terça-feira, agosto 15, 2006

falar da morte... para recriar a vida

"A morte chega cedo,
Pois breve é toda a vida
o instante é um arremedo
De uma coisa perdida.
O amor foi comecado
O ideal nao acabou,
E quem tenha alcancado
Nao sabe o que alcancou.
E tudo isto a morte
Risca por nao estar certo
No caderno da sorte
Que Deus deixou aberto"
(Fernando Pessoa)


porque as vezes a nostalgia leva-nos a pensar no fim...
e tomamos consciencia da nossa essencia, do nosso intimo, do quanto somos efemeros e escassos...
porque a proximidade do fim, sabermos encarar a nossa finitude, é as vezes a unica coisa de que precisamos para ousar acordar e continuar vivos

quarta-feira, agosto 09, 2006

o amor, outra vez o amor. finalmente o amor

"O Amor é finalmente um embaraço de pernas, união de barrigas, um breve tremor de artérias.
Uma confusão de bocas, uma batalha de veias, um rebuliço de ancas, quem diz outra coisa é besta"

Ronaldo Vainfas,in Revista Nossa História, nº 1

Triste sina de uns, pela ausencia, pela fragilidade, pelo ser qualquer que se perde, sempre a perder, sempre a partir.. sempre a derivar.

Conforto terno de alma de quem ama e é amado, confirmação da essencia pela essencia, do sopro pelo sopro, do beijo pelo beijo, da vida pela vida, da alma pela alma.

Pesadelo de quem é amado sem o querer, grilheta que doi funda na alma, dor de ver alguem sofrer sem podermos conter esse derrame, essa tristeza...sentirmos-nos responsaveis pela dor de alguem que nos moi por dentro.

Esperança ainda que emberbe daqueles que amam sem serem correspondidos, uma busca de todas as portas interiores que nos aproximem ao bem querer, saber ser aconchego, ombro, braço, poiso, firmamento da pessoa amada, saber dar-lhe alento, saber estar lá e reconforta-la, e ver tentativa após tentativa frustrados os sonhos, nesse desconforto de ver o outrem caminhar sozinho, tal como nós, sem lhe podermos ensinar os caminhos .

Para todos uma doce alucinação, um querer melhor que um bem querer, um alento qualquer de vida que mesmo a querer escapar-se trás sempre alguma cor, algum sonhar..
quem sabe a ultima esperança de realização da nossa alma

segunda-feira, agosto 07, 2006

Contra os Incendios ... Estamos convosco



Por um pais verde...
pela segurança...
pela esperança
pelo futuro...
pelo sonho...
Portugal está com os Bombeiros Portugueses, que se entregam anualmente à ardua batalha de tentar impedir que o inferno surja todos os verões.
Porque com a vossa dedicação e capacidade de arriscar a vida em prol dos outros nos honram e honram o nosso pais ...
estamos do vosso lado, incondicionalmente.
Obrigado bombeiros de Portugal.
bem ajam

quarta-feira, agosto 02, 2006

Vida

" estou a morrer
...
a rocha sólida
é só areia e água
areia e água ..
e milénios de história
...."


in Serviço de Urgências


Porque as vezes a presença da morte faz-nos celebrar a vida... lutar pelos sonhos... querer... ousar sonhar.
Porque somos finitos e o relogio não para de tictar...
porque a vida é pequena demais para ficarmos parados e não lutarmos pelos nossos sonhos.

ousem sonhar sempre... ousem acreditar...

domingo, julho 30, 2006

a espera...

A Espera Do Prazer


"O prazer que tu esperas varia na razão inversa do tempo de o esperares. E da inquietação também. Porque quanto mais esperas e te inquietas, menos prazer ele é. Espera-o no infinito para te não inquietares. E que ele seja depois o prazer que for. Mas o contrário também é verdadeiro. "


Vergílio Ferreira, in 'Pensar'


"A definição de belo é fácil: é aquilo que desespera "


Paul Valery




"A verdadeira esperança é uma qualidade, uma determinação heróica da alma. E a mais elevada forma de esperança é o desespero superado "


Georges Bernanos



três citações de grandes três grandes autores, quem sabe para acalentar a esperança daqueles, quem sabe eu, quem sabe um de vocés, que se mantém fieis aos sonhos.
Que todo o futuro seja uma promessa e toda a poesia grito.
bem ajam

quarta-feira, julho 26, 2006

Pela paz


Pela paz...
Contra a tirania do mais forte....
Contra o ódio....
Contra o medo....
Contra a morte.
Porque o homem não pode continuar a ser lobo do homem..
Porque nós humanos temos de deixar de ser bestas...
Pede-se silencio...
Pede-se calma...
Pede-se compreensão...
Pede-se respeito pelo outrem...
Pede-se igualdade...
Pede-se esperança..

Que os homens, uns e outros, percebam no outrem um irmão, um companheiro, um seu igual
e entendam de uma vez por todas que a terra é um lugar de encontro de diferenças que não deve ser temido mas que nos enriquece e que as fronteiras não existem.


Não à guerra.... viva o sonho viva a

sábado, julho 22, 2006

diz-me...

Diz-me é um poema antigo que retrata algo actual... a minha busca intensa e as vezes sofrida pelo amor... porque as vezes é dificil dizer por palavras o que nos move o coração.

Diz-me


Diz-me
Que angústia é maior...
do que saber-te aqui
sem te ver ?

Que sofrimento é mais forte...
do que o de quem ama
sem poder, ou, sem querer?

Que linhas são mais rasgadas...
do que estas trovas aflitas
que por certo ninguém vai ler?

Que flor é mais bela...
do que a flor perfumada
com as lágrimas de alguém ...
só por sofrer?

Diz-me...
Que loucura é essa
que me afasta do que sou
e me prende nesta melancolia
por traz da qual me escondo ?

Diz-me ...
Quem sou eu ?
Quem és tu ?
Que sopro é esse que...
emanas dos teus lábios?

Diz-me...
Se continuas a deixar
morrer este poeta?
se te refugias num mundo...
que ninguém sabe qual é,
e onde és rainha...
pois nele só guardas lugar para ti?

Diz-me ...
Que segredos são esses ...
que escondes em teus seios,
e que até agora deixas ao acaso
sem que alguém
alguma vez os encontre?

Diz-me...
Que morte é mais triste,
do que alguém
que morre sem morrer
e que é condenado
a errar por esta vida
sem sentido até que os seus dias
espirem ?

Diz-me todas estas coisas,
perguntas de amor sem respostas
perdidas no olhar
deste alguém que sou eu
deste alguém...
que não se atreve a dizer-te...
ama-me...
pois tua resposta só iria
enterrar ainda mais o moribundo que
eu sou
condenando-me inexoravelmente ao
degredo
onde permaneço até ao fim das idades.

Diz-me...
que não ou que sim,
mas não me digas que estou louco
pois se o estou é de amores por ti...
e quanto a isso... só a flor do tempo
apagara os traços que deixei ...
marcados na areia desta vida
só a flor do tempo.....

sexta-feira, julho 21, 2006

Bom fim de semana

Lua e Flor

Eu amava como amava algum cantor
De qualquer clichê, de cabaré, de lua e flor.
Eu sonhava como a feia na vitrine,
Como carta que se assine em vão.
Eu amava como amava um sonhador,
Sem saber porque, e amava ter no coração
A certeza ventilada de poesia
De que o dia não amanhece não.
Eu amava como amava um pescador
Que se encanta mais com a rede que com o mar.
Eu amava como jamais poderia
Se soubesse como te encontrar
Eu amava como amava algum cantor
De qualquer clichê, de cabaré, de lua e flor.
Eu sonhava como a feia na vitrine,
Como carta que se assina em vão.
Eu amava como amava um pescador
Que se encanta mais com a rede que com o mar.
Eu amava como jamais poderia
Se soubesse como te contar.
Eu amava como amava um pescador
Que se encanta mais com a rede que com o mar.
Eu amava como jamais poderia
Se soubesse como te contar


Oswaldo Montenegro


Bom fim de semana amigos, deixo-vos com esta magnifica letra de O. Montenegro, para que não esqueçamos o quanto é bom termos alguém no coração.
acreditem nos sonhos porque como disse um rapaz misterioso que conheci ontem "a vida pode não ser um sonho, mas o sonho é definiotivamente a vida".


parabens ao meu amigo Diogo pelo aniversário e votos de boa sorte à Carla e à Rita bem como a todos vós que se encontram em frequências e exames.
A vela está acesa.

segunda-feira, julho 17, 2006

tempo que passa nos passos de dança

Estou velho sabes... sinto-me velho... não por me sentir fora do tempo, não pelo peso do corpo, não pelo desfigurar da face.. não são os anos que pesam, não é o corpo que desilude... o que pesa é o baú de recordações que vou trazendo comigo..... o baú de sonhos realizados e por realizar... o baú de partilhas... o baú de entregas .
Não eu já não guardo religiosamente as cartas que escrevo, já não guardo pétalas de flor, pedrinhas, ou mesmo aquele rabisco teu que encontro naquele livro que me pediste emprestado...
Já não faço colecção de citações que me tocaram... nem de vestígios de situações que me fizeram viver...que me fizeram sonhar...
Com o passar dos anos aprendi que o verdadeiro baú de recordações não é material, descobri que ele está dentro de nós... na lembrança das pessoas, eventos, lugares ou momentos que residiram na minha alma e que a moldaram tornando-a diferente...tornando-a melhor... as vezes sofrida... mas melhor.
Descobri que não é por termos a musica X.P.T.O ou as fotografias do baile Z que esse baile vai ser lembrado, que não foi por ter aquele fio de cabelo que ficou no meu ombro depois de dançarmos.
Não, não ficou. Foi pena...
Não foi por isso que nunca mais me irei esquecer daquela noite em que vieste ter comigo e me convidas-te para dançar, o que ficou em mim foi o teu olhar quando o fizeste... foi o bater mais forte do meu coração... foi aquela sensação de por segundos voar a teu lado... acredita...senti-me a voar... voei mesmo.
O que ficou foi a magia desse momento... foi o facto de teres dançado comigo, de me teres honrado com isso, e também o saber que nunca mais dançamos..
Falar da ultima vez que dançamos, fez-me perceber que nos dias que correm as pessoas chamam “dançar” a estar frente a frente na multidão, sem sequer se tocarem... sem saberem o quanto é magico dançar o “waiting for you” com a pessoa amada poisada no ombro, o quanto pode ser sensual e sedutor dançar um tango a dois, sobretudo naqueles momentos em que os lábios roubam a rosa dos lábios do ente querido...
Hoje quando me dizem que depois do jantar é para se ir dançar vai-se sempre para uma sala escura cheia de pessoas aos saltos para cima e para baixo...
O que é engraçado e trágico é que essas salas estão cheias de raparigas a dançar ao lado das cadeiras onde os namorados estão sentados, simplesmente porque eles já não dançam... Sim eu sei que nós homens portugueses sempre fomos um bocado rabo pesado... mas no meu tempo mal ou bem todos dançavam, não dançar era ficar sozinho.. Era ver a festa da cadeira... e ninguém queria ver a festa da cadeira ..acredita.. .
Talvez por isso organizar um baile de anos era algo elaborado a preceito, algo que implicava muita reflexão, as vezes filosofia, com certeza muita psicologia... Fazíamos uma lista de “elas” e outra de “eles“, em igual número, que era para não colocar ninguém na cadeira previamente, apresentávamos as pessoas umas as outras, sem insistirmos em quem ficava com quem, mas sempre tendo em conta personalidades compatíveis, colocávamos lâmpadas pintadas de vermelho e azul no lugar das lâmpadas normais e depois era soltar a música..
Primeiro colocava-se um rap ou breack dance para aquecer, depois uma lambada, o “tengo um coraçon” do Juan Luis Guerra ou mesmo a banda sonora do “Dirty dance”.
Aos poucos ia colocando um slow para facilitar o convívio. ... uma hora depois era slow atrás de slow, era ombros nos ombros... era ver que o plano resultou...
É ver que ainda hoje resulta... sim... porque alguns dos pares ainda hoje dançam juntos, talvez não em bailes, mas na vida, alguns namoraram, casaram, tiveram filhos... e tudo porque um dia alguém, muitas vezes eu, se lembrou de chamar z para dançar com y, por achar que havia um clima entre eles... e não é que havia mesmo!
Perguntas-me porque raio é que o dançar me fez sentir velho... porque é que a conversa da velhice levou a ti e tu levaste ao modo como se dança actualmente...
Sim eu sei que tu não danças, que tu e eu nem sequer vamos a discotecas... que tu e eu só dançámos uns segundos uma vez...
Mas sabes, este fim de semana fui a uma discoteca ver um concerto da banda de um velho e grande amigo e depois do concerto ficamos lá a dar um pé de dança.
Sim passou-se o que se passa sempre, eram 2 rapazes e umas 8 raparigas na pista a dançar e outras tantas a abanar a cabeça junto dos namorados que estavam nas cadeiras hirtos como estátuas... E isso fez-me ter saudades dos tempos antigos, fez-me ir buscar o pessoal as mesas como antigamente, fez-me leva-los para a pista até que todos dançassem e fez o disco jockey colocar musicas brasileiras atrás de brasileiras. Atéao fim da noite..
Sim foi giro... admito-o ... foi pena sentir que não estavas comigo... sentir que mesmo que não queiras havia um pedaço de mim que me faltava...
Se os sonhos são o que nos move no “eterno camino de la felicita”, quem sabe talvez me seja permitido sonhar que estou a dançar contigo uma vez.. quem sabe com a tua cabeça no meu ombro.

sexta-feira, julho 14, 2006

O que é afinal para vocés o amor???

Desta vez vou ser mau...
desenganem-se aqueles que pensam que vou dar-vos respostas...
são vocés que estão na berlinda hoje... quero escutar-vos... quero saber o que vos move... quero perceber a vossa essencia... a vossa busca...
A pergunta não é inocente... procura-se a melhor definição de amor... procura-se um conceito perfeito capaz de sintetizar a amalgama de sentimentos que traduz a busca da felicidade.
desafio-vos a expressarem a vossa criatividade, a sorverem a vossa poesia... inquietem-se.
desta vez são vocés os poetas, os sonhadores, os loucos...
eu fico à escuta... quem sabe em busca do meu rumo.

terça-feira, julho 11, 2006

O TIGRE E A NEVE


"O poeta é aquele que tem como ofício a descrição daquilo que faz bater o coração com palavras tão adequadas que quem o escuta fica com o coração a bater"

O Tigre e a neve

Pois é a minha amiga Maria tem destas coisas... não fosse ela minha amiga...
Escolhe um filme, lê a sinopse, escolhe-me como companhia e pronto... lá vou eu, sem saber muito bem o que vou ver, com ela para a sala de cinema...
Ela sabe porque me convidou... os filmes que ela escolhe tem sempre muito a ver comigo, com o que me vai na alma, com uma situação qualquer que esteja a atravessar...
Pessoalmente acho que ela faz de propósito... ela sabe tão bem como eu que a minha cabeça precisa ser agitada, que preciso abrir a minha mente... mas garanto-vos chega a ser armadilha... uma armadilha deliciosa...mas chego a sentir-me armadilhado.
Desta vez a escolha dela e por sinal a minha devoção pós filme... não esteja eu a postar sobre ele no meu blog, recaiu sobre o filme de Roberto Benigni “ O tigre e a neve” .
É um filme genial, quase um poema, passa uma mensagem sobre algo que é puro e verdadeiro -um grande amor, que existe num cenário “real” de ódio e de guerra.
Benigni recria um ambiente, um sentimento e representa-o para uma câmara, que capta uma nova história.
A ideia chave do filme é o amor.
O amor que muda, que consegue alterar, que enternece, que mente, que sonha, que luta pelos sonhos.
O amor entre um homem e uma mulher, entre os pais e os filhos, entre o homem e Deus, entre homens de culturas e origens diferentes, personagens que se cruzam naquilo a que Benigni chama “L´Eterno Cammino per la Felicità”.
É um filme imperdível... vejam... sonhem... se for preciso chorem... chorem e depois amem ... amem melhor... depois de verem o filme vão amar melhor.
Depois confesso-vos que a banda sonora é brutal e que o “ You can never hold back spring" de Tom Waits me fez ficar em pé, no final do filme até que a musica acabasse... fiquei até há ultima letra do coopyrigth ou melhor fiquei até apagarem as luzes...
Obrigado Maria pelo convite, pela provocação ... e acima de tudo por seres minha amiga.
Obrigado a vocés por me permitirem partilhar isto convosco.

Despeço-me com a letra da musica de Tom Waits, que se me for permitido dedico à Maria, e à Carla... elas sabem porque

You can never holdback Spring
You can never hold back Spring
you can be sure that i will never
stop believing
The blushing rose will climb
Spring ahead or fall behind
Winter dreams the same dream
Everytime
you can never hold back spring
seven thought you've lost your way
the world keeps dreaming of spring
So close your eyes
Open your heart
To one who's dreaming of you
You can never hold back spring
Baby
Remember everything that spring can bring
You can never hold back spring
Tom Waits

quarta-feira, julho 05, 2006

Estou com vocês selecção


Mesmo perdendo com a França souberam bater-se com honra e dedicação, honraram as nossas cores, souberam unir-nos e mais que isso souberam fazer-nos sonhar.
é pena que o sonho não se tenha concretizado... mas nos tempos que correm sonhar por sí só já é bom.
Agora falta cumprir-se Portugal, era bom que essa causa nos unisse também.
Obrigado Scolari, Quim, Paulo Santos, Paulo Ferreira, Caneira, Ricardo Costa, Fernando Meira, Miguel, Nuno Valente, Ricardo Carvalho, Costinha, Petit, Hugo Viana, Maniche, Tiago , Deco, Figo, Pauleta, Simão Sabrosa, Boa Morte, Cristiano Ronaldo, Nuno Gomes, Hélder Postiga e em especial RICARDO..
FORÇA PORTUGAL TRAGAM-NOS O TERCEIRO LUGAR

terça-feira, julho 04, 2006

Por um Pôr do sol qualquer...


- Gosto muito do por do sol. Vamos ver um por do sol...
- Mas temos de esperar...
- Esperar o quê?
- Esperar que o sol se ponha.
Ficaste de principio, com um ar muito surpreendido. Depois troçaste de ti mesmo e disseste:
- Julgo sempre que estou no meu sitio.
Com efeito quando é meio dia nos Estados Unidos, como toda a gente sabe, o sol está a pôr-se em França.
Bastaria ir a França num minuto para assistir ao pôr do sol. Infelizmente a França fica muito longe. Mas no teu pequeno planeta, basta colocares a tua cadeira alguns passos mais à frente. E podes ver o pôr do sol sempre que desejares...
- Um dia vi o pôr do sol quarenta e três vezes!
E pouco depois, continuaste:
- Sabes... quando se está muito, muito triste gosta-se do pôr do sol...
- No dia das quarenta e três vezes estavas assim tão triste?
O Principezinho não respondeu...

Saint-Exupéry in o Principezinho

Porque as vezes todos precisamos de um pôr do sol nas nossas vidas, quem sabe uma despedida das tristezas e a promessa do regresso da luz...
porque em cada pôr do sol há qualquer coisa de nostalgico de melancólico, como se o céu se comovesse com quem sente e se enternecesse com um laranja quente como que a querer-nos brindar com o milagre quente e terno da vida que se teima em escapar.
As vezes, quando alguém se cruzava comigo e me dizia que a viad não valia a pena eu dizia-lhe que o sol de punha todas as noites especialmente para essa pessoa e que essa pessoa devia saudar o sol com um sorriso sempre que ele se puzesse, agora sou eu quem não vejo o sol pôr-se...
amanhã prometo não vou perde-lo... e quem sabe sorrir.....

terça-feira, junho 27, 2006

O amor é um lugar estranho

Ele sentou-se diante dela no metro, vinha com um apressado e intranquilo, trajava uma gabardina castanha à H. Bogard, molhada pela chuva que caia lá fora...
Com efeito chovia lá fora... não.. não se tratava daquela chuva miudinha de verão que até sabe bem... de facto era verão... mas a chuva caia em torrentes de um céu cinzento tão cinzento que ameaçava tornar noite o dia...
- Mais um dia de férias arruinado – Esta ideia assaltou-lhe o pensamento, com efeito tinha passado um ano inteiro à espera daquela réstia de liberdade anual que nos reservam a nós adultos - nestas alturas pensasse em mar, pensasse em areia, viagens, pensasse naquela bebida que finalmente pode ser bebida sem tempo, deitado na esplanada... Nestas alturas pensasse em fazer aquilo que não se pode fazer durante o resto do ano... não se pensa é que vai chover precisamente nesses dias...quase que por mau Karma, quase que por praga..
Talvez esse pensamento tenha deixado nele um olhar apreensivo... talvez tenha tornado o castanho do olhar dele mais cinzento, ninguém poderá sabe-lo... nem mesmo ele, nem mesmo ela... a verdade é que o olhar dela crispou-se quando o viu sentar-se perto de si....
A verdade é que ela apressadamente procurou refugiar o seu olhar debaixo do livro que passou a fingir.. e fingia ler ... sim ... fingia... a menos que possuísse um estranho dom de ler os livros ao contrário.
Ele reparou nisso... mas não percebeu que assustará... não pensou poder assustar assim alguém... encarou a atitude dela como um receio típico de quem vive numa cidade grande, povoada de mitos urbanos... por perigos imaginários ou não que impedem as pessoas de comunicar... sim ... o que ele achou que se passava é que ela era mais uma daquelas pessoas da cidade que tem a mania da perseguição... talvez idêntica aquela que no outro dia fugira para o outro lado da rua quando ele lhe perguntou as horas... sabe deus o embaraço que ele passou... e ainda por cima teve de explicar ao policia que estava próximo o que se passou ... e convence-lo que ele não era nenhum assaltante....
- Não desta vez nem sequer vou arriscar falar... – pensou ele .... talvez por isso não tenha reparado nos cabelos louro cristalino dela, naqueles cabelos cujos caracóis tombavam sobre o rosto dela como raios de sol.. .no seu olhar verde cor do mar, naquele sorriso terno capaz de lembrar o calor terno da areia quando nos deitamos nela... naquele corpo hirto e doce delineado debaixo daquele vestido laranja alegre...
Metidos dentro das suas carapaças...ele por a achar anti-social... ela por temer aquele estranho olhar que ele trazia... fizeram calados as dez estações que restavam até que ela chegasse ao destino dela.. Então ela arrumou as coisas e levantou-se, já se dirigia à porta quando ele a chamou e se dirigiu a ela...ela pensou que ele a ia magoar... pensou em fugir... mas o medo foi tanto que ela não conseguiu sequer dar um passo... ele aproximou-se dela e para espanto dela entregou-lhe o livro que ela tinha deixado esquecido no banco... – “O amor é um lugar estranho” – Bom livro... disse-lhe ele... disse-o de uma forma doce, melancólica... pura... tão pura que ela reparou se súbito na pureza do olhar dele agora não enevoado pela chuva, mas encantado pela beleza dela... sim... ele tinha ficado deliciado pela beleza terna dela... ela era o verão personificado, o verão que os dias de chuva queriam aprisionar sem conseguir... o verão que ele tinha esperado não todo o ano mas toda uma vida... o seu verão.
Talvez por isso, quando os dedos dos dois se tocaram quando ele lhe deu o livro, naqueles breves segundos sentiram a união da alma...a união dos corpos... sentiram qualquer coisa de especial quente e radioso como uma torrente de lava que vem do ventre da terra mãe... e ficaram segundos a olhar-se...segundos que pareciam ser sem fim... mas que terminaram quando a campainha anunciou proximidade do fecho da porta e ela teve de sair...
Ela saiu...ficou a ver o metro partir... ele não teve tempo para esboçar qualquer reacção vidrado que estava no encanto dela....
Desde aí ele anda de metro todos os dias e faz vezes e vezes aquele percurso na esperança de a encontrar... e embora não tenha tido sucesso ...embora nunca mais a tenha visto... alimenta uma secreta esperança de que o verão ... aquela personificação do verão da sua vida volte a sorrir-lhe... se isso acontecer ele sabe que não a deixará fugir, sabe que irá contar-lhe o seu amor eterno... sabe que ela o irá amar...
Perguntam-se vocês se isso acontecerá algum dia... querem saber... nem eu sei...
Porque não... afinal o AMOR É UM LUGAR ESTRANHO... não é ...

domingo, junho 25, 2006

Portugal ...

Sei que não costumo falar de futebol... mas quando se sofre como sofremos hoje contra a Holanda, quando há a entreajuda que houve dentro e fora do campo... quando se dá um safanão na injustiça e se superam as dificuldades... quando se vencem os nosso limites e se encontram forças para continuar a lutar... o futebol também acaba por ser poetico...

Obrigado Scolari, obrigado Ricardo... obrigado Figo... Obrigado Selecção... Força Portugal


P - Poesia
O- Optimismo
R- Respeito
T- Trabalho
U- União
G - Garra
A- Amor
L- Liberdade


O sonho é nosso...

sexta-feira, junho 23, 2006




















Apenas o olhar....
porque as vezes os olhos falam tanto,
porque as vezes os sonhos não são feitos de palavras,
porque há coisas que não conseguimos escrever...
um sentir qualquer que nos faz olhar o nada...
quem sabe o infinito... e nos dá uma esperança qualquer
de acreditar...


bom fim de semana

quinta-feira, junho 22, 2006

Hercule Savinien Cyrano de Bergerac(1619-1655)

E depois, morrer não é nada, é terminar de nascer

In "A Morte de Agripina"




Soldado francês, satírico, e dramaturgo, cuja vida foi a base de muitas lendas românticas mais ou menos exageradas, sendo a mais conhecida delas a peça de Edmond Rostand, Cyrano de Bergerac escrita em 1897.
A maior obra de Bergerac foram dois contos sobre viagens fantásticas publicados após a sua morte : Historie Comique Des États Et Empires De La Lune, (1657) e L'historie Comique Des États Et Empires Du Soleil (1962)
Em 1676 surge uma compilação de trabalhos de Cyrano que incluem o "poem of Mazarin” (1602-61), uma crítica severa ao cardeal Manzarin.
Segundo Arthur C. Clarke, Cyrano deve ser tido como a primeira pessoa a falar de viagens de foguetão no espaço e o inventor dos foguetes.
O Verdadeiro Cyrano de Bergerac tinha em vida, muito pouco em comum com o herói da peça de Rostand. Ele nasceu Paris, e foi educado por um padre na cidade de Bergerac. Mais tarde foi estudar para o colégio de Beauvais.
Depois de se tornar famoso como boémio e lutador de duelos, alistou-se aos 20 anos no exercito. Contudo era individualista e tinha problemas em ajustar-se a disciplina- opunha-se as guerras e à pena de morte.
O seu espírito humanitário foi reconhecido pelos seus contemporâneos e pelas gerações seguintes. Os retratos dele elaborados por Doyen, feitos depois de Heince, mostram um homem especialmente sorridente, com um pequeno bigode e um avantajado nariz.
Cyrano foi ferido gravemente duas vezes, uma durante uma luta com a Guarda Gasconha (fiel a Mazarin e Richelieu e rival dos nossos conhecidos mosqueteiros do Rei), e outra durante a Batalha de Arras em 1640.
Nesta última foi ferido no pescoço com uma espada, nunca tendo recuperado completamente.
No ano seguinte desiste da carreira militar e vai estudar com o matemático e filósofo Pierre Gassendi.
Influenciado pelas teorias e Gassendi e pela filosofia libertina, escreve histórias de viagens imaginárias à lua e ao sol e satiriza a visão da humanidade e da terra como o centro da criação. Opôs-se também à ideia de Descartes de que os animais são criaturas sem alma.
Na sua viagem imaginária à lua Cyrano embarca num aparato mecânico, potenciado por foguetes que classifica como um pássaro por ter sido concebido com duas pernas.
Na sua Segunda viagem é julgado por um tribunal de aves pelos crimes da humanidade. Cyrano defende-se dizendo que não é um ser humano mas um macaco.
Em 1654, Cyrano de Bergerac publica as peças “LA MORT D'AGRIPPINE“ obra que foi acusada de blasfemia, e LE PÉDANT JOUÉ”, na qual Moliere se inspirou, ou plagiou para escrever parte da sua peça “The Cheats of Chapin”, (salvo erro o segundo acto da mesma).
Cyrano de Bergerac morreu em Paris a 28/07/1655, na sequência de ferimentos provocados pela queda de um barrote de uma obra sobre a sua cabeça .

A peça de Rostand “Cyrano de Bergerac” descreve as aventuras de um homem notável do século XVII, famoso pelo seu grande nariz e pelas suas qualidades de espadachim.
Nela Cyrano ama apaixonadamente a bela Roxane, mas apesar disso aceita ajudar Christian, a conquista-la.
Apesar de alguns historiadores considerarem exagerada a faceta heróica que Rostand confere a Cyrano, ele é reconhecido como um grande escritor de romances filosóficos e um amante apaixonado.


Registo Das Obras Principais

La Mort D'agrippine, 1654 - The Death Of Agrippine
Le Pédant Joué, 1654 - The Pedant Imitated
Historie Comique Des États Et Empires De La Lune, 1657 - Selenarchia: The Government Of The World In The Moon / The Comical History Of The States And Empires Of The Moon
L'historie Comique Des États Et Empires Du Soleil, 1662 - Other Worlds: The Comical History Of The States And Empires Of The Sun - (Both Books, Moon And Sun, Trans. By Geoffrey Strachan, 1965)
Œuvres Comiques, Galantes Et Littéraires, 1858
Les Œuvres Libertines, 1921
Lettres D'amour Et Lettres Satiriques, 1932
Œuvres, 1957
Voyage Dans La Lune, 1977
Œuvres Complètes, 1978



Nota :

Esta biografia de Cyrano é resultado de uma pesquisa que fiz, talvez porque há nele algo com que me identifico.
Optei por coloca-la aqui para partilhar com vocês a minha admiração pelo homem notável que foi Cyrano, sobretudo no que respeita à dimensão humana independentemente do enredo fabulástico de Rostand... não que esteja contra Rostand, não que esteja contra a fábula, depois e se é verdade que Cyrano foi um espadachim notável, um filósofo e percursor das viagens espaciais es e é sabido que ele escreveu as cartas de amor que escreveu e é capaz de falar do amor e da vida da forma intensa em que o faz na peça a Morte de Agripina, não faz mal nenhum, nesta era em que os heróis são criados e consumidos em segundos na televisão, não nos faz mal nenhum sonhar que um dia Cyrano amou Roxane, com o mesmo brilho, a mesma essência e a mesma honra que emana do enredo construído por Rostand.

Pela poesia...Pelo amor... além da vida.... bem ajam

segunda-feira, junho 19, 2006

Apenas eu...





















Porque hoje não encontro palavras e a linguagem se foi..
porque só há lugar para o silencio...
para a saudade...
para uma essencia qualquer que não se expressa letra a letra,
porque as vezes o que somos, o que sonhamos.....
é demasiado intenso, verdadeiro e irreal para ser escrito.

domingo, junho 18, 2006

AS CARAVANAS DO ESQUECIMENTO

Um poema do meu grande amigo lorenzo monsanto sandoval, porque apesar de tudo ele sim sabe ser poeta..

abraço lorenzo


Por favor
Apaguem as luzes.
Desçam as cortinas.
Arrumemos os adereços.
Cenários.
Deixemos o soalho de madeira,
Respirar e acumular o pó,
Sob o efeito de luz dançámos.
Arrumemos pois.
Bagagens.
Rumemos para outra aldeia.
Aqui, aqui já nada existe.
Sobejamente conhecidos.
Sobejamente rejeitados.
Partiremos pois, porque se faz tarde.
Partiremos pois, livres.
Partiremos pois, deixando para trás
O palco, onde tantas vezes se declamou
E actuou.
Partiremos pois
Nas nossas velhas caravanas do esquecimento.
Partiremos pois, e cantemos
Sobre as notas flutuantes
Das gaitas-de-beiços.
As brumas recolhem agora,
Odores e fragmentos de amor,
Que durante muito tempo
Arrepiaram a nossa pele.
Os nossos diálogos
Ecoaram docilmente nas longas madrugadas de Inverno.
Contigo vimos chegar
O senhor do frio
E foi também contigo, que vi o sol morno adormecer
Nas ondas de diamante de um mar,
Que nunca foi nosso.
Arrumemos pois
E rumemos para outra aldeia.
Aqui, aqui a Terra já nada quer receber.
Santa afirmação.
Aqui, aqui a Terra ilude-nos,
Mas nós, nós não estamos secos.
Nós não somos o chão que acolhe a lama suja.
Nós somos a arte.
A arte incompreendida.
A arte de perder o que se ama receber.
Nós somos a arte, onde a paixão se divide
Em milhares de lagos
E onde
Nos banhamos meigamente
Nos açudes refrescantes da harmonia.
Nós não temos medo.
Nós não temos medo de invocar
Sentimentos inglórios e distantes.
Nós caminhamos sobre as pedras abruptas
Do caminho desconhecido e abrupto.
É neste, que vamos semeando farpas de desprezo.
Nós estamos aninhados.
Nós estamos interiorizados.
Em pequenas bolas de sabão.
Bolas de sabão que apenas seguem
As eloquentes brisas de Verão.
E lá, lá trepamos
Nas vivas cores de um arco-íris perdido.
Nós não estamos secos.
Nós não somos o chão que acolhe a lama suja.
Nós não somos a Terra impura.

sexta-feira, junho 16, 2006

amo-te ... silencio

Porque nas horas desertas
de mim... me amparas.
Porque louco me embalas
Nos intervalos das musicas
No estremecer da voz
num vazio qualquer na noite
num madrigal qualquer de dia

Porque que me atiças a alma
No meio de fúrias e calma...
E do nada fazes murmúrios
Poemas feitos de gestos
doces sonhos fonemas
alguns deles poemas
alguns deles canções

Porque é para ti que falo
Em cada final de frase,
em cada dobrar de linha
de um poema qualquer
sonhos que sussurro
as vezes sem dizer
outras vezes dizendo
sem precisar de falar

Porque é a ti que escuto
Quando me sinto perdido
E é contigo que fico
Quando fujo de mim
E és tu quem está comigo
quando me sinto sozinho
e mesmo sabendo-me perdido
permites que volte a ti

porque é a ti que eu beijo
quando nem a pele vejo
e são tens os seios
em que repouso o meu queixo
e são teus os braços
em que embrulho o meu corpo
e es tu quem dorme a meu lado
quando me deito sozinho

Porque é teu o sonho
que molda a minha alma
nas desventuras da mágoas
nas inconstância da vida
no gemer de uma guitarra,
ou num sopro qualquer de vida
frissom da chuva a cair,
vento agreste qualquer
uma vontade de ir
um grito por acontecer

Porque és tu meu ronronar
Meu castigo de viver
Minha lua de algum lugar,
Minha ode por escrever
Meu amor por acontecer
sopro divino dos dias
romance por acabar
prosa sem redondilhas

Porque és tu que me inflamas
E despertas poesias
gaivota etérea de sonhos
pairando no firmamento
uma vela eregida ao vento
na amurada de um veleiro
pelo força de um barqueiro
sequioso de folias

Porque es tu quem vou beijar
Mesmo antes de morrer
tu que és meu ultimo adeus
meu derradeiro suspiro
poemas são os olhos teus
o resto é um desalinho
porque és tudo o que eu canto
todo o meu canto..
tudo o que eu vivo.

Porque és gloria e morte
Sopro fiel,
Boa ou má sorte
Meu triste fel
Sabor a mel
Meu fado, meu canto
Minha lágrima

Amo-te....
Silencio...
amo-te...
... tu

quinta-feira, junho 15, 2006

Parabéns Fernando Pessoa










Autopsicografia"

O poeta é um fingidor.
Finge tão completamente
Que chega a fingir que é dor
A dor que deveras sente.
E os que lêem o que escreve,
Na dor lida sentem bem,
Não as duas que ele teve,
Mas só a que eles não têm.
E assim nas calhas de roda
Gira, a entreter a razão,
Esse comboio de corda
Que se chama coração.


01.04.1931


Parabéns pelos teus 118 anos, porque embora o corpo possa ser efémero a magia das tuas palavras, dessa essencia que brota da tua alma é e será sempre eterna.
Obrigado pela inquietude que deixas nos corações de todos os que te leem, por esse grito qualquer eterno, por essa essencia que é vida renascida letra a letra...

segunda-feira, junho 12, 2006

HOMENAGEM A JORGE PALMA

Deixo-vos uma das letras de que mais gosto do grande jorge palma, no fundo uma pequena homenagem ao cantor, poeta, sonhador que apesar de saber que o ser humano é "fragil" nos alimenta a esperança de sonhar com "o bairro do amor" ou com a "terra dos sonhos" e assim nos deixa a esperança de alguma gloria nesta senda que é viver estando "a espera do fim".
Escolhi esta música porque acho que o estado de espírito que revela demonstra muitas vezes como me sinto..
A ti Jorge Palma, o meu bem aja por toda a cor que dás ao nosso mundo e pela ousadia com que vives os sentimentos a flor da pele nas letras que escreves.
A vocés espero que nunca desistam de encontrar a vossa terra dos sonhos... o vosso aconchego.
Sabem ... estou a adorar dar-vos a conhecer o meu mundo, os autores e pessoas que são importantes para mim... esta partilha é muito bonita.


D. Quixote foi-se embora


Acende mais um cigarro, irmão

inventa alguma paz interior
esconde essas sombras no teu olhar
tenta mexer-te com mais vigor
abre o teu saco de recordações
e guarda só o essencial
o mundo nunca deixou de mudar
mas lá no fundo é sempre igual
E agora, que a lua escureceu
e a guitarra se partiu
D. Quixote foi-se embora
com o amigo que a tudo assistiu
as cores do teu arco-íris
estão todas a desbotar
e o que te parecia uma bela sinfonia
é só mais uma banda a passar
A chuva encharcou-te os sapatos
e não sabes p'ra onde vais
tu desprezavas uma simples fatia
e o bolo inteiro era grande demais
agarras-te a mais uma cerveja
vazia como um fim de verão
perdeste a direcção de casa
com a tua sede de perfeição
Tens um peso enorme nos ombros
os braços que pareciam voar
tu continuas a falar de amor
mas qualquer coisa deixou de vibrar
os teus sonhos de infância já foram
velas brancas ao longo do rio
hoje não passam de farrapos
feitos de medo, solidão e frio

sexta-feira, junho 09, 2006

Ansejos

Um poema que escrevi e que fala muito da minha busca, da minha essencia incompleta....

Ansejos...


gostava que esta noite
tu ficasses deitada comigo
e que ao som de uma canção
tu me abraçasses e dissesses
... estou contigo .
gostava que num torpor
tu me beijasses...
e me envolvesses
na tua áurea encantada.
gostava que com amor
tu me queimasses...
e que num momento de loucura
sussurrasses palavras deste amor fatal
já mais esquecido.
gostava de te levar num carrossel
e de te envolver assim ... perdida.
gostava de ser teu ... para toda a vida.
só para te acordar de manhã
como se fosses
a mais doce bela adormecida .
gostava que soubesses
que te quero e que és a mulher
que eu mais venero nesta vida.
gostava que acreditasses
nas palavras que aqui digo
pois de outra forma dizer-tas
... não consigo.
mas também que posso dizer
que aqui não tenha dito.
que loucura vai fazer ...
calar este meu grito.
que outra forma cruel
me vai esmagar
do que saber-te aqui
sem te contar
...todas estas coisas
... que eu sinto.
simplesmente por saber
que para ti não são mais
...do que palavras ditas .
por saber que vais pensar
que eu aqui minto .
e talvez nem adiante,
talvez até nem ligues
... ao que eu sinto.
porquê amar-te assim
sem ter razão.
porquê querer ser eu
o teu amor .
porquê julgar teu
meu coração.
porquê, porque, porquê...
devo estar louco!
louco! louco!
mas não te minto...
e a verdade é que te amo,
mesmo que não passem
...de palavras perdidas,
como folhas caídas...
na árvore da minha vida .
como se fossem
simplesmente pedaços
de tudo o que eu sinto...
e de outra forma...
...não sei dizer.

domingo, junho 04, 2006

solidão

imagem quadro "Danae" de Klimt .

A solidão entranha-se no corpo, corroi-nos até aos ossos, até à alma...
sentirmo-nos sós é ter em nós algo de vazio, é viver continuamente a sensação de uma cama vazia, de um quarto vazio... pior que isso ... a sensação de estar vazio por dentro... como se houvesse algo de mim, algo do meu peito, da minha vida, da minha essencia que alguém, ainda não sei quem... levou e se esqueceu de devolver.
Uma angustia que doi e não sara de ver os dias irem morrendo pouco a pouco... e com eles a capacidade de suportar.

segunda-feira, maio 29, 2006

ERNEST HEMINGWAY



"Se pensarmos um pouco, as pessoas boas sempre foram pessoas alegres. "

Ernest Hemingway
"O Bom Escritor

Todos os bons livros assemelham-se no facto de serem mais verdadeiros do que se tivessem acontecido realmente, e que, terminada a leitura de um deles, sentimos que tudo aquilo nos aconteceu mesmo, que agora nos pertencem o bem e o mal, o êxtase, o remorso e a mágoa, as pessoas e os lugares e o tempo que fez. Se conseguires dar essa sensação às pessoas, então és um bom escritor."

Ernest Hemingway

"A sabedoria dos velhos é um grande engano. Eles não se tornam mais sábios, mas sim mais prudentes "

Ernest hemingway "O Adeus às Armas"
uma homenagem merecida a alguem que soube viver a vida na sua tenacidade...
na esperança de que a obra o velho e o mar continue a saber ensinar adultos e crianças a ousarem acreditar nos seus sonhos, tal como santiago, o velho pescador.
até a um por-do-sol africano qualquer

sábado, maio 27, 2006

KERO-TE

Ele trajava um casaco azul escuro, já um bocado desbotado, mas ainda assim exuberante e uma camisa de um branco madrepérola muito bem gomada, calçava um par de sapatos ao melhor estilo inglês quase a lembrar um dançarino de outros tempos. Quem o visse aliás a passear na rua com a sua velha bengala e chapéu de coco, com aquele ar frigio e rectilíneo de quem parece andar sem tocar o firmamento, facilmente poderia imagina-lo a dançar ao lado do fred astaire, tão subtil era a sua forma de andar, de gestuar, tão delicada era a sua conduta.
- é o ultimo dos senhores! - alguém disse, O último dos poetas…
Com efeito quem atentasse ao seu rosto mesmo sem ser preciso ler as suas obras, mesmo sem ser preciso ouvi-lo, só pelo modo como os seus olhos brilhavam, só pelo modo como o seu sorriso era aberto e grande e pela forma como esse sorriso emergia do fundo da sua farta barba escura de onde a onde já ponteada pelo branco dos seus 49 anos, facilmente identificava nele um poeta, um amante do sonho mais do que da vida.
De facto ele escrevia, de facto compunha versos e versos letra a letra, de facto apregoava o amor, o canto, a mágoa, o sonho, a perda e fazia-o tão bem e de um modo tão profundo que se em qualquer recanto ele dissesse um dos seus poemas conseguia parar a cidade, comover os corações elevar a mente.
Ele sabia fazer isso, sabia o peso da palavra, a sua força, a vida tinha-lhe ensinado isso, tinha-lhe dado algo que para muitos poderia ser entendido como um dom, mas que com o passar dos anos, com o avivar e o suceder das dores já sabia ser um castigo.
Talvez por isso era agora mais contido… Não … não quero dizer menos apaixonado, quero dizer apenas mais silencioso, como se tivesse refugiado as palavras no seu peito sem faze-las vir a luz do dia.
Apesar dessa contenção fazia questão de dominar afincadamente a língua portuguesa, usava-a na sua vertente mais clássica ... tão clássica que só com o passar dos anos aceitou que farmácia se escreve agora sem “ph” e se debate ainda em acesa discussão quando alguém quer escrever por exemplo a palavra “recto” sem “C” ...
- Reto - é uma parte do rabo – diz-se recto … se eu sou recto, significa que ajo segundo os meus princípios, que sou correcto, não tem nada a ver com essa partes do corpo” – Diz ele prontamente ( e se calhar … cá para mim com alguma razão).
De resto estas novidades como o “bués”, o “curte”etc… para ele não fazem nem farão sentido algum… - “se o dicionário as integrou no vocabulário….- Mal o dele … não presta”.
Não ele não era agressivo nas discussões, e cá para nós… mesmo que fosse as pessoas já não ligavam ao que dizia… as crianças gostavam mesmo de picá-lo, habituavam-se aquele olhar paternal… gostavam de vê-lo arreliado, de ouvir as suas explicações.
Ele também gostava de se sentir picado… sempre sentia algo…sempre lhe vinham à memória as discussões na universidade nos tempos de Coimbra, sempre se lembrava da fuga à pide .
Bons tempos, os de luta… mesmo preso e torturado sentia que a liberdade era uma conquista… sabia dar valor nem que fosse ao facto de poder estar no café sentado à noite a ler o jornal do dia sabendo que as noticias não tinham sido objecto de censura.
Para ele o que fazia, os seus hábitos, as suas conquistas, o poder falar com as crianças…ser arreliado por elas, o poder ir aquele cafezinho dia após dia… era algo que fazia parte da sua deliciosa rotina diária… até porque o corpo já não se atrevia a grandes voos.
Talvez por isso o que se passou um destes dias o tenho mudado tanto… O tenha feito sentir-se novamente preechido.
Estava ele sentado no mesmo café onde ia todas as noites quando irrompe café a dentro uma jovem rapariga com os seus 19 anos, como se viesse a fugir de alguém e se senta na sua mesa como se precisasse de refugio.
Ela tinha uma aparência gótica e envergava um vestido curto preto e umas botas D. Martin. Tinha um rosto arredondado de onde sobressaia um sorriso fugidio, quase escondido pelas farripas de cabelo muito escuro e liso, mas que não conseguiam esconder a magia dos seus olhos castanhos mel, nem sequer com a ajuda do hi-line negro escuro… pelo facto de ter o contorno dos olhos algo borrado ele percebeu facilmente que ela tinha estado a chorar… sim tinha estado a chorar.
Assim ele não rejeitou a presença dela, nem mesmo quando o empregado do café lhe perguntou se ela o estava a importunar… Ele sentia que se ela estava ali era porque se sentia segura… não precisava de saber mais… ele iria protege-la… precisava de assumir isso… depois até estava a gostar de ter companhia.
Ela depois de um silencio ensurdecedor pediu-lhe desculpa por se ter sentado… disse-lhe que tinha discutido com o namorado… que ele lhe tinha tentado bater… confessou-lhe que se sentia perdida… ameaçada… - Eu amava-o mais que a mim própria.. sem ele não sou nada… mas com ele nada sou… ele consumiu-me, consome-me … mas sem ele sinto-me vazia e só. – disse-lhe ela.
Ele escutou-a sem interromper… emprestou-lhe o ombro para que ela chorasse e ela fê-lo … estiveram abraçados… Depois ele disse-lhe que só sofrendo um dia se pode alcançar o verdadeiro amor… que só quem chorou um dia pode verdadeiramente amar alguém,… que já tinha passado por essas dores e que essas dores quando saradas tinham sempre algo de luz… doravante os céus são teus... podes voar sem precisar de ninguém- ela pareceu reconfortada com as palavras dele… o seu sorriso voltou a florescer… parecia uma pessoa nova… viva…
Talvez por isso se despediu uns minutos depois, e saiu do bar.
Ele voltara a estar só… mas já não se sentia só… havia rasgos da presença dela no ar…
Uns minutos depois um barman veio entregar-lhe um pedaço de papel escrito por ele antes de partir e onde se podia ler … “hoje foste o meu anjo, obrigado por me teres acolhido nas tuas asas… agora sei que os céus são meus e também tenho o direito de voar… e porque me ensinaste que posso voar... KERO-TE”…
Ele ao ler isto ele sentiu-se tão feliz e novamente tão inteiro que nem sequer ligou ao “K” em vez do “Qu” e garanto- vos nunca nenhuma frase lhe pareceu tão bela.
Depois quem vos disse que o amor precisa de palavras...

quinta-feira, maio 25, 2006

TIMOR LOROSAE

OH! LIBERDADE!

Se eu pudesse
pelas frias manhãs
acordar tiritando
fustigado pela ventania
que me abre a cortina do céu
e ver, do cimo dos meus montes,
o quadro roxo,
de um perturbado nascer do sol
a leste de Timor

Se eu pudesse
pelos tórridos sóis
cavalgar embevecido
de encontro a mim mesmo
nas serenas planícies do capim
e sentir o cheiro de animais
bebendo das nascentes
que murmurariam no ar
lendas de Timor

Se eu pudesse
pelas tardes de calma
sentir o cansaço
da natureza sensual
espreguiçando-se no seu suor
e ouvir contar as canseiras
sob os risos
das crianças nuas e descalças
de todo o Timor

Se eu pudesse
ao entardecer das ondas
caminhar pela areia
entregue a mim mesmo
no enlevo molhado da brisa
e tocar a imensidão do mar
num sopro da alma
que permita meditar o futuro
da ilha de Timor

Se eu pudesse
ao cantar dos grilos
falar para a lua
pelas janelas da noite
e contar-lhes romances do povo
a união inviolável dos corpos
para criar filhos
e ensinar-lhes a crescer e a amar
a Pátria Timor!


Xanana Gusmão
Cadeia de Cipinang - 8 de Outubro de 1995.


Na esperança de que o povo timorense saiba reencontrar o caminho da paz e da harmonia.
porque os ultimos acontecimentos não podem fazer perigar a luta de um povo, e fazer cair por terra todas as esperanças criadas durante anos à custa de lágrimas,morte, sangue e dor.
Porque a luta pela liberdade e pela paz ocorre também nos caminhos da escrita e da palavra, deixo-vos este poema de xanana gusmão,presidente de timor lorosae, poeta, pintor e acima de tudo o obreiro da liberdade e da independência de timor.
Força XANANA. Pela tua nação,pela paz, e pelo sonho revolucionário que é ousar ser livre .

VIVA TIMOR LOROSAE

sábado, maio 20, 2006

A beleza... para os que ainda vem cá

"A beleza é triste pois ela está no lugar de algo que se foi. O tempo perdido não pode ser recuperado. Sua beleza só pode ser vivida como ausência: a beleza dói... Magia é isto: invocar o que se foi, mas que continua a nos habitar. Ou será poesia?"
Rubem Alves

Porque apesar de alguns acharem que escrever é uma dádiva e é tão facil como se não sentisse, as vezes sinto as palavras que escrevo cravarem-se como punhais no meu próprio peito.

porque cada poema é um pedaço de mim que arranco, uma cicatriz que me vem do fundo da alma. Uma cruz que marca os dias... talvez vestigios de alguem que se amou e se perdeu.
deixo-vos esta homenagem aos poetas loucos que como eu se entregam e se dissolvem aos poucos em palavras

quarta-feira, maio 17, 2006

ainda al berto...

Um texto de al berto que roubei de um commment que a rita colocou... talvez porque todos precisamos de viajar, de sentir pulsar em nós a ansia do infinito, a fuga de todas as grilhetas.

com uma homenagem especial a alguém que é uma viajante com tudo de bom o que ser viajante pode ter, uma pessoa que aceita os outros como são, na sua variedade, na sua especificidade e a quem posso chamar cidadá do mundo pois tem como patria a luz que lhe mora no coração...
simplesmente porque suponho que essa pessoa vá gostar e queria que ela soubesse que está no meu pensamento nesta fase particular da sua vida.

(...)Um dia li num livro:«Viajar cura a melancolia». Creio que, na altura, acreditei no que lia.

"Viajar, se não cura a melancolia, pelo menos purifica. Afasta o espirito do que é supérfluo e inútil; e o corpo reencontra a harmonia perdida - entre o homem e a terra. O viajante aprendeu, assim, a cantar a terra, a noite e a luz (...) Aprendeu a nomear o mundo.
Separou com uma linha de água o que nele havia de sedentário daquilo que era nómada; sabe que o homem não foi feito para ficar quieto. A sedentarização empobrece-o, seca-lhe o sangue, mata-lhe a alma - estagna o pensamento.
Por tudo isto, o viajante escolheu o lado nómada da linha de água.
Vive ali, e canta - sabendo que a sua vida não terá sido um abismo, se conseguir que o seu canto, ou estilhaços dele, o una de novo ao Universo(...)

Obrigado a todos os que vem cá e em particular a cat por merecer este post e à rita por ter partilhado comigo este texto, este pedaço de luz.
Rapidas melhoras jorge a cat.
abraço

sexta-feira, maio 12, 2006

Confissão

há uma coisa que quero partilhar com vocês, e sobre a qual tenho reflectido nos últimos tempos, que tem a ver com a interrogação sobre qual será a verdadeira razão do amor, a verdadeira razão de amarmos?
A minha duvida é simplesmente esta... Porque será que continuamos a amar mesmo que o amor nos tenha feito sofrer, uma ,duas, três vezes, teremos em nós algo de destrutivo, será o amor vida e morte, açucar e fel, luz e penumbra, algodão e lamina?
será que existe um amor perfeito à nossa espera capaz de curar as desilusões amorosas, consertar os desenganos? será que para se chegar a esse alguém é preciso sofrer, como se esse sofrimento fosse condição essencial da perfeição? Ou será que as coisas do coração são simplesmente jogos em que uns ganham e outros perdem, como actores de um enredo sem sentido?
Em conversa com uns amigos em que falava disto veio-me a cabeça a seguinte ideia mais ou menos alucinada...

se deus, acreditando que ele existe, nos fez há sua imagem e semelhança, ( e como tal se ele é perfeito, nós também temos potencialmente tudo para o ser), amar é simplesmente um acto de loucura, pois não é mais do que resignadamente ou não, nos amputarmos dessa perfeição, aceitarmos ser incompletos, para depositar essa qualquer coisa noutro alguém que nos completa ao ponto de valer a própria vida, a própria alma, a própria busca da luz, numa atitude que nos torna tão deliciosamente perfeitos.

pessoalmente sinto-me contente por ser louco, por ser imperfeito, mesmo que as vezes, sobretudo porque sei a raiz da minha imperfeição, aquela parte de mim que está ausente ,e faça sentir tenebrosamente incompleto.

Para os loucos (ou pelo menos para aqueles que se atrevem) fica o consolo deixado pela seguinte fraze de Nietzche "Há sempre alguma loucura no amor. Mas há sempre um pouco de razão na loucura "

que a razaõ e sobretudo o amor esteja convosco . BOM FIM DE SEMANA

quinta-feira, maio 11, 2006

era uma vez

Era uma vez
Era uma vez um menino
Era uma vez um menino que olhava
Era uma vez um menino que olhava o mar
Era uma vez um menino que olhava o mar e via
Era uma vez um menino que olhava o mar e via nas ondas
Era uma vez um menino que olhava o mar e via nas ondas destinos por alcançar
Era uma vez um menino que olhava o mar e via na ondas destinos por alcançar e sonhava
Era uma vez um menino que olhava o mar e via nas ondas destinos por alcançar e sonhava com novos mundos
Era uma vez um menino que olhava o mar e via nas ondas destinos por alcançar e sonhava com novos mundos quer descobria em caravelas feitas de letras,
Era uma vez uma vez um menino que sonhava que um menino que olhava o mar e via nas ondas destinos por alcançar e sonhava com novos mundos quer descobria em caravelas feitas de letras, de palavras e de sonhos...
Era uma vez um menino que sonhava com outro menino,
Era uma vez um menino que sonhava
Era uma vez um menino
Era uma vez
... um sonho .

terça-feira, maio 09, 2006

PARA... TI

Porque a lua brota dos teus olhos da forma mais bela que já vi e acende os sonhos, acende a vida.
Porque o teu sorriso imenso é meigo e quente e sabe ser coberta e aconchego de todas as dores.
Porque a tua alma transparece de uma forma bela nas palavras que dizes, nos sonhos que contas, em tudo aquilo de belo que dás de ti.
Porque dás tanto... tanto... lua, carinho, vida, luz,... amizade... essencia.... aconchego, sonho, sopro, poiso, ninho, céu....
Porque és essencia... toda a essencia.... toda a poesia...
tanta poesia que as palavras se constrangem, se tornam mormúrios para te descrever...
mas acima de tudo... porque és tu...
Porque fazes anos hoje....
Porque não encontrei outra forma...
de te dar os PARABÉNS...
e de te agradecer por toda a cor que tens dado aos meus dias

segunda-feira, maio 08, 2006

boa semana

deixo-vos um poema do grande AL BERTO, poeta que como ninguem conta a vida com as suas dores, com a sua essencia, com a sua insustentavel leveza...
escolhi este poema porque hoje me sinto a remendar o pano das minhas velas... como se também eu estivesse à espera do regresso da luz.



Há-de flutuar uma cidade


Há-de flutuar uma cidade no crepúsculo da vida
pensava eu... como seriam felizes as mulheres
à beira mar debruçadas para a luz caiada
remendando o pano das velas espiando o mar
e a longitude do amor embarcado

por vezes
uma gaivota pousava nas águas
outras era o sol que cegava
e um dardo de sangue alastrava pelo linho da noite
os dias lentíssimos... sem ninguém

e nunca me disseram o nome daquele oceano
esperei sentada à porta... dantes escrevia cartas
punha-me a olhar a risca de mar ao fundo da rua
assim envelheci... acreditando que algum homem ao passar
com a minha solidão

(anos mais tarde, recordo agora, cresceu-me uma pérola no
coração. mas estou só, muito só, não tenho a quem a deixar.)


um dia houve
que nunca mais avistei cidades crepusculares
e os barcos deixaram de fazer escala à minha porta
inclino-me de novo para o pano deste século
recomeço a bordar ou a dormir
tanto faz
sempre tive dúvidas que alguma vez me visite a felicidade


Al berto

sexta-feira, maio 05, 2006

Coisas que percebi hoje... bom fim de semana

Hoje acordei com um espirito positivo, lavei da alma a sensação de perda que tinha, as dores de que padecia.
No fundo elas não faziam sentido, não perdi ninguem, esse alguem está comigo.... estará comigo sempre.
Irá receber o melhor que a vida me deu e ensinou a dar... a AMIZADE.
Depois quando se é realmente amigo e se partilha a alma, como eu e esse alguem nos habituamos a fazer ao longo de tanto tempo, a distancia entre o amor utopico e a amizade esbatem-se, da-se a vida pela pessoa, sonha-se com a pessoa, vive-se com fragmentos da pessoa na alma, não importa o nome que lhe damos, o armário que ocupa no coração, o que importa é A ENTREGA.

Disse que acordei bem não só por isso, e sim isso foi o que fez desfazer-se-me a dor que me moia,mas porque percebi algo que ignorava há uns tempos, algo que é no fundo a minha maior qualidade, o meu talvez quase destino.

- O que eu sou realmente bom a fazer é ajudar os outros.

Ontem soube-o não só no trabalho, não só porque ajudei duas grandes amigas, mas acima de tudo porque percebi que as vezes mesmo com um desconhecido na rua se pode fazer a diferença, ainda mais quando à nossa volta os outros estão mais cegos de si próprios e se sentem mais vazios.
Não estou com isto a gabar-me, vocés que me leem e já são meus amigos sabem que não me gabo disso, só queria partilhar com vocés o quanto esta convicção me está a harmonizar a minha relação com o destino.. só queria reafirmar-vos o meu compromisso de estar onde for preciso,quando for preciso,pronto a ACREDITAR.


Porque falei no destino deixo-vos um fado que tem muito a haver comigo e que as vezes me faz pensar que como diz a grande Carla no blog dela, "as vezes me apetece não pensar e deixar-me ir ao sabor do vento".

BEM AJAM PELO VOSSO SORRISO, A VOSSA ALMA... A VOSSA LUZ... OBRIGADO AQUELE ALGUÉM POR ESTAR PRESENTE, POR SER POEMA, COMPANHIA, LUZ AMIGA.


BOM FIM DE SEMANA


- FADO DE CADA CADA UM

Letra: Silva Tavares
Música: Frederico de Freitas


Bem pensado
Todos temos nosso fado
E quem nasce mal fadado
melhor fado não terá

Fado é sorte
E do berço até á morte
Niguem foge por mais forte
Ao destino que Deus dá

Meu fado amargurado
A sina minha bem clara
se revelou,
Pois cantando
seja quem for adivinha
na minha voz soluçando
que eu finjo ser quem não sou

Bem pensado
Todos temos nosso fado
E quem nasce mal fadado
melhor fado não terá

Fado é sorte
E do berço até á morte
Ninguém foge por mais forte
Ao destino que Deus dá

Tal seria poder um dia
trocar-se o fado
por outro fado qualquer
Mas agente ...
já tem o fado marcado
E nenhum mais inclemente
do que esse de seres mulher

Bem pensado
Todos temos nosso fado
E quem nasce mal fadado
melhor fado não terá

Fado é sorte
E do berço até á morte
Ninguém foge por mais forte
Ao destino que Deus dá

quarta-feira, maio 03, 2006

a propósito da peça azul a cores.. ou talvez não...

FICHA TÉCNICA

Produção:Teatro da trindade, Inatel/ projecto Mundo Perfeito
Texto:Filipe Homem Fonseca
Concepção cénica e interpretação: Margarida Cardeal e Tiago Rodrigues

A minha Opinião:

uma peça a não perder, um texto a não perder, a prova provada que amar dói, que a ausência do amor dói, que o amor as vezes se desgasta e nos gasta a nós.
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Porque me fascinaram duas frases desta peça, porque tem muito a ver comigo reproduzo-as aqui na integra.

“Sabes aquilo que se diz, a cara-metade? A minha cara-metade? E se a pessoa que nos completa é mais do que a nossa metade? Se sem ela somos um terço, ou um quarto, ou menos? E se a nossa cara-metade for bastante mais que a nossa metade? Se for demais para nós? E se em vez de nos acrescentar, ela nos tira?”

“ Deus deu-nos um dom. o dom de magoarmos aqueles de quem mais gostamos, porque mais cedo ou mais tarde aqueles de quem mais gostamos acabarão por nos desiludir, então temos de ser capazes de magoa-los para não sofrer”


In Azul a cores



Porqué esta dor... esta ausência...
porqué este caos sem ordem, este espinho na alma...

Hoje espero apenas..
...Que o (des)amor sare um dia. que o coração possa ter aconchego ou possamos viver sem coração,
...Que um dia a palavra finalmente dita tenha eco, que o silencio não seja tão profundo, a ausência tão imensa.
...Que um dia volte a haver céu e volte a fazer sentido voar.

Por agora há apenas um rio, qualquer de torrentes que brotam na minha alma, por agora há apenas o não querer ser... o vácuo, o ar...

Por favor extingam-me as palavras do fogo que arde em mim, extingam-me o meu bem querer.

sexta-feira, abril 28, 2006

amar .. por carlos drumond de andrade

Que pode uma criatura senão,

entre criaturas, amar?

Amar e esquecer,

amar e mal-amar,

amar, desamar, amar?

Sempre, e até de olhos vidrados, amar?



Que pode, pergunto, o ser amoroso,

sozinho, em rotação universal, senão

rodar também, e amar?

Amar o que o mar traz à praia,

e o que ele sepulta, e o que, na brisa marinha,

é sal, ou precisão de amor, ou simples ânsia?



Amar solenemente as palmas do deserto,

o que é entrega ou adoração expectante,

e amar o inóspito, o áspero,

um vaso sem flor, um chão de ferro,

e o peito inerte, e a rua vista em sonho, e uma ave de rapina.



Este o nosso destino: amor sem conta,

distribuído pelas coisas pérfidas ou nulas,

doação ilimitada a uma completa ingratidão,

e na concha vazia do amor a procura medrosa,

paciente, de mais e mais amor.



Amar a nossa falta mesma de amor, e na secura nossa

amar a água implícita, e o beijo tácito, e a sede infinita.



CARLOS DRUMOND DE ANDRADE

segunda-feira, abril 24, 2006

O amor

Para aqueles que amam...

Para os que sonham e vibram com a vibração que só esse sentimento dá.

Para os que trazem alguém na alma, memórias de alguém, da essencia de alguém, do cheiro de alguém, do viver de alguém, cicatrizes da presença do corpo de alguém deixadas na cama, no corpo, ante e além da pele , vestigios da partilha dos sonhos de alguém, mais ou menos presentes, chagas doces mais ou menos profundas e saradas.

Para aqueles que amam e são correspondidos. Porque ainda acreditam, porque apregoam o amor aos sete ventos, porque beijam, porque se dão, porque se embalam a dois no marasmo dos dias, porque se entregam.

Para aqueles que amam, mesmo sem terem coragem de dizer, porque sonham, porque se projectam, porque choram, porque suspiram, porque sentem, porque sabem o quanto vale um beijo o quanto ele é bom, e sabem o quanto custa sentir que o beijo fica por dar, o quanto custa ter a palavra amo-te a flor da pele sem que ela alcance os dias e mesmo assim se atrevem a estar lá, a serem fies a pessoa amada, e mesmo assim sonham com ela e davam a vida por ela.

Para aqueles que amaram e sofreram tanto que já não querem amar... porque uns e outros fomos todos pelo menos uma vez na vida parceiros nessa dor... na esperança de que num virar de esquina qualquer reencontrem de novo a luz.

Para os que nunca amaram, porque não foram, não são capazes de descrever este ganho que é vida, que é grito, que é essencia que é sorriso, que é também perda, suplica, desespero, lágrima... vida, quer essa vida nos escape ou não por entre os dedos... simplesmente porque nunca foram capazes de se deixar dar, deixar-se morrer aos poucos, para renascer em algo mais forte mais intenso... esperando que nunca venham a sentir a dor da ausência, a dor que é não saber o que é adormecer ao lado de alguém, tomar banho com alguém, chorar no ombro de alguém.

Para os que gozam com o amor que lhes é dado, para os que o usam, para os que traem, para os que pisam...temendo que a vida um dia se revolte contra eles e experimentem o mesmo remédio.


Para mim, que sei o que quero, que sei o que sinto, que sei quem amo, que o demonstro em tantas formas, que escrevo o amor, que sou dilacerado por ele, que sei o que perco por não beijar, mas que não consigo dizer a pessoa amada que o faço simplesmente porque as palavars já estão gastas.


... Deixo-vos um poema de Florbela Espanca... talvez o mais belo poema que conheço sobre o AMOR.




Amar!
Eu quero amar, amar perdidamente!
Amar só por amar: aqui... além...
Mais Este e Aquele, o Outro e toda a gente...
Amar! Amar! E não amar ninguém!
Recordar? Esquecer? Indiferente!...
Prender ou desprender? É mal? É bem?
Quem disser que se pode amar alguém
Durante a vida inteira é porque mente!
Há uma primavera em cada vida:
É preciso cantá-la assim florida,
Pois se Deus nos deu voz, foi pra cantar!
E se um dia hei-de ser pó, cinza e nada
Que seja a minha noite uma alvorada,
Que me saiba perder... pra me encontrar...
Florbela Espanca

sexta-feira, abril 21, 2006

Bom fim de semana

«Descobri que o principezinho estava cheio de sono, peguei-lhe ao colo e recomecei a andar. Eu ia comovido, parecia-me até que não havia nada mais frágil a face da terra. Contemplava, à luz do luar, aquele rosto pálido, aqueles olhos fechados, aquelas mechas de cabelo a tremer ao vento e pensava: “ O que eu estou a ver não passava de uma capa. O mais importante é invisível....”
Desenhara-se-lhe um vago sorriso nos lábios entreabertos e eu pensei “o que me comove tanto neste principezinho adormecido é a sua fidelidade a uma flor, é a imagem de uma rosa que, mesmo quando ele dorme, brilha lá dentro como a chama de uma vela.” E ele pareceu-me ainda mais frágil. Porque, às velas, é preciso protege-las: mal lhes dá o vento apagam-se. »
Antoine Saint-exupéry in O principezinho

Espero que a vela de luz que mora nas vossas almas se mantenha sempre acesa e que possam ser sempre fiéis as vossas rosas, aos vossos sonhos.
Acima de tudo espero que na vida nos possamos ir conhecendo melhor, uns aos outros e nós mesmos, para que possamos ir cruzando as nossas fragilidades e assim ir tendo coragem para suportar.

quinta-feira, abril 20, 2006

Homenagem a Samuel Beckett

Hoje deixo-vos dois textos de Beckett
Porque passaram 100 anos e alguns dias desde o seu nascimento.
Porque poucos sabem dizer tão bem como ele a vida e o sonho e sabem, tecer a vida levando-a das letras ao palco.
Porque o meu encenador e amigo joão lázaro ofereceu o "à espera de Godot" ao meu também grande amigo Fernado e como um e outro tem bom gosto, tive vontade de reler beckett.
Porque...simplesmente porque gosto.

"As lágrimas do mundo são inalteráveis.
Para cada um que começa a chorar, em algum lugar outro pára.
O mesmo vale para o riso...»

In à espera de Godod


É o Fim que Confere o Significado às Palavras.
Apenas as palavras quebram o silêncio, todos os outros sons cessaram. Se eu estivesse silencioso, não ouviria nada. Mas se eu me mantivesse silencioso, os outros sons recomeçariam, aqueles a que as palavras me tornaram surdo, ou que realmente cessaram. Mas estou silencioso, por vezes acontece, não, nunca, nem um segundo. Também choro sem interrupção. É um fluxo incessante de palavras e lágrimas. Sem pausa para reflexão. Mas falo mais baixo, cada ano um pouco mais baixo. Talvez. Também mais lentamente, cada ano um pouco mais lentamente. Talvez. É-me difícil avaliar. Se assim fosse, as pausas seriam mais longas, entre as palavras, as frases, as sílabas, as lágrimas, confundo-as, palavras e lágrimas, as minhas palavras são as minhas lágrimas, os meus olhos a minha boca. E eu deveria ouvir, em cada pequena pausa, se é o silêncio que eu digo quando digo que apenas as palavras o quebram. Mas nada disso, não é assim que acontece, é sempre o mesmo murmúrio, fluindo ininterruptamente, como uma única palavra infindável e, por isso, sem significado, porque é o fim que confere o significado às palavras. "

in 'Textos para Nada'


espero que estes textos vos agradem tanto como a mim.
PARABENS BECKETT....

segunda-feira, abril 17, 2006

sentir... talvez ainda a propósito das flores

Os sentimentos
São como as flores
Precisam conhecer
a luz do dia

se isso não acontecer
existirão para sempre
mas ficarão aprisionados
em vitrines ou estantes

serão muito mais belos,
puros e verdadeiros
mas nunca .... nunca
criarão raízes

sexta-feira, abril 14, 2006

boa páscoa amigos






















que o sonho vos ilumine sempre .

quinta-feira, abril 13, 2006

coisas que pensei hoje....

Há coisas que acontecem assim, ontem deitei-me com uma luz no coração e sem saber porque passei a noite em claro, deixei-me sem motivo de maior, sem qualquer razão especial para tal, observar a noite e o nascer do dia pelas friestas da persiana que me tinha esquecido de fechar,.
Fiquei quedo e deitado a ver as cores que iam surgindo pelos buraquinhos da persiana, os laivos de luz que invadiam o tecto de quando e que se prolongavam depois para dentro da porta entreaberta do armário do meu quarto, como se buscassem refúgio.
Confesso-vos que na cama me deixei viajar pela interrogação de quem seriam as pessoas que passavam na rua aquela hora da noite, confesso-vos que em alguns casos imaginei enredos secretos, mesmo proibidos, vidas misteriosas como só podem ser as vidas de quem anda na estrada as 3 ou 4 da manhã, imaginei para onde iriam, se teriam alguém à espera, se quando regressassem, onde quer que fossem, iriam sentir-se em casa, se poderiam ao contrário de mim sentirem-se num porto de abrigo e abraçarem o legado de orfeu.
Mais tarde fui-me apercebendo do clarear do dia, do toque laranja do sol e da forma como pouco a pouco o céu ia ficando azul e fui libertando os meus ouvidos ao ponto de testemunhar o cantar de um velho galo das redondezas e de sonhar dançar ao som do chilrear dos pássaros.
Depois e porque o trabalho não perdoa as noites mal dormidas levantei-me da cama e sai à rua com uma vontade de pisar suavemente cada pedrinha da estrada, como se as quisesse saudar... e fi-lo como se percorresse aquele espaço pela primeira vez, como se não fosse uma rotina diária, estática, amorfa.
No trabalho, antes da porta abrir dei por mim a pensar em algumas frases que o Miguel do teato diz na peça por um tempo ainda, e atrevi-me a brincar com elas, com a ajuda da transcrição que a Catarina fez para o blog dela, numa brincadeira que originou o texto que se segue... pois a brincar a brincar, aprende-se a dizer tudo...




Porque quer queiramos quer não no dia a dia .... “ Atravessámos paisagens de interesse desigual, aturámos enxames de pessoas e, entre risos e lagrimas e cantos e silêncios, rastejámos por esse tubo de ensaio, o Universo, que um velho louco ou sábio ou distraído, mas seguramente bastante decrépito, empunha, em suas mãos tremulas, descarnadas”.
Talvez porque as vezes achamos os outros autómatos “ porque eles teimam em agarrarem o tempo e não abrem as mãos, deixando a areia correr, livre, livremente, por entre os dedos” mas acabamos por descobrir que somos tão autómatos como eles.
A vida ensinou-me que “é sempre bom desconfiarmos das palavras” e que “para ganhar pode ser preciso perder tudo...Pois não terá ido mais longe aquele que tudo perdeu?” e não será o nada a libertação suprema para podermos abraçar tudo ???
Porque invariavelmente “a história incita-nos a esperar diariamente o impossível agarra-lo pelas orelhas, é o nosso privilégio” .
Descobri que “nos jogos de Amor, ganha aquele que for mais longe” pelo que tenho de começar a deixar os sentimentos vir a luz do dia até porque “ é sempre bom abraçar alguém” mesmo que “seja da natureza dos encontros serem breves” .
Cheguei a conclusão que é tempo de arriscar o tudo, pois mesmo que o dia seja mau e “nas ruas corra um vento agreste. Às vezes faz calor”, e com o calor, há sempre um sopro de esperança, simplesmente porque “ quem sabe .... Pode ser primavera”

domingo, abril 09, 2006

voltei

porque a catarina e o lorenzo me mostraram o quanto este espaço é importante para mim...
porque sei que a tania, a rita, a py, a mauy, o bruno e a carla vão gostar.
porque a sónia está sempre do meu lado e me conhece melhor do que eu.
porque este silencio me estava a deixar infeliz
porque ainda há esperança de chegar a luz.
ou porque precisava apenas de gritar...
deixo-vos um poema de eudoro augusto chamado luna de lupe.
bem ajam


Quero mais não.
Estou meio over de emoção.
Estou sem aquilo que chamam estrutura
pra amortecer esta aflição,
esta fissura.
Meu corpo é um barco sonolento
e falta vento
pra me levar a outra ilha.
Outra razão, outro delírio,
outro luar de vampiroà procura de um irmão.
Pode parar:
a noite é escura.
Não quero o copo de água pura
que você bebe em minha turva solidão.
Quero mais não.
Hoje me sobra emoção.
Sobra verdade, falta força, sobra sangue.
Hoje eu vou dormir no mangue
que outros chamam coração.
Pode parar.Virou bocejo, era tesão.
Você jamais deu boa vida ao meu desejo,
foi pouco sim pra muito não.
E agora chega.
Deixa rolar mas nunca esqueça
de virar minha cabeça:
eu amo sempre
o lado errado da paixão.


In: AUGUSTO, Eudoro. O desejo e o deserto. São Paulo: Massao Ohno, 1989. Poema integrante da série Ventura.

terça-feira, março 28, 2006

Até breve.

Talvez porque ando a sentir demais
Talvez porque as palavras se esgotaram
Talvez porque há um sopro qualquer de vento que me leva a outras paragens
Talvez por estar cansado de escrever a vida a passar-me perante os dedos
Talvez por já não conseguir dizer que acredito,
Takvez por já não conseguir gritar
E não fazer qualquer sentido continuar a dizer aqui o que não consigo dizer cara a cara, alma na alma,
E já não conseguir brincar ao jogo do poeta que não sou, pois já não sei se vivo, pois já não sei se luto...
É tempo de deixar de postar por uns tempos, tempo de quem sabe dar voz aos silêncios, tempo de explorar outras formas de ser e de dar... porque preciso de regressar à intimidade, conter e redefinir as palavras, rescrever os sonhos...
Não se trata de um adeus a este espaço... trata-se umas férias sem tempo determinado, o tempo necessário para fazer aquela viagem sentimental que só eu posso fazer por mim próprio, o tempo necessário quem sabe para que um turpor qualquer de vida me ajude a explicar quem sou, o que quero, o que amo...
Prometo voltar logo que me sentir mais forte mais vivo, mais recriado, hei-de voltar, porque nunca direi que não aos sonhos, agora só não tenho força para sonha-los assim...sonha-los aqui.
Mas acima de tudo hei-de voltar pois sei que dos vossos dias nasce a luz e eu hei-de escrever essa luz, enquanto na minha alma pulsar qualquer coisas que não sei o que é mas me leva a ter sede de estar vivo.
Agradeço a todos os que fazem e fizeram parte deste meu mundo nestes meses, a todos os que se deram e iluminaram este espaço do mesmo modo que iluminaram a minha vida e estou certo que redescobriremos outra forma qualquer de comunicar e de estar próximos, pois afinal fazem parte dos meus dias.
Deixo-vos um poema que escrevi num tempo em que quis deixar a escrita... talvez porque no fundo o que senti nessa altura seja muito semelhante ao que sinto agora...

Bem ajam.



Poema só para mim ... ou o último
dos poemas


este é o poema só para mim
só para mim...
não por egoísmo...
não por injustiça
nem por ódio
não por nenhuma das palavras
que definem atitudes
vás e estúpidas
que toda a gente toma
ao proibir
ao interdir
ao censurar ...
tudo e todos....
como se tudo fosse material
para testar,
testar,
testar ...
e eles senhores
de toda a razão que há no mundo
este é o poema só para mim
simplesmente porque em cada letra
estão pedaços desgostosos
desta mágoa de sal que aqui vomito
como se a cada traço ...
fosse libertar todo o ódio
fosse desfraldar
a bandeira negra do inferno
como se revela-se
a morte anunciada do poeta
que há em mim...
perdi ...morri
acabou tudo,
a partir do instante ...
em que da minha memória
se dissipou a recordação
da doçura de um olhar ,
da ternura e um abraço ....
do sorriso dos desejos
de alucinar...alucinar.
deixei de ser poeta
a partir do momento
em que já não consigo vislumbrar
a sensação de beijar alguém
com amor...só com amor
como se dos seus lábios ....
palpitassem mil estrelas
ardentes de paixão
a partir do instante
em que me apercebi
que esta vida me escapa
por entre os dedos que entrelaço
...no vazio em que estou
no vazio que me leva a dizer...
que este é o último dos poemas
pois eu sou o último dos temas que
tratei ...
e do qual só tinha jurado falar...
quando todo o amor...
toda a caricia ...
se dissipassem da minha mente
quando toda a luz...
se tivesse esgotado da memória do meu
ser ...
e eu me visse obrigado a enterrar este
poeta
pois o meu mundo acabou ...
e sem nada do tudo que falei
resta-me apenas falar de mim ...
eu que sou ninguém.

sexta-feira, março 24, 2006

para quem ousa

deixo-vos um texto de Martin Luther King.
Uma homenagem a todos os que lutam pelo sonho.
para que os vossos sonhos nunca esmoreçam.
bem ajam

«..É melhor tentar, ao invés de sentar-se e nada fazer; é melhor falhar, mas não deixar a vida passar ; Eu prefiro caminhar à chuva do que esconder-me em casa em dias tristes; prefiro ser feliz, embora louco do que viver infeliz em são conformismo... »

M. Luther King

terça-feira, março 21, 2006

silencio

Aqui fica um texto de Clarice Lispector sobre aquela coisa maravilhosa que é o silencio. Porque é no saber ouvir os silencios que reside a verdadeira arte de comunicar... a promessa de todos os sonhos.
Com um agradecimento a quem sabe entender os meus silencios.



"
Entre duas notas de musica existe uma nota,
entre dois fatos existe um fato,
entre dois grãos de areia por mais juntos que estejam
existe um intervalo de espaço,
existe um sentir que é entre o sentir...
que é a respiração do mundo,
e a respiração contínua do mundo
é aquilo que ouvimos
e chamamos de silêncio"

Clarice Lispector

segunda-feira, março 20, 2006

5 manias minhas...

Este post é uma resposta a um convite que me fizeram há uns dias para que referisse 5 manias minhas .
Por nunca recusar um desafio, mas sobretudo porque acho giro o convite escrevi o texto que se segue e que deixo aqui, sem qualquer intenção de concorrer a algum concurso .

1-O amar sem dizer- sim é uma doença crónica, talvez por escrever e achar que as palavras estão gastas e já não conseguem, ou talvez nunca conseguiram, definir os sentimentos, dou por mim a amar a pessoa amada sem sequer ser capaz de lhe contar o que me vai na alma.
Resta-me a esperança de que ela saiba entender o meu silencio e continue a ser a luz que é, que um dia encontre a forma ideal de lhe dizer... de lhe mostar, ou talvez ela sabendo do que eu sinto me diga, me olhe de maneira a que eu veja que ela sabe, ou até me beije, que faça o que quiser... que façamos o que a vida quiser. juntos ou separados, onde for que nos levem o nossos rumos, mas na certeza de que no fundo ambos saibamos o que vai no coração um do outro, neste reino qualquer de silencio. E depois quem disse que o amor tinha de ser feito de palavras.

2-O ar perdido- algumas pessoas acham que sou muito taciturno e pareço andar por Leiria sem saber onde vou, outras vêem-me com um ar distante e nocturno como se olha-se ao longe sem destino. Para essas pessoas fica o esclarecimento, não estou perdido, longe disso, não estou só, pelo contrário, como tenho muitos amigos em Leiria, como tenho muitas ocupações, Bloco, teatro, trabalho etc.. o mais certo é que esteja a ir de ocupação para ocupação, ou a fazer tempo entre elas , depois o mais giro é que acabo sempre por encontrar alguém amigo e dar dois dedos de conversa, beber aquele cafézito, ouvir de alguém novas dos dias. Ganha-se muito em não estar encafuado em casa, acho que estar na rua é das pequenas liberdades que ainda conservo, um prazer tão grande como aquele que teria um fumador se fumasse o primeiro cigarro matinal Quanto ao olhar distante, como se buscasse o vazio, essa é uma faceta que tem a ver comigo, de facto olho ao longe e se querem saber olho mesmo o vazio, a novidade para alguns é que não o olho de uma forma perdida, mas com o propósito de beber dele alguma coisa. O vazio tem tanto de belo como de horripilante, tanto de temível como de desejável, tanto de vida como de morte. A mim o vazio, o vácuo, o nada para que as vezes dou por mim a olhar ensina-me que além do que os meus olhos vêem há algo diferente, algo que é tão real e tão alcançável como aquilo que vemos mas que está simplesmente além do alcançável pela minha visão, algo de místico, intemporal, mas que é tão real como todas as coisas reais, se calhar a metade meia cheia do copo meio vazio, se calhar a face escura da lua simplesmente à espera da rotação perfeita para se tornar visível. Depois disto confesso que sempre que olho o infinito, vêem-me a cabeça aquela frase do mascarilha quando parte com o índio Tonto para mais uma caminhada ao por-do-sol... ao infinito e mais além.

3-O teatro- desenganem-se aqueles que pensam que tenho qualquer aspiração em ser um actor... estou ciente das minhas possibilidades e potencialidades . Estou no palco pela participação, pelo gozo que dá ir fazendo nascer um personagem na nossa cabeça e depois emprestar-lhe o nosso corpo, parte das nossas memórias. Estou no teatro e em particular no te-ato porque cada vez mais vejo o nosso grupo como um espaço de amigos, um espaço de aprendizagem de coisas verdadeiras únicas e simples. Pertenço ao grupo pela partilha que ele proporciona, pela essência que as pessoas que lá estão possuem e transmitem e se querem saber não trocaria este grupo por nenhum outro grupo de teatro e sóo deixarei quando a minha necessidade de ser útil ou o meu sonho me levarem para outras paragens.

4-O bloco – O bloco de esquerda é simplesmente o espaço que encontrei para dar azo a minha participação política e cívica activas, um espaço em que na companhia de alguém que se tornou um grande amigo vou descobrindo formas de não ser apático e indiferente, um lugar onde coma minha criatividade, o meu sonho e alguma irreverência vou podendo distanciar-me do rebanho azul laranja e dar voz as minhas convicções, isto sem qualquer aspiração politica e partidária.

5-A poesia – A minha forma única de dizer amor, vida, sonho, morte, a minha necessidade de refúgio, a minha aproximação à essência, o meu grito, os meus medos, as minhas culpas e desculpas, a forma suis generis de dizer segredos de ir sobrevivendo aos dias, aos cansaços, as tiranias e aos embaraços, sobretudo a minha forma de ser, de dar, de amar, longe das grilhetas e dos marasmos, longe da prisão dos dias e das dores, como se navegasse contra a corrente e acreditasse que os dias que me vão escapando por entre os dedos quando escrevo não me doem.

sexta-feira, março 17, 2006

Bom fim de semana

Hoje vou deixar-vos um texto de pablo neruda, para que a felicidade seja hoje e sempre uma luta diária.
que na vida ousem sonhar sempre.

morre lentamente
quem não vira a mesa
quando está infeliz com o seu trabalho
quem não arrisca o certo pelo incerto
para ir atrás de um sonho,
quem não se permite
pelo menos uma vez na vida,
fugir dos conselhos sensatos.

pablo neruda.

segunda-feira, março 13, 2006

se o silencio falasse

se o silencio falasse, se por traz do nada, se ouvisse o mormurio do que não sei dizer, se no sopro do vento algo de vacuo se substituisse as palavras e aos sonhos os homens fossem mais felizes e a linguagem do verdadeiro amor fosse realmente universal.
como o silencio não fala, como não aprendemos a escuta-lo, como não entendemos ainda a sua aura, andamos por aqui perdidos, uns e outros amordaçados a este reino de palavras, acorrentados as significações.

quinta-feira, março 09, 2006

a morte

as vezes a morte passa-me por entre os dedos e percorre o meu corpo, como se me quisesse sugar a pele, sorver a alma.
parece que há algo em mim que aspira ao fim,ao principio de todos os recomeços, como se me quisesse libertar dos dias maus, dos vazios.... levar-me ao sossego... depois o sopro da vida, um turpor qualquer faz-me acordar, faz-me erguer, como se encontrasse em pequenos nadas a coragem de suportar.
meu deus .... as vezes pergunto-me porque raio não nasci numa ilha deserta, uma ilha qualquer desprovida de escrita, desprovida de tecnologia e de civilização.
Sinto-me cada vez mais embrutecido pelo saber, cada vez mais longe da verdadeira luz.

domingo, março 05, 2006

o amor.. nas maravilhosas palavras da lady x



Amor
Amor,
O que será isto?
Não sei, ainda não sei,
Talvez não me deixe saber ou,
Me não deixem saber.
Sei duas coisas,
O amor vale por dois únicos motivos,
O tudo e o nada!
Em amor, vale o tudo,
O dar sem receber,
O sorrir sem chorar,
O tocar sem mãos,
O respirar pelas nuvens,
O metal fundente agarrado ao nosso corpo,
As flores a alimentar um qualquer jardim,
Os olhares nos olhos,
Tudo.
O nada, não vale.
Quero amar,
Tenho o tudo para dar a quem o queira realmente.
Quero amar e tudo,
Não tenho é palavras para o dizer,
A alguém,
Não tenho violinos que o digam,
Não será preciso. Bastará dá-lo.
Sem o perceber,
Sem as mãos o conseguirem escrever,
Sem a boca o pronunciar,
Mas com os olhos a jorrar de tudo,
Com o corpo a ziguezaguear por entre estradas infinitas,
de tudo e de nada.
Lady X

quinta-feira, março 02, 2006

Uma flor

"Uma flor nasceu na rua!
Passem de longe, bondes, ónibus,
Rio de aço do tráfego.
Uma flor ainda desbotada
Ilude a polícia,
rompe o asfalto
Façam completo silencio,
paralisem os negócios,
Garanto que uma flor nasceu."

Cecília Meirelles

Que essa flor possa ser a liberdade ...
enfim... ser o amor... enfim... ser a vida.
A mesma vida que teima em fugir-me dia a dia,
segundo a segundo.
Que esta flor possa ser o teu sopro, o fim de todos o prantos,
o princípio de todos os cantos, ... todos os sonhos.
Que esta flor possa ser o começo de todos os recomeços,
o encontro de todos os reencontros ou mesmo o reencontro
de todos os desencontros.
Um bem querer maior do que qualquer querer,
um gesto, um abraço, o teu sorriso ou simplesmente um beijo...
esse beijo só teu
que ainda hei-de dar