Um poema do meu grande amigo lorenzo monsanto sandoval, porque apesar de tudo ele sim sabe ser poeta..
abraço lorenzo
Por favor
Apaguem as luzes.
Desçam as cortinas.
Arrumemos os adereços.
Cenários.
Deixemos o soalho de madeira,
Respirar e acumular o pó,
Sob o efeito de luz dançámos.
Arrumemos pois.
Bagagens.
Rumemos para outra aldeia.
Aqui, aqui já nada existe.
Sobejamente conhecidos.
Sobejamente rejeitados.
Partiremos pois, porque se faz tarde.
Partiremos pois, livres.
Partiremos pois, deixando para trás
O palco, onde tantas vezes se declamou
E actuou.
Partiremos pois
Nas nossas velhas caravanas do esquecimento.
Partiremos pois, e cantemos
Sobre as notas flutuantes
Das gaitas-de-beiços.
As brumas recolhem agora,
Odores e fragmentos de amor,
Que durante muito tempo
Arrepiaram a nossa pele.
Os nossos diálogos
Ecoaram docilmente nas longas madrugadas de Inverno.
Contigo vimos chegar
O senhor do frio
E foi também contigo, que vi o sol morno adormecer
Nas ondas de diamante de um mar,
Que nunca foi nosso.
Arrumemos pois
E rumemos para outra aldeia.
Aqui, aqui a Terra já nada quer receber.
Santa afirmação.
Aqui, aqui a Terra ilude-nos,
Mas nós, nós não estamos secos.
Nós não somos o chão que acolhe a lama suja.
Nós somos a arte.
A arte incompreendida.
A arte de perder o que se ama receber.
Nós somos a arte, onde a paixão se divide
Em milhares de lagos
E onde
Nos banhamos meigamente
Nos açudes refrescantes da harmonia.
Nós não temos medo.
Nós não temos medo de invocar
Sentimentos inglórios e distantes.
Nós caminhamos sobre as pedras abruptas
Do caminho desconhecido e abrupto.
É neste, que vamos semeando farpas de desprezo.
Nós estamos aninhados.
Nós estamos interiorizados.
Em pequenas bolas de sabão.
Bolas de sabão que apenas seguem
As eloquentes brisas de Verão.
E lá, lá trepamos
Nas vivas cores de um arco-íris perdido.
Nós não estamos secos.
Nós não somos o chão que acolhe a lama suja.
Nós não somos a Terra impura.
Acerca de mim
- milhafre
- Quem sou eu...... as vezes queria ser apenas um escolho atirado aos ventos. outras a minha faceta de louco faz-me querer enveredar por caminhos que desconheço e espanto-me a mim próprio. diria que sou alguém que aspira a ser simples e a quem o corre corre dos dias parece estrangular as vezes deixando as palavras e os sonhos amordaçados na garganta. se um dia me for espero ser lembrado como um bom amigo .
domingo, junho 18, 2006
sexta-feira, junho 16, 2006
amo-te ... silencio
Porque nas horas desertas
de mim... me amparas.
Porque louco me embalas
Nos intervalos das musicas
No estremecer da voz
num vazio qualquer na noite
num madrigal qualquer de dia
Porque que me atiças a alma
No meio de fúrias e calma...
E do nada fazes murmúrios
Poemas feitos de gestos
doces sonhos fonemas
alguns deles poemas
alguns deles canções
Porque é para ti que falo
Em cada final de frase,
em cada dobrar de linha
de um poema qualquer
sonhos que sussurro
as vezes sem dizer
outras vezes dizendo
sem precisar de falar
Porque é a ti que escuto
Quando me sinto perdido
E é contigo que fico
Quando fujo de mim
E és tu quem está comigo
quando me sinto sozinho
e mesmo sabendo-me perdido
permites que volte a ti
porque é a ti que eu beijo
quando nem a pele vejo
e são tens os seios
em que repouso o meu queixo
e são teus os braços
em que embrulho o meu corpo
e es tu quem dorme a meu lado
quando me deito sozinho
Porque é teu o sonho
que molda a minha alma
nas desventuras da mágoas
nas inconstância da vida
no gemer de uma guitarra,
ou num sopro qualquer de vida
frissom da chuva a cair,
vento agreste qualquer
uma vontade de ir
um grito por acontecer
Porque és tu meu ronronar
Meu castigo de viver
Minha lua de algum lugar,
Minha ode por escrever
Meu amor por acontecer
sopro divino dos dias
romance por acabar
prosa sem redondilhas
Porque és tu que me inflamas
E despertas poesias
gaivota etérea de sonhos
pairando no firmamento
uma vela eregida ao vento
na amurada de um veleiro
pelo força de um barqueiro
sequioso de folias
Porque es tu quem vou beijar
Mesmo antes de morrer
tu que és meu ultimo adeus
meu derradeiro suspiro
poemas são os olhos teus
o resto é um desalinho
porque és tudo o que eu canto
todo o meu canto..
tudo o que eu vivo.
Porque és gloria e morte
Sopro fiel,
Boa ou má sorte
Meu triste fel
Sabor a mel
Meu fado, meu canto
Minha lágrima
Amo-te....
Silencio...
amo-te...
... tu
de mim... me amparas.
Porque louco me embalas
Nos intervalos das musicas
No estremecer da voz
num vazio qualquer na noite
num madrigal qualquer de dia
Porque que me atiças a alma
No meio de fúrias e calma...
E do nada fazes murmúrios
Poemas feitos de gestos
doces sonhos fonemas
alguns deles poemas
alguns deles canções
Porque é para ti que falo
Em cada final de frase,
em cada dobrar de linha
de um poema qualquer
sonhos que sussurro
as vezes sem dizer
outras vezes dizendo
sem precisar de falar
Porque é a ti que escuto
Quando me sinto perdido
E é contigo que fico
Quando fujo de mim
E és tu quem está comigo
quando me sinto sozinho
e mesmo sabendo-me perdido
permites que volte a ti
porque é a ti que eu beijo
quando nem a pele vejo
e são tens os seios
em que repouso o meu queixo
e são teus os braços
em que embrulho o meu corpo
e es tu quem dorme a meu lado
quando me deito sozinho
Porque é teu o sonho
que molda a minha alma
nas desventuras da mágoas
nas inconstância da vida
no gemer de uma guitarra,
ou num sopro qualquer de vida
frissom da chuva a cair,
vento agreste qualquer
uma vontade de ir
um grito por acontecer
Porque és tu meu ronronar
Meu castigo de viver
Minha lua de algum lugar,
Minha ode por escrever
Meu amor por acontecer
sopro divino dos dias
romance por acabar
prosa sem redondilhas
Porque és tu que me inflamas
E despertas poesias
gaivota etérea de sonhos
pairando no firmamento
uma vela eregida ao vento
na amurada de um veleiro
pelo força de um barqueiro
sequioso de folias
Porque es tu quem vou beijar
Mesmo antes de morrer
tu que és meu ultimo adeus
meu derradeiro suspiro
poemas são os olhos teus
o resto é um desalinho
porque és tudo o que eu canto
todo o meu canto..
tudo o que eu vivo.
Porque és gloria e morte
Sopro fiel,
Boa ou má sorte
Meu triste fel
Sabor a mel
Meu fado, meu canto
Minha lágrima
Amo-te....
Silencio...
amo-te...
... tu
quinta-feira, junho 15, 2006
Parabéns Fernando Pessoa
Autopsicografia"
O poeta é um fingidor.
Finge tão completamente
Que chega a fingir que é dor
A dor que deveras sente.
E os que lêem o que escreve,
Na dor lida sentem bem,
Não as duas que ele teve,
Mas só a que eles não têm.
E assim nas calhas de roda
Gira, a entreter a razão,
Esse comboio de corda
Que se chama coração.
01.04.1931
Parabéns pelos teus 118 anos, porque embora o corpo possa ser efémero a magia das tuas palavras, dessa essencia que brota da tua alma é e será sempre eterna.
Obrigado pela inquietude que deixas nos corações de todos os que te leem, por esse grito qualquer eterno, por essa essencia que é vida renascida letra a letra...
segunda-feira, junho 12, 2006
HOMENAGEM A JORGE PALMA
Deixo-vos uma das letras de que mais gosto do grande jorge palma, no fundo uma pequena homenagem ao cantor, poeta, sonhador que apesar de saber que o ser humano é "fragil" nos alimenta a esperança de sonhar com "o bairro do amor" ou com a "terra dos sonhos" e assim nos deixa a esperança de alguma gloria nesta senda que é viver estando "a espera do fim".Escolhi esta música porque acho que o estado de espírito que revela demonstra muitas vezes como me sinto..
A ti Jorge Palma, o meu bem aja por toda a cor que dás ao nosso mundo e pela ousadia com que vives os sentimentos a flor da pele nas letras que escreves.
A vocés espero que nunca desistam de encontrar a vossa terra dos sonhos... o vosso aconchego.
Sabem ... estou a adorar dar-vos a conhecer o meu mundo, os autores e pessoas que são importantes para mim... esta partilha é muito bonita.
D. Quixote foi-se embora
D. Quixote foi-se embora
Acende mais um cigarro, irmão
esconde essas sombras no teu olhar
tenta mexer-te com mais vigor
abre o teu saco de recordações
e guarda só o essencial
o mundo nunca deixou de mudar
mas lá no fundo é sempre igual
E agora, que a lua escureceu
e a guitarra se partiu
D. Quixote foi-se embora
com o amigo que a tudo assistiu
as cores do teu arco-íris
estão todas a desbotar
e o que te parecia uma bela sinfonia
é só mais uma banda a passar
A chuva encharcou-te os sapatos
e não sabes p'ra onde vais
tu desprezavas uma simples fatia
e o bolo inteiro era grande demais
agarras-te a mais uma cerveja
vazia como um fim de verão
perdeste a direcção de casa
com a tua sede de perfeição
Tens um peso enorme nos ombros
os braços que pareciam voar
tu continuas a falar de amor
mas qualquer coisa deixou de vibrar
os teus sonhos de infância já foram
velas brancas ao longo do rio
hoje não passam de farrapos
feitos de medo, solidão e frio
sexta-feira, junho 09, 2006
Ansejos
Um poema que escrevi e que fala muito da minha busca, da minha essencia incompleta....
Ansejos...
gostava que esta noite
tu ficasses deitada comigo
e que ao som de uma canção
tu me abraçasses e dissesses
... estou contigo .
gostava que num torpor
tu me beijasses...
e me envolvesses
na tua áurea encantada.
gostava que com amor
tu me queimasses...
e que num momento de loucura
sussurrasses palavras deste amor fatal
já mais esquecido.
gostava de te levar num carrossel
e de te envolver assim ... perdida.
gostava de ser teu ... para toda a vida.
só para te acordar de manhã
como se fosses
a mais doce bela adormecida .
gostava que soubesses
que te quero e que és a mulher
que eu mais venero nesta vida.
gostava que acreditasses
nas palavras que aqui digo
pois de outra forma dizer-tas
... não consigo.
mas também que posso dizer
que aqui não tenha dito.
que loucura vai fazer ...
calar este meu grito.
que outra forma cruel
me vai esmagar
do que saber-te aqui
sem te contar
...todas estas coisas
... que eu sinto.
simplesmente por saber
que para ti não são mais
...do que palavras ditas .
por saber que vais pensar
que eu aqui minto .
e talvez nem adiante,
talvez até nem ligues
... ao que eu sinto.
porquê amar-te assim
sem ter razão.
porquê querer ser eu
o teu amor .
porquê julgar teu
meu coração.
porquê, porque, porquê...
devo estar louco!
louco! louco!
mas não te minto...
e a verdade é que te amo,
mesmo que não passem
...de palavras perdidas,
como folhas caídas...
na árvore da minha vida .
como se fossem
simplesmente pedaços
de tudo o que eu sinto...
e de outra forma...
...não sei dizer.
Ansejos...
gostava que esta noite
tu ficasses deitada comigo
e que ao som de uma canção
tu me abraçasses e dissesses
... estou contigo .
gostava que num torpor
tu me beijasses...
e me envolvesses
na tua áurea encantada.
gostava que com amor
tu me queimasses...
e que num momento de loucura
sussurrasses palavras deste amor fatal
já mais esquecido.
gostava de te levar num carrossel
e de te envolver assim ... perdida.
gostava de ser teu ... para toda a vida.
só para te acordar de manhã
como se fosses
a mais doce bela adormecida .
gostava que soubesses
que te quero e que és a mulher
que eu mais venero nesta vida.
gostava que acreditasses
nas palavras que aqui digo
pois de outra forma dizer-tas
... não consigo.
mas também que posso dizer
que aqui não tenha dito.
que loucura vai fazer ...
calar este meu grito.
que outra forma cruel
me vai esmagar
do que saber-te aqui
sem te contar
...todas estas coisas
... que eu sinto.
simplesmente por saber
que para ti não são mais
...do que palavras ditas .
por saber que vais pensar
que eu aqui minto .
e talvez nem adiante,
talvez até nem ligues
... ao que eu sinto.
porquê amar-te assim
sem ter razão.
porquê querer ser eu
o teu amor .
porquê julgar teu
meu coração.
porquê, porque, porquê...
devo estar louco!
louco! louco!
mas não te minto...
e a verdade é que te amo,
mesmo que não passem
...de palavras perdidas,
como folhas caídas...
na árvore da minha vida .
como se fossem
simplesmente pedaços
de tudo o que eu sinto...
e de outra forma...
...não sei dizer.
domingo, junho 04, 2006
solidão
imagem quadro "Danae" de Klimt .
A solidão entranha-se no corpo, corroi-nos até aos ossos, até à alma...
sentirmo-nos sós é ter em nós algo de vazio, é viver continuamente a sensação de uma cama vazia, de um quarto vazio... pior que isso ... a sensação de estar vazio por dentro... como se houvesse algo de mim, algo do meu peito, da minha vida, da minha essencia que alguém, ainda não sei quem... levou e se esqueceu de devolver.
Uma angustia que doi e não sara de ver os dias irem morrendo pouco a pouco... e com eles a capacidade de suportar.
segunda-feira, maio 29, 2006
ERNEST HEMINGWAY
"O Bom Escritor
Todos os bons livros assemelham-se no facto de serem mais verdadeiros do que se tivessem acontecido realmente, e que, terminada a leitura de um deles, sentimos que tudo aquilo nos aconteceu mesmo, que agora nos pertencem o bem e o mal, o êxtase, o remorso e a mágoa, as pessoas e os lugares e o tempo que fez. Se conseguires dar essa sensação às pessoas, então és um bom escritor."
Ernest Hemingway
"A sabedoria dos velhos é um grande engano. Eles não se tornam mais sábios, mas sim mais prudentes "
"A sabedoria dos velhos é um grande engano. Eles não se tornam mais sábios, mas sim mais prudentes "
Ernest hemingway "O Adeus às Armas"
uma homenagem merecida a alguem que soube viver a vida na sua tenacidade...
na esperança de que a obra o velho e o mar continue a saber ensinar adultos e crianças a ousarem acreditar nos seus sonhos, tal como santiago, o velho pescador.
até a um por-do-sol africano qualquer
sábado, maio 27, 2006
KERO-TE
Ele trajava um casaco azul escuro, já um bocado desbotado, mas ainda assim exuberante e uma camisa de um branco madrepérola muito bem gomada, calçava um par de sapatos ao melhor estilo inglês quase a lembrar um dançarino de outros tempos. Quem o visse aliás a passear na rua com a sua velha bengala e chapéu de coco, com aquele ar frigio e rectilíneo de quem parece andar sem tocar o firmamento, facilmente poderia imagina-lo a dançar ao lado do fred astaire, tão subtil era a sua forma de andar, de gestuar, tão delicada era a sua conduta.
- é o ultimo dos senhores! - alguém disse, O último dos poetas…
Com efeito quem atentasse ao seu rosto mesmo sem ser preciso ler as suas obras, mesmo sem ser preciso ouvi-lo, só pelo modo como os seus olhos brilhavam, só pelo modo como o seu sorriso era aberto e grande e pela forma como esse sorriso emergia do fundo da sua farta barba escura de onde a onde já ponteada pelo branco dos seus 49 anos, facilmente identificava nele um poeta, um amante do sonho mais do que da vida.
De facto ele escrevia, de facto compunha versos e versos letra a letra, de facto apregoava o amor, o canto, a mágoa, o sonho, a perda e fazia-o tão bem e de um modo tão profundo que se em qualquer recanto ele dissesse um dos seus poemas conseguia parar a cidade, comover os corações elevar a mente.
Ele sabia fazer isso, sabia o peso da palavra, a sua força, a vida tinha-lhe ensinado isso, tinha-lhe dado algo que para muitos poderia ser entendido como um dom, mas que com o passar dos anos, com o avivar e o suceder das dores já sabia ser um castigo.
Talvez por isso era agora mais contido… Não … não quero dizer menos apaixonado, quero dizer apenas mais silencioso, como se tivesse refugiado as palavras no seu peito sem faze-las vir a luz do dia.
Apesar dessa contenção fazia questão de dominar afincadamente a língua portuguesa, usava-a na sua vertente mais clássica ... tão clássica que só com o passar dos anos aceitou que farmácia se escreve agora sem “ph” e se debate ainda em acesa discussão quando alguém quer escrever por exemplo a palavra “recto” sem “C” ...
- Reto - é uma parte do rabo – diz-se recto … se eu sou recto, significa que ajo segundo os meus princípios, que sou correcto, não tem nada a ver com essa partes do corpo” – Diz ele prontamente ( e se calhar … cá para mim com alguma razão).
De resto estas novidades como o “bués”, o “curte”etc… para ele não fazem nem farão sentido algum… - “se o dicionário as integrou no vocabulário….- Mal o dele … não presta”.
Não ele não era agressivo nas discussões, e cá para nós… mesmo que fosse as pessoas já não ligavam ao que dizia… as crianças gostavam mesmo de picá-lo, habituavam-se aquele olhar paternal… gostavam de vê-lo arreliado, de ouvir as suas explicações.
Ele também gostava de se sentir picado… sempre sentia algo…sempre lhe vinham à memória as discussões na universidade nos tempos de Coimbra, sempre se lembrava da fuga à pide .
Bons tempos, os de luta… mesmo preso e torturado sentia que a liberdade era uma conquista… sabia dar valor nem que fosse ao facto de poder estar no café sentado à noite a ler o jornal do dia sabendo que as noticias não tinham sido objecto de censura.
Para ele o que fazia, os seus hábitos, as suas conquistas, o poder falar com as crianças…ser arreliado por elas, o poder ir aquele cafezinho dia após dia… era algo que fazia parte da sua deliciosa rotina diária… até porque o corpo já não se atrevia a grandes voos.
Talvez por isso o que se passou um destes dias o tenho mudado tanto… O tenha feito sentir-se novamente preechido.
Estava ele sentado no mesmo café onde ia todas as noites quando irrompe café a dentro uma jovem rapariga com os seus 19 anos, como se viesse a fugir de alguém e se senta na sua mesa como se precisasse de refugio.
Ela tinha uma aparência gótica e envergava um vestido curto preto e umas botas D. Martin. Tinha um rosto arredondado de onde sobressaia um sorriso fugidio, quase escondido pelas farripas de cabelo muito escuro e liso, mas que não conseguiam esconder a magia dos seus olhos castanhos mel, nem sequer com a ajuda do hi-line negro escuro… pelo facto de ter o contorno dos olhos algo borrado ele percebeu facilmente que ela tinha estado a chorar… sim tinha estado a chorar.
Assim ele não rejeitou a presença dela, nem mesmo quando o empregado do café lhe perguntou se ela o estava a importunar… Ele sentia que se ela estava ali era porque se sentia segura… não precisava de saber mais… ele iria protege-la… precisava de assumir isso… depois até estava a gostar de ter companhia.
Ela depois de um silencio ensurdecedor pediu-lhe desculpa por se ter sentado… disse-lhe que tinha discutido com o namorado… que ele lhe tinha tentado bater… confessou-lhe que se sentia perdida… ameaçada… - Eu amava-o mais que a mim própria.. sem ele não sou nada… mas com ele nada sou… ele consumiu-me, consome-me … mas sem ele sinto-me vazia e só. – disse-lhe ela.
Ele escutou-a sem interromper… emprestou-lhe o ombro para que ela chorasse e ela fê-lo … estiveram abraçados… Depois ele disse-lhe que só sofrendo um dia se pode alcançar o verdadeiro amor… que só quem chorou um dia pode verdadeiramente amar alguém,… que já tinha passado por essas dores e que essas dores quando saradas tinham sempre algo de luz… doravante os céus são teus... podes voar sem precisar de ninguém- ela pareceu reconfortada com as palavras dele… o seu sorriso voltou a florescer… parecia uma pessoa nova… viva…
- é o ultimo dos senhores! - alguém disse, O último dos poetas…
Com efeito quem atentasse ao seu rosto mesmo sem ser preciso ler as suas obras, mesmo sem ser preciso ouvi-lo, só pelo modo como os seus olhos brilhavam, só pelo modo como o seu sorriso era aberto e grande e pela forma como esse sorriso emergia do fundo da sua farta barba escura de onde a onde já ponteada pelo branco dos seus 49 anos, facilmente identificava nele um poeta, um amante do sonho mais do que da vida.
De facto ele escrevia, de facto compunha versos e versos letra a letra, de facto apregoava o amor, o canto, a mágoa, o sonho, a perda e fazia-o tão bem e de um modo tão profundo que se em qualquer recanto ele dissesse um dos seus poemas conseguia parar a cidade, comover os corações elevar a mente.
Ele sabia fazer isso, sabia o peso da palavra, a sua força, a vida tinha-lhe ensinado isso, tinha-lhe dado algo que para muitos poderia ser entendido como um dom, mas que com o passar dos anos, com o avivar e o suceder das dores já sabia ser um castigo.
Talvez por isso era agora mais contido… Não … não quero dizer menos apaixonado, quero dizer apenas mais silencioso, como se tivesse refugiado as palavras no seu peito sem faze-las vir a luz do dia.
Apesar dessa contenção fazia questão de dominar afincadamente a língua portuguesa, usava-a na sua vertente mais clássica ... tão clássica que só com o passar dos anos aceitou que farmácia se escreve agora sem “ph” e se debate ainda em acesa discussão quando alguém quer escrever por exemplo a palavra “recto” sem “C” ...
- Reto - é uma parte do rabo – diz-se recto … se eu sou recto, significa que ajo segundo os meus princípios, que sou correcto, não tem nada a ver com essa partes do corpo” – Diz ele prontamente ( e se calhar … cá para mim com alguma razão).
De resto estas novidades como o “bués”, o “curte”etc… para ele não fazem nem farão sentido algum… - “se o dicionário as integrou no vocabulário….- Mal o dele … não presta”.
Não ele não era agressivo nas discussões, e cá para nós… mesmo que fosse as pessoas já não ligavam ao que dizia… as crianças gostavam mesmo de picá-lo, habituavam-se aquele olhar paternal… gostavam de vê-lo arreliado, de ouvir as suas explicações.
Ele também gostava de se sentir picado… sempre sentia algo…sempre lhe vinham à memória as discussões na universidade nos tempos de Coimbra, sempre se lembrava da fuga à pide .
Bons tempos, os de luta… mesmo preso e torturado sentia que a liberdade era uma conquista… sabia dar valor nem que fosse ao facto de poder estar no café sentado à noite a ler o jornal do dia sabendo que as noticias não tinham sido objecto de censura.
Para ele o que fazia, os seus hábitos, as suas conquistas, o poder falar com as crianças…ser arreliado por elas, o poder ir aquele cafezinho dia após dia… era algo que fazia parte da sua deliciosa rotina diária… até porque o corpo já não se atrevia a grandes voos.
Talvez por isso o que se passou um destes dias o tenho mudado tanto… O tenha feito sentir-se novamente preechido.
Estava ele sentado no mesmo café onde ia todas as noites quando irrompe café a dentro uma jovem rapariga com os seus 19 anos, como se viesse a fugir de alguém e se senta na sua mesa como se precisasse de refugio.
Ela tinha uma aparência gótica e envergava um vestido curto preto e umas botas D. Martin. Tinha um rosto arredondado de onde sobressaia um sorriso fugidio, quase escondido pelas farripas de cabelo muito escuro e liso, mas que não conseguiam esconder a magia dos seus olhos castanhos mel, nem sequer com a ajuda do hi-line negro escuro… pelo facto de ter o contorno dos olhos algo borrado ele percebeu facilmente que ela tinha estado a chorar… sim tinha estado a chorar.
Assim ele não rejeitou a presença dela, nem mesmo quando o empregado do café lhe perguntou se ela o estava a importunar… Ele sentia que se ela estava ali era porque se sentia segura… não precisava de saber mais… ele iria protege-la… precisava de assumir isso… depois até estava a gostar de ter companhia.
Ela depois de um silencio ensurdecedor pediu-lhe desculpa por se ter sentado… disse-lhe que tinha discutido com o namorado… que ele lhe tinha tentado bater… confessou-lhe que se sentia perdida… ameaçada… - Eu amava-o mais que a mim própria.. sem ele não sou nada… mas com ele nada sou… ele consumiu-me, consome-me … mas sem ele sinto-me vazia e só. – disse-lhe ela.
Ele escutou-a sem interromper… emprestou-lhe o ombro para que ela chorasse e ela fê-lo … estiveram abraçados… Depois ele disse-lhe que só sofrendo um dia se pode alcançar o verdadeiro amor… que só quem chorou um dia pode verdadeiramente amar alguém,… que já tinha passado por essas dores e que essas dores quando saradas tinham sempre algo de luz… doravante os céus são teus... podes voar sem precisar de ninguém- ela pareceu reconfortada com as palavras dele… o seu sorriso voltou a florescer… parecia uma pessoa nova… viva…
Talvez por isso se despediu uns minutos depois, e saiu do bar.
Ele voltara a estar só… mas já não se sentia só… havia rasgos da presença dela no ar…
Uns minutos depois um barman veio entregar-lhe um pedaço de papel escrito por ele antes de partir e onde se podia ler … “hoje foste o meu anjo, obrigado por me teres acolhido nas tuas asas… agora sei que os céus são meus e também tenho o direito de voar… e porque me ensinaste que posso voar... KERO-TE”…
Ele ao ler isto ele sentiu-se tão feliz e novamente tão inteiro que nem sequer ligou ao “K” em vez do “Qu” e garanto- vos nunca nenhuma frase lhe pareceu tão bela.
Ele voltara a estar só… mas já não se sentia só… havia rasgos da presença dela no ar…
Uns minutos depois um barman veio entregar-lhe um pedaço de papel escrito por ele antes de partir e onde se podia ler … “hoje foste o meu anjo, obrigado por me teres acolhido nas tuas asas… agora sei que os céus são meus e também tenho o direito de voar… e porque me ensinaste que posso voar... KERO-TE”…
Ele ao ler isto ele sentiu-se tão feliz e novamente tão inteiro que nem sequer ligou ao “K” em vez do “Qu” e garanto- vos nunca nenhuma frase lhe pareceu tão bela.
Depois quem vos disse que o amor precisa de palavras...
quinta-feira, maio 25, 2006
TIMOR LOROSAE
OH! LIBERDADE!
Se eu pudesse
pelas frias manhãs
acordar tiritando
fustigado pela ventania
que me abre a cortina do céu
e ver, do cimo dos meus montes,
o quadro roxo,
de um perturbado nascer do sol
a leste de Timor
Se eu pudesse
pelos tórridos sóis
cavalgar embevecido
de encontro a mim mesmo
nas serenas planícies do capim
e sentir o cheiro de animais
bebendo das nascentes
que murmurariam no ar
lendas de Timor
Se eu pudesse
pelas tardes de calma
sentir o cansaço
da natureza sensual
espreguiçando-se no seu suor
e ouvir contar as canseiras
sob os risos
das crianças nuas e descalças
de todo o Timor
Se eu pudesse
ao entardecer das ondas
caminhar pela areia
entregue a mim mesmo
no enlevo molhado da brisa
e tocar a imensidão do mar
num sopro da alma
que permita meditar o futuro
da ilha de Timor
Se eu pudesse
ao cantar dos grilos
falar para a lua
pelas janelas da noite
e contar-lhes romances do povo
a união inviolável dos corpos
para criar filhos
e ensinar-lhes a crescer e a amar
a Pátria Timor!
Xanana Gusmão
Cadeia de Cipinang - 8 de Outubro de 1995.
Na esperança de que o povo timorense saiba reencontrar o caminho da paz e da harmonia.
porque os ultimos acontecimentos não podem fazer perigar a luta de um povo, e fazer cair por terra todas as esperanças criadas durante anos à custa de lágrimas,morte, sangue e dor.
Porque a luta pela liberdade e pela paz ocorre também nos caminhos da escrita e da palavra, deixo-vos este poema de xanana gusmão,presidente de timor lorosae, poeta, pintor e acima de tudo o obreiro da liberdade e da independência de timor.
Força XANANA. Pela tua nação,pela paz, e pelo sonho revolucionário que é ousar ser livre .
VIVA TIMOR LOROSAE
Se eu pudesse
pelas frias manhãs
acordar tiritando
fustigado pela ventania
que me abre a cortina do céu
e ver, do cimo dos meus montes,
o quadro roxo,
de um perturbado nascer do sol
a leste de Timor
Se eu pudesse
pelos tórridos sóis
cavalgar embevecido
de encontro a mim mesmo
nas serenas planícies do capim
e sentir o cheiro de animais
bebendo das nascentes
que murmurariam no ar
lendas de Timor
Se eu pudesse
pelas tardes de calma
sentir o cansaço
da natureza sensual
espreguiçando-se no seu suor
e ouvir contar as canseiras
sob os risos
das crianças nuas e descalças
de todo o Timor
Se eu pudesse
ao entardecer das ondas
caminhar pela areia
entregue a mim mesmo
no enlevo molhado da brisa
e tocar a imensidão do mar
num sopro da alma
que permita meditar o futuro
da ilha de Timor
Se eu pudesse
ao cantar dos grilos
falar para a lua
pelas janelas da noite
e contar-lhes romances do povo
a união inviolável dos corpos
para criar filhos
e ensinar-lhes a crescer e a amar
a Pátria Timor!
Xanana Gusmão
Cadeia de Cipinang - 8 de Outubro de 1995.
Na esperança de que o povo timorense saiba reencontrar o caminho da paz e da harmonia.
porque os ultimos acontecimentos não podem fazer perigar a luta de um povo, e fazer cair por terra todas as esperanças criadas durante anos à custa de lágrimas,morte, sangue e dor.
Porque a luta pela liberdade e pela paz ocorre também nos caminhos da escrita e da palavra, deixo-vos este poema de xanana gusmão,presidente de timor lorosae, poeta, pintor e acima de tudo o obreiro da liberdade e da independência de timor.
Força XANANA. Pela tua nação,pela paz, e pelo sonho revolucionário que é ousar ser livre .
VIVA TIMOR LOROSAE
sábado, maio 20, 2006
A beleza... para os que ainda vem cá
"A beleza é triste pois ela está no lugar de algo que se foi. O tempo perdido não pode ser recuperado. Sua beleza só pode ser vivida como ausência: a beleza dói... Magia é isto: invocar o que se foi, mas que continua a nos habitar. Ou será poesia?"
Rubem Alves
Porque apesar de alguns acharem que escrever é uma dádiva e é tão facil como se não sentisse, as vezes sinto as palavras que escrevo cravarem-se como punhais no meu próprio peito.
porque cada poema é um pedaço de mim que arranco, uma cicatriz que me vem do fundo da alma. Uma cruz que marca os dias... talvez vestigios de alguem que se amou e se perdeu.
deixo-vos esta homenagem aos poetas loucos que como eu se entregam e se dissolvem aos poucos em palavras
quarta-feira, maio 17, 2006
ainda al berto...
Um texto de al berto que roubei de um commment que a rita colocou... talvez porque todos precisamos de viajar, de sentir pulsar em nós a ansia do infinito, a fuga de todas as grilhetas.
com uma homenagem especial a alguém que é uma viajante com tudo de bom o que ser viajante pode ter, uma pessoa que aceita os outros como são, na sua variedade, na sua especificidade e a quem posso chamar cidadá do mundo pois tem como patria a luz que lhe mora no coração...
com uma homenagem especial a alguém que é uma viajante com tudo de bom o que ser viajante pode ter, uma pessoa que aceita os outros como são, na sua variedade, na sua especificidade e a quem posso chamar cidadá do mundo pois tem como patria a luz que lhe mora no coração...
simplesmente porque suponho que essa pessoa vá gostar e queria que ela soubesse que está no meu pensamento nesta fase particular da sua vida.
(...)Um dia li num livro:«Viajar cura a melancolia». Creio que, na altura, acreditei no que lia.
"Viajar, se não cura a melancolia, pelo menos purifica. Afasta o espirito do que é supérfluo e inútil; e o corpo reencontra a harmonia perdida - entre o homem e a terra. O viajante aprendeu, assim, a cantar a terra, a noite e a luz (...) Aprendeu a nomear o mundo.
Separou com uma linha de água o que nele havia de sedentário daquilo que era nómada; sabe que o homem não foi feito para ficar quieto. A sedentarização empobrece-o, seca-lhe o sangue, mata-lhe a alma - estagna o pensamento.
Por tudo isto, o viajante escolheu o lado nómada da linha de água.
Vive ali, e canta - sabendo que a sua vida não terá sido um abismo, se conseguir que o seu canto, ou estilhaços dele, o una de novo ao Universo(...)
Obrigado a todos os que vem cá e em particular a cat por merecer este post e à rita por ter partilhado comigo este texto, este pedaço de luz.
(...)Um dia li num livro:«Viajar cura a melancolia». Creio que, na altura, acreditei no que lia.
"Viajar, se não cura a melancolia, pelo menos purifica. Afasta o espirito do que é supérfluo e inútil; e o corpo reencontra a harmonia perdida - entre o homem e a terra. O viajante aprendeu, assim, a cantar a terra, a noite e a luz (...) Aprendeu a nomear o mundo.
Separou com uma linha de água o que nele havia de sedentário daquilo que era nómada; sabe que o homem não foi feito para ficar quieto. A sedentarização empobrece-o, seca-lhe o sangue, mata-lhe a alma - estagna o pensamento.
Por tudo isto, o viajante escolheu o lado nómada da linha de água.
Vive ali, e canta - sabendo que a sua vida não terá sido um abismo, se conseguir que o seu canto, ou estilhaços dele, o una de novo ao Universo(...)
Obrigado a todos os que vem cá e em particular a cat por merecer este post e à rita por ter partilhado comigo este texto, este pedaço de luz.
Rapidas melhoras jorge a cat.
abraço
sexta-feira, maio 12, 2006
Confissão
há uma coisa que quero partilhar com vocês, e sobre a qual tenho reflectido nos últimos tempos, que tem a ver com a interrogação sobre qual será a verdadeira razão do amor, a verdadeira razão de amarmos?
A minha duvida é simplesmente esta... Porque será que continuamos a amar mesmo que o amor nos tenha feito sofrer, uma ,duas, três vezes, teremos em nós algo de destrutivo, será o amor vida e morte, açucar e fel, luz e penumbra, algodão e lamina?
será que existe um amor perfeito à nossa espera capaz de curar as desilusões amorosas, consertar os desenganos? será que para se chegar a esse alguém é preciso sofrer, como se esse sofrimento fosse condição essencial da perfeição? Ou será que as coisas do coração são simplesmente jogos em que uns ganham e outros perdem, como actores de um enredo sem sentido?
Em conversa com uns amigos em que falava disto veio-me a cabeça a seguinte ideia mais ou menos alucinada...
se deus, acreditando que ele existe, nos fez há sua imagem e semelhança, ( e como tal se ele é perfeito, nós também temos potencialmente tudo para o ser), amar é simplesmente um acto de loucura, pois não é mais do que resignadamente ou não, nos amputarmos dessa perfeição, aceitarmos ser incompletos, para depositar essa qualquer coisa noutro alguém que nos completa ao ponto de valer a própria vida, a própria alma, a própria busca da luz, numa atitude que nos torna tão deliciosamente perfeitos.
pessoalmente sinto-me contente por ser louco, por ser imperfeito, mesmo que as vezes, sobretudo porque sei a raiz da minha imperfeição, aquela parte de mim que está ausente ,e faça sentir tenebrosamente incompleto.
Para os loucos (ou pelo menos para aqueles que se atrevem) fica o consolo deixado pela seguinte fraze de Nietzche "Há sempre alguma loucura no amor. Mas há sempre um pouco de razão na loucura "
que a razaõ e sobretudo o amor esteja convosco . BOM FIM DE SEMANA
A minha duvida é simplesmente esta... Porque será que continuamos a amar mesmo que o amor nos tenha feito sofrer, uma ,duas, três vezes, teremos em nós algo de destrutivo, será o amor vida e morte, açucar e fel, luz e penumbra, algodão e lamina?
será que existe um amor perfeito à nossa espera capaz de curar as desilusões amorosas, consertar os desenganos? será que para se chegar a esse alguém é preciso sofrer, como se esse sofrimento fosse condição essencial da perfeição? Ou será que as coisas do coração são simplesmente jogos em que uns ganham e outros perdem, como actores de um enredo sem sentido?
Em conversa com uns amigos em que falava disto veio-me a cabeça a seguinte ideia mais ou menos alucinada...
se deus, acreditando que ele existe, nos fez há sua imagem e semelhança, ( e como tal se ele é perfeito, nós também temos potencialmente tudo para o ser), amar é simplesmente um acto de loucura, pois não é mais do que resignadamente ou não, nos amputarmos dessa perfeição, aceitarmos ser incompletos, para depositar essa qualquer coisa noutro alguém que nos completa ao ponto de valer a própria vida, a própria alma, a própria busca da luz, numa atitude que nos torna tão deliciosamente perfeitos.
pessoalmente sinto-me contente por ser louco, por ser imperfeito, mesmo que as vezes, sobretudo porque sei a raiz da minha imperfeição, aquela parte de mim que está ausente ,e faça sentir tenebrosamente incompleto.
Para os loucos (ou pelo menos para aqueles que se atrevem) fica o consolo deixado pela seguinte fraze de Nietzche "Há sempre alguma loucura no amor. Mas há sempre um pouco de razão na loucura "
que a razaõ e sobretudo o amor esteja convosco . BOM FIM DE SEMANA
quinta-feira, maio 11, 2006
era uma vez
Era uma vez
Era uma vez um menino
Era uma vez um menino que olhava
Era uma vez um menino que olhava o mar
Era uma vez um menino que olhava o mar e via
Era uma vez um menino que olhava o mar e via nas ondas
Era uma vez um menino que olhava o mar e via nas ondas destinos por alcançar
Era uma vez um menino que olhava o mar e via na ondas destinos por alcançar e sonhava
Era uma vez um menino que olhava o mar e via nas ondas destinos por alcançar e sonhava com novos mundos
Era uma vez um menino que olhava o mar e via nas ondas destinos por alcançar e sonhava com novos mundos quer descobria em caravelas feitas de letras,
Era uma vez uma vez um menino que sonhava que um menino que olhava o mar e via nas ondas destinos por alcançar e sonhava com novos mundos quer descobria em caravelas feitas de letras, de palavras e de sonhos...
Era uma vez um menino que sonhava com outro menino,
Era uma vez um menino que sonhava
Era uma vez um menino
Era uma vez
... um sonho .
Era uma vez um menino
Era uma vez um menino que olhava
Era uma vez um menino que olhava o mar
Era uma vez um menino que olhava o mar e via
Era uma vez um menino que olhava o mar e via nas ondas
Era uma vez um menino que olhava o mar e via nas ondas destinos por alcançar
Era uma vez um menino que olhava o mar e via na ondas destinos por alcançar e sonhava
Era uma vez um menino que olhava o mar e via nas ondas destinos por alcançar e sonhava com novos mundos
Era uma vez um menino que olhava o mar e via nas ondas destinos por alcançar e sonhava com novos mundos quer descobria em caravelas feitas de letras,
Era uma vez uma vez um menino que sonhava que um menino que olhava o mar e via nas ondas destinos por alcançar e sonhava com novos mundos quer descobria em caravelas feitas de letras, de palavras e de sonhos...
Era uma vez um menino que sonhava com outro menino,
Era uma vez um menino que sonhava
Era uma vez um menino
Era uma vez
... um sonho .
terça-feira, maio 09, 2006
PARA... TI
Porque a lua brota dos teus olhos da forma mais bela que já vi e acende os sonhos, acende a vida.
Porque o teu sorriso imenso é meigo e quente e sabe ser coberta e aconchego de todas as dores.
Porque a tua alma transparece de uma forma bela nas palavras que dizes, nos sonhos que contas, em tudo aquilo de belo que dás de ti.
Porque dás tanto... tanto... lua, carinho, vida, luz,... amizade... essencia.... aconchego, sonho, sopro, poiso, ninho, céu....
Porque és essencia... toda a essencia.... toda a poesia...
tanta poesia que as palavras se constrangem, se tornam mormúrios para te descrever...
mas acima de tudo... porque és tu...
Porque fazes anos hoje....
Porque não encontrei outra forma...
de te dar os PARABÉNS...
e de te agradecer por toda a cor que tens dado aos meus dias
Porque o teu sorriso imenso é meigo e quente e sabe ser coberta e aconchego de todas as dores.
Porque a tua alma transparece de uma forma bela nas palavras que dizes, nos sonhos que contas, em tudo aquilo de belo que dás de ti.
Porque dás tanto... tanto... lua, carinho, vida, luz,... amizade... essencia.... aconchego, sonho, sopro, poiso, ninho, céu....
Porque és essencia... toda a essencia.... toda a poesia...
tanta poesia que as palavras se constrangem, se tornam mormúrios para te descrever...
mas acima de tudo... porque és tu...
Porque fazes anos hoje....
Porque não encontrei outra forma...
de te dar os PARABÉNS...
e de te agradecer por toda a cor que tens dado aos meus dias
segunda-feira, maio 08, 2006
boa semana
deixo-vos um poema do grande AL BERTO, poeta que como ninguem conta a vida com as suas dores, com a sua essencia, com a sua insustentavel leveza...
escolhi este poema porque hoje me sinto a remendar o pano das minhas velas... como se também eu estivesse à espera do regresso da luz.
Há-de flutuar uma cidade
Há-de flutuar uma cidade no crepúsculo da vida
pensava eu... como seriam felizes as mulheres
à beira mar debruçadas para a luz caiada
remendando o pano das velas espiando o mar
e a longitude do amor embarcado
por vezes
uma gaivota pousava nas águas
outras era o sol que cegava
e um dardo de sangue alastrava pelo linho da noite
os dias lentíssimos... sem ninguém
e nunca me disseram o nome daquele oceano
esperei sentada à porta... dantes escrevia cartas
punha-me a olhar a risca de mar ao fundo da rua
assim envelheci... acreditando que algum homem ao passar
com a minha solidão
(anos mais tarde, recordo agora, cresceu-me uma pérola no
coração. mas estou só, muito só, não tenho a quem a deixar.)
um dia houve
que nunca mais avistei cidades crepusculares
e os barcos deixaram de fazer escala à minha porta
inclino-me de novo para o pano deste século
recomeço a bordar ou a dormir
tanto faz
sempre tive dúvidas que alguma vez me visite a felicidade
Al berto
escolhi este poema porque hoje me sinto a remendar o pano das minhas velas... como se também eu estivesse à espera do regresso da luz.
Há-de flutuar uma cidade
Há-de flutuar uma cidade no crepúsculo da vida
pensava eu... como seriam felizes as mulheres
à beira mar debruçadas para a luz caiada
remendando o pano das velas espiando o mar
e a longitude do amor embarcado
por vezes
uma gaivota pousava nas águas
outras era o sol que cegava
e um dardo de sangue alastrava pelo linho da noite
os dias lentíssimos... sem ninguém
e nunca me disseram o nome daquele oceano
esperei sentada à porta... dantes escrevia cartas
punha-me a olhar a risca de mar ao fundo da rua
assim envelheci... acreditando que algum homem ao passar
com a minha solidão
(anos mais tarde, recordo agora, cresceu-me uma pérola no
coração. mas estou só, muito só, não tenho a quem a deixar.)
um dia houve
que nunca mais avistei cidades crepusculares
e os barcos deixaram de fazer escala à minha porta
inclino-me de novo para o pano deste século
recomeço a bordar ou a dormir
tanto faz
sempre tive dúvidas que alguma vez me visite a felicidade
Al berto
sexta-feira, maio 05, 2006
Coisas que percebi hoje... bom fim de semana
Hoje acordei com um espirito positivo, lavei da alma a sensação de perda que tinha, as dores de que padecia.
No fundo elas não faziam sentido, não perdi ninguem, esse alguem está comigo.... estará comigo sempre.
Irá receber o melhor que a vida me deu e ensinou a dar... a AMIZADE.
Depois quando se é realmente amigo e se partilha a alma, como eu e esse alguem nos habituamos a fazer ao longo de tanto tempo, a distancia entre o amor utopico e a amizade esbatem-se, da-se a vida pela pessoa, sonha-se com a pessoa, vive-se com fragmentos da pessoa na alma, não importa o nome que lhe damos, o armário que ocupa no coração, o que importa é A ENTREGA.
Disse que acordei bem não só por isso, e sim isso foi o que fez desfazer-se-me a dor que me moia,mas porque percebi algo que ignorava há uns tempos, algo que é no fundo a minha maior qualidade, o meu talvez quase destino.
- O que eu sou realmente bom a fazer é ajudar os outros.
Ontem soube-o não só no trabalho, não só porque ajudei duas grandes amigas, mas acima de tudo porque percebi que as vezes mesmo com um desconhecido na rua se pode fazer a diferença, ainda mais quando à nossa volta os outros estão mais cegos de si próprios e se sentem mais vazios.
Não estou com isto a gabar-me, vocés que me leem e já são meus amigos sabem que não me gabo disso, só queria partilhar com vocés o quanto esta convicção me está a harmonizar a minha relação com o destino.. só queria reafirmar-vos o meu compromisso de estar onde for preciso,quando for preciso,pronto a ACREDITAR.
Porque falei no destino deixo-vos um fado que tem muito a haver comigo e que as vezes me faz pensar que como diz a grande Carla no blog dela, "as vezes me apetece não pensar e deixar-me ir ao sabor do vento".
BEM AJAM PELO VOSSO SORRISO, A VOSSA ALMA... A VOSSA LUZ... OBRIGADO AQUELE ALGUÉM POR ESTAR PRESENTE, POR SER POEMA, COMPANHIA, LUZ AMIGA.
BOM FIM DE SEMANA
- FADO DE CADA CADA UM
Letra: Silva Tavares
Música: Frederico de Freitas
Bem pensado
Todos temos nosso fado
E quem nasce mal fadado
melhor fado não terá
Fado é sorte
E do berço até á morte
Niguem foge por mais forte
Ao destino que Deus dá
Meu fado amargurado
A sina minha bem clara
se revelou,
Pois cantando
seja quem for adivinha
na minha voz soluçando
que eu finjo ser quem não sou
Bem pensado
Todos temos nosso fado
E quem nasce mal fadado
melhor fado não terá
Fado é sorte
E do berço até á morte
Ninguém foge por mais forte
Ao destino que Deus dá
Tal seria poder um dia
trocar-se o fado
por outro fado qualquer
Mas agente ...
já tem o fado marcado
E nenhum mais inclemente
do que esse de seres mulher
Bem pensado
Todos temos nosso fado
E quem nasce mal fadado
melhor fado não terá
Fado é sorte
E do berço até á morte
Ninguém foge por mais forte
Ao destino que Deus dá
No fundo elas não faziam sentido, não perdi ninguem, esse alguem está comigo.... estará comigo sempre.
Irá receber o melhor que a vida me deu e ensinou a dar... a AMIZADE.
Depois quando se é realmente amigo e se partilha a alma, como eu e esse alguem nos habituamos a fazer ao longo de tanto tempo, a distancia entre o amor utopico e a amizade esbatem-se, da-se a vida pela pessoa, sonha-se com a pessoa, vive-se com fragmentos da pessoa na alma, não importa o nome que lhe damos, o armário que ocupa no coração, o que importa é A ENTREGA.
Disse que acordei bem não só por isso, e sim isso foi o que fez desfazer-se-me a dor que me moia,mas porque percebi algo que ignorava há uns tempos, algo que é no fundo a minha maior qualidade, o meu talvez quase destino.
- O que eu sou realmente bom a fazer é ajudar os outros.
Ontem soube-o não só no trabalho, não só porque ajudei duas grandes amigas, mas acima de tudo porque percebi que as vezes mesmo com um desconhecido na rua se pode fazer a diferença, ainda mais quando à nossa volta os outros estão mais cegos de si próprios e se sentem mais vazios.
Não estou com isto a gabar-me, vocés que me leem e já são meus amigos sabem que não me gabo disso, só queria partilhar com vocés o quanto esta convicção me está a harmonizar a minha relação com o destino.. só queria reafirmar-vos o meu compromisso de estar onde for preciso,quando for preciso,pronto a ACREDITAR.
Porque falei no destino deixo-vos um fado que tem muito a haver comigo e que as vezes me faz pensar que como diz a grande Carla no blog dela, "as vezes me apetece não pensar e deixar-me ir ao sabor do vento".
BEM AJAM PELO VOSSO SORRISO, A VOSSA ALMA... A VOSSA LUZ... OBRIGADO AQUELE ALGUÉM POR ESTAR PRESENTE, POR SER POEMA, COMPANHIA, LUZ AMIGA.
BOM FIM DE SEMANA
- FADO DE CADA CADA UM
Letra: Silva Tavares
Música: Frederico de Freitas
Bem pensado
Todos temos nosso fado
E quem nasce mal fadado
melhor fado não terá
Fado é sorte
E do berço até á morte
Niguem foge por mais forte
Ao destino que Deus dá
Meu fado amargurado
A sina minha bem clara
se revelou,
Pois cantando
seja quem for adivinha
na minha voz soluçando
que eu finjo ser quem não sou
Bem pensado
Todos temos nosso fado
E quem nasce mal fadado
melhor fado não terá
Fado é sorte
E do berço até á morte
Ninguém foge por mais forte
Ao destino que Deus dá
Tal seria poder um dia
trocar-se o fado
por outro fado qualquer
Mas agente ...
já tem o fado marcado
E nenhum mais inclemente
do que esse de seres mulher
Bem pensado
Todos temos nosso fado
E quem nasce mal fadado
melhor fado não terá
Fado é sorte
E do berço até á morte
Ninguém foge por mais forte
Ao destino que Deus dá
quarta-feira, maio 03, 2006
a propósito da peça azul a cores.. ou talvez não...
FICHA TÉCNICA
Produção:Teatro da trindade, Inatel/ projecto Mundo Perfeito
Texto:Filipe Homem Fonseca
Concepção cénica e interpretação: Margarida Cardeal e Tiago Rodrigues
A minha Opinião:
uma peça a não perder, um texto a não perder, a prova provada que amar dói, que a ausência do amor dói, que o amor as vezes se desgasta e nos gasta a nós.
---------------------------------------------------------------------
Porque me fascinaram duas frases desta peça, porque tem muito a ver comigo reproduzo-as aqui na integra.
“Sabes aquilo que se diz, a cara-metade? A minha cara-metade? E se a pessoa que nos completa é mais do que a nossa metade? Se sem ela somos um terço, ou um quarto, ou menos? E se a nossa cara-metade for bastante mais que a nossa metade? Se for demais para nós? E se em vez de nos acrescentar, ela nos tira?”
“ Deus deu-nos um dom. o dom de magoarmos aqueles de quem mais gostamos, porque mais cedo ou mais tarde aqueles de quem mais gostamos acabarão por nos desiludir, então temos de ser capazes de magoa-los para não sofrer”
In Azul a cores
Porqué esta dor... esta ausência...
porqué este caos sem ordem, este espinho na alma...
Hoje espero apenas..
...Que o (des)amor sare um dia. que o coração possa ter aconchego ou possamos viver sem coração,
...Que um dia a palavra finalmente dita tenha eco, que o silencio não seja tão profundo, a ausência tão imensa.
...Que um dia volte a haver céu e volte a fazer sentido voar.
Por agora há apenas um rio, qualquer de torrentes que brotam na minha alma, por agora há apenas o não querer ser... o vácuo, o ar...
Por favor extingam-me as palavras do fogo que arde em mim, extingam-me o meu bem querer.
Produção:Teatro da trindade, Inatel/ projecto Mundo Perfeito
Texto:Filipe Homem Fonseca
Concepção cénica e interpretação: Margarida Cardeal e Tiago Rodrigues
A minha Opinião:
uma peça a não perder, um texto a não perder, a prova provada que amar dói, que a ausência do amor dói, que o amor as vezes se desgasta e nos gasta a nós.
---------------------------------------------------------------------
Porque me fascinaram duas frases desta peça, porque tem muito a ver comigo reproduzo-as aqui na integra.
“Sabes aquilo que se diz, a cara-metade? A minha cara-metade? E se a pessoa que nos completa é mais do que a nossa metade? Se sem ela somos um terço, ou um quarto, ou menos? E se a nossa cara-metade for bastante mais que a nossa metade? Se for demais para nós? E se em vez de nos acrescentar, ela nos tira?”
“ Deus deu-nos um dom. o dom de magoarmos aqueles de quem mais gostamos, porque mais cedo ou mais tarde aqueles de quem mais gostamos acabarão por nos desiludir, então temos de ser capazes de magoa-los para não sofrer”
In Azul a cores
Porqué esta dor... esta ausência...
porqué este caos sem ordem, este espinho na alma...
Hoje espero apenas..
...Que o (des)amor sare um dia. que o coração possa ter aconchego ou possamos viver sem coração,
...Que um dia a palavra finalmente dita tenha eco, que o silencio não seja tão profundo, a ausência tão imensa.
...Que um dia volte a haver céu e volte a fazer sentido voar.
Por agora há apenas um rio, qualquer de torrentes que brotam na minha alma, por agora há apenas o não querer ser... o vácuo, o ar...
Por favor extingam-me as palavras do fogo que arde em mim, extingam-me o meu bem querer.
sexta-feira, abril 28, 2006
amar .. por carlos drumond de andrade
Que pode uma criatura senão,
entre criaturas, amar?
Amar e esquecer,
amar e mal-amar,
amar, desamar, amar?
Sempre, e até de olhos vidrados, amar?
Que pode, pergunto, o ser amoroso,
sozinho, em rotação universal, senão
rodar também, e amar?
Amar o que o mar traz à praia,
e o que ele sepulta, e o que, na brisa marinha,
é sal, ou precisão de amor, ou simples ânsia?
Amar solenemente as palmas do deserto,
o que é entrega ou adoração expectante,
e amar o inóspito, o áspero,
um vaso sem flor, um chão de ferro,
e o peito inerte, e a rua vista em sonho, e uma ave de rapina.
Este o nosso destino: amor sem conta,
distribuído pelas coisas pérfidas ou nulas,
doação ilimitada a uma completa ingratidão,
e na concha vazia do amor a procura medrosa,
paciente, de mais e mais amor.
Amar a nossa falta mesma de amor, e na secura nossa
amar a água implícita, e o beijo tácito, e a sede infinita.
CARLOS DRUMOND DE ANDRADE
entre criaturas, amar?
Amar e esquecer,
amar e mal-amar,
amar, desamar, amar?
Sempre, e até de olhos vidrados, amar?
Que pode, pergunto, o ser amoroso,
sozinho, em rotação universal, senão
rodar também, e amar?
Amar o que o mar traz à praia,
e o que ele sepulta, e o que, na brisa marinha,
é sal, ou precisão de amor, ou simples ânsia?
Amar solenemente as palmas do deserto,
o que é entrega ou adoração expectante,
e amar o inóspito, o áspero,
um vaso sem flor, um chão de ferro,
e o peito inerte, e a rua vista em sonho, e uma ave de rapina.
Este o nosso destino: amor sem conta,
distribuído pelas coisas pérfidas ou nulas,
doação ilimitada a uma completa ingratidão,
e na concha vazia do amor a procura medrosa,
paciente, de mais e mais amor.
Amar a nossa falta mesma de amor, e na secura nossa
amar a água implícita, e o beijo tácito, e a sede infinita.
CARLOS DRUMOND DE ANDRADE
segunda-feira, abril 24, 2006
O amor
Para aqueles que amam...
Para os que sonham e vibram com a vibração que só esse sentimento dá.
Para os que trazem alguém na alma, memórias de alguém, da essencia de alguém, do cheiro de alguém, do viver de alguém, cicatrizes da presença do corpo de alguém deixadas na cama, no corpo, ante e além da pele , vestigios da partilha dos sonhos de alguém, mais ou menos presentes, chagas doces mais ou menos profundas e saradas.
Para aqueles que amam e são correspondidos. Porque ainda acreditam, porque apregoam o amor aos sete ventos, porque beijam, porque se dão, porque se embalam a dois no marasmo dos dias, porque se entregam.
Para aqueles que amam, mesmo sem terem coragem de dizer, porque sonham, porque se projectam, porque choram, porque suspiram, porque sentem, porque sabem o quanto vale um beijo o quanto ele é bom, e sabem o quanto custa sentir que o beijo fica por dar, o quanto custa ter a palavra amo-te a flor da pele sem que ela alcance os dias e mesmo assim se atrevem a estar lá, a serem fies a pessoa amada, e mesmo assim sonham com ela e davam a vida por ela.
Para aqueles que amaram e sofreram tanto que já não querem amar... porque uns e outros fomos todos pelo menos uma vez na vida parceiros nessa dor... na esperança de que num virar de esquina qualquer reencontrem de novo a luz.
Para os que nunca amaram, porque não foram, não são capazes de descrever este ganho que é vida, que é grito, que é essencia que é sorriso, que é também perda, suplica, desespero, lágrima... vida, quer essa vida nos escape ou não por entre os dedos... simplesmente porque nunca foram capazes de se deixar dar, deixar-se morrer aos poucos, para renascer em algo mais forte mais intenso... esperando que nunca venham a sentir a dor da ausência, a dor que é não saber o que é adormecer ao lado de alguém, tomar banho com alguém, chorar no ombro de alguém.
Para os que gozam com o amor que lhes é dado, para os que o usam, para os que traem, para os que pisam...temendo que a vida um dia se revolte contra eles e experimentem o mesmo remédio.
Para mim, que sei o que quero, que sei o que sinto, que sei quem amo, que o demonstro em tantas formas, que escrevo o amor, que sou dilacerado por ele, que sei o que perco por não beijar, mas que não consigo dizer a pessoa amada que o faço simplesmente porque as palavars já estão gastas.
... Deixo-vos um poema de Florbela Espanca... talvez o mais belo poema que conheço sobre o AMOR.
Amar!
Eu quero amar, amar perdidamente!
Amar só por amar: aqui... além...
Mais Este e Aquele, o Outro e toda a gente...
Amar! Amar! E não amar ninguém!
Recordar? Esquecer? Indiferente!...
Prender ou desprender? É mal? É bem?
Quem disser que se pode amar alguém
Durante a vida inteira é porque mente!
Há uma primavera em cada vida:
É preciso cantá-la assim florida,
Pois se Deus nos deu voz, foi pra cantar!
E se um dia hei-de ser pó, cinza e nada
Que seja a minha noite uma alvorada,
Que me saiba perder... pra me encontrar...
Florbela Espanca
Para os que sonham e vibram com a vibração que só esse sentimento dá.
Para os que trazem alguém na alma, memórias de alguém, da essencia de alguém, do cheiro de alguém, do viver de alguém, cicatrizes da presença do corpo de alguém deixadas na cama, no corpo, ante e além da pele , vestigios da partilha dos sonhos de alguém, mais ou menos presentes, chagas doces mais ou menos profundas e saradas.
Para aqueles que amam e são correspondidos. Porque ainda acreditam, porque apregoam o amor aos sete ventos, porque beijam, porque se dão, porque se embalam a dois no marasmo dos dias, porque se entregam.
Para aqueles que amam, mesmo sem terem coragem de dizer, porque sonham, porque se projectam, porque choram, porque suspiram, porque sentem, porque sabem o quanto vale um beijo o quanto ele é bom, e sabem o quanto custa sentir que o beijo fica por dar, o quanto custa ter a palavra amo-te a flor da pele sem que ela alcance os dias e mesmo assim se atrevem a estar lá, a serem fies a pessoa amada, e mesmo assim sonham com ela e davam a vida por ela.
Para aqueles que amaram e sofreram tanto que já não querem amar... porque uns e outros fomos todos pelo menos uma vez na vida parceiros nessa dor... na esperança de que num virar de esquina qualquer reencontrem de novo a luz.
Para os que nunca amaram, porque não foram, não são capazes de descrever este ganho que é vida, que é grito, que é essencia que é sorriso, que é também perda, suplica, desespero, lágrima... vida, quer essa vida nos escape ou não por entre os dedos... simplesmente porque nunca foram capazes de se deixar dar, deixar-se morrer aos poucos, para renascer em algo mais forte mais intenso... esperando que nunca venham a sentir a dor da ausência, a dor que é não saber o que é adormecer ao lado de alguém, tomar banho com alguém, chorar no ombro de alguém.
Para os que gozam com o amor que lhes é dado, para os que o usam, para os que traem, para os que pisam...temendo que a vida um dia se revolte contra eles e experimentem o mesmo remédio.
Para mim, que sei o que quero, que sei o que sinto, que sei quem amo, que o demonstro em tantas formas, que escrevo o amor, que sou dilacerado por ele, que sei o que perco por não beijar, mas que não consigo dizer a pessoa amada que o faço simplesmente porque as palavars já estão gastas.
... Deixo-vos um poema de Florbela Espanca... talvez o mais belo poema que conheço sobre o AMOR.
Amar!
Eu quero amar, amar perdidamente!
Amar só por amar: aqui... além...
Mais Este e Aquele, o Outro e toda a gente...
Amar! Amar! E não amar ninguém!
Recordar? Esquecer? Indiferente!...
Prender ou desprender? É mal? É bem?
Quem disser que se pode amar alguém
Durante a vida inteira é porque mente!
Há uma primavera em cada vida:
É preciso cantá-la assim florida,
Pois se Deus nos deu voz, foi pra cantar!
E se um dia hei-de ser pó, cinza e nada
Que seja a minha noite uma alvorada,
Que me saiba perder... pra me encontrar...
Florbela Espanca
sexta-feira, abril 21, 2006
Bom fim de semana
«Descobri que o principezinho estava cheio de sono, peguei-lhe ao colo e recomecei a andar. Eu ia comovido, parecia-me até que não havia nada mais frágil a face da terra. Contemplava, à luz do luar, aquele rosto pálido, aqueles olhos fechados, aquelas mechas de cabelo a tremer ao vento e pensava: “ O que eu estou a ver não passava de uma capa. O mais importante é invisível....”
Desenhara-se-lhe um vago sorriso nos lábios entreabertos e eu pensei “o que me comove tanto neste principezinho adormecido é a sua fidelidade a uma flor, é a imagem de uma rosa que, mesmo quando ele dorme, brilha lá dentro como a chama de uma vela.” E ele pareceu-me ainda mais frágil. Porque, às velas, é preciso protege-las: mal lhes dá o vento apagam-se. »
Antoine Saint-exupéry in O principezinho
Espero que a vela de luz que mora nas vossas almas se mantenha sempre acesa e que possam ser sempre fiéis as vossas rosas, aos vossos sonhos.
Acima de tudo espero que na vida nos possamos ir conhecendo melhor, uns aos outros e nós mesmos, para que possamos ir cruzando as nossas fragilidades e assim ir tendo coragem para suportar.
Desenhara-se-lhe um vago sorriso nos lábios entreabertos e eu pensei “o que me comove tanto neste principezinho adormecido é a sua fidelidade a uma flor, é a imagem de uma rosa que, mesmo quando ele dorme, brilha lá dentro como a chama de uma vela.” E ele pareceu-me ainda mais frágil. Porque, às velas, é preciso protege-las: mal lhes dá o vento apagam-se. »
Antoine Saint-exupéry in O principezinho
Espero que a vela de luz que mora nas vossas almas se mantenha sempre acesa e que possam ser sempre fiéis as vossas rosas, aos vossos sonhos.
Acima de tudo espero que na vida nos possamos ir conhecendo melhor, uns aos outros e nós mesmos, para que possamos ir cruzando as nossas fragilidades e assim ir tendo coragem para suportar.
quinta-feira, abril 20, 2006
Homenagem a Samuel Beckett
Hoje deixo-vos dois textos de Beckett
Porque passaram 100 anos e alguns dias desde o seu nascimento.
Porque poucos sabem dizer tão bem como ele a vida e o sonho e sabem, tecer a vida levando-a das letras ao palco.
Porque o meu encenador e amigo joão lázaro ofereceu o "à espera de Godot" ao meu também grande amigo Fernado e como um e outro tem bom gosto, tive vontade de reler beckett.
Porque...simplesmente porque gosto.
"As lágrimas do mundo são inalteráveis.
Para cada um que começa a chorar, em algum lugar outro pára.
O mesmo vale para o riso...»
In à espera de Godod
É o Fim que Confere o Significado às Palavras.
Apenas as palavras quebram o silêncio, todos os outros sons cessaram. Se eu estivesse silencioso, não ouviria nada. Mas se eu me mantivesse silencioso, os outros sons recomeçariam, aqueles a que as palavras me tornaram surdo, ou que realmente cessaram. Mas estou silencioso, por vezes acontece, não, nunca, nem um segundo. Também choro sem interrupção. É um fluxo incessante de palavras e lágrimas. Sem pausa para reflexão. Mas falo mais baixo, cada ano um pouco mais baixo. Talvez. Também mais lentamente, cada ano um pouco mais lentamente. Talvez. É-me difícil avaliar. Se assim fosse, as pausas seriam mais longas, entre as palavras, as frases, as sílabas, as lágrimas, confundo-as, palavras e lágrimas, as minhas palavras são as minhas lágrimas, os meus olhos a minha boca. E eu deveria ouvir, em cada pequena pausa, se é o silêncio que eu digo quando digo que apenas as palavras o quebram. Mas nada disso, não é assim que acontece, é sempre o mesmo murmúrio, fluindo ininterruptamente, como uma única palavra infindável e, por isso, sem significado, porque é o fim que confere o significado às palavras. "
in 'Textos para Nada'
espero que estes textos vos agradem tanto como a mim.
PARABENS BECKETT....
Porque passaram 100 anos e alguns dias desde o seu nascimento.
Porque poucos sabem dizer tão bem como ele a vida e o sonho e sabem, tecer a vida levando-a das letras ao palco.
Porque o meu encenador e amigo joão lázaro ofereceu o "à espera de Godot" ao meu também grande amigo Fernado e como um e outro tem bom gosto, tive vontade de reler beckett.
Porque...simplesmente porque gosto.
"As lágrimas do mundo são inalteráveis.
Para cada um que começa a chorar, em algum lugar outro pára.
O mesmo vale para o riso...»
In à espera de Godod
É o Fim que Confere o Significado às Palavras.
Apenas as palavras quebram o silêncio, todos os outros sons cessaram. Se eu estivesse silencioso, não ouviria nada. Mas se eu me mantivesse silencioso, os outros sons recomeçariam, aqueles a que as palavras me tornaram surdo, ou que realmente cessaram. Mas estou silencioso, por vezes acontece, não, nunca, nem um segundo. Também choro sem interrupção. É um fluxo incessante de palavras e lágrimas. Sem pausa para reflexão. Mas falo mais baixo, cada ano um pouco mais baixo. Talvez. Também mais lentamente, cada ano um pouco mais lentamente. Talvez. É-me difícil avaliar. Se assim fosse, as pausas seriam mais longas, entre as palavras, as frases, as sílabas, as lágrimas, confundo-as, palavras e lágrimas, as minhas palavras são as minhas lágrimas, os meus olhos a minha boca. E eu deveria ouvir, em cada pequena pausa, se é o silêncio que eu digo quando digo que apenas as palavras o quebram. Mas nada disso, não é assim que acontece, é sempre o mesmo murmúrio, fluindo ininterruptamente, como uma única palavra infindável e, por isso, sem significado, porque é o fim que confere o significado às palavras. "
in 'Textos para Nada'
espero que estes textos vos agradem tanto como a mim.
PARABENS BECKETT....
segunda-feira, abril 17, 2006
sentir... talvez ainda a propósito das flores
Os sentimentos
São como as flores
Precisam conhecer
a luz do dia
se isso não acontecer
existirão para sempre
mas ficarão aprisionados
em vitrines ou estantes
serão muito mais belos,
puros e verdadeiros
mas nunca .... nunca
criarão raízes
São como as flores
Precisam conhecer
a luz do dia
se isso não acontecer
existirão para sempre
mas ficarão aprisionados
em vitrines ou estantes
serão muito mais belos,
puros e verdadeiros
mas nunca .... nunca
criarão raízes
sexta-feira, abril 14, 2006
quinta-feira, abril 13, 2006
coisas que pensei hoje....
Há coisas que acontecem assim, ontem deitei-me com uma luz no coração e sem saber porque passei a noite em claro, deixei-me sem motivo de maior, sem qualquer razão especial para tal, observar a noite e o nascer do dia pelas friestas da persiana que me tinha esquecido de fechar,.
Fiquei quedo e deitado a ver as cores que iam surgindo pelos buraquinhos da persiana, os laivos de luz que invadiam o tecto de quando e que se prolongavam depois para dentro da porta entreaberta do armário do meu quarto, como se buscassem refúgio.
Confesso-vos que na cama me deixei viajar pela interrogação de quem seriam as pessoas que passavam na rua aquela hora da noite, confesso-vos que em alguns casos imaginei enredos secretos, mesmo proibidos, vidas misteriosas como só podem ser as vidas de quem anda na estrada as 3 ou 4 da manhã, imaginei para onde iriam, se teriam alguém à espera, se quando regressassem, onde quer que fossem, iriam sentir-se em casa, se poderiam ao contrário de mim sentirem-se num porto de abrigo e abraçarem o legado de orfeu.
Mais tarde fui-me apercebendo do clarear do dia, do toque laranja do sol e da forma como pouco a pouco o céu ia ficando azul e fui libertando os meus ouvidos ao ponto de testemunhar o cantar de um velho galo das redondezas e de sonhar dançar ao som do chilrear dos pássaros.
Depois e porque o trabalho não perdoa as noites mal dormidas levantei-me da cama e sai à rua com uma vontade de pisar suavemente cada pedrinha da estrada, como se as quisesse saudar... e fi-lo como se percorresse aquele espaço pela primeira vez, como se não fosse uma rotina diária, estática, amorfa.
No trabalho, antes da porta abrir dei por mim a pensar em algumas frases que o Miguel do teato diz na peça por um tempo ainda, e atrevi-me a brincar com elas, com a ajuda da transcrição que a Catarina fez para o blog dela, numa brincadeira que originou o texto que se segue... pois a brincar a brincar, aprende-se a dizer tudo...
Porque quer queiramos quer não no dia a dia .... “ Atravessámos paisagens de interesse desigual, aturámos enxames de pessoas e, entre risos e lagrimas e cantos e silêncios, rastejámos por esse tubo de ensaio, o Universo, que um velho louco ou sábio ou distraído, mas seguramente bastante decrépito, empunha, em suas mãos tremulas, descarnadas”.
Talvez porque as vezes achamos os outros autómatos “ porque eles teimam em agarrarem o tempo e não abrem as mãos, deixando a areia correr, livre, livremente, por entre os dedos” mas acabamos por descobrir que somos tão autómatos como eles.
A vida ensinou-me que “é sempre bom desconfiarmos das palavras” e que “para ganhar pode ser preciso perder tudo...Pois não terá ido mais longe aquele que tudo perdeu?” e não será o nada a libertação suprema para podermos abraçar tudo ???
Porque invariavelmente “a história incita-nos a esperar diariamente o impossível agarra-lo pelas orelhas, é o nosso privilégio” .
Descobri que “nos jogos de Amor, ganha aquele que for mais longe” pelo que tenho de começar a deixar os sentimentos vir a luz do dia até porque “ é sempre bom abraçar alguém” mesmo que “seja da natureza dos encontros serem breves” .
Cheguei a conclusão que é tempo de arriscar o tudo, pois mesmo que o dia seja mau e “nas ruas corra um vento agreste. Às vezes faz calor”, e com o calor, há sempre um sopro de esperança, simplesmente porque “ quem sabe .... Pode ser primavera”
Fiquei quedo e deitado a ver as cores que iam surgindo pelos buraquinhos da persiana, os laivos de luz que invadiam o tecto de quando e que se prolongavam depois para dentro da porta entreaberta do armário do meu quarto, como se buscassem refúgio.
Confesso-vos que na cama me deixei viajar pela interrogação de quem seriam as pessoas que passavam na rua aquela hora da noite, confesso-vos que em alguns casos imaginei enredos secretos, mesmo proibidos, vidas misteriosas como só podem ser as vidas de quem anda na estrada as 3 ou 4 da manhã, imaginei para onde iriam, se teriam alguém à espera, se quando regressassem, onde quer que fossem, iriam sentir-se em casa, se poderiam ao contrário de mim sentirem-se num porto de abrigo e abraçarem o legado de orfeu.
Mais tarde fui-me apercebendo do clarear do dia, do toque laranja do sol e da forma como pouco a pouco o céu ia ficando azul e fui libertando os meus ouvidos ao ponto de testemunhar o cantar de um velho galo das redondezas e de sonhar dançar ao som do chilrear dos pássaros.
Depois e porque o trabalho não perdoa as noites mal dormidas levantei-me da cama e sai à rua com uma vontade de pisar suavemente cada pedrinha da estrada, como se as quisesse saudar... e fi-lo como se percorresse aquele espaço pela primeira vez, como se não fosse uma rotina diária, estática, amorfa.
No trabalho, antes da porta abrir dei por mim a pensar em algumas frases que o Miguel do teato diz na peça por um tempo ainda, e atrevi-me a brincar com elas, com a ajuda da transcrição que a Catarina fez para o blog dela, numa brincadeira que originou o texto que se segue... pois a brincar a brincar, aprende-se a dizer tudo...
Porque quer queiramos quer não no dia a dia .... “ Atravessámos paisagens de interesse desigual, aturámos enxames de pessoas e, entre risos e lagrimas e cantos e silêncios, rastejámos por esse tubo de ensaio, o Universo, que um velho louco ou sábio ou distraído, mas seguramente bastante decrépito, empunha, em suas mãos tremulas, descarnadas”.
Talvez porque as vezes achamos os outros autómatos “ porque eles teimam em agarrarem o tempo e não abrem as mãos, deixando a areia correr, livre, livremente, por entre os dedos” mas acabamos por descobrir que somos tão autómatos como eles.
A vida ensinou-me que “é sempre bom desconfiarmos das palavras” e que “para ganhar pode ser preciso perder tudo...Pois não terá ido mais longe aquele que tudo perdeu?” e não será o nada a libertação suprema para podermos abraçar tudo ???
Porque invariavelmente “a história incita-nos a esperar diariamente o impossível agarra-lo pelas orelhas, é o nosso privilégio” .
Descobri que “nos jogos de Amor, ganha aquele que for mais longe” pelo que tenho de começar a deixar os sentimentos vir a luz do dia até porque “ é sempre bom abraçar alguém” mesmo que “seja da natureza dos encontros serem breves” .
Cheguei a conclusão que é tempo de arriscar o tudo, pois mesmo que o dia seja mau e “nas ruas corra um vento agreste. Às vezes faz calor”, e com o calor, há sempre um sopro de esperança, simplesmente porque “ quem sabe .... Pode ser primavera”
domingo, abril 09, 2006
voltei
porque a catarina e o lorenzo me mostraram o quanto este espaço é importante para mim...
porque sei que a tania, a rita, a py, a mauy, o bruno e a carla vão gostar.
porque a sónia está sempre do meu lado e me conhece melhor do que eu.
porque este silencio me estava a deixar infeliz
porque ainda há esperança de chegar a luz.
ou porque precisava apenas de gritar...
deixo-vos um poema de eudoro augusto chamado luna de lupe.
bem ajam
Quero mais não.
Estou meio over de emoção.
Estou sem aquilo que chamam estrutura
pra amortecer esta aflição,
esta fissura.
Meu corpo é um barco sonolento
e falta vento
pra me levar a outra ilha.
Outra razão, outro delírio,
outro luar de vampiroà procura de um irmão.
Pode parar:
a noite é escura.
Não quero o copo de água pura
que você bebe em minha turva solidão.
Quero mais não.
Hoje me sobra emoção.
Sobra verdade, falta força, sobra sangue.
Hoje eu vou dormir no mangue
que outros chamam coração.
Pode parar.Virou bocejo, era tesão.
Você jamais deu boa vida ao meu desejo,
foi pouco sim pra muito não.
E agora chega.
Deixa rolar mas nunca esqueça
de virar minha cabeça:
eu amo sempre
o lado errado da paixão.
In: AUGUSTO, Eudoro. O desejo e o deserto. São Paulo: Massao Ohno, 1989. Poema integrante da série Ventura.
porque sei que a tania, a rita, a py, a mauy, o bruno e a carla vão gostar.
porque a sónia está sempre do meu lado e me conhece melhor do que eu.
porque este silencio me estava a deixar infeliz
porque ainda há esperança de chegar a luz.
ou porque precisava apenas de gritar...
deixo-vos um poema de eudoro augusto chamado luna de lupe.
bem ajam
Quero mais não.
Estou meio over de emoção.
Estou sem aquilo que chamam estrutura
pra amortecer esta aflição,
esta fissura.
Meu corpo é um barco sonolento
e falta vento
pra me levar a outra ilha.
Outra razão, outro delírio,
outro luar de vampiroà procura de um irmão.
Pode parar:
a noite é escura.
Não quero o copo de água pura
que você bebe em minha turva solidão.
Quero mais não.
Hoje me sobra emoção.
Sobra verdade, falta força, sobra sangue.
Hoje eu vou dormir no mangue
que outros chamam coração.
Pode parar.Virou bocejo, era tesão.
Você jamais deu boa vida ao meu desejo,
foi pouco sim pra muito não.
E agora chega.
Deixa rolar mas nunca esqueça
de virar minha cabeça:
eu amo sempre
o lado errado da paixão.
In: AUGUSTO, Eudoro. O desejo e o deserto. São Paulo: Massao Ohno, 1989. Poema integrante da série Ventura.
terça-feira, março 28, 2006
Até breve.
Talvez porque ando a sentir demais
Talvez porque as palavras se esgotaram
Talvez porque há um sopro qualquer de vento que me leva a outras paragens
Talvez por estar cansado de escrever a vida a passar-me perante os dedos
Talvez por já não conseguir dizer que acredito,
Takvez por já não conseguir gritar
E não fazer qualquer sentido continuar a dizer aqui o que não consigo dizer cara a cara, alma na alma,
E já não conseguir brincar ao jogo do poeta que não sou, pois já não sei se vivo, pois já não sei se luto...
É tempo de deixar de postar por uns tempos, tempo de quem sabe dar voz aos silêncios, tempo de explorar outras formas de ser e de dar... porque preciso de regressar à intimidade, conter e redefinir as palavras, rescrever os sonhos...
Não se trata de um adeus a este espaço... trata-se umas férias sem tempo determinado, o tempo necessário para fazer aquela viagem sentimental que só eu posso fazer por mim próprio, o tempo necessário quem sabe para que um turpor qualquer de vida me ajude a explicar quem sou, o que quero, o que amo...
Prometo voltar logo que me sentir mais forte mais vivo, mais recriado, hei-de voltar, porque nunca direi que não aos sonhos, agora só não tenho força para sonha-los assim...sonha-los aqui.
Mas acima de tudo hei-de voltar pois sei que dos vossos dias nasce a luz e eu hei-de escrever essa luz, enquanto na minha alma pulsar qualquer coisas que não sei o que é mas me leva a ter sede de estar vivo.
Agradeço a todos os que fazem e fizeram parte deste meu mundo nestes meses, a todos os que se deram e iluminaram este espaço do mesmo modo que iluminaram a minha vida e estou certo que redescobriremos outra forma qualquer de comunicar e de estar próximos, pois afinal fazem parte dos meus dias.
Deixo-vos um poema que escrevi num tempo em que quis deixar a escrita... talvez porque no fundo o que senti nessa altura seja muito semelhante ao que sinto agora...
Bem ajam.
Poema só para mim ... ou o último
dos poemas
este é o poema só para mim
só para mim...
não por egoísmo...
não por injustiça
nem por ódio
não por nenhuma das palavras
que definem atitudes
vás e estúpidas
que toda a gente toma
ao proibir
ao interdir
ao censurar ...
tudo e todos....
como se tudo fosse material
para testar,
testar,
testar ...
e eles senhores
de toda a razão que há no mundo
este é o poema só para mim
simplesmente porque em cada letra
estão pedaços desgostosos
desta mágoa de sal que aqui vomito
como se a cada traço ...
fosse libertar todo o ódio
fosse desfraldar
a bandeira negra do inferno
como se revela-se
a morte anunciada do poeta
que há em mim...
perdi ...morri
acabou tudo,
a partir do instante ...
em que da minha memória
se dissipou a recordação
da doçura de um olhar ,
da ternura e um abraço ....
do sorriso dos desejos
de alucinar...alucinar.
deixei de ser poeta
a partir do momento
em que já não consigo vislumbrar
a sensação de beijar alguém
com amor...só com amor
como se dos seus lábios ....
palpitassem mil estrelas
ardentes de paixão
a partir do instante
em que me apercebi
que esta vida me escapa
por entre os dedos que entrelaço
...no vazio em que estou
no vazio que me leva a dizer...
que este é o último dos poemas
pois eu sou o último dos temas que
tratei ...
e do qual só tinha jurado falar...
quando todo o amor...
toda a caricia ...
se dissipassem da minha mente
quando toda a luz...
se tivesse esgotado da memória do meu
ser ...
e eu me visse obrigado a enterrar este
poeta
pois o meu mundo acabou ...
e sem nada do tudo que falei
resta-me apenas falar de mim ...
eu que sou ninguém.
Talvez porque as palavras se esgotaram
Talvez porque há um sopro qualquer de vento que me leva a outras paragens
Talvez por estar cansado de escrever a vida a passar-me perante os dedos
Talvez por já não conseguir dizer que acredito,
Takvez por já não conseguir gritar
E não fazer qualquer sentido continuar a dizer aqui o que não consigo dizer cara a cara, alma na alma,
E já não conseguir brincar ao jogo do poeta que não sou, pois já não sei se vivo, pois já não sei se luto...
É tempo de deixar de postar por uns tempos, tempo de quem sabe dar voz aos silêncios, tempo de explorar outras formas de ser e de dar... porque preciso de regressar à intimidade, conter e redefinir as palavras, rescrever os sonhos...
Não se trata de um adeus a este espaço... trata-se umas férias sem tempo determinado, o tempo necessário para fazer aquela viagem sentimental que só eu posso fazer por mim próprio, o tempo necessário quem sabe para que um turpor qualquer de vida me ajude a explicar quem sou, o que quero, o que amo...
Prometo voltar logo que me sentir mais forte mais vivo, mais recriado, hei-de voltar, porque nunca direi que não aos sonhos, agora só não tenho força para sonha-los assim...sonha-los aqui.
Mas acima de tudo hei-de voltar pois sei que dos vossos dias nasce a luz e eu hei-de escrever essa luz, enquanto na minha alma pulsar qualquer coisas que não sei o que é mas me leva a ter sede de estar vivo.
Agradeço a todos os que fazem e fizeram parte deste meu mundo nestes meses, a todos os que se deram e iluminaram este espaço do mesmo modo que iluminaram a minha vida e estou certo que redescobriremos outra forma qualquer de comunicar e de estar próximos, pois afinal fazem parte dos meus dias.
Deixo-vos um poema que escrevi num tempo em que quis deixar a escrita... talvez porque no fundo o que senti nessa altura seja muito semelhante ao que sinto agora...
Bem ajam.
Poema só para mim ... ou o último
dos poemas
este é o poema só para mim
só para mim...
não por egoísmo...
não por injustiça
nem por ódio
não por nenhuma das palavras
que definem atitudes
vás e estúpidas
que toda a gente toma
ao proibir
ao interdir
ao censurar ...
tudo e todos....
como se tudo fosse material
para testar,
testar,
testar ...
e eles senhores
de toda a razão que há no mundo
este é o poema só para mim
simplesmente porque em cada letra
estão pedaços desgostosos
desta mágoa de sal que aqui vomito
como se a cada traço ...
fosse libertar todo o ódio
fosse desfraldar
a bandeira negra do inferno
como se revela-se
a morte anunciada do poeta
que há em mim...
perdi ...morri
acabou tudo,
a partir do instante ...
em que da minha memória
se dissipou a recordação
da doçura de um olhar ,
da ternura e um abraço ....
do sorriso dos desejos
de alucinar...alucinar.
deixei de ser poeta
a partir do momento
em que já não consigo vislumbrar
a sensação de beijar alguém
com amor...só com amor
como se dos seus lábios ....
palpitassem mil estrelas
ardentes de paixão
a partir do instante
em que me apercebi
que esta vida me escapa
por entre os dedos que entrelaço
...no vazio em que estou
no vazio que me leva a dizer...
que este é o último dos poemas
pois eu sou o último dos temas que
tratei ...
e do qual só tinha jurado falar...
quando todo o amor...
toda a caricia ...
se dissipassem da minha mente
quando toda a luz...
se tivesse esgotado da memória do meu
ser ...
e eu me visse obrigado a enterrar este
poeta
pois o meu mundo acabou ...
e sem nada do tudo que falei
resta-me apenas falar de mim ...
eu que sou ninguém.
sexta-feira, março 24, 2006
para quem ousa
deixo-vos um texto de Martin Luther King.
Uma homenagem a todos os que lutam pelo sonho.
para que os vossos sonhos nunca esmoreçam.
bem ajam
«..É melhor tentar, ao invés de sentar-se e nada fazer; é melhor falhar, mas não deixar a vida passar ; Eu prefiro caminhar à chuva do que esconder-me em casa em dias tristes; prefiro ser feliz, embora louco do que viver infeliz em são conformismo... »
M. Luther King
Uma homenagem a todos os que lutam pelo sonho.
para que os vossos sonhos nunca esmoreçam.
bem ajam
«..É melhor tentar, ao invés de sentar-se e nada fazer; é melhor falhar, mas não deixar a vida passar ; Eu prefiro caminhar à chuva do que esconder-me em casa em dias tristes; prefiro ser feliz, embora louco do que viver infeliz em são conformismo... »
M. Luther King
terça-feira, março 21, 2006
silencio
Aqui fica um texto de Clarice Lispector sobre aquela coisa maravilhosa que é o silencio. Porque é no saber ouvir os silencios que reside a verdadeira arte de comunicar... a promessa de todos os sonhos.
Com um agradecimento a quem sabe entender os meus silencios.
"
Entre duas notas de musica existe uma nota,
entre dois fatos existe um fato,
entre dois grãos de areia por mais juntos que estejam
existe um intervalo de espaço,
existe um sentir que é entre o sentir...
que é a respiração do mundo,
e a respiração contínua do mundo
é aquilo que ouvimos
e chamamos de silêncio"
Clarice Lispector
Com um agradecimento a quem sabe entender os meus silencios.
"
Entre duas notas de musica existe uma nota,
entre dois fatos existe um fato,
entre dois grãos de areia por mais juntos que estejam
existe um intervalo de espaço,
existe um sentir que é entre o sentir...
que é a respiração do mundo,
e a respiração contínua do mundo
é aquilo que ouvimos
e chamamos de silêncio"
Clarice Lispector
segunda-feira, março 20, 2006
5 manias minhas...
Este post é uma resposta a um convite que me fizeram há uns dias para que referisse 5 manias minhas .
Por nunca recusar um desafio, mas sobretudo porque acho giro o convite escrevi o texto que se segue e que deixo aqui, sem qualquer intenção de concorrer a algum concurso .
1-O amar sem dizer- sim é uma doença crónica, talvez por escrever e achar que as palavras estão gastas e já não conseguem, ou talvez nunca conseguiram, definir os sentimentos, dou por mim a amar a pessoa amada sem sequer ser capaz de lhe contar o que me vai na alma.
Resta-me a esperança de que ela saiba entender o meu silencio e continue a ser a luz que é, que um dia encontre a forma ideal de lhe dizer... de lhe mostar, ou talvez ela sabendo do que eu sinto me diga, me olhe de maneira a que eu veja que ela sabe, ou até me beije, que faça o que quiser... que façamos o que a vida quiser. juntos ou separados, onde for que nos levem o nossos rumos, mas na certeza de que no fundo ambos saibamos o que vai no coração um do outro, neste reino qualquer de silencio. E depois quem disse que o amor tinha de ser feito de palavras.
2-O ar perdido- algumas pessoas acham que sou muito taciturno e pareço andar por Leiria sem saber onde vou, outras vêem-me com um ar distante e nocturno como se olha-se ao longe sem destino. Para essas pessoas fica o esclarecimento, não estou perdido, longe disso, não estou só, pelo contrário, como tenho muitos amigos em Leiria, como tenho muitas ocupações, Bloco, teatro, trabalho etc.. o mais certo é que esteja a ir de ocupação para ocupação, ou a fazer tempo entre elas , depois o mais giro é que acabo sempre por encontrar alguém amigo e dar dois dedos de conversa, beber aquele cafézito, ouvir de alguém novas dos dias. Ganha-se muito em não estar encafuado em casa, acho que estar na rua é das pequenas liberdades que ainda conservo, um prazer tão grande como aquele que teria um fumador se fumasse o primeiro cigarro matinal Quanto ao olhar distante, como se buscasse o vazio, essa é uma faceta que tem a ver comigo, de facto olho ao longe e se querem saber olho mesmo o vazio, a novidade para alguns é que não o olho de uma forma perdida, mas com o propósito de beber dele alguma coisa. O vazio tem tanto de belo como de horripilante, tanto de temível como de desejável, tanto de vida como de morte. A mim o vazio, o vácuo, o nada para que as vezes dou por mim a olhar ensina-me que além do que os meus olhos vêem há algo diferente, algo que é tão real e tão alcançável como aquilo que vemos mas que está simplesmente além do alcançável pela minha visão, algo de místico, intemporal, mas que é tão real como todas as coisas reais, se calhar a metade meia cheia do copo meio vazio, se calhar a face escura da lua simplesmente à espera da rotação perfeita para se tornar visível. Depois disto confesso que sempre que olho o infinito, vêem-me a cabeça aquela frase do mascarilha quando parte com o índio Tonto para mais uma caminhada ao por-do-sol... ao infinito e mais além.
3-O teatro- desenganem-se aqueles que pensam que tenho qualquer aspiração em ser um actor... estou ciente das minhas possibilidades e potencialidades . Estou no palco pela participação, pelo gozo que dá ir fazendo nascer um personagem na nossa cabeça e depois emprestar-lhe o nosso corpo, parte das nossas memórias. Estou no teatro e em particular no te-ato porque cada vez mais vejo o nosso grupo como um espaço de amigos, um espaço de aprendizagem de coisas verdadeiras únicas e simples. Pertenço ao grupo pela partilha que ele proporciona, pela essência que as pessoas que lá estão possuem e transmitem e se querem saber não trocaria este grupo por nenhum outro grupo de teatro e sóo deixarei quando a minha necessidade de ser útil ou o meu sonho me levarem para outras paragens.
4-O bloco – O bloco de esquerda é simplesmente o espaço que encontrei para dar azo a minha participação política e cívica activas, um espaço em que na companhia de alguém que se tornou um grande amigo vou descobrindo formas de não ser apático e indiferente, um lugar onde coma minha criatividade, o meu sonho e alguma irreverência vou podendo distanciar-me do rebanho azul laranja e dar voz as minhas convicções, isto sem qualquer aspiração politica e partidária.
5-A poesia – A minha forma única de dizer amor, vida, sonho, morte, a minha necessidade de refúgio, a minha aproximação à essência, o meu grito, os meus medos, as minhas culpas e desculpas, a forma suis generis de dizer segredos de ir sobrevivendo aos dias, aos cansaços, as tiranias e aos embaraços, sobretudo a minha forma de ser, de dar, de amar, longe das grilhetas e dos marasmos, longe da prisão dos dias e das dores, como se navegasse contra a corrente e acreditasse que os dias que me vão escapando por entre os dedos quando escrevo não me doem.
Por nunca recusar um desafio, mas sobretudo porque acho giro o convite escrevi o texto que se segue e que deixo aqui, sem qualquer intenção de concorrer a algum concurso .
1-O amar sem dizer- sim é uma doença crónica, talvez por escrever e achar que as palavras estão gastas e já não conseguem, ou talvez nunca conseguiram, definir os sentimentos, dou por mim a amar a pessoa amada sem sequer ser capaz de lhe contar o que me vai na alma.
Resta-me a esperança de que ela saiba entender o meu silencio e continue a ser a luz que é, que um dia encontre a forma ideal de lhe dizer... de lhe mostar, ou talvez ela sabendo do que eu sinto me diga, me olhe de maneira a que eu veja que ela sabe, ou até me beije, que faça o que quiser... que façamos o que a vida quiser. juntos ou separados, onde for que nos levem o nossos rumos, mas na certeza de que no fundo ambos saibamos o que vai no coração um do outro, neste reino qualquer de silencio. E depois quem disse que o amor tinha de ser feito de palavras.
2-O ar perdido- algumas pessoas acham que sou muito taciturno e pareço andar por Leiria sem saber onde vou, outras vêem-me com um ar distante e nocturno como se olha-se ao longe sem destino. Para essas pessoas fica o esclarecimento, não estou perdido, longe disso, não estou só, pelo contrário, como tenho muitos amigos em Leiria, como tenho muitas ocupações, Bloco, teatro, trabalho etc.. o mais certo é que esteja a ir de ocupação para ocupação, ou a fazer tempo entre elas , depois o mais giro é que acabo sempre por encontrar alguém amigo e dar dois dedos de conversa, beber aquele cafézito, ouvir de alguém novas dos dias. Ganha-se muito em não estar encafuado em casa, acho que estar na rua é das pequenas liberdades que ainda conservo, um prazer tão grande como aquele que teria um fumador se fumasse o primeiro cigarro matinal Quanto ao olhar distante, como se buscasse o vazio, essa é uma faceta que tem a ver comigo, de facto olho ao longe e se querem saber olho mesmo o vazio, a novidade para alguns é que não o olho de uma forma perdida, mas com o propósito de beber dele alguma coisa. O vazio tem tanto de belo como de horripilante, tanto de temível como de desejável, tanto de vida como de morte. A mim o vazio, o vácuo, o nada para que as vezes dou por mim a olhar ensina-me que além do que os meus olhos vêem há algo diferente, algo que é tão real e tão alcançável como aquilo que vemos mas que está simplesmente além do alcançável pela minha visão, algo de místico, intemporal, mas que é tão real como todas as coisas reais, se calhar a metade meia cheia do copo meio vazio, se calhar a face escura da lua simplesmente à espera da rotação perfeita para se tornar visível. Depois disto confesso que sempre que olho o infinito, vêem-me a cabeça aquela frase do mascarilha quando parte com o índio Tonto para mais uma caminhada ao por-do-sol... ao infinito e mais além.
3-O teatro- desenganem-se aqueles que pensam que tenho qualquer aspiração em ser um actor... estou ciente das minhas possibilidades e potencialidades . Estou no palco pela participação, pelo gozo que dá ir fazendo nascer um personagem na nossa cabeça e depois emprestar-lhe o nosso corpo, parte das nossas memórias. Estou no teatro e em particular no te-ato porque cada vez mais vejo o nosso grupo como um espaço de amigos, um espaço de aprendizagem de coisas verdadeiras únicas e simples. Pertenço ao grupo pela partilha que ele proporciona, pela essência que as pessoas que lá estão possuem e transmitem e se querem saber não trocaria este grupo por nenhum outro grupo de teatro e sóo deixarei quando a minha necessidade de ser útil ou o meu sonho me levarem para outras paragens.
4-O bloco – O bloco de esquerda é simplesmente o espaço que encontrei para dar azo a minha participação política e cívica activas, um espaço em que na companhia de alguém que se tornou um grande amigo vou descobrindo formas de não ser apático e indiferente, um lugar onde coma minha criatividade, o meu sonho e alguma irreverência vou podendo distanciar-me do rebanho azul laranja e dar voz as minhas convicções, isto sem qualquer aspiração politica e partidária.
5-A poesia – A minha forma única de dizer amor, vida, sonho, morte, a minha necessidade de refúgio, a minha aproximação à essência, o meu grito, os meus medos, as minhas culpas e desculpas, a forma suis generis de dizer segredos de ir sobrevivendo aos dias, aos cansaços, as tiranias e aos embaraços, sobretudo a minha forma de ser, de dar, de amar, longe das grilhetas e dos marasmos, longe da prisão dos dias e das dores, como se navegasse contra a corrente e acreditasse que os dias que me vão escapando por entre os dedos quando escrevo não me doem.
sexta-feira, março 17, 2006
Bom fim de semana
Hoje vou deixar-vos um texto de pablo neruda, para que a felicidade seja hoje e sempre uma luta diária.
que na vida ousem sonhar sempre.
morre lentamente
quem não vira a mesa
quando está infeliz com o seu trabalho
quem não arrisca o certo pelo incerto
para ir atrás de um sonho,
quem não se permite
pelo menos uma vez na vida,
fugir dos conselhos sensatos.
pablo neruda.
que na vida ousem sonhar sempre.
morre lentamente
quem não vira a mesa
quando está infeliz com o seu trabalho
quem não arrisca o certo pelo incerto
para ir atrás de um sonho,
quem não se permite
pelo menos uma vez na vida,
fugir dos conselhos sensatos.
pablo neruda.
segunda-feira, março 13, 2006
se o silencio falasse
se o silencio falasse, se por traz do nada, se ouvisse o mormurio do que não sei dizer, se no sopro do vento algo de vacuo se substituisse as palavras e aos sonhos os homens fossem mais felizes e a linguagem do verdadeiro amor fosse realmente universal.
como o silencio não fala, como não aprendemos a escuta-lo, como não entendemos ainda a sua aura, andamos por aqui perdidos, uns e outros amordaçados a este reino de palavras, acorrentados as significações.
como o silencio não fala, como não aprendemos a escuta-lo, como não entendemos ainda a sua aura, andamos por aqui perdidos, uns e outros amordaçados a este reino de palavras, acorrentados as significações.
quinta-feira, março 09, 2006
a morte
as vezes a morte passa-me por entre os dedos e percorre o meu corpo, como se me quisesse sugar a pele, sorver a alma.
parece que há algo em mim que aspira ao fim,ao principio de todos os recomeços, como se me quisesse libertar dos dias maus, dos vazios.... levar-me ao sossego... depois o sopro da vida, um turpor qualquer faz-me acordar, faz-me erguer, como se encontrasse em pequenos nadas a coragem de suportar.
meu deus .... as vezes pergunto-me porque raio não nasci numa ilha deserta, uma ilha qualquer desprovida de escrita, desprovida de tecnologia e de civilização.
Sinto-me cada vez mais embrutecido pelo saber, cada vez mais longe da verdadeira luz.
parece que há algo em mim que aspira ao fim,ao principio de todos os recomeços, como se me quisesse libertar dos dias maus, dos vazios.... levar-me ao sossego... depois o sopro da vida, um turpor qualquer faz-me acordar, faz-me erguer, como se encontrasse em pequenos nadas a coragem de suportar.
meu deus .... as vezes pergunto-me porque raio não nasci numa ilha deserta, uma ilha qualquer desprovida de escrita, desprovida de tecnologia e de civilização.
Sinto-me cada vez mais embrutecido pelo saber, cada vez mais longe da verdadeira luz.
domingo, março 05, 2006
o amor.. nas maravilhosas palavras da lady x

Amor
Amor,
O que será isto?
Não sei, ainda não sei,
Talvez não me deixe saber ou,
Me não deixem saber.
Sei duas coisas,
O amor vale por dois únicos motivos,
O tudo e o nada!
Em amor, vale o tudo,
O dar sem receber,
O sorrir sem chorar,
O tocar sem mãos,
O respirar pelas nuvens,
O metal fundente agarrado ao nosso corpo,
As flores a alimentar um qualquer jardim,
Os olhares nos olhos,
Tudo.
O nada, não vale.
Quero amar,
Tenho o tudo para dar a quem o queira realmente.
Quero amar e tudo,
Não tenho é palavras para o dizer,
A alguém,
Não tenho violinos que o digam,
Não será preciso. Bastará dá-lo.
Sem o perceber,
Sem as mãos o conseguirem escrever,
Sem a boca o pronunciar,
Mas com os olhos a jorrar de tudo,
Com o corpo a ziguezaguear por entre estradas infinitas,
de tudo e de nada.
Lady X
quinta-feira, março 02, 2006
Uma flor
"Uma flor nasceu na rua!
Passem de longe, bondes, ónibus,
Rio de aço do tráfego.
Uma flor ainda desbotada
Ilude a polícia,
rompe o asfalto
Façam completo silencio,
paralisem os negócios,
Garanto que uma flor nasceu."
Cecília Meirelles
Que essa flor possa ser a liberdade ...
enfim... ser o amor... enfim... ser a vida.
A mesma vida que teima em fugir-me dia a dia,
segundo a segundo.
Que esta flor possa ser o teu sopro, o fim de todos o prantos,
o princípio de todos os cantos, ... todos os sonhos.
Que esta flor possa ser o começo de todos os recomeços,
o encontro de todos os reencontros ou mesmo o reencontro
de todos os desencontros.
Um bem querer maior do que qualquer querer,
um gesto, um abraço, o teu sorriso ou simplesmente um beijo...
esse beijo só teu
que ainda hei-de dar
Passem de longe, bondes, ónibus,
Rio de aço do tráfego.
Uma flor ainda desbotada
Ilude a polícia,
rompe o asfalto
Façam completo silencio,
paralisem os negócios,
Garanto que uma flor nasceu."
Cecília Meirelles
Que essa flor possa ser a liberdade ...
enfim... ser o amor... enfim... ser a vida.
A mesma vida que teima em fugir-me dia a dia,
segundo a segundo.
Que esta flor possa ser o teu sopro, o fim de todos o prantos,
o princípio de todos os cantos, ... todos os sonhos.
Que esta flor possa ser o começo de todos os recomeços,
o encontro de todos os reencontros ou mesmo o reencontro
de todos os desencontros.
Um bem querer maior do que qualquer querer,
um gesto, um abraço, o teu sorriso ou simplesmente um beijo...
esse beijo só teu
que ainda hei-de dar
sexta-feira, fevereiro 24, 2006
o porque de não te escrever um poema
o texto que se segue já é um bocadinho antigo mas continua tão actual como a vontade que tenho de te abraçar.
Quero escrever-te um poema...
Como posso eu escrever-te um poema.???
Como posso eu dizer-te o que me vai na alma ?
Descodificar-te o sonho?
Torna-lo tão real que nem a ode critica dos tempos o poderá sublimar .
Se ao menos pudesse esculpir o meu sonho na areia de uma praia!!!
Mas não... é impossível esculpir o sonho. Dar-lhe materialidade .
O sonho há muito que transcendeu os corpos e se sublimou num murmúrio, sem gestos, sem palavras. Porque as palavras são a mera sublimação dos sonhos que sonhamos.
Ainda assim se procurasse esculpir o meu sonho na areia por certo o mar iria rebelar-se fazendo sucumbir as formas e os contornos, desgastando os enredos como se um sinal divino insistisse em lembrar-me que é demasiado ousado retractar algo tão belo, tão doce.
Talvez esse mesmo deus, seja o deus que impede os artistas de pintar o pôr-do-sol ou aos poetas de alcançarem a verdadeira definição de amor.
No entanto essas interdições são verdadeiramente mais democráticas que a que me impede de escrever-te sobre o meu sonho pois o pôr-do-sol acontece para todos. Podes beijá-lo de lábios cerrados.... ele nunca se irá embora, nunca te irá deixar só. Quanto ao amor, talvez a impossibilidade de definir o amor seja uma dádiva, mais do que um interdito ou proibição.
Afinal a definição dos sentimentos esgota-os tornando-os na sua própria “imagem” e a imagem do sentimento não possui a essência que lhe pretendemos transmitir.
Acredito nisso, embora possa estar errado.
No fundo é também isso que me impede de dar voz ao meu sonho.
Dói-me pensar que não consigo dizer “ ... “ .
Dói-me não conseguir vomitar todas as palavras que permanecem remordidas nos meus lábios e me encantam, porque as sinto, mas que me corroem o coração por não saber dar-lhes corpo e voz.
Sinto-me egoísta por te privar do meu sonho. Embora talvez o faça para te proteger das minhas dores.
Assim poderás ser sempre luz e não sentirás vontade de penetrar no reino das minhas sombras. E eu poderei sofrer sozinho sem receio de aprisionar-te .
Pediste-me um poema...
Como posso eu escrever-te um poema..??..
Como posso descrever-te???
Que palavras irão caracterizar o teu sorriso terno e aconchegante???
Como irei retractar o teu olhar imenso e profundo, verdadeira expressão dessa capacidade de abraçar o mundo??
Não consigo. Acredita.
Se ainda assim pudesse pintar o teu retrato com aguarelas mágicas provenientes do seio da mãe terra. Talvez pudesse colorir o teu olhar com as gotas ténues do orvalho matinal, tombadas sobre a quietude dos cálidos regatos. Isso talvez retractasse a beleza do teu olhar, mas a sua profundidade e dimensão só seria retractada pela magnitude do oceano.
E conjugar de uma forma harmónica uma gota de orvalho de um regato com todo um mar é algo de tão verdadeiramente irrealizável que se compara ao desejo de sorver o mar inteiro de uma golfada.
Quanto ao teu sorriso!!! Só conseguiria retracta-lo se roubasse um pedaço á lua cheia. Pois só a lua têm o mesmo impacto que o teu sorriso exerce sobre mim. Só ela é verdadeiramente luminosa e magnética .
E mesmo ela, por mais que brilhe para todos, esta sujeita ás contrariedades deste mundo em que vivemos. O teu sorriso esse irá manter-se sempre aceso, só espero que as contrariedades da vida não apaguem também a sua luz, isso seria letal para mim, mais do que perder-me a mim próprio, pois iria significar a impossibilidade de encontrar-me.
Pediste-me um poema...
Como posso eu descrever a energia que libertas quando danças, como posso revelar-te a achese perfeita de harmonia que inspiras quando te moves, cada gesto altivo mas humilde que descreves?
Poderia fotografar o voo dos flamingos ao pôr-do-sol, num cenário africano proveniente dos veios da terra vermelha. Talvez pudesse tentá-lo embora não o tenha visualizado pessoalmente pois em tenra idade me tornei “apátrida”.
Deste modo a minha visualização do pôr-do-sol é a simples memória que tenho das descrições feitas pelo meu avó, quando me falava da saudade que tinha dos espaços abertos e das suas caçadas.
Se te deixar de ver, no palco ou na vida, irei sentir uma saudade imensa de ti, tal como ele tinha de África. Uma saudade tão grande que não saberei descrever nem colmatar pois não sei descrever a saudade que tenho de ti, se nem sequer sei falar-te da vontade que tenho de te abraçar, se nem sequer sei exprimir a importância que o facto de ouvir a tua voz desempenha nos meus dias.
Pediste-me um poema ....
Como posso eu escrever-te um poema???
Como posso eu escrever algo de vivo ?
Já escrevi muito, já me dei muito... Mas nunca renasci na presença aconchegante de alguém como tu.
Nunca me vi no espelho de um olhar que reflicta um sorriso tão terno e delicioso como o teu.
Juro-te.... nunca conseguiria dar ás palavras a eloquência e a transcendência que mereces. Todas elas já foram desgastadas e enclausuradas na masmorra das minhas dores e eu assistiria impotente a sua morte, não fosse o facto de te ter conhecido e de me teres emprestado o teu sorrir.
Agora todas elas estão ainda fracas e moribundas e permanecem escondidas nas reentrâncias que tenho nos lábios com medo que te afastes ao ouvi-las, pois todas elas parecem demasiado obsoletas para descrever o que sinto por ti.
Como posso escrever-te um poema??
Demonstrar que te quero muito???
Como posso revelar-te o brilho que a tua presença vai devolvendo ao meu olhar.
Será que sabes como faze-lo???
Sinto-me inerte, é tudo demasiado colossal.
Tão colossal como a vontade que tenho de te dizer tudo, como o medo que tenho de te magoar e de te perder.
Talvez tu entendas as palavras que não digo, talvez tu possuas o olhar que te leva a ver para além do visível como se te permitisses a oscultar-me a alma e sorver-me o que não sei dizer.
Assim talvez entendas o meu silêncio e por mais que a dor do que não sei dizer me afogue a alma essa réstia de mim estará verdadeiramente mais segura e viva no aconchego do teu coração . Pelo que poderei descansar reconfortado no alento do teu sorriso amigo.
Começará assim o sonho e findar-se-á a escuridão.
Mas sobretudo saberás que estarei sempre por perto, como e quando o quiseres. E se quiseres poderás encostar a tua cabeça no meu ombro e falar-me das tuas dores, desabafar comigo todos os sonhos. Eu estarei sempre aqui. Mesmo se me for, mesmo se me findar.
Quero escrever-te um poema...
Como posso eu escrever-te um poema.???
Como posso eu dizer-te o que me vai na alma ?
Descodificar-te o sonho?
Torna-lo tão real que nem a ode critica dos tempos o poderá sublimar .
Se ao menos pudesse esculpir o meu sonho na areia de uma praia!!!
Mas não... é impossível esculpir o sonho. Dar-lhe materialidade .
O sonho há muito que transcendeu os corpos e se sublimou num murmúrio, sem gestos, sem palavras. Porque as palavras são a mera sublimação dos sonhos que sonhamos.
Ainda assim se procurasse esculpir o meu sonho na areia por certo o mar iria rebelar-se fazendo sucumbir as formas e os contornos, desgastando os enredos como se um sinal divino insistisse em lembrar-me que é demasiado ousado retractar algo tão belo, tão doce.
Talvez esse mesmo deus, seja o deus que impede os artistas de pintar o pôr-do-sol ou aos poetas de alcançarem a verdadeira definição de amor.
No entanto essas interdições são verdadeiramente mais democráticas que a que me impede de escrever-te sobre o meu sonho pois o pôr-do-sol acontece para todos. Podes beijá-lo de lábios cerrados.... ele nunca se irá embora, nunca te irá deixar só. Quanto ao amor, talvez a impossibilidade de definir o amor seja uma dádiva, mais do que um interdito ou proibição.
Afinal a definição dos sentimentos esgota-os tornando-os na sua própria “imagem” e a imagem do sentimento não possui a essência que lhe pretendemos transmitir.
Acredito nisso, embora possa estar errado.
No fundo é também isso que me impede de dar voz ao meu sonho.
Dói-me pensar que não consigo dizer “ ... “ .
Dói-me não conseguir vomitar todas as palavras que permanecem remordidas nos meus lábios e me encantam, porque as sinto, mas que me corroem o coração por não saber dar-lhes corpo e voz.
Sinto-me egoísta por te privar do meu sonho. Embora talvez o faça para te proteger das minhas dores.
Assim poderás ser sempre luz e não sentirás vontade de penetrar no reino das minhas sombras. E eu poderei sofrer sozinho sem receio de aprisionar-te .
Pediste-me um poema...
Como posso eu escrever-te um poema..??..
Como posso descrever-te???
Que palavras irão caracterizar o teu sorriso terno e aconchegante???
Como irei retractar o teu olhar imenso e profundo, verdadeira expressão dessa capacidade de abraçar o mundo??
Não consigo. Acredita.
Se ainda assim pudesse pintar o teu retrato com aguarelas mágicas provenientes do seio da mãe terra. Talvez pudesse colorir o teu olhar com as gotas ténues do orvalho matinal, tombadas sobre a quietude dos cálidos regatos. Isso talvez retractasse a beleza do teu olhar, mas a sua profundidade e dimensão só seria retractada pela magnitude do oceano.
E conjugar de uma forma harmónica uma gota de orvalho de um regato com todo um mar é algo de tão verdadeiramente irrealizável que se compara ao desejo de sorver o mar inteiro de uma golfada.
Quanto ao teu sorriso!!! Só conseguiria retracta-lo se roubasse um pedaço á lua cheia. Pois só a lua têm o mesmo impacto que o teu sorriso exerce sobre mim. Só ela é verdadeiramente luminosa e magnética .
E mesmo ela, por mais que brilhe para todos, esta sujeita ás contrariedades deste mundo em que vivemos. O teu sorriso esse irá manter-se sempre aceso, só espero que as contrariedades da vida não apaguem também a sua luz, isso seria letal para mim, mais do que perder-me a mim próprio, pois iria significar a impossibilidade de encontrar-me.
Pediste-me um poema...
Como posso eu descrever a energia que libertas quando danças, como posso revelar-te a achese perfeita de harmonia que inspiras quando te moves, cada gesto altivo mas humilde que descreves?
Poderia fotografar o voo dos flamingos ao pôr-do-sol, num cenário africano proveniente dos veios da terra vermelha. Talvez pudesse tentá-lo embora não o tenha visualizado pessoalmente pois em tenra idade me tornei “apátrida”.
Deste modo a minha visualização do pôr-do-sol é a simples memória que tenho das descrições feitas pelo meu avó, quando me falava da saudade que tinha dos espaços abertos e das suas caçadas.
Se te deixar de ver, no palco ou na vida, irei sentir uma saudade imensa de ti, tal como ele tinha de África. Uma saudade tão grande que não saberei descrever nem colmatar pois não sei descrever a saudade que tenho de ti, se nem sequer sei falar-te da vontade que tenho de te abraçar, se nem sequer sei exprimir a importância que o facto de ouvir a tua voz desempenha nos meus dias.
Pediste-me um poema ....
Como posso eu escrever-te um poema???
Como posso eu escrever algo de vivo ?
Já escrevi muito, já me dei muito... Mas nunca renasci na presença aconchegante de alguém como tu.
Nunca me vi no espelho de um olhar que reflicta um sorriso tão terno e delicioso como o teu.
Juro-te.... nunca conseguiria dar ás palavras a eloquência e a transcendência que mereces. Todas elas já foram desgastadas e enclausuradas na masmorra das minhas dores e eu assistiria impotente a sua morte, não fosse o facto de te ter conhecido e de me teres emprestado o teu sorrir.
Agora todas elas estão ainda fracas e moribundas e permanecem escondidas nas reentrâncias que tenho nos lábios com medo que te afastes ao ouvi-las, pois todas elas parecem demasiado obsoletas para descrever o que sinto por ti.
Como posso escrever-te um poema??
Demonstrar que te quero muito???
Como posso revelar-te o brilho que a tua presença vai devolvendo ao meu olhar.
Será que sabes como faze-lo???
Sinto-me inerte, é tudo demasiado colossal.
Tão colossal como a vontade que tenho de te dizer tudo, como o medo que tenho de te magoar e de te perder.
Talvez tu entendas as palavras que não digo, talvez tu possuas o olhar que te leva a ver para além do visível como se te permitisses a oscultar-me a alma e sorver-me o que não sei dizer.
Assim talvez entendas o meu silêncio e por mais que a dor do que não sei dizer me afogue a alma essa réstia de mim estará verdadeiramente mais segura e viva no aconchego do teu coração . Pelo que poderei descansar reconfortado no alento do teu sorriso amigo.
Começará assim o sonho e findar-se-á a escuridão.
Mas sobretudo saberás que estarei sempre por perto, como e quando o quiseres. E se quiseres poderás encostar a tua cabeça no meu ombro e falar-me das tuas dores, desabafar comigo todos os sonhos. Eu estarei sempre aqui. Mesmo se me for, mesmo se me findar.
quarta-feira, fevereiro 15, 2006
há músicas eternas
Porque há músicas eternas, músicas que estão associadas a momentos, a pessoas que foram especiais e que nos fizeram sonhar deixo-vos aquela que poderia ser a música da minha vida, porque há sentimentos que podemos sentir e não saber dizer.
Simplesmente porque no amor poderia fazer tudo, menos isso.
bem ajam os que sabem o valor do amor
Meatloaf - I'D DO ANYTHING FOR LOVE (BUT I WONT DO THAT)
And I would do anything for love,
I'd run right into hell and back,
I would do anything for love,
I'll never lie to you and thats a fact.
But I'll never forget the way you feel right now
- Oh no - no way - I would do anything for love,
But I wont do that, I wont do that, anything for love,
I would do anything for love, I would do anything for love,
But I wont do that, I wont do that.
Some days it dont come easy,
Some days it dont come hard
Some days it dont come at all,
And these are the days that never end.
Some nights you breath fire,
Some nights your carved in ice,
Some nights your like nothing I've ever seen before, Or will
again.
Maybe Im crazy, But it's crazy and it's true,
I know you can save me, No one else can save me now but you.
As long as the planets are turning,
As long as the stars are burning,
As long as your dreams are coming true - You better believe it!
-
That I would do anything for love,
And I'll be there until the final act -
I would do anything for love!
And I'll take a Vow and Seal a pact -
But I'll never forgive myself if we dont go all the way -
Tonight -
I would do anything for love!
I would do anything for love,
I would do anything for love,
But I wont do that, I wont do that...
I would do anything for love,
Anything you've been dreaming of,
But I just wont do that...
Some days I pray for Silence,
Some days I pray for Soul,
Some days I just pray to the God of Sex and Drums and Rock 'N'
Roll.
Some nights I lose the feeling,
Some nights I lose control,
Some nights I just lose it all when I watch you dance and the
thunder rolls.
Maybe I'm lonely, And thats all I'm qualified to be,
There's just one and only, The one and only promise I can keep.
As long as the wheels are turning,
As long as the fires are burning,
As long as your prayers are coming true - You better believe it
- !
That I would do anything for love!
And you know it's true and thats a fact,
I would do anything for love!
And there'll never be no turning back -
But I'll never do it better than I do it with you,
So long - So long - I would do anything for love,
I would do anything for love,
I would do anything for love,
I would do anything for love,
But I wont do that, I wont do that!
I would do anything for love,
Anything you've been dreaming of,
But I just wont do that...
But I'll never stop dreaming of you
Everynight of my life - No Way -
I would do anything for love,
I would do anything for love,
I would do anything for love,
But I wont do that, I wont do that!
Girl : Will you raise me up?
Will you help me down?
Will you help get me right out of this Godforsaken town?
Will you make it a little less cold?
Boy : I can do that!
I can do that!
Girl : Will you hold me sacred?
will
you hold me tight?
Can you colorize my life I'm so sick of black and white?
Can you make it a little less old?
Boy : I can do that!
I can do that!
Girl : Will you make me some magic, with your own two hands?
Can you build an Emerald city with thes
e grains of sand?
Can you give me something that I can take home?
Boy : I can do that!
I can do that!
Girl : Will you cater to every fantasy that I've got?
Will ya hose me down with holy water - if I get too hot - ?
Will you take me to places that
I've never known?
Boy : I can do that!
I can do that!
Girl : Afert a while you'll forget everything,
It was a brief interlude, And a midsummer night's fling,
And you'll see that it's time to move on.
Boy : I wont do that!
I wont do that!
Girl : I know the territory - I've been around,
It'll all turn to dust and we'll all fall down,
And sooner or later you'll be screwing around.
Boy : I wont do that!
I wont do that!
Anything for love, I would do anything for love,
I would do anything for love,
But I wont do that, I wont do that.
Simplesmente porque no amor poderia fazer tudo, menos isso.
bem ajam os que sabem o valor do amor
Meatloaf - I'D DO ANYTHING FOR LOVE (BUT I WONT DO THAT)
And I would do anything for love,
I'd run right into hell and back,
I would do anything for love,
I'll never lie to you and thats a fact.
But I'll never forget the way you feel right now
- Oh no - no way - I would do anything for love,
But I wont do that, I wont do that, anything for love,
I would do anything for love, I would do anything for love,
But I wont do that, I wont do that.
Some days it dont come easy,
Some days it dont come hard
Some days it dont come at all,
And these are the days that never end.
Some nights you breath fire,
Some nights your carved in ice,
Some nights your like nothing I've ever seen before, Or will
again.
Maybe Im crazy, But it's crazy and it's true,
I know you can save me, No one else can save me now but you.
As long as the planets are turning,
As long as the stars are burning,
As long as your dreams are coming true - You better believe it!
-
That I would do anything for love,
And I'll be there until the final act -
I would do anything for love!
And I'll take a Vow and Seal a pact -
But I'll never forgive myself if we dont go all the way -
Tonight -
I would do anything for love!
I would do anything for love,
I would do anything for love,
But I wont do that, I wont do that...
I would do anything for love,
Anything you've been dreaming of,
But I just wont do that...
Some days I pray for Silence,
Some days I pray for Soul,
Some days I just pray to the God of Sex and Drums and Rock 'N'
Roll.
Some nights I lose the feeling,
Some nights I lose control,
Some nights I just lose it all when I watch you dance and the
thunder rolls.
Maybe I'm lonely, And thats all I'm qualified to be,
There's just one and only, The one and only promise I can keep.
As long as the wheels are turning,
As long as the fires are burning,
As long as your prayers are coming true - You better believe it
- !
That I would do anything for love!
And you know it's true and thats a fact,
I would do anything for love!
And there'll never be no turning back -
But I'll never do it better than I do it with you,
So long - So long - I would do anything for love,
I would do anything for love,
I would do anything for love,
I would do anything for love,
But I wont do that, I wont do that!
I would do anything for love,
Anything you've been dreaming of,
But I just wont do that...
But I'll never stop dreaming of you
Everynight of my life - No Way -
I would do anything for love,
I would do anything for love,
I would do anything for love,
But I wont do that, I wont do that!
Girl : Will you raise me up?
Will you help me down?
Will you help get me right out of this Godforsaken town?
Will you make it a little less cold?
Boy : I can do that!
I can do that!
Girl : Will you hold me sacred?
will
you hold me tight?
Can you colorize my life I'm so sick of black and white?
Can you make it a little less old?
Boy : I can do that!
I can do that!
Girl : Will you make me some magic, with your own two hands?
Can you build an Emerald city with thes
e grains of sand?
Can you give me something that I can take home?
Boy : I can do that!
I can do that!
Girl : Will you cater to every fantasy that I've got?
Will ya hose me down with holy water - if I get too hot - ?
Will you take me to places that
I've never known?
Boy : I can do that!
I can do that!
Girl : Afert a while you'll forget everything,
It was a brief interlude, And a midsummer night's fling,
And you'll see that it's time to move on.
Boy : I wont do that!
I wont do that!
Girl : I know the territory - I've been around,
It'll all turn to dust and we'll all fall down,
And sooner or later you'll be screwing around.
Boy : I wont do that!
I wont do that!
Anything for love, I would do anything for love,
I would do anything for love,
But I wont do that, I wont do that.
terça-feira, fevereiro 14, 2006
será
no dia dos namorados, para os que ainda amam e dizem, para os que amam e não dizem, para os que amam tanto e não precisam de o dizer, para os que amam e não sabem ou pensam ser amados sem o ser, deixo-vos um poema de augusto cacá., não porque tenha algo a vercom o amor mas porque me apetece.
mas será tão forte assim o nosso algoz?
pode alguém substarir a nossa esperança?
só se não soubermos nem quem somos nós
nem de onde brotam os sonhos de criança.
E o que somos é fruto do que fazemos
E, por isso, hoje nos reconhecemos .
operários de um país.
mas será tão forte assim o nosso algoz?
pode alguém substarir a nossa esperança?
só se não soubermos nem quem somos nós
nem de onde brotam os sonhos de criança.
E o que somos é fruto do que fazemos
E, por isso, hoje nos reconhecemos .
operários de um país.
segunda-feira, fevereiro 13, 2006
as vezes...
Porque este poema de Affonso Romano de Sant ´Anna retrata como ninguem o turbilhão em que me encontro, esse turbilhão de que não sei falar, não sei dizer.
"ás vezes pequenos grandes terremotos
ocorrem do lado esquerdo do meu peito.
Fora, não se dão conta os desatentos.
Os mais intímos
já me viram remescendo escombros.
Em mim há algo de imóvel e soterrado
em permanente assombro"
"ás vezes pequenos grandes terremotos
ocorrem do lado esquerdo do meu peito.
Fora, não se dão conta os desatentos.
Os mais intímos
já me viram remescendo escombros.
Em mim há algo de imóvel e soterrado
em permanente assombro"
quinta-feira, fevereiro 09, 2006
o poema que escrevi no alinhavar
Amigos deixo-vos um poema que escrevi no sábado passado em sms, quando estava num bar da cidade... como se me quisesse lembrar que a escrita ainda mora em mim.
Obrigado as pessoas que estavam comigo e em particular a Catarina por me terem inspirado.
Fiz apenas duas pquenas alterações ao original , na sms estava um bocado confuso.
bem ajam a todos .
Sou um vadio sem jeito
No laivo frio dos dias.
Ando parado em busca de cantigas
Histórias que contei a raparigas
Dos sonhos que sonhei em desalinho.
Sou um vadio do tempo
Desse tempo que já partiu
Quando só eu fiquei...
Só eu me dei...
Trago apenas na algibeira da alma
Guardada nos confins do coração
A fome que guardo sem medo
Dosmedos guardados dos dias.
E vivo louco loucos degredos...
Vestigios das tuas magias.
Ai quem dera
poder beber numa golfada....
o teu sorriso.
Ai quem me dera...
Ser fera de ti no paraíso...
Ai quem me dera
Ser vera verdade da primavera.
Ser corpo de ti em leito de sal
E no final, quando eu me for.....
Fazer de alguém estás palavras...
Quando em silencio, ficarem
Apenas sós as guitarras
E no meio da noite
O bêbado profeta gritar
Que o poeta morreu.
Obrigado as pessoas que estavam comigo e em particular a Catarina por me terem inspirado.
Fiz apenas duas pquenas alterações ao original , na sms estava um bocado confuso.
bem ajam a todos .
Sou um vadio sem jeito
No laivo frio dos dias.
Ando parado em busca de cantigas
Histórias que contei a raparigas
Dos sonhos que sonhei em desalinho.
Sou um vadio do tempo
Desse tempo que já partiu
Quando só eu fiquei...
Só eu me dei...
Trago apenas na algibeira da alma
Guardada nos confins do coração
A fome que guardo sem medo
Dosmedos guardados dos dias.
E vivo louco loucos degredos...
Vestigios das tuas magias.
Ai quem dera
poder beber numa golfada....
o teu sorriso.
Ai quem me dera...
Ser fera de ti no paraíso...
Ai quem me dera
Ser vera verdade da primavera.
Ser corpo de ti em leito de sal
E no final, quando eu me for.....
Fazer de alguém estás palavras...
Quando em silencio, ficarem
Apenas sós as guitarras
E no meio da noite
O bêbado profeta gritar
Que o poeta morreu.
sábado, fevereiro 04, 2006
ainda o amor
Este post é ainda sobre o amor essa essencia que teima em escapar-se dos meus dedos, da minha alma...
Não pretendo ditar sentenças sobre este sentimento, afinal sei tão pouco dele, tão pouco do que dele se constroi.
Acreditem ... houve tempos em que me achava o último dos romanticos, o ultimo dos herois frígios que netendia o valor de enviar a pessoa querida um ramo de flores, só o ramo, sem palavras, sem gestos,o último capaz de distinguir pedacinho a pedacinho a composição das lágrimas da pessoa amada,e acreditem mesmo que ela chorasse por outro era capaz de a amparar sem falar,sem sair de cena, mesmo que no fim da noite, depois de a deixar bem reparasse que afinal sempre estive só.
Longe vai o tempo em que era capaz de gritar o amor a sete ventos, de o fazer sair a rua em poemas, em pedacinhso de papel ou ao som da viola... hoje se o faço é apenas por encomenda ou as escondidaspois para mim as palavras parecem todas gastas como se fossem anjos atormentados num céu que já não existe, que está a beira do fim.
Sabem a idade ensinou-me que cadavez sei menos sobre o amor, sobre essa infindavel capacidade de ser, de sonhar de suportar e o sofrimento fez-me sentir cobarde e faz-me não dizer o que sinto, o que sonho, por quem sonho.
Talvez por me sentir amordaçado deixo-vos as palavras sábias de
Carlos Drummond de Andrade, que vos deixa o que ele chama conselhos de um velho apaixonado, talvez porque apesar de tudo ele e eu ainda acreditemos que o amor existe.
beijo para qume for de beijo abraço para quem fopr de abraço
"Quando encontrar alguém e esse alguém fizer seu coração parar de funcionar por alguns segundos, preste atenção: pode ser a pessoa mais importante da sua vida.
Se os olhares se cruzarem e, neste momento, houver o mesmo brilho intenso entre eles, fique alerta: pode ser a pessoa que você está esperando desde o dia em que nasceu.
Se o toque dos lábios for intenso, se o beijo for apaixonante, e os olhos se encherem dágua neste momento, perceba: existe algo mágico entre vocês.
Se o 1º e o último pensamento do seu dia for essa pessoa, se a vontade de ficar juntos chegar a apertar o coração, agradeça: Algo do céu te mandou um presente divino :
O AMOR.
Se um dia tiverem que pedir perdão um ao outro por algum motivo e,em troca, receber um abraço, um sorriso, um afago nos cabelos e os gestos valerem mais que mil palavras, entregue-se: vocês foram feitos um para o outro.
Se por algum motivo você estiver triste, se a vida te deu uma rasteira e a outra pessoa sofrer o seu sofrimento, chorar as suas Lágrimas e enxugá-las com ternura, que coisa maravilhosa: você poderá contar com ela em qualquer momento de sua vida.
Se você conseguir, em pensamento, sentir o cheiro da pessoa como se ela estivesse ali do seu lado...
Se você achar a pessoa maravilhosamente linda, mesmo ela estando de pijamas velhos, chinelos de dedo e cabelos emaranhados...
Se você não consegue trabalhar direito o dia todo, ansioso pelo encontro que está marcado para a noite...
Se você não consegue imaginar, de maneira nenhuma, um futuro sem a pessoa ao seu lado...
Se você tiver a certeza que vai ver a outra envelhecendo e, mesmo assim, tiver a convicção que vai continuar sendo louco por ela...
Se você preferir fechar os olhos, antes de ver a outra partindo: é o amor que chegou na sua vida.
Muitas pessoas apaixonam-se muitas vezes na vida, mas poucas amam ou encontram um amor verdadeiro.
Às vezes encontram e, por não prestarem atenção nesses sinais, deixam amor passar, sem deixá-lo acontecer verdadeiramente. É o livre-arbítrio.
Por isso, preste atenção nos sinais.
Não deixe que as loucuras do dia-a-dia o deixem cego para a melhor coisa da vida: O AMOR !!!
Não pretendo ditar sentenças sobre este sentimento, afinal sei tão pouco dele, tão pouco do que dele se constroi.
Acreditem ... houve tempos em que me achava o último dos romanticos, o ultimo dos herois frígios que netendia o valor de enviar a pessoa querida um ramo de flores, só o ramo, sem palavras, sem gestos,o último capaz de distinguir pedacinho a pedacinho a composição das lágrimas da pessoa amada,e acreditem mesmo que ela chorasse por outro era capaz de a amparar sem falar,sem sair de cena, mesmo que no fim da noite, depois de a deixar bem reparasse que afinal sempre estive só.
Longe vai o tempo em que era capaz de gritar o amor a sete ventos, de o fazer sair a rua em poemas, em pedacinhso de papel ou ao som da viola... hoje se o faço é apenas por encomenda ou as escondidaspois para mim as palavras parecem todas gastas como se fossem anjos atormentados num céu que já não existe, que está a beira do fim.
Sabem a idade ensinou-me que cadavez sei menos sobre o amor, sobre essa infindavel capacidade de ser, de sonhar de suportar e o sofrimento fez-me sentir cobarde e faz-me não dizer o que sinto, o que sonho, por quem sonho.
Talvez por me sentir amordaçado deixo-vos as palavras sábias de
Carlos Drummond de Andrade, que vos deixa o que ele chama conselhos de um velho apaixonado, talvez porque apesar de tudo ele e eu ainda acreditemos que o amor existe.
beijo para qume for de beijo abraço para quem fopr de abraço
"Quando encontrar alguém e esse alguém fizer seu coração parar de funcionar por alguns segundos, preste atenção: pode ser a pessoa mais importante da sua vida.
Se os olhares se cruzarem e, neste momento, houver o mesmo brilho intenso entre eles, fique alerta: pode ser a pessoa que você está esperando desde o dia em que nasceu.
Se o toque dos lábios for intenso, se o beijo for apaixonante, e os olhos se encherem dágua neste momento, perceba: existe algo mágico entre vocês.
Se o 1º e o último pensamento do seu dia for essa pessoa, se a vontade de ficar juntos chegar a apertar o coração, agradeça: Algo do céu te mandou um presente divino :
O AMOR.
Se um dia tiverem que pedir perdão um ao outro por algum motivo e,em troca, receber um abraço, um sorriso, um afago nos cabelos e os gestos valerem mais que mil palavras, entregue-se: vocês foram feitos um para o outro.
Se por algum motivo você estiver triste, se a vida te deu uma rasteira e a outra pessoa sofrer o seu sofrimento, chorar as suas Lágrimas e enxugá-las com ternura, que coisa maravilhosa: você poderá contar com ela em qualquer momento de sua vida.
Se você conseguir, em pensamento, sentir o cheiro da pessoa como se ela estivesse ali do seu lado...
Se você achar a pessoa maravilhosamente linda, mesmo ela estando de pijamas velhos, chinelos de dedo e cabelos emaranhados...
Se você não consegue trabalhar direito o dia todo, ansioso pelo encontro que está marcado para a noite...
Se você não consegue imaginar, de maneira nenhuma, um futuro sem a pessoa ao seu lado...
Se você tiver a certeza que vai ver a outra envelhecendo e, mesmo assim, tiver a convicção que vai continuar sendo louco por ela...
Se você preferir fechar os olhos, antes de ver a outra partindo: é o amor que chegou na sua vida.
Muitas pessoas apaixonam-se muitas vezes na vida, mas poucas amam ou encontram um amor verdadeiro.
Às vezes encontram e, por não prestarem atenção nesses sinais, deixam amor passar, sem deixá-lo acontecer verdadeiramente. É o livre-arbítrio.
Por isso, preste atenção nos sinais.
Não deixe que as loucuras do dia-a-dia o deixem cego para a melhor coisa da vida: O AMOR !!!
quinta-feira, janeiro 19, 2006
o amor... por Miguel Esteves Cardoso- ninguem o diria melhor
Hoje não me apetece colocar nada meu, mas também já não suporto o facto de não deixar aqui nada, estou farto de passar aqui e não colocar nada novo, de ver que ninguem comenta, as palavras são como um rio e porque todos os rios devem seguir o seu curso achei que era tempo de dar-vos novas correntes onde possam navegar.
as palavras que se seguem não são minhas mas de miguel esteves cardoso.. para pensarem e sentirem.
adoro-vos, desculpem andar meio perdido. estou com voces mesmo sem vir cá.
o elogio do amor
"Quero fazer o elogio do amor puro. Parece-me que já ninguém se apaixona de verdade. Já ninguém quer viver um amor impossível. Já ninguém aceita amar sem uma razão.
Hoje as pessoas apaixonam-se por uma questão de prática. Porque dá jeito. Porque são colegas e estão ali mesmo ao lado. Porque se dão bem e não se chateiam muito. Porque faz sentido. Porque é mais barato, por causa da casa. Por causa da cama. Por causa das cuecas e das calças e das contas da lavandaria.
Hoje em dia as pessoas fazem contratos pré-nupciais, discutem tudo de antemão, fazem planos e à mínima merdinha entram logo em "diálogo".
O amor passou a ser passível de ser combinado. Os amantes tornaram-se sócios. Reúnem-se, discutem problemas, tomam decisões. O amor transformou-se numa variante psico-sócio-bio-ecológica de camaradagem. A paixão, que devia ser desmedida, é na medida do possível. O amor tornou-se uma questão prática. O resultado é que as pessoas, em vez de se apaixonarem de verdade, ficam "praticamente" apaixonadas.
Eu quero fazer o elogio do amor puro, do amor cego, do amor estúpido, do amor doente, do único amor verdadeiro que há, estou farto de conversas, farto de compreensões, farto de conveniências de serviço.
Nunca vi namorados tão embrutecidos, tão cobardes e tão comodistas como os de hoje. Incapazes de um gesto largo, de correr um risco, de um rasgo de ousadia, são uma raça de telefoneiros e capangas de cantina, malta do "tá tudo bem, tudo bem", tomadores de bicas, alcançadores de compromissos, bananóides, borra-botas, matadores do romance, romanticidas. Já ninguém se apaixona? Já ninguém aceita a paixão pura, a saudade sem fim, a tristeza, o desequilíbrio, o medo, o custo, o amor, a doença que é como um cancro a comer-nos o coração e que nos canta no peito ao mesmo tempo? O amor é uma coisa, a vida é outra. O amor não é para ser uma ajudinha. Não é para ser o alívio, o repouso, o intervalo, a pancadinha nas costas, a pausa que refresca, o pronto-socorro da tortuosa estrada da vida, o nosso "dá lá um jeitinho sentimental". Odeio esta mania contemporânea por sopas e descanso. Odeio os novos casalinhos. Para onde quer que se olhe, já não se vê romance, gritaria, maluquice, facada, abraços, flores. O amor fechou a loja. Foi trespassada ao pessoal da pantufa e da serenidade. Amor é amor. É essa beleza. É esse perigo. O nosso amor não é para nos compreender, não é para nos ajudar, não é para nos fazer felizes. Tanto pode como não pode. Tanto faz. É uma questão de azar. O nosso amor não é para nos amar, para nos levar de repente ao céu, a tempo ainda de apanhar um bocadinho de inferno aberto. O amor é uma coisa, a vida é outra. A vida às vezes mata o amor. A "vidinha" é uma convivência assassina. O amor puro não é um meio, não é um fim, não é um princípio, não é um destino. O amor puro é uma condição. Tem tanto a ver com a vida de cada um como o clima. O amor não se percebe. Não dá para perceber. O amor é um estado de quem se sente. O amor é a nossa alma. É a nossa alma a desatar. A desatar a correr atrás do que não sabe, não apanha, não larga, não compreende. O amor é uma verdade. É por isso que a ilusão é necessária. A ilusão é bonita, não faz mal. Que se invente e minta e sonhe o que quiser. O amor é uma coisa, a vida é outra. A realidade pode matar, o amor é mais bonito que a vida. A vida que se lixe. Num momento, num olhar, o coração apanha-se para sempre. Ama-se alguém. Por muito longe, por muito difícil, por muito desesperadamente. O coração guarda o que se nos escapa das mãos. E durante o dia e durante a vida, quando não está lá quem se ama, não é ela que nos acompanha - é o nosso amor, o amor que se lhe tem. Não é para perceber. É sinal de amor puro não se perceber, amar e não se ter, querer e não guardar a esperança, doer sem ficar magoado, viver sozinho, triste, mas mais acompanhado de quem vive feliz. Não se pode ceder. Não se pode resistir. A vida é uma coisa, o amor é outra. A vida dura a vida inteira, o amor não. Só um mundo de amor pode durar a vida inteira. E valê-la também"..
as palavras que se seguem não são minhas mas de miguel esteves cardoso.. para pensarem e sentirem.
adoro-vos, desculpem andar meio perdido. estou com voces mesmo sem vir cá.
o elogio do amor
"Quero fazer o elogio do amor puro. Parece-me que já ninguém se apaixona de verdade. Já ninguém quer viver um amor impossível. Já ninguém aceita amar sem uma razão.
Hoje as pessoas apaixonam-se por uma questão de prática. Porque dá jeito. Porque são colegas e estão ali mesmo ao lado. Porque se dão bem e não se chateiam muito. Porque faz sentido. Porque é mais barato, por causa da casa. Por causa da cama. Por causa das cuecas e das calças e das contas da lavandaria.
Hoje em dia as pessoas fazem contratos pré-nupciais, discutem tudo de antemão, fazem planos e à mínima merdinha entram logo em "diálogo".
O amor passou a ser passível de ser combinado. Os amantes tornaram-se sócios. Reúnem-se, discutem problemas, tomam decisões. O amor transformou-se numa variante psico-sócio-bio-ecológica de camaradagem. A paixão, que devia ser desmedida, é na medida do possível. O amor tornou-se uma questão prática. O resultado é que as pessoas, em vez de se apaixonarem de verdade, ficam "praticamente" apaixonadas.
Eu quero fazer o elogio do amor puro, do amor cego, do amor estúpido, do amor doente, do único amor verdadeiro que há, estou farto de conversas, farto de compreensões, farto de conveniências de serviço.
Nunca vi namorados tão embrutecidos, tão cobardes e tão comodistas como os de hoje. Incapazes de um gesto largo, de correr um risco, de um rasgo de ousadia, são uma raça de telefoneiros e capangas de cantina, malta do "tá tudo bem, tudo bem", tomadores de bicas, alcançadores de compromissos, bananóides, borra-botas, matadores do romance, romanticidas. Já ninguém se apaixona? Já ninguém aceita a paixão pura, a saudade sem fim, a tristeza, o desequilíbrio, o medo, o custo, o amor, a doença que é como um cancro a comer-nos o coração e que nos canta no peito ao mesmo tempo? O amor é uma coisa, a vida é outra. O amor não é para ser uma ajudinha. Não é para ser o alívio, o repouso, o intervalo, a pancadinha nas costas, a pausa que refresca, o pronto-socorro da tortuosa estrada da vida, o nosso "dá lá um jeitinho sentimental". Odeio esta mania contemporânea por sopas e descanso. Odeio os novos casalinhos. Para onde quer que se olhe, já não se vê romance, gritaria, maluquice, facada, abraços, flores. O amor fechou a loja. Foi trespassada ao pessoal da pantufa e da serenidade. Amor é amor. É essa beleza. É esse perigo. O nosso amor não é para nos compreender, não é para nos ajudar, não é para nos fazer felizes. Tanto pode como não pode. Tanto faz. É uma questão de azar. O nosso amor não é para nos amar, para nos levar de repente ao céu, a tempo ainda de apanhar um bocadinho de inferno aberto. O amor é uma coisa, a vida é outra. A vida às vezes mata o amor. A "vidinha" é uma convivência assassina. O amor puro não é um meio, não é um fim, não é um princípio, não é um destino. O amor puro é uma condição. Tem tanto a ver com a vida de cada um como o clima. O amor não se percebe. Não dá para perceber. O amor é um estado de quem se sente. O amor é a nossa alma. É a nossa alma a desatar. A desatar a correr atrás do que não sabe, não apanha, não larga, não compreende. O amor é uma verdade. É por isso que a ilusão é necessária. A ilusão é bonita, não faz mal. Que se invente e minta e sonhe o que quiser. O amor é uma coisa, a vida é outra. A realidade pode matar, o amor é mais bonito que a vida. A vida que se lixe. Num momento, num olhar, o coração apanha-se para sempre. Ama-se alguém. Por muito longe, por muito difícil, por muito desesperadamente. O coração guarda o que se nos escapa das mãos. E durante o dia e durante a vida, quando não está lá quem se ama, não é ela que nos acompanha - é o nosso amor, o amor que se lhe tem. Não é para perceber. É sinal de amor puro não se perceber, amar e não se ter, querer e não guardar a esperança, doer sem ficar magoado, viver sozinho, triste, mas mais acompanhado de quem vive feliz. Não se pode ceder. Não se pode resistir. A vida é uma coisa, o amor é outra. A vida dura a vida inteira, o amor não. Só um mundo de amor pode durar a vida inteira. E valê-la também"..
quinta-feira, dezembro 29, 2005
e se de repente...
me apetecer organizar um jantar do blog.
simplesmente porque me apetece estar convosco, partilhar com todos vocês o sorriso que sei que têm,que sei que tenho, mas que alguns de vocês nunca viram pois ainda não se conhecem entre sí pessoalmente, apesar de já se irem conhecendo, por partilharem pedacinhos neste bosque feito de palavras.
Aceitam-se sugestões, tinha pensado faze-lo no pátio das cantigas ou no dolcevita num sábado à noite, visto que alguns de vocês estudam fora de leiria .
Acho que irá ser um momento giro.
que acham da ideia???
simplesmente porque me apetece estar convosco, partilhar com todos vocês o sorriso que sei que têm,que sei que tenho, mas que alguns de vocês nunca viram pois ainda não se conhecem entre sí pessoalmente, apesar de já se irem conhecendo, por partilharem pedacinhos neste bosque feito de palavras.
Aceitam-se sugestões, tinha pensado faze-lo no pátio das cantigas ou no dolcevita num sábado à noite, visto que alguns de vocês estudam fora de leiria .
Acho que irá ser um momento giro.
que acham da ideia???
terça-feira, dezembro 27, 2005
DESABAFO
Olho-me ao espelho e as vezes não me vejo...
Os meus olhos as vezes perecem ter perdido o seu fulgor como se o glocoma de que sofro fosse um perder de brilho, um perder de luz, um perder de alma.
O meu cabelo que antes era encaracolado e farto agora é escasso e no que ficou da testa calva começa a aparecer donde a o branco neve dos anos.
As minhas mãos que antes temiam largar a areia do tempo e se apertavam no vazio, hoje já se conformaram com o facto de estarem sempre a perder, sempre a ver partir e eu já quase me entretenho com o passar da vida, com esse dedilhar do pó por entre os dedos.
Hoje olho aquilo que escrevi, pedaços do que fui, do que me dei, do que senti, restícios das vezes em que amei e não disse e, mais do que a angustia de não o ter dito sentia, vivo sobretudo a tortura de já não ter a pureza de quem ama alguém como o fiz da primeira vez, de não conseguir beijar da mesma forma inocente com que dei o primeiro beijo, de não conseguir escrever da mesma forma pura como escrevia outrora, de não conseguir sentir como senti da primeira vez.
Hoje habituei-me a estar aqui e não estar aqui ao mesmo tempo, habituei-me a este olhar distante, perdido, habituei-me a não sentir, a não gritar, a não chorar a não sofrer, não porque não sofra, mas porque os anos nos dão uma anestesia especial, quase viril.
Hoje olho as pessoas que amei e a quem não disse que o fazia não como a querer te-las de volta para mim, mas como mulheres que são, empenhadas nos cursos que tem, no trabalho que fazem, nos filhos que criaram e já não consigo sentir que as perdi, mas apenas que a paternidade, o amor e quem sabe o sonho são projectos talvez para um amanha que pode não acontecer.
Hoje vejo o meus irmãos, e os meus amigos a namorar e a serem felizes nessa batalha incerta que é a vida e pergunto-me qual a minha definição do conceito do próprio sentimento , sem me atrever a dizer que me arrependo de buscar o sonho onde as vezes ele não está.
Hoje como sempre vejo a minha casa sobretudo como uma jaula, uma gaiola, uma grilheta em forma de prestação mensal que me impede de mudar de rumo, mudar de vida, mudar de país.
Hoje vejo a natal pelas prendas e carinhos que dei aos outros mas confesso gostava de ser um bebé, uma criança para estar delirante com os brinquedos, os legos, os lápis de cor, os puzzles..aquele livro,. quem será que pensa que um biblot lá para a casinha, uma peça de roupa ou um perfume nos fazem sonhar .
Hoje só sei sentir este cansaço, aquele cansaço que está entranhado em mim e que se prolonga além das férias, além dos fins de semana, como se o coração aperta-se.
Hoje sei que há muito do que sinto que perdi a forma de dizer, muitas palavras que deixei de saber exprimir, sonhos que deixei de sentir, lutas que deixei de querer travar.
Hoje apesar de tudo isto... porque o silencio ainda doi digo-vos acima de tudo que vos adoro e que é bom ver-vos neste espaço, nesta dimensão qualquer transcendental em que ainda sou.
BEM AJAM AMIGOS
Os meus olhos as vezes perecem ter perdido o seu fulgor como se o glocoma de que sofro fosse um perder de brilho, um perder de luz, um perder de alma.
O meu cabelo que antes era encaracolado e farto agora é escasso e no que ficou da testa calva começa a aparecer donde a o branco neve dos anos.
As minhas mãos que antes temiam largar a areia do tempo e se apertavam no vazio, hoje já se conformaram com o facto de estarem sempre a perder, sempre a ver partir e eu já quase me entretenho com o passar da vida, com esse dedilhar do pó por entre os dedos.
Hoje olho aquilo que escrevi, pedaços do que fui, do que me dei, do que senti, restícios das vezes em que amei e não disse e, mais do que a angustia de não o ter dito sentia, vivo sobretudo a tortura de já não ter a pureza de quem ama alguém como o fiz da primeira vez, de não conseguir beijar da mesma forma inocente com que dei o primeiro beijo, de não conseguir escrever da mesma forma pura como escrevia outrora, de não conseguir sentir como senti da primeira vez.
Hoje habituei-me a estar aqui e não estar aqui ao mesmo tempo, habituei-me a este olhar distante, perdido, habituei-me a não sentir, a não gritar, a não chorar a não sofrer, não porque não sofra, mas porque os anos nos dão uma anestesia especial, quase viril.
Hoje olho as pessoas que amei e a quem não disse que o fazia não como a querer te-las de volta para mim, mas como mulheres que são, empenhadas nos cursos que tem, no trabalho que fazem, nos filhos que criaram e já não consigo sentir que as perdi, mas apenas que a paternidade, o amor e quem sabe o sonho são projectos talvez para um amanha que pode não acontecer.
Hoje vejo o meus irmãos, e os meus amigos a namorar e a serem felizes nessa batalha incerta que é a vida e pergunto-me qual a minha definição do conceito do próprio sentimento , sem me atrever a dizer que me arrependo de buscar o sonho onde as vezes ele não está.
Hoje como sempre vejo a minha casa sobretudo como uma jaula, uma gaiola, uma grilheta em forma de prestação mensal que me impede de mudar de rumo, mudar de vida, mudar de país.
Hoje vejo a natal pelas prendas e carinhos que dei aos outros mas confesso gostava de ser um bebé, uma criança para estar delirante com os brinquedos, os legos, os lápis de cor, os puzzles..aquele livro,. quem será que pensa que um biblot lá para a casinha, uma peça de roupa ou um perfume nos fazem sonhar .
Hoje só sei sentir este cansaço, aquele cansaço que está entranhado em mim e que se prolonga além das férias, além dos fins de semana, como se o coração aperta-se.
Hoje sei que há muito do que sinto que perdi a forma de dizer, muitas palavras que deixei de saber exprimir, sonhos que deixei de sentir, lutas que deixei de querer travar.
Hoje apesar de tudo isto... porque o silencio ainda doi digo-vos acima de tudo que vos adoro e que é bom ver-vos neste espaço, nesta dimensão qualquer transcendental em que ainda sou.
BEM AJAM AMIGOS
sábado, dezembro 24, 2005
quarta-feira, dezembro 21, 2005
BOAS FESTAS AMIGOS
Amigos
Este é provavelmente o último post que escrevo antes do natal.
Nos próximos dias é tempo para estar com a família, estar pessoalmente com vocês, tentar conhecer alguns de vocês que ainda não tive o prazer de ver pessoalmente.
Nos próximos dias é tempo de me deixar ronronar como os gatos, de saborear o cantinho da lareira, de deixar as teclas e quem sabe usar o moleskine e a caneta que me ofereceram nos anos e passar a fazer festinhas no papel.
Nos próximos dias é tempo de fazer sonhar alguém que nunca vi e quem sabe nunca verei com uma prendinha só porque numa loja ouvi alguém dizer que o miúdo x da rua xpto este ano, como a vida está má, não iria receber qualquer prenda no natal... e acreditem nem sequer vou querer estar lá para ver os seus olhos brilhar, pois essa luz é algo que só a ele pertence.
Nos próximos dias é tempo de fazer como sempre faço e oferecer um café quentinho ao meu amigo indiano vendedor de flores e sentir-me reconfortado por isso.
Nos próximos dias é acima de tudo tempo de vos dizer a todos, amigos ou família, pessoalmente, por telefone ou sms, que amo estar com vocês e que vocês são muito importantes na minha vida, nos meus dias.
Mas nos próximos dias é também tempo de fazer o backup ao ano de 2005, de avaliar o que está bom e mau em mim, por forma a assegurar que estarei melhor no ano que há-de vir.
Porque essa necessidade de Backup me fez pensar num texto de Eduardo Prado Coelho que li no Público chamado Construir um país achei que o devia partilhar convosco.
«...
Precisa-se de matéria prima para construir um País
A crença geral anterior era de que Santana Lopes não servia, bem como Cavaco, Durão e Guterres. Agora dizemos que Sócrates não serve. E o que vier depois de Sócrates também não servirá para nada.
Por isso começo a suspeitar que o problema não está no trapalhão que foi Santana Lopes ou na farsa que é o Sócrates. O problema está em nós. Nós como povo.
Nós como matéria prima de um país. Porque pertenço a um país onde a ESPERTEZA é a moeda sempre valorizada, tanto ou mais o que o euro. Um país onde ficar rico da noite para o dia é uma virtude mais apreciada do que formar uma família baseada em valores e respeito aos demais. Pertenço a um país onde, lamentavelmente, os jornais jamais poderão ser vendidos como em outros países, isto é, pondo umas caixas nos passeios onde se paga por um só jornal E SE TIRA UM SÓ JORNAL, DEIXANDO-SE OS DEMAIS ONDE ESTÃO.
Pertenço ao país onde as EMPRESAS PRIVADAS são fornecedoras particulares dos seus empregados pouco honestos, que levam para casa, como se fosse correcto, folhas de papel, lápis, canetas, clips e tudo o que possa ser útil para os trabalhos de escola dos filhos ... e para eles mesmos.
Pertenço a um país onde as pessoas se sentem espertas porque conseguiram comprar um descodificador falso da TV Cabo, onde se frauda a declaração de IRS para não pagar ou pagar menos impostos.
Pertenço a um país onde a falta de pontualidade é um hábito.
Onde os directores das empresas não valorizam o capital humano.
Onde há pouco interesse pela ecologia, onde as pessoas atiram lixo nas ruas e depois reclamam do governo por não limpar os esgotos.
Onde pessoas se queixam que a luz e a água são serviços caros. Onde não existe a cultura pela leitura (onde os nossos jovens dizem que é "muito chato ter que ler") e não há consciência nem memória política, histórica nem económica. Onde nossos políticos trabalham dois dias por semana para aprovar projectos e leis que só servem para caçar os pobres, arreliar a classe média e beneficiar a alguns.
Pertenço a um país onde as cartas de condução e as declarações médicas podem ser "compradas", sem se fazer qualquer exame.
Um país onde uma pessoa de idade avançada, ou uma mulher com uma criança nos braços, ou um inválido, fica em pé no autocarro, enquanto a pessoa que está sentada finge que dorme para não dar-lhe o lugar. Um país no qual a prioridade de passagem é para o carro e não para o peão.
Um país onde fazemos muitas coisas erradas, mas estamos sempre a criticar os nossos governantes.
Quanto mais analiso os defeitos de Santana Lopes e de Sócrates, melhor me sinto como pessoa, apesar de que ainda ontem corrompi um guarda de trânsito para não ser multado.
Quanto mais digo o quanto o Cavaco é culpado, melhor sou eu como português, apesar de que ainda hoje pela manhã explorei um cliente que confiava em mim, o que me ajudou a pagar algumas dívidas. Não. Não. Não. Já basta.
Como "matéria prima" de um país, temos muitas coisas boas, mas falta muito para sermos os homens e as mulheres que nosso país precisa. Esses defeitos, essa "CHICO-ESPERTERTICE PORTUGUESA" congénita, essa desonestidade em pequena escala, que depois cresce e evolui até converter-se em casos escandalosos na política, essa falta de qualidade humana, mais do que Santana, Guterres, Cavaco ou Sócrates, é que é real e honestamente ruim, porque todos eles são portugueses como nós,ELEITOS POR NÓS. Nascidos aqui, não em outra parte... Fico triste. Porque, ainda que Sócrates fosse embora hoje mesmo, o próximo que o suceder terá que continuar trabalhandocom a mesma matéria prima defeituosa que, como povo, somos nós mesmos. E não poderá fazer nada... Não tenho nenhuma garantia de que alguém possa fazer melhor, mas enquanto alguém não sinalizar um caminho destinado a erradicar primeiro os vícios que temos como povo, ninguém servirá.
Nem serviu Santana, nem serviu Guterres, não serviu Cavaco, e nem serve Sócrates, nem servirá o que vier. Qual é a alternativa? Precisamos de mais um ditador, para que nos faça cumprir a lei com a força e por meio do terror?
Aqui faz falta outra coisa. E enquanto essa "outra coisa" não comece a surgir de baixo para cima, ou de cima para baixo, ou do centro para os lados ou como queiram, seguiremos igualmente condenados, igualmente estancados....igualmente abusados!
É muito bom ser português. Mas quando essa portugalidade autóctone começa a ser um empecilho às nossas possibilidades de desenvolvimento como Nação, então tudo muda...
Não esperemos acender uma vela a todos os santos, a ver se nos mandam um messias.
Nós temos que mudar. Um novo governante com os mesmos portugueses nada poderá fazer. Está muito claro...
Somos nós que temos que mudar. Sim, creio que isto encaixa muito bem em tudo o que anda a nos acontecer: desculpamos a mediocridade de programas de televisão nefastos e francamente tolerantes com o fracasso.
É a indústria da desculpa e da estupidez.
Agora, depois desta mensagem, francamente decidi procurar o responsável, não para castigá-lo, senão para exigir-lhe (sim, exigir-lhe) que melhore seu comportamento e que não se faça de mouco, de desentendido. Sim, decidi procurar o responsável e ESTOU SEGURO QUE O ENCONTRAREI QUANDO ME OLHAR NO ESPELHO. AÍ ESTÁ. NÃO PRECISO PROCURÁ-LO EM OUTRO LADO.
E você, o que pensa?.... MEDITE!...»
Sei que se depender de vocês 2006 será grande .
BOAS FESTAS
Este é provavelmente o último post que escrevo antes do natal.
Nos próximos dias é tempo para estar com a família, estar pessoalmente com vocês, tentar conhecer alguns de vocês que ainda não tive o prazer de ver pessoalmente.
Nos próximos dias é tempo de me deixar ronronar como os gatos, de saborear o cantinho da lareira, de deixar as teclas e quem sabe usar o moleskine e a caneta que me ofereceram nos anos e passar a fazer festinhas no papel.
Nos próximos dias é tempo de fazer sonhar alguém que nunca vi e quem sabe nunca verei com uma prendinha só porque numa loja ouvi alguém dizer que o miúdo x da rua xpto este ano, como a vida está má, não iria receber qualquer prenda no natal... e acreditem nem sequer vou querer estar lá para ver os seus olhos brilhar, pois essa luz é algo que só a ele pertence.
Nos próximos dias é tempo de fazer como sempre faço e oferecer um café quentinho ao meu amigo indiano vendedor de flores e sentir-me reconfortado por isso.
Nos próximos dias é acima de tudo tempo de vos dizer a todos, amigos ou família, pessoalmente, por telefone ou sms, que amo estar com vocês e que vocês são muito importantes na minha vida, nos meus dias.
Mas nos próximos dias é também tempo de fazer o backup ao ano de 2005, de avaliar o que está bom e mau em mim, por forma a assegurar que estarei melhor no ano que há-de vir.
Porque essa necessidade de Backup me fez pensar num texto de Eduardo Prado Coelho que li no Público chamado Construir um país achei que o devia partilhar convosco.
«...
Precisa-se de matéria prima para construir um País
A crença geral anterior era de que Santana Lopes não servia, bem como Cavaco, Durão e Guterres. Agora dizemos que Sócrates não serve. E o que vier depois de Sócrates também não servirá para nada.
Por isso começo a suspeitar que o problema não está no trapalhão que foi Santana Lopes ou na farsa que é o Sócrates. O problema está em nós. Nós como povo.
Nós como matéria prima de um país. Porque pertenço a um país onde a ESPERTEZA é a moeda sempre valorizada, tanto ou mais o que o euro. Um país onde ficar rico da noite para o dia é uma virtude mais apreciada do que formar uma família baseada em valores e respeito aos demais. Pertenço a um país onde, lamentavelmente, os jornais jamais poderão ser vendidos como em outros países, isto é, pondo umas caixas nos passeios onde se paga por um só jornal E SE TIRA UM SÓ JORNAL, DEIXANDO-SE OS DEMAIS ONDE ESTÃO.
Pertenço ao país onde as EMPRESAS PRIVADAS são fornecedoras particulares dos seus empregados pouco honestos, que levam para casa, como se fosse correcto, folhas de papel, lápis, canetas, clips e tudo o que possa ser útil para os trabalhos de escola dos filhos ... e para eles mesmos.
Pertenço a um país onde as pessoas se sentem espertas porque conseguiram comprar um descodificador falso da TV Cabo, onde se frauda a declaração de IRS para não pagar ou pagar menos impostos.
Pertenço a um país onde a falta de pontualidade é um hábito.
Onde os directores das empresas não valorizam o capital humano.
Onde há pouco interesse pela ecologia, onde as pessoas atiram lixo nas ruas e depois reclamam do governo por não limpar os esgotos.
Onde pessoas se queixam que a luz e a água são serviços caros. Onde não existe a cultura pela leitura (onde os nossos jovens dizem que é "muito chato ter que ler") e não há consciência nem memória política, histórica nem económica. Onde nossos políticos trabalham dois dias por semana para aprovar projectos e leis que só servem para caçar os pobres, arreliar a classe média e beneficiar a alguns.
Pertenço a um país onde as cartas de condução e as declarações médicas podem ser "compradas", sem se fazer qualquer exame.
Um país onde uma pessoa de idade avançada, ou uma mulher com uma criança nos braços, ou um inválido, fica em pé no autocarro, enquanto a pessoa que está sentada finge que dorme para não dar-lhe o lugar. Um país no qual a prioridade de passagem é para o carro e não para o peão.
Um país onde fazemos muitas coisas erradas, mas estamos sempre a criticar os nossos governantes.
Quanto mais analiso os defeitos de Santana Lopes e de Sócrates, melhor me sinto como pessoa, apesar de que ainda ontem corrompi um guarda de trânsito para não ser multado.
Quanto mais digo o quanto o Cavaco é culpado, melhor sou eu como português, apesar de que ainda hoje pela manhã explorei um cliente que confiava em mim, o que me ajudou a pagar algumas dívidas. Não. Não. Não. Já basta.
Como "matéria prima" de um país, temos muitas coisas boas, mas falta muito para sermos os homens e as mulheres que nosso país precisa. Esses defeitos, essa "CHICO-ESPERTERTICE PORTUGUESA" congénita, essa desonestidade em pequena escala, que depois cresce e evolui até converter-se em casos escandalosos na política, essa falta de qualidade humana, mais do que Santana, Guterres, Cavaco ou Sócrates, é que é real e honestamente ruim, porque todos eles são portugueses como nós,ELEITOS POR NÓS. Nascidos aqui, não em outra parte... Fico triste. Porque, ainda que Sócrates fosse embora hoje mesmo, o próximo que o suceder terá que continuar trabalhandocom a mesma matéria prima defeituosa que, como povo, somos nós mesmos. E não poderá fazer nada... Não tenho nenhuma garantia de que alguém possa fazer melhor, mas enquanto alguém não sinalizar um caminho destinado a erradicar primeiro os vícios que temos como povo, ninguém servirá.
Nem serviu Santana, nem serviu Guterres, não serviu Cavaco, e nem serve Sócrates, nem servirá o que vier. Qual é a alternativa? Precisamos de mais um ditador, para que nos faça cumprir a lei com a força e por meio do terror?
Aqui faz falta outra coisa. E enquanto essa "outra coisa" não comece a surgir de baixo para cima, ou de cima para baixo, ou do centro para os lados ou como queiram, seguiremos igualmente condenados, igualmente estancados....igualmente abusados!
É muito bom ser português. Mas quando essa portugalidade autóctone começa a ser um empecilho às nossas possibilidades de desenvolvimento como Nação, então tudo muda...
Não esperemos acender uma vela a todos os santos, a ver se nos mandam um messias.
Nós temos que mudar. Um novo governante com os mesmos portugueses nada poderá fazer. Está muito claro...
Somos nós que temos que mudar. Sim, creio que isto encaixa muito bem em tudo o que anda a nos acontecer: desculpamos a mediocridade de programas de televisão nefastos e francamente tolerantes com o fracasso.
É a indústria da desculpa e da estupidez.
Agora, depois desta mensagem, francamente decidi procurar o responsável, não para castigá-lo, senão para exigir-lhe (sim, exigir-lhe) que melhore seu comportamento e que não se faça de mouco, de desentendido. Sim, decidi procurar o responsável e ESTOU SEGURO QUE O ENCONTRAREI QUANDO ME OLHAR NO ESPELHO. AÍ ESTÁ. NÃO PRECISO PROCURÁ-LO EM OUTRO LADO.
E você, o que pensa?.... MEDITE!...»
Sei que se depender de vocês 2006 será grande .
BOAS FESTAS
domingo, dezembro 18, 2005
eu

Amigos...
este é o meu primeiro post desde que vim de férias.
Na Suiça cimentei a ideia de que a partilha de sentimentos e sonhos é o que nos move e experimentei aquilo a que posso chamar a solidariedade luzitana além fronteiras. é giro como o longe parece de repente tão perto .
Adorei a forma como eu e a minha grande amiga Sonia fomos recebidos pela família dela, adorei a simpatia que todos mostraram, adorei conhecer o Micael, o Marco o Hugo e o Filipe, adorei a hospitalidade e simpatia da Aida, do Luis, da Bela e dos pais do Filipe... e sobretudo adorei estar com a Sónia mais do que os trinta minutos da praxe (ela percebe) e a forma como ela e a familia dela se mantém unidos apesar dos quilómetros.
Amei saber que mesmo comigo fora alguns de vocés continuaram a vir aqui e a deixar o vosso testemunho, amei o facto de alguns de vocés terem mandado sms e mantido o contacto...
precisava que soubessem que vos estou grato por isso e pela honra que é conhecer-vos.
Quanto a viagem quero dizer-vos que descansei muito, que o branco da neve é algo imperdível, algo que nos limpa a alma e acende a vontade de sonhar, e que Genebra é algo mágico, uma cidade cheia de histórias encantos e recantos.
sinto-me limpo e rejuvenescido e agora que o estou vão ver que vão nascer novos poemas e novos sonhos para contar.
bem ajam amigos
quarta-feira, dezembro 07, 2005
Porque
Porque esta noite não me apetece sequer ver televisão.
Porque a mãe terra jaz esquecida e moribunda
e se revolta em furacões, sismos, cheias convulsões
mas Quioto e o Rio são acordos que não passam do papel
Porque no Paquistão ou em Darfur faz frio ou neva,
e não chega ajuda que dê tecto aquelas gentes
mas os grandes EUA investiram milhões
só na propaganda das ultimas eleições
Porque este natal há um anuncio que passa na tv
que te diz que tens de ter um mazzerrati, aquele relógio,
o computador X.P.T.O, ou outros gadjets
mas não há nenhum que te ensine a ser
Porque te dizem como ter um toque sex-appeal
mas ninguém te ensina a perceber
que há crianças que no natal
não vão ter pão sequer para receber
Porque os sonhos das crianças do Iraque
são acordados por militares de uma tal coligação
em que os senhores do mundo subsistem
a dizer que são senhores do que existe
Porque o mister Bush insiste em desenhar eixos no nada
fomentando divisões, duras alucinações de um país
que sem armas não tem passado para viver
...histórias para contar ....
Porque a Europa é uma desilusão
e só a economia ilustra e deslustra a coesão
e o saber ser das nações vai sendo suplantado
por tratados gerais estéreis de significado
Porque te dizem que para triunfares
deves esquecer o teu passado
para seres um hippie in, boy in,
cidadão made in CE plastificado
Porque cá dentro do país...tudo na mesma
Até a lesma coitada já se cansou de ser comparada a situação
e o cavaco e o soares dizem ser salvadores pródigos da nação
mas não percebem nada das dores que temos dia a dia
Porque seja qual for o “dom sebastião”
o desemprego continua a aumentar
e a esperança, essa coitada, diminui
à medida que aumenta atrozmente a inflação
Porque só somos os campeões europeus
no contagio pela sida, no analfabetismo
na violência doméstica e noutras coisas tais
e estamos cada vez mais perto da cauda da Europa
Porque para os média e alguns políticos o que importa
é que o Benfica o Sporting, ou o Porto
vençam o manchester, ou o inter de milão
Assim o povinho continua sem pensar na revolução
Porque na minha cidade há lojas e lojas
Shooping centers, discotecas e fun centers
Macdonnals, continente... está tudo cá
mas cultura é cada vez mais uma miragem
Porque todos os dias há mais um
que busca no pó, na “branca” uma alegria
E se esquece das alegrias que já moraram
no seu sorriso, no seu olhar
Porque dentro de mim há tudo isto
uma dor que se alimenta
letalmente como que um quisto
eu vou todos os dias morrendo no papel
Porque com isto, por tudo isto sei que sou louco
mas enquanto escrevo, nasço, renasço e morro
corroo-me, sofro mas não desisto
e insisto, não me conformo
Porque a mãe terra jaz esquecida e moribunda
e se revolta em furacões, sismos, cheias convulsões
mas Quioto e o Rio são acordos que não passam do papel
Porque no Paquistão ou em Darfur faz frio ou neva,
e não chega ajuda que dê tecto aquelas gentes
mas os grandes EUA investiram milhões
só na propaganda das ultimas eleições
Porque este natal há um anuncio que passa na tv
que te diz que tens de ter um mazzerrati, aquele relógio,
o computador X.P.T.O, ou outros gadjets
mas não há nenhum que te ensine a ser
Porque te dizem como ter um toque sex-appeal
mas ninguém te ensina a perceber
que há crianças que no natal
não vão ter pão sequer para receber
Porque os sonhos das crianças do Iraque
são acordados por militares de uma tal coligação
em que os senhores do mundo subsistem
a dizer que são senhores do que existe
Porque o mister Bush insiste em desenhar eixos no nada
fomentando divisões, duras alucinações de um país
que sem armas não tem passado para viver
...histórias para contar ....
Porque a Europa é uma desilusão
e só a economia ilustra e deslustra a coesão
e o saber ser das nações vai sendo suplantado
por tratados gerais estéreis de significado
Porque te dizem que para triunfares
deves esquecer o teu passado
para seres um hippie in, boy in,
cidadão made in CE plastificado
Porque cá dentro do país...tudo na mesma
Até a lesma coitada já se cansou de ser comparada a situação
e o cavaco e o soares dizem ser salvadores pródigos da nação
mas não percebem nada das dores que temos dia a dia
Porque seja qual for o “dom sebastião”
o desemprego continua a aumentar
e a esperança, essa coitada, diminui
à medida que aumenta atrozmente a inflação
Porque só somos os campeões europeus
no contagio pela sida, no analfabetismo
na violência doméstica e noutras coisas tais
e estamos cada vez mais perto da cauda da Europa
Porque para os média e alguns políticos o que importa
é que o Benfica o Sporting, ou o Porto
vençam o manchester, ou o inter de milão
Assim o povinho continua sem pensar na revolução
Porque na minha cidade há lojas e lojas
Shooping centers, discotecas e fun centers
Macdonnals, continente... está tudo cá
mas cultura é cada vez mais uma miragem
Porque todos os dias há mais um
que busca no pó, na “branca” uma alegria
E se esquece das alegrias que já moraram
no seu sorriso, no seu olhar
Porque dentro de mim há tudo isto
uma dor que se alimenta
letalmente como que um quisto
eu vou todos os dias morrendo no papel
Porque com isto, por tudo isto sei que sou louco
mas enquanto escrevo, nasço, renasço e morro
corroo-me, sofro mas não desisto
e insisto, não me conformo
sábado, dezembro 03, 2005
Em busca de uma lua qualquer
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