Ontem estava triste, notou-se no post que deixei cá...
estava confrontado com uma situação que gerei e que teve resultados que não previa, como daquelas vezes em que estamos a construir um castelo de peças de domino e derrubamos deliberadamente uma peça por nao estarmos contentes com a posição em que ela está mas não vemos que a seguir a ela vai cair uma, e outra e outra.. e pronto castelo ao chão.
para quem costuma ser um teorico da entropia ( como diz o grande João) devia ter pensado em todos os cenários, avaliado as consequências, colocado pesos na lingua que eu já não tenho nem cabeça nem idade para a ter tão solta, mesmo que o que diga seja o que sinta... mesmo que o que fale seja sobre o que me doi...
Como não antecipei o que fiz a tempo não me resta outra medida que não assumir os resultados do que disse e vou/estou a faze-lo... o melhor que sei.
Mas eu não quero, não estou aqui para falar nisso.
estou aqui porque cheguei a conclusão que não quero/não posso deixar-me derribar.. sei que o que não nos mata torna-nos mais fortes e ainda vou gostando de estar por cá, por isso é tempo de ir a luta, de arranjar sonhos, de viver o dia a dia.
Afinal os dias melhores só surgem se os fizermos melhores.
nisto o tio S da minha grande amiga A tem razão e é algo que subscrevo e é válido para todos os que se deparam com agruras na vida...
disse-o isto tanta vez a tanta gente e devia ter pensado nisso quando me senti a cair...
a questão é que sempre tive mais facilidade em pensar nos outros do que em mim, a minha amiga A já mo tinha dito, a M e a ML também, mas a minha amiga I, que de resto encontro como por acaso sempre que um de nós está confuso, soube-mo dizer de forma tão contundente que tive mesmo de pensar no assunto ...
de facto não sei pensar em mim...
ergui uma barreira securitaria a minha volta, fiz-me reforçado, valorizo a minha capacidade de resistencia a toda a prova, o antes quebrar que torcer, armo-me em forte..
pensando bem ... mesmo as colecções que faço, a de lanternas e a de canivetes tem a haver com isso... gosto de me sentir preparado venha o desafio que vier.
as vezes acho que sou uma tartaruga com carapaça dura... muito dura... o problema é que quase sempre o coração anda tão mole que crio conflitos dentro de mim que não sei gerir...
Tinha, tenho para mim até agora que a minha maior limitação, o meu maior medo era não ser amado ... é não ser amado, mas não sabia e hoje já sei, que na minha busca do amor andei tão perdido que ora não vi que o era ora afastei mesmo a hipótese do ser, como se fosse um cão que não se sabe se está a correr atrás da sua cauda ou a fugir dos seus dentes....
A minha amiga I mostrou-me que isso era errado ( truque n. 1 para quem gosta de apoiar os outros - o banco do terreiro em frente ao bar os Filpes em Leiria governa como spot para falar), fez-me pensar em mim, pensar no que sou...
disse-me que não posso pensar nos outros como penso sempre, que tenho de reservar espaço para as minhas batalhas, os meus sonhos...
e eu estou decidido a faze-lo pois sei que se o fizer ficarei mais forte...
continuando sempre alerta para os que passam no meus dias claro.... afinal há bichinhos que não se perdem.
Quero agradecer aos que me leem pela visita constante e pela forma como se mantêm presentes, agradecer ao tio S da A, pelo comentário no outro espaço, reflexo disso é o título deste comentario.
Agradecer à minha outra amiga A, futura socióloga que anda alidar com terras de Lisboa e que me trouxe devaneios doces de viagens e alegrou o dia.
Agradecer a minha amiga Re do café que me encanta o estomago, que soube estar lá e entendeu que não estava tão bem como dizia.
Dizer a Piquenatonta que estou contigo nas batalhas que travares, dizer-te que faço parte da tua muralha de ombros e que juntos somos fortes...
Dizer a A que ela é uma pessoa muito especial, que vai saber dar a volta aos dias maus e que pode contar comigo para a ajudar a devolver-lhe toda a luz mágica que ela dá ao mundo.
Dizer a Ml e a M que sempre as tive.. tenho como pessoas especias e que agradeço terem tentado abrir-me os olhos mesmo sem que eu o conseguisse fazer....
sei que as vezes é preciso paciencia de job
e claro dizer a I que adorei a conversa de ontem e a forma como me abriu os olhos, esperando que ela me deixe fazer o mesmo, noutra conversa de banco, para que ela pereceba a luz que mora no sorriso dela.
hoje é o primeiro dia do resto da minha vida
uma nova peça de domino para edificar um novo castelo.
Acerca de mim
- milhafre
- Quem sou eu...... as vezes queria ser apenas um escolho atirado aos ventos. outras a minha faceta de louco faz-me querer enveredar por caminhos que desconheço e espanto-me a mim próprio. diria que sou alguém que aspira a ser simples e a quem o corre corre dos dias parece estrangular as vezes deixando as palavras e os sonhos amordaçados na garganta. se um dia me for espero ser lembrado como um bom amigo .
terça-feira, setembro 30, 2008
segunda-feira, setembro 29, 2008
basta
basta de vazios
basta de paz podre
basta de promessas que não se cumprem
basta de gestos que se concretizam sem vontade
basta de quereres bem quereres que mal me querem
basta de sonhos adiados e odiados
basta de amores que se desamam
basta de laços que se desunem...
basta do sonho que não se concretiza
basta da esperança no amanhã
basta do amanhã
basta do hoje
basta do agora
basta de tudo
ando cansado
cansado de mim
cansado dos meus gestos
cansado dos meus sonhos
cansado dos meus laços que se desenlaçam
cansado das fidelidades que se apagam
cansado das amizades e familiaridades eternas que se esbatem
cansado da minha cabeça que não se desliga
cansado deste vazio que ninguem alcança nem percebe
cansado de me terem por forte
cansado de se ficarem quando digo que "estou bem"
cansado de escrever sobre o que não vivo
cansado de sonhar com o beijo que não dou
cansado de me levantar dia após dia
gostava tanto de poder dormir uma semana,
não... dormir um mês...
viajar só numa terra desconhecida...
assumir a renuncia de tudo...
chegar ao vazio dos vazios
o vazio em que não estaremos realmente sós
porque saberemos depois de o atingirmos
estar connosco
basta de paz podre
basta de promessas que não se cumprem
basta de gestos que se concretizam sem vontade
basta de quereres bem quereres que mal me querem
basta de sonhos adiados e odiados
basta de amores que se desamam
basta de laços que se desunem...
basta do sonho que não se concretiza
basta da esperança no amanhã
basta do amanhã
basta do hoje
basta do agora
basta de tudo
ando cansado
cansado de mim
cansado dos meus gestos
cansado dos meus sonhos
cansado dos meus laços que se desenlaçam
cansado das fidelidades que se apagam
cansado das amizades e familiaridades eternas que se esbatem
cansado da minha cabeça que não se desliga
cansado deste vazio que ninguem alcança nem percebe
cansado de me terem por forte
cansado de se ficarem quando digo que "estou bem"
cansado de escrever sobre o que não vivo
cansado de sonhar com o beijo que não dou
cansado de me levantar dia após dia
gostava tanto de poder dormir uma semana,
não... dormir um mês...
viajar só numa terra desconhecida...
assumir a renuncia de tudo...
chegar ao vazio dos vazios
o vazio em que não estaremos realmente sós
porque saberemos depois de o atingirmos
estar connosco
terça-feira, setembro 09, 2008
SE EU TE ESQUECER
Se eu te esquecer
As flores deixarão de florir
As estrelas irão desertar dos céus
As andorinhas irão deixar de fazer ninhos
Os rouxinóis irão esquecer-se de cantar
Se eu te esquecer
O norte deixará de ser onde é
Os marinheiros irão perder-se no mar
As baleias não poderão guiar-se
As marés deixarão de beijar a areia
Se eu te esquecer
Deixará de fazer sentido o nascer do dia
Não valerão de nada as cores do pôr-do-sol
A noite será escura e perpétua
Prisioneira amordaçada do suceder das horas
Se eu te esquecer
As crianças deixarão de ter porque sorrir
Desalinhar-se-ão todas as notas musicais
O silencio será devastador
A pele irá enrugar-se por desistir do toque
Se eu te esquecer
Os sítios onde estivemos
Os olhares que trocamos
As conversas que tivemos
Serão escolhos de alma arrancados da imaginação
Se eu te esquecer
Irá findar-se a tua luz que trago em mim
Findar-se-ão os sonhos e a vontade de sonhar
Tornar-me-ei banal vegetativo desistente
Escoria de luz atirada pelos ventos
Se eu te esquecer
O princípio será o fim
E o fim o principio de todas as coisas
O horizonte uma prisão perpétua
O nada tudo e o tudo nada
Se eu te esquecer
Não valerá de nada o que já fui
Não quererei saber o que serei
Os abraços irão cerrar-se cansados de ser porto
Falirá para sempre o coração
Se eu te esquecer
Irei esquecer-me das viagens que não fizemos
Dos planos que não realizamos
Dos projectos adiados e adiados
Dos beijos que não ousei dar-te
Se eu te esquecer
Ficará na minha alma...
A mais rasa das tábuas
O mais desértico dos desertos
A mais inexpugnável das montanhas
Se eu te esquecer
Irei deixar-te ser ave que és para defrontares os céus
Irei deixar de querer voar sem conseguir.
Renunciarei a proteger-te
Irei enfrentar a finitude que as palavras não alcançam
Serei escolho
Vácuo,
Beata,
Resíduo,
Degredo,
...nada
serei o nada
o nada dos campos vazios onde nascem papoilas
o nada dos desertos onde despertam os rios
o nada do vento onde planam as aves
o nada desta folha branca onde escrevo tudo
o nada da alma em que se erguem os sonhos
o nada que pode ser tudo...tudo o que puder ser.
As flores deixarão de florir
As estrelas irão desertar dos céus
As andorinhas irão deixar de fazer ninhos
Os rouxinóis irão esquecer-se de cantar
Se eu te esquecer
O norte deixará de ser onde é
Os marinheiros irão perder-se no mar
As baleias não poderão guiar-se
As marés deixarão de beijar a areia
Se eu te esquecer
Deixará de fazer sentido o nascer do dia
Não valerão de nada as cores do pôr-do-sol
A noite será escura e perpétua
Prisioneira amordaçada do suceder das horas
Se eu te esquecer
As crianças deixarão de ter porque sorrir
Desalinhar-se-ão todas as notas musicais
O silencio será devastador
A pele irá enrugar-se por desistir do toque
Se eu te esquecer
Os sítios onde estivemos
Os olhares que trocamos
As conversas que tivemos
Serão escolhos de alma arrancados da imaginação
Se eu te esquecer
Irá findar-se a tua luz que trago em mim
Findar-se-ão os sonhos e a vontade de sonhar
Tornar-me-ei banal vegetativo desistente
Escoria de luz atirada pelos ventos
Se eu te esquecer
O princípio será o fim
E o fim o principio de todas as coisas
O horizonte uma prisão perpétua
O nada tudo e o tudo nada
Se eu te esquecer
Não valerá de nada o que já fui
Não quererei saber o que serei
Os abraços irão cerrar-se cansados de ser porto
Falirá para sempre o coração
Se eu te esquecer
Irei esquecer-me das viagens que não fizemos
Dos planos que não realizamos
Dos projectos adiados e adiados
Dos beijos que não ousei dar-te
Se eu te esquecer
Ficará na minha alma...
A mais rasa das tábuas
O mais desértico dos desertos
A mais inexpugnável das montanhas
Se eu te esquecer
Irei deixar-te ser ave que és para defrontares os céus
Irei deixar de querer voar sem conseguir.
Renunciarei a proteger-te
Irei enfrentar a finitude que as palavras não alcançam
Serei escolho
Vácuo,
Beata,
Resíduo,
Degredo,
...nada
serei o nada
o nada dos campos vazios onde nascem papoilas
o nada dos desertos onde despertam os rios
o nada do vento onde planam as aves
o nada desta folha branca onde escrevo tudo
o nada da alma em que se erguem os sonhos
o nada que pode ser tudo...tudo o que puder ser.
quarta-feira, setembro 03, 2008
e se a saudade fosse outra coisa- um comment ao blog da lisa que se tornou post
e se a saudade fosse outra coisa???
se não tivesse a dor a que nos habituamos???
se fosse a falta do toque???
e se o toque de repente fosse tudo???
e gesto a gesto se descobrisse o mundo.
as vezes parece que a pele cria laços com a pele da pessoa querida...fica refem dela...
o corpo da por si a pedir o corpo... o carinho a pedir carinho...o sonho a pedir sonho...
a ausencia do outrem assume-se como um quase intervalo entre o sonho que já foi e que ainda não aconteceu..
damos por nós na falta do outrem a preencher vazios na memória...
como se o outrem estivesse sempre presente...
como se não se tivesse ido...
como se as nossas células e as da outra pessoa ainda estivesserm ligadas...
se não tivesse a dor a que nos habituamos???
se fosse a falta do toque???
e se o toque de repente fosse tudo???
e gesto a gesto se descobrisse o mundo.
as vezes parece que a pele cria laços com a pele da pessoa querida...fica refem dela...
o corpo da por si a pedir o corpo... o carinho a pedir carinho...o sonho a pedir sonho...
a ausencia do outrem assume-se como um quase intervalo entre o sonho que já foi e que ainda não aconteceu..
damos por nós na falta do outrem a preencher vazios na memória...
como se o outrem estivesse sempre presente...
como se não se tivesse ido...
como se as nossas células e as da outra pessoa ainda estivesserm ligadas...
sexta-feira, agosto 15, 2008
saudades
"Porque se matam as saudades....
Nao sonhas. morres um pouco de manha e ao meio do dia quando o sol mais queima. tens de continuar. tens de esquecer. nao aguentas mais. Tens de acabar, matar recomeçar a viver. So que ela esta presa por dentro e tu agarrado a ela por um no na garganta e nao sabes o que deves deitar fora, arrancar, vomitar para que ela te saia de dentro. sais a noite com o definitivo proposito de nao voltares sozinho. compoes dentro da cabeça uma mulher com um bocadinho disto e um bocadinho daquilo esperas que bata certo. levas um bocado do tecido rasgado e queres encontrar o todo. mas nao encontras ninguem. pior, encontras alguem que te vem provar sem remissao que nao a vais poder substituir tao facilmente, que nao ha mais nada no mundo inteiro depois dela senao um deserto de tempo que se estende a tua frente onde tudo se torna insignificante e pequenino. começas a beber, a fazeres-te mal, porque estas triste e nao acreditas em nada senao na dor. queres morrer e nao podes e nem sequer coragem tens para te matar. e quando ainda pensas poder voltar atras, tambem sabes que nao e possivel voltar atras porque tu estas num mundo e ela noutro, os dois que tao depressa se afastam, encerrados em planas fotografias em que estao abraçados e nus e ja nao somos nos".
PEDRO PAIXÃO in NOS TEUS BRAÇOS MORRERIAMOS
Porque nos seus livros Pedro Paixão sabe como ninguem dizer sonho... dizer saudade... dizer amor...
bom fim de semana
segunda-feira, julho 28, 2008
A Voz do Silêncio
A pessoa que sou é única, limitada a um nascer e a um morrer, presente a si mesma e que só à sua face é verdadeira, é autêntica, decide em verdade a autenticidade de tudo quanto realizar. Assim a sua solidão, que persiste sempre talvez como pano de fundo em toda a comunicação, em toda a comunhão, não é 'isolamento'. Porque o isolamento implica um corte com os outros; a solidão implica apenas que toda a voz que a exprima não é puramente uma voz da rua, mas uma voz que ressoa no silêncio final, uma voz que fala do mais fundo de si, que está certa entre os homens como em face do homem só. O isolamento corta com os homens: a solidão não corta com o homem. A voz da solidão difere da voz fácil da fraternidade fácil em ser mais profunda e em estar prevenida.
Vergílio Ferreira, in 'Espaço do Invisivel I'
Vergílio Ferreira, in 'Espaço do Invisivel I'
quinta-feira, julho 10, 2008
pára
Para! não faz sentido dar corpo ao sentimento... o corpo tem coisas que não conheces... dores que não se encaixam.... sedes que não se sassiam....
Não eu não tenho medo do toque... não me assusta a pele.... não me abomina o sexo... eu simplesmente não estou para isto.... não nasci para isto....
Meti na cabeça que a essência é mais forte, que a alma tem luz, que o sorriso é vida.....
Que os olhares falam..... que há silêncios cúmplices.... que é importante estar ai.........
Que é importante estar presente....
Não... eu não entendo o queres dizer quando dizes - “tens de deixar que eu sinta a tua falta... tens de me deixar ter sede”
Mas eu quando não estou contigo tenho sempre sede... sinto sempre a tua falta.... tu não???
Quantas horas ou dias são precisos para que isso aconteça.... qual é o segredo do tempo que ainda não sei....
Que sentido faz querer falar contigo e não poder porque tenho que deixar que sintas a minha falta.....
É que eu sempre fui atras ... se gosto gosto, se gosto dou-me ... nunca entendi os meios termos, os joguinhos......
As cores da vida não me ensinaram a sedução do vermelho dos seus tons...... sempre apregoaram a transparência cálida da alma... a pureza do sonho....
É preciso ser recto e verdadeiro... foi o que aprendi com os filmes de cavaleiros andantes e cowboys com que cresci...
Sempre me entreguei todo... qual é a metade que não posso dar-te para que sintas falta dela.... diz-me... como posso esconder-te essa metade...
Eu nunca quis nada disto....porra... mergulhar nos teus olhos sempre foi muito mais que qualquer outra coisa.....
Sempre foi muito mais que .... tudo....
Eu só queria ser ave.... sabes.... nunca fiz parte deste jogo... nunca aprendi as regras..... os códigos... o não mostrar o baralho... o não dar tudo logo.... o não ser assim logo ...
Para mim um sim é um sim e um não é um não... ainda não entendo os sins e os nins... nem essa coisa abstracta que é o “não mas fiquei a pensar”... ou o “sim e depois se vê”
Abomino a incerteza e o “não é definitivo mas sabe bem....saboreia” ... e depois sempre desprezei as curtes ........
Cada gesto é demasiado valioso para ser mandado ao ar....
Quando se beija mesmo que para “experimentar” ficasse preso...dá-se sempre alma e
quando se da a alma ficasse agarrado... deixasse de ser um... não se fica indiferente... quando se dá a alma... abdicasse de ser uno para só se conseguir ser uno com qualquer coisa que nos é dado pela pessoa amada... e a pessoa amada só fica una com qualquer coisa que lhe demos quando abdicamos de ser perfeitos para amar.
Já alguma vez reparas-te que o coração que aprendemos a desenhar desde miúdos não é um coração apenas mas dois corações sobrepostos unidos entre sí... não um elemento único mas duas metades esquerda e direita que se unificam para dar a algo novo.
Como é que se abdica disso.... como é que se fica depois de se dar e se perder????
No amor como na guerra depois da batalha os corpos moribundos jazem pelos campos e os despojos espalhados são entregues ao vencedor......
No amor como na guerra ganha-se e perde-se, erra-se o alvo.....Fintasse a vida.....
O problema é que com o fim dos anos perder a batalha se torna cada vez mais avassalador... as feridas do velho guerreiro saram mais dificilmente, as cicatrizes ficam mais duras...
E se eu não conseguir sarar as feridas depois de tu deixares de me querer???
E se eu não conseguir abdicar da tua metade que me deste e que mora em mim????
E se eu gostar do teu beijo.......??
E se eu quiser que o beijo seja para sempre...???
Se me apetecer parar o tempo....???
Dar-te um beijo seria como ser cego e ser-lhe dado o prazer de ainda que por segundos voltar a ver a luz...
Como ficarei eu depois de ser devolvido à escuridão....
Como ficarei eu depois de ver as cores da vida.... as formas das coisas forçado a abdicar delas...
Como voltarei eu à negritude forçada depois de ter visto o meu mundo todo alterado... depois de me ter sido possível mergulhar em algo muito mais luminoso...
Como poderei eu mover-me se a percepção que tinha das coisas nunca mais será a mesma....
Pára .....
Espera....
Não... não tem a haver contigo...
Não... não perdi o interesse...
Não... não há outra...
Eu só tenho medo de ficar ligado a ti...
De não conseguir depois voltar a ser o que sou...
De não conseguir viver depois de te ires...
De beijar o lado de lá da lua, aquele lado que é reservado aos sonhos e aos elfos..
E depois como terrequeo finito que sou ter de viver sem ve-lo.....
De não conseguir nunca mais... respirar longe dos teus lábios...
De não conseguir voltar a ir-me...
Não eu não tenho medo do toque... não me assusta a pele.... não me abomina o sexo... eu simplesmente não estou para isto.... não nasci para isto....
Meti na cabeça que a essência é mais forte, que a alma tem luz, que o sorriso é vida.....
Que os olhares falam..... que há silêncios cúmplices.... que é importante estar ai.........
Que é importante estar presente....
Não... eu não entendo o queres dizer quando dizes - “tens de deixar que eu sinta a tua falta... tens de me deixar ter sede”
Mas eu quando não estou contigo tenho sempre sede... sinto sempre a tua falta.... tu não???
Quantas horas ou dias são precisos para que isso aconteça.... qual é o segredo do tempo que ainda não sei....
Que sentido faz querer falar contigo e não poder porque tenho que deixar que sintas a minha falta.....
É que eu sempre fui atras ... se gosto gosto, se gosto dou-me ... nunca entendi os meios termos, os joguinhos......
As cores da vida não me ensinaram a sedução do vermelho dos seus tons...... sempre apregoaram a transparência cálida da alma... a pureza do sonho....
É preciso ser recto e verdadeiro... foi o que aprendi com os filmes de cavaleiros andantes e cowboys com que cresci...
Sempre me entreguei todo... qual é a metade que não posso dar-te para que sintas falta dela.... diz-me... como posso esconder-te essa metade...
Eu nunca quis nada disto....porra... mergulhar nos teus olhos sempre foi muito mais que qualquer outra coisa.....
Sempre foi muito mais que .... tudo....
Eu só queria ser ave.... sabes.... nunca fiz parte deste jogo... nunca aprendi as regras..... os códigos... o não mostrar o baralho... o não dar tudo logo.... o não ser assim logo ...
Para mim um sim é um sim e um não é um não... ainda não entendo os sins e os nins... nem essa coisa abstracta que é o “não mas fiquei a pensar”... ou o “sim e depois se vê”
Abomino a incerteza e o “não é definitivo mas sabe bem....saboreia” ... e depois sempre desprezei as curtes ........
Cada gesto é demasiado valioso para ser mandado ao ar....
Quando se beija mesmo que para “experimentar” ficasse preso...dá-se sempre alma e
quando se da a alma ficasse agarrado... deixasse de ser um... não se fica indiferente... quando se dá a alma... abdicasse de ser uno para só se conseguir ser uno com qualquer coisa que nos é dado pela pessoa amada... e a pessoa amada só fica una com qualquer coisa que lhe demos quando abdicamos de ser perfeitos para amar.
Já alguma vez reparas-te que o coração que aprendemos a desenhar desde miúdos não é um coração apenas mas dois corações sobrepostos unidos entre sí... não um elemento único mas duas metades esquerda e direita que se unificam para dar a algo novo.
Como é que se abdica disso.... como é que se fica depois de se dar e se perder????
No amor como na guerra depois da batalha os corpos moribundos jazem pelos campos e os despojos espalhados são entregues ao vencedor......
No amor como na guerra ganha-se e perde-se, erra-se o alvo.....Fintasse a vida.....
O problema é que com o fim dos anos perder a batalha se torna cada vez mais avassalador... as feridas do velho guerreiro saram mais dificilmente, as cicatrizes ficam mais duras...
E se eu não conseguir sarar as feridas depois de tu deixares de me querer???
E se eu não conseguir abdicar da tua metade que me deste e que mora em mim????
E se eu gostar do teu beijo.......??
E se eu quiser que o beijo seja para sempre...???
Se me apetecer parar o tempo....???
Dar-te um beijo seria como ser cego e ser-lhe dado o prazer de ainda que por segundos voltar a ver a luz...
Como ficarei eu depois de ser devolvido à escuridão....
Como ficarei eu depois de ver as cores da vida.... as formas das coisas forçado a abdicar delas...
Como voltarei eu à negritude forçada depois de ter visto o meu mundo todo alterado... depois de me ter sido possível mergulhar em algo muito mais luminoso...
Como poderei eu mover-me se a percepção que tinha das coisas nunca mais será a mesma....
Pára .....
Espera....
Não... não tem a haver contigo...
Não... não perdi o interesse...
Não... não há outra...
Eu só tenho medo de ficar ligado a ti...
De não conseguir depois voltar a ser o que sou...
De não conseguir viver depois de te ires...
De beijar o lado de lá da lua, aquele lado que é reservado aos sonhos e aos elfos..
E depois como terrequeo finito que sou ter de viver sem ve-lo.....
De não conseguir nunca mais... respirar longe dos teus lábios...
De não conseguir voltar a ir-me...
sexta-feira, junho 27, 2008
A negação do anjo
Chamaram-me anjo mas anjo não sou
Sou poeta perdido não sei onde vou
Mas a verdade é que não importam os caminhos
A meta as vezes não é o horizonte
o que importa é o sonho
e o que sentimos bem dentro do peito,
bem dentro da alma, bem dentro da vida
Metade qualquer arrancada de nós
Por isso talvez perdido me encontre
Em cada olhar que canto...
Em cada gesto que guardo
Pedaços da vida que passam por mim
Por isso talvez... o sentir que me acho
Na tua voz, no teu olhar, no teu sorriso
Naqueles momentos raros em que te encontro
E em que o tempo parece não passar
Por isso a memória de cada momento
De cada abraço, de todas as conversas
A lembrança dos passos... passo a passo
que demos na vida
Por isso cada pedaço de papel que guardo e canto
Por isso esta angustia de saber que as vezes para lá do beijo
As vezes para lá do que dizem viver
Nas sortes do amor o mundo gira ao contrário
Por isso esta dor que as vezes mora em mim
Porque sei que ter não importa
Porque sei que venha o que vier
Estamos mais perto do fim
Porque há cada vez mais alguma dor
A bater em cada porta, a esconder o olhar
Porque sei que há cada vez mais braços no ar
Pessoas que teimamos em não ver
Por isso este meu ar desprendido
Que se prende em pequenos instantes
Que o tempo, os medos...e os desassossegos
parecem não levar
Por isso este meu despir da mascara
Este não ter carapaça, este não entrar no tom
Eu sei que sou desalinhado
Mas quando o que importa é dar isso até é bom
E eu sei que sou extravagante
Sei que não me encaixo
Sei que não pertenço
Mas sei que não me escondo
E mesmo diferente
Sei que não me vergo
Sei que não me rendo
Sei que me dou
E por isso escrevo
Por não poder calar
Um beijo na praça
Uma mão a acenar
E venha o que vier
Sei que canto os sonhos
Pedras emoções
Feita de sentimentos
Guardadoras de paixões
E sei que canto acesos
Os dias que guardo
Lembranças que vivo
Até ao fim da alma
E sei que há em mim além do nada
Não um deus, um anjo, ou um cavaleiro andante
Mas apenas alguém que sabe que as vezes
Cada gesto é importante para elevar um coração
Alguém que farto de corações partidos, chamas apagadas....
Campos vazios que já não são lavrados pelas enxadas da paixão
Não se rende e não desiste.... sobretudo não se esconde...
Dá-se e é.
E acima de tudo...
Canta o sonho.
Sou poeta perdido não sei onde vou
Mas a verdade é que não importam os caminhos
A meta as vezes não é o horizonte
o que importa é o sonho
e o que sentimos bem dentro do peito,
bem dentro da alma, bem dentro da vida
Metade qualquer arrancada de nós
Por isso talvez perdido me encontre
Em cada olhar que canto...
Em cada gesto que guardo
Pedaços da vida que passam por mim
Por isso talvez... o sentir que me acho
Na tua voz, no teu olhar, no teu sorriso
Naqueles momentos raros em que te encontro
E em que o tempo parece não passar
Por isso a memória de cada momento
De cada abraço, de todas as conversas
A lembrança dos passos... passo a passo
que demos na vida
Por isso cada pedaço de papel que guardo e canto
Por isso esta angustia de saber que as vezes para lá do beijo
As vezes para lá do que dizem viver
Nas sortes do amor o mundo gira ao contrário
Por isso esta dor que as vezes mora em mim
Porque sei que ter não importa
Porque sei que venha o que vier
Estamos mais perto do fim
Porque há cada vez mais alguma dor
A bater em cada porta, a esconder o olhar
Porque sei que há cada vez mais braços no ar
Pessoas que teimamos em não ver
Por isso este meu ar desprendido
Que se prende em pequenos instantes
Que o tempo, os medos...e os desassossegos
parecem não levar
Por isso este meu despir da mascara
Este não ter carapaça, este não entrar no tom
Eu sei que sou desalinhado
Mas quando o que importa é dar isso até é bom
E eu sei que sou extravagante
Sei que não me encaixo
Sei que não pertenço
Mas sei que não me escondo
E mesmo diferente
Sei que não me vergo
Sei que não me rendo
Sei que me dou
E por isso escrevo
Por não poder calar
Um beijo na praça
Uma mão a acenar
E venha o que vier
Sei que canto os sonhos
Pedras emoções
Feita de sentimentos
Guardadoras de paixões
E sei que canto acesos
Os dias que guardo
Lembranças que vivo
Até ao fim da alma
E sei que há em mim além do nada
Não um deus, um anjo, ou um cavaleiro andante
Mas apenas alguém que sabe que as vezes
Cada gesto é importante para elevar um coração
Alguém que farto de corações partidos, chamas apagadas....
Campos vazios que já não são lavrados pelas enxadas da paixão
Não se rende e não desiste.... sobretudo não se esconde...
Dá-se e é.
E acima de tudo...
Canta o sonho.
terça-feira, junho 24, 2008
eu sou
uma ave ferida
um intervalo no espaço
uma pedrada no charco
um embaraço
um naufrago perdido
sem querer cais
um poema esquecido
que não digo mais..
a saudade da voz
do sopro que das
um sonho passado
que não volta atrás
a lamina afiada
do meu canivete
o gesto magoado
num bailado qualquer
enfim talvez marasmo...
mas sobretudo sou....
ser....
mas sobretudo..
existo....
mas sobretudo ...
sou.....
mas sobretudo....
dou...
e assim aconteço...
e percebo porque existo...
mesmo que as vezes
seja vão
seja louco
seja só...
um intervalo no espaço
uma pedrada no charco
um embaraço
um naufrago perdido
sem querer cais
um poema esquecido
que não digo mais..
a saudade da voz
do sopro que das
um sonho passado
que não volta atrás
a lamina afiada
do meu canivete
o gesto magoado
num bailado qualquer
enfim talvez marasmo...
mas sobretudo sou....
ser....
mas sobretudo..
existo....
mas sobretudo ...
sou.....
mas sobretudo....
dou...
e assim aconteço...
e percebo porque existo...
mesmo que as vezes
seja vão
seja louco
seja só...
quinta-feira, junho 12, 2008
cada um de nós
cada um de nos é o vazio que carrega... um pedaço qualquer de sonho que ficou a deriva... algo de brilho que se perdeu no vento
sexta-feira, maio 30, 2008
Saudade....
Frases Sobre Saudade
A ausência diminui as paixões medíocres e aumenta as grandes, assim como o vento apaga as velas, mas atiça as fogueiras.
(Anónimo)
A casa da saudade chama-se memória: é uma cabana pequenina a um canto do coração.
(Henrique Maximiliano Coelho Neto - Romancista e contista brasileiro - 1864/ 1934)
Aquele que inventou a distância não conhecia a dor da saudade... (Anónimo)
Como é bom contemplar o céu, interrogar uma estrela e pensar que ao longe, bem longe, um outro alguém contempla este mesmo céu, essa mesma estrela e murmura baixinho: "Saudade!"
(Anónimo)
Debruço-me na sua ausência como se o vazio dotado fosse de ombros largos, cor, calor e pudesse me ouvir ao relento roçar o ponto mais sensível da imensa falta que você faz.
(António Carlos Mattos)
Saudade são águas passadas que se acumulam em nossos corações, inundam nossos pensamentos, transbordam por nossos olhos, deslizam em gotículas de lembranças que por fim, morrem na realidade de nossos lábios.
(Anónimo)
Bom fim de semana.
amigos...
que a chama da saudade converta um dia em solo fertil os terrenos que a dor deixou por arar.
Quando isso acontecer talvez voltem a nascer papoilas em todos os corações
A ausência diminui as paixões medíocres e aumenta as grandes, assim como o vento apaga as velas, mas atiça as fogueiras.
(Anónimo)
A casa da saudade chama-se memória: é uma cabana pequenina a um canto do coração.
(Henrique Maximiliano Coelho Neto - Romancista e contista brasileiro - 1864/ 1934)
Aquele que inventou a distância não conhecia a dor da saudade... (Anónimo)
Como é bom contemplar o céu, interrogar uma estrela e pensar que ao longe, bem longe, um outro alguém contempla este mesmo céu, essa mesma estrela e murmura baixinho: "Saudade!"
(Anónimo)
Debruço-me na sua ausência como se o vazio dotado fosse de ombros largos, cor, calor e pudesse me ouvir ao relento roçar o ponto mais sensível da imensa falta que você faz.
(António Carlos Mattos)
Saudade são águas passadas que se acumulam em nossos corações, inundam nossos pensamentos, transbordam por nossos olhos, deslizam em gotículas de lembranças que por fim, morrem na realidade de nossos lábios.
(Anónimo)
Bom fim de semana.
amigos...
que a chama da saudade converta um dia em solo fertil os terrenos que a dor deixou por arar.
Quando isso acontecer talvez voltem a nascer papoilas em todos os corações
quinta-feira, maio 01, 2008
A cor da vida
O azul do oceano à beira da praia.
O branco da neve das montanhas altas
O rosáceo vermelho das papoilas vermelhas
O amarelo dos campos a pedir primaveras
O castanho das folhas a despedirem-se do verão
O negro dos céus pejados de estrelas
O bege da areia que guardas nos dedos
As conchas cinzentas com que enfeitas castelos
O branco e amarelo dos ovos estrelados
O transparente da água com que molhas os lábios
O voar das joaninhas vermelhas e negras
As crianças que correm no verde dos prados
O branco e o negro das calçadas da rua
Que pisas pé no branco, pé no negro
como se o universo fosse e trilhasses caminhos
Nos quadradinhos do mundo
O vermelho das rosas
e o azul dos jasmins
Flores querubins
Que lembram amores
o laranja da cenoura
que torna belos teus olhos
e que enfeitas o nariz
do boneco de neve
os mil tons vermelhos do pôr-do-sol
João pestana do dia
e o despertar da lua
na viagem do sonho.
O saltar verde e amarelo
Da bola com que rodopio a rodopio
o ronaldo brincava em criança
ensaiando marcar os golos do futuro
as mil cores do arco-íris
que surgem no céu só para te dizer
que a chuva se vai e o sol regressa
para poderes brincar
os salpicos cinzentos da lama
que trazes na roupa
quando brincas a chuva
e pulas nas poças
todas estas são as cores
que podes usar para colorir a vida
ao ritmo dos teus sonhos
porque o amanhã é o futuro
e as cores da vida estão em tudo
para colorir o teu sorriso
para acender o teu olhar
para aquecer o teu abraço
e dar asas ao teu sonhar
porque afinal
mais do que tudo isto
a cor da vida
é a luz da tua alma
menina criança
homem do amanhã
fonte de esperança
de que o mundo tenha cor
porque afinal
es tu
quem aprendiz de feiticeiro
pinta o infinito dos sonhar
porque afinal
a cor da vida
a cor da nossa vida
és tu
domingo, abril 27, 2008
Sobre o Poema
Um poema cresce inseguramente
na confusão da carne,
sobe ainda sem palavras, só ferocidade e gosto,
talvez como sangue
ou sombra de sangue pelos canais do ser.
Fora existe o mundo.
Fora, a esplêndida violência
ou os bagos de uva de onde nascem
as raízes minúsculas do sol.
Fora, os corpos genuínos e inalteráveis
do nosso amor,
os rios, a grande paz exterior das coisas,
as folhas dormindo o silêncio,
as sementes à beira do vento,
— a hora teatral da posse.
E o poema cresce tomando tudo em seu regaço.
E já nenhum poder destrói o poema.
Insustentável, único,
invade as órbitas, a face amorfa das paredes,
a miséria dos minutos,
a força sustida das coisas,
a redonda e livre harmonia do mundo.
— Embaixo o instrumento perplexo ignora
a espinha do mistério.
— E o poema faz-se contra o tempo e a carne
na confusão da carne,
sobe ainda sem palavras, só ferocidade e gosto,
talvez como sangue
ou sombra de sangue pelos canais do ser.
Fora existe o mundo.
Fora, a esplêndida violência
ou os bagos de uva de onde nascem
as raízes minúsculas do sol.
Fora, os corpos genuínos e inalteráveis
do nosso amor,
os rios, a grande paz exterior das coisas,
as folhas dormindo o silêncio,
as sementes à beira do vento,
— a hora teatral da posse.
E o poema cresce tomando tudo em seu regaço.
E já nenhum poder destrói o poema.
Insustentável, único,
invade as órbitas, a face amorfa das paredes,
a miséria dos minutos,
a força sustida das coisas,
a redonda e livre harmonia do mundo.
— Embaixo o instrumento perplexo ignora
a espinha do mistério.
— E o poema faz-se contra o tempo e a carne
quarta-feira, abril 23, 2008
A Vida como Luta entre a Realidade e o Sonho
"Somos um sonho divino que não se condensou, por completo, dentro dos nossos limites materiais. Existe, em nós, um limbo interior; um vago sentimental e original que nos dá a faculdade mitológica de idealizar todas as coisas. (...) Se fôssemos um ser definido, seríamos então um ser perfeito, mas limitado, materializado como as pedras. Seríamos uma estátua divina, mas não poderíamos atingir a Divindade. Seríamos uma obra de arte e não vivente criatura, pois a vida é um excesso, um ímpeto para além, uma força imaterial, indefinida, a alma, a imperfeição.
A vida é uma luta entre os seus aspectos revelados e o limbo em que eles se perdem e ampliam até à suprema distância imaginável; uma luta entre a realidade e o sonho, a Carne e o Verbo.Entre nós, o Verbo não encarnou inteiramente. Somos corpo e alma, verbo encarnado e verbo não encarnado, a matéria e o limbo, o esqueleto de pedra e um fumo que o enconbre e ondula em volta dele, e dança aos ventos da loucura...E aí tendes um pobre tolo sentimental, uma caricatura elegíaca.Neste limbo interior, neste infinito espiritual, vive a lembrança de Deus que alimenta a nossa esperança, e transfigura esse bicho do Demónio, que anda por esses boulevards, vestido à moda ou coberto de farrapos.Ardemos num incêndio de esperança, para que reste de nós uma lembrança, um fumo que sobe e não se apaga.Tudo é memória: um fumo leve, em mil visagens animadas; ou denso, em formas inertes e sombrias; e, ao longe, a grande fogueira invisível que os demónios e os anjos alimentam.Vivo, porque espero. Lembro-me, logo existo."
A vida é uma luta entre os seus aspectos revelados e o limbo em que eles se perdem e ampliam até à suprema distância imaginável; uma luta entre a realidade e o sonho, a Carne e o Verbo.Entre nós, o Verbo não encarnou inteiramente. Somos corpo e alma, verbo encarnado e verbo não encarnado, a matéria e o limbo, o esqueleto de pedra e um fumo que o enconbre e ondula em volta dele, e dança aos ventos da loucura...E aí tendes um pobre tolo sentimental, uma caricatura elegíaca.Neste limbo interior, neste infinito espiritual, vive a lembrança de Deus que alimenta a nossa esperança, e transfigura esse bicho do Demónio, que anda por esses boulevards, vestido à moda ou coberto de farrapos.Ardemos num incêndio de esperança, para que reste de nós uma lembrança, um fumo que sobe e não se apaga.Tudo é memória: um fumo leve, em mil visagens animadas; ou denso, em formas inertes e sombrias; e, ao longe, a grande fogueira invisível que os demónios e os anjos alimentam.Vivo, porque espero. Lembro-me, logo existo."
Teixeira de Pascoaes, in 'O Pobre Tolo'
segunda-feira, abril 14, 2008
as vezes (não queria)
Quero escrever
Sobre o fim dos sonhos
Sobre este vento
Que leva o tormento
Quero escrever
Só para não sentir
Não ter de sorrir…
Só para não esmorecer
Quero navegar
Nas entranhas de mim
Ser um astro louco
Sem querer… querer-te
…Querubim
Quero ser só voz
Da voz abafada
Lembrança que de nós
Possa levar a mágoa
Quero perder
A fonte dos sonhos
E os doces tesouros
Que guardo na alma
Não ter dedos… braços
Não ter alma…
E não ter tanto para dar…
em fúria calma
As vezes queria ser
Papoila ao vento
Laje de cemitério
Escolho de jardim…
Existir sem sentido e sem sentir
Não ser porto nem ver partir
Cansa-me ser sempre cais
e porto dos promontórios dos sorrisos
As vezes queria apenas
Não pensar e não fugir
Não lutar nem me defender
Não ter de sonhar
roubar um beijo
como se fosse
apenas um gesto
e não a alma
Abraçar como se manhã
Não houvesse amanhã
e os braços fossem elos
para sempre…todo o sempre
as vezes quero amar como se respirasse
tocar como se tocasse na aura
beber sonhos .. os meus sonhos todos
como se ao bebe-los os findasse…
as vezes quero…
querer…
só por querer..
como se não doesse
talvez porque sinto
sinto o mundo todo
a areia do tempo
na ampulheta da alma
o sabor de um beijo
qualquer que não dei
ou o dia que chega
e é sempre o mesmo
e queria dar-me
para não pensar que não me dei
sonhar com alguém
só para construir
e poder ser…
poeta
… astro
…grifo
… grito
Personagem com sentido
dos sonhos que sangro no papel
Sobre o fim dos sonhos
Sobre este vento
Que leva o tormento
Quero escrever
Só para não sentir
Não ter de sorrir…
Só para não esmorecer
Quero navegar
Nas entranhas de mim
Ser um astro louco
Sem querer… querer-te
…Querubim
Quero ser só voz
Da voz abafada
Lembrança que de nós
Possa levar a mágoa
Quero perder
A fonte dos sonhos
E os doces tesouros
Que guardo na alma
Não ter dedos… braços
Não ter alma…
E não ter tanto para dar…
em fúria calma
As vezes queria ser
Papoila ao vento
Laje de cemitério
Escolho de jardim…
Existir sem sentido e sem sentir
Não ser porto nem ver partir
Cansa-me ser sempre cais
e porto dos promontórios dos sorrisos
As vezes queria apenas
Não pensar e não fugir
Não lutar nem me defender
Não ter de sonhar
roubar um beijo
como se fosse
apenas um gesto
e não a alma
Abraçar como se manhã
Não houvesse amanhã
e os braços fossem elos
para sempre…todo o sempre
as vezes quero amar como se respirasse
tocar como se tocasse na aura
beber sonhos .. os meus sonhos todos
como se ao bebe-los os findasse…
as vezes quero…
querer…
só por querer..
como se não doesse
talvez porque sinto
sinto o mundo todo
a areia do tempo
na ampulheta da alma
o sabor de um beijo
qualquer que não dei
ou o dia que chega
e é sempre o mesmo
e queria dar-me
para não pensar que não me dei
sonhar com alguém
só para construir
e poder ser…
poeta
… astro
…grifo
… grito
Personagem com sentido
dos sonhos que sangro no papel
domingo, abril 06, 2008
Há sem dúvida.....
Há sem dúvida quem ame o infinito,
Há sem dúvida quem deseje o impossivel,
Há sem duvida quem não queria nada -
Tres tipos de idealistas, e eu nenhum deles:
Porque eu amo infinitamente o finito,
Porque eu desejo impossivelmente o possivel,
Porque eu quero tudo, ou um pouco mais, se puder ser,
Ou até se não puder ser...
Álvaro De Campos (heterónimo de Fernando Pessoa)
Há sem dúvida quem deseje o impossivel,
Há sem duvida quem não queria nada -
Tres tipos de idealistas, e eu nenhum deles:
Porque eu amo infinitamente o finito,
Porque eu desejo impossivelmente o possivel,
Porque eu quero tudo, ou um pouco mais, se puder ser,
Ou até se não puder ser...
Álvaro De Campos (heterónimo de Fernando Pessoa)
sexta-feira, abril 04, 2008
quem sou eu
uma amiga tem no blog uma referência a um site em que fazemos um teste sobre a personalidade...
tentei faze-lo e o resultado é o que exponho (desculpem os que não gostam de inglês)..
para o mal ou para o bem não está muito longe da verdade.
tentei faze-lo e o resultado é o que exponho (desculpem os que não gostam de inglês)..
para o mal ou para o bem não está muito longe da verdade.
The Caregiver
You are sympathetic and caring, putting friends and family first.
A creature of habit, you prefer routines and have trouble with change.
You love being in groups - whether you're helping people or working on a project.
You are good at listening, laughing, and bringing out the best in people.
In love, you value harmony and mutual understanding.
You will apologize or give someone the benefit of the doubt, if it means getting over a fight sooner.
At work, you are good at building relationships and connecting with people.
You would make a great nurse, social worker, or teacher.
How you see yourself: Organized, dependable, co-operativeWhen other people don't get you, they see you as: Opinionated, critical, and know-it-all
terça-feira, março 25, 2008

na vida
no vento
no tempo
no sopro
em cada momento
todas as caminhadas estão cheias de voos e quedas
de desaires e vitorias.
o segredo não está em levar vidinhas tranquilas longe desses altos e baixos,
está sim no facto de apreendermos a equilibrar-nos com navegantes de um veleiro exposto as intempéries e assumirmos que mesmo as dores podem ter um sentido qualquer no rumos dos sonhos.
é preciso ter fé nos ventos que nos guiam...
o teu rumo vai levar-te a praias cheias de sorrisos e alegrias.
no vento
no tempo
no sopro
em cada momento
todas as caminhadas estão cheias de voos e quedas
de desaires e vitorias.
o segredo não está em levar vidinhas tranquilas longe desses altos e baixos,
está sim no facto de apreendermos a equilibrar-nos com navegantes de um veleiro exposto as intempéries e assumirmos que mesmo as dores podem ter um sentido qualquer no rumos dos sonhos.
é preciso ter fé nos ventos que nos guiam...
o teu rumo vai levar-te a praias cheias de sorrisos e alegrias.
sábado, março 22, 2008
21 de Março - dia mundial da poesia
Há Poetas
Que São Artistas
E há poetas que são artistas
E trabalham nos seus versos
Como um carpinteiro nas tábuas!...
Que triste não saber florir!
Ter que pôr verso sobre verso, como quem constrói um muro
E ver se está bem, e tirar se não está!...
Quando a única casa artística é a Terra toda
Que varia e está sempre bem e é sempre a mesma.
Penso nisto, não como quem pensa, mas como quem respira,
E olho para as flores e sorrio...
Não sei se elas me compreendem
Nem se eu as compreendo a elas,
Mas sei que a verdade está nelas e em mim
E na nossa comum divindade
De nos deixarmos ir e viver pela Terra
E levar ao colo pelas Estações contentes
E deixar que o vento cante para adormecermos
E não termos sonhos no nosso sono.
in Poemas Inconjuntos Alberto Caeiro (heterónimo de Fernando Pessoa)
Que São Artistas
E há poetas que são artistas
E trabalham nos seus versos
Como um carpinteiro nas tábuas!...
Que triste não saber florir!
Ter que pôr verso sobre verso, como quem constrói um muro
E ver se está bem, e tirar se não está!...
Quando a única casa artística é a Terra toda
Que varia e está sempre bem e é sempre a mesma.
Penso nisto, não como quem pensa, mas como quem respira,
E olho para as flores e sorrio...
Não sei se elas me compreendem
Nem se eu as compreendo a elas,
Mas sei que a verdade está nelas e em mim
E na nossa comum divindade
De nos deixarmos ir e viver pela Terra
E levar ao colo pelas Estações contentes
E deixar que o vento cante para adormecermos
E não termos sonhos no nosso sono.
in Poemas Inconjuntos Alberto Caeiro (heterónimo de Fernando Pessoa)
sexta-feira, março 14, 2008
Amigo
deixo-vos um magnifico poema de Alexandre O´neill com votos de um bom fim de semana.
Porque ter um amigo é tudo...
o sonho...
a vida
Mal nos conhecemos
Inauguramos a palavra amigo!
Amigo é um sorriso
De boca em boca,
Um olhar bem limpo
Uma casa, mesmo modesta, que se oferece.
Um coração pronto a pulsar
Na nossa mão!
Amigo (recordam-se, vocês aí, Escrupulosos detritos?)
Amigo é o contrário de inimigo!
Amigo é o erro corrigido,
Não o erro perseguido, explorado.
É a verdade partilhada, praticada.
Amigo é a solidão derrotada!
Amigo é uma grande tarefa,
Um trabalho sem fim,
Um espaço útil, um tempo fértil,
Amigo vai ser, é já uma grande festa!
Alexandre O'Neill
Porque ter um amigo é tudo...
o sonho...
a vida
Mal nos conhecemos
Inauguramos a palavra amigo!
Amigo é um sorriso
De boca em boca,
Um olhar bem limpo
Uma casa, mesmo modesta, que se oferece.
Um coração pronto a pulsar
Na nossa mão!
Amigo (recordam-se, vocês aí, Escrupulosos detritos?)
Amigo é o contrário de inimigo!
Amigo é o erro corrigido,
Não o erro perseguido, explorado.
É a verdade partilhada, praticada.
Amigo é a solidão derrotada!
Amigo é uma grande tarefa,
Um trabalho sem fim,
Um espaço útil, um tempo fértil,
Amigo vai ser, é já uma grande festa!
Alexandre O'Neill
domingo, março 09, 2008
as minhas desculpas
ontem foi dia da mulher e como tive um probleman no blog não pude postar nada..
agora fica aqui o reparo
porque ser mulher é ser autentica
ser torrente de sonhos
e imensa como o mar...
é não temer nos braços as tempestades
e acreditar no próprio ser
e é ser vida
agora fica aqui o reparo
porque ser mulher é ser autentica
ser torrente de sonhos
e imensa como o mar...
é não temer nos braços as tempestades
e acreditar no próprio ser
e é ser vida
segunda-feira, fevereiro 25, 2008
Durmo ou não?
Durmo ou não?
Passam juntas em minha alma
Coisas da alma e da vida em confusão,
Nesta mistura atribulada e calma
Em que não sei se durmo ou não.
Sou dois seres e duas consciências
Como dois homens indo braço-dado.
Sonolento revolvo omnisciências,
Turbulentamente estagnado.
Mas, lento, vago, emerjo de meu dois.
Disperto. Enfim: sou um, na realidade.
Espreguiço-me. Estou bem... Porquê depois,
De quê, esta vaga saudade?
Fernando Pessoa
Simplesmente porque tantas vezes me sinto assim.
boa semana
Passam juntas em minha alma
Coisas da alma e da vida em confusão,
Nesta mistura atribulada e calma
Em que não sei se durmo ou não.
Sou dois seres e duas consciências
Como dois homens indo braço-dado.
Sonolento revolvo omnisciências,
Turbulentamente estagnado.
Mas, lento, vago, emerjo de meu dois.
Disperto. Enfim: sou um, na realidade.
Espreguiço-me. Estou bem... Porquê depois,
De quê, esta vaga saudade?
Fernando Pessoa
Simplesmente porque tantas vezes me sinto assim.
boa semana
terça-feira, fevereiro 19, 2008
eu poema
Se eu hoje fosse
poema de mim próprio
seria um astro louco
um navegante sem porto
seria etereo vinho
nuns labios quaisquer
beata de cigarro
atiçada pelos ventos
se hoje eu fosse poema
o amor seria estrela
gravada no meu peito
como vulgar seta
e teu nome fonema
que numa inspiração
se fez ode..
e me fez profeta
e cada traço do teu rosto
seria guia
mapa do tesouro
dos meus sonhos
pudesse eu ser doce flor
bailar no teu sorriso
e aprender como as crianças
a inventar o amanhã
e cada pedaço de pele
que escrevo letra a letra
mais do que um poema seria grito
mais do que sopro encanto
e todo eu...todo o meu canto
seriam aves em bando a voar
na formação de um coração
para pertinho de ti.
poema de mim próprio
seria um astro louco
um navegante sem porto
seria etereo vinho
nuns labios quaisquer
beata de cigarro
atiçada pelos ventos
se hoje eu fosse poema
o amor seria estrela
gravada no meu peito
como vulgar seta
e teu nome fonema
que numa inspiração
se fez ode..
e me fez profeta
e cada traço do teu rosto
seria guia
mapa do tesouro
dos meus sonhos
pudesse eu ser doce flor
bailar no teu sorriso
e aprender como as crianças
a inventar o amanhã
e cada pedaço de pele
que escrevo letra a letra
mais do que um poema seria grito
mais do que sopro encanto
e todo eu...todo o meu canto
seriam aves em bando a voar
na formação de um coração
para pertinho de ti.
domingo, fevereiro 17, 2008
quarta-feira, fevereiro 13, 2008
para não adiar
procurava na internet um poema sobre o amor
em que o amor não surgisse ao de leve...
que permitisse afrontar os amores adiados..
que rompesse a logica do "temos tempo"...
"talvez amanha realizemos os sonhos"...
procurava um poema que ousasse afrontar a nudez das palavras..
expo-las como quem expoem os sentimemtos..
que se atrevesse a decapitar os medos sem renuncias.
so para falar dos sonhos
encontrei o poema Não posso adiar o amor....de António Ramos Rosa.
é um texto lindo que quero partilhar com vocés
boa semana.
talvez porque amanhã é dia dos namorados.
"Não posso adiar o amor para outro século
não posso
ainda que o grito sufoque na garganta
ainda que o ódio estale e crepite e arda
sob as montanhas cinzentas
e montanhas cinzentas
Não posso adiar este braço
que é uma arma de dois gumes amor e ódio
Não posso adiar
ainda que a noite pese séculos sobre as costas
e a aurora indecisa demore
não posso adiar para outro século a minha vida
nem o meu amor
nem o meu grito de libertação
Não posso adiar o coração."
António Ramos Rosa
em que o amor não surgisse ao de leve...
que permitisse afrontar os amores adiados..
que rompesse a logica do "temos tempo"...
"talvez amanha realizemos os sonhos"...
procurava um poema que ousasse afrontar a nudez das palavras..
expo-las como quem expoem os sentimemtos..
que se atrevesse a decapitar os medos sem renuncias.
so para falar dos sonhos
encontrei o poema Não posso adiar o amor....de António Ramos Rosa.
é um texto lindo que quero partilhar com vocés
boa semana.
talvez porque amanhã é dia dos namorados.
"Não posso adiar o amor para outro século
não posso
ainda que o grito sufoque na garganta
ainda que o ódio estale e crepite e arda
sob as montanhas cinzentas
e montanhas cinzentas
Não posso adiar este braço
que é uma arma de dois gumes amor e ódio
Não posso adiar
ainda que a noite pese séculos sobre as costas
e a aurora indecisa demore
não posso adiar para outro século a minha vida
nem o meu amor
nem o meu grito de libertação
Não posso adiar o coração."
António Ramos Rosa
segunda-feira, fevereiro 04, 2008
Para pensar e não ficar indiferente
Deixo-vos um poema de Bertolt Brecht chamado Aos que vierem depois de nós (tradução de Manuel Bandeira) para que não fiquemos indiferentes.
"Aos que vierem depois de nós
Realmente, vivemos muito sombrios!
A inocência é loucura. Uma fronte sem rugas
denota insensibilidade. Aquele que ri
ainda não recebeu a terrível notícia
que está para chegar.
Que tempos são estes, em que
é quase um delito
falar de coisas inocentes.
Pois implica silenciar tantos horrores!
Esse que cruza tranqüilamente a rua
não poderá jamais ser encontrado
pelos amigos que precisam de ajuda?
É certo: ganho o meu pão ainda,
Mas acreditai-me: é pura casualidade.
Nada do que faço justifica
que eu possa comer até fartar-me.
Por enquanto as coisas me correm bem
[(se a sorte me abandonar estou perdido).
E dizem-me: "Bebe, come! Alegra-te, pois tens o quê!"
Mas como posso comer e beber,
se ao faminto arrebato o que como,
se o copo de água falta ao sedento?
E todavia continuo comendo e bebendo.
Também gostaria de ser um sábio.
Os livros antigos nos falam da sabedoria:
é quedar-se afastado das lutas do mundo
e, sem temores,
deixar correr o breve tempo. Mas
evitar a violência,
retribuir o mal com o bem,
não satisfazer os desejos, antes esquecê-los
é o que chamam sabedoria.
E eu não posso fazê-lo. Realmente,
vivemos tempos sombrios.
Para as cidades vim em tempos de desordem,
quando reinava a fome.
Misturei-me aos homens em tempos turbulentos
e indignei-me com eles.
Assim passou o tempo
que me foi concedido na terra.
Comi o meu pão em meio às batalhas.
Deitei-me para dormir entre os assassinos.
Do amor me ocupei descuidadamente
e não tive paciência com a Natureza.
Assim passou o tempo
que me foi concedido na terra.
No meu tempo as ruas conduziam aos atoleiros.
A palavra traiu-me ante o verdugo.
Era muito pouco o que eu podia. Mas os governantes
Se sentiam, sem mim, mais seguros, — espero.
Assim passou o tempo
que me foi concedido na terra.
As forças eram escassas. E a meta
achava-se muito distante.
Pude divisá-la claramente,
ainda quando parecia, para mim, inatingível.
Assim passou o tempo
que me foi concedido na terra.
Vós, que surgireis da maré
em que perecemos,
lembrai-vos também,
quando falardes das nossas fraquezas,
lembrai-vos dos tempos sombrios
de que pudestes escapar.
Íamos, com efeito,
mudando mais freqüentemente de país
do que de sapatos,
através das lutas de classes,
desesperados,
quando havia só injustiça e nenhuma indignação.
E, contudo, sabemos
que também o ódio contra a baixeza
endurece a voz. Ah, os que quisemos
preparar terreno para a bondade
não pudemos ser bons.
Vós, porém, quando chegar o momento
em que o homem seja bom para o homem,
lembrai-vos de nós
com indulgência.
"
boa semana
sem resignações
"Aos que vierem depois de nós
Realmente, vivemos muito sombrios!
A inocência é loucura. Uma fronte sem rugas
denota insensibilidade. Aquele que ri
ainda não recebeu a terrível notícia
que está para chegar.
Que tempos são estes, em que
é quase um delito
falar de coisas inocentes.
Pois implica silenciar tantos horrores!
Esse que cruza tranqüilamente a rua
não poderá jamais ser encontrado
pelos amigos que precisam de ajuda?
É certo: ganho o meu pão ainda,
Mas acreditai-me: é pura casualidade.
Nada do que faço justifica
que eu possa comer até fartar-me.
Por enquanto as coisas me correm bem
[(se a sorte me abandonar estou perdido).
E dizem-me: "Bebe, come! Alegra-te, pois tens o quê!"
Mas como posso comer e beber,
se ao faminto arrebato o que como,
se o copo de água falta ao sedento?
E todavia continuo comendo e bebendo.
Também gostaria de ser um sábio.
Os livros antigos nos falam da sabedoria:
é quedar-se afastado das lutas do mundo
e, sem temores,
deixar correr o breve tempo. Mas
evitar a violência,
retribuir o mal com o bem,
não satisfazer os desejos, antes esquecê-los
é o que chamam sabedoria.
E eu não posso fazê-lo. Realmente,
vivemos tempos sombrios.
Para as cidades vim em tempos de desordem,
quando reinava a fome.
Misturei-me aos homens em tempos turbulentos
e indignei-me com eles.
Assim passou o tempo
que me foi concedido na terra.
Comi o meu pão em meio às batalhas.
Deitei-me para dormir entre os assassinos.
Do amor me ocupei descuidadamente
e não tive paciência com a Natureza.
Assim passou o tempo
que me foi concedido na terra.
No meu tempo as ruas conduziam aos atoleiros.
A palavra traiu-me ante o verdugo.
Era muito pouco o que eu podia. Mas os governantes
Se sentiam, sem mim, mais seguros, — espero.
Assim passou o tempo
que me foi concedido na terra.
As forças eram escassas. E a meta
achava-se muito distante.
Pude divisá-la claramente,
ainda quando parecia, para mim, inatingível.
Assim passou o tempo
que me foi concedido na terra.
Vós, que surgireis da maré
em que perecemos,
lembrai-vos também,
quando falardes das nossas fraquezas,
lembrai-vos dos tempos sombrios
de que pudestes escapar.
Íamos, com efeito,
mudando mais freqüentemente de país
do que de sapatos,
através das lutas de classes,
desesperados,
quando havia só injustiça e nenhuma indignação.
E, contudo, sabemos
que também o ódio contra a baixeza
endurece a voz. Ah, os que quisemos
preparar terreno para a bondade
não pudemos ser bons.
Vós, porém, quando chegar o momento
em que o homem seja bom para o homem,
lembrai-vos de nós
com indulgência.
"
boa semana
sem resignações
sexta-feira, fevereiro 01, 2008
PÉTALAS
O amor perdido é como um pétala de flor atirada aos ventos, possui as marcas do amor que se foi como se flor ainda fosse na sua juventude e ao mesmo tempo lembra algo que se perdeu como se o próprio coração morresse pétala a pétala.
quarta-feira, janeiro 30, 2008
um coisa que me veio a cabeça....
o amor está para a solidão como a lua cheia está para as pedras da calçada... verdadeiramente distantes... e tão intimamente próximos
talvez por isso gosto de andar a pé há noite nos dias de chuva...
é maravilhoso ver a lua reflectida nas poças de água...
talvez por isso gosto de andar a pé há noite nos dias de chuva...
é maravilhoso ver a lua reflectida nas poças de água...
terça-feira, janeiro 29, 2008
poeta ermita
poeta ermita
dos olhos lagrima
caminha à noite
como se bailasse
nos braços traz ancoras
...por atracar
memórias de redes...
que ficaram por estender
poeta ermita
vagueante de outros mares
de mãos calejadas...
de saudade
traz velas no peito
que ergue só para sonhares
e no coração...
a estrela da manhã
tesouro que eleva
como se desse a alma
só para te guiar
e te dizer...
que não importam os mares
ou tempestades
não importa o firmamento
tudo fará...
para que o teu sorriso...
sim o teu sorriso
possa brilhar.
dos olhos lagrima
caminha à noite
como se bailasse
nos braços traz ancoras
...por atracar
memórias de redes...
que ficaram por estender
poeta ermita
vagueante de outros mares
de mãos calejadas...
de saudade
traz velas no peito
que ergue só para sonhares
e no coração...
a estrela da manhã
tesouro que eleva
como se desse a alma
só para te guiar
e te dizer...
que não importam os mares
ou tempestades
não importa o firmamento
tudo fará...
para que o teu sorriso...
sim o teu sorriso
possa brilhar.
segunda-feira, janeiro 28, 2008
O beijo
" Beijo-flor
O beijo é flor no canteiro ou desejo na boca?
Tanto beijo nascendo e colhido na calma do jardim nenhum beijo beijado (como beijar o beijo?) na boca das meninas e é lá que eles estão suspensos invisíveis"
[Carlos Drummond de Andrade ]
Mais uma vez o grande Drummond, O escritor das poesias simples e dos versos coloridos, o homem que sabe escrever o toque com a doçura das palavras e sabe transpor para os gestos a essencia dos sentidos.
Porque há sempre O BEIJO que apetecia dar...
O beijo é flor no canteiro ou desejo na boca?
Tanto beijo nascendo e colhido na calma do jardim nenhum beijo beijado (como beijar o beijo?) na boca das meninas e é lá que eles estão suspensos invisíveis"
[Carlos Drummond de Andrade ]
Mais uma vez o grande Drummond, O escritor das poesias simples e dos versos coloridos, o homem que sabe escrever o toque com a doçura das palavras e sabe transpor para os gestos a essencia dos sentidos.
Porque há sempre O BEIJO que apetecia dar...
sexta-feira, janeiro 25, 2008
em busca da definição... do teu sorriso
O teu sorriso
é uma flor ...
pura luz...
o amanhecer.
É a seiva da poesia
que corre na pele
...dos sonhos
canto frágil e terno
que acende as manhãs
o teu sorriso
é a pedra mais preciosa
do mais precioso dos tesouros
mistérios de piratas escondidos.
é o vento norte ..
que ergue as velas dos barcos
rumo ao sonho
O teu sorriso
é tudo isto
E depois de tudo isto...
É grito
Depois de tudo isto ....
É canto
Depois de tudo isto...
é mundo.
E eu
Vagabundo de poemas
canto-o
vivo-o
recordo-o
e sonho-o
como um dom imortal
a que o teu sorriso dá luz
Nesta minha louca sina de sentir
é uma flor ...
pura luz...
o amanhecer.
É a seiva da poesia
que corre na pele
...dos sonhos
canto frágil e terno
que acende as manhãs
o teu sorriso
é a pedra mais preciosa
do mais precioso dos tesouros
mistérios de piratas escondidos.
é o vento norte ..
que ergue as velas dos barcos
rumo ao sonho
O teu sorriso
é tudo isto
E depois de tudo isto...
É grito
Depois de tudo isto ....
É canto
Depois de tudo isto...
é mundo.
E eu
Vagabundo de poemas
canto-o
vivo-o
recordo-o
e sonho-o
como um dom imortal
a que o teu sorriso dá luz
Nesta minha louca sina de sentir
terça-feira, janeiro 22, 2008
há
há uma ausencia que se corroi no meu peito
uma vontade de não sonhar e de não ser
um fogo preso que se abafa no silencio
uma voz de louco sem medo de padecer
há um vazio que se escreve com palavras
momentos estranhos e vãos...
em que canto quando choro
e dou por mim a rir por não sonhar
e há uma noção de que se é rio sem ter margens
de que se é dia... sem anoitececer.
uma certeza de que seja qual for o rumo ou a viagem
a meta essa está sempre além de acontecer
e a certeza de que por maior que seja o pensamento
por mais profunda que seja a poesia
este vazio é sempre o mesmo...um barco sem ter cais...
ou apenas a dor que vou cantando para não esmorecer
uma vontade de não sonhar e de não ser
um fogo preso que se abafa no silencio
uma voz de louco sem medo de padecer
há um vazio que se escreve com palavras
momentos estranhos e vãos...
em que canto quando choro
e dou por mim a rir por não sonhar
e há uma noção de que se é rio sem ter margens
de que se é dia... sem anoitececer.
uma certeza de que seja qual for o rumo ou a viagem
a meta essa está sempre além de acontecer
e a certeza de que por maior que seja o pensamento
por mais profunda que seja a poesia
este vazio é sempre o mesmo...um barco sem ter cais...
ou apenas a dor que vou cantando para não esmorecer
sexta-feira, janeiro 11, 2008
momentos
prendem-se os sonhos ...
na algibeira
momentos de luz
não derribados
um sonho ....
que fica a espreita
de olhos bem fechados
um mundo que pousa...
num gesto...
num abraço...
num beijo...
num sopro...
numa flor...
numa pedra..
numa gota de água...
num sorriso...
numa carta com palavras
que o vento não levou
tanta alma...
tanto sonho...
tanto acaso...
a lembrança daquele encontro
essência de momentos
que não ficaram por escrever
que não ficaram por sentir...
porque afinal o mundo é tudo isto
momento a momento...
nesta caminhada de sonhos
em que aprendemos a viver
porque apesar dos medos
apesar das dores...
apesar dos males...
e dos desamores...
o sonho mora ...
eu sei que o sonho mora...
aqui..
na algibeira
momentos de luz
não derribados
um sonho ....
que fica a espreita
de olhos bem fechados
um mundo que pousa...
num gesto...
num abraço...
num beijo...
num sopro...
numa flor...
numa pedra..
numa gota de água...
num sorriso...
numa carta com palavras
que o vento não levou
tanta alma...
tanto sonho...
tanto acaso...
a lembrança daquele encontro
essência de momentos
que não ficaram por escrever
que não ficaram por sentir...
porque afinal o mundo é tudo isto
momento a momento...
nesta caminhada de sonhos
em que aprendemos a viver
porque apesar dos medos
apesar das dores...
apesar dos males...
e dos desamores...
o sonho mora ...
eu sei que o sonho mora...
aqui..
domingo, janeiro 06, 2008
liberdade

escrevi um poema sobre as baleias para colocar esta imagem...
confesso... fi-lo com afinco...
queria que este fosse mais um post limpo e esteril...
queria dar-me... dar-me a vocés sem me tocar, sem me expor....
não foi tanto por autopreservação nem por desprendimento...
mais porque acho que as vezes me faltam temas... ou não me sinto muito a vontade a ser tema de mim próprio.
depois li o comentário da silvia e percebi o que ela queria dizer quando diz que o meu blog esta cá mas que eu não tenho estado...
depois percebi que ainda não postei nada este ano...
depois percebi que não vir cá esta a dar a ideia de uma distancia que não quero...
precisava de dizer-vos...
preciso de dizer-te silvia....
a ti sobretudo porque és a que mais me alertou para a distancia...
que nunca me fui embora...
que não fugi....
que não me afastei...
que são especiais para mim...
que conto convosco...
que acredito nos sonhos que vamos narrando...
o que se passa é que ando desinspirado...
não por me faltarem asas.....
não por não vencer amarras...
mas porque me falta engenho e arte para po-las no papel...
as vezes apenas aquele empurrão que me leva a soltar e a escrever..
sabem por certo o que quero dizer... sabem que já passei por isto e que voltei...
sabem que não se trata de estar mais ou menos feliz...
aqui para nós admito e assumo que apesar de compreensivel...
estou eu próprio a fartar-me da minha ausencia e talvez por isso exponho aqui a todos uma provocação que faço por telemovel a alguns de vocés quando me faltam temas....
ora bem ... costumo pedir a alguns de voces amigos uma palavra para a partir dela escrever um poema e deixar voar o sonho...
trata-se de uma forma de deixar espicaçar as ideias e desbloquear.
trata-se de convidar-vos a provocar-me...
se o fizerem por certo o silencio será vencido e até podem surgir coisas giras...
colaboram.....?????
abraço para quem for de abraço e beijo para quem for de beijo..
BOM 2008
segunda-feira, dezembro 31, 2007
adeus 2007... ola 2008
Pois é 2007 está a preparar-se para saudar-nos depois do último acto como um actor velho e com ele alinham-se um a um os momentos bons, as conquistas e os sonhos mas também as mágoas as desilusoes e as dores,houve momentos bons , momentos em que convívi com vocês, momentos de sorrisos e alegrias e momentos mesmo que tristes em que ombro com ombro ousamos tentar suportar o próprio mundo. Houve momentos em que o futuro deixou de ter sentido e a dor foi mais forte do que nunca . Momentos em que andei meio perdido e encontrei-me nos vossos sorrisos, nos vossos olhares, nas vossas lutas. Houve um certo beijo que ano após ano fica por dar, mas também existiram instantes maravilhosos de conversas ternas e eternas, paisagens únicas, emoções fortes, pessoas especiais. Por tudo isso... Desejo-vos que todas as coisas boas de 2007 se renovem em 2008 e que se concretizem velhos e novos sonhos. mas também que encontremos algum sentido para as coisas más.. como pedaços da corrent e da vida. sobretudo espero que possamos continuar a suportar-nos ombro a ombro como muralhas e possamos ter muitas razões para sorrir e sonhar. bom ano . gosto muito de vocês
terça-feira, dezembro 25, 2007
boas festas

No natal acendem-se os sorrisos elevam-se os sonhos, os abraços tornam-se mais fortes e as mãos mais doces.
No natal voltamos ao tempo de meninos e a esperança volta a iluminar os nossos olhos.
No natal a dadiva é palavra... o aconchego é grito e a felicidade é uma promessa.
No natal é tempo de dizermos áqueles de quem gostamos que eles nos iluminam o mundo e que a amizade é muito mais que uma palavra.
Por tudo isto. Ficam os meus votos de boas festas.
ps.. foto da peça a arte de amar, de ovidio pelo te-ato de Leiria.. apeteceu-me coloca-la... pelos sonhos que inspira
quarta-feira, dezembro 12, 2007
E se
eu hoje fosse mero escolho???
se os meus olhos se convertessem em rios???
se me eclipsasse por um momento como vapor de água???
se os meus pés se convertessem em terra???
se o meu corpo se tranformasse em areia e se atirasse aos ventos???
se o meu coração voasse de repente como se fosse pássaro e não precisasse de ter ninho???
e se eu pudesse dar-me aos meus amigos pedaço a pedaço, do mesmo modo como dou a amizade e o coração...
será que me derramava gota a gota.. até à ultima gota...
...até ao ultimo sopro....
... que aconteceria depois??
que haveria depois...???
talvez nada...
talvez só...
poesia
se os meus olhos se convertessem em rios???
se me eclipsasse por um momento como vapor de água???
se os meus pés se convertessem em terra???
se o meu corpo se tranformasse em areia e se atirasse aos ventos???
se o meu coração voasse de repente como se fosse pássaro e não precisasse de ter ninho???
e se eu pudesse dar-me aos meus amigos pedaço a pedaço, do mesmo modo como dou a amizade e o coração...
será que me derramava gota a gota.. até à ultima gota...
...até ao ultimo sopro....
... que aconteceria depois??
que haveria depois...???
talvez nada...
talvez só...
poesia
sábado, dezembro 01, 2007
Suave
Suave...
Flocos de neve numa manhã de inverno.
O canto de uma cotovia a saudar o dia.
O movimento de um girassol em busca da luz.
Suave...
Uma manta de veludo que enrodilhamos nos dedos.
Um fim de tarde em que se saboreia o lusco fusco sem medo do tempo.
O sabor do chocolate pedaço a pedaço.
Suave...
O sorrir das crianças e a forma como ele nos ilumina.
Uma luz acesa que nos indica o caminho
andar pela rua docemente passo a passo.
Suave...
Os braços do meu avó quando em pequenino...
me deixava adormecer neles e me falava de áfrica.
Aquela paisagem e o sol a desaparecer nas cores da selva.
Suave....
Um cantar de uma mãe a embalar o filho...
será fado, será canto....
haverá expressão de amor maior...
Suave...
Os teus passos no palco gesto a gesto.
Ou simplesmente.... A tua mão...
uns segundos na minha quando danças-te ..
suave...
Como se não houvesse tempo.
só ...sonhos suaves . .. só ... esse sorriso
segunda-feira, novembro 26, 2007
A vida ...

Há um poema de Drummond de Andrade, que mexeu comigo pela simplicidade das palavras e pela infinitude da mensagem, chama-se mãos dadas e quero partilha-lo com vocés.
Decidi acompanha-lo com uma foto linda, que por si só ja dá que pensar
Decidi acompanha-lo com uma foto linda, que por si só ja dá que pensar
Mãos Dadas
"Não serei o poeta de um mundo caduco.
Também não cantarei o mundo futuro.
Estou preso à vida e olho meus companheiros
Estão taciturnos mas nutrem grandes esperanças.
Entre eles, considere a enorme realidade.
O presente é tão grande, não nos afastemos.
Não nos afastemos muito, vamos de mãos dadas.
Não serei o cantor de uma mulher, de uma história.
não direi suspiros ao anoitecer, a paisagem vista na janela.
não distribuirei entorpecentes ou cartas de suicida.
não fugirei para ilhas nem serei raptado por serafins.
O tempo é a minha matéria, o tempo presente, os homens presentes,
a vida presente."
Carlos Drummond de Andrade..
Porque o que importa é viver intensamente,
dadiva por dadiva,
carinho por carinho,
sorriso por sorriso,
luz pela luz..
fugir às prisões do passado ..
e às angustias do futuro..viver o beijo pelo beijo...
acima de tudo...
saborear o momento e ser ...
FELIZ
sexta-feira, novembro 16, 2007
Norman Mailer
Procurava na net... nesta mania que temos em tomar a net muitas vezes portal de busca de informação, coisa que anteriormente faziamos nos livros, mais informações sobre Norman Mailer, escritor norte-americano falecido a 10/11/2007, não tanto para saber mais da sua obra mas porque fiquei curioso por ter ouvido um comentário acerca da sua vertente cívica..
De entre as várias informações que recolhi enconteri a que se se segue a baixo, com o título "Norman Mailer: exemplo do engajamento de intelectuais no fortalecimento da sociedade civil" e publicada a no site a voz do cidadão(http://www.avozdocidadao.com.br/) a 13 de Novembro de 2007.
Porque me pareceu que o texto satisfez em grande parte a minha curiosidade decidi posta-lo aqui, em homenagem ao escritor, ao homem e ao cidadão.
"Sábado passado, dia 10, faleceu em Nova York, um dos maiores intérpretes da cultura americana dos anos 60 para cá. Norman Mailer, jornalista e escritor polêmico, foi decisivo na construção da consciência política da sociedade civil norte-americana na segunda metade do século XX, através de reportagens, biografias, ensaios e romances sempre polêmicos.
Nascido em 1923, Norman Mailer conquistou fama internacional já a partir de 1948, com 25 anos, quando seu livro de estréia Os Nus e os Mortos, baseado em suas próprias experiências vividas na Segunda Guerra Mundial, foi um best seller bastante elogiado pela crítica. O Prêmio Pulitzer de jornalismo foi para Mailer duas vezes: em 1968 com Os Exércitos da Noite e em 1979 com A Canção do Carrasco sobre um condenado à morte, Gary Gillmore.
Foram os ensaios sobre seu país que fizeram de Mailer uma figura relevante na sociedade americana. Em 1955, fundou o jornal alternativo The Village Voice, que acabou sendo um dos difusores da revolução contracultural dos anos seguintes. Mailer sempre foi um intelectual engajado e um intérprete original das convulsões e mudanças da vida americana. Sua “não-ficção criativa”, também conhecida como Novo Jornalismo, chamou atenção para temas e personagens fundamentais para os Estados Unidos da época, como os hippies, os ativistas, os intelectuais e artistas engajados, a esquerda liberal e seu antagonismo com o “complexo militar-industrial” da estatocracia americana.
Em 1973, mais polêmica e um grande sucesso de vendas, com o lançamento de uma biografia de Marilyn Monroe onde Mailer acusava o FBI e a CIA de causaram a morte da atriz por condenarem seu suposto romance com o senador Robert Kennedy.
Norman Mailer chamou para si - como poucos - a responsabilidade que um intelectual tem de discutir, compreender e debater a cultura de seu país. Principalmente na sua face política, que vai determinar o quanto uma sociedade está madura para a plena cidadania, para o exercício do controle social sobre governos e mandatos e para o estabelecimento de um novo pacto para a construção de um país mais justo e digno.
Aos 84 anos, morreu um autor que ajudou a cultura americana e encarar suas contradições e fraquezas. Um exemplo de cidadania para todo o mundo. "
De entre as várias informações que recolhi enconteri a que se se segue a baixo, com o título "Norman Mailer: exemplo do engajamento de intelectuais no fortalecimento da sociedade civil" e publicada a no site a voz do cidadão(http://www.avozdocidadao.com.br/) a 13 de Novembro de 2007.
Porque me pareceu que o texto satisfez em grande parte a minha curiosidade decidi posta-lo aqui, em homenagem ao escritor, ao homem e ao cidadão.
"Sábado passado, dia 10, faleceu em Nova York, um dos maiores intérpretes da cultura americana dos anos 60 para cá. Norman Mailer, jornalista e escritor polêmico, foi decisivo na construção da consciência política da sociedade civil norte-americana na segunda metade do século XX, através de reportagens, biografias, ensaios e romances sempre polêmicos.
Nascido em 1923, Norman Mailer conquistou fama internacional já a partir de 1948, com 25 anos, quando seu livro de estréia Os Nus e os Mortos, baseado em suas próprias experiências vividas na Segunda Guerra Mundial, foi um best seller bastante elogiado pela crítica. O Prêmio Pulitzer de jornalismo foi para Mailer duas vezes: em 1968 com Os Exércitos da Noite e em 1979 com A Canção do Carrasco sobre um condenado à morte, Gary Gillmore.
Foram os ensaios sobre seu país que fizeram de Mailer uma figura relevante na sociedade americana. Em 1955, fundou o jornal alternativo The Village Voice, que acabou sendo um dos difusores da revolução contracultural dos anos seguintes. Mailer sempre foi um intelectual engajado e um intérprete original das convulsões e mudanças da vida americana. Sua “não-ficção criativa”, também conhecida como Novo Jornalismo, chamou atenção para temas e personagens fundamentais para os Estados Unidos da época, como os hippies, os ativistas, os intelectuais e artistas engajados, a esquerda liberal e seu antagonismo com o “complexo militar-industrial” da estatocracia americana.
Em 1973, mais polêmica e um grande sucesso de vendas, com o lançamento de uma biografia de Marilyn Monroe onde Mailer acusava o FBI e a CIA de causaram a morte da atriz por condenarem seu suposto romance com o senador Robert Kennedy.
Norman Mailer chamou para si - como poucos - a responsabilidade que um intelectual tem de discutir, compreender e debater a cultura de seu país. Principalmente na sua face política, que vai determinar o quanto uma sociedade está madura para a plena cidadania, para o exercício do controle social sobre governos e mandatos e para o estabelecimento de um novo pacto para a construção de um país mais justo e digno.
Aos 84 anos, morreu um autor que ajudou a cultura americana e encarar suas contradições e fraquezas. Um exemplo de cidadania para todo o mundo. "
segunda-feira, novembro 12, 2007
Beleza?
"as coisas mais lindas da vida não podem ser vistas nem tocadas mas sim sentidas pelo coração"
Um comentário que deixaram no meu hi5.
Porque me fez pensar
Um comentário que deixaram no meu hi5.
Porque me fez pensar
sábado, novembro 03, 2007
Será verdade????
«O amor,admito-o com um suspiro, é muito mais forte que a literatura, porém o amor na literatura é bem mais belo que na própria vida. Ao menos de vez em quando permite iludirmo-nos.»
Elke Heidenreich
Amigo

Porque a Silvia me deu este rebuçado no blog dela e de repente apeteceu-me partilha-lo convosco.
porque a mensagem faz todo sentido sobretudo para alguem como eu que voa ao sopro do vento.
porque adorei a oferta da silvia, que aliás já me tinha dado o prémio visitante que não postei por simplesmente achar que sou demasiado pequeno para tal honra, mas a que faço referencia aqui porque ela vai gostar.
Porque é bom ser vosso amigo
sexta-feira, novembro 02, 2007
PASSAS???
(...)
Passa uma rapariga...
Passa de vez em quando uma rapariga numa vida, uma rapariga alta e
morena, com cabelo até à cintura, que olha para trás e para nós como
se nos pedisse para dizer "eu vou matar-me".
E essa rapariga só precisa de um segundo, de um pequeno segredo, que nos esconde na alma, sem se importar com isso. E fica-nos para o resto da vida, presente em todos os instantes da vida, atravessada nas nossas poucas alegrias.
Arruina-nos os amores, passando pelos quartos onde estamos deitados com raparigas muito piores e olhando por cima dos ombros como se tivesse pena de nós.
Às vezes passa uma rapariga na vida que nunca mais deixa de passar,
que nos interrompe e condena e encanta, sem saber o mal e o bem que
nos faz e que nos fica na alma como aquelas pessoas que passam no
momento em que se tira uma fotografia e passam a ser a pessoa que
se fotografou (...).
por Miguel Esteves Cardoso
Porque o amor liberta e recria... molda e constroi, edifica e une...
porque amar é bom... quase tão essencial como respirar...
porque amando sonhamos ser aves e não tememos o firmamento.
porque ...mereço....
porque ...mereces...
porque... me apetece.
Luta...
vida fora por aquela rapariga ou rapaz que passou.. naquele segundo em que o sonho foi real e os teus pés perderam o contacto com o firmamento...
aquele instante em que toda a vida valeu a pena, naquele momento em que a presença dela ou dele, ainda que efemera iluminou o teu mundo com o seu sorriso..
luta...
porque se calhar nesses segundos... nesse acaso especial está a raiz de toda a vida...
...mas mesmo que não consigas...
mesmo que não triunfes...
mesmo que não controles o tempo e o sonho, mesmo que não venças o adeus...
não temas ....
existem outros sorrisos, outras fotos,outras raparigas ou rapazes mortinhos por ser encontrados...
mortinhos para sonharem na luz dos teus braços...
até porque como dizia a minha bizavó
"toda a panela tem o seu testo" :-)
BOM FIM DE SEMANA
Passa uma rapariga...
Passa de vez em quando uma rapariga numa vida, uma rapariga alta e
morena, com cabelo até à cintura, que olha para trás e para nós como
se nos pedisse para dizer "eu vou matar-me".
E essa rapariga só precisa de um segundo, de um pequeno segredo, que nos esconde na alma, sem se importar com isso. E fica-nos para o resto da vida, presente em todos os instantes da vida, atravessada nas nossas poucas alegrias.
Arruina-nos os amores, passando pelos quartos onde estamos deitados com raparigas muito piores e olhando por cima dos ombros como se tivesse pena de nós.
Às vezes passa uma rapariga na vida que nunca mais deixa de passar,
que nos interrompe e condena e encanta, sem saber o mal e o bem que
nos faz e que nos fica na alma como aquelas pessoas que passam no
momento em que se tira uma fotografia e passam a ser a pessoa que
se fotografou (...).
por Miguel Esteves Cardoso
Porque o amor liberta e recria... molda e constroi, edifica e une...
porque amar é bom... quase tão essencial como respirar...
porque amando sonhamos ser aves e não tememos o firmamento.
porque ...mereço....
porque ...mereces...
porque... me apetece.
Luta...
vida fora por aquela rapariga ou rapaz que passou.. naquele segundo em que o sonho foi real e os teus pés perderam o contacto com o firmamento...
aquele instante em que toda a vida valeu a pena, naquele momento em que a presença dela ou dele, ainda que efemera iluminou o teu mundo com o seu sorriso..
luta...
porque se calhar nesses segundos... nesse acaso especial está a raiz de toda a vida...
...mas mesmo que não consigas...
mesmo que não triunfes...
mesmo que não controles o tempo e o sonho, mesmo que não venças o adeus...
não temas ....
existem outros sorrisos, outras fotos,outras raparigas ou rapazes mortinhos por ser encontrados...
mortinhos para sonharem na luz dos teus braços...
até porque como dizia a minha bizavó
"toda a panela tem o seu testo" :-)
BOM FIM DE SEMANA
sexta-feira, outubro 26, 2007
Dois anos 26-10-2005 a 26-10-2007
Dois anos... 173 posts, milhares de partilhas, milhares de entregas... uma luta talvez não assumida, mas sentida, para nos prendermos neste lusco fusco que é a vida e nos atrevermos a sonhar o infinito.
Foram tempos bons e menos bons, mas mesmo nos menos bons este espaço foi graças a voces que me leem conforto para as minhas asas feridas,.
Já nos bons... voces, a partilha que fizemos, foram o céu em que planei sem medos.
Por várias ocasiões assumi o fim da poesia, o fim do canto... o fim do sonho... e de facto o sonho acabou nessas vezes, mas mesmo aí dor que a vida trouxe soube ser sarada pelo vosso brilho e converteu-se num marco, as vezes num legado, e apesar de continuar a dilacerar o peito e a alma é um legado, algo especial que vou superar.
Impõe-se pois o regresso à poesia...
porque existem sempre palavras que ficaram por dizer
Quero voar contigo.
Diz-me que consigo.
Quero abrir os braços e planar.
Sabes é que há algo de ti no vento.
Qualquer coisa de teu no luar.
Parece que estás comigo.
em qualquer lugar.
trago-te no meu pensamento
como um tesouro .
Um legado .
Anjo nosso
Um poema que não quero
parar de escrever.
E estas tão presente
como se olhasse o infinito
e te visse a passar.
Como se sentisse o teu sorrir.
Como se fosse iluminado
pelo teu olhar.
É que há coisas que nos transcendem.
coisas por explicar.
Como um sopro de vento
que chega sem se anunciar.
Como uma estrela que nasce
e que ontem não estava nos céus.
uma canção que surge do nada.
Com as palavras que precisamos escutar.
Sabes é que hoje os raios de sol
fizeram-me lembrar dos teus cabelos ...
a pairar na brisa.
E o cantar dos pássaros...
trouxe o teu sorrir.
Sabes é que hoje...
senti-me a superar.
e senti-te no palco comigo.
Quando tive medo
e fiquei tão solto
como se fosse luz.
E sei e sei e sei
que estás connosco .
E sei e sei e sei
que estas feliz .
E sei e sei e sei
que es madrugada,
uma flor na estrada.
Uma ave real.
um poema que surge do nada ,
o mais belo por do sol.
e sei e sei e sei
que vou estar contigo.
e sei e sei e sei
que estas a sorrir
e sei e sei e sei
que lés este grito.
Poema alado
que estive escrever
longe do silêncio.
Só para sorrir.
Só para te cantar.
Luz que brota em mim.
lembrança desse olhar...
que é fogo e vaga
acaso real...
sonho de um anjo
para te ter comigo
até ao nosso encontro
talvez porque tu
tu sim... e és sopro do vento
Foram tempos bons e menos bons, mas mesmo nos menos bons este espaço foi graças a voces que me leem conforto para as minhas asas feridas,.
Já nos bons... voces, a partilha que fizemos, foram o céu em que planei sem medos.
Por várias ocasiões assumi o fim da poesia, o fim do canto... o fim do sonho... e de facto o sonho acabou nessas vezes, mas mesmo aí dor que a vida trouxe soube ser sarada pelo vosso brilho e converteu-se num marco, as vezes num legado, e apesar de continuar a dilacerar o peito e a alma é um legado, algo especial que vou superar.
Impõe-se pois o regresso à poesia...
porque existem sempre palavras que ficaram por dizer
Quero voar contigo.
Diz-me que consigo.
Quero abrir os braços e planar.
Sabes é que há algo de ti no vento.
Qualquer coisa de teu no luar.
Parece que estás comigo.
em qualquer lugar.
trago-te no meu pensamento
como um tesouro .
Um legado .
Anjo nosso
Um poema que não quero
parar de escrever.
E estas tão presente
como se olhasse o infinito
e te visse a passar.
Como se sentisse o teu sorrir.
Como se fosse iluminado
pelo teu olhar.
É que há coisas que nos transcendem.
coisas por explicar.
Como um sopro de vento
que chega sem se anunciar.
Como uma estrela que nasce
e que ontem não estava nos céus.
uma canção que surge do nada.
Com as palavras que precisamos escutar.
Sabes é que hoje os raios de sol
fizeram-me lembrar dos teus cabelos ...
a pairar na brisa.
E o cantar dos pássaros...
trouxe o teu sorrir.
Sabes é que hoje...
senti-me a superar.
e senti-te no palco comigo.
Quando tive medo
e fiquei tão solto
como se fosse luz.
E sei e sei e sei
que estás connosco .
E sei e sei e sei
que estas feliz .
E sei e sei e sei
que es madrugada,
uma flor na estrada.
Uma ave real.
um poema que surge do nada ,
o mais belo por do sol.
e sei e sei e sei
que vou estar contigo.
e sei e sei e sei
que estas a sorrir
e sei e sei e sei
que lés este grito.
Poema alado
que estive escrever
longe do silêncio.
Só para sorrir.
Só para te cantar.
Luz que brota em mim.
lembrança desse olhar...
que é fogo e vaga
acaso real...
sonho de um anjo
para te ter comigo
até ao nosso encontro
talvez porque tu
tu sim... e és sopro do vento
domingo, outubro 21, 2007
prémio Blog escrito com amor

pois é a silvia decidiu-me atribuir este prémio.
pessoalmente considero que ele não me pertence a mim mas a vocés, leitores e amigos que me inspiram com as vossas histórias e os vossos sonhos.
obrigado a voces que me leem e também um obrigado especial a silvia por se ter lembrado de mim.
as minhas nomeações vão para:
silvia madureira do blog - jogos com matemática
a cor do mar do blog - a cor do mar
maria do blog - cheiro da ilha
ema norte do blog-100 fabulas
daniela do blog - devaneios
lisa do blog - noites de lua cheia
lyra do blog - o espacinho da lyra
e last but not least a madrinha do meu espaço a carla do photoblog outros olhares.
um beijo para todas e um xi grande de admiração pela luz que tem .
já agora ... se a mónica tivesse blog... e porque o que ela escreve no meu e no hi5 dela é lindo também a nomeava... fica o convite
sábado, outubro 20, 2007
Sonhos sem Ilusões

"... Saber não ter ilusões é absolutamente necessário para se poder ter sonhos. Atingirás assim o ponto supremo da abstenção sonhadora, onde os sentimentos se mesclam, os sentimentos se extravasam, as ideias se interpenetram. Assim como as cores e os sons sabem uns a outros, os ódios sabem a amores, e as coisas concretas a abstractas, e as abstractas a concretas. Quebram-se os laços que, ao mesmo tempo que ligavam tudo, separavam tudo, isolando cada elemento. Tudo se funde e confunde. "
Fernando Pessoa
quarta-feira, outubro 17, 2007
sexta-feira, outubro 12, 2007
tive de voltar
Porque mesmo do silencio temos deixar fluir um rio de palavras, porque seria impossivel respirar se elas estivessem presas na garganta...
Porque por mais profundas que sejam as dores temos de encarar as cicatrizes que elas deixam como trofeus e aprendermos a ser melhores.
Porque encontrei num poema da minha nova amiga Daniela tanto do que não consigo dizer...
Porque ela me autorizou a expo-lo aqui..
ou simplesmente porque precisava de faze-lo ....
deixo-vos o poema ... "quando se perde um amigo..."
para que nunca esqueçamos as amarras que nos ligam.
"Quando sentimos que perdemos um amigo
parte de nós é lágrima que cai desamparada...
mas cá dentro, há um sorriso triste
a recordar os bons momentos
que esta amizade nos deu.
Nasce um vazio
de um todo quebrado
e um mar cinzento
chora despedaçado
pelas memórias que perderam a cor.
Abre-se um buraco no peito
e a enxada deve ter lâmina dura
porque nos escava uma ferida tão profunda
que esburaca o corpo só para nos atingir
em cheio o recheio da alma.
Se eu tivesse uma pedra no lugar
onde vi plantado o meu coração
Talvez,soubesse como impedir
que a dor me roube mais esta seara...
Quando sentimos que perdemos um amigo...
as pernas caminham sem destino
porque os passos esqueceram o seu rumo
e dormem sozinhos junto á estrada.
Há braços com frio
porque sonham com um abraço...
Há um pássaro a baloiçar naquele ramo
mas já sem vontade de cantar
para aquele banco de jardim vazio...
Há palavras sem força suplicando vozes na garganta
e restos de gritos que dela saíram altos demais...
Há quadros pintados com os dedos logo pela manhã
e arco-íris que desmaiam lá pela noitinha...
Há lágrimas abençoadas
que se ajoelham fielmente a rezar por nós
e sorrisos danados a rir do desespero das minhas preces.
Há poemas colados ao tecto
porque querem preservar no céu esta história
sem acreditarem que ela chegou ao fim...
Há sonhos por perto rasgados no chão
e folhas de papel tão teimosas que se recusam a voar para longe...
Ai se eu tivesse asas nas costas
para dar utilidade a todas estas penas!
Se eu soubesse o valor da eternidade dos gestos
e das promessas que se proferem sem olhar.
Mas, porque é que a tristeza me faz pensar
que hoje perdi um amigo...
se ainda ontem sorria tão feliz por o encontrar?"
de Daniela Pereira
Obrigado por entenderes
Porque por mais profundas que sejam as dores temos de encarar as cicatrizes que elas deixam como trofeus e aprendermos a ser melhores.
Porque encontrei num poema da minha nova amiga Daniela tanto do que não consigo dizer...
Porque ela me autorizou a expo-lo aqui..
ou simplesmente porque precisava de faze-lo ....
deixo-vos o poema ... "quando se perde um amigo..."
para que nunca esqueçamos as amarras que nos ligam.
"Quando sentimos que perdemos um amigo
parte de nós é lágrima que cai desamparada...
mas cá dentro, há um sorriso triste
a recordar os bons momentos
que esta amizade nos deu.
Nasce um vazio
de um todo quebrado
e um mar cinzento
chora despedaçado
pelas memórias que perderam a cor.
Abre-se um buraco no peito
e a enxada deve ter lâmina dura
porque nos escava uma ferida tão profunda
que esburaca o corpo só para nos atingir
em cheio o recheio da alma.
Se eu tivesse uma pedra no lugar
onde vi plantado o meu coração
Talvez,soubesse como impedir
que a dor me roube mais esta seara...
Quando sentimos que perdemos um amigo...
as pernas caminham sem destino
porque os passos esqueceram o seu rumo
e dormem sozinhos junto á estrada.
Há braços com frio
porque sonham com um abraço...
Há um pássaro a baloiçar naquele ramo
mas já sem vontade de cantar
para aquele banco de jardim vazio...
Há palavras sem força suplicando vozes na garganta
e restos de gritos que dela saíram altos demais...
Há quadros pintados com os dedos logo pela manhã
e arco-íris que desmaiam lá pela noitinha...
Há lágrimas abençoadas
que se ajoelham fielmente a rezar por nós
e sorrisos danados a rir do desespero das minhas preces.
Há poemas colados ao tecto
porque querem preservar no céu esta história
sem acreditarem que ela chegou ao fim...
Há sonhos por perto rasgados no chão
e folhas de papel tão teimosas que se recusam a voar para longe...
Ai se eu tivesse asas nas costas
para dar utilidade a todas estas penas!
Se eu soubesse o valor da eternidade dos gestos
e das promessas que se proferem sem olhar.
Mas, porque é que a tristeza me faz pensar
que hoje perdi um amigo...
se ainda ontem sorria tão feliz por o encontrar?"
de Daniela Pereira
Obrigado por entenderes
domingo, outubro 07, 2007
pausa
amigos...
faltam quase vinte dias para este blog fazer dois anos, tem sido momentos muito bons de partilha e de convivio, tenho aprendido muito sobre esta arte de amar e de dar...
mas chegou a altura de fazer uma pausa.... ando com o coração apertado...
quero escrever aqui o por-do-sol e não o nevoeiro... quero escrever a luz e não a escuridão...
quero escrever a vida e não esta corrida... quero ser...
Vou parar por uns tempos, não sei quanto, talvez volte daqui a uns dias, talvez nunca...
não é que os dias sigam lá fora.... que os sonhos não aconteçam aqui... talvez seja apenas tempo de reaprender-me...
até breve
faltam quase vinte dias para este blog fazer dois anos, tem sido momentos muito bons de partilha e de convivio, tenho aprendido muito sobre esta arte de amar e de dar...
mas chegou a altura de fazer uma pausa.... ando com o coração apertado...
quero escrever aqui o por-do-sol e não o nevoeiro... quero escrever a luz e não a escuridão...
quero escrever a vida e não esta corrida... quero ser...
Vou parar por uns tempos, não sei quanto, talvez volte daqui a uns dias, talvez nunca...
não é que os dias sigam lá fora.... que os sonhos não aconteçam aqui... talvez seja apenas tempo de reaprender-me...
até breve
para Frederica
Infelizmente não pude ler-te o poema que te escrevi...
e queria ter-te lido tantos... queria ter-te escrito tantos.
Vou ter saudades linda...
porque há tanto para dizer
tanto que não sei contar
porque és estrela que nos anima
e queremos ver-te brilhar
porque o dia cá fora é frio
sem esse belo sorrir
e o vento não é o mesmo
sem ondular teus caracóis
porque és fogueira acesa
na lareira da amizade
e sabes fazer-nos ver
o que temos de melhor
porque temos tanto para aprender
sobre a vida e sobre os sonhos
e ainda há tanto que quero saber
sobre os teus mundos
porque tens um coração grande
e um não sei que de coisas
e temos saudades de nos ver
no brilho dos teus olhos
porque és vida
e sempre soubeste sê-lo
porque foste esperança
e eu nunca to disse
luta agora mais esta luta
eu sei que és capaz
nasceste lutadora
desistir não te satisfaz
luta agora mais esta vez
mostra a força que tens
belo é o dia lá fora
o pôr–do-sol quer-te saudar
vá queremos te mostrar
que és especial para nós
que és sonho a acontecer
que queremos te abraçar
Vá precisas de saber
Que gostamos de ti
E eu quero sorrir contigo
Com tudo o que aqui escrevi
Vive Sonha
Sé Luta
Cré
Vais conseguir....
Sonhamos por ti.....
Pensamos em ti.....
Escrevemos para ti...
Queremos te abraçar...
Ver-nos no teu olhar....
Ver-te sorrir....
Ouvir-te falar...
Vá
Sabemos que és forte
Sabemos que és luz
Preciso de dizer-te ...
fazes-nos falta...
fazes-me falta
.... Porque é que só o silencio resta?...
e queria ter-te lido tantos... queria ter-te escrito tantos.
Vou ter saudades linda...
porque há tanto para dizer
tanto que não sei contar
porque és estrela que nos anima
e queremos ver-te brilhar
porque o dia cá fora é frio
sem esse belo sorrir
e o vento não é o mesmo
sem ondular teus caracóis
porque és fogueira acesa
na lareira da amizade
e sabes fazer-nos ver
o que temos de melhor
porque temos tanto para aprender
sobre a vida e sobre os sonhos
e ainda há tanto que quero saber
sobre os teus mundos
porque tens um coração grande
e um não sei que de coisas
e temos saudades de nos ver
no brilho dos teus olhos
porque és vida
e sempre soubeste sê-lo
porque foste esperança
e eu nunca to disse
luta agora mais esta luta
eu sei que és capaz
nasceste lutadora
desistir não te satisfaz
luta agora mais esta vez
mostra a força que tens
belo é o dia lá fora
o pôr–do-sol quer-te saudar
vá queremos te mostrar
que és especial para nós
que és sonho a acontecer
que queremos te abraçar
Vá precisas de saber
Que gostamos de ti
E eu quero sorrir contigo
Com tudo o que aqui escrevi
Vive Sonha
Sé Luta
Cré
Vais conseguir....
Sonhamos por ti.....
Pensamos em ti.....
Escrevemos para ti...
Queremos te abraçar...
Ver-nos no teu olhar....
Ver-te sorrir....
Ouvir-te falar...
Vá
Sabemos que és forte
Sabemos que és luz
Preciso de dizer-te ...
fazes-nos falta...
fazes-me falta
.... Porque é que só o silencio resta?...
sexta-feira, setembro 28, 2007
Se vocês me conhecessem realmente saberiam que ...
Este é o desafio deixado pela Sílvia há uns dias...
Eis a minha resposta....
Sou...
Paciente
Ousado
Empático
Tímido
Apaixonado
Louco
Optimista
Unido
Cómico
Orgulhoso
Sincero
Onirico
Unico
Eis a minha resposta....
Sou...
Paciente
Ousado
Empático
Tímido
Apaixonado
Louco
Optimista
Unido
Cómico
Orgulhoso
Sincero
Onirico
Unico
terça-feira, setembro 25, 2007
Pedro Alpiarça .. para que o silencio não corroa
Pedro Alpiarça
(1958 - Lisboa, 20 de Setembro de 2007)
Inicia-se no teatro universitário da Faculdade de Belas Artes da Universidade de Lisboa, em cujo grupo teatral começa a trabalhar, entre 1984 e 1990. Integra o Teatro A Barraca (1989-1994) sob a direcção de Hélder Costa, em peças como Liberdade em Bremen de Rainer Werner Fassbinder, O Avarento de Moliére, Floresta de Enganos de Gil Vicente ou A Cantora Careca de Ionesco e com Maria do Céu Guerra em O Último Baile do Império de Josué Montello, entre outros. Passou ainda pelas companhias O Nariz - Teatro de Grupo e com o núcleo do Teatro da Veredas que em 1995 viria a dar origem ao Teatroesfera participou nos espectáculos As Histórias da Flauta (1993), O Erro Humano (1999), Abril (reposição em 2000) e O Sangue (espectáculo que inaugurou o Espaço Teatroesfera no ano 2000).
É co-fundador do Teatro Mínimo (2002), onde tem desenvolvido trabalho juntamente com José Boavida.
Foi actor regular na televisão, integrando o elenco de variadas séries e sitcoms. Em 1993 participou em Ideias com História, dois anos depois entrou em Nico D'Obra, série com Nicolau Breyner. A partir de 1998, começou a entrar em formatos mais cómicos. Participou em Os Malucos do Riso, nesse ano; em 1999 entrou em Não És Homem Não És Nada, seguindo-se em 2001 a Fábrica das Anedotas. Mais recentemente, fez algumas participações na série Os Batanetes, da TVI, na Maré Alta (SIC) e n' Prédio do Vasco. O seu último trabalho na TV foi em Vingança, onde teve um pequeno papel.
Faleceu a 20 de Setembro de 2007, não importa como...
O QUE IMPORTA É A AUSÊNCIA
Porque os palcos de Leiria, do país, do mundo e da vida ficaram mais pobres...
Talvez porque a arte às vezes chama o vazio e é difícil aparta-lo cá dentro...
Porque vou...
vamos ter saudades...
- Dessa postura que parecia desconexa sem o ser...
- Desse ar que parecia as vezes distante... as vezes próximo...
- Dessa presença discreta que despontava depois nos palcos...
- Dessa capacidade com que através da tuas personagens no “somos todos de outro lado qualquer”, no “kansera” e em muitas outras peças que vi ao vivo, mostraste o contraponto entre a fragilidade da razão humana e a beleza das pequenas coisas simples.
Na esperança de que os palcos do céu ( .. do ar... ou seja lá o que for que é a última morada dos artistas) brilhem para ti e as multidões te aplaudam de pé ...
Porque os actores não morrem ....
(1958 - Lisboa, 20 de Setembro de 2007)
Inicia-se no teatro universitário da Faculdade de Belas Artes da Universidade de Lisboa, em cujo grupo teatral começa a trabalhar, entre 1984 e 1990. Integra o Teatro A Barraca (1989-1994) sob a direcção de Hélder Costa, em peças como Liberdade em Bremen de Rainer Werner Fassbinder, O Avarento de Moliére, Floresta de Enganos de Gil Vicente ou A Cantora Careca de Ionesco e com Maria do Céu Guerra em O Último Baile do Império de Josué Montello, entre outros. Passou ainda pelas companhias O Nariz - Teatro de Grupo e com o núcleo do Teatro da Veredas que em 1995 viria a dar origem ao Teatroesfera participou nos espectáculos As Histórias da Flauta (1993), O Erro Humano (1999), Abril (reposição em 2000) e O Sangue (espectáculo que inaugurou o Espaço Teatroesfera no ano 2000).
É co-fundador do Teatro Mínimo (2002), onde tem desenvolvido trabalho juntamente com José Boavida.
Foi actor regular na televisão, integrando o elenco de variadas séries e sitcoms. Em 1993 participou em Ideias com História, dois anos depois entrou em Nico D'Obra, série com Nicolau Breyner. A partir de 1998, começou a entrar em formatos mais cómicos. Participou em Os Malucos do Riso, nesse ano; em 1999 entrou em Não És Homem Não És Nada, seguindo-se em 2001 a Fábrica das Anedotas. Mais recentemente, fez algumas participações na série Os Batanetes, da TVI, na Maré Alta (SIC) e n' Prédio do Vasco. O seu último trabalho na TV foi em Vingança, onde teve um pequeno papel.
Faleceu a 20 de Setembro de 2007, não importa como...
O QUE IMPORTA É A AUSÊNCIA
Porque os palcos de Leiria, do país, do mundo e da vida ficaram mais pobres...
Talvez porque a arte às vezes chama o vazio e é difícil aparta-lo cá dentro...
Porque vou...
vamos ter saudades...
- Dessa postura que parecia desconexa sem o ser...
- Desse ar que parecia as vezes distante... as vezes próximo...
- Dessa presença discreta que despontava depois nos palcos...
- Dessa capacidade com que através da tuas personagens no “somos todos de outro lado qualquer”, no “kansera” e em muitas outras peças que vi ao vivo, mostraste o contraponto entre a fragilidade da razão humana e a beleza das pequenas coisas simples.
Na esperança de que os palcos do céu ( .. do ar... ou seja lá o que for que é a última morada dos artistas) brilhem para ti e as multidões te aplaudam de pé ...
Porque os actores não morrem ....
sexta-feira, setembro 21, 2007
Saudades...
"Há momentos na vida em que sentes tanto a falta de alguém que dá vontade de tirá-lo dos sonhos e dar-lhe um abraço de verdade"
Reflexões By Sherek, por Emily Paull.
Com votos de um bom fim de semana repleto de sentimentos
Reflexões By Sherek, por Emily Paull.
Com votos de um bom fim de semana repleto de sentimentos
quinta-feira, setembro 20, 2007
VITOR JARA. para que o mundo nunca esqueça que houve um outro 11 de setembro.

Em posts anteriores já falei de Alhende e Pablo Neruda,já falei da barbarie que constituiu o golpe de Pinochet (com o apoio dos Estados Unidos) a 11 de setembro de 1973.
Nesses posts homenagei os homens e através deles o povo chileno e a sua luta pela liberdade, no entanto para cumprir esta homenagem faltou homenagear Vitor Jara,o homem, o poeta, o compositor mas sobretudo o home livre.
cumpro pois este designio agora.
O homem:
Víctor Lidio Jara Martínez (Chillán, 28 de setembro de 1932 — 16 de setembro de 1973) foi um músico, compositor, cantor e director de teatro chileno.
Nascido numa familia de camponeses, tornou-se referência internacional da canção revolucionária.
Lecionava "periodismo" na Universidade de Chile, e participava de reuniões com os professores da Universidade (maioria comunista) e com o partido da UP em protestos e espectaculos beneficientes.
Os factos:
A 11 de setembro de 1973, quando o golpe militar comandado pelo ditador Augusto Pinochet derrubou do poder Salvador Allende, o compositor e cantor Victor Jara correu para a universidade da Santiago onde trabalhava para se juntar aos 600 estudantes que ocupavam o prédio.
Dali, mesmo sem muito armamento, tentaram resistir aos militares e aos tanques que cercaram a universidade, sem sucesso. Depois de uma luta desigual, foram subjugados e levados para o Estádio Nacional do Chile, convertido em campo de concentração.
Victor de viola em punho, como já o tinha feito na Universidade, cantava para os seus companheiros para anima-los e procurar dar-lhes esperança, talvez por isso foi rapidamente reconhecido por um oficial, hoje sabe-se que era Edwin Dimter Bianchi, com o cognome "o principe".
Edwin ao reconhecer Vitor terá dito : "Você é aquele maldito cantor, não é?", terá depois insistido em "ocupar-se pessoalmente da sua tortura".
Separado dos demais Victor foi duramente espancado, as suas mãos foram segundo uns amputadas, segundo outros dilacerdas a golpes de culatra de espingarda.
Depois Edwin provocou-o e disse-lhe "agora Canta filho da Puta".
Victor levantou-se e apesar de ferido cantou.
Quando o soltaram ensanguentado, e ao aperceber-se do fim pediu pedaços de papel e um lápis aos companheiros,e escreveu o que viria a ser o seu último poema , preservado até aos nossos dias no manuscrito que entregou às escondidas aos seus companheiros que depois foi entregue Joan Jara,companheira de Victor.
Victor foi depois fuzilado com 44 tiros e o seu corpo abandonado numa rua de Santiago do Chile.
Deixo-vos esse poema para que partilhem para sempre daquele que segundo as palavras de Joan Jara foi o testemunjo de Victor: "... o seu único meio de resistir ainda ao fascismo, de lutar pelos direitos dos seres humanos e pela paz".
"
Somos cinco mil
nesta pequena parte da cidade.
Somos cinco mil.
Quantos seremos no total,
nas cidades e em todo o país?
Somente aqui, dez mil mãos que semeiam
e fazem andar as fábricas.
Quanta humanidade
com fome, frio, pânico, dor,
pressão moral, terror e loucura!
Seis de nós se perderam
no espaço das estrelas.
Um morto, um espancado como jamais imaginei
que se pudesse espancar um ser humano.
Os outros quatro quiseram livrar-se de todos os temores
um saltando no vazio,
outro batendo a cabeça contra o muro,
mas todos com o olhar fixo da morte.
Que espanto causa o rosto do fascismo!
Colocam em prática seus planos com precisão arteira,
sem que nada lhes importe.
O sangue, para eles, são medalhas.
A matança é ato de heroísmo.
É este o mundo que criaste, meu Deus?
Para isto os teus sete dias de assombro e trabalho?
Nestas quatro muralhas só existe um número
que não cresce,
que lentamente quererá mais morte.
Mas prontamente me golpeia a consciência
e vejo esta maré sem pulsar,
mas com o pulsar das máquinas
e os militares mostrando seu rosto de parteira,
cheio de doçura.
E o México, Cuba e o mundo?
Que gritem esta ignomínia!
Somos dez mil mãos a menos
que não produzem.
Quantos somos em toda a pátria?
O sangue do companheiro Presidente
golpeia mais forte que bombas e metralhas.
Assim golpeará nosso punho novamente.
Como me sai mal o canto
quando tenho que cantar o espanto!
Espanto como o que vivo
como o que morro, espanto.
De ver-me entre tantos e tantos
momentos do infinito
em que o silêncio e o grito
são as metas deste canto.
O que vejo nunca vi,
o que tenho sentido e o que sinto
fará brotar o momento..."
(Victor Jara, Estádio de Chile, Setembro 1973).
Nesses posts homenagei os homens e através deles o povo chileno e a sua luta pela liberdade, no entanto para cumprir esta homenagem faltou homenagear Vitor Jara,o homem, o poeta, o compositor mas sobretudo o home livre.
cumpro pois este designio agora.
O homem:
Víctor Lidio Jara Martínez (Chillán, 28 de setembro de 1932 — 16 de setembro de 1973) foi um músico, compositor, cantor e director de teatro chileno.
Nascido numa familia de camponeses, tornou-se referência internacional da canção revolucionária.
Lecionava "periodismo" na Universidade de Chile, e participava de reuniões com os professores da Universidade (maioria comunista) e com o partido da UP em protestos e espectaculos beneficientes.
Os factos:
A 11 de setembro de 1973, quando o golpe militar comandado pelo ditador Augusto Pinochet derrubou do poder Salvador Allende, o compositor e cantor Victor Jara correu para a universidade da Santiago onde trabalhava para se juntar aos 600 estudantes que ocupavam o prédio.
Dali, mesmo sem muito armamento, tentaram resistir aos militares e aos tanques que cercaram a universidade, sem sucesso. Depois de uma luta desigual, foram subjugados e levados para o Estádio Nacional do Chile, convertido em campo de concentração.
Victor de viola em punho, como já o tinha feito na Universidade, cantava para os seus companheiros para anima-los e procurar dar-lhes esperança, talvez por isso foi rapidamente reconhecido por um oficial, hoje sabe-se que era Edwin Dimter Bianchi, com o cognome "o principe".
Edwin ao reconhecer Vitor terá dito : "Você é aquele maldito cantor, não é?", terá depois insistido em "ocupar-se pessoalmente da sua tortura".
Separado dos demais Victor foi duramente espancado, as suas mãos foram segundo uns amputadas, segundo outros dilacerdas a golpes de culatra de espingarda.
Depois Edwin provocou-o e disse-lhe "agora Canta filho da Puta".
Victor levantou-se e apesar de ferido cantou.
Quando o soltaram ensanguentado, e ao aperceber-se do fim pediu pedaços de papel e um lápis aos companheiros,e escreveu o que viria a ser o seu último poema , preservado até aos nossos dias no manuscrito que entregou às escondidas aos seus companheiros que depois foi entregue Joan Jara,companheira de Victor.
Victor foi depois fuzilado com 44 tiros e o seu corpo abandonado numa rua de Santiago do Chile.
Deixo-vos esse poema para que partilhem para sempre daquele que segundo as palavras de Joan Jara foi o testemunjo de Victor: "... o seu único meio de resistir ainda ao fascismo, de lutar pelos direitos dos seres humanos e pela paz".
"
Somos cinco mil
nesta pequena parte da cidade.
Somos cinco mil.
Quantos seremos no total,
nas cidades e em todo o país?
Somente aqui, dez mil mãos que semeiam
e fazem andar as fábricas.
Quanta humanidade
com fome, frio, pânico, dor,
pressão moral, terror e loucura!
Seis de nós se perderam
no espaço das estrelas.
Um morto, um espancado como jamais imaginei
que se pudesse espancar um ser humano.
Os outros quatro quiseram livrar-se de todos os temores
um saltando no vazio,
outro batendo a cabeça contra o muro,
mas todos com o olhar fixo da morte.
Que espanto causa o rosto do fascismo!
Colocam em prática seus planos com precisão arteira,
sem que nada lhes importe.
O sangue, para eles, são medalhas.
A matança é ato de heroísmo.
É este o mundo que criaste, meu Deus?
Para isto os teus sete dias de assombro e trabalho?
Nestas quatro muralhas só existe um número
que não cresce,
que lentamente quererá mais morte.
Mas prontamente me golpeia a consciência
e vejo esta maré sem pulsar,
mas com o pulsar das máquinas
e os militares mostrando seu rosto de parteira,
cheio de doçura.
E o México, Cuba e o mundo?
Que gritem esta ignomínia!
Somos dez mil mãos a menos
que não produzem.
Quantos somos em toda a pátria?
O sangue do companheiro Presidente
golpeia mais forte que bombas e metralhas.
Assim golpeará nosso punho novamente.
Como me sai mal o canto
quando tenho que cantar o espanto!
Espanto como o que vivo
como o que morro, espanto.
De ver-me entre tantos e tantos
momentos do infinito
em que o silêncio e o grito
são as metas deste canto.
O que vejo nunca vi,
o que tenho sentido e o que sinto
fará brotar o momento..."
(Victor Jara, Estádio de Chile, Setembro 1973).
sexta-feira, setembro 14, 2007
conversas....
Homenagem a Mónica Mendes
Porque és especial para mim...
Porque ousas sonhar....
porque sabes ser poesia e luz...
porque dás sentido ao sonho...
E à busca de sentir...
Porque sabes estar aqui...
mesmo que longe...
mais presente do que quase ninguém quando a dor e o desalinho de não concretizar os sonhos se torna mais forte ou precisamos partilhar momentos bons.
Porque és tu...
doce e terna
poesia...
luz..
magia...
amiga...
tu...
tudo isto e tantas outras coisas que não consigo descrever por palavras
decidi-me, precisava... deixar-te aqui mais esta homenagem... mais este pedaço de sonho...
para que em ti a luz surja reforçada e com ela a força dos dias.
Porque adorei o teu poema, porque ele merece .. decidi coloca-lo neste post... neste cantinho que é no fundo a súmula maior do meu ser.
beijo amigo Pedro
"
Incessante procura
Nao sei bem de quê
Talvez seja insensatez
Desilusão de vida
Sonhos que se esfumam...
Pensar-te aqui, talvez.
Sentir teus dedos
Deslisar em minha pele.
Teu olhar que me lê
Para além da alma
Para além do invisivel
Traduzindo-se em pura calma
Tudo fica perceptível
Nas simples ondas da maré
Por fim tudo esvai
Por terra o sonho cai.
O sol nao brilha mais
Nem aqui, nem em outro cais
Espero pela luz da lua
E do toque de uma maõ
Nos meus cabelos...
Sonhando que seja a tua..."
de Mónica Mendes
Bom fim de semana amigos... que nos vossos corações more o verão.
Força doce Mónica . estas cá dentro :-)
Porque ousas sonhar....
porque sabes ser poesia e luz...
porque dás sentido ao sonho...
E à busca de sentir...
Porque sabes estar aqui...
mesmo que longe...
mais presente do que quase ninguém quando a dor e o desalinho de não concretizar os sonhos se torna mais forte ou precisamos partilhar momentos bons.
Porque és tu...
doce e terna
poesia...
luz..
magia...
amiga...
tu...
tudo isto e tantas outras coisas que não consigo descrever por palavras
decidi-me, precisava... deixar-te aqui mais esta homenagem... mais este pedaço de sonho...
para que em ti a luz surja reforçada e com ela a força dos dias.
Porque adorei o teu poema, porque ele merece .. decidi coloca-lo neste post... neste cantinho que é no fundo a súmula maior do meu ser.
beijo amigo Pedro
"
Incessante procura
Nao sei bem de quê
Talvez seja insensatez
Desilusão de vida
Sonhos que se esfumam...
Pensar-te aqui, talvez.
Sentir teus dedos
Deslisar em minha pele.
Teu olhar que me lê
Para além da alma
Para além do invisivel
Traduzindo-se em pura calma
Tudo fica perceptível
Nas simples ondas da maré
Por fim tudo esvai
Por terra o sonho cai.
O sol nao brilha mais
Nem aqui, nem em outro cais
Espero pela luz da lua
E do toque de uma maõ
Nos meus cabelos...
Sonhando que seja a tua..."
de Mónica Mendes
Bom fim de semana amigos... que nos vossos corações more o verão.
Força doce Mónica . estas cá dentro :-)
sábado, setembro 08, 2007
A escrita

"Escreve. Seja uma carta, um diário ou umas notas enquanto falas ao telefone, mas escreve. Procura desnudar a tua alma por escrito, ainda que ninguém leia; ou, o que é pior, que alguém acabe lendo o que não querias. O simples acto de escrever ajuda-nos a organizar o pensamento e a ver com mais clareza o que nos rodeia. Um papel e uma caneta fazem milagres, curam dores, consolidam sonhos, levam e trazem a esperança perdida. As palavras têm poder."
Fonte: "Paulo Coelho, in "Maktub"
Uma citação de Paulo Coelho enviada pela Terna Mónica (ela vai gostar da forma como a chamei :- ) ) , para saudar esta forma de as vezes voarmos, as vezes nos libertarmos, as vezes nos escondermos.....
Porque se é verdade que o sonho comanda a vida, é também verdade que muitos dos sonhos se materializam e se derramam no papel..
quinta-feira, setembro 06, 2007
homenagem a Madre Teresa de Calcuta
O MELHOR DE VOCÊ
"Dê sempre o melhor
E o melhor virá...
Às vezes as pessoas são egocêntricas, ilógicas e insensatas...
Perdoe-as assim mesmo.
Se você é gentil, as pessoas podem acusá-lo de egoísta e interesseiro...
Seja gentil assim mesmo.
Se você é um vencedor, terá alguns falsos amigos e alguns inimigos verdadeiros...
Vença assim mesmo.
Se você é honesto e franco, as pessoas podem enganá-lo...
Seja honesto e franco assim mesmo.
O que você levou anos para construir, alguém pode destruir de uma hora para outra...
Construa assim mesmo.
Se você tem paz e é feliz, as pessoas podem sentir inveja...
Seja feliz assim mesmo.
O bem que você faz hoje pode ser esquecido amanhã...
Faça o bem assim mesmo.
Dê ao mundo o melhor de você, mas isso pode nunca ser o bastante...
Dê o melhor de você assim mesmo.
E veja você que, no final das contas...
É entre VOCÊ e DEUS...
Nunca foi entre você e eles!
Agnese Gonxha Bojaxhin - Madre Tereza de Calcutá
Porque as vezes a fé tem caminhos miesteriosos.... e mesmo duvidando agiste... sonhaste.... mostraste que é possivel sermos melhores...
"Dê sempre o melhor
E o melhor virá...
Às vezes as pessoas são egocêntricas, ilógicas e insensatas...
Perdoe-as assim mesmo.
Se você é gentil, as pessoas podem acusá-lo de egoísta e interesseiro...
Seja gentil assim mesmo.
Se você é um vencedor, terá alguns falsos amigos e alguns inimigos verdadeiros...
Vença assim mesmo.
Se você é honesto e franco, as pessoas podem enganá-lo...
Seja honesto e franco assim mesmo.
O que você levou anos para construir, alguém pode destruir de uma hora para outra...
Construa assim mesmo.
Se você tem paz e é feliz, as pessoas podem sentir inveja...
Seja feliz assim mesmo.
O bem que você faz hoje pode ser esquecido amanhã...
Faça o bem assim mesmo.
Dê ao mundo o melhor de você, mas isso pode nunca ser o bastante...
Dê o melhor de você assim mesmo.
E veja você que, no final das contas...
É entre VOCÊ e DEUS...
Nunca foi entre você e eles!
Agnese Gonxha Bojaxhin - Madre Tereza de Calcutá
Porque as vezes a fé tem caminhos miesteriosos.... e mesmo duvidando agiste... sonhaste.... mostraste que é possivel sermos melhores...
terça-feira, setembro 04, 2007
há cada coisa...
não sou supersticioso, mas hoje não sei porque deu-me para ir ver o horóscopo...
como a curiosidade costuma despontar em mim nestas coisas procurei o hóroscopo Xamânico, visto que como faço anos a 22 de novembro nunca sei se sou escorpião ou sagitário e acabo sempre mais atado que desatado lol.
Ora bem segundo o meu horoscopo Xamánico sou coruja.
diz ele que as CORUJAS( quem nasceu entre De 21/11 e 20/12) – A lua da neve são muito observadoras e silenciosas.
Pessoas coruja são inteligentes, bem articuladas e discretas.
Seu olho para os detalhes faz delas perfeccionistas.
A Coruja necessita de liberdade de expressão.
É vivaz e presta muita atenção aos detalhes. Curiosa e adaptável, tende a abarcar mais do que pode.
É valente e decidida, e sabe ser versátil.
Sua natureza é sincera e estudiosa, e pode ser muito compreensiva, ainda que às vezes lhe falte tacto.
No amor, adora a aventura e é atraído por pessoas exóticas.
Precisa variedade e intensidade de sentimentos, mas, acima de tudo, alguém com quem possa conversar e compartilhar seus múltiplos interesses intelectuais.
Dá-se bem com Falcão e Salmão
Deve cultivar: Concentração, otimismo e entusiasmo vital
Deve evitar: Auto-indulgência e exagero
Planta: Visco
Mineral: Obsidiana
Cor: Dourado
Direção: Noroeste
Medicina da Coruja: É o poder de discernir as coisas em momentos de incerteza e levar uma vida coerente, com planos a longo prazo.
Medicina do Pica-pau: A aptidão para estabelecer um ritmo regular na vida e a tenacidade para proteger quem se ama.
é giro não é se quiserem saber o vosso vão a http://www.terra.com.br/planetanaweb/produtos/horosc_xamanico/
no mínimo ficam com um sorriso nos lábios
como a curiosidade costuma despontar em mim nestas coisas procurei o hóroscopo Xamânico, visto que como faço anos a 22 de novembro nunca sei se sou escorpião ou sagitário e acabo sempre mais atado que desatado lol.
Ora bem segundo o meu horoscopo Xamánico sou coruja.
diz ele que as CORUJAS( quem nasceu entre De 21/11 e 20/12) – A lua da neve são muito observadoras e silenciosas.
Pessoas coruja são inteligentes, bem articuladas e discretas.
Seu olho para os detalhes faz delas perfeccionistas.
A Coruja necessita de liberdade de expressão.
É vivaz e presta muita atenção aos detalhes. Curiosa e adaptável, tende a abarcar mais do que pode.
É valente e decidida, e sabe ser versátil.
Sua natureza é sincera e estudiosa, e pode ser muito compreensiva, ainda que às vezes lhe falte tacto.
No amor, adora a aventura e é atraído por pessoas exóticas.
Precisa variedade e intensidade de sentimentos, mas, acima de tudo, alguém com quem possa conversar e compartilhar seus múltiplos interesses intelectuais.
Dá-se bem com Falcão e Salmão
Deve cultivar: Concentração, otimismo e entusiasmo vital
Deve evitar: Auto-indulgência e exagero
Planta: Visco
Mineral: Obsidiana
Cor: Dourado
Direção: Noroeste
Medicina da Coruja: É o poder de discernir as coisas em momentos de incerteza e levar uma vida coerente, com planos a longo prazo.
Medicina do Pica-pau: A aptidão para estabelecer um ritmo regular na vida e a tenacidade para proteger quem se ama.
é giro não é se quiserem saber o vosso vão a http://www.terra.com.br/planetanaweb/produtos/horosc_xamanico/
no mínimo ficam com um sorriso nos lábios
domingo, setembro 02, 2007
Felicidade
"Se se construisse uma casa para a felicidade, a maior divisão seria a sala de espera."
citação enviada pela minha grande Mónica.
apenas para fazer sonhar, saber esperar, saber viver
citação enviada pela minha grande Mónica.
apenas para fazer sonhar, saber esperar, saber viver
segunda-feira, agosto 20, 2007
sonha...
sonha luz
com ternos poemas
sonhos perfumados
navios de papel
poetas enfeitiçados
teatrinhos de cordel
sonha ...
com poetas e fadas
guardadores de sonhos
anjos e cupídos
amores profundos
palhaços e risos
sonha....
com príncipes e fadas
guardadores de sonhos
duendes e ogres
com aventureiros
e aventuras sem fim
sonha...
com a estrela lá do alto
lembrança deixada por mim
só para te lembrar que és luz
de um poema assim....
nana bem
com ternos poemas
sonhos perfumados
navios de papel
poetas enfeitiçados
teatrinhos de cordel
sonha ...
com poetas e fadas
guardadores de sonhos
anjos e cupídos
amores profundos
palhaços e risos
sonha....
com príncipes e fadas
guardadores de sonhos
duendes e ogres
com aventureiros
e aventuras sem fim
sonha...
com a estrela lá do alto
lembrança deixada por mim
só para te lembrar que és luz
de um poema assim....
nana bem
Penso em ti... poema vida
penso em ti
quando olho o vazio
a saudade aperta
e o sonho não vem
penso em ti
fugindo ao silencio
porque em ti
há uma melodia
penso em ti
no sopro do vento
porque sei que ao vento
embalas o dia
penso em ti
no calor da alma
porque sei que a calma
vem do teu olhar
penso em ti
nas ruas da cidade
na saudade de um encontro
na esperança de um café
penso em ti
num roer de unhas
num olhar tão cumplice
que desafia o tempo
penso em ti
quando as palavras vem
o sonho se solta
eu vou mais além
penso em ti
quando venço o tempo
e escrevo um poema
num lugar qualquer
penso em ti
quando derroto as dores
e o teu exemplo
me leva a erguer
penso em ti
como se não houvesse medo
só sorrisos
e os teus olhos fossem a chave dos paraisos
penso em ti
porque sei sonhas
porque sei que sentes
porque sei que es
e sei ..
que pelo teu sorrir...
pelo teu sonhar...
pelos sonhos de ir
pelo teu olhar
pela tua força
pelos sentimentos
ao sabor dos ventos
que embalam teus cabelos
há uma união
há uma partilha
há um sonho que nasce
em cada poema
e sei que tu me entendes
mesmo quando escondo
e sei que me encontras
mesmo quando me perco
e sei ...
que não importa os medos
não importa as dores
nem os desamores
tu vais ser feliz
senhora da luz
musa dos poemas
menina mulher
dona desse olhar
que é poesia
que vence o meu dia
que me faz sonhar
e esquecer a insonia
dona desse sorriso
flor do paraiso
estrela do céu
meu doce guia
luz para quem canto até ser dia
só para te dizer
que venha o que vier
estou contigo
poema vida
quando olho o vazio
a saudade aperta
e o sonho não vem
penso em ti
fugindo ao silencio
porque em ti
há uma melodia
penso em ti
no sopro do vento
porque sei que ao vento
embalas o dia
penso em ti
no calor da alma
porque sei que a calma
vem do teu olhar
penso em ti
nas ruas da cidade
na saudade de um encontro
na esperança de um café
penso em ti
num roer de unhas
num olhar tão cumplice
que desafia o tempo
penso em ti
quando as palavras vem
o sonho se solta
eu vou mais além
penso em ti
quando venço o tempo
e escrevo um poema
num lugar qualquer
penso em ti
quando derroto as dores
e o teu exemplo
me leva a erguer
penso em ti
como se não houvesse medo
só sorrisos
e os teus olhos fossem a chave dos paraisos
penso em ti
porque sei sonhas
porque sei que sentes
porque sei que es
e sei ..
que pelo teu sorrir...
pelo teu sonhar...
pelos sonhos de ir
pelo teu olhar
pela tua força
pelos sentimentos
ao sabor dos ventos
que embalam teus cabelos
há uma união
há uma partilha
há um sonho que nasce
em cada poema
e sei que tu me entendes
mesmo quando escondo
e sei que me encontras
mesmo quando me perco
e sei ...
que não importa os medos
não importa as dores
nem os desamores
tu vais ser feliz
senhora da luz
musa dos poemas
menina mulher
dona desse olhar
que é poesia
que vence o meu dia
que me faz sonhar
e esquecer a insonia
dona desse sorriso
flor do paraiso
estrela do céu
meu doce guia
luz para quem canto até ser dia
só para te dizer
que venha o que vier
estou contigo
poema vida
terça-feira, agosto 14, 2007
2 horas e 49 minutos
são duas horas e quarenta e nove minutos, bem duas horas e cinquenta minutos, estou acordado, o único acordado... previlégio de quem está de férias e pode tentar reencontrar-se na noite... sair com a, b, ou c...ver este ou aquele amigo e agir como se não houvesse tempo, como se não tivessemos idade, como se não houvesse silencio..
como se sonhar fosse um esperar por algo que ira acontecer e em todos nós, nos nossos corações houvesse um espaço a ser preenchido por aquele AMOR que se quer derradeiro, como se saisse de um conto de fadas, de um planeta de estrelas, de uma aventura repleta de poetas, guerreiros e dragões..
Como se um dia como por artes mágicas, ou por esforço conquistado, tudo o que fizemos de bom aos outros, tudo o que construimos, tudo o que suportamos, todas as dores.... tivessem realmente sentido no amor desse alguem, derradeira vitória do sonho.
Como se não houvesse afinal um silencio que as vezes nos liberta, mas muitas vezes nos enclausura e por isso apesar de tudo o resto um coração apartado que cansado que está apenas gostava de não ser, para não ter de fingir, para não ter de se erguer...
Sabem o que doi mesmo... a maior dor é saber que por mais que se ame y esse y nunca nos ira amar, façamos o que façamos, lutemos o que lutemos, sonhemos o que sonhemos... não porque y não nos dé valor, não porque não mereçamos, mas porque as vezes o destino tem linhas cruzadas que por mais que tentemos só se tocam no plano da amizade, por mais que estejamos lá, por mais que nos demos, por mais que em nós haja partilha, vida, essencia comum, por mais que y seja tão só o nosso horizonte, o nosso principio e o nosso fim....
pior que isso a maior dor é saber que por mais que nos ergamos, que voltemos a edificar outros sonhos, por mais que nos atrevamos, há qualquer coisa em nós que nos falta e que só sabemos dar a y, qualquer coisa sem a qual nos sentimos amputados de nós e que deliciosmamente ainda que por segundos recuperamos no contacto com os seus olhos, no toque da sua mão.
Racionalmente, para não ficarmos refens de nós mesmos o melhor era amputarmos essa parte... fazer-lhe o luto, guarda-la num cofre sem chave, queima-la nas cinzas da saudade e dos augures... mas a razão não tem nada a haver com isto, a razão não se mete nestas linhas, não é a razão que comanda, não há nada de preservação... joga-se... perde-se... amasse....vivesse.... ou não e ponto.
Ninguem pensa que y está acima do que podemos alcançar, que é a pessoa errada, ninguem endurece suficientemente a carapaça que o protege das dores, ninguem é suficientemente ermita....
Era bom que o fossemos... ou melhor era bom que houvesse uma tarefa qualquer, um caminho visivel ou invisivel, uma prova que tivessemos de superar para conquistar Y , como cavaleiros num duelo nos filmes de capa e espada, como na lenda da rosa e do rouxinol... mas não, não há nada a fazer, nada além de seguirmos o nosso rumo, esperar novas sortes... nada além de mergulhar numa solidão que se estivermos atentos, cada vez mais se revela colectiva e é visivel nos olhos de quem sai a noite, como se não houvesse tempo, como se não houvesse dia, como se as férias fossem a vida...
mas há tempo... os minutos escapam e com eles passam as horas.... são agora 3 e 35 da manhã....
só a falta de sono permanece, so o vazio permanece... mesmo após este texto....
Mas também só escrevi isto porque não conseguia dormir sem explodir.... porque me cansei de dizer aos outros, ainda hoje o fiz três vezes, com três pessoas... que estou bem...
porque estou demasiado cansado de me inventar buscador de luzes quando sei que a verdadeira luz nada tem a haver com elas... porque não tenho outra alternativa senão faze-lo.....
porque preciso de enfrentar isto para não me enganar e não enganar ninguem...
e faço-o aqui porque sei que como eu há tantas e tantas pessoas, com o mesmo desamor, com a mesma incapacidade de mostrar a y o que sentem, por saber que o que escrevi ... que este vazio, assumir este vazio é e pode ser ser sempre um recomeço...
porque tenho, temos de aranjar forças e pensar em novas esperanças
porque amanha é um novo dia.
boa madrugada
como se sonhar fosse um esperar por algo que ira acontecer e em todos nós, nos nossos corações houvesse um espaço a ser preenchido por aquele AMOR que se quer derradeiro, como se saisse de um conto de fadas, de um planeta de estrelas, de uma aventura repleta de poetas, guerreiros e dragões..
Como se um dia como por artes mágicas, ou por esforço conquistado, tudo o que fizemos de bom aos outros, tudo o que construimos, tudo o que suportamos, todas as dores.... tivessem realmente sentido no amor desse alguem, derradeira vitória do sonho.
Como se não houvesse afinal um silencio que as vezes nos liberta, mas muitas vezes nos enclausura e por isso apesar de tudo o resto um coração apartado que cansado que está apenas gostava de não ser, para não ter de fingir, para não ter de se erguer...
Sabem o que doi mesmo... a maior dor é saber que por mais que se ame y esse y nunca nos ira amar, façamos o que façamos, lutemos o que lutemos, sonhemos o que sonhemos... não porque y não nos dé valor, não porque não mereçamos, mas porque as vezes o destino tem linhas cruzadas que por mais que tentemos só se tocam no plano da amizade, por mais que estejamos lá, por mais que nos demos, por mais que em nós haja partilha, vida, essencia comum, por mais que y seja tão só o nosso horizonte, o nosso principio e o nosso fim....
pior que isso a maior dor é saber que por mais que nos ergamos, que voltemos a edificar outros sonhos, por mais que nos atrevamos, há qualquer coisa em nós que nos falta e que só sabemos dar a y, qualquer coisa sem a qual nos sentimos amputados de nós e que deliciosmamente ainda que por segundos recuperamos no contacto com os seus olhos, no toque da sua mão.
Racionalmente, para não ficarmos refens de nós mesmos o melhor era amputarmos essa parte... fazer-lhe o luto, guarda-la num cofre sem chave, queima-la nas cinzas da saudade e dos augures... mas a razão não tem nada a haver com isto, a razão não se mete nestas linhas, não é a razão que comanda, não há nada de preservação... joga-se... perde-se... amasse....vivesse.... ou não e ponto.
Ninguem pensa que y está acima do que podemos alcançar, que é a pessoa errada, ninguem endurece suficientemente a carapaça que o protege das dores, ninguem é suficientemente ermita....
Era bom que o fossemos... ou melhor era bom que houvesse uma tarefa qualquer, um caminho visivel ou invisivel, uma prova que tivessemos de superar para conquistar Y , como cavaleiros num duelo nos filmes de capa e espada, como na lenda da rosa e do rouxinol... mas não, não há nada a fazer, nada além de seguirmos o nosso rumo, esperar novas sortes... nada além de mergulhar numa solidão que se estivermos atentos, cada vez mais se revela colectiva e é visivel nos olhos de quem sai a noite, como se não houvesse tempo, como se não houvesse dia, como se as férias fossem a vida...
mas há tempo... os minutos escapam e com eles passam as horas.... são agora 3 e 35 da manhã....
só a falta de sono permanece, so o vazio permanece... mesmo após este texto....
Mas também só escrevi isto porque não conseguia dormir sem explodir.... porque me cansei de dizer aos outros, ainda hoje o fiz três vezes, com três pessoas... que estou bem...
porque estou demasiado cansado de me inventar buscador de luzes quando sei que a verdadeira luz nada tem a haver com elas... porque não tenho outra alternativa senão faze-lo.....
porque preciso de enfrentar isto para não me enganar e não enganar ninguem...
e faço-o aqui porque sei que como eu há tantas e tantas pessoas, com o mesmo desamor, com a mesma incapacidade de mostrar a y o que sentem, por saber que o que escrevi ... que este vazio, assumir este vazio é e pode ser ser sempre um recomeço...
porque tenho, temos de aranjar forças e pensar em novas esperanças
porque amanha é um novo dia.
boa madrugada
sexta-feira, agosto 10, 2007
a ti
decidi-me a escrever-te
porque me apeteceu
porque as saudades foram muitas
porque a poesia pedia
porque me pediste
porque sem vir cá não era
e o dia não seria
um sorriso alegre
o teu sorriso alegre
e a vida não teria
a cor e a harmonia
que tem quando te leio
quando sei que tu me lés
e nos sentimos próximos
como se não houvesse tempo
como se a distancia fosse nula..
como se não houvessem dores,
como se o mar ,
os ventos, e as chuvas
meus e teus ...
me trouxessem novas de ti,
só por tocarem o teu rosto
só por se dissolverem
no teu sorriso,
so por beberes
das suas fontes...
decidi escrever-te
precisamente
porque preciso
da te saber alegre
de te fazer sorrir
de te imaginar a rir
quando me leres...
e então sei que com este email
receberas um beijo meu,
como se não houvesse tempo...
beijo
mágico
meigo
amigo,
irmão,
terno,
denso
meu.
para ti
por estares ai
por estares aqui
por seres tão...
doce...
terna...
tu
porque me apeteceu
porque as saudades foram muitas
porque a poesia pedia
porque me pediste
porque sem vir cá não era
e o dia não seria
um sorriso alegre
o teu sorriso alegre
e a vida não teria
a cor e a harmonia
que tem quando te leio
quando sei que tu me lés
e nos sentimos próximos
como se não houvesse tempo
como se a distancia fosse nula..
como se não houvessem dores,
como se o mar ,
os ventos, e as chuvas
meus e teus ...
me trouxessem novas de ti,
só por tocarem o teu rosto
só por se dissolverem
no teu sorriso,
so por beberes
das suas fontes...
decidi escrever-te
precisamente
porque preciso
da te saber alegre
de te fazer sorrir
de te imaginar a rir
quando me leres...
e então sei que com este email
receberas um beijo meu,
como se não houvesse tempo...
beijo
mágico
meigo
amigo,
irmão,
terno,
denso
meu.
para ti
por estares ai
por estares aqui
por seres tão...
doce...
terna...
tu
sexta-feira, agosto 03, 2007
Cavaleiros andantes
Dom Quixote de la Mancha - por Salvador DaliCavaleiro Andante
Porque sou o cavaleiro andante
Que mora no teu livro de aventuras
Podes vir chorar no meu peito
As mágoas e as desventuras
Sempre que o vento te ralhe
E a chuva de maio te molhe
Sempre que o teu barco encalhe
E a vida passe e não te olhe
Porque sou o cavaleiro andante
Que o teu velho medo inventou
Podes vir chorar no meu peito
Pois sabes sempre onde estou
Sempre que a rádio diga
Que a américa roubou a lua
Ou que um louco te persiga
E te chame nomes na rua
Porque sou o que chega e conta
Mentiras que te fazem feliz
E tu vibras com histórias
De viagens que eu nunca fiz
Podes vir chorar no meu peito
Longe de tudo o que é mau
Que eu vou estar sempre ao teu lado
No meu cavalo de pau
Rui Veloso - in albuns: O Melhor de Rui Veloso - 20 anos depois (2000); Rui Veloso (1986); Rui Veloso ao Vivo (1988) e O Concerto Acústico: nunca me esqueci de ti (2003)
Porque as vezes o sonho mora, nas reentrancias da vida e a alma se agiganta, numa esperança que muitas vezes parece perdida sem o estar.
Porque todos nós temos um pouco de fadas e principes e mesmo que o neguemos sonhamos com aventuras, bruxas e dragões ....
Porque em nós há muito de poetas, de guerreiros, muito de busca.. e todos nós temos um pouco de Dom Quixote, de Quasimodo de joana D´ Arc ou de Ivanhoe e agimos com lealdade, honra e de sentimentos a flor da pele....
Presto aqui uma singela homenagem a todos os que mantém na vida essa faceta de cavaleiros andantes, conjugação perfeita de sonho e de ser, de poesia e amor , honra e devir, na esperança de que em todas as batalhas mantenham viva a luz do sonho.
BOM FIM DE SEMANA
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