sexta-feira, junho 05, 2009

Tianaanmen - 20 anos... Porque não podemos esquecer




O Protesto na Praça da Paz Celestial (Tian'anmen) em 1989, mais conhecido como Massacre deTianaanmen, ou ainda Massacre de 4 de Junho consistiu numa série de manifestações lideradas por estudantes na República Popular da China, que ocorreram entre os dias 15 de abril e 4 de junho de 1989. O protesto recebeu o nome do lugar em que o Exército Popular de Libertação Chinês suprimiu a mobilização: a praça Tiananmen, em Pequim.

Os manifestantes (por volta de cem mil) eram oriundos de diferentes grupos, desde intelectuais que acreditavam que o governo do Partido Comunista Chinês era demasiado repressivo e corrupto, a trabalhadores da cidade, que acreditavam que as reformas económicas na China eram demasiado lentas e que a inflação e o desemprego estavam a dificultar as suas vidas.

O acontecimento que iniciou os protestos foi o falecimento de Hu Yaobang( lider político chinês com tendências mais reformistas que as de Deng Xiaoping, que fora incapaz de reprimir os movimentos de estudantes de 1986)

Os protestos consistiam em marchas pacíficas nas ruas de Pequim.

Face a esses protestos o Partido Comunista Chinês decidiu usar a força mobilizando o exercíto contra os manifestantes ao invés de procurar ouvir suas reivindicações.

Em 20 de maio, o governo declarou a lei marcial e, na noite de 3 de junho, enviou os tanques e a infantaria do exército à praça de Tiananmen para dissolver o protesto.

A 4 de junho os protestos e a repressão agudizam-se.

As estimativas das mortes civis variam: 400 a 800 (segundo o The New York Times), 2 600 (segundo informações não identificadas da Cruz Vermelha chinesa) e sete mil (segundo os manifestantes).

O número de feridos estima-se entre sete mil e dez mil..

O governo chinês decretou ainda prisões em massa para suprimir os líderes do movimento, , o número de presos ainda continua por ser revelado e alguns deles ainda estão detidos ou desaparecidos.

Depois expulsou a imprensa estrangeira e controlou completamente a cobertura dos acontecimentos na imprensa chinesa.

A repressão do protesto pelo governo da República Popular da China foi condenada pela comunidade internacional.

No dia 5 de junho, um jovem solitário e desarmado invade a Praça da Paz Celestial e anonimamente faz parar uma fileira de tanques de guerra, tal como se pode ver na foto do fotografo americano Jeff Widener da Associated Press numa imagem que correu o mundo e que se tornou um icon daquela luta.

O rapaz, de cuja identidade nunca foi revelada ficou conhecido como "o rebelde desconhecido" e foi eleito pela revista Times como uma das pessoas mais influentes do século XX.

A sua coragem para mim e para tantos outros da minha geração tornou-se um exemplo de liberdade e de sonho, dai que tenha feito este post sobre Tian'anmen … porque alguns de vocês que me lêem são novos de mais para saberem o que se passou…

Porque alguns de vocés já se esqueceram.

Porque o governo chinês quer por tudo abafar este episódio trágico da história daquele povo.

Porque não podemos, não poderemos esquecer.

quarta-feira, maio 06, 2009

Homenagem a Vasco Granja (1925-2009)


Obrigado

Pelo encanto das bandas desenhadas que mostravas, por me teres apresentado o tintin, o lucky lucke, o Chic Bill, o Spirou e Fantasio, o gaston laggaffe, a betty boop, o Mickey Mouse, e tantos outros personagens.


Por me teres fomentado o gosto de ler e escrever e assim os sonhos e a imaginação, pilares importantes daquilo que acabou por ser o meu futuro.


Por me teres feito ver que no mundo, sobretudo com os desenhos animados vindos de paises distantes como os paises de leste havia mundos diferentes, pessoas diferentes, culturas diferentes.


Por teres tido uma preocupação activa e constante em fazer com que a selecção que fazias deixasse transparecer sempre uma mensagem de harmonia e de paz, capaz de envolver o mundo.


Obrigado sobretudo pela simpatia e boa disposição com que entravas em minha casa, pela televisão aos fins de semana e ajudavas a encantar a minha infancia.




Vou ter saudades





Vasco Granja (nascido em 1925) foi um apresentador de televisão português, reconhecido pelo seu grande contributo para a divulgação da animação e da banda desenhada em Portugal.
Apaixonado desde miúdo pelo cinema, Vasco Granja esteve envolvido no movimento cineclubista dos anos cinquenta. A sua relação com os movimentos de oposição ao Estado Novo e ao Partido Comunista Português valeram-lhe duas prisões pela PIDE, uma delas durante dezasseis meses, onde sofreu em Peniche várias torturas físicas e psicológicas, como a tortura do sono.
Em 1974 inaugurou um novo programa na televisão, "Cinema de Animação", que duraria 16 anos. Nesses programas, dava a conhecer a animação de todo o mundo, desde aquela que era realizada nos países do leste da Europa, até à proveniente da América do Norte. Pretendia, com o seu programa, divulgar, para além da própria animação, uma mensagem de paz, que considerava estar presente em muitos dos filmes da Europa de Leste que transmitia.

Em 1975, criou um curso de cinema de animação, a partir do qual viria a nascer a Associação Portuguesa de Cinema de Animação.

Em 1980, foi membro do júri da quarta edição do Animafest, o Festival Mundial de Animação de Zagreb, realizado na então Jugoslávia.

domingo, abril 26, 2009


"Os ventos que as vezes tiram algo que amamos, são os mesmos que trazem algo que aprendemos a amar...Por isso não devemos chorar pelo que nos foi tirado e sim, aprender a amar o que nos foi dado. Pois tudo aquilo que é realmente nosso, nunca se vai para sempre... "


"...Os homens pensam que possuem uma mente,
mas é a mente que os possui
Há pessoas que amam o poder,
e outras que tem o poder de amar... "

"...Difícil não é lutar por aquilo que se quer, e sim desistir daquilo que se mais ama.
Eu desisti. Mas não pense que foi por não ter coragem de lutar, e sim por não ter mais condições de sofrer..."

Bob Marley

Porque estas palavras me envolveram a alma e o espirito... e deram sentido ao lado de la do amor, o lado onde mora a entrega suprema, a dádiva mas ao mesmo tempo a necessidade de ... depois de darmos tudo... seguirmos em frente pra continuar vivos.

bem ajam

quarta-feira, abril 01, 2009

sonho

"toda a vida é um sonho, não tem regras nem livros, limita-se a estar lá... a esperar ser descoberta... não sei se este é o sonho que procurava, ou se algum dia o chegarei a encontrar, tenho por isso de me manter agarrada até a tempestade passar"


porque este texto escrito há anos por uma amiga podia hoje ser o meu texto... porque há um vendaval de sonhos que surgem e se desfazem... um não sei que de poesia que nasce e se esgota em mim.
porque há uma sede de corpo que não se sacia e a alma essa enche a vida até transbordar de sonhos.

sábado, março 28, 2009

Feliz Dia do Teatro

Porque hoje se brindam

Os fazedores de sonhos
Os contadores de estrelas
Os domadores de luzes
Os aprendizes da imaginação

Porque hoje se brinda

Cada subir de palco
A contenção do gesto
A voz dos silêncios
A magia dos sentidos

Porque hoje se brinda
O sonhar sem fim
O ser mais que o próprio sonho
O recriar da vida
O sorver da luz

Porque hoje se brinda
O amor e o ódio
A paz e a guerra
A vida e a morte
O dia a acontecer em cada peça

Porque hoje se brinda
O olhar e o gesto
A contenção e o êxtase
Os beijos e as lágrimas
Uma mão erguida por todas as mãos erguidas

Porque hoje se brinda

O dito e o não dito
O expresso e o oculto
Tudo o que se diz
E a força do que não se diz e que se sente

Porque hoje se brinda

A Moliere, a Gil Vicente, a Brecht
A todos os recriadores da vida
Que inconformados com a apatia do finito
Não deixam de rescreve-lo e conta-lo

Porque hoje se brinda
O nervoso miudinho e as superstições
A tudo de nós que se empresta aos personagens
A toda a entrega, tanta entrega, tanto querer
A ousadia de nascer e ir morrendo peça a pós peça.

Porque hoje se brindam
Às plateias cheias
Às gargalhadas e suspiros que deixam de estar amordaçados
Ao prazer que se desmancha em palmas
Aos silêncios cúmplices que dizem tanto


Porque hoje se brinda

ao teatro
aos actores
aos encenadores
ao publico


brindo a todos vocês que no palco
com amizade, engenho e alma...
amam o teatro, amam o sonho
e são corrente desta arte, deste respirar deste sorver
deste saber ser que só se é no palco

Pedro Antunes

27-03-09


nota:
este texto é dedicado às várias gerações de aprendizes de actores que conheci no Tea-to e que me brindaram com a sua amizade, é uma sentida e sincera homenagem dada a alguém que ousa sonhar e ser grande.

bem hajam

domingo, março 22, 2009

porque hoje a poesia não mora em mim

"Todo mundo então era pérfido, mentiroso e falso? E lágrimas lhe vieram aos olhos, pois choramos sempre a morte das nossas ilusões com a mesma mágoa com que choramos os nossos mortos."

segunda-feira, março 09, 2009

DOI

há algo que doi...
e a dor dilacera...
torna-nos aparentemente vazios...
lança-nos no vácuo...
como se caissemos do ninho ainda sem saber voar...

mas na queda de súbito...
quando já não esperavamos....
quando pareciamos condenados....

abrimos os braços...
dos braços surgem-nos asas..
a pele ferida transforma-se em penas...

e vemos que os céus que davamos a outrem,
os céus mesmos céus que colorimos com o que sentimos...
afinal são nossos...

e descobrimos que merecemos sonha-los por inteiro....
.... sonhar-nos por inteiro....

sonhar até sermos mais que o próprio sonho.



um comentario a um post da fenix santiagra que quis partilhar aqui.


beijo para quem for de beijo, abraço para quem for de abraço...

ou como diz alguem que admiro pela simplificação que dá a todas as coisas

abreijos :-)

quinta-feira, março 05, 2009

vento

hoje o vento mergulhou na minha alma, varreu-a por dentro... levou de mim o sopro dos sonhos, deixou-me como um quase nada de lua.. um resticio de nada qualquer que ainda não aconteceu.

terça-feira, fevereiro 24, 2009

um poeta

um poeta é um passaro
que desaprendeu de voar
não por ter medo do céu
mas por se ter esquecido simplesmente
que as penas das suas asas
não são feitas de palavras

sábado, fevereiro 14, 2009

bom dia de são valentim


"O que é belo não morre: transforma-se em outra beleza."
.....Talvez em poesia
sonhem

quarta-feira, fevereiro 11, 2009

um dia destes

esqueço-me da solidão...
dispo-me de preconceitos....
renego os maiores preceitos éticos...
e beijo....
beijo a primeira desconhecida que encontrar...
so pelo beijo....
so para sentir...
so para não escrever

segunda-feira, fevereiro 09, 2009

desculpa-me

li esta frase hoje pelas 8 e 20 da manhã, dia 09 de Fevereiro, numa faixa pendurada na ponte que atravessa a nacional n.º 1, sentido sul norte, mais ou menos na zona dos marinheiros, um km ou dois antes do corte para a entrada de Leiria, próximo da ferrus.

Dei por mim a pensar na pessoa que colocou a faixa lá...
na razão de tal gesto...
no acto praticado que levou ao pedido de desculpas....
na pessoa a quem se pediu desculpas...
no tempo que devia fazer quando esse alguém que pediu desculpas colocou a faixa lá...
no quanto deve ter custado prender a faixa, no esforço que a pessoa que a colocou, ele ou ela, deve ter feito....
no quase milagre que é a faixa ainda estar lá.... ainda continuar erguida....
ainda continuar a pedir desculpas ...
por expiação do acto praticado...
para lembrança do gesto de pedir desculpas...
por testemunho do sentimento magoado de quem se pede reconsideração...

Depois pensei na reacção da pessoa a quem se destinava a mensagem...
na reacção da pessoa ele ou ela que percebeu que a mensagem era para si...
na reacção que a mensagem deve ter desencadeado nela ou nele.
na duvida sobre se o pedido de desculpas foi aceite ou não....
na esperança quase indiscreta de que tenha sido....
de que a relação entre os dois... sejam eles quem forem se tenha refeito...

Depois pensei nas pessoas que não sendo destinatárias da mensagem se sentiram enquanto tal.
Nas pessoas que pensaram que foi o seu namorado ou namorada que colocou a faixa lá e que a sentiram como sua.
nas pessoas magoadas com a vida que sentiram que era a própria vida que lhes pede desculpa pelas maleitas e se sentiram assim reconfortadas...
Ou simplesmente nas pessoas que como eu leram a mensagem e viram nela um novo alento para este dia, apesar do frio, apesar da chuva, apesar do vento... apesar de ser inicio de semana...

Depois de tudo isto, por toda a reflexão que fiz e por todas reflexões que as pessoas que passarem por lá fizerem sobre aquela faixa, ao sentirem aquela faixa, só há uma constatação que me assalta a memória....
a verdade é que as vezes a vida é feita de pequenos grandes gestos, pequenos grandes sonhos....
a poesia também....

por isso mesmo sabendo que o texto não é para mim e que não fui eu o autor de tal pedido.... atrevo-me a dizer....

desculpamos-te....


espero que ele ou ela também...


bom dia

domingo, fevereiro 01, 2009

Paris - mais um filme a não perder



Esta não é uma história de pessoas importantes, com enredos especiais.
Por contrário... o enredo é o dia a dia, os dias mais comuns... o quotidiano dos quotidianos.
A personagem principal mais do que os actores que dão corpo à trama é própria Paris... a própria cidade, não tanto a cidade das luzes, mas a Paris real, a Paris de todas as cores... de todos os tons..
É no fundo a própria cidade que se move, que se mexe, que se movimenta, é no seu seio que os enredos se cruzam, que as vivências, sonhos, sentimentos, medos e devires dos vários personagens se desenvolvem.
Paris - o filme inova não pelos actores (que não obstante tudo o que vou dizer são reconhecidos e talentosos) mas sim pela forma como Cédric Klapisch olha a cidade e nela faz desenvolver as histórias de vida dos personagens que cria, como se fosse a nossa própria história.. sem edilismos.. sem filosofias... apenas mostrando as vivências pelas vivências.
Paris é a história de um antigo bailarino que adoece e que corre o risco de perder a vida.
A história da forma como o facto de poder morrer o faz olhar os outros, dar uma importância especial às pessoas com quem se cruza, às suas vivências ... questionar o amor, a vida.. a própria morte.
É através do seu olhar, da visão que ele tem deles ora a partir da sua janela, ora no contacto que tem com eles no dia a dia que vamos conhecendo os outros personagens, estes são Vendedores do Mercado, Padeiras, Assistentes Sociais, Dançarinos, Arquitectos, Professores Universitários, Modelos, Imigrantes Clandestinos dos Camarões (mas que poderiam ser de outro lado qualquer) , no fundo todos eles pessoas vulgares, mas que para elas são pessoas especiais, pessoas que vivem vidas banais, mas que para elas são únicas, pessoas que tem sonhos e problemas que podem ser insignificantes, mas que para elas são os mais importantes do mundo.
Pessoas que se revelam e interagem na cidade de uma forma descontraída mas quase circular como se todos os caminhos se cruzassem.
pessoas que no fundo podíamos ser nós.

sexta-feira, janeiro 30, 2009

A cor dos dias

Ficha Técnica
Texto: João Lázaro Pedro Antunes
Interpretações: Bárbara Conde, Bárbara Pereira, João Lázaro, Luciana Fernandes, Mariana Queiroz, Pedro Antunes
Apoio Técnico: Diana Moreira
Cenografia: Jorge Vieira
Direcção de Produção: Maria Manuel da Rocha Marques
Direcção de Actores: Ana Rita Santos
Encenação: João Lázaro~
Deixo parte do texto da peça que o TE-ATO vai voltar a levar à cena no próximos dias 7 e 14 de fevereiro na Sala Jaime Salazar Sampaio - Rua Pedro Nunes (Transversal Arquivo Distrital / Terreiro) em Leiria
Porque existem partilhas que dão sentido ao sonho, cores que dão sentido a vida.
com um muito obrigado às jovens grandes actrizes do Te-ato pela garra e empenho que mostram sempre e pela dedicação com que deram corpo e alma às cores, ao João que me leva sempre a desafiar os meus limites, à Sara que me deu força e foi a primeira a estimular-me a mostrar o que escrevi e aos meus amigos e família que as vezes mais próximos ás vezes mais distantes me tem dado a ancoragem necessária a todos os voos.
bons sonhos....
de todas as cores

Quando deus criou o mundo, o mundo era escuro.
Negro como a noite mais negra.
Tão escuro, que nele reinava o maior dos silêncios,

o maior dos vazios.

Então cansado da escuridão

deus criou o sol
na esperança de que ele iluminasse o mundo
e desse vida a sua obra.

Então o sol nasceu.

Forte.
Radioso.
Vivo.
E assim nasceu a cor amarela

nos seus raios
E o sol passou a iluminar os céus.

Graças ao seu brilho surgiram as aves
e o sol foi tomando o seu lugar
Dia a dia.
Hora a hora.
Minuto a minuto.
Segundo a segundo
Até que ficou cansado.
Tão cansado que teve de pedir ao deus
que o deixasse descansar.

E deus ao ver que o amarelo do sol
estava aos poucos a ficar fraco
percebeu o cansaço do sol
e pediu que o sol o avisasse
quando fosse a hora de nanar.

Assim surgiu o por do sol
e com ele o laranja das suas cores.
Mas com o deitar do sol regressava o escuro
e com o escuro o silêncio.

Então deus criou a lua e as estrelas
E estas passaram a receber o brilho que o sol lhes dava.
Depois devolviam-no ao universo
Espalhadas pelo céu numa dádiva pura.
Tão pura que o amarelo do sol
se tornou ainda mais cristalino
e assim nasceu o branco.

Deste modo os dias de sol
passaram a dar lugar às noites de lua
e fizeram-no tantas vezes
e de uma forma tão terna
que o radioso sol se apaixonou pela terna lua
e a lua aos poucos também se foi apaixonando pelo sol.
O problema é que nem o sol nem a lua podiam estar juntos
e assim ficaram tristes.
Dessa tristeza surgiu o cinzento das nuvens e a chuva.

Deus ao ver tanta dor
lá aceitou que eles se beijassem de vez em quando
e assim nasceram os eclipses.
Graças a esses beijos de vez em quando
o sol e a lua voltaram a ser alegres
e a tomarem o seu lugar no céu
um após o outro.

Como a lua era vaidosa pediu a deus um espelho
e assim deus criou o mar para que a lua se pudesse ver.
Foi assim que surgiu o azul
e assim puderam nascer os peixes para o habitar.

o amor do sol e da lua era tão intenso
que aos poucos a terra que antes era negra e sem vida
se foi tornando fértil e castanha .
Foi assim que surgiram as árvores e as flores
e com elas o verde das suas ramagens
que passaram a cobrir os campos e vales.
Foi assim também que surgiram os restantes animais
testemunhas do amor do sol pela lua.

E esse amor era tão intenso
que deus resolveu criar
os seres humanos
para que contassem esse amor
de geração em geração,
para que procurassem viver ao longo da sua vida
amores iguais…
Amores Perfeitos...

e assim os homens
foram incumbidos dessa procura.
Algo que era mais que receber.
Era um dar puro.

Uma partilha pura
para ser vivida
dia a dia
noite a noite.
De sol a sol
de lua a lua.

Para lembrar os homens dessa missão
deus criou o violeta
e com ele coloriu as pétalas de uma flor
a quem chamou amor-perfeito
para que nenhum homem se esquecesse da sua busca
e se tornasse cinzento.

Porque afinal a cor dos dias.
A cor de todos os dias
é a cor que dermos aos outros
nos nossos sorrisos.

quinta-feira, janeiro 08, 2009

parte...

parte de mim é poesia...
a outra é sobretudo vazio.


pedro

quarta-feira, dezembro 31, 2008

bom ano de 2009

Toda a vida aprendi que a verdadeira essencia da vida reside mais no facto de partilharmos a luz que temos com os outros do que em procurarmos esse brilho para nós.
Trata-se de procurarmos ser luas uns dos outros para que a escuridão não reine e o brilho dos sorrisos continue a existir.
É este pensamento que quero partilhar com voces agora que este ano de 2008 termina, na esperança de que o ano que esta prestes a nascer venha repleto de sorrisos e de partilhas.

bom ano

domingo, dezembro 07, 2008

poesis rip


como se mata afinal o poeta que há em nós

domingo, novembro 30, 2008

um outro sabado

se sabado o tempo parasse
e o sonho ficasse abraçado
o mundo seria canto
o mundo seria achado

se sabado o tempo parasse
seria alegre o meu fado
meu sorriso seria o teu
teu olhar.. o mais belo tesouro encontrado

se sabado o tempo parasse
o teu cheiro seria o ar que respirava
essencia doce em que bailava
belo fado... doce fado... luz achada...

se sabado o tempo parasse
parava no tempo, ficava encontrado
ficava achado nas asas do vento
neste pensamento ... poema sohado

se sabado o tempo parasse
poema sonhado...
voavas na voz dos versos que canto
bailavas de encanto, na luz das estrelas,

e num momento parado...
segundo vivido
sabado seria tudo
aquele abraço tudo..

se sabado o tempo parasse abraçado
seria tudo nos teus braços...
e tu nos meus poesia...
num gesto que embala a vida...
sonho concretizado....

se sabado o tempo parasse
parava no tempo encontrado
vivia um sonho sonhado
cantado num sopro do vento

serias ave
sonho
pensamento
achado

poema que canto
para não esconder
que poderia ter havido um sabado
que os sonhos poderiam acontecer.


porque poderá haver um sábado

domingo, novembro 16, 2008

ergue-se o vento pela saudade
num sopro de vento que se fez tarde.
paira na alma a falta do sonho.
verbo perdido as avessas sem sentido.
fome de grito sustido, sede do corpo sonhado
faltam-me os beijos e os gestos...perde-se o teu olhar.
já me roubaram a lembrança dos dias que hão-de chegar.
e eu que tinha esperança em fazer a essencia mais forte
e eu que tinha fé nas palavras que canto
dou por mim a duvidar por querer tanto e não ser porto.
nem ter junto a esta restea vá de corpo
navio porque zarpar

quinta-feira, outubro 30, 2008

voo

paro no tempo que passa
passando no firmamento dos acasos
ficando nos sorrisos e nos sopros
na lembrança de mãos que se tocam com ternura
num troar de vento a esvoaçar...
as vezes sonho que os meus dedos e corpo ganham penas
que os meus braços se tornam asas,
que o sopro do vento me embala...
então ai...
nesses momentos mágicos...
supero o ar, o atmo e o haperon..
e sei...
sei mesmo...
ainda que por segundos
que pertenço aos céus...

domingo, outubro 26, 2008

2005-2008 - três anos a contar-me

pois é ...
o blog faz três anos.
houve momentos de partilha
momentos de entrega
momentos de sonhos e de vazio
momentos de esperança e de conforto...
agradeço aos que aqui se partilharam comigo...
aqueles que me visitaram e me acolheram nos vossos espaços...
obrigado por me mostrarem que cada post valeu a pena...
que escrever pode ser mais que dar de beber a dor

boa semana


porque é tempo de reviver e porque foi o melhor poema que alguma vez escrevi deixo aqui o primeiro poema que coloquei no meu blog... precisamente há 3 anos


Quando ...
Quando eu morrer
leva-me no teu regaço
e embala a minha alma
no teu peitoquando eu morrer
deixa-me ir assim vão e escasso
que na ânsia de viver...
eu fui fracasso
e na gloria de sonhar-te
perdi-me por recordar-te
e nunca pernoitei
junto ao teu leito
deixa-me partir
não te peço que por mim chores
nem que grites à lua tudo o que não foste
tudo o que não me deste
acredita que és tudo,foste tudo
e não lamentes se ser tudo não soubeste
deixa-me ir
não quero que vás comigo
deixo-te a rosa encarnada
que guardei em mim
e não te soube entregar
deixo-te o brilho da vida
reencarnado nos sonhos
que plantei na flor
das minhas mágoas
nas pétalas que colori
com a lembrança dos sorrisos
que provocavas
deixo-me ...em ti
em todas as lembranças
dos momentos que vivemos
e na memória dos mundos
só teus
em que habitavas
deixo-me mesmo
nos despojos
só meus ...da vida que inspiravas
mas nunca te despeças de mim
nem nunca chores
és demasiado doce para chorar
ese eu nunca quis ver padecer alguém tão belo
tão sonho tão profundamente...luminoso e vivo
vais ver que vou estar sempre aqui
enquanto houverem alvoradas
enquanto a primeira estrela do céu
persistir em assomar à tua janela
como se te quisesse saudar.
Mas nunca me lamentes
apenas deixa que no verão
as gotas de orvalho
salpiquem a tua cara
e sente-as como se fosse eu
como se fossem os meus lábios
permite que a brisa do mar
invada suavemente os teus cabelos
e os lance no reboliço como se pairassem
por força das minhas mãos
vá ... deixa-te bailar suavemente na ode da vida
e vive-a de uma forma imensa e pura
como quem sente,
como quem ama
como quem sofre.
Mas não te impeças de sonhar
e vive cada nova gloria numa entrega
cada dança, como a dança da menina ave que sei
deixa-te pairar sobre os céus...
como se anjo fosses
sem temeres o frio ou o anoitecer
pois irei abraçar-te
nos teus sonhos
e velarei por ti para sempre...
enquanto dormes

quarta-feira, outubro 22, 2008

seis coisas ou a resposta a sugestão deixada pela Carol

Seis coisas de que gosto

A minha família

Os meus amigos

Poesia

Conversar

Viver

sonhar



Seis coisas de que não gosto

Hipocrisia

Desdém

Corrupção

Pessoas apáticas

Vazio

Solidão


Seis coisas que me fazem sorrir

uma boa conversa entre amigos

momentos de partilha no seio da família

0 nascer e o por do sol

ser bem sucedido quando ajudo os outros

o facto da minha mãe me dizer diverte-te cada vez que termina uma conversa seja pessoalmente ou ao telefone

ler uma boa história

Seis coisas que me deixam triste

pessoas sós

falta de entre-ajuda

o desamor


A indiferença

cidades cheias de gente e vazias de pessoas

A política mesquinha de quem não vive as dores das pessoas e fala como se fosse senhor de todas as verdades

Seis coisas que me definem

A poesia

A amizade

A entrega

As minhas colecções (de lanternas e canivetes)

O querer fazer sonhar

a busca do A… que não encontro talvez porque o busque tanto

quinta-feira, outubro 16, 2008

Esta semana em mim

Esta semana tem sido tão intensa
Aconteceu tanta coisa tão depressa.
Dias de tristeza e de alegria
Limites que superei sem pensar conseguir faze-lo
Momentos de vazio e de fulgor.
Segunda derrubei-me
Terça renasci
Quarta percebi que estou mais forte
Quinta dou-me aqui
Sexta será o que for ou o que vier
Torrente, mar chão ou intempérie
Possa eu flutuar fim de semana a dentro
e repousar depois no ninho
Que mesmo os mareantes como eu precisam de cais
E eu preciso tanto descansar
Navegantes unam os ombros como muralha
Suportemos-nos uns aos outros
Chega de olhar o chão como se fosse olhar para ontem
Chega de carapaças confortáveis
Não custa assim tanto estar atento
A dor dos outros as vezes diminui com um sorriso
Com um abraço, até com um livro....
Fazer sorrir é tão bom
E as vezes é preciso tão pouco..
Chega de depressão e de corre corre
Chega de desculpas
Precisa-se de gente atenta e consciente
Chega da crise ...
Não têm de ser como eu ...
eu sei que ser eu as vezes é de loucos
Não vos pedia isso...
Têm apenas de olhar, ver e sentir
Vão ver que há tanto que pode ser feito para inventar um mundo novo
Conto convosco,
Contem comigo
Segunda estarei pronto para as guerras todas.
Ah e se faz favor... divirtam-se

domingo, outubro 12, 2008

para A

um poema que recordo sempre que me vou abaixo.

para que não te esqueças de sonhar

SÍSIFO
Recomeça....
Se puderes
Sem angústia
E sem pressa.
e os passos que deres,
Nesse caminho duro
Do futuro
Dá-os em liberdade.
Enquanto não alcances
Não descanses.
De nenhum fruto queiras só metade.

E, nunca saciado,
Vai colhendo ilusões sucessivas no pomar.
Sempre a sonhar e vendo
O logro da aventura.
És homem, não te esqueças!
Só é tua a loucura
Onde, com lucidez, te reconheças...

Miguel Torga

sonha
sonha comigo
sonha connosco.

lutamos juntos

terça-feira, setembro 30, 2008

os tais dias melhores

Ontem estava triste, notou-se no post que deixei cá...
estava confrontado com uma situação que gerei e que teve resultados que não previa, como daquelas vezes em que estamos a construir um castelo de peças de domino e derrubamos deliberadamente uma peça por nao estarmos contentes com a posição em que ela está mas não vemos que a seguir a ela vai cair uma, e outra e outra.. e pronto castelo ao chão.
para quem costuma ser um teorico da entropia ( como diz o grande João) devia ter pensado em todos os cenários, avaliado as consequências, colocado pesos na lingua que eu já não tenho nem cabeça nem idade para a ter tão solta, mesmo que o que diga seja o que sinta... mesmo que o que fale seja sobre o que me doi...
Como não antecipei o que fiz a tempo não me resta outra medida que não assumir os resultados do que disse e vou/estou a faze-lo... o melhor que sei.
Mas eu não quero, não estou aqui para falar nisso.
estou aqui porque cheguei a conclusão que não quero/não posso deixar-me derribar.. sei que o que não nos mata torna-nos mais fortes e ainda vou gostando de estar por cá, por isso é tempo de ir a luta, de arranjar sonhos, de viver o dia a dia.
Afinal os dias melhores só surgem se os fizermos melhores.
nisto o tio S da minha grande amiga A tem razão e é algo que subscrevo e é válido para todos os que se deparam com agruras na vida...
disse-o isto tanta vez a tanta gente e devia ter pensado nisso quando me senti a cair...
a questão é que sempre tive mais facilidade em pensar nos outros do que em mim, a minha amiga A já mo tinha dito, a M e a ML também, mas a minha amiga I, que de resto encontro como por acaso sempre que um de nós está confuso, soube-mo dizer de forma tão contundente que tive mesmo de pensar no assunto ...
de facto não sei pensar em mim...
ergui uma barreira securitaria a minha volta, fiz-me reforçado, valorizo a minha capacidade de resistencia a toda a prova, o antes quebrar que torcer, armo-me em forte..
pensando bem ... mesmo as colecções que faço, a de lanternas e a de canivetes tem a haver com isso... gosto de me sentir preparado venha o desafio que vier.
as vezes acho que sou uma tartaruga com carapaça dura... muito dura... o problema é que quase sempre o coração anda tão mole que crio conflitos dentro de mim que não sei gerir...
Tinha, tenho para mim até agora que a minha maior limitação, o meu maior medo era não ser amado ... é não ser amado, mas não sabia e hoje já sei, que na minha busca do amor andei tão perdido que ora não vi que o era ora afastei mesmo a hipótese do ser, como se fosse um cão que não se sabe se está a correr atrás da sua cauda ou a fugir dos seus dentes....
A minha amiga I mostrou-me que isso era errado ( truque n. 1 para quem gosta de apoiar os outros - o banco do terreiro em frente ao bar os Filpes em Leiria governa como spot para falar), fez-me pensar em mim, pensar no que sou...
disse-me que não posso pensar nos outros como penso sempre, que tenho de reservar espaço para as minhas batalhas, os meus sonhos...
e eu estou decidido a faze-lo pois sei que se o fizer ficarei mais forte...
continuando sempre alerta para os que passam no meus dias claro.... afinal há bichinhos que não se perdem.

Quero agradecer aos que me leem pela visita constante e pela forma como se mantêm presentes, agradecer ao tio S da A, pelo comentário no outro espaço, reflexo disso é o título deste comentario.
Agradecer à minha outra amiga A, futura socióloga que anda alidar com terras de Lisboa e que me trouxe devaneios doces de viagens e alegrou o dia.
Agradecer a minha amiga Re do café que me encanta o estomago, que soube estar lá e entendeu que não estava tão bem como dizia.
Dizer a Piquenatonta que estou contigo nas batalhas que travares, dizer-te que faço parte da tua muralha de ombros e que juntos somos fortes...
Dizer a A que ela é uma pessoa muito especial, que vai saber dar a volta aos dias maus e que pode contar comigo para a ajudar a devolver-lhe toda a luz mágica que ela dá ao mundo.
Dizer a Ml e a M que sempre as tive.. tenho como pessoas especias e que agradeço terem tentado abrir-me os olhos mesmo sem que eu o conseguisse fazer....
sei que as vezes é preciso paciencia de job
e claro dizer a I que adorei a conversa de ontem e a forma como me abriu os olhos, esperando que ela me deixe fazer o mesmo, noutra conversa de banco, para que ela pereceba a luz que mora no sorriso dela.
hoje é o primeiro dia do resto da minha vida
uma nova peça de domino para edificar um novo castelo.

segunda-feira, setembro 29, 2008

basta

basta de vazios
basta de paz podre
basta de promessas que não se cumprem
basta de gestos que se concretizam sem vontade
basta de quereres bem quereres que mal me querem
basta de sonhos adiados e odiados
basta de amores que se desamam
basta de laços que se desunem...
basta do sonho que não se concretiza
basta da esperança no amanhã
basta do amanhã
basta do hoje
basta do agora
basta de tudo

ando cansado
cansado de mim
cansado dos meus gestos
cansado dos meus sonhos
cansado dos meus laços que se desenlaçam
cansado das fidelidades que se apagam
cansado das amizades e familiaridades eternas que se esbatem
cansado da minha cabeça que não se desliga
cansado deste vazio que ninguem alcança nem percebe
cansado de me terem por forte
cansado de se ficarem quando digo que "estou bem"
cansado de escrever sobre o que não vivo
cansado de sonhar com o beijo que não dou
cansado de me levantar dia após dia

gostava tanto de poder dormir uma semana,
não... dormir um mês...
viajar só numa terra desconhecida...
assumir a renuncia de tudo...
chegar ao vazio dos vazios
o vazio em que não estaremos realmente sós
porque saberemos depois de o atingirmos
estar connosco

terça-feira, setembro 09, 2008

SE EU TE ESQUECER

Se eu te esquecer
As flores deixarão de florir
As estrelas irão desertar dos céus
As andorinhas irão deixar de fazer ninhos
Os rouxinóis irão esquecer-se de cantar

Se eu te esquecer
O norte deixará de ser onde é
Os marinheiros irão perder-se no mar
As baleias não poderão guiar-se
As marés deixarão de beijar a areia

Se eu te esquecer
Deixará de fazer sentido o nascer do dia
Não valerão de nada as cores do pôr-do-sol
A noite será escura e perpétua
Prisioneira amordaçada do suceder das horas

Se eu te esquecer
As crianças deixarão de ter porque sorrir
Desalinhar-se-ão todas as notas musicais
O silencio será devastador
A pele irá enrugar-se por desistir do toque

Se eu te esquecer
Os sítios onde estivemos
Os olhares que trocamos
As conversas que tivemos
Serão escolhos de alma arrancados da imaginação

Se eu te esquecer
Irá findar-se a tua luz que trago em mim
Findar-se-ão os sonhos e a vontade de sonhar
Tornar-me-ei banal vegetativo desistente
Escoria de luz atirada pelos ventos

Se eu te esquecer
O princípio será o fim
E o fim o principio de todas as coisas
O horizonte uma prisão perpétua
O nada tudo e o tudo nada

Se eu te esquecer
Não valerá de nada o que já fui
Não quererei saber o que serei
Os abraços irão cerrar-se cansados de ser porto
Falirá para sempre o coração

Se eu te esquecer
Irei esquecer-me das viagens que não fizemos
Dos planos que não realizamos
Dos projectos adiados e adiados
Dos beijos que não ousei dar-te

Se eu te esquecer
Ficará na minha alma...
A mais rasa das tábuas
O mais desértico dos desertos
A mais inexpugnável das montanhas

Se eu te esquecer
Irei deixar-te ser ave que és para defrontares os céus
Irei deixar de querer voar sem conseguir.
Renunciarei a proteger-te
Irei enfrentar a finitude que as palavras não alcançam

Serei escolho
Vácuo,
Beata,
Resíduo,
Degredo,
...nada

serei o nada
o nada dos campos vazios onde nascem papoilas
o nada dos desertos onde despertam os rios
o nada do vento onde planam as aves
o nada desta folha branca onde escrevo tudo
o nada da alma em que se erguem os sonhos
o nada que pode ser tudo...tudo o que puder ser.

quarta-feira, setembro 03, 2008

e se a saudade fosse outra coisa- um comment ao blog da lisa que se tornou post

e se a saudade fosse outra coisa???
se não tivesse a dor a que nos habituamos???
se fosse a falta do toque???
e se o toque de repente fosse tudo???
e gesto a gesto se descobrisse o mundo.
as vezes parece que a pele cria laços com a pele da pessoa querida...fica refem dela...
o corpo da por si a pedir o corpo... o carinho a pedir carinho...o sonho a pedir sonho...
a ausencia do outrem assume-se como um quase intervalo entre o sonho que já foi e que ainda não aconteceu..
damos por nós na falta do outrem a preencher vazios na memória...
como se o outrem estivesse sempre presente...
como se não se tivesse ido...
como se as nossas células e as da outra pessoa ainda estivesserm ligadas...

sexta-feira, agosto 15, 2008

saudades

"Porque se matam as saudades....
Nao sonhas. morres um pouco de manha e ao meio do dia quando o sol mais queima. tens de continuar. tens de esquecer. nao aguentas mais. Tens de acabar, matar recomeçar a viver. So que ela esta presa por dentro e tu agarrado a ela por um no na garganta e nao sabes o que deves deitar fora, arrancar, vomitar para que ela te saia de dentro. sais a noite com o definitivo proposito de nao voltares sozinho. compoes dentro da cabeça uma mulher com um bocadinho disto e um bocadinho daquilo esperas que bata certo. levas um bocado do tecido rasgado e queres encontrar o todo. mas nao encontras ninguem. pior, encontras alguem que te vem provar sem remissao que nao a vais poder substituir tao facilmente, que nao ha mais nada no mundo inteiro depois dela senao um deserto de tempo que se estende a tua frente onde tudo se torna insignificante e pequenino. começas a beber, a fazeres-te mal, porque estas triste e nao acreditas em nada senao na dor. queres morrer e nao podes e nem sequer coragem tens para te matar. e quando ainda pensas poder voltar atras, tambem sabes que nao e possivel voltar atras porque tu estas num mundo e ela noutro, os dois que tao depressa se afastam, encerrados em planas fotografias em que estao abraçados e nus e ja nao somos nos".
PEDRO PAIXÃO in NOS TEUS BRAÇOS MORRERIAMOS
Porque nos seus livros Pedro Paixão sabe como ninguem dizer sonho... dizer saudade... dizer amor...
bom fim de semana

segunda-feira, julho 28, 2008

A Voz do Silêncio

A pessoa que sou é única, limitada a um nascer e a um morrer, presente a si mesma e que só à sua face é verdadeira, é autêntica, decide em verdade a autenticidade de tudo quanto realizar. Assim a sua solidão, que persiste sempre talvez como pano de fundo em toda a comunicação, em toda a comunhão, não é 'isolamento'. Porque o isolamento implica um corte com os outros; a solidão implica apenas que toda a voz que a exprima não é puramente uma voz da rua, mas uma voz que ressoa no silêncio final, uma voz que fala do mais fundo de si, que está certa entre os homens como em face do homem só. O isolamento corta com os homens: a solidão não corta com o homem. A voz da solidão difere da voz fácil da fraternidade fácil em ser mais profunda e em estar prevenida.

Vergílio Ferreira, in 'Espaço do Invisivel I'

antes de....

tudo...

o sonho

todos os sonhos

quinta-feira, julho 10, 2008

pára

Para! não faz sentido dar corpo ao sentimento... o corpo tem coisas que não conheces... dores que não se encaixam.... sedes que não se sassiam....
Não eu não tenho medo do toque... não me assusta a pele.... não me abomina o sexo... eu simplesmente não estou para isto.... não nasci para isto....
Meti na cabeça que a essência é mais forte, que a alma tem luz, que o sorriso é vida.....
Que os olhares falam..... que há silêncios cúmplices.... que é importante estar ai.........
Que é importante estar presente....
Não... eu não entendo o queres dizer quando dizes - “tens de deixar que eu sinta a tua falta... tens de me deixar ter sede”
Mas eu quando não estou contigo tenho sempre sede... sinto sempre a tua falta.... tu não???
Quantas horas ou dias são precisos para que isso aconteça.... qual é o segredo do tempo que ainda não sei....
Que sentido faz querer falar contigo e não poder porque tenho que deixar que sintas a minha falta.....
É que eu sempre fui atras ... se gosto gosto, se gosto dou-me ... nunca entendi os meios termos, os joguinhos......
As cores da vida não me ensinaram a sedução do vermelho dos seus tons...... sempre apregoaram a transparência cálida da alma... a pureza do sonho....
É preciso ser recto e verdadeiro... foi o que aprendi com os filmes de cavaleiros andantes e cowboys com que cresci...
Sempre me entreguei todo... qual é a metade que não posso dar-te para que sintas falta dela.... diz-me... como posso esconder-te essa metade...
Eu nunca quis nada disto....porra... mergulhar nos teus olhos sempre foi muito mais que qualquer outra coisa.....
Sempre foi muito mais que .... tudo....
Eu só queria ser ave.... sabes.... nunca fiz parte deste jogo... nunca aprendi as regras..... os códigos... o não mostrar o baralho... o não dar tudo logo.... o não ser assim logo ...
Para mim um sim é um sim e um não é um não... ainda não entendo os sins e os nins... nem essa coisa abstracta que é o “não mas fiquei a pensar”... ou o “sim e depois se vê”
Abomino a incerteza e o “não é definitivo mas sabe bem....saboreia” ... e depois sempre desprezei as curtes ........
Cada gesto é demasiado valioso para ser mandado ao ar....
Quando se beija mesmo que para “experimentar” ficasse preso...dá-se sempre alma e
quando se da a alma ficasse agarrado... deixasse de ser um... não se fica indiferente... quando se dá a alma... abdicasse de ser uno para só se conseguir ser uno com qualquer coisa que nos é dado pela pessoa amada... e a pessoa amada só fica una com qualquer coisa que lhe demos quando abdicamos de ser perfeitos para amar.
Já alguma vez reparas-te que o coração que aprendemos a desenhar desde miúdos não é um coração apenas mas dois corações sobrepostos unidos entre sí... não um elemento único mas duas metades esquerda e direita que se unificam para dar a algo novo.
Como é que se abdica disso.... como é que se fica depois de se dar e se perder????
No amor como na guerra depois da batalha os corpos moribundos jazem pelos campos e os despojos espalhados são entregues ao vencedor......
No amor como na guerra ganha-se e perde-se, erra-se o alvo.....Fintasse a vida.....
O problema é que com o fim dos anos perder a batalha se torna cada vez mais avassalador... as feridas do velho guerreiro saram mais dificilmente, as cicatrizes ficam mais duras...
E se eu não conseguir sarar as feridas depois de tu deixares de me querer???
E se eu não conseguir abdicar da tua metade que me deste e que mora em mim????
E se eu gostar do teu beijo.......??
E se eu quiser que o beijo seja para sempre...???
Se me apetecer parar o tempo....???
Dar-te um beijo seria como ser cego e ser-lhe dado o prazer de ainda que por segundos voltar a ver a luz...
Como ficarei eu depois de ser devolvido à escuridão....
Como ficarei eu depois de ver as cores da vida.... as formas das coisas forçado a abdicar delas...
Como voltarei eu à negritude forçada depois de ter visto o meu mundo todo alterado... depois de me ter sido possível mergulhar em algo muito mais luminoso...
Como poderei eu mover-me se a percepção que tinha das coisas nunca mais será a mesma....
Pára .....
Espera....
Não... não tem a haver contigo...
Não... não perdi o interesse...
Não... não há outra...
Eu só tenho medo de ficar ligado a ti...
De não conseguir depois voltar a ser o que sou...
De não conseguir viver depois de te ires...
De beijar o lado de lá da lua, aquele lado que é reservado aos sonhos e aos elfos..
E depois como terrequeo finito que sou ter de viver sem ve-lo.....
De não conseguir nunca mais... respirar longe dos teus lábios...
De não conseguir voltar a ir-me...

sexta-feira, junho 27, 2008

A negação do anjo

Chamaram-me anjo mas anjo não sou
Sou poeta perdido não sei onde vou
Mas a verdade é que não importam os caminhos
A meta as vezes não é o horizonte

o que importa é o sonho
e o que sentimos bem dentro do peito,
bem dentro da alma, bem dentro da vida
Metade qualquer arrancada de nós

Por isso talvez perdido me encontre
Em cada olhar que canto...
Em cada gesto que guardo
Pedaços da vida que passam por mim

Por isso talvez... o sentir que me acho
Na tua voz, no teu olhar, no teu sorriso
Naqueles momentos raros em que te encontro
E em que o tempo parece não passar

Por isso a memória de cada momento
De cada abraço, de todas as conversas
A lembrança dos passos... passo a passo
que demos na vida

Por isso cada pedaço de papel que guardo e canto
Por isso esta angustia de saber que as vezes para lá do beijo
As vezes para lá do que dizem viver
Nas sortes do amor o mundo gira ao contrário

Por isso esta dor que as vezes mora em mim
Porque sei que ter não importa
Porque sei que venha o que vier
Estamos mais perto do fim

Porque há cada vez mais alguma dor
A bater em cada porta, a esconder o olhar
Porque sei que há cada vez mais braços no ar
Pessoas que teimamos em não ver

Por isso este meu ar desprendido
Que se prende em pequenos instantes
Que o tempo, os medos...e os desassossegos
parecem não levar

Por isso este meu despir da mascara
Este não ter carapaça, este não entrar no tom
Eu sei que sou desalinhado
Mas quando o que importa é dar isso até é bom

E eu sei que sou extravagante
Sei que não me encaixo
Sei que não pertenço
Mas sei que não me escondo

E mesmo diferente
Sei que não me vergo
Sei que não me rendo
Sei que me dou

E por isso escrevo
Por não poder calar
Um beijo na praça
Uma mão a acenar

E venha o que vier
Sei que canto os sonhos
Pedras emoções
Feita de sentimentos
Guardadoras de paixões

E sei que canto acesos
Os dias que guardo
Lembranças que vivo
Até ao fim da alma

E sei que há em mim além do nada
Não um deus, um anjo, ou um cavaleiro andante
Mas apenas alguém que sabe que as vezes
Cada gesto é importante para elevar um coração

Alguém que farto de corações partidos, chamas apagadas....
Campos vazios que já não são lavrados pelas enxadas da paixão
Não se rende e não desiste.... sobretudo não se esconde...
Dá-se e é.

E acima de tudo...
Canta o sonho.

terça-feira, junho 24, 2008

eu sou

uma ave ferida
um intervalo no espaço
uma pedrada no charco
um embaraço
um naufrago perdido
sem querer cais
um poema esquecido
que não digo mais..

a saudade da voz
do sopro que das
um sonho passado
que não volta atrás
a lamina afiada
do meu canivete
o gesto magoado
num bailado qualquer

enfim talvez marasmo...

mas sobretudo sou....
ser....

mas sobretudo..

existo....

mas sobretudo ...


sou.....

mas sobretudo....


dou...

e assim aconteço...

e percebo porque existo...

mesmo que as vezes

seja vão
seja louco
seja só...

quinta-feira, junho 12, 2008

cada um de nós

cada um de nos é o vazio que carrega... um pedaço qualquer de sonho que ficou a deriva... algo de brilho que se perdeu no vento

sexta-feira, maio 30, 2008

Saudade....

Frases Sobre Saudade


A ausência diminui as paixões medíocres e aumenta as grandes, assim como o vento apaga as velas, mas atiça as fogueiras.

(Anónimo)

A casa da saudade chama-se memória: é uma cabana pequenina a um canto do coração.

(Henrique Maximiliano Coelho Neto - Romancista e contista brasileiro - 1864/ 1934)

Aquele que inventou a distância não conhecia a dor da saudade... (Anónimo)

Como é bom contemplar o céu, interrogar uma estrela e pensar que ao longe, bem longe, um outro alguém contempla este mesmo céu, essa mesma estrela e murmura baixinho: "Saudade!"

(Anónimo)

Debruço-me na sua ausência como se o vazio dotado fosse de ombros largos, cor, calor e pudesse me ouvir ao relento roçar o ponto mais sensível da imensa falta que você faz.

(António Carlos Mattos)


Saudade são águas passadas que se acumulam em nossos corações, inundam nossos pensamentos, transbordam por nossos olhos, deslizam em gotículas de lembranças que por fim, morrem na realidade de nossos lábios.

(Anónimo)

Bom fim de semana.
amigos...
que a chama da saudade converta um dia em solo fertil os terrenos que a dor deixou por arar.
Quando isso acontecer talvez voltem a nascer papoilas em todos os corações

quinta-feira, maio 01, 2008

A cor da vida


O azul do oceano à beira da praia.
O branco da neve das montanhas altas
O rosáceo vermelho das papoilas vermelhas
O amarelo dos campos a pedir primaveras

O castanho das folhas a despedirem-se do verão
O negro dos céus pejados de estrelas
O bege da areia que guardas nos dedos
As conchas cinzentas com que enfeitas castelos

O branco e amarelo dos ovos estrelados
O transparente da água com que molhas os lábios
O voar das joaninhas vermelhas e negras
As crianças que correm no verde dos prados

O branco e o negro das calçadas da rua
Que pisas pé no branco, pé no negro
como se o universo fosse e trilhasses caminhos
Nos quadradinhos do mundo

O vermelho das rosas
e o azul dos jasmins
Flores querubins
Que lembram amores

o laranja da cenoura
que torna belos teus olhos
e que enfeitas o nariz
do boneco de neve

os mil tons vermelhos do pôr-do-sol
João pestana do dia
e o despertar da lua
na viagem do sonho.

O saltar verde e amarelo
Da bola com que rodopio a rodopio
o ronaldo brincava em criança
ensaiando marcar os golos do futuro

as mil cores do arco-íris
que surgem no céu só para te dizer
que a chuva se vai e o sol regressa
para poderes brincar

os salpicos cinzentos da lama
que trazes na roupa
quando brincas a chuva
e pulas nas poças

todas estas são as cores
que podes usar para colorir a vida
ao ritmo dos teus sonhos
porque o amanhã é o futuro

e as cores da vida estão em tudo
para colorir o teu sorriso
para acender o teu olhar
para aquecer o teu abraço
e dar asas ao teu sonhar

porque afinal
mais do que tudo isto
a cor da vida
é a luz da tua alma

menina criança
homem do amanhã
fonte de esperança
de que o mundo tenha cor

porque afinal
es tu
quem aprendiz de feiticeiro
pinta o infinito dos sonhar

porque afinal
a cor da vida
a cor da nossa vida
és tu

domingo, abril 27, 2008

Sobre o Poema

Um poema cresce inseguramente
na confusão da carne,
sobe ainda sem palavras, só ferocidade e gosto,
talvez como sangue
ou sombra de sangue pelos canais do ser.
Fora existe o mundo.
Fora, a esplêndida violência
ou os bagos de uva de onde nascem
as raízes minúsculas do sol.
Fora, os corpos genuínos e inalteráveis
do nosso amor,
os rios, a grande paz exterior das coisas,
as folhas dormindo o silêncio,
as sementes à beira do vento,
— a hora teatral da posse.
E o poema cresce tomando tudo em seu regaço.

E já nenhum poder destrói o poema.
Insustentável, único,
invade as órbitas, a face amorfa das paredes,
a miséria dos minutos,
a força sustida das coisas,
a redonda e livre harmonia do mundo.
— Embaixo o instrumento perplexo ignora
a espinha do mistério.
— E o poema faz-se contra o tempo e a carne

quarta-feira, abril 23, 2008

A Vida como Luta entre a Realidade e o Sonho

"Somos um sonho divino que não se condensou, por completo, dentro dos nossos limites materiais. Existe, em nós, um limbo interior; um vago sentimental e original que nos dá a faculdade mitológica de idealizar todas as coisas. (...) Se fôssemos um ser definido, seríamos então um ser perfeito, mas limitado, materializado como as pedras. Seríamos uma estátua divina, mas não poderíamos atingir a Divindade. Seríamos uma obra de arte e não vivente criatura, pois a vida é um excesso, um ímpeto para além, uma força imaterial, indefinida, a alma, a imperfeição.
A vida é uma luta entre os seus aspectos revelados e o limbo em que eles se perdem e ampliam até à suprema distância imaginável; uma luta entre a realidade e o sonho, a Carne e o Verbo.Entre nós, o Verbo não encarnou inteiramente. Somos corpo e alma, verbo encarnado e verbo não encarnado, a matéria e o limbo, o esqueleto de pedra e um fumo que o enconbre e ondula em volta dele, e dança aos ventos da loucura...E aí tendes um pobre tolo sentimental, uma caricatura elegíaca.Neste limbo interior, neste infinito espiritual, vive a lembrança de Deus que alimenta a nossa esperança, e transfigura esse bicho do Demónio, que anda por esses boulevards, vestido à moda ou coberto de farrapos.Ardemos num incêndio de esperança, para que reste de nós uma lembrança, um fumo que sobe e não se apaga.Tudo é memória: um fumo leve, em mil visagens animadas; ou denso, em formas inertes e sombrias; e, ao longe, a grande fogueira invisível que os demónios e os anjos alimentam.Vivo, porque espero. Lembro-me, logo existo."
Teixeira de Pascoaes, in 'O Pobre Tolo'

segunda-feira, abril 14, 2008

as vezes (não queria)

Quero escrever
Sobre o fim dos sonhos
Sobre este vento
Que leva o tormento

Quero escrever
Só para não sentir
Não ter de sorrir…
Só para não esmorecer

Quero navegar
Nas entranhas de mim
Ser um astro louco
Sem querer… querer-te
…Querubim

Quero ser só voz
Da voz abafada
Lembrança que de nós
Possa levar a mágoa

Quero perder
A fonte dos sonhos
E os doces tesouros
Que guardo na alma

Não ter dedos… braços
Não ter alma…
E não ter tanto para dar…
em fúria calma

As vezes queria ser
Papoila ao vento
Laje de cemitério
Escolho de jardim…

Existir sem sentido e sem sentir
Não ser porto nem ver partir
Cansa-me ser sempre cais
e porto dos promontórios dos sorrisos

As vezes queria apenas
Não pensar e não fugir
Não lutar nem me defender
Não ter de sonhar

roubar um beijo
como se fosse
apenas um gesto
e não a alma

Abraçar como se manhã
Não houvesse amanhã
e os braços fossem elos
para sempre…todo o sempre

as vezes quero amar como se respirasse
tocar como se tocasse na aura
beber sonhos .. os meus sonhos todos
como se ao bebe-los os findasse…

as vezes quero…
querer…
só por querer..
como se não doesse

talvez porque sinto
sinto o mundo todo
a areia do tempo
na ampulheta da alma

o sabor de um beijo
qualquer que não dei
ou o dia que chega
e é sempre o mesmo

e queria dar-me
para não pensar que não me dei
sonhar com alguém
só para construir

e poder ser…
poeta
… astro
…grifo
… grito
Personagem com sentido
dos sonhos que sangro no papel

domingo, abril 06, 2008

Há sem dúvida.....

Há sem dúvida quem ame o infinito,
Há sem dúvida quem deseje o impossivel,
Há sem duvida quem não queria nada -
Tres tipos de idealistas, e eu nenhum deles:
Porque eu amo infinitamente o finito,
Porque eu desejo impossivelmente o possivel,
Porque eu quero tudo, ou um pouco mais, se puder ser,
Ou até se não puder ser...

Álvaro De Campos (heterónimo de Fernando Pessoa)

sexta-feira, abril 04, 2008

quem sou eu

uma amiga tem no blog uma referência a um site em que fazemos um teste sobre a personalidade...
tentei faze-lo e o resultado é o que exponho (desculpem os que não gostam de inglês)..
para o mal ou para o bem não está muito longe da verdade.



The Caregiver
You are sympathetic and caring, putting friends and family first.
A creature of habit, you prefer routines and have trouble with change.
You love being in groups - whether you're helping people or working on a project.
You are good at listening, laughing, and bringing out the best in people.
In love, you value harmony and mutual understanding.
You will apologize or give someone the benefit of the doubt, if it means getting over a fight sooner.
At work, you are good at building relationships and connecting with people.
You would make a great nurse, social worker, or teacher.
How you see yourself: Organized, dependable, co-operativeWhen other people don't get you, they see you as: Opinionated, critical, and know-it-all

terça-feira, março 25, 2008


na vida
no vento
no tempo
no sopro
em cada momento
todas as caminhadas estão cheias de voos e quedas
de desaires e vitorias.
o segredo não está em levar vidinhas tranquilas longe desses altos e baixos,
está sim no facto de apreendermos a equilibrar-nos com navegantes de um veleiro exposto as intempéries e assumirmos que mesmo as dores podem ter um sentido qualquer no rumos dos sonhos.
é preciso ter fé nos ventos que nos guiam...
o teu rumo vai levar-te a praias cheias de sorrisos e alegrias.

sábado, março 22, 2008

21 de Março - dia mundial da poesia

Há Poetas
Que São Artistas
E há poetas que são artistas
E trabalham nos seus versos
Como um carpinteiro nas tábuas!...
Que triste não saber florir!
Ter que pôr verso sobre verso, como quem constrói um muro
E ver se está bem, e tirar se não está!...
Quando a única casa artística é a Terra toda
Que varia e está sempre bem e é sempre a mesma.
Penso nisto, não como quem pensa, mas como quem respira,
E olho para as flores e sorrio...
Não sei se elas me compreendem
Nem se eu as compreendo a elas,
Mas sei que a verdade está nelas e em mim
E na nossa comum divindade
De nos deixarmos ir e viver pela Terra
E levar ao colo pelas Estações contentes
E deixar que o vento cante para adormecermos
E não termos sonhos no nosso sono.

in Poemas Inconjuntos Alberto Caeiro (heterónimo de Fernando Pessoa)

sexta-feira, março 14, 2008

Amigo

deixo-vos um magnifico poema de Alexandre O´neill com votos de um bom fim de semana.
Porque ter um amigo é tudo...
o sonho...
a vida


Mal nos conhecemos
Inauguramos a palavra amigo!
Amigo é um sorriso
De boca em boca,
Um olhar bem limpo
Uma casa, mesmo modesta, que se oferece.
Um coração pronto a pulsar
Na nossa mão!
Amigo (recordam-se, vocês aí, Escrupulosos detritos?)
Amigo é o contrário de inimigo!
Amigo é o erro corrigido,
Não o erro perseguido, explorado.
É a verdade partilhada, praticada.
Amigo é a solidão derrotada!
Amigo é uma grande tarefa,
Um trabalho sem fim,
Um espaço útil, um tempo fértil,
Amigo vai ser, é já uma grande festa!


Alexandre O'Neill

domingo, março 09, 2008

as minhas desculpas

ontem foi dia da mulher e como tive um probleman no blog não pude postar nada..
agora fica aqui o reparo

porque ser mulher é ser autentica
ser torrente de sonhos
e imensa como o mar...
é não temer nos braços as tempestades
e acreditar no próprio ser
e é ser vida

segunda-feira, fevereiro 25, 2008

Durmo ou não?

Durmo ou não?
Passam juntas em minha alma
Coisas da alma e da vida em confusão,
Nesta mistura atribulada e calma
Em que não sei se durmo ou não.
Sou dois seres e duas consciências
Como dois homens indo braço-dado.
Sonolento revolvo omnisciências,
Turbulentamente estagnado.
Mas, lento, vago, emerjo de meu dois.
Disperto. Enfim: sou um, na realidade.
Espreguiço-me. Estou bem... Porquê depois,
De quê, esta vaga saudade?

Fernando Pessoa


Simplesmente porque tantas vezes me sinto assim.


boa semana

terça-feira, fevereiro 19, 2008

eu poema

Se eu hoje fosse
poema de mim próprio
seria um astro louco
um navegante sem porto

seria etereo vinho
nuns labios quaisquer
beata de cigarro
atiçada pelos ventos

se hoje eu fosse poema
o amor seria estrela
gravada no meu peito
como vulgar seta

e teu nome fonema
que numa inspiração
se fez ode..
e me fez profeta

e cada traço do teu rosto
seria guia
mapa do tesouro
dos meus sonhos

pudesse eu ser doce flor
bailar no teu sorriso
e aprender como as crianças
a inventar o amanhã

e cada pedaço de pele
que escrevo letra a letra
mais do que um poema seria grito
mais do que sopro encanto

e todo eu...todo o meu canto
seriam aves em bando a voar
na formação de um coração
para pertinho de ti.

domingo, fevereiro 17, 2008

O cupido


Um desenho da princesinha Ana de 10 aninhos acabados de fazer.


Quem dera que todo o amor fosse assim

quarta-feira, fevereiro 13, 2008

para não adiar

procurava na internet um poema sobre o amor
em que o amor não surgisse ao de leve...
que permitisse afrontar os amores adiados..
que rompesse a logica do "temos tempo"...
"talvez amanha realizemos os sonhos"...
procurava um poema que ousasse afrontar a nudez das palavras..
expo-las como quem expoem os sentimemtos..
que se atrevesse a decapitar os medos sem renuncias.
so para falar dos sonhos


encontrei o poema Não posso adiar o amor....de António Ramos Rosa.
é um texto lindo que quero partilhar com vocés
boa semana.
talvez porque amanhã é dia dos namorados.


"Não posso adiar o amor para outro século
não posso
ainda que o grito sufoque na garganta
ainda que o ódio estale e crepite e arda
sob as montanhas cinzentas
e montanhas cinzentas

Não posso adiar este braço
que é uma arma de dois gumes amor e ódio

Não posso adiar
ainda que a noite pese séculos sobre as costas
e a aurora indecisa demore
não posso adiar para outro século a minha vida
nem o meu amor
nem o meu grito de libertação

Não posso adiar o coração."


António Ramos Rosa

segunda-feira, fevereiro 04, 2008

Para pensar e não ficar indiferente

Deixo-vos um poema de Bertolt Brecht chamado Aos que vierem depois de nós (tradução de Manuel Bandeira) para que não fiquemos indiferentes.

"Aos que vierem depois de nós

Realmente, vivemos muito sombrios!
A inocência é loucura. Uma fronte sem rugas
denota insensibilidade. Aquele que ri
ainda não recebeu a terrível notícia
que está para chegar.

Que tempos são estes, em que
é quase um delito
falar de coisas inocentes.
Pois implica silenciar tantos horrores!
Esse que cruza tranqüilamente a rua
não poderá jamais ser encontrado
pelos amigos que precisam de ajuda?

É certo: ganho o meu pão ainda,
Mas acreditai-me: é pura casualidade.
Nada do que faço justifica
que eu possa comer até fartar-me.
Por enquanto as coisas me correm bem
[(se a sorte me abandonar estou perdido).
E dizem-me: "Bebe, come! Alegra-te, pois tens o quê!"

Mas como posso comer e beber,
se ao faminto arrebato o que como,
se o copo de água falta ao sedento?
E todavia continuo comendo e bebendo.

Também gostaria de ser um sábio.
Os livros antigos nos falam da sabedoria:
é quedar-se afastado das lutas do mundo
e, sem temores,
deixar correr o breve tempo. Mas
evitar a violência,
retribuir o mal com o bem,
não satisfazer os desejos, antes esquecê-los
é o que chamam sabedoria.
E eu não posso fazê-lo. Realmente,
vivemos tempos sombrios.


Para as cidades vim em tempos de desordem,
quando reinava a fome.
Misturei-me aos homens em tempos turbulentos
e indignei-me com eles.
Assim passou o tempo
que me foi concedido na terra.

Comi o meu pão em meio às batalhas.
Deitei-me para dormir entre os assassinos.
Do amor me ocupei descuidadamente
e não tive paciência com a Natureza.
Assim passou o tempo
que me foi concedido na terra.

No meu tempo as ruas conduziam aos atoleiros.
A palavra traiu-me ante o verdugo.
Era muito pouco o que eu podia. Mas os governantes
Se sentiam, sem mim, mais seguros, — espero.
Assim passou o tempo
que me foi concedido na terra.

As forças eram escassas. E a meta
achava-se muito distante.
Pude divisá-la claramente,
ainda quando parecia, para mim, inatingível.
Assim passou o tempo
que me foi concedido na terra.

Vós, que surgireis da maré
em que perecemos,
lembrai-vos também,
quando falardes das nossas fraquezas,
lembrai-vos dos tempos sombrios
de que pudestes escapar.

Íamos, com efeito,
mudando mais freqüentemente de país
do que de sapatos,
através das lutas de classes,
desesperados,
quando havia só injustiça e nenhuma indignação.

E, contudo, sabemos
que também o ódio contra a baixeza
endurece a voz. Ah, os que quisemos
preparar terreno para a bondade
não pudemos ser bons.
Vós, porém, quando chegar o momento
em que o homem seja bom para o homem,
lembrai-vos de nós
com indulgência.
"


boa semana
sem resignações

sexta-feira, fevereiro 01, 2008

PÉTALAS

O amor perdido é como um pétala de flor atirada aos ventos, possui as marcas do amor que se foi como se flor ainda fosse na sua juventude e ao mesmo tempo lembra algo que se perdeu como se o próprio coração morresse pétala a pétala.

quarta-feira, janeiro 30, 2008

um coisa que me veio a cabeça....

o amor está para a solidão como a lua cheia está para as pedras da calçada... verdadeiramente distantes... e tão intimamente próximos
talvez por isso gosto de andar a pé há noite nos dias de chuva...
é maravilhoso ver a lua reflectida nas poças de água...

terça-feira, janeiro 29, 2008

poeta ermita

poeta ermita
dos olhos lagrima
caminha à noite
como se bailasse
nos braços traz ancoras
...por atracar
memórias de redes...
que ficaram por estender

poeta ermita
vagueante de outros mares
de mãos calejadas...
de saudade
traz velas no peito
que ergue só para sonhares
e no coração...
a estrela da manhã
tesouro que eleva
como se desse a alma
só para te guiar
e te dizer...
que não importam os mares
ou tempestades
não importa o firmamento
tudo fará...
para que o teu sorriso...
sim o teu sorriso
possa brilhar.

segunda-feira, janeiro 28, 2008

O beijo

" Beijo-flor

O beijo é flor no canteiro ou desejo na boca?
Tanto beijo nascendo e colhido na calma do jardim nenhum beijo beijado (como beijar o beijo?) na boca das meninas e é lá que eles estão suspensos invisíveis"
[Carlos Drummond de Andrade ]




Mais uma vez o grande Drummond, O escritor das poesias simples e dos versos coloridos, o homem que sabe escrever o toque com a doçura das palavras e sabe transpor para os gestos a essencia dos sentidos.

Porque há sempre O BEIJO que apetecia dar...

sexta-feira, janeiro 25, 2008

em busca da definição... do teu sorriso

O teu sorriso
é uma flor ...
pura luz...
o amanhecer.
É a seiva da poesia
que corre na pele
...dos sonhos
canto frágil e terno
que acende as manhãs

o teu sorriso
é a pedra mais preciosa
do mais precioso dos tesouros
mistérios de piratas escondidos.
é o vento norte ..
que ergue as velas dos barcos
rumo ao sonho

O teu sorriso
é tudo isto
E depois de tudo isto...
É grito
Depois de tudo isto ....
É canto
Depois de tudo isto...
é mundo.

E eu
Vagabundo de poemas
canto-o
vivo-o
recordo-o
e sonho-o
como um dom imortal
a que o teu sorriso dá luz
Nesta minha louca sina de sentir

terça-feira, janeiro 22, 2008

há uma ausencia que se corroi no meu peito
uma vontade de não sonhar e de não ser
um fogo preso que se abafa no silencio
uma voz de louco sem medo de padecer

há um vazio que se escreve com palavras
momentos estranhos e vãos...
em que canto quando choro
e dou por mim a rir por não sonhar

e há uma noção de que se é rio sem ter margens
de que se é dia... sem anoitececer.
uma certeza de que seja qual for o rumo ou a viagem
a meta essa está sempre além de acontecer

e a certeza de que por maior que seja o pensamento
por mais profunda que seja a poesia
este vazio é sempre o mesmo...um barco sem ter cais...
ou apenas a dor que vou cantando para não esmorecer

sexta-feira, janeiro 11, 2008

momentos

prendem-se os sonhos ...
na algibeira
momentos de luz
não derribados
um sonho ....
que fica a espreita
de olhos bem fechados
um mundo que pousa...
num gesto...
num abraço...
num beijo...
num sopro...
numa flor...
numa pedra..
numa gota de água...
num sorriso...
numa carta com palavras
que o vento não levou
tanta alma...
tanto sonho...
tanto acaso...
a lembrança daquele encontro
essência de momentos
que não ficaram por escrever
que não ficaram por sentir...
porque afinal o mundo é tudo isto
momento a momento...
nesta caminhada de sonhos
em que aprendemos a viver
porque apesar dos medos
apesar das dores...
apesar dos males...
e dos desamores...
o sonho mora ...
eu sei que o sonho mora...
aqui..

domingo, janeiro 06, 2008

liberdade


escrevi um poema sobre as baleias para colocar esta imagem...
confesso... fi-lo com afinco...
queria que este fosse mais um post limpo e esteril...
queria dar-me... dar-me a vocés sem me tocar, sem me expor....
não foi tanto por autopreservação nem por desprendimento...
mais porque acho que as vezes me faltam temas... ou não me sinto muito a vontade a ser tema de mim próprio.
depois li o comentário da silvia e percebi o que ela queria dizer quando diz que o meu blog esta cá mas que eu não tenho estado...
depois percebi que ainda não postei nada este ano...
depois percebi que não vir cá esta a dar a ideia de uma distancia que não quero...
precisava de dizer-vos...
preciso de dizer-te silvia....
a ti sobretudo porque és a que mais me alertou para a distancia...
que nunca me fui embora...
que não fugi....
que não me afastei...
que são especiais para mim...
que conto convosco...
que acredito nos sonhos que vamos narrando...
o que se passa é que ando desinspirado...
não por me faltarem asas.....
não por não vencer amarras...
mas porque me falta engenho e arte para po-las no papel...
as vezes apenas aquele empurrão que me leva a soltar e a escrever..
sabem por certo o que quero dizer... sabem que já passei por isto e que voltei...
sabem que não se trata de estar mais ou menos feliz...
aqui para nós admito e assumo que apesar de compreensivel...
estou eu próprio a fartar-me da minha ausencia e talvez por isso exponho aqui a todos uma provocação que faço por telemovel a alguns de vocés quando me faltam temas....

ora bem ... costumo pedir a alguns de voces amigos uma palavra para a partir dela escrever um poema e deixar voar o sonho...

trata-se de uma forma de deixar espicaçar as ideias e desbloquear.
trata-se de convidar-vos a provocar-me...

se o fizerem por certo o silencio será vencido e até podem surgir coisas giras...


colaboram.....?????


abraço para quem for de abraço e beijo para quem for de beijo..


BOM 2008

segunda-feira, dezembro 31, 2007

adeus 2007... ola 2008

Pois é 2007 está a preparar-se para saudar-nos depois do último acto como um actor velho e com ele alinham-se um a um os momentos bons, as conquistas e os sonhos mas também as mágoas as desilusoes e as dores,houve momentos bons , momentos em que convívi com vocês, momentos de sorrisos e alegrias e momentos mesmo que tristes em que ombro com ombro ousamos tentar suportar o próprio mundo. Houve momentos em que o futuro deixou de ter sentido e a dor foi mais forte do que nunca . Momentos em que andei meio perdido e encontrei-me nos vossos sorrisos, nos vossos olhares, nas vossas lutas. Houve um certo beijo que ano após ano fica por dar, mas também existiram instantes maravilhosos de conversas ternas e eternas, paisagens únicas, emoções fortes, pessoas especiais. Por tudo isso... Desejo-vos que todas as coisas boas de 2007 se renovem em 2008 e que se concretizem velhos e novos sonhos. mas também que encontremos algum sentido para as coisas más.. como pedaços da corrent e da vida. sobretudo espero que possamos continuar a suportar-nos ombro a ombro como muralhas e possamos ter muitas razões para sorrir e sonhar. bom ano . gosto muito de vocês

terça-feira, dezembro 25, 2007

boas festas


No natal acendem-se os sorrisos elevam-se os sonhos, os abraços tornam-se mais fortes e as mãos mais doces.
No natal voltamos ao tempo de meninos e a esperança volta a iluminar os nossos olhos.
No natal a dadiva é palavra... o aconchego é grito e a felicidade é uma promessa.
No natal é tempo de dizermos áqueles de quem gostamos que eles nos iluminam o mundo e que a amizade é muito mais que uma palavra.
Por tudo isto. Ficam os meus votos de boas festas.
ps.. foto da peça a arte de amar, de ovidio pelo te-ato de Leiria.. apeteceu-me coloca-la... pelos sonhos que inspira

quarta-feira, dezembro 12, 2007

E se

eu hoje fosse mero escolho???
se os meus olhos se convertessem em rios???
se me eclipsasse por um momento como vapor de água???
se os meus pés se convertessem em terra???
se o meu corpo se tranformasse em areia e se atirasse aos ventos???
se o meu coração voasse de repente como se fosse pássaro e não precisasse de ter ninho???
e se eu pudesse dar-me aos meus amigos pedaço a pedaço, do mesmo modo como dou a amizade e o coração...
será que me derramava gota a gota.. até à ultima gota...
...até ao ultimo sopro....
... que aconteceria depois??
que haveria depois...???

talvez nada...

talvez só...

poesia

sábado, dezembro 01, 2007

Suave


Suave...
Flocos de neve numa manhã de inverno.
O canto de uma cotovia a saudar o dia.
O movimento de um girassol em busca da luz.
Suave...
Uma manta de veludo que enrodilhamos nos dedos.
Um fim de tarde em que se saboreia o lusco fusco sem medo do tempo.
O sabor do chocolate pedaço a pedaço.
Suave...
O sorrir das crianças e a forma como ele nos ilumina.
Uma luz acesa que nos indica o caminho
andar pela rua docemente passo a passo.
Suave...
Os braços do meu avó quando em pequenino...
me deixava adormecer neles e me falava de áfrica.
Aquela paisagem e o sol a desaparecer nas cores da selva.
Suave....
Um cantar de uma mãe a embalar o filho...
será fado, será canto....
haverá expressão de amor maior...
Suave...
Os teus passos no palco gesto a gesto.
Ou simplesmente.... A tua mão...
uns segundos na minha quando danças-te ..
suave...
Como se não houvesse tempo.
só ...sonhos suaves . .. só ... esse sorriso

segunda-feira, novembro 26, 2007

A vida ...



Há um poema de Drummond de Andrade, que mexeu comigo pela simplicidade das palavras e pela infinitude da mensagem, chama-se mãos dadas e quero partilha-lo com vocés.
Decidi acompanha-lo com uma foto linda, que por si só ja dá que pensar



Mãos Dadas

"Não serei o poeta de um mundo caduco.

Também não cantarei o mundo futuro.

Estou preso à vida e olho meus companheiros

Estão taciturnos mas nutrem grandes esperanças.

Entre eles, considere a enorme realidade.

O presente é tão grande, não nos afastemos.

Não nos afastemos muito, vamos de mãos dadas.

Não serei o cantor de uma mulher, de uma história.

não direi suspiros ao anoitecer, a paisagem vista na janela.

não distribuirei entorpecentes ou cartas de suicida.

não fugirei para ilhas nem serei raptado por serafins.

O tempo é a minha matéria, o tempo presente, os homens presentes,

a vida presente."



Carlos Drummond de Andrade..



Porque o que importa é viver intensamente,
dadiva por dadiva,
carinho por carinho,
sorriso por sorriso,
luz pela luz..
fugir às prisões do passado ..
e às angustias do futuro..viver o beijo pelo beijo...

acima de tudo...
saborear o momento e ser ...
FELIZ

sexta-feira, novembro 16, 2007

Norman Mailer

Procurava na net... nesta mania que temos em tomar a net muitas vezes portal de busca de informação, coisa que anteriormente faziamos nos livros, mais informações sobre Norman Mailer, escritor norte-americano falecido a 10/11/2007, não tanto para saber mais da sua obra mas porque fiquei curioso por ter ouvido um comentário acerca da sua vertente cívica..
De entre as várias informações que recolhi enconteri a que se se segue a baixo, com o título "Norman Mailer: exemplo do engajamento de intelectuais no fortalecimento da sociedade civil" e publicada a no site a voz do cidadão(http://www.avozdocidadao.com.br/) a 13 de Novembro de 2007.
Porque me pareceu que o texto satisfez em grande parte a minha curiosidade decidi posta-lo aqui, em homenagem ao escritor, ao homem e ao cidadão.

"Sábado passado, dia 10, faleceu em Nova York, um dos maiores intérpretes da cultura americana dos anos 60 para cá. Norman Mailer, jornalista e escritor polêmico, foi decisivo na construção da consciência política da sociedade civil norte-americana na segunda metade do século XX, através de reportagens, biografias, ensaios e romances sempre polêmicos.

Nascido em 1923, Norman Mailer conquistou fama internacional já a partir de 1948, com 25 anos, quando seu livro de estréia Os Nus e os Mortos, baseado em suas próprias experiências vividas na Segunda Guerra Mundial, foi um best seller bastante elogiado pela crítica. O Prêmio Pulitzer de jornalismo foi para Mailer duas vezes: em 1968 com Os Exércitos da Noite e em 1979 com A Canção do Carrasco sobre um condenado à morte, Gary Gillmore.

Foram os ensaios sobre seu país que fizeram de Mailer uma figura relevante na sociedade americana. Em 1955, fundou o jornal alternativo The Village Voice, que acabou sendo um dos difusores da revolução contracultural dos anos seguintes. Mailer sempre foi um intelectual engajado e um intérprete original das convulsões e mudanças da vida americana. Sua “não-ficção criativa”, também conhecida como Novo Jornalismo, chamou atenção para temas e personagens fundamentais para os Estados Unidos da época, como os hippies, os ativistas, os intelectuais e artistas engajados, a esquerda liberal e seu antagonismo com o “complexo militar-industrial” da estatocracia americana.

Em 1973, mais polêmica e um grande sucesso de vendas, com o lançamento de uma biografia de Marilyn Monroe onde Mailer acusava o FBI e a CIA de causaram a morte da atriz por condenarem seu suposto romance com o senador Robert Kennedy.

Norman Mailer chamou para si - como poucos - a responsabilidade que um intelectual tem de discutir, compreender e debater a cultura de seu país. Principalmente na sua face política, que vai determinar o quanto uma sociedade está madura para a plena cidadania, para o exercício do controle social sobre governos e mandatos e para o estabelecimento de um novo pacto para a construção de um país mais justo e digno.

Aos 84 anos, morreu um autor que ajudou a cultura americana e encarar suas contradições e fraquezas. Um exemplo de cidadania para todo o mundo. "

segunda-feira, novembro 12, 2007

Beleza?

"as coisas mais lindas da vida não podem ser vistas nem tocadas mas sim sentidas pelo coração"

Um comentário que deixaram no meu hi5.
Porque me fez pensar

sábado, novembro 03, 2007

Será verdade????

«O amor,admito-o com um suspiro, é muito mais forte que a literatura, porém o amor na literatura é bem mais belo que na própria vida. Ao menos de vez em quando permite iludirmo-nos.»


Elke Heidenreich

Amigo


Porque a Silvia me deu este rebuçado no blog dela e de repente apeteceu-me partilha-lo convosco.


porque a mensagem faz todo sentido sobretudo para alguem como eu que voa ao sopro do vento.


porque adorei a oferta da silvia, que aliás já me tinha dado o prémio visitante que não postei por simplesmente achar que sou demasiado pequeno para tal honra, mas a que faço referencia aqui porque ela vai gostar.


Porque é bom ser vosso amigo

sexta-feira, novembro 02, 2007

PASSAS???

(...)

Passa uma rapariga...
Passa de vez em quando uma rapariga numa vida, uma rapariga alta e
morena, com cabelo até à cintura, que olha para trás e para nós como
se nos pedisse para dizer "eu vou matar-me".
E essa rapariga só precisa de um segundo, de um pequeno segredo, que nos esconde na alma, sem se importar com isso. E fica-nos para o resto da vida, presente em todos os instantes da vida, atravessada nas nossas poucas alegrias.
Arruina-nos os amores, passando pelos quartos onde estamos deitados com raparigas muito piores e olhando por cima dos ombros como se tivesse pena de nós.
Às vezes passa uma rapariga na vida que nunca mais deixa de passar,
que nos interrompe e condena e encanta, sem saber o mal e o bem que
nos faz e que nos fica na alma como aquelas pessoas que passam no
momento em que se tira uma fotografia e passam a ser a pessoa que
se fotografou (...).

por Miguel Esteves Cardoso


Porque o amor liberta e recria... molda e constroi, edifica e une...
porque amar é bom... quase tão essencial como respirar...

porque amando sonhamos ser aves e não tememos o firmamento.

porque ...mereço....

porque ...mereces...

porque... me apetece.

Luta...
vida fora por aquela rapariga ou rapaz que passou.. naquele segundo em que o sonho foi real e os teus pés perderam o contacto com o firmamento...
aquele instante em que toda a vida valeu a pena, naquele momento em que a presença dela ou dele, ainda que efemera iluminou o teu mundo com o seu sorriso..

luta...
porque se calhar nesses segundos... nesse acaso especial está a raiz de toda a vida...

...mas mesmo que não consigas...
mesmo que não triunfes...
mesmo que não controles o tempo e o sonho, mesmo que não venças o adeus...

não temas ....

existem outros sorrisos, outras fotos,outras raparigas ou rapazes mortinhos por ser encontrados...
mortinhos para sonharem na luz dos teus braços...

até porque como dizia a minha bizavó

"toda a panela tem o seu testo" :-)


BOM FIM DE SEMANA