terça-feira, março 27, 2007

Dia mundial do teatro

"O teatro é uma dimensão da poesia, isto é, a mais alta tentativa de conseguir que cada um de nós se envolva na verdade que não existe, e que é a razão de ser daquilo que dá sentido à existência e a essa coisa (...) que é o tempo."

Eduardo Prado Coelho


Porque estar em palco é recriar os sonhos, recriar a vida, ensair o amor, a amizade, os medos e as dores, as paixões,as dadivas e as perdas, reinventar a vida...
porque estar no palco é ser crítico... é não ser indiferente...
é dar o corpo e o gesto, dar a vós... tornar o nosso corpo noutro corpo, o nosso ser...noutro ser...deixar alguem... seja ele heroi ou vilão, poeta ou sonhador, guerreiro ou pedinte, louco ou apaixonado... fervilhar-nos nas veias e renascer vez após vez em cada içar de pano.

bem ajam a todos os que fazem teatro neste paraiso azul e livre que ainda é portugal...

quarta-feira, março 21, 2007

Dia Mundial da Poesia

O poeta canta o mundo com a mesma garra de quem vence mil batalhas, a mesma paixão de quem ama intensamente, a mesma essência de quem encontra o criador, a mesma magia de quem faz nascer uma criança.
Porque a luz essa nasce sempre nos recantos onde mora o sonho e o poeta embuído na criança eterna que ainda é não cessa de cantar o mundo, cantar a vida com olhos libertos de grilhetas, asas de ícaro, e uma imensa capacidade de sonhar .
Porque a poesia é ao mesmo tempo grito, sopro, gesto, memória, dádiva, luta, liberdade, essência, vida, no fundo o tudo e o nada, dos todos e os nadas do quotidiano.
Enquanto um poeta existir sobre a terra haverá sempre esperança na reeinvenção do sonho.

VIVA O DIA MUNDIAL DAS POESIA

sexta-feira, março 16, 2007

O beijo...

o turpor do beijo acende cerrado o dsejo e enaltece o sonho ... de repente o mundo teima em perder-se de palavras... a ocultar-se de gestos... a derribar-se de sonhos...
a poesia essa perde o sentido incapaz que é de descrever o sentimento.
Os poetas ou escrevem porque não beijam ou porque tendo beijado um dia ficaram de tal forma presos à memória dos lábios e da alma que que não conesguem viver sem tentarem reproduzir em palavras a profundidade do que experimentaram, tenatando ingloriamente uma perfeição inalcançavel.
Como se não soubessem que bastava o beijo e só o beijo para preservar a memória da vida.



Bom Fim de Semana

domingo, março 11, 2007

Maria Manuela Margarido

Uma sentida homenagem a Maria Margarido, poetisa santomense nascida em 1925, que desde 1953 abraçou a causa da independência e do combate anti-colonialista em África fazendo, tal como outros poetas de S. tomé e Princepe, do seu canto poetico a voz da liberdade.
Porque apesar de partires viverás sempre na forma como cantavas a beleza da tua ilha e na tenacidade com que sabias pelas palavras denunciar a miséria em que vivia o povo das "roças do café e do cacau".
Porque por cada poeta que morre uma estrela assoma aos céus, possas tu ser para sempre, aos olhos daqueles que se cruzam com os teus poemas... luz e voz da liberdade
«...
Memória da Ilha do Príncipe


Mãe, tu pegavas charroco

nas águas das ribeiras

a caminho da praia.

Teus cabelos eram lembas-lembas,

agora distantes e saudosas,

mas teu rosto escuro

desce sobre mim.

Teu rosto, liliácea

irrompendo entre o cacau,

perfumando com a sua sombra

o instante em que te descubro

no fundo das bocas graves.

Tua mão cor-de-laranja

oscila no céu de zinco

e fixa a saudade

com uns grandes olhos taciturnos.


(No sonho do Pico as mangas percorrem a órbita lenta

das orações dos ocãs e todas as feiticeiras desertam

a caminho do mal, entre a doçura das palmas).


Na varanda de marapião

os veios da madeira guardam

a marca dos teus pés leves

e lentos e suaves e próximos.

E ambas nos lançamos

nas grandes flores de ébano

que crescem na água cálida

das vozes clarividentes.
....»

quinta-feira, março 08, 2007

A felicidade exige valentia.

"Posso ter defeitos, viver ansioso e ficar irritado algumas vezes mas, não
esqueço de que minha vida é a maior empresa do mundo, e posso evitar que ela
vá à falência.
Ser feliz é reconhecer que vale a pena viver apesar de todos os desafios,
incompreensões e períodos de crise. Ser feliz é deixar de ser vítima dos
problemas e se tornar um autor da própria história.
É atravessar desertos fora de si, mas ser capaz de encontrar um oásis no
recôndito da sua alma.
É agradecer a Deus a cada manhã pelo milagre da vida. Ser feliz é não ter
medo dos próprios sentimentos. É saber falar de si mesmo. É ter coragem para
ouvir um "não". É ter segurança para receber uma crítica, mesmo que injusta.
Pedras no caminho?
Guardo todas, um dia vou construir um castelo..."


Fernando Pessoa - 70º aniversário da sua morte

Bom dia da mulher....
porque o mundo é bem mais feliz graças as cores, as luzes e aos brilhos que moram nos vossos olhos e nas vossas almas...
porque a vossa sensibilidade e bom senso são uma parte importante da nossa condição humana, esta paleta de cores mágica que é o mundo

sexta-feira, março 02, 2007

Encontro

Ela veio ter comigo
Com um sorriso de espantar
Vinha repleta de vida
Trazia um brilho no olhar.

Ela vinha um espanto
Vestida de organdis
No cabelo um lenço branco
Com colcheias e cetins

Ela beijou-me na testa
Quem dera que fossem lábios
E sentou-se a minha mesa
Com pose de quem seduz

Vinha cheia de luz
E de outros talentos vários
Roubou-me o frio dos dias
E outros traumas diários

Ela veio feito brisa
Lembrar-me que era veleiro
E do seu lenço fiz velas
Quando soltou os cabelos

Dos seus cabelos fez mar
Quando neles ondulei os dedos
Navios a sequiar
Bailando quase secretos

Ela sorriu para mim
Como se fosse meu ninho
Olhei para ela e sorri
Como se fosse ela o destino

Ela segredou-me ao ouvido
Historias de enternecer
Falou-me de terras distantes
Que sempre aspirei conhecer

Falou-me da terra mãe
Do verde que não tem fim
Falou-me das cachoeiras
Das sete cidades e assim

Falou-me das saudades
Dos campos dos girassóis
Dos voos altos do açor
Do canto dos rouxinóis

Falei-lhes das luas cheias
Dos sonhos que tinha em menino
Disse-lhe que quis ser bombeiro
Poeta, compositor

Cantei-lhe os poemas e as prosas
Com que marquei meu caminho
nas minhas secretas demandas
Em busca de amor e carinho


Ela aceitou ser meu tema
Minha doce inspiração
Aceitei faze-la poema
Juntos fizemos canção

Mas depois de tudo isto
Deixo-vos a questionar
Será que já mora sonho
Na historia que estou a contar

serão as linhas que escrevo
Marcas da imaginação
Ou o coração a dizer
Que há espaço para a paixão

Será o sonho real
Ou apenas mero pranto
O que importa e que seja sonho
para o amanha ter encanto

Por isso deixem-se ser navios
senhores doces das manhas
zarpem alegres do cais dos medos
rumo ao amanhecer

por isso peço-vos esperança
e que acreditem em vos
vossa e a luz que aqui escrevo
para os amantes e os sós

amar e bom
não e esmorecer
por isso sejam luz
sejam alma
amor acabara por acontecer

e quando o fizer...
seremos pouso
será bom
seremos ser

terça-feira, fevereiro 27, 2007

oh solidão

Oh solidão
Minha solidão
Vem ficar comigo
Dou-te o meu coração

Diz-me que és abrigo
Meu cais... ilusão
Leva-me contigo
Não importa a razão

Eu andava vazio
perdido de mim
Bússola sem rumo
À espera do fim

Eu andava parado
Sem ter onde chegar
Um barco sem caís
À deriva do olhar

Vem falar-me dos astros
Do vento ... de ti
Prende-me aos teus olhos
Quero ficar junto a ti

Vem ser meu poema
Meu sonho meu mar
Deixa-te ser meu tema
Quero poder-te cantar

Vamos tornar belo o dia
Meu amor querubim
Doce sopro do vento
Sorriso .. segredo azul de ti

Vamos dar cor ao mundo
Que é tão escuro para nós
Quero voar contigo
Juntos não estamos sós

Quero mostrar-te que há rochas
Que vencem o tempo
Para repousares teu sonho
Sem medo do vento

Quero que me ensines
A ir sem temer
porque as vezes sonhar
É aprender a viver

Oh solidão
Minha solidão
Vem ser luz
Vem ser tu

Meu ninho
Meu cais
Meu pássaro
Meu barco

Meu poema
Meus ais
Meu sopro
Meu canto

Meu sonho
Meu mar
Meu encanto louco
Perdido de te amar

Achado nos teus olhos
Nesses sonhos que trazes
Nesse azul celeste
Dos poemas que fazes

Quero escrever contigo
Sonhos sem grilhetas
Cais das descobertas
Mil poemas .... a vida

sexta-feira, fevereiro 23, 2007

Para ti Zeca Afonso

Porque passaram 20 anos desde que partiste
Porque vives para sempre nas tuas baladas e cantos
Porque foste és e serás sempre Poeta, Professor,companheiro... camarada... marinheiro de caravelas feitas de letras...
Porque como ninguem soubeste cantar a liberdade e a liberdade fez das tuas letras o seu grito, mesmo sem saberes...
Porque quando fizeram do teu canto hino soubeste ser livre e ser guia e lembrar que a liberdade é uma conquista quotidiana.
Porque como ninguém fizeste-nos ver que não existe raça, lado, credo... que o que importa é mesmo o querer... é mesmo o ser.
Porque mostras-te que os homens se podem sempre fazer "homens novos" e que não importando se vieram do "bairro negro" ou se são " indios da meia praia"ou o"homem que veio da guerra", são todos "filhos da madrugada" e assim tem direito a morar na "grandola vila morena" e a sonharem ser meninos ao som da "canção de embalar".

Porque este espaço é acima de tudo um espaço de partilha, deixo-te esta homenagem simples que partilho com os meus amigos e com todos os que quiserem vir cá... por isso "venham mais cinco"
A vocés amigos deixo uma das musicas de zeca afonso de que mais gosto, chama-se Canção Do Desterro.


(emigrandes)

Vieram cedo
Mortos de cansaço
Adeus amigos
Nao voltamos cá
O mar é tao grande
E o mundo é tao largo
Maria Bonita
Onde vamos morar
Na barcarola
Canta a Marujada
- O mar que eu vi
Nao é como o de lá
E a roda do leme
E a proa molhada
Maria Bonita
Onde vamos parar
Nem uma nuvem
Sobre a maré cheia
O sete-estrelo
Sabe bem onde ir
E a velha teimava
E a velha dizia
Maria Bonita
Onde vamos cair
A beira de àgua
Me criei um dia
- Remos e velas
Lá deixei a arder
Ao sol e ao vento
Na areia da praia

Maria Bonita
Onde vamos viver
Ganho a camisa
Tenho uma fortuna
Em terra alheia
Sei onde ficar
Eu sou como o vento
Que foi e nao veio
Maria Bonita
Onde vamos morar
Sino de bronze
Lá na minha aldeia
Toca por mim
Que estou para abalar
E a fala da velha
Da velha matreira
Maria Bonita
Onde vamos penar
Vinham de longe
Todos o sabiam
Nao se importavam
Quem os vinha ver
E a velha teimava
E a velha dizia
Maria Bonita
Onde vamos morrer "


Zeca Afonso


Bom fim de semana

sexta-feira, fevereiro 16, 2007

coisas nossas

porque há pessoas especiais que nos acompanham na nossa viagem pela vida e a quem as vezes não damos o devido valor,
porque essas pessoas estão lá, as vezes em silencio sempre que precisamos de alguem que nos ouça e sabem conter como ninguem a nossa dor quando ela teima em transbordar os rios da vida.
porque graças a elas a solidão não é tão forte porque sabemos que elas estão lá.
quero prestar-lhes, prestar-vos uma sincera homenagem por todas as belas cores que tem ajudado a dar a minha vida.

beijo para quem for de beijo, abraço para quem for de abraço

fica aqui um trecho de um poema de pablo neruda, acima de tudo porque tem muito do que disse acima.

"Tu eras também uma pequena folha
que tremia no meu peito.
O vento da vida pôs-te ali.
A princípio não te vi: não soube
que ias comigo,
até que as tuas raízes
atravessaram o meu peito,
se uniram aos fios do meu sangue,
falaram pela minha boca,
floresceram comigo."


bom fim de semana.

sexta-feira, fevereiro 09, 2007

Outra vez Quintana, com votos de um bom fim de semana

Porque descobrir Mário Quintana está a ser soberbo,
porque como eterno aprendiz de poeta admiro quem como ele consegue sonhar com as palavras.
porque ontem à noite estava na praça rodrigues lobo e ao deparar com o facto de estar sozinho la senti-me um pedacinho como ele se deve ter sentido neste poema.
Porque a mónica colocou este texto no meu post e eu amei-o
Porque haja ou não haja estrelas e céu ainda há sonho.
porque este fim de semana pode ser que apesar de tudo a lua ainda exista.

deixo-vos este poema, com uma profunda amizade e votos de um luminoso e terno fim de semana.


"Ao longo das janelas mortas
Meu passo bate as calçadas.
Que estranho bate!...Será
Que a minha perna é de pau?
Ah, que esta vida é automática!
Estou exausto da gravitação dos astros!
Vou dar um tiro neste poema horrivel!
Vou apitar chamando os guardas, os anjos, Nosso
Senhor, as prostitutas, os mortos!
Venham ver a minha degradação,
A minha sede insaciável de não sei o quê,
As minhas rugas.
Tombai, estrelas de conta,
Lua falsa de papelão,
Manto bordado do céu!
Tombai, cobri com a santa inutilidade vossa
Esta carcaça miserável de sonho..."

Mário Quintana

quarta-feira, fevereiro 07, 2007

falhar

as vezes por mais que nos esforcemos falhamos sempre, como se falhar fosse o destino ou fossemos falhados por natureza.
as vezes por mais que lutemos por uma causa, por mais que nos empenhemos, por mais sangue ou lagrimas que corram pelas veias e pelos olhos perdemos sempre.
as vezes por mais que gritemos o amor, por mais fieis e romanticos que queiramos ser, por mais intenso e dedicado que for o nosso amar percebemos que estaremos sempre sós...

assim atirados pelo vento damos por nós vencidos... e pior que isso, a ter de existir sem raizes.

sexta-feira, fevereiro 02, 2007

bom fim de semana amigos

so para dizer que vos adoro.

quarta-feira, janeiro 31, 2007

Desculpem...

Porque hoje o vento esmorece em mim o sonho,
porque há um vazio que fica além das palavras,
porque o frio do tempo se entranha no corpo e a alma gelida sente falta de cor...
porque as vezes a vida se escapa e os sonhos e os sentimentos ficam aprisionados cá dentro...
estou sem inspiração para dar luz a este espaço, dai a escassez dos posts, dai talvez a escassez das vossas visitas.
Sabem dia a dia confesso que sei menos sobre o que é a busca da essencia, talvez por isso tenha uma melodia a latejar-me na cabeça, para que saibam o que me vai no coração?

deixo-vos os "the Gift" com a letra "eu já não sei se sei"


Talvez por não saber falar de cor, imaginei
Talvez por não saber o que será melhor, aproximei
Meu corpo é o teu corpo o desejo entregue a nós
Sei lá eu o que queres dizer, despedir-me de ti
Adeus um dia voltarei a ser feliz

Eu já não sei se sei o que é sentir o teu amor,
não sei, o que é sentir, se por falar falei
Pensei que se falasse era fácil de entender

Talvez por não saber falar de cor, imaginei
Triste é o virar de costas, o último adeus
Sabe Deus o que queres dizer

Obrigado por saberes cuidar de mim,
Tratar de mim, olhar para mim, escutar quem sou,
e se ao menos tudo fosse igual a ti

Eu já não sei se sei o que é sentir o teu amor,
não sei o que é sentir, se por falar falei
Pensei que se falasse era fácil de entender

É o amor, que chega ao fim, um final assim,
assim é mais fácil de entender

Eu já não sei se sei o que é sentir o teu amor,
não sei o que é sentir, se por falar falei
Pensei que se fala-se era fácil de entender


The Gift


Bem ajam.

terça-feira, janeiro 23, 2007

Porque a inspiração tarda a morar aqui...

porque a inspiração tarda a morar aqui
porque mais do que a ausencia do sonho
me doi a confusão dos resticios dos sonhos que ainda tenho
porque não consigo fazer germinar de mim as palavras como outrora.

pedi ajuda à madrinha deste espaço para me emprestar um pedacinho da sua luz, do seu brilho.

ela trouxe consigo o seu "maninho rosticovaq.." e os dois fizeram vir a tona o maravilhoso poema que se segue.

muito obrigado a eles pela maravilhosa luz, muito obrigado a voces que ainda vem cá.




sinto o feixe de luz,
que ilumina em mim essa tua dor..
luz ou dor quente forte..
dor que sentes quando parto..
mas hoje ficamos às escuras,
eu fico.
tu ficas.
nós ficamos.
comprenetrados no silêncio da escuridão,
ouvindo o respirar ofegante
que se encontra numa noite
de luar,
como que nos abraçando..
como se nos a tocar devagarinho,
substituindo a tua mão no meu corpo,
a minha mão no teu corpo..
e imoveis,
inertes,
ali ficamos,
até a dor passar
..até a luz vir.

quinta-feira, janeiro 11, 2007

Homenagem a Mario Quintana (1906-1994)



"Eu queria trazer-te uns versos muito lindos
Eu queria trazer-te uns versos muito lindos
colhidos no mais íntimo de mim...
Suas palavras seriam as mais simples do mundo,
porém não sei que luz as iluminaria
que terias de fechar teus olhos para as ouvir...
Sim! Uma luz que viria de dentro delas,
como essa que acende inesperadas cores
nas lanternas chinesas de papel!
Trago-te palavras, apenas... e que estão escritas
do lado de fora do papel...
Não sei, eu nunca soube o que dizer-te
e este poema vai morrendo, ardente e puro, ao vento
da Poesia...
como uma pobre lanterna que incendiou!"

Mario Quintana - Extraído do livro "Quintana de bolso", Editora LP&M Pocket - Porto Alegre (RS), 2006, pág. 59, seleção de Sergio Faraco.



Deixo-vos esta homenagem ao grande poeta Mario Quintana, porque me apeteceu e hoje de manhã a minha amiga Patricia me enviou um email sobre ele, dando-me um pouco da sua maravilhosa luz para agitar o dia.

Porque este ano vou tentar sempre reter todos os dias algo positivo dos meus dias para vos devolver neste blog.


bem ajam

quarta-feira, janeiro 10, 2007

Epicuro

"Na juventude, não devemos hesitar em filosofar; na velhice, não devemos deixar de filosofar. Nunca é cedo nem tarde demais para cuidar da própria alma. Quem diz que não é ainda, ou já não é mais, tempo de filosofar, parece-se ao que diz que não é ainda, ou já não é mais, tempo de ser feliz. Jovens ou velhos, devemos sempre filosofar; no último caso, para rejuvenescermos ao contacto do bem, pela lembrança dos dias passados, e no primeiro, para sermos, embora jovens, tão firmes quanto um ancião diante do futuro. É mister, pois, estudar os meios de adquirir a felicidade; quando a temos, temos tudo; quando a não temos, fazemos tudo por adquiri-la."

Epicuro, in 'A Conduta na Vida'


"O mesmo conhecimento a que devemos o consolo de que nenhum terror é eterno ou que dure muito tempo, também nos deixa compreender que durante o terror, de duração limitada, a verdadeira segurança nos é proporcionada pela amizade"


Epicuro

"Das coisas que a sabedoria proporciona para tornar a vida inteiramente feliz, a maior de todas é uma amizade".

Epicuro

"Faz tudo como se alguem de contemplasse"


Epicuro


Bom ano, neste primeiro post 2007 deixo-vos quatro citações de um grande génio da filosofia grega, porque falam de 3 coisas que me tem feito pensar nos ultimos tempos:

- quem sou eu e quem somos nós na nossa imagem ao longo dos anos.
- amizade
- devir, como dever ser ou conduta.

simplesmente porque filosofar é preciso e a ultima citação,colocada num wallpapper que vi hoje de manhã me fez sorrir.


que o ano seja vosso para realizarem todos os sonhos.



bem ajam

domingo, dezembro 31, 2006

Novo ano... nascer, renascer voltar a nascer


Dizer um corpo.
Onde nenhum.
Mente nenhuma.
Onde nenhuma.
Ao menos isso.
Um lugar.
Onde nenhum.
Para o corpo.
Estar lá dentro.
Mover-se lá dentro.
E sair.
E voltar lá para dentro.
Não.
Sair nenhum.
Voltar nenhum.
Só entrar.
Ficar lá dentro.
Em diante lá dentro.
Parado.
Tudo desde sempre.
Nunca outra coisa.
Nunca ter tentado.
Nunca ter falhado.
Não importa.
Tentar outra vez.
Falhar outra vez.
Falhar melhor.
Primeiro o corpo.
Não. Primeiro o lugar.
Não. Primeiro ambos.
Ora um deles.
Ora o outro.
Até fartar de um deles e tentar o outro.
Até fartar também deste e fartar outra vez de um deles.
Assim em diante.
Dalgum modo em diante.
Até fartar de ambos.
Vomitar e partir.
Para onde nem um nem outro.
Até fartar desse lugar.
Vomitar e voltar.
Outra vez o corpo.
Onde nenhum.
Outra vez o lugar.
Onde nenhum.
Tentar outra vez.
Falhar outra vez.
Melhor outra vez.
Ou melhor pior.
Falhar pior outra vez.
Ainda pior outra vez.
Até fartar de vez.
Vomitar de vez.
Partir de vez.
Onde nem um nem outro de vez.
De vez e tudo.

Samuel Beckett - Pioravante marche.

Bom ano amigos.. que neste ano de 2007 possamos todos "tentar outra vez, falhar outra vez, melhor outra vez", espero que todos os vossos sonhos se realizem e que o ano que ai vem seja melhor e mais justo para todos.
obrigado por fazerem parte dos meus dias

sábado, dezembro 23, 2006

BOAS FESTAS

Era uma vez um cego de nascença. Nunca tinha visto o sol, e perguntava como era este às pessoas que enxergavam.

Alguém lhe disse: O sol é como uma bandeja de latão.

O cego bateu na bandeja de latão e ouviu o som.

Depois, quando ouviu um sino, pensou que fosse o sol.

Outra vez, disse-lhe alguém: o sol é como uma vela.

O cego apalpou uma vela, e pensou que assim era o formato do sol.

A verdade é mais difícil de descrever que o sol; e quando os homens não a conhecem, são exactamente como o cego.

Ainda que façais o possível para esclarecê-la por meio de comparações e exemplos, ela ficará tão confusa como a comparação da bandeja de latão e da vela.

Su Tungp’o

Desejo-vos um optimo natal e um ano de 2007 cheio de ternura, amor, saude e paz.

Espero que no novo ano vos traga tudo o que desejam e que a humanidade possa alcançar a harmonia e a paz de que necessita para se tornar mais igual e mais justa .

gosto muito de vocés.

ps. esta citação foi uma resposta a um poema que coloquei no blog de uma pessoa muito especial há cerca de ano e meio, desde aí tem sido maravilhoso entrar neste universo da net, mas também poder partilhar da grandeza e magia do sorriso dessa pessoa, bem como das alegrias, sonhos, loucuras e tristezas de todos vocés que vem cá e me leem.

à madrinha deste espaço queria deixar aqui uma sinecra homenagem por tudo o que é, por tudo o que sente sonha e vive, mas tembém por toda a magia que ajuda a trazer aos dias daqueles que com ela se cruzam.

a todos voces o meu sincero obrigado pela imensa capacidade que tem em partilhar-se neste imenso universo que é a escrita.

O blog é vosso..

adoro-vos

segunda-feira, dezembro 04, 2006

Dizem que a paixão o conheceu

porque este poema de Al Berto exprime muito bem o modo como me tenho sentido....
Espero que nas vossas almas a paixão esteja viva e os sonhos sejam possiveis.


"Dizem que a paixão o conheceu

dizem que a paixão o conheceu
mas hoje vive escondido nuns óculos escuros
senta-se no estremecer da noite enumera
o que lhe sobejou do adolescente rosto
turvo pela ligeira náusea da velhice

conhece a solidão de quem permanece acordado
quase sempre estendido ao lado do sono
pressente o suave esvoaçar da idade
ergue-se para o espelho
que lhe devolve um sorriso tamanho do medo

dizem que vive na transparência do sonho
à beira-mar envelheceu vagarosamente
sem que nenhuma ternura nenhuma alegria
nunhum ofício cantante
o tenha convencido a permanecer entre os vivos"


Al berto

domingo, novembro 26, 2006

desculpem ter estado ausente....

Pois é a vida tem destas coisas, todos os anos há um dia em que teimosamente ou não damos por nós a somar mais um ano, a deitar fora uma pagina do calendário, a nascer de novo, como se ficassemos mais próximo de estar a beira do fim e ao mesmo tempo pudessemos voltar a tentar, voltar a ser, quase que a renascer.
Acertaram... estou mais velhinho...
mas se querem saber acho que o balanço até foi bom.
Foi bom voltar a estar com alguns amigos que não via há muito tempo, foi bom receber os gestos de carinho e de apreço que recebi pessoalmente, por telefone, e também pela net e pelo HI5. ADOREI.
Porque a minha amiga Monica Mendes me deixou um texto muito especial como comment decidi partilha-lo convosco porque é uma enorme mensagem de esperança.


Depois de algum tempo aprendes a diferenca, a subtil diferenca, entre dar a mao e acorrentar uma alma.
E aprendes que amar nao significa apoiar-se, e que companhia nem sempre significa seguranca. E comecas a aprender que beijos nao sao contratos, presentes nao sao promessas.
E nao importa o quao boa seja uma pessoa, ela vai ferir-te de vez em quando e precisas perdoa-la por isso.
Aprendes que falar pode aliviar dores emocionais.
Descobres que se leva anos para se construir confianca e apenas segundos para destrui-la, e que podes fazer coisas num instante, das quais te arrependeras pelo resto da vida.
Aprendes que verdadeiras amizades continuam a crescer mesmo a longas distancias.
E o que importa nao e o que tu tens na vida, mas quem tens na vida.
Descobres que as pessoas com quem mais te importas na vida, sao tiradas de ti muito depressa; por isso, sempre devemos deixar as pessoas que amamos com palavras amorosas; pode ser a ultima vez que as vemos.
Aprendes que paciencia requer muita pratica.
Aprendes que quando estas com raiva tens o direito de estar com raiva, mas isso nao da o direito de seres cruel.
Aprendes que nem sempre e suficiente ser perdoado por alguem.
Algumas vezes, tens que aprender a perdoar-te a ti mesmo.
Aprendes que com a mesma severidade com que julgas, tu seras em, algum momento, condenado.
Aprendes que nao importa em quantos pedacos teu coracao foi partido, o mundo nao para para que o consertes.
E, finalmente, aprendes que o tempo, nao e algo que possa voltar para tras.
Portanto, planta teu jardim e decora tua alma, ao inves de esperar que alguem te traga flores.
E percebes que realmente podes suportar... que realmente es forte, e que podes ir muito mais longe depois de pensar que nao se pode mais.
E que realmente a vida tem valor, e que tu tens valor diante da vida! E so nos faz perder o bem que poderiamos conquistar, o medo de tentar!

William Shakespeare


Obrigado Mónica... como ves estou de volta