançar e sonhava com novos mundos quer descobria em caravelas feitas de letras, de palavras e de sonhos...
Era uma vez um menino que sonhava com outro menino,
Era uma vez um menino que sonhava
Era uma vez um menino
Era uma vez
... um sonho .

terça-feira, maio 09, 2006

PARA... TI

Porque a lua brota dos teus olhos da forma mais bela que já vi e acende os sonhos, acende a vida.
Porque o teu sorriso imenso é meigo e quente e sabe ser coberta e aconchego de todas as dores.
Porque a tua alma transparece de uma forma bela nas palavras que dizes, nos sonhos que contas, em tudo aquilo de belo que dás de ti.
Porque dás tanto... tanto... lua, carinho, vida, luz,... amizade... essencia.... aconchego, sonho, sopro, poiso, ninho, céu....
Porque és essencia... toda a essencia.... toda a poesia...
tanta poesia que as palavras se constrangem, se tornam mormúrios para te descrever...
mas acima de tudo... porque és tu...
Porque fazes anos hoje....
Porque não encontrei outra forma...
de te dar os PARABÉNS...
e de te agradecer por toda a cor que tens dado aos meus dias

segunda-feira, maio 08, 2006

boa semana

deixo-vos um poema do grande AL BERTO, poeta que como ninguem conta a vida com as suas dores, com a sua essencia, com a sua insustentavel leveza...
escolhi este poema porque hoje me sinto a remendar o pano das minhas velas... como se também eu estivesse à espera do regresso da luz.



Há-de flutuar uma cidade


Há-de flutuar uma cidade no crepúsculo da vida
pensava eu... como seriam felizes as mulheres
à beira mar debruçadas para a luz caiada
remendando o pano das velas espiando o mar
e a longitude do amor embarcado

por vezes
uma gaivota pousava nas águas
outras era o sol que cegava
e um dardo de sangue alastrava pelo linho da noite
os dias lentíssimos... sem ninguém

e nunca me disseram o nome daquele oceano
esperei sentada à porta... dantes escrevia cartas
punha-me a olhar a risca de mar ao fundo da rua
assim envelheci... acreditando que algum homem ao passar
com a minha solidão

(anos mais tarde, recordo agora, cresceu-me uma pérola no
coração. mas estou só, muito só, não tenho a quem a deixar.)


um dia houve
que nunca mais avistei cidades crepusculares
e os barcos deixaram de fazer escala à minha porta
inclino-me de novo para o pano deste século
recomeço a bordar ou a dormir
tanto faz
sempre tive dúvidas que alguma vez me visite a felicidade


Al berto

sexta-feira, maio 05, 2006

Coisas que percebi hoje... bom fim de semana

Hoje acordei com um espirito positivo, lavei da alma a sensação de perda que tinha, as dores de que padecia.
No fundo elas não faziam sentido, não perdi ninguem, esse alguem está comigo.... estará comigo sempre.
Irá receber o melhor que a vida me deu e ensinou a dar... a AMIZADE.
Depois quando se é realmente amigo e se partilha a alma, como eu e esse alguem nos habituamos a fazer ao longo de tanto tempo, a distancia entre o amor utopico e a amizade esbatem-se, da-se a vida pela pessoa, sonha-se com a pessoa, vive-se com fragmentos da pessoa na alma, não importa o nome que lhe damos, o armário que ocupa no coração, o que importa é A ENTREGA.

Disse que acordei bem não só por isso, e sim isso foi o que fez desfazer-se-me a dor que me moia,mas porque percebi algo que ignorava há uns tempos, algo que é no fundo a minha maior qualidade, o meu talvez quase destino.

- O que eu sou realmente bom a fazer é ajudar os outros.

Ontem soube-o não só no trabalho, não só porque ajudei duas grandes amigas, mas acima de tudo porque percebi que as vezes mesmo com um desconhecido na rua se pode fazer a diferença, ainda mais quando à nossa volta os outros estão mais cegos de si próprios e se sentem mais vazios.
Não estou com isto a gabar-me, vocés que me leem e já são meus amigos sabem que não me gabo disso, só queria partilhar com vocés o quanto esta convicção me está a harmonizar a minha relação com o destino.. só queria reafirmar-vos o meu compromisso de estar onde for preciso,quando for preciso,pronto a ACREDITAR.


Porque falei no destino deixo-vos um fado que tem muito a haver comigo e que as vezes me faz pensar que como diz a grande Carla no blog dela, "as vezes me apetece não pensar e deixar-me ir ao sabor do vento".

BEM AJAM PELO VOSSO SORRISO, A VOSSA ALMA... A VOSSA LUZ... OBRIGADO AQUELE ALGUÉM POR ESTAR PRESENTE, POR SER POEMA, COMPANHIA, LUZ AMIGA.


BOM FIM DE SEMANA


- FADO DE CADA CADA UM

Letra: Silva Tavares
Música: Frederico de Freitas


Bem pensado
Todos temos nosso fado
E quem nasce mal fadado
melhor fado não terá

Fado é sorte
E do berço até á morte
Niguem foge por mais forte
Ao destino que Deus dá

Meu fado amargurado
A sina minha bem clara
se revelou,
Pois cantando
seja quem for adivinha
na minha voz soluçando
que eu finjo ser quem não sou

Bem pensado
Todos temos nosso fado
E quem nasce mal fadado
melhor fado não terá

Fado é sorte
E do berço até á morte
Ninguém foge por mais forte
Ao destino que Deus dá

Tal seria poder um dia
trocar-se o fado
por outro fado qualquer
Mas agente ...
já tem o fado marcado
E nenhum mais inclemente
do que esse de seres mulher

Bem pensado
Todos temos nosso fado
E quem nasce mal fadado
melhor fado não terá

Fado é sorte
E do berço até á morte
Ninguém foge por mais forte
Ao destino que Deus dá

quarta-feira, maio 03, 2006

a propósito da peça azul a cores.. ou talvez não...

FICHA TÉCNICA

Produção:Teatro da trindade, Inatel/ projecto Mundo Perfeito
Texto:Filipe Homem Fonseca
Concepção cénica e interpretação: Margarida Cardeal e Tiago Rodrigues

A minha Opinião:

uma peça a não perder, um texto a não perder, a prova provada que amar dói, que a ausência do amor dói, que o amor as vezes se desgasta e nos gasta a nós.
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Porque me fascinaram duas frases desta peça, porque tem muito a ver comigo reproduzo-as aqui na integra.

“Sabes aquilo que se diz, a cara-metade? A minha cara-metade? E se a pessoa que nos completa é mais do que a nossa metade? Se sem ela somos um terço, ou um quarto, ou menos? E se a nossa cara-metade for bastante mais que a nossa metade? Se for demais para nós? E se em vez de nos acrescentar, ela nos tira?”

“ Deus deu-nos um dom. o dom de magoarmos aqueles de quem mais gostamos, porque mais cedo ou mais tarde aqueles de quem mais gostamos acabarão por nos desiludir, então temos de ser capazes de magoa-los para não sofrer”


In Azul a cores



Porqué esta dor... esta ausência...
porqué este caos sem ordem, este espinho na alma...

Hoje espero apenas..
...Que o (des)amor sare um dia. que o coração possa ter aconchego ou possamos viver sem coração,
...Que um dia a palavra finalmente dita tenha eco, que o silencio não seja tão profundo, a ausência tão imensa.
...Que um dia volte a haver céu e volte a fazer sentido voar.

Por agora há apenas um rio, qualquer de torrentes que brotam na minha alma, por agora há apenas o não querer ser... o vácuo, o ar...

Por favor extingam-me as palavras do fogo que arde em mim, extingam-me o meu bem querer.