quarta-feira, setembro 27, 2006

uma flor... para ti



Hoje deixo-te apenas uma flor....
porque achei que as palavras não conseguiam expressar o que queria dizer, porque elas são demasiado pequenas para agradecer pela luz que dás aos dias.
acima de tudo porque há coisas que são demasiado belas para serem escritas.
beijo meigo.
Espero que gostes .

muita força linda

bejo

terça-feira, setembro 26, 2006

Outra vez para ti

"
No Rancho fundo


No rancho fundo
Bem pra lá do fim do mundo
Onde a dor e a saudade
Contam coisas da cidade...

No rancho fundo
De olhar triste e profundo
Um moreno conta as "mágoas"
Tendo os olhos rasos d'água

Pobre moreno
Que de noite no sereno
Espera a lua no terreiro
Tendo o cigarro por companheiro
Sem um aceno
Ele pega na viola
E a lua por esmola
Vem pro quintal desse moreno

No rancho fundo
Bem pra lá do fim do mundo
Nunca mais houve alegria
Nem de noite nem de dia

Os arvoredos
Já não contam mais segredos
E a última palmeira
Já morreu na cordilheira

Os passarinhos
Internaram-se nos ninhos
De tão triste esta tristeza
Enche de trevas a natureza

Tudo por que?
Só por causa do moreno
Que era grande, hoje é pequeno
Para uma casa de sapê
Se Deus soubesse
Da tristeza lá serra
Mandaria lá pra cima
Todo o amor que há na terra

Porque o moreno
Vive louco de saudade
Só por causa do veneno
Das mulheres da cidade

Ele que era
O cantor da primavera
Que até fez do rancho fundo
O céu maior que tem no mundo

Se uma flor desabrocha
E o sol queima
A montanha vai gelando
Lembra o cheiro da morena
"

Ari Barroso, versão cantada por Citãozinho e Chororo



Porque depois de falar contigo ficou a morar em mim uma saudade imensa, uma vontade infinita de te ver e de te abraçar.
Porque há muito de nós no moreno e todos nós já sentimos a tristeza de morar no rancho fundo rodeados pela saudade.
é muito bom saber que és lua companheira.
força linda, está quase, torço por ti.

beijo meigo e terno

domingo, setembro 24, 2006

Para ti...

Porque ando sem inspiração, ou talvez porque ando tão inspirado que não consigo soltar-me no papel...
Resolvi deixar um texto de Al Berto, talvez por saber que adoras este poeta, mas sobretudo porque este poema tem algo do tanto que eu sinto e não sei escrever.
Sabes... está a doer-me muito o fim de verão.
Beijo profundo como o mar, aquele universo hidrico feito das lágrimas que verto por não te ver.
Boa semana .
Gosto muito de ti.

Escrevo-te a sentir
escrevo-te a sentir tudo isto
e num instante de maior lucidez poderia ser o rio
as cabras escondendo o delicado tilintar dos guizos
nos sais de prata da fotografia
poderia erguer-me como o castanheiro
dos contos sussurrados junto ao fogo
e deambular trémulo com as aves
ou acompanhar a sulfúrica borboleta
revelando-se na saliva do lábios
poderia imitar aquele pastor
ou confundir-me com o sonho de cidade
que a pouco e pouco morde a sua imobilidade
habito neste país de água por engano
são-me necessárias imagens radiografias de ossos rostos desfocados
mãos sobre corpos impressos no papel e nos espelhos
repara nada mais possuo a não ser este recado
que hoje segue manchado de finos bagos de romã
repara como o coração de papel amareleceu no esquecimento de te amar

Al berto in «Trabalhos do Olhar», 1976/82: Filmagens, 1980/81

quarta-feira, setembro 20, 2006

a vida....

" Quando tudo corre mal...
Quando o mundo parece ter acabado,
Quando o céu escurece,
Quando o nó na garganta nao se desfaz,
Quando as lágrimas nao param de cair...
Pensa que estás vivo,
E a vida, não é um ponto final,
Mas sim, reticências."

Monica Mendes



Porque achei que de repente este comentário da Mónica Mendes ao meu post "cansaço" merecia honras de primeira página :)

Porque pensei que este texto vos pudesse ajudar a tornar o dia mais positivo.

Porque tenho imensas saudades vossas.

acima de tudo porque GOSTEI e como GOSTO MUITO DE VOCÉS achei que era bom partilha-lo convosco.


afinal os blogs só tem sentido porque nos damos.

bom dia

domingo, setembro 10, 2006

o Bushido.. ou a via do guerreiro

Numa altura em que me sinto algo desenraizado, como se não pertencesse a este tempo, como se não fosse possivel encontrar nas formas actuais de pensar, sentir e agir um porto de abrigo. Sobretudo porque nos nossos dias somos atacados pela hipocrisia, pela desonra, pela falta de confiança, procurei algumas informações sobre aquele que considero um dos mais importantes códigos de conduta da nossa História, o código Bushido (Bushi Do) ou " A via do Guerreiro.
Este código é acima de tudo um código de principios morais e éticos que no japão ancestral pautavam a conduta dos samurais.

Os seus preceitos são:


GI - Justiça e Moralidade Atitude directa, razão correcta, decidir sem hesitar;
YU - Coragem, Bravura heróica;
JIN - Compaixão Benevolência, simpatia, amor incondicional para com a humanidade;
REI - Polidez e Cortesia, Amabilidade;
MAKOTO - Sinceridade Veracidade total, nunca mentir;
MEIYO - Honra Glória;
CHUGO - Dever e Lealdade Devoção, Lealdade
Levados por estes preceitos os Samurais ( ou bushi ) conseguiram fama pela sua honra, bravura, técnicas marciais, e por evidenciarem um imenso desapego pelas coisas materias e pela própria vida terrena, demonstrando mesmo terem um espírito inabalável diante da morte.
Este desapego é aliás notório no credo samurai que passo a transcrever.

Eu não tenho pais, faço do céu e da terra meus pais.
Eu não tenho casa, faço do mundo minha casa.
Eu não tenho poder divino, faço da honestidade meu poder divino.
Eu não tenho pretensões, faço da minha disciplina minha pretensão.
Eu não tenho poderes mágicos, faço da personalidade meus poderes mágicos.
Eu não tenho vida ou morte, faço das duas uma, tenho vida e morte.
Eu não tenho visão, faço da luz do trovão a minha visão.
Eu não tenho audição, faço da sensibilidade meus ouvidos.
Eu não tenho língua, faço da prontidão minha língua.
Eu não tenho leis, faço da auto-defesa minha lei.
Eu não tenho estratégia, faço do direito de matar e do direito de salvar vidas minha estratégia.
Eu não tenho projetos, faço do apego às oportunidades meus projectos.
Eu não tenho princípios, faço da adaptação a todas as circunstâncias meu princípio.
Eu não tenho táticas, faço da escassez e da abundância minha tática.
Eu não tenho talentos, faço da minha imaginação meus talentos.
Eu não tenho amigos, faço da minha mente minha única amiga.
Eu não tenho inimigos, faço do descuido meu inimigo.
Eu não tenho armadura, faço da benevolência minha armadura.
Eu não tenho castelo, faço do caráter meu castelo.
Eu não tenho espada, faço da perseverança minha espada.
Quem sabe se inspirados neste código nos poderemos tornar melhores pessoas.
Eu estou aberto a descobrir.
bem ajam

quinta-feira, setembro 07, 2006

Adeus férias....


Pois é as férias são agora uma miragem... Agosto parece ter definitivamente terminado...
Recomeça a rotina... o cumprimento de horários... a prisão do relógio.
Os amigos começam a ter de ir para Universidade.... deixa-se de repente de ter companhia para beber café e quando damos conta já nem as pessoas que nos serviam esse café ou aquele chá são as mesmas...
Chiça... até dói... parece que há qualquer coisa que remói cá dentro... bem nas entranhas da alma e do ser.
Quero areia debaixo dos pés... quero de volta os dias de férias em que não tive planos e que não soube aproveitar... quero os dias em que não fiquei na praia porque o tempo esteve nublado... porque estava frio.
No final das férias percebi que a praia mão estava assim tão agreste e que o calor humano das pessoas compensava tudo.
Pena é que estas férias a gosto ou a contra gosto... ainda não sei... tenha dado uma de solitário...
Acreditem passei muito tempo sozinho, com excepção das idas à praia com a minha grande mãe, o meu irmão e a Ana pequenina, do grande dia que passei com os meus bons amigos Bruno e Ines e em que corremos quase as praias todas do distrito, do especial passeio nocturno na mata de São Pedro, com o privilegio da companhia sempre especial da Diana, do Énio, da Ines e do Bruno, das saídas para tomar café com a Marilia, o Filipe e a Diana Rolo sem esquecer a grande honra e o grande desafio que foi para mim, (eu que sou um inculto no volei, pelo menos pensava que era) ajudar a minha grande amiga Marilia, a Vanessa, a Susana e o Ramalho a organizar o 2.º torneio de voleibol do Académico.
É verdade que os dias do torneio foram muito ocupados, sempre de um lado para o outro, a deitar-me às tantas da madrugada e a levantar-me antes do nascer do sol... mas no entanto foram momentos espectaculares, cheios de companheirismo e de espirito de equipa, de amizade e de capacidade de cooperação, patentes não só entre os organizadores, mas também entre os vários jogadores e entre jogadores e organização.
Adorei... posso dizer que foi um torneio genial e super disputado, com jogos super renhidos, sem nunca faltar um tempinho para o convívio e para a boa disposição.
Fiquei fã do volei de praia e acreditem se a organização me aceitar como colaborador para o ano (please... aceitem) lá estarei outra vez disposto a estar com vocês.
Antes de terminar quero agradecer não só as pessoas que estiveram comigo na organização, à Rita que acampou connosco e alegrou os dias com a sua simpatia, ao Filipe que me honrou com a possibilidade de ver o logo da grande revista dele nas T- Shirts, mas também ao Guto, ao TP, à Rita Carmim, à Beta Simões, à Fininha, ao Bruno e todos os outros jogadores, público e árbitros por me terem mostrado a magia do volei mas sobretudo por, com a sua presença terem alegrado os meus últimos dias de férias.
Aproveito ainda a oportunidade de agradecer ao meu amigo Bruno pelo companheiro que tem sido e para deixar um beijo cheio de carinho, amizade e solidariedade para a Diana e a Ines.
Que na vida possam haver sempre momentos mágicos como o que surge retractado na imagem em que o Gutto (que aliás forneceu amavelmente a “plingrafia” parece voar ..
Possa eu disputar todas as coisa como vocês disputavam as bolas.Bem ajam a todos.

quarta-feira, setembro 06, 2006

cansaço....

Hoje pela primeira vez desde há muito tempo acordei cansado de mim mesmo.
Cansado da traição do meu corpo que já não aguenta o cansaço, das minhas pernas que arquejam as vezes em esforço... da minha cabeça que lateja se não durmo....
Cansado de construir sonhos no deserto e de os ver perder no vento e nas areias, de ver formar sonhos vãos sem alicerces.
Cansado de amar sem ser amado, de querer quem não me quer, de ser ave e não voar.
Cansado de sentir que sou para os outros porto de abrigo, sabendo que não consigo abrigar-me a mim próprio...
Cansado de ficar e ver partir...
Hoje estou simplesmente farto de tudo.... da hipocrisia de quem julga sem ser julgado, da blasfémia, da frigidez deste estado paralisado que é Portugal.... da Frigidez da cultura que não nos ensina a sentir e que nos torna cada vez mais escravos das vontades in... modas in... sonhos out.
Estou cansado... de vestir a mascara ridícula que envergo dia a dia, como se ainda continuasse a acreditar.

quinta-feira, agosto 31, 2006

para um pedro.. muito mais poeta do que eu















Uma homenagem merecida ao poeta, ao cantor e ao homem pela essencia e magia que deposita no que canta.

possam sempre as cegonhas voar sobre as planicies ...

aqui fica a minha musica favorita de Pedro Barroso:


Bonita


Primeiro foram as mãos que me disseram
que ali havia gente de verdadede
pois fugi-te pelo corpo acima
medi-te na boca a intensidade
senti que ali dentro havia um tigre
naquele repouso havia movimento
olhei-te e no sol havia pedras
parámos ambos como se parasse o tempo
parámos ambos como se parasse o tempo

é tão dificil encontrar pessoas assim bonitas
é tão dificil encontrar pessoas assim bonitas

atrevi-me a mergulhar nos teus cabelos
respirando o espanto que me deras
ali havia força havia fogo
havia a memória que aprender
assenti no corpo todo um arrepio
senti nas veias um fogo esquecido
percebemos num minuto a vida toda
sem nada te dizer ficaste ali comigo
sem nada te dizer ficaste ali comigo

é tão dificil encontrar pessoas assim bonitas
é tão dificil encontrar pessoas assim bonitas

falavas de projectos e futuro
de coisas banais frivolidades
mas quando me sorriste parou tudo
problemas do mundo enormidades
senti que um rio parava e o nevoeiro
vestia nos teus dedos capa e espada
queria tanto que um olhar bastasse
e não fosse no fundo preciso
queria tanto que um olhar bastasse
e não fosse preciso dizer nada

é tão dificil encontrar pessoas assim bonitas
é tão dificil encontrar pessoas assim pessoas


(música e letra de Pedro Barroso in álbum "Roupas de Pátria, Roupas de Mulher ",1987)

quinta-feira, agosto 24, 2006

lealdade

Serei
serei leal contigo
Quando eu cansar dos teus beijos
te digo
E tu também liberdade terás
P'ra quando quiseres,
bater a porta
sem olhar para trás

Serei
serei leal contigo
Quando eu cansar dos teus beijos
te digo
E tu também liberdade terás
Pra quando quiseres,
bater a portas
em olhar para trás
Se o teu corpo cansar dos meus braços
Se o teu ouvido cansar da minha voz
Quando os teus olhos cansarem dos meus olhos
Não é preciso haver falsidade entre nós

Serei
serei leal contigo
Quando eu cansar dos teus beijos
te digo
E tu também liberdade terás
Pra quando quiseres,
bater a porta
sem olhar para trás


caetano veloso


uma musica linda... porque o amor deve ser livre

terça-feira, agosto 15, 2006

falar da morte... para recriar a vida

"A morte chega cedo,
Pois breve é toda a vida
o instante é um arremedo
De uma coisa perdida.
O amor foi comecado
O ideal nao acabou,
E quem tenha alcancado
Nao sabe o que alcancou.
E tudo isto a morte
Risca por nao estar certo
No caderno da sorte
Que Deus deixou aberto"
(Fernando Pessoa)


porque as vezes a nostalgia leva-nos a pensar no fim...
e tomamos consciencia da nossa essencia, do nosso intimo, do quanto somos efemeros e escassos...
porque a proximidade do fim, sabermos encarar a nossa finitude, é as vezes a unica coisa de que precisamos para ousar acordar e continuar vivos

quarta-feira, agosto 09, 2006

o amor, outra vez o amor. finalmente o amor

"O Amor é finalmente um embaraço de pernas, união de barrigas, um breve tremor de artérias.
Uma confusão de bocas, uma batalha de veias, um rebuliço de ancas, quem diz outra coisa é besta"

Ronaldo Vainfas,in Revista Nossa História, nº 1

Triste sina de uns, pela ausencia, pela fragilidade, pelo ser qualquer que se perde, sempre a perder, sempre a partir.. sempre a derivar.

Conforto terno de alma de quem ama e é amado, confirmação da essencia pela essencia, do sopro pelo sopro, do beijo pelo beijo, da vida pela vida, da alma pela alma.

Pesadelo de quem é amado sem o querer, grilheta que doi funda na alma, dor de ver alguem sofrer sem podermos conter esse derrame, essa tristeza...sentirmos-nos responsaveis pela dor de alguem que nos moi por dentro.

Esperança ainda que emberbe daqueles que amam sem serem correspondidos, uma busca de todas as portas interiores que nos aproximem ao bem querer, saber ser aconchego, ombro, braço, poiso, firmamento da pessoa amada, saber dar-lhe alento, saber estar lá e reconforta-la, e ver tentativa após tentativa frustrados os sonhos, nesse desconforto de ver o outrem caminhar sozinho, tal como nós, sem lhe podermos ensinar os caminhos .

Para todos uma doce alucinação, um querer melhor que um bem querer, um alento qualquer de vida que mesmo a querer escapar-se trás sempre alguma cor, algum sonhar..
quem sabe a ultima esperança de realização da nossa alma

segunda-feira, agosto 07, 2006

Contra os Incendios ... Estamos convosco



Por um pais verde...
pela segurança...
pela esperança
pelo futuro...
pelo sonho...
Portugal está com os Bombeiros Portugueses, que se entregam anualmente à ardua batalha de tentar impedir que o inferno surja todos os verões.
Porque com a vossa dedicação e capacidade de arriscar a vida em prol dos outros nos honram e honram o nosso pais ...
estamos do vosso lado, incondicionalmente.
Obrigado bombeiros de Portugal.
bem ajam

quarta-feira, agosto 02, 2006

Vida

" estou a morrer
...
a rocha sólida
é só areia e água
areia e água ..
e milénios de história
...."


in Serviço de Urgências


Porque as vezes a presença da morte faz-nos celebrar a vida... lutar pelos sonhos... querer... ousar sonhar.
Porque somos finitos e o relogio não para de tictar...
porque a vida é pequena demais para ficarmos parados e não lutarmos pelos nossos sonhos.

ousem sonhar sempre... ousem acreditar...

domingo, julho 30, 2006

a espera...

A Espera Do Prazer


"O prazer que tu esperas varia na razão inversa do tempo de o esperares. E da inquietação também. Porque quanto mais esperas e te inquietas, menos prazer ele é. Espera-o no infinito para te não inquietares. E que ele seja depois o prazer que for. Mas o contrário também é verdadeiro. "


Vergílio Ferreira, in 'Pensar'


"A definição de belo é fácil: é aquilo que desespera "


Paul Valery




"A verdadeira esperança é uma qualidade, uma determinação heróica da alma. E a mais elevada forma de esperança é o desespero superado "


Georges Bernanos



três citações de grandes três grandes autores, quem sabe para acalentar a esperança daqueles, quem sabe eu, quem sabe um de vocés, que se mantém fieis aos sonhos.
Que todo o futuro seja uma promessa e toda a poesia grito.
bem ajam

quarta-feira, julho 26, 2006

Pela paz


Pela paz...
Contra a tirania do mais forte....
Contra o ódio....
Contra o medo....
Contra a morte.
Porque o homem não pode continuar a ser lobo do homem..
Porque nós humanos temos de deixar de ser bestas...
Pede-se silencio...
Pede-se calma...
Pede-se compreensão...
Pede-se respeito pelo outrem...
Pede-se igualdade...
Pede-se esperança..

Que os homens, uns e outros, percebam no outrem um irmão, um companheiro, um seu igual
e entendam de uma vez por todas que a terra é um lugar de encontro de diferenças que não deve ser temido mas que nos enriquece e que as fronteiras não existem.


Não à guerra.... viva o sonho viva a

sábado, julho 22, 2006

diz-me...

Diz-me é um poema antigo que retrata algo actual... a minha busca intensa e as vezes sofrida pelo amor... porque as vezes é dificil dizer por palavras o que nos move o coração.

Diz-me


Diz-me
Que angústia é maior...
do que saber-te aqui
sem te ver ?

Que sofrimento é mais forte...
do que o de quem ama
sem poder, ou, sem querer?

Que linhas são mais rasgadas...
do que estas trovas aflitas
que por certo ninguém vai ler?

Que flor é mais bela...
do que a flor perfumada
com as lágrimas de alguém ...
só por sofrer?

Diz-me...
Que loucura é essa
que me afasta do que sou
e me prende nesta melancolia
por traz da qual me escondo ?

Diz-me ...
Quem sou eu ?
Quem és tu ?
Que sopro é esse que...
emanas dos teus lábios?

Diz-me...
Se continuas a deixar
morrer este poeta?
se te refugias num mundo...
que ninguém sabe qual é,
e onde és rainha...
pois nele só guardas lugar para ti?

Diz-me ...
Que segredos são esses ...
que escondes em teus seios,
e que até agora deixas ao acaso
sem que alguém
alguma vez os encontre?

Diz-me...
Que morte é mais triste,
do que alguém
que morre sem morrer
e que é condenado
a errar por esta vida
sem sentido até que os seus dias
espirem ?

Diz-me todas estas coisas,
perguntas de amor sem respostas
perdidas no olhar
deste alguém que sou eu
deste alguém...
que não se atreve a dizer-te...
ama-me...
pois tua resposta só iria
enterrar ainda mais o moribundo que
eu sou
condenando-me inexoravelmente ao
degredo
onde permaneço até ao fim das idades.

Diz-me...
que não ou que sim,
mas não me digas que estou louco
pois se o estou é de amores por ti...
e quanto a isso... só a flor do tempo
apagara os traços que deixei ...
marcados na areia desta vida
só a flor do tempo.....

sexta-feira, julho 21, 2006

Bom fim de semana

Lua e Flor

Eu amava como amava algum cantor
De qualquer clichê, de cabaré, de lua e flor.
Eu sonhava como a feia na vitrine,
Como carta que se assine em vão.
Eu amava como amava um sonhador,
Sem saber porque, e amava ter no coração
A certeza ventilada de poesia
De que o dia não amanhece não.
Eu amava como amava um pescador
Que se encanta mais com a rede que com o mar.
Eu amava como jamais poderia
Se soubesse como te encontrar
Eu amava como amava algum cantor
De qualquer clichê, de cabaré, de lua e flor.
Eu sonhava como a feia na vitrine,
Como carta que se assina em vão.
Eu amava como amava um pescador
Que se encanta mais com a rede que com o mar.
Eu amava como jamais poderia
Se soubesse como te contar.
Eu amava como amava um pescador
Que se encanta mais com a rede que com o mar.
Eu amava como jamais poderia
Se soubesse como te contar


Oswaldo Montenegro


Bom fim de semana amigos, deixo-vos com esta magnifica letra de O. Montenegro, para que não esqueçamos o quanto é bom termos alguém no coração.
acreditem nos sonhos porque como disse um rapaz misterioso que conheci ontem "a vida pode não ser um sonho, mas o sonho é definiotivamente a vida".


parabens ao meu amigo Diogo pelo aniversário e votos de boa sorte à Carla e à Rita bem como a todos vós que se encontram em frequências e exames.
A vela está acesa.

segunda-feira, julho 17, 2006

tempo que passa nos passos de dança

Estou velho sabes... sinto-me velho... não por me sentir fora do tempo, não pelo peso do corpo, não pelo desfigurar da face.. não são os anos que pesam, não é o corpo que desilude... o que pesa é o baú de recordações que vou trazendo comigo..... o baú de sonhos realizados e por realizar... o baú de partilhas... o baú de entregas .
Não eu já não guardo religiosamente as cartas que escrevo, já não guardo pétalas de flor, pedrinhas, ou mesmo aquele rabisco teu que encontro naquele livro que me pediste emprestado...
Já não faço colecção de citações que me tocaram... nem de vestígios de situações que me fizeram viver...que me fizeram sonhar...
Com o passar dos anos aprendi que o verdadeiro baú de recordações não é material, descobri que ele está dentro de nós... na lembrança das pessoas, eventos, lugares ou momentos que residiram na minha alma e que a moldaram tornando-a diferente...tornando-a melhor... as vezes sofrida... mas melhor.
Descobri que não é por termos a musica X.P.T.O ou as fotografias do baile Z que esse baile vai ser lembrado, que não foi por ter aquele fio de cabelo que ficou no meu ombro depois de dançarmos.
Não, não ficou. Foi pena...
Não foi por isso que nunca mais me irei esquecer daquela noite em que vieste ter comigo e me convidas-te para dançar, o que ficou em mim foi o teu olhar quando o fizeste... foi o bater mais forte do meu coração... foi aquela sensação de por segundos voar a teu lado... acredita...senti-me a voar... voei mesmo.
O que ficou foi a magia desse momento... foi o facto de teres dançado comigo, de me teres honrado com isso, e também o saber que nunca mais dançamos..
Falar da ultima vez que dançamos, fez-me perceber que nos dias que correm as pessoas chamam “dançar” a estar frente a frente na multidão, sem sequer se tocarem... sem saberem o quanto é magico dançar o “waiting for you” com a pessoa amada poisada no ombro, o quanto pode ser sensual e sedutor dançar um tango a dois, sobretudo naqueles momentos em que os lábios roubam a rosa dos lábios do ente querido...
Hoje quando me dizem que depois do jantar é para se ir dançar vai-se sempre para uma sala escura cheia de pessoas aos saltos para cima e para baixo...
O que é engraçado e trágico é que essas salas estão cheias de raparigas a dançar ao lado das cadeiras onde os namorados estão sentados, simplesmente porque eles já não dançam... Sim eu sei que nós homens portugueses sempre fomos um bocado rabo pesado... mas no meu tempo mal ou bem todos dançavam, não dançar era ficar sozinho.. Era ver a festa da cadeira... e ninguém queria ver a festa da cadeira ..acredita.. .
Talvez por isso organizar um baile de anos era algo elaborado a preceito, algo que implicava muita reflexão, as vezes filosofia, com certeza muita psicologia... Fazíamos uma lista de “elas” e outra de “eles“, em igual número, que era para não colocar ninguém na cadeira previamente, apresentávamos as pessoas umas as outras, sem insistirmos em quem ficava com quem, mas sempre tendo em conta personalidades compatíveis, colocávamos lâmpadas pintadas de vermelho e azul no lugar das lâmpadas normais e depois era soltar a música..
Primeiro colocava-se um rap ou breack dance para aquecer, depois uma lambada, o “tengo um coraçon” do Juan Luis Guerra ou mesmo a banda sonora do “Dirty dance”.
Aos poucos ia colocando um slow para facilitar o convívio. ... uma hora depois era slow atrás de slow, era ombros nos ombros... era ver que o plano resultou...
É ver que ainda hoje resulta... sim... porque alguns dos pares ainda hoje dançam juntos, talvez não em bailes, mas na vida, alguns namoraram, casaram, tiveram filhos... e tudo porque um dia alguém, muitas vezes eu, se lembrou de chamar z para dançar com y, por achar que havia um clima entre eles... e não é que havia mesmo!
Perguntas-me porque raio é que o dançar me fez sentir velho... porque é que a conversa da velhice levou a ti e tu levaste ao modo como se dança actualmente...
Sim eu sei que tu não danças, que tu e eu nem sequer vamos a discotecas... que tu e eu só dançámos uns segundos uma vez...
Mas sabes, este fim de semana fui a uma discoteca ver um concerto da banda de um velho e grande amigo e depois do concerto ficamos lá a dar um pé de dança.
Sim passou-se o que se passa sempre, eram 2 rapazes e umas 8 raparigas na pista a dançar e outras tantas a abanar a cabeça junto dos namorados que estavam nas cadeiras hirtos como estátuas... E isso fez-me ter saudades dos tempos antigos, fez-me ir buscar o pessoal as mesas como antigamente, fez-me leva-los para a pista até que todos dançassem e fez o disco jockey colocar musicas brasileiras atrás de brasileiras. Atéao fim da noite..
Sim foi giro... admito-o ... foi pena sentir que não estavas comigo... sentir que mesmo que não queiras havia um pedaço de mim que me faltava...
Se os sonhos são o que nos move no “eterno camino de la felicita”, quem sabe talvez me seja permitido sonhar que estou a dançar contigo uma vez.. quem sabe com a tua cabeça no meu ombro.

sexta-feira, julho 14, 2006

O que é afinal para vocés o amor???

Desta vez vou ser mau...
desenganem-se aqueles que pensam que vou dar-vos respostas...
são vocés que estão na berlinda hoje... quero escutar-vos... quero saber o que vos move... quero perceber a vossa essencia... a vossa busca...
A pergunta não é inocente... procura-se a melhor definição de amor... procura-se um conceito perfeito capaz de sintetizar a amalgama de sentimentos que traduz a busca da felicidade.
desafio-vos a expressarem a vossa criatividade, a sorverem a vossa poesia... inquietem-se.
desta vez são vocés os poetas, os sonhadores, os loucos...
eu fico à escuta... quem sabe em busca do meu rumo.

terça-feira, julho 11, 2006

O TIGRE E A NEVE


"O poeta é aquele que tem como ofício a descrição daquilo que faz bater o coração com palavras tão adequadas que quem o escuta fica com o coração a bater"

O Tigre e a neve

Pois é a minha amiga Maria tem destas coisas... não fosse ela minha amiga...
Escolhe um filme, lê a sinopse, escolhe-me como companhia e pronto... lá vou eu, sem saber muito bem o que vou ver, com ela para a sala de cinema...
Ela sabe porque me convidou... os filmes que ela escolhe tem sempre muito a ver comigo, com o que me vai na alma, com uma situação qualquer que esteja a atravessar...
Pessoalmente acho que ela faz de propósito... ela sabe tão bem como eu que a minha cabeça precisa ser agitada, que preciso abrir a minha mente... mas garanto-vos chega a ser armadilha... uma armadilha deliciosa...mas chego a sentir-me armadilhado.
Desta vez a escolha dela e por sinal a minha devoção pós filme... não esteja eu a postar sobre ele no meu blog, recaiu sobre o filme de Roberto Benigni “ O tigre e a neve” .
É um filme genial, quase um poema, passa uma mensagem sobre algo que é puro e verdadeiro -um grande amor, que existe num cenário “real” de ódio e de guerra.
Benigni recria um ambiente, um sentimento e representa-o para uma câmara, que capta uma nova história.
A ideia chave do filme é o amor.
O amor que muda, que consegue alterar, que enternece, que mente, que sonha, que luta pelos sonhos.
O amor entre um homem e uma mulher, entre os pais e os filhos, entre o homem e Deus, entre homens de culturas e origens diferentes, personagens que se cruzam naquilo a que Benigni chama “L´Eterno Cammino per la Felicità”.
É um filme imperdível... vejam... sonhem... se for preciso chorem... chorem e depois amem ... amem melhor... depois de verem o filme vão amar melhor.
Depois confesso-vos que a banda sonora é brutal e que o “ You can never hold back spring" de Tom Waits me fez ficar em pé, no final do filme até que a musica acabasse... fiquei até há ultima letra do coopyrigth ou melhor fiquei até apagarem as luzes...
Obrigado Maria pelo convite, pela provocação ... e acima de tudo por seres minha amiga.
Obrigado a vocés por me permitirem partilhar isto convosco.

Despeço-me com a letra da musica de Tom Waits, que se me for permitido dedico à Maria, e à Carla... elas sabem porque

You can never holdback Spring
You can never hold back Spring
you can be sure that i will never
stop believing
The blushing rose will climb
Spring ahead or fall behind
Winter dreams the same dream
Everytime
you can never hold back spring
seven thought you've lost your way
the world keeps dreaming of spring
So close your eyes
Open your heart
To one who's dreaming of you
You can never hold back spring
Baby
Remember everything that spring can bring
You can never hold back spring
Tom Waits