domingo, julho 30, 2006

a espera...

A Espera Do Prazer


"O prazer que tu esperas varia na razão inversa do tempo de o esperares. E da inquietação também. Porque quanto mais esperas e te inquietas, menos prazer ele é. Espera-o no infinito para te não inquietares. E que ele seja depois o prazer que for. Mas o contrário também é verdadeiro. "


Vergílio Ferreira, in 'Pensar'


"A definição de belo é fácil: é aquilo que desespera "


Paul Valery




"A verdadeira esperança é uma qualidade, uma determinação heróica da alma. E a mais elevada forma de esperança é o desespero superado "


Georges Bernanos



três citações de grandes três grandes autores, quem sabe para acalentar a esperança daqueles, quem sabe eu, quem sabe um de vocés, que se mantém fieis aos sonhos.
Que todo o futuro seja uma promessa e toda a poesia grito.
bem ajam

quarta-feira, julho 26, 2006

Pela paz


Pela paz...
Contra a tirania do mais forte....
Contra o ódio....
Contra o medo....
Contra a morte.
Porque o homem não pode continuar a ser lobo do homem..
Porque nós humanos temos de deixar de ser bestas...
Pede-se silencio...
Pede-se calma...
Pede-se compreensão...
Pede-se respeito pelo outrem...
Pede-se igualdade...
Pede-se esperança..

Que os homens, uns e outros, percebam no outrem um irmão, um companheiro, um seu igual
e entendam de uma vez por todas que a terra é um lugar de encontro de diferenças que não deve ser temido mas que nos enriquece e que as fronteiras não existem.


Não à guerra.... viva o sonho viva a

sábado, julho 22, 2006

diz-me...

Diz-me é um poema antigo que retrata algo actual... a minha busca intensa e as vezes sofrida pelo amor... porque as vezes é dificil dizer por palavras o que nos move o coração.

Diz-me


Diz-me
Que angústia é maior...
do que saber-te aqui
sem te ver ?

Que sofrimento é mais forte...
do que o de quem ama
sem poder, ou, sem querer?

Que linhas são mais rasgadas...
do que estas trovas aflitas
que por certo ninguém vai ler?

Que flor é mais bela...
do que a flor perfumada
com as lágrimas de alguém ...
só por sofrer?

Diz-me...
Que loucura é essa
que me afasta do que sou
e me prende nesta melancolia
por traz da qual me escondo ?

Diz-me ...
Quem sou eu ?
Quem és tu ?
Que sopro é esse que...
emanas dos teus lábios?

Diz-me...
Se continuas a deixar
morrer este poeta?
se te refugias num mundo...
que ninguém sabe qual é,
e onde és rainha...
pois nele só guardas lugar para ti?

Diz-me ...
Que segredos são esses ...
que escondes em teus seios,
e que até agora deixas ao acaso
sem que alguém
alguma vez os encontre?

Diz-me...
Que morte é mais triste,
do que alguém
que morre sem morrer
e que é condenado
a errar por esta vida
sem sentido até que os seus dias
espirem ?

Diz-me todas estas coisas,
perguntas de amor sem respostas
perdidas no olhar
deste alguém que sou eu
deste alguém...
que não se atreve a dizer-te...
ama-me...
pois tua resposta só iria
enterrar ainda mais o moribundo que
eu sou
condenando-me inexoravelmente ao
degredo
onde permaneço até ao fim das idades.

Diz-me...
que não ou que sim,
mas não me digas que estou louco
pois se o estou é de amores por ti...
e quanto a isso... só a flor do tempo
apagara os traços que deixei ...
marcados na areia desta vida
só a flor do tempo.....

sexta-feira, julho 21, 2006

Bom fim de semana

Lua e Flor

Eu amava como amava algum cantor
De qualquer clichê, de cabaré, de lua e flor.
Eu sonhava como a feia na vitrine,
Como carta que se assine em vão.
Eu amava como amava um sonhador,
Sem saber porque, e amava ter no coração
A certeza ventilada de poesia
De que o dia não amanhece não.
Eu amava como amava um pescador
Que se encanta mais com a rede que com o mar.
Eu amava como jamais poderia
Se soubesse como te encontrar
Eu amava como amava algum cantor
De qualquer clichê, de cabaré, de lua e flor.
Eu sonhava como a feia na vitrine,
Como carta que se assina em vão.
Eu amava como amava um pescador
Que se encanta mais com a rede que com o mar.
Eu amava como jamais poderia
Se soubesse como te contar.
Eu amava como amava um pescador
Que se encanta mais com a rede que com o mar.
Eu amava como jamais poderia
Se soubesse como te contar


Oswaldo Montenegro


Bom fim de semana amigos, deixo-vos com esta magnifica letra de O. Montenegro, para que não esqueçamos o quanto é bom termos alguém no coração.
acreditem nos sonhos porque como disse um rapaz misterioso que conheci ontem "a vida pode não ser um sonho, mas o sonho é definiotivamente a vida".


parabens ao meu amigo Diogo pelo aniversário e votos de boa sorte à Carla e à Rita bem como a todos vós que se encontram em frequências e exames.
A vela está acesa.

segunda-feira, julho 17, 2006

tempo que passa nos passos de dança

Estou velho sabes... sinto-me velho... não por me sentir fora do tempo, não pelo peso do corpo, não pelo desfigurar da face.. não são os anos que pesam, não é o corpo que desilude... o que pesa é o baú de recordações que vou trazendo comigo..... o baú de sonhos realizados e por realizar... o baú de partilhas... o baú de entregas .
Não eu já não guardo religiosamente as cartas que escrevo, já não guardo pétalas de flor, pedrinhas, ou mesmo aquele rabisco teu que encontro naquele livro que me pediste emprestado...
Já não faço colecção de citações que me tocaram... nem de vestígios de situações que me fizeram viver...que me fizeram sonhar...
Com o passar dos anos aprendi que o verdadeiro baú de recordações não é material, descobri que ele está dentro de nós... na lembrança das pessoas, eventos, lugares ou momentos que residiram na minha alma e que a moldaram tornando-a diferente...tornando-a melhor... as vezes sofrida... mas melhor.
Descobri que não é por termos a musica X.P.T.O ou as fotografias do baile Z que esse baile vai ser lembrado, que não foi por ter aquele fio de cabelo que ficou no meu ombro depois de dançarmos.
Não, não ficou. Foi pena...
Não foi por isso que nunca mais me irei esquecer daquela noite em que vieste ter comigo e me convidas-te para dançar, o que ficou em mim foi o teu olhar quando o fizeste... foi o bater mais forte do meu coração... foi aquela sensação de por segundos voar a teu lado... acredita...senti-me a voar... voei mesmo.
O que ficou foi a magia desse momento... foi o facto de teres dançado comigo, de me teres honrado com isso, e também o saber que nunca mais dançamos..
Falar da ultima vez que dançamos, fez-me perceber que nos dias que correm as pessoas chamam “dançar” a estar frente a frente na multidão, sem sequer se tocarem... sem saberem o quanto é magico dançar o “waiting for you” com a pessoa amada poisada no ombro, o quanto pode ser sensual e sedutor dançar um tango a dois, sobretudo naqueles momentos em que os lábios roubam a rosa dos lábios do ente querido...
Hoje quando me dizem que depois do jantar é para se ir dançar vai-se sempre para uma sala escura cheia de pessoas aos saltos para cima e para baixo...
O que é engraçado e trágico é que essas salas estão cheias de raparigas a dançar ao lado das cadeiras onde os namorados estão sentados, simplesmente porque eles já não dançam... Sim eu sei que nós homens portugueses sempre fomos um bocado rabo pesado... mas no meu tempo mal ou bem todos dançavam, não dançar era ficar sozinho.. Era ver a festa da cadeira... e ninguém queria ver a festa da cadeira ..acredita.. .
Talvez por isso organizar um baile de anos era algo elaborado a preceito, algo que implicava muita reflexão, as vezes filosofia, com certeza muita psicologia... Fazíamos uma lista de “elas” e outra de “eles“, em igual número, que era para não colocar ninguém na cadeira previamente, apresentávamos as pessoas umas as outras, sem insistirmos em quem ficava com quem, mas sempre tendo em conta personalidades compatíveis, colocávamos lâmpadas pintadas de vermelho e azul no lugar das lâmpadas normais e depois era soltar a música..
Primeiro colocava-se um rap ou breack dance para aquecer, depois uma lambada, o “tengo um coraçon” do Juan Luis Guerra ou mesmo a banda sonora do “Dirty dance”.
Aos poucos ia colocando um slow para facilitar o convívio. ... uma hora depois era slow atrás de slow, era ombros nos ombros... era ver que o plano resultou...
É ver que ainda hoje resulta... sim... porque alguns dos pares ainda hoje dançam juntos, talvez não em bailes, mas na vida, alguns namoraram, casaram, tiveram filhos... e tudo porque um dia alguém, muitas vezes eu, se lembrou de chamar z para dançar com y, por achar que havia um clima entre eles... e não é que havia mesmo!
Perguntas-me porque raio é que o dançar me fez sentir velho... porque é que a conversa da velhice levou a ti e tu levaste ao modo como se dança actualmente...
Sim eu sei que tu não danças, que tu e eu nem sequer vamos a discotecas... que tu e eu só dançámos uns segundos uma vez...
Mas sabes, este fim de semana fui a uma discoteca ver um concerto da banda de um velho e grande amigo e depois do concerto ficamos lá a dar um pé de dança.
Sim passou-se o que se passa sempre, eram 2 rapazes e umas 8 raparigas na pista a dançar e outras tantas a abanar a cabeça junto dos namorados que estavam nas cadeiras hirtos como estátuas... E isso fez-me ter saudades dos tempos antigos, fez-me ir buscar o pessoal as mesas como antigamente, fez-me leva-los para a pista até que todos dançassem e fez o disco jockey colocar musicas brasileiras atrás de brasileiras. Atéao fim da noite..
Sim foi giro... admito-o ... foi pena sentir que não estavas comigo... sentir que mesmo que não queiras havia um pedaço de mim que me faltava...
Se os sonhos são o que nos move no “eterno camino de la felicita”, quem sabe talvez me seja permitido sonhar que estou a dançar contigo uma vez.. quem sabe com a tua cabeça no meu ombro.

sexta-feira, julho 14, 2006

O que é afinal para vocés o amor???

Desta vez vou ser mau...
desenganem-se aqueles que pensam que vou dar-vos respostas...
são vocés que estão na berlinda hoje... quero escutar-vos... quero saber o que vos move... quero perceber a vossa essencia... a vossa busca...
A pergunta não é inocente... procura-se a melhor definição de amor... procura-se um conceito perfeito capaz de sintetizar a amalgama de sentimentos que traduz a busca da felicidade.
desafio-vos a expressarem a vossa criatividade, a sorverem a vossa poesia... inquietem-se.
desta vez são vocés os poetas, os sonhadores, os loucos...
eu fico à escuta... quem sabe em busca do meu rumo.

terça-feira, julho 11, 2006

O TIGRE E A NEVE


"O poeta é aquele que tem como ofício a descrição daquilo que faz bater o coração com palavras tão adequadas que quem o escuta fica com o coração a bater"

O Tigre e a neve

Pois é a minha amiga Maria tem destas coisas... não fosse ela minha amiga...
Escolhe um filme, lê a sinopse, escolhe-me como companhia e pronto... lá vou eu, sem saber muito bem o que vou ver, com ela para a sala de cinema...
Ela sabe porque me convidou... os filmes que ela escolhe tem sempre muito a ver comigo, com o que me vai na alma, com uma situação qualquer que esteja a atravessar...
Pessoalmente acho que ela faz de propósito... ela sabe tão bem como eu que a minha cabeça precisa ser agitada, que preciso abrir a minha mente... mas garanto-vos chega a ser armadilha... uma armadilha deliciosa...mas chego a sentir-me armadilhado.
Desta vez a escolha dela e por sinal a minha devoção pós filme... não esteja eu a postar sobre ele no meu blog, recaiu sobre o filme de Roberto Benigni “ O tigre e a neve” .
É um filme genial, quase um poema, passa uma mensagem sobre algo que é puro e verdadeiro -um grande amor, que existe num cenário “real” de ódio e de guerra.
Benigni recria um ambiente, um sentimento e representa-o para uma câmara, que capta uma nova história.
A ideia chave do filme é o amor.
O amor que muda, que consegue alterar, que enternece, que mente, que sonha, que luta pelos sonhos.
O amor entre um homem e uma mulher, entre os pais e os filhos, entre o homem e Deus, entre homens de culturas e origens diferentes, personagens que se cruzam naquilo a que Benigni chama “L´Eterno Cammino per la Felicità”.
É um filme imperdível... vejam... sonhem... se for preciso chorem... chorem e depois amem ... amem melhor... depois de verem o filme vão amar melhor.
Depois confesso-vos que a banda sonora é brutal e que o “ You can never hold back spring" de Tom Waits me fez ficar em pé, no final do filme até que a musica acabasse... fiquei até há ultima letra do coopyrigth ou melhor fiquei até apagarem as luzes...
Obrigado Maria pelo convite, pela provocação ... e acima de tudo por seres minha amiga.
Obrigado a vocés por me permitirem partilhar isto convosco.

Despeço-me com a letra da musica de Tom Waits, que se me for permitido dedico à Maria, e à Carla... elas sabem porque

You can never holdback Spring
You can never hold back Spring
you can be sure that i will never
stop believing
The blushing rose will climb
Spring ahead or fall behind
Winter dreams the same dream
Everytime
you can never hold back spring
seven thought you've lost your way
the world keeps dreaming of spring
So close your eyes
Open your heart
To one who's dreaming of you
You can never hold back spring
Baby
Remember everything that spring can bring
You can never hold back spring
Tom Waits

quarta-feira, julho 05, 2006

Estou com vocês selecção


Mesmo perdendo com a França souberam bater-se com honra e dedicação, honraram as nossas cores, souberam unir-nos e mais que isso souberam fazer-nos sonhar.
é pena que o sonho não se tenha concretizado... mas nos tempos que correm sonhar por sí só já é bom.
Agora falta cumprir-se Portugal, era bom que essa causa nos unisse também.
Obrigado Scolari, Quim, Paulo Santos, Paulo Ferreira, Caneira, Ricardo Costa, Fernando Meira, Miguel, Nuno Valente, Ricardo Carvalho, Costinha, Petit, Hugo Viana, Maniche, Tiago , Deco, Figo, Pauleta, Simão Sabrosa, Boa Morte, Cristiano Ronaldo, Nuno Gomes, Hélder Postiga e em especial RICARDO..
FORÇA PORTUGAL TRAGAM-NOS O TERCEIRO LUGAR

terça-feira, julho 04, 2006

Por um Pôr do sol qualquer...


- Gosto muito do por do sol. Vamos ver um por do sol...
- Mas temos de esperar...
- Esperar o quê?
- Esperar que o sol se ponha.
Ficaste de principio, com um ar muito surpreendido. Depois troçaste de ti mesmo e disseste:
- Julgo sempre que estou no meu sitio.
Com efeito quando é meio dia nos Estados Unidos, como toda a gente sabe, o sol está a pôr-se em França.
Bastaria ir a França num minuto para assistir ao pôr do sol. Infelizmente a França fica muito longe. Mas no teu pequeno planeta, basta colocares a tua cadeira alguns passos mais à frente. E podes ver o pôr do sol sempre que desejares...
- Um dia vi o pôr do sol quarenta e três vezes!
E pouco depois, continuaste:
- Sabes... quando se está muito, muito triste gosta-se do pôr do sol...
- No dia das quarenta e três vezes estavas assim tão triste?
O Principezinho não respondeu...

Saint-Exupéry in o Principezinho

Porque as vezes todos precisamos de um pôr do sol nas nossas vidas, quem sabe uma despedida das tristezas e a promessa do regresso da luz...
porque em cada pôr do sol há qualquer coisa de nostalgico de melancólico, como se o céu se comovesse com quem sente e se enternecesse com um laranja quente como que a querer-nos brindar com o milagre quente e terno da vida que se teima em escapar.
As vezes, quando alguém se cruzava comigo e me dizia que a viad não valia a pena eu dizia-lhe que o sol de punha todas as noites especialmente para essa pessoa e que essa pessoa devia saudar o sol com um sorriso sempre que ele se puzesse, agora sou eu quem não vejo o sol pôr-se...
amanhã prometo não vou perde-lo... e quem sabe sorrir.....

terça-feira, junho 27, 2006

O amor é um lugar estranho

Ele sentou-se diante dela no metro, vinha com um apressado e intranquilo, trajava uma gabardina castanha à H. Bogard, molhada pela chuva que caia lá fora...
Com efeito chovia lá fora... não.. não se tratava daquela chuva miudinha de verão que até sabe bem... de facto era verão... mas a chuva caia em torrentes de um céu cinzento tão cinzento que ameaçava tornar noite o dia...
- Mais um dia de férias arruinado – Esta ideia assaltou-lhe o pensamento, com efeito tinha passado um ano inteiro à espera daquela réstia de liberdade anual que nos reservam a nós adultos - nestas alturas pensasse em mar, pensasse em areia, viagens, pensasse naquela bebida que finalmente pode ser bebida sem tempo, deitado na esplanada... Nestas alturas pensasse em fazer aquilo que não se pode fazer durante o resto do ano... não se pensa é que vai chover precisamente nesses dias...quase que por mau Karma, quase que por praga..
Talvez esse pensamento tenha deixado nele um olhar apreensivo... talvez tenha tornado o castanho do olhar dele mais cinzento, ninguém poderá sabe-lo... nem mesmo ele, nem mesmo ela... a verdade é que o olhar dela crispou-se quando o viu sentar-se perto de si....
A verdade é que ela apressadamente procurou refugiar o seu olhar debaixo do livro que passou a fingir.. e fingia ler ... sim ... fingia... a menos que possuísse um estranho dom de ler os livros ao contrário.
Ele reparou nisso... mas não percebeu que assustará... não pensou poder assustar assim alguém... encarou a atitude dela como um receio típico de quem vive numa cidade grande, povoada de mitos urbanos... por perigos imaginários ou não que impedem as pessoas de comunicar... sim ... o que ele achou que se passava é que ela era mais uma daquelas pessoas da cidade que tem a mania da perseguição... talvez idêntica aquela que no outro dia fugira para o outro lado da rua quando ele lhe perguntou as horas... sabe deus o embaraço que ele passou... e ainda por cima teve de explicar ao policia que estava próximo o que se passou ... e convence-lo que ele não era nenhum assaltante....
- Não desta vez nem sequer vou arriscar falar... – pensou ele .... talvez por isso não tenha reparado nos cabelos louro cristalino dela, naqueles cabelos cujos caracóis tombavam sobre o rosto dela como raios de sol.. .no seu olhar verde cor do mar, naquele sorriso terno capaz de lembrar o calor terno da areia quando nos deitamos nela... naquele corpo hirto e doce delineado debaixo daquele vestido laranja alegre...
Metidos dentro das suas carapaças...ele por a achar anti-social... ela por temer aquele estranho olhar que ele trazia... fizeram calados as dez estações que restavam até que ela chegasse ao destino dela.. Então ela arrumou as coisas e levantou-se, já se dirigia à porta quando ele a chamou e se dirigiu a ela...ela pensou que ele a ia magoar... pensou em fugir... mas o medo foi tanto que ela não conseguiu sequer dar um passo... ele aproximou-se dela e para espanto dela entregou-lhe o livro que ela tinha deixado esquecido no banco... – “O amor é um lugar estranho” – Bom livro... disse-lhe ele... disse-o de uma forma doce, melancólica... pura... tão pura que ela reparou se súbito na pureza do olhar dele agora não enevoado pela chuva, mas encantado pela beleza dela... sim... ele tinha ficado deliciado pela beleza terna dela... ela era o verão personificado, o verão que os dias de chuva queriam aprisionar sem conseguir... o verão que ele tinha esperado não todo o ano mas toda uma vida... o seu verão.
Talvez por isso, quando os dedos dos dois se tocaram quando ele lhe deu o livro, naqueles breves segundos sentiram a união da alma...a união dos corpos... sentiram qualquer coisa de especial quente e radioso como uma torrente de lava que vem do ventre da terra mãe... e ficaram segundos a olhar-se...segundos que pareciam ser sem fim... mas que terminaram quando a campainha anunciou proximidade do fecho da porta e ela teve de sair...
Ela saiu...ficou a ver o metro partir... ele não teve tempo para esboçar qualquer reacção vidrado que estava no encanto dela....
Desde aí ele anda de metro todos os dias e faz vezes e vezes aquele percurso na esperança de a encontrar... e embora não tenha tido sucesso ...embora nunca mais a tenha visto... alimenta uma secreta esperança de que o verão ... aquela personificação do verão da sua vida volte a sorrir-lhe... se isso acontecer ele sabe que não a deixará fugir, sabe que irá contar-lhe o seu amor eterno... sabe que ela o irá amar...
Perguntam-se vocês se isso acontecerá algum dia... querem saber... nem eu sei...
Porque não... afinal o AMOR É UM LUGAR ESTRANHO... não é ...

domingo, junho 25, 2006

Portugal ...

Sei que não costumo falar de futebol... mas quando se sofre como sofremos hoje contra a Holanda, quando há a entreajuda que houve dentro e fora do campo... quando se dá um safanão na injustiça e se superam as dificuldades... quando se vencem os nosso limites e se encontram forças para continuar a lutar... o futebol também acaba por ser poetico...

Obrigado Scolari, obrigado Ricardo... obrigado Figo... Obrigado Selecção... Força Portugal


P - Poesia
O- Optimismo
R- Respeito
T- Trabalho
U- União
G - Garra
A- Amor
L- Liberdade


O sonho é nosso...

sexta-feira, junho 23, 2006




















Apenas o olhar....
porque as vezes os olhos falam tanto,
porque as vezes os sonhos não são feitos de palavras,
porque há coisas que não conseguimos escrever...
um sentir qualquer que nos faz olhar o nada...
quem sabe o infinito... e nos dá uma esperança qualquer
de acreditar...


bom fim de semana

quinta-feira, junho 22, 2006

Hercule Savinien Cyrano de Bergerac(1619-1655)

E depois, morrer não é nada, é terminar de nascer

In "A Morte de Agripina"




Soldado francês, satírico, e dramaturgo, cuja vida foi a base de muitas lendas românticas mais ou menos exageradas, sendo a mais conhecida delas a peça de Edmond Rostand, Cyrano de Bergerac escrita em 1897.
A maior obra de Bergerac foram dois contos sobre viagens fantásticas publicados após a sua morte : Historie Comique Des États Et Empires De La Lune, (1657) e L'historie Comique Des États Et Empires Du Soleil (1962)
Em 1676 surge uma compilação de trabalhos de Cyrano que incluem o "poem of Mazarin” (1602-61), uma crítica severa ao cardeal Manzarin.
Segundo Arthur C. Clarke, Cyrano deve ser tido como a primeira pessoa a falar de viagens de foguetão no espaço e o inventor dos foguetes.
O Verdadeiro Cyrano de Bergerac tinha em vida, muito pouco em comum com o herói da peça de Rostand. Ele nasceu Paris, e foi educado por um padre na cidade de Bergerac. Mais tarde foi estudar para o colégio de Beauvais.
Depois de se tornar famoso como boémio e lutador de duelos, alistou-se aos 20 anos no exercito. Contudo era individualista e tinha problemas em ajustar-se a disciplina- opunha-se as guerras e à pena de morte.
O seu espírito humanitário foi reconhecido pelos seus contemporâneos e pelas gerações seguintes. Os retratos dele elaborados por Doyen, feitos depois de Heince, mostram um homem especialmente sorridente, com um pequeno bigode e um avantajado nariz.
Cyrano foi ferido gravemente duas vezes, uma durante uma luta com a Guarda Gasconha (fiel a Mazarin e Richelieu e rival dos nossos conhecidos mosqueteiros do Rei), e outra durante a Batalha de Arras em 1640.
Nesta última foi ferido no pescoço com uma espada, nunca tendo recuperado completamente.
No ano seguinte desiste da carreira militar e vai estudar com o matemático e filósofo Pierre Gassendi.
Influenciado pelas teorias e Gassendi e pela filosofia libertina, escreve histórias de viagens imaginárias à lua e ao sol e satiriza a visão da humanidade e da terra como o centro da criação. Opôs-se também à ideia de Descartes de que os animais são criaturas sem alma.
Na sua viagem imaginária à lua Cyrano embarca num aparato mecânico, potenciado por foguetes que classifica como um pássaro por ter sido concebido com duas pernas.
Na sua Segunda viagem é julgado por um tribunal de aves pelos crimes da humanidade. Cyrano defende-se dizendo que não é um ser humano mas um macaco.
Em 1654, Cyrano de Bergerac publica as peças “LA MORT D'AGRIPPINE“ obra que foi acusada de blasfemia, e LE PÉDANT JOUÉ”, na qual Moliere se inspirou, ou plagiou para escrever parte da sua peça “The Cheats of Chapin”, (salvo erro o segundo acto da mesma).
Cyrano de Bergerac morreu em Paris a 28/07/1655, na sequência de ferimentos provocados pela queda de um barrote de uma obra sobre a sua cabeça .

A peça de Rostand “Cyrano de Bergerac” descreve as aventuras de um homem notável do século XVII, famoso pelo seu grande nariz e pelas suas qualidades de espadachim.
Nela Cyrano ama apaixonadamente a bela Roxane, mas apesar disso aceita ajudar Christian, a conquista-la.
Apesar de alguns historiadores considerarem exagerada a faceta heróica que Rostand confere a Cyrano, ele é reconhecido como um grande escritor de romances filosóficos e um amante apaixonado.


Registo Das Obras Principais

La Mort D'agrippine, 1654 - The Death Of Agrippine
Le Pédant Joué, 1654 - The Pedant Imitated
Historie Comique Des États Et Empires De La Lune, 1657 - Selenarchia: The Government Of The World In The Moon / The Comical History Of The States And Empires Of The Moon
L'historie Comique Des États Et Empires Du Soleil, 1662 - Other Worlds: The Comical History Of The States And Empires Of The Sun - (Both Books, Moon And Sun, Trans. By Geoffrey Strachan, 1965)
Œuvres Comiques, Galantes Et Littéraires, 1858
Les Œuvres Libertines, 1921
Lettres D'amour Et Lettres Satiriques, 1932
Œuvres, 1957
Voyage Dans La Lune, 1977
Œuvres Complètes, 1978



Nota :

Esta biografia de Cyrano é resultado de uma pesquisa que fiz, talvez porque há nele algo com que me identifico.
Optei por coloca-la aqui para partilhar com vocês a minha admiração pelo homem notável que foi Cyrano, sobretudo no que respeita à dimensão humana independentemente do enredo fabulástico de Rostand... não que esteja contra Rostand, não que esteja contra a fábula, depois e se é verdade que Cyrano foi um espadachim notável, um filósofo e percursor das viagens espaciais es e é sabido que ele escreveu as cartas de amor que escreveu e é capaz de falar do amor e da vida da forma intensa em que o faz na peça a Morte de Agripina, não faz mal nenhum, nesta era em que os heróis são criados e consumidos em segundos na televisão, não nos faz mal nenhum sonhar que um dia Cyrano amou Roxane, com o mesmo brilho, a mesma essência e a mesma honra que emana do enredo construído por Rostand.

Pela poesia...Pelo amor... além da vida.... bem ajam

segunda-feira, junho 19, 2006

Apenas eu...





















Porque hoje não encontro palavras e a linguagem se foi..
porque só há lugar para o silencio...
para a saudade...
para uma essencia qualquer que não se expressa letra a letra,
porque as vezes o que somos, o que sonhamos.....
é demasiado intenso, verdadeiro e irreal para ser escrito.

domingo, junho 18, 2006

AS CARAVANAS DO ESQUECIMENTO

Um poema do meu grande amigo lorenzo monsanto sandoval, porque apesar de tudo ele sim sabe ser poeta..

abraço lorenzo


Por favor
Apaguem as luzes.
Desçam as cortinas.
Arrumemos os adereços.
Cenários.
Deixemos o soalho de madeira,
Respirar e acumular o pó,
Sob o efeito de luz dançámos.
Arrumemos pois.
Bagagens.
Rumemos para outra aldeia.
Aqui, aqui já nada existe.
Sobejamente conhecidos.
Sobejamente rejeitados.
Partiremos pois, porque se faz tarde.
Partiremos pois, livres.
Partiremos pois, deixando para trás
O palco, onde tantas vezes se declamou
E actuou.
Partiremos pois
Nas nossas velhas caravanas do esquecimento.
Partiremos pois, e cantemos
Sobre as notas flutuantes
Das gaitas-de-beiços.
As brumas recolhem agora,
Odores e fragmentos de amor,
Que durante muito tempo
Arrepiaram a nossa pele.
Os nossos diálogos
Ecoaram docilmente nas longas madrugadas de Inverno.
Contigo vimos chegar
O senhor do frio
E foi também contigo, que vi o sol morno adormecer
Nas ondas de diamante de um mar,
Que nunca foi nosso.
Arrumemos pois
E rumemos para outra aldeia.
Aqui, aqui a Terra já nada quer receber.
Santa afirmação.
Aqui, aqui a Terra ilude-nos,
Mas nós, nós não estamos secos.
Nós não somos o chão que acolhe a lama suja.
Nós somos a arte.
A arte incompreendida.
A arte de perder o que se ama receber.
Nós somos a arte, onde a paixão se divide
Em milhares de lagos
E onde
Nos banhamos meigamente
Nos açudes refrescantes da harmonia.
Nós não temos medo.
Nós não temos medo de invocar
Sentimentos inglórios e distantes.
Nós caminhamos sobre as pedras abruptas
Do caminho desconhecido e abrupto.
É neste, que vamos semeando farpas de desprezo.
Nós estamos aninhados.
Nós estamos interiorizados.
Em pequenas bolas de sabão.
Bolas de sabão que apenas seguem
As eloquentes brisas de Verão.
E lá, lá trepamos
Nas vivas cores de um arco-íris perdido.
Nós não estamos secos.
Nós não somos o chão que acolhe a lama suja.
Nós não somos a Terra impura.

sexta-feira, junho 16, 2006

amo-te ... silencio

Porque nas horas desertas
de mim... me amparas.
Porque louco me embalas
Nos intervalos das musicas
No estremecer da voz
num vazio qualquer na noite
num madrigal qualquer de dia

Porque que me atiças a alma
No meio de fúrias e calma...
E do nada fazes murmúrios
Poemas feitos de gestos
doces sonhos fonemas
alguns deles poemas
alguns deles canções

Porque é para ti que falo
Em cada final de frase,
em cada dobrar de linha
de um poema qualquer
sonhos que sussurro
as vezes sem dizer
outras vezes dizendo
sem precisar de falar

Porque é a ti que escuto
Quando me sinto perdido
E é contigo que fico
Quando fujo de mim
E és tu quem está comigo
quando me sinto sozinho
e mesmo sabendo-me perdido
permites que volte a ti

porque é a ti que eu beijo
quando nem a pele vejo
e são tens os seios
em que repouso o meu queixo
e são teus os braços
em que embrulho o meu corpo
e es tu quem dorme a meu lado
quando me deito sozinho

Porque é teu o sonho
que molda a minha alma
nas desventuras da mágoas
nas inconstância da vida
no gemer de uma guitarra,
ou num sopro qualquer de vida
frissom da chuva a cair,
vento agreste qualquer
uma vontade de ir
um grito por acontecer

Porque és tu meu ronronar
Meu castigo de viver
Minha lua de algum lugar,
Minha ode por escrever
Meu amor por acontecer
sopro divino dos dias
romance por acabar
prosa sem redondilhas

Porque és tu que me inflamas
E despertas poesias
gaivota etérea de sonhos
pairando no firmamento
uma vela eregida ao vento
na amurada de um veleiro
pelo força de um barqueiro
sequioso de folias

Porque es tu quem vou beijar
Mesmo antes de morrer
tu que és meu ultimo adeus
meu derradeiro suspiro
poemas são os olhos teus
o resto é um desalinho
porque és tudo o que eu canto
todo o meu canto..
tudo o que eu vivo.

Porque és gloria e morte
Sopro fiel,
Boa ou má sorte
Meu triste fel
Sabor a mel
Meu fado, meu canto
Minha lágrima

Amo-te....
Silencio...
amo-te...
... tu

quinta-feira, junho 15, 2006

Parabéns Fernando Pessoa










Autopsicografia"

O poeta é um fingidor.
Finge tão completamente
Que chega a fingir que é dor
A dor que deveras sente.
E os que lêem o que escreve,
Na dor lida sentem bem,
Não as duas que ele teve,
Mas só a que eles não têm.
E assim nas calhas de roda
Gira, a entreter a razão,
Esse comboio de corda
Que se chama coração.


01.04.1931


Parabéns pelos teus 118 anos, porque embora o corpo possa ser efémero a magia das tuas palavras, dessa essencia que brota da tua alma é e será sempre eterna.
Obrigado pela inquietude que deixas nos corações de todos os que te leem, por esse grito qualquer eterno, por essa essencia que é vida renascida letra a letra...

segunda-feira, junho 12, 2006

HOMENAGEM A JORGE PALMA

Deixo-vos uma das letras de que mais gosto do grande jorge palma, no fundo uma pequena homenagem ao cantor, poeta, sonhador que apesar de saber que o ser humano é "fragil" nos alimenta a esperança de sonhar com "o bairro do amor" ou com a "terra dos sonhos" e assim nos deixa a esperança de alguma gloria nesta senda que é viver estando "a espera do fim".
Escolhi esta música porque acho que o estado de espírito que revela demonstra muitas vezes como me sinto..
A ti Jorge Palma, o meu bem aja por toda a cor que dás ao nosso mundo e pela ousadia com que vives os sentimentos a flor da pele nas letras que escreves.
A vocés espero que nunca desistam de encontrar a vossa terra dos sonhos... o vosso aconchego.
Sabem ... estou a adorar dar-vos a conhecer o meu mundo, os autores e pessoas que são importantes para mim... esta partilha é muito bonita.


D. Quixote foi-se embora


Acende mais um cigarro, irmão

inventa alguma paz interior
esconde essas sombras no teu olhar
tenta mexer-te com mais vigor
abre o teu saco de recordações
e guarda só o essencial
o mundo nunca deixou de mudar
mas lá no fundo é sempre igual
E agora, que a lua escureceu
e a guitarra se partiu
D. Quixote foi-se embora
com o amigo que a tudo assistiu
as cores do teu arco-íris
estão todas a desbotar
e o que te parecia uma bela sinfonia
é só mais uma banda a passar
A chuva encharcou-te os sapatos
e não sabes p'ra onde vais
tu desprezavas uma simples fatia
e o bolo inteiro era grande demais
agarras-te a mais uma cerveja
vazia como um fim de verão
perdeste a direcção de casa
com a tua sede de perfeição
Tens um peso enorme nos ombros
os braços que pareciam voar
tu continuas a falar de amor
mas qualquer coisa deixou de vibrar
os teus sonhos de infância já foram
velas brancas ao longo do rio
hoje não passam de farrapos
feitos de medo, solidão e frio

sexta-feira, junho 09, 2006

Ansejos

Um poema que escrevi e que fala muito da minha busca, da minha essencia incompleta....

Ansejos...


gostava que esta noite
tu ficasses deitada comigo
e que ao som de uma canção
tu me abraçasses e dissesses
... estou contigo .
gostava que num torpor
tu me beijasses...
e me envolvesses
na tua áurea encantada.
gostava que com amor
tu me queimasses...
e que num momento de loucura
sussurrasses palavras deste amor fatal
já mais esquecido.
gostava de te levar num carrossel
e de te envolver assim ... perdida.
gostava de ser teu ... para toda a vida.
só para te acordar de manhã
como se fosses
a mais doce bela adormecida .
gostava que soubesses
que te quero e que és a mulher
que eu mais venero nesta vida.
gostava que acreditasses
nas palavras que aqui digo
pois de outra forma dizer-tas
... não consigo.
mas também que posso dizer
que aqui não tenha dito.
que loucura vai fazer ...
calar este meu grito.
que outra forma cruel
me vai esmagar
do que saber-te aqui
sem te contar
...todas estas coisas
... que eu sinto.
simplesmente por saber
que para ti não são mais
...do que palavras ditas .
por saber que vais pensar
que eu aqui minto .
e talvez nem adiante,
talvez até nem ligues
... ao que eu sinto.
porquê amar-te assim
sem ter razão.
porquê querer ser eu
o teu amor .
porquê julgar teu
meu coração.
porquê, porque, porquê...
devo estar louco!
louco! louco!
mas não te minto...
e a verdade é que te amo,
mesmo que não passem
...de palavras perdidas,
como folhas caídas...
na árvore da minha vida .
como se fossem
simplesmente pedaços
de tudo o que eu sinto...
e de outra forma...
...não sei dizer.

domingo, junho 04, 2006

solidão

imagem quadro "Danae" de Klimt .

A solidão entranha-se no corpo, corroi-nos até aos ossos, até à alma...
sentirmo-nos sós é ter em nós algo de vazio, é viver continuamente a sensação de uma cama vazia, de um quarto vazio... pior que isso ... a sensação de estar vazio por dentro... como se houvesse algo de mim, algo do meu peito, da minha vida, da minha essencia que alguém, ainda não sei quem... levou e se esqueceu de devolver.
Uma angustia que doi e não sara de ver os dias irem morrendo pouco a pouco... e com eles a capacidade de suportar.