Que pode uma criatura senão,
entre criaturas, amar?
Amar e esquecer,
amar e mal-amar,
amar, desamar, amar?
Sempre, e até de olhos vidrados, amar?
Que pode, pergunto, o ser amoroso,
sozinho, em rotação universal, senão
rodar também, e amar?
Amar o que o mar traz à praia,
e o que ele sepulta, e o que, na brisa marinha,
é sal, ou precisão de amor, ou simples ânsia?
Amar solenemente as palmas do deserto,
o que é entrega ou adoração expectante,
e amar o inóspito, o áspero,
um vaso sem flor, um chão de ferro,
e o peito inerte, e a rua vista em sonho, e uma ave de rapina.
Este o nosso destino: amor sem conta,
distribuído pelas coisas pérfidas ou nulas,
doação ilimitada a uma completa ingratidão,
e na concha vazia do amor a procura medrosa,
paciente, de mais e mais amor.
Amar a nossa falta mesma de amor, e na secura nossa
amar a água implícita, e o beijo tácito, e a sede infinita.
CARLOS DRUMOND DE ANDRADE
Acerca de mim
- milhafre
- Quem sou eu...... as vezes queria ser apenas um escolho atirado aos ventos. outras a minha faceta de louco faz-me querer enveredar por caminhos que desconheço e espanto-me a mim próprio. diria que sou alguém que aspira a ser simples e a quem o corre corre dos dias parece estrangular as vezes deixando as palavras e os sonhos amordaçados na garganta. se um dia me for espero ser lembrado como um bom amigo .
sexta-feira, abril 28, 2006
segunda-feira, abril 24, 2006
O amor
Para aqueles que amam...
Para os que sonham e vibram com a vibração que só esse sentimento dá.
Para os que trazem alguém na alma, memórias de alguém, da essencia de alguém, do cheiro de alguém, do viver de alguém, cicatrizes da presença do corpo de alguém deixadas na cama, no corpo, ante e além da pele , vestigios da partilha dos sonhos de alguém, mais ou menos presentes, chagas doces mais ou menos profundas e saradas.
Para aqueles que amam e são correspondidos. Porque ainda acreditam, porque apregoam o amor aos sete ventos, porque beijam, porque se dão, porque se embalam a dois no marasmo dos dias, porque se entregam.
Para aqueles que amam, mesmo sem terem coragem de dizer, porque sonham, porque se projectam, porque choram, porque suspiram, porque sentem, porque sabem o quanto vale um beijo o quanto ele é bom, e sabem o quanto custa sentir que o beijo fica por dar, o quanto custa ter a palavra amo-te a flor da pele sem que ela alcance os dias e mesmo assim se atrevem a estar lá, a serem fies a pessoa amada, e mesmo assim sonham com ela e davam a vida por ela.
Para aqueles que amaram e sofreram tanto que já não querem amar... porque uns e outros fomos todos pelo menos uma vez na vida parceiros nessa dor... na esperança de que num virar de esquina qualquer reencontrem de novo a luz.
Para os que nunca amaram, porque não foram, não são capazes de descrever este ganho que é vida, que é grito, que é essencia que é sorriso, que é também perda, suplica, desespero, lágrima... vida, quer essa vida nos escape ou não por entre os dedos... simplesmente porque nunca foram capazes de se deixar dar, deixar-se morrer aos poucos, para renascer em algo mais forte mais intenso... esperando que nunca venham a sentir a dor da ausência, a dor que é não saber o que é adormecer ao lado de alguém, tomar banho com alguém, chorar no ombro de alguém.
Para os que gozam com o amor que lhes é dado, para os que o usam, para os que traem, para os que pisam...temendo que a vida um dia se revolte contra eles e experimentem o mesmo remédio.
Para mim, que sei o que quero, que sei o que sinto, que sei quem amo, que o demonstro em tantas formas, que escrevo o amor, que sou dilacerado por ele, que sei o que perco por não beijar, mas que não consigo dizer a pessoa amada que o faço simplesmente porque as palavars já estão gastas.
... Deixo-vos um poema de Florbela Espanca... talvez o mais belo poema que conheço sobre o AMOR.
Amar!
Eu quero amar, amar perdidamente!
Amar só por amar: aqui... além...
Mais Este e Aquele, o Outro e toda a gente...
Amar! Amar! E não amar ninguém!
Recordar? Esquecer? Indiferente!...
Prender ou desprender? É mal? É bem?
Quem disser que se pode amar alguém
Durante a vida inteira é porque mente!
Há uma primavera em cada vida:
É preciso cantá-la assim florida,
Pois se Deus nos deu voz, foi pra cantar!
E se um dia hei-de ser pó, cinza e nada
Que seja a minha noite uma alvorada,
Que me saiba perder... pra me encontrar...
Florbela Espanca
Para os que sonham e vibram com a vibração que só esse sentimento dá.
Para os que trazem alguém na alma, memórias de alguém, da essencia de alguém, do cheiro de alguém, do viver de alguém, cicatrizes da presença do corpo de alguém deixadas na cama, no corpo, ante e além da pele , vestigios da partilha dos sonhos de alguém, mais ou menos presentes, chagas doces mais ou menos profundas e saradas.
Para aqueles que amam e são correspondidos. Porque ainda acreditam, porque apregoam o amor aos sete ventos, porque beijam, porque se dão, porque se embalam a dois no marasmo dos dias, porque se entregam.
Para aqueles que amam, mesmo sem terem coragem de dizer, porque sonham, porque se projectam, porque choram, porque suspiram, porque sentem, porque sabem o quanto vale um beijo o quanto ele é bom, e sabem o quanto custa sentir que o beijo fica por dar, o quanto custa ter a palavra amo-te a flor da pele sem que ela alcance os dias e mesmo assim se atrevem a estar lá, a serem fies a pessoa amada, e mesmo assim sonham com ela e davam a vida por ela.
Para aqueles que amaram e sofreram tanto que já não querem amar... porque uns e outros fomos todos pelo menos uma vez na vida parceiros nessa dor... na esperança de que num virar de esquina qualquer reencontrem de novo a luz.
Para os que nunca amaram, porque não foram, não são capazes de descrever este ganho que é vida, que é grito, que é essencia que é sorriso, que é também perda, suplica, desespero, lágrima... vida, quer essa vida nos escape ou não por entre os dedos... simplesmente porque nunca foram capazes de se deixar dar, deixar-se morrer aos poucos, para renascer em algo mais forte mais intenso... esperando que nunca venham a sentir a dor da ausência, a dor que é não saber o que é adormecer ao lado de alguém, tomar banho com alguém, chorar no ombro de alguém.
Para os que gozam com o amor que lhes é dado, para os que o usam, para os que traem, para os que pisam...temendo que a vida um dia se revolte contra eles e experimentem o mesmo remédio.
Para mim, que sei o que quero, que sei o que sinto, que sei quem amo, que o demonstro em tantas formas, que escrevo o amor, que sou dilacerado por ele, que sei o que perco por não beijar, mas que não consigo dizer a pessoa amada que o faço simplesmente porque as palavars já estão gastas.
... Deixo-vos um poema de Florbela Espanca... talvez o mais belo poema que conheço sobre o AMOR.
Amar!
Eu quero amar, amar perdidamente!
Amar só por amar: aqui... além...
Mais Este e Aquele, o Outro e toda a gente...
Amar! Amar! E não amar ninguém!
Recordar? Esquecer? Indiferente!...
Prender ou desprender? É mal? É bem?
Quem disser que se pode amar alguém
Durante a vida inteira é porque mente!
Há uma primavera em cada vida:
É preciso cantá-la assim florida,
Pois se Deus nos deu voz, foi pra cantar!
E se um dia hei-de ser pó, cinza e nada
Que seja a minha noite uma alvorada,
Que me saiba perder... pra me encontrar...
Florbela Espanca
sexta-feira, abril 21, 2006
Bom fim de semana
«Descobri que o principezinho estava cheio de sono, peguei-lhe ao colo e recomecei a andar. Eu ia comovido, parecia-me até que não havia nada mais frágil a face da terra. Contemplava, à luz do luar, aquele rosto pálido, aqueles olhos fechados, aquelas mechas de cabelo a tremer ao vento e pensava: “ O que eu estou a ver não passava de uma capa. O mais importante é invisível....”
Desenhara-se-lhe um vago sorriso nos lábios entreabertos e eu pensei “o que me comove tanto neste principezinho adormecido é a sua fidelidade a uma flor, é a imagem de uma rosa que, mesmo quando ele dorme, brilha lá dentro como a chama de uma vela.” E ele pareceu-me ainda mais frágil. Porque, às velas, é preciso protege-las: mal lhes dá o vento apagam-se. »
Antoine Saint-exupéry in O principezinho
Espero que a vela de luz que mora nas vossas almas se mantenha sempre acesa e que possam ser sempre fiéis as vossas rosas, aos vossos sonhos.
Acima de tudo espero que na vida nos possamos ir conhecendo melhor, uns aos outros e nós mesmos, para que possamos ir cruzando as nossas fragilidades e assim ir tendo coragem para suportar.
Desenhara-se-lhe um vago sorriso nos lábios entreabertos e eu pensei “o que me comove tanto neste principezinho adormecido é a sua fidelidade a uma flor, é a imagem de uma rosa que, mesmo quando ele dorme, brilha lá dentro como a chama de uma vela.” E ele pareceu-me ainda mais frágil. Porque, às velas, é preciso protege-las: mal lhes dá o vento apagam-se. »
Antoine Saint-exupéry in O principezinho
Espero que a vela de luz que mora nas vossas almas se mantenha sempre acesa e que possam ser sempre fiéis as vossas rosas, aos vossos sonhos.
Acima de tudo espero que na vida nos possamos ir conhecendo melhor, uns aos outros e nós mesmos, para que possamos ir cruzando as nossas fragilidades e assim ir tendo coragem para suportar.
quinta-feira, abril 20, 2006
Homenagem a Samuel Beckett
Hoje deixo-vos dois textos de Beckett
Porque passaram 100 anos e alguns dias desde o seu nascimento.
Porque poucos sabem dizer tão bem como ele a vida e o sonho e sabem, tecer a vida levando-a das letras ao palco.
Porque o meu encenador e amigo joão lázaro ofereceu o "à espera de Godot" ao meu também grande amigo Fernado e como um e outro tem bom gosto, tive vontade de reler beckett.
Porque...simplesmente porque gosto.
"As lágrimas do mundo são inalteráveis.
Para cada um que começa a chorar, em algum lugar outro pára.
O mesmo vale para o riso...»
In à espera de Godod
É o Fim que Confere o Significado às Palavras.
Apenas as palavras quebram o silêncio, todos os outros sons cessaram. Se eu estivesse silencioso, não ouviria nada. Mas se eu me mantivesse silencioso, os outros sons recomeçariam, aqueles a que as palavras me tornaram surdo, ou que realmente cessaram. Mas estou silencioso, por vezes acontece, não, nunca, nem um segundo. Também choro sem interrupção. É um fluxo incessante de palavras e lágrimas. Sem pausa para reflexão. Mas falo mais baixo, cada ano um pouco mais baixo. Talvez. Também mais lentamente, cada ano um pouco mais lentamente. Talvez. É-me difícil avaliar. Se assim fosse, as pausas seriam mais longas, entre as palavras, as frases, as sílabas, as lágrimas, confundo-as, palavras e lágrimas, as minhas palavras são as minhas lágrimas, os meus olhos a minha boca. E eu deveria ouvir, em cada pequena pausa, se é o silêncio que eu digo quando digo que apenas as palavras o quebram. Mas nada disso, não é assim que acontece, é sempre o mesmo murmúrio, fluindo ininterruptamente, como uma única palavra infindável e, por isso, sem significado, porque é o fim que confere o significado às palavras. "
in 'Textos para Nada'
espero que estes textos vos agradem tanto como a mim.
PARABENS BECKETT....
Porque passaram 100 anos e alguns dias desde o seu nascimento.
Porque poucos sabem dizer tão bem como ele a vida e o sonho e sabem, tecer a vida levando-a das letras ao palco.
Porque o meu encenador e amigo joão lázaro ofereceu o "à espera de Godot" ao meu também grande amigo Fernado e como um e outro tem bom gosto, tive vontade de reler beckett.
Porque...simplesmente porque gosto.
"As lágrimas do mundo são inalteráveis.
Para cada um que começa a chorar, em algum lugar outro pára.
O mesmo vale para o riso...»
In à espera de Godod
É o Fim que Confere o Significado às Palavras.
Apenas as palavras quebram o silêncio, todos os outros sons cessaram. Se eu estivesse silencioso, não ouviria nada. Mas se eu me mantivesse silencioso, os outros sons recomeçariam, aqueles a que as palavras me tornaram surdo, ou que realmente cessaram. Mas estou silencioso, por vezes acontece, não, nunca, nem um segundo. Também choro sem interrupção. É um fluxo incessante de palavras e lágrimas. Sem pausa para reflexão. Mas falo mais baixo, cada ano um pouco mais baixo. Talvez. Também mais lentamente, cada ano um pouco mais lentamente. Talvez. É-me difícil avaliar. Se assim fosse, as pausas seriam mais longas, entre as palavras, as frases, as sílabas, as lágrimas, confundo-as, palavras e lágrimas, as minhas palavras são as minhas lágrimas, os meus olhos a minha boca. E eu deveria ouvir, em cada pequena pausa, se é o silêncio que eu digo quando digo que apenas as palavras o quebram. Mas nada disso, não é assim que acontece, é sempre o mesmo murmúrio, fluindo ininterruptamente, como uma única palavra infindável e, por isso, sem significado, porque é o fim que confere o significado às palavras. "
in 'Textos para Nada'
espero que estes textos vos agradem tanto como a mim.
PARABENS BECKETT....
segunda-feira, abril 17, 2006
sentir... talvez ainda a propósito das flores
Os sentimentos
São como as flores
Precisam conhecer
a luz do dia
se isso não acontecer
existirão para sempre
mas ficarão aprisionados
em vitrines ou estantes
serão muito mais belos,
puros e verdadeiros
mas nunca .... nunca
criarão raízes
São como as flores
Precisam conhecer
a luz do dia
se isso não acontecer
existirão para sempre
mas ficarão aprisionados
em vitrines ou estantes
serão muito mais belos,
puros e verdadeiros
mas nunca .... nunca
criarão raízes
sexta-feira, abril 14, 2006
quinta-feira, abril 13, 2006
coisas que pensei hoje....
Há coisas que acontecem assim, ontem deitei-me com uma luz no coração e sem saber porque passei a noite em claro, deixei-me sem motivo de maior, sem qualquer razão especial para tal, observar a noite e o nascer do dia pelas friestas da persiana que me tinha esquecido de fechar,.
Fiquei quedo e deitado a ver as cores que iam surgindo pelos buraquinhos da persiana, os laivos de luz que invadiam o tecto de quando e que se prolongavam depois para dentro da porta entreaberta do armário do meu quarto, como se buscassem refúgio.
Confesso-vos que na cama me deixei viajar pela interrogação de quem seriam as pessoas que passavam na rua aquela hora da noite, confesso-vos que em alguns casos imaginei enredos secretos, mesmo proibidos, vidas misteriosas como só podem ser as vidas de quem anda na estrada as 3 ou 4 da manhã, imaginei para onde iriam, se teriam alguém à espera, se quando regressassem, onde quer que fossem, iriam sentir-se em casa, se poderiam ao contrário de mim sentirem-se num porto de abrigo e abraçarem o legado de orfeu.
Mais tarde fui-me apercebendo do clarear do dia, do toque laranja do sol e da forma como pouco a pouco o céu ia ficando azul e fui libertando os meus ouvidos ao ponto de testemunhar o cantar de um velho galo das redondezas e de sonhar dançar ao som do chilrear dos pássaros.
Depois e porque o trabalho não perdoa as noites mal dormidas levantei-me da cama e sai à rua com uma vontade de pisar suavemente cada pedrinha da estrada, como se as quisesse saudar... e fi-lo como se percorresse aquele espaço pela primeira vez, como se não fosse uma rotina diária, estática, amorfa.
No trabalho, antes da porta abrir dei por mim a pensar em algumas frases que o Miguel do teato diz na peça por um tempo ainda, e atrevi-me a brincar com elas, com a ajuda da transcrição que a Catarina fez para o blog dela, numa brincadeira que originou o texto que se segue... pois a brincar a brincar, aprende-se a dizer tudo...
Porque quer queiramos quer não no dia a dia .... “ Atravessámos paisagens de interesse desigual, aturámos enxames de pessoas e, entre risos e lagrimas e cantos e silêncios, rastejámos por esse tubo de ensaio, o Universo, que um velho louco ou sábio ou distraído, mas seguramente bastante decrépito, empunha, em suas mãos tremulas, descarnadas”.
Talvez porque as vezes achamos os outros autómatos “ porque eles teimam em agarrarem o tempo e não abrem as mãos, deixando a areia correr, livre, livremente, por entre os dedos” mas acabamos por descobrir que somos tão autómatos como eles.
A vida ensinou-me que “é sempre bom desconfiarmos das palavras” e que “para ganhar pode ser preciso perder tudo...Pois não terá ido mais longe aquele que tudo perdeu?” e não será o nada a libertação suprema para podermos abraçar tudo ???
Porque invariavelmente “a história incita-nos a esperar diariamente o impossível agarra-lo pelas orelhas, é o nosso privilégio” .
Descobri que “nos jogos de Amor, ganha aquele que for mais longe” pelo que tenho de começar a deixar os sentimentos vir a luz do dia até porque “ é sempre bom abraçar alguém” mesmo que “seja da natureza dos encontros serem breves” .
Cheguei a conclusão que é tempo de arriscar o tudo, pois mesmo que o dia seja mau e “nas ruas corra um vento agreste. Às vezes faz calor”, e com o calor, há sempre um sopro de esperança, simplesmente porque “ quem sabe .... Pode ser primavera”
Fiquei quedo e deitado a ver as cores que iam surgindo pelos buraquinhos da persiana, os laivos de luz que invadiam o tecto de quando e que se prolongavam depois para dentro da porta entreaberta do armário do meu quarto, como se buscassem refúgio.
Confesso-vos que na cama me deixei viajar pela interrogação de quem seriam as pessoas que passavam na rua aquela hora da noite, confesso-vos que em alguns casos imaginei enredos secretos, mesmo proibidos, vidas misteriosas como só podem ser as vidas de quem anda na estrada as 3 ou 4 da manhã, imaginei para onde iriam, se teriam alguém à espera, se quando regressassem, onde quer que fossem, iriam sentir-se em casa, se poderiam ao contrário de mim sentirem-se num porto de abrigo e abraçarem o legado de orfeu.
Mais tarde fui-me apercebendo do clarear do dia, do toque laranja do sol e da forma como pouco a pouco o céu ia ficando azul e fui libertando os meus ouvidos ao ponto de testemunhar o cantar de um velho galo das redondezas e de sonhar dançar ao som do chilrear dos pássaros.
Depois e porque o trabalho não perdoa as noites mal dormidas levantei-me da cama e sai à rua com uma vontade de pisar suavemente cada pedrinha da estrada, como se as quisesse saudar... e fi-lo como se percorresse aquele espaço pela primeira vez, como se não fosse uma rotina diária, estática, amorfa.
No trabalho, antes da porta abrir dei por mim a pensar em algumas frases que o Miguel do teato diz na peça por um tempo ainda, e atrevi-me a brincar com elas, com a ajuda da transcrição que a Catarina fez para o blog dela, numa brincadeira que originou o texto que se segue... pois a brincar a brincar, aprende-se a dizer tudo...
Porque quer queiramos quer não no dia a dia .... “ Atravessámos paisagens de interesse desigual, aturámos enxames de pessoas e, entre risos e lagrimas e cantos e silêncios, rastejámos por esse tubo de ensaio, o Universo, que um velho louco ou sábio ou distraído, mas seguramente bastante decrépito, empunha, em suas mãos tremulas, descarnadas”.
Talvez porque as vezes achamos os outros autómatos “ porque eles teimam em agarrarem o tempo e não abrem as mãos, deixando a areia correr, livre, livremente, por entre os dedos” mas acabamos por descobrir que somos tão autómatos como eles.
A vida ensinou-me que “é sempre bom desconfiarmos das palavras” e que “para ganhar pode ser preciso perder tudo...Pois não terá ido mais longe aquele que tudo perdeu?” e não será o nada a libertação suprema para podermos abraçar tudo ???
Porque invariavelmente “a história incita-nos a esperar diariamente o impossível agarra-lo pelas orelhas, é o nosso privilégio” .
Descobri que “nos jogos de Amor, ganha aquele que for mais longe” pelo que tenho de começar a deixar os sentimentos vir a luz do dia até porque “ é sempre bom abraçar alguém” mesmo que “seja da natureza dos encontros serem breves” .
Cheguei a conclusão que é tempo de arriscar o tudo, pois mesmo que o dia seja mau e “nas ruas corra um vento agreste. Às vezes faz calor”, e com o calor, há sempre um sopro de esperança, simplesmente porque “ quem sabe .... Pode ser primavera”
domingo, abril 09, 2006
voltei
porque a catarina e o lorenzo me mostraram o quanto este espaço é importante para mim...
porque sei que a tania, a rita, a py, a mauy, o bruno e a carla vão gostar.
porque a sónia está sempre do meu lado e me conhece melhor do que eu.
porque este silencio me estava a deixar infeliz
porque ainda há esperança de chegar a luz.
ou porque precisava apenas de gritar...
deixo-vos um poema de eudoro augusto chamado luna de lupe.
bem ajam
Quero mais não.
Estou meio over de emoção.
Estou sem aquilo que chamam estrutura
pra amortecer esta aflição,
esta fissura.
Meu corpo é um barco sonolento
e falta vento
pra me levar a outra ilha.
Outra razão, outro delírio,
outro luar de vampiroà procura de um irmão.
Pode parar:
a noite é escura.
Não quero o copo de água pura
que você bebe em minha turva solidão.
Quero mais não.
Hoje me sobra emoção.
Sobra verdade, falta força, sobra sangue.
Hoje eu vou dormir no mangue
que outros chamam coração.
Pode parar.Virou bocejo, era tesão.
Você jamais deu boa vida ao meu desejo,
foi pouco sim pra muito não.
E agora chega.
Deixa rolar mas nunca esqueça
de virar minha cabeça:
eu amo sempre
o lado errado da paixão.
In: AUGUSTO, Eudoro. O desejo e o deserto. São Paulo: Massao Ohno, 1989. Poema integrante da série Ventura.
porque sei que a tania, a rita, a py, a mauy, o bruno e a carla vão gostar.
porque a sónia está sempre do meu lado e me conhece melhor do que eu.
porque este silencio me estava a deixar infeliz
porque ainda há esperança de chegar a luz.
ou porque precisava apenas de gritar...
deixo-vos um poema de eudoro augusto chamado luna de lupe.
bem ajam
Quero mais não.
Estou meio over de emoção.
Estou sem aquilo que chamam estrutura
pra amortecer esta aflição,
esta fissura.
Meu corpo é um barco sonolento
e falta vento
pra me levar a outra ilha.
Outra razão, outro delírio,
outro luar de vampiroà procura de um irmão.
Pode parar:
a noite é escura.
Não quero o copo de água pura
que você bebe em minha turva solidão.
Quero mais não.
Hoje me sobra emoção.
Sobra verdade, falta força, sobra sangue.
Hoje eu vou dormir no mangue
que outros chamam coração.
Pode parar.Virou bocejo, era tesão.
Você jamais deu boa vida ao meu desejo,
foi pouco sim pra muito não.
E agora chega.
Deixa rolar mas nunca esqueça
de virar minha cabeça:
eu amo sempre
o lado errado da paixão.
In: AUGUSTO, Eudoro. O desejo e o deserto. São Paulo: Massao Ohno, 1989. Poema integrante da série Ventura.
terça-feira, março 28, 2006
Até breve.
Talvez porque ando a sentir demais
Talvez porque as palavras se esgotaram
Talvez porque há um sopro qualquer de vento que me leva a outras paragens
Talvez por estar cansado de escrever a vida a passar-me perante os dedos
Talvez por já não conseguir dizer que acredito,
Takvez por já não conseguir gritar
E não fazer qualquer sentido continuar a dizer aqui o que não consigo dizer cara a cara, alma na alma,
E já não conseguir brincar ao jogo do poeta que não sou, pois já não sei se vivo, pois já não sei se luto...
É tempo de deixar de postar por uns tempos, tempo de quem sabe dar voz aos silêncios, tempo de explorar outras formas de ser e de dar... porque preciso de regressar à intimidade, conter e redefinir as palavras, rescrever os sonhos...
Não se trata de um adeus a este espaço... trata-se umas férias sem tempo determinado, o tempo necessário para fazer aquela viagem sentimental que só eu posso fazer por mim próprio, o tempo necessário quem sabe para que um turpor qualquer de vida me ajude a explicar quem sou, o que quero, o que amo...
Prometo voltar logo que me sentir mais forte mais vivo, mais recriado, hei-de voltar, porque nunca direi que não aos sonhos, agora só não tenho força para sonha-los assim...sonha-los aqui.
Mas acima de tudo hei-de voltar pois sei que dos vossos dias nasce a luz e eu hei-de escrever essa luz, enquanto na minha alma pulsar qualquer coisas que não sei o que é mas me leva a ter sede de estar vivo.
Agradeço a todos os que fazem e fizeram parte deste meu mundo nestes meses, a todos os que se deram e iluminaram este espaço do mesmo modo que iluminaram a minha vida e estou certo que redescobriremos outra forma qualquer de comunicar e de estar próximos, pois afinal fazem parte dos meus dias.
Deixo-vos um poema que escrevi num tempo em que quis deixar a escrita... talvez porque no fundo o que senti nessa altura seja muito semelhante ao que sinto agora...
Bem ajam.
Poema só para mim ... ou o último
dos poemas
este é o poema só para mim
só para mim...
não por egoísmo...
não por injustiça
nem por ódio
não por nenhuma das palavras
que definem atitudes
vás e estúpidas
que toda a gente toma
ao proibir
ao interdir
ao censurar ...
tudo e todos....
como se tudo fosse material
para testar,
testar,
testar ...
e eles senhores
de toda a razão que há no mundo
este é o poema só para mim
simplesmente porque em cada letra
estão pedaços desgostosos
desta mágoa de sal que aqui vomito
como se a cada traço ...
fosse libertar todo o ódio
fosse desfraldar
a bandeira negra do inferno
como se revela-se
a morte anunciada do poeta
que há em mim...
perdi ...morri
acabou tudo,
a partir do instante ...
em que da minha memória
se dissipou a recordação
da doçura de um olhar ,
da ternura e um abraço ....
do sorriso dos desejos
de alucinar...alucinar.
deixei de ser poeta
a partir do momento
em que já não consigo vislumbrar
a sensação de beijar alguém
com amor...só com amor
como se dos seus lábios ....
palpitassem mil estrelas
ardentes de paixão
a partir do instante
em que me apercebi
que esta vida me escapa
por entre os dedos que entrelaço
...no vazio em que estou
no vazio que me leva a dizer...
que este é o último dos poemas
pois eu sou o último dos temas que
tratei ...
e do qual só tinha jurado falar...
quando todo o amor...
toda a caricia ...
se dissipassem da minha mente
quando toda a luz...
se tivesse esgotado da memória do meu
ser ...
e eu me visse obrigado a enterrar este
poeta
pois o meu mundo acabou ...
e sem nada do tudo que falei
resta-me apenas falar de mim ...
eu que sou ninguém.
Talvez porque as palavras se esgotaram
Talvez porque há um sopro qualquer de vento que me leva a outras paragens
Talvez por estar cansado de escrever a vida a passar-me perante os dedos
Talvez por já não conseguir dizer que acredito,
Takvez por já não conseguir gritar
E não fazer qualquer sentido continuar a dizer aqui o que não consigo dizer cara a cara, alma na alma,
E já não conseguir brincar ao jogo do poeta que não sou, pois já não sei se vivo, pois já não sei se luto...
É tempo de deixar de postar por uns tempos, tempo de quem sabe dar voz aos silêncios, tempo de explorar outras formas de ser e de dar... porque preciso de regressar à intimidade, conter e redefinir as palavras, rescrever os sonhos...
Não se trata de um adeus a este espaço... trata-se umas férias sem tempo determinado, o tempo necessário para fazer aquela viagem sentimental que só eu posso fazer por mim próprio, o tempo necessário quem sabe para que um turpor qualquer de vida me ajude a explicar quem sou, o que quero, o que amo...
Prometo voltar logo que me sentir mais forte mais vivo, mais recriado, hei-de voltar, porque nunca direi que não aos sonhos, agora só não tenho força para sonha-los assim...sonha-los aqui.
Mas acima de tudo hei-de voltar pois sei que dos vossos dias nasce a luz e eu hei-de escrever essa luz, enquanto na minha alma pulsar qualquer coisas que não sei o que é mas me leva a ter sede de estar vivo.
Agradeço a todos os que fazem e fizeram parte deste meu mundo nestes meses, a todos os que se deram e iluminaram este espaço do mesmo modo que iluminaram a minha vida e estou certo que redescobriremos outra forma qualquer de comunicar e de estar próximos, pois afinal fazem parte dos meus dias.
Deixo-vos um poema que escrevi num tempo em que quis deixar a escrita... talvez porque no fundo o que senti nessa altura seja muito semelhante ao que sinto agora...
Bem ajam.
Poema só para mim ... ou o último
dos poemas
este é o poema só para mim
só para mim...
não por egoísmo...
não por injustiça
nem por ódio
não por nenhuma das palavras
que definem atitudes
vás e estúpidas
que toda a gente toma
ao proibir
ao interdir
ao censurar ...
tudo e todos....
como se tudo fosse material
para testar,
testar,
testar ...
e eles senhores
de toda a razão que há no mundo
este é o poema só para mim
simplesmente porque em cada letra
estão pedaços desgostosos
desta mágoa de sal que aqui vomito
como se a cada traço ...
fosse libertar todo o ódio
fosse desfraldar
a bandeira negra do inferno
como se revela-se
a morte anunciada do poeta
que há em mim...
perdi ...morri
acabou tudo,
a partir do instante ...
em que da minha memória
se dissipou a recordação
da doçura de um olhar ,
da ternura e um abraço ....
do sorriso dos desejos
de alucinar...alucinar.
deixei de ser poeta
a partir do momento
em que já não consigo vislumbrar
a sensação de beijar alguém
com amor...só com amor
como se dos seus lábios ....
palpitassem mil estrelas
ardentes de paixão
a partir do instante
em que me apercebi
que esta vida me escapa
por entre os dedos que entrelaço
...no vazio em que estou
no vazio que me leva a dizer...
que este é o último dos poemas
pois eu sou o último dos temas que
tratei ...
e do qual só tinha jurado falar...
quando todo o amor...
toda a caricia ...
se dissipassem da minha mente
quando toda a luz...
se tivesse esgotado da memória do meu
ser ...
e eu me visse obrigado a enterrar este
poeta
pois o meu mundo acabou ...
e sem nada do tudo que falei
resta-me apenas falar de mim ...
eu que sou ninguém.
sexta-feira, março 24, 2006
para quem ousa
deixo-vos um texto de Martin Luther King.
Uma homenagem a todos os que lutam pelo sonho.
para que os vossos sonhos nunca esmoreçam.
bem ajam
«..É melhor tentar, ao invés de sentar-se e nada fazer; é melhor falhar, mas não deixar a vida passar ; Eu prefiro caminhar à chuva do que esconder-me em casa em dias tristes; prefiro ser feliz, embora louco do que viver infeliz em são conformismo... »
M. Luther King
Uma homenagem a todos os que lutam pelo sonho.
para que os vossos sonhos nunca esmoreçam.
bem ajam
«..É melhor tentar, ao invés de sentar-se e nada fazer; é melhor falhar, mas não deixar a vida passar ; Eu prefiro caminhar à chuva do que esconder-me em casa em dias tristes; prefiro ser feliz, embora louco do que viver infeliz em são conformismo... »
M. Luther King
terça-feira, março 21, 2006
silencio
Aqui fica um texto de Clarice Lispector sobre aquela coisa maravilhosa que é o silencio. Porque é no saber ouvir os silencios que reside a verdadeira arte de comunicar... a promessa de todos os sonhos.
Com um agradecimento a quem sabe entender os meus silencios.
"
Entre duas notas de musica existe uma nota,
entre dois fatos existe um fato,
entre dois grãos de areia por mais juntos que estejam
existe um intervalo de espaço,
existe um sentir que é entre o sentir...
que é a respiração do mundo,
e a respiração contínua do mundo
é aquilo que ouvimos
e chamamos de silêncio"
Clarice Lispector
Com um agradecimento a quem sabe entender os meus silencios.
"
Entre duas notas de musica existe uma nota,
entre dois fatos existe um fato,
entre dois grãos de areia por mais juntos que estejam
existe um intervalo de espaço,
existe um sentir que é entre o sentir...
que é a respiração do mundo,
e a respiração contínua do mundo
é aquilo que ouvimos
e chamamos de silêncio"
Clarice Lispector
segunda-feira, março 20, 2006
5 manias minhas...
Este post é uma resposta a um convite que me fizeram há uns dias para que referisse 5 manias minhas .
Por nunca recusar um desafio, mas sobretudo porque acho giro o convite escrevi o texto que se segue e que deixo aqui, sem qualquer intenção de concorrer a algum concurso .
1-O amar sem dizer- sim é uma doença crónica, talvez por escrever e achar que as palavras estão gastas e já não conseguem, ou talvez nunca conseguiram, definir os sentimentos, dou por mim a amar a pessoa amada sem sequer ser capaz de lhe contar o que me vai na alma.
Resta-me a esperança de que ela saiba entender o meu silencio e continue a ser a luz que é, que um dia encontre a forma ideal de lhe dizer... de lhe mostar, ou talvez ela sabendo do que eu sinto me diga, me olhe de maneira a que eu veja que ela sabe, ou até me beije, que faça o que quiser... que façamos o que a vida quiser. juntos ou separados, onde for que nos levem o nossos rumos, mas na certeza de que no fundo ambos saibamos o que vai no coração um do outro, neste reino qualquer de silencio. E depois quem disse que o amor tinha de ser feito de palavras.
2-O ar perdido- algumas pessoas acham que sou muito taciturno e pareço andar por Leiria sem saber onde vou, outras vêem-me com um ar distante e nocturno como se olha-se ao longe sem destino. Para essas pessoas fica o esclarecimento, não estou perdido, longe disso, não estou só, pelo contrário, como tenho muitos amigos em Leiria, como tenho muitas ocupações, Bloco, teatro, trabalho etc.. o mais certo é que esteja a ir de ocupação para ocupação, ou a fazer tempo entre elas , depois o mais giro é que acabo sempre por encontrar alguém amigo e dar dois dedos de conversa, beber aquele cafézito, ouvir de alguém novas dos dias. Ganha-se muito em não estar encafuado em casa, acho que estar na rua é das pequenas liberdades que ainda conservo, um prazer tão grande como aquele que teria um fumador se fumasse o primeiro cigarro matinal Quanto ao olhar distante, como se buscasse o vazio, essa é uma faceta que tem a ver comigo, de facto olho ao longe e se querem saber olho mesmo o vazio, a novidade para alguns é que não o olho de uma forma perdida, mas com o propósito de beber dele alguma coisa. O vazio tem tanto de belo como de horripilante, tanto de temível como de desejável, tanto de vida como de morte. A mim o vazio, o vácuo, o nada para que as vezes dou por mim a olhar ensina-me que além do que os meus olhos vêem há algo diferente, algo que é tão real e tão alcançável como aquilo que vemos mas que está simplesmente além do alcançável pela minha visão, algo de místico, intemporal, mas que é tão real como todas as coisas reais, se calhar a metade meia cheia do copo meio vazio, se calhar a face escura da lua simplesmente à espera da rotação perfeita para se tornar visível. Depois disto confesso que sempre que olho o infinito, vêem-me a cabeça aquela frase do mascarilha quando parte com o índio Tonto para mais uma caminhada ao por-do-sol... ao infinito e mais além.
3-O teatro- desenganem-se aqueles que pensam que tenho qualquer aspiração em ser um actor... estou ciente das minhas possibilidades e potencialidades . Estou no palco pela participação, pelo gozo que dá ir fazendo nascer um personagem na nossa cabeça e depois emprestar-lhe o nosso corpo, parte das nossas memórias. Estou no teatro e em particular no te-ato porque cada vez mais vejo o nosso grupo como um espaço de amigos, um espaço de aprendizagem de coisas verdadeiras únicas e simples. Pertenço ao grupo pela partilha que ele proporciona, pela essência que as pessoas que lá estão possuem e transmitem e se querem saber não trocaria este grupo por nenhum outro grupo de teatro e sóo deixarei quando a minha necessidade de ser útil ou o meu sonho me levarem para outras paragens.
4-O bloco – O bloco de esquerda é simplesmente o espaço que encontrei para dar azo a minha participação política e cívica activas, um espaço em que na companhia de alguém que se tornou um grande amigo vou descobrindo formas de não ser apático e indiferente, um lugar onde coma minha criatividade, o meu sonho e alguma irreverência vou podendo distanciar-me do rebanho azul laranja e dar voz as minhas convicções, isto sem qualquer aspiração politica e partidária.
5-A poesia – A minha forma única de dizer amor, vida, sonho, morte, a minha necessidade de refúgio, a minha aproximação à essência, o meu grito, os meus medos, as minhas culpas e desculpas, a forma suis generis de dizer segredos de ir sobrevivendo aos dias, aos cansaços, as tiranias e aos embaraços, sobretudo a minha forma de ser, de dar, de amar, longe das grilhetas e dos marasmos, longe da prisão dos dias e das dores, como se navegasse contra a corrente e acreditasse que os dias que me vão escapando por entre os dedos quando escrevo não me doem.
Por nunca recusar um desafio, mas sobretudo porque acho giro o convite escrevi o texto que se segue e que deixo aqui, sem qualquer intenção de concorrer a algum concurso .
1-O amar sem dizer- sim é uma doença crónica, talvez por escrever e achar que as palavras estão gastas e já não conseguem, ou talvez nunca conseguiram, definir os sentimentos, dou por mim a amar a pessoa amada sem sequer ser capaz de lhe contar o que me vai na alma.
Resta-me a esperança de que ela saiba entender o meu silencio e continue a ser a luz que é, que um dia encontre a forma ideal de lhe dizer... de lhe mostar, ou talvez ela sabendo do que eu sinto me diga, me olhe de maneira a que eu veja que ela sabe, ou até me beije, que faça o que quiser... que façamos o que a vida quiser. juntos ou separados, onde for que nos levem o nossos rumos, mas na certeza de que no fundo ambos saibamos o que vai no coração um do outro, neste reino qualquer de silencio. E depois quem disse que o amor tinha de ser feito de palavras.
2-O ar perdido- algumas pessoas acham que sou muito taciturno e pareço andar por Leiria sem saber onde vou, outras vêem-me com um ar distante e nocturno como se olha-se ao longe sem destino. Para essas pessoas fica o esclarecimento, não estou perdido, longe disso, não estou só, pelo contrário, como tenho muitos amigos em Leiria, como tenho muitas ocupações, Bloco, teatro, trabalho etc.. o mais certo é que esteja a ir de ocupação para ocupação, ou a fazer tempo entre elas , depois o mais giro é que acabo sempre por encontrar alguém amigo e dar dois dedos de conversa, beber aquele cafézito, ouvir de alguém novas dos dias. Ganha-se muito em não estar encafuado em casa, acho que estar na rua é das pequenas liberdades que ainda conservo, um prazer tão grande como aquele que teria um fumador se fumasse o primeiro cigarro matinal Quanto ao olhar distante, como se buscasse o vazio, essa é uma faceta que tem a ver comigo, de facto olho ao longe e se querem saber olho mesmo o vazio, a novidade para alguns é que não o olho de uma forma perdida, mas com o propósito de beber dele alguma coisa. O vazio tem tanto de belo como de horripilante, tanto de temível como de desejável, tanto de vida como de morte. A mim o vazio, o vácuo, o nada para que as vezes dou por mim a olhar ensina-me que além do que os meus olhos vêem há algo diferente, algo que é tão real e tão alcançável como aquilo que vemos mas que está simplesmente além do alcançável pela minha visão, algo de místico, intemporal, mas que é tão real como todas as coisas reais, se calhar a metade meia cheia do copo meio vazio, se calhar a face escura da lua simplesmente à espera da rotação perfeita para se tornar visível. Depois disto confesso que sempre que olho o infinito, vêem-me a cabeça aquela frase do mascarilha quando parte com o índio Tonto para mais uma caminhada ao por-do-sol... ao infinito e mais além.
3-O teatro- desenganem-se aqueles que pensam que tenho qualquer aspiração em ser um actor... estou ciente das minhas possibilidades e potencialidades . Estou no palco pela participação, pelo gozo que dá ir fazendo nascer um personagem na nossa cabeça e depois emprestar-lhe o nosso corpo, parte das nossas memórias. Estou no teatro e em particular no te-ato porque cada vez mais vejo o nosso grupo como um espaço de amigos, um espaço de aprendizagem de coisas verdadeiras únicas e simples. Pertenço ao grupo pela partilha que ele proporciona, pela essência que as pessoas que lá estão possuem e transmitem e se querem saber não trocaria este grupo por nenhum outro grupo de teatro e sóo deixarei quando a minha necessidade de ser útil ou o meu sonho me levarem para outras paragens.
4-O bloco – O bloco de esquerda é simplesmente o espaço que encontrei para dar azo a minha participação política e cívica activas, um espaço em que na companhia de alguém que se tornou um grande amigo vou descobrindo formas de não ser apático e indiferente, um lugar onde coma minha criatividade, o meu sonho e alguma irreverência vou podendo distanciar-me do rebanho azul laranja e dar voz as minhas convicções, isto sem qualquer aspiração politica e partidária.
5-A poesia – A minha forma única de dizer amor, vida, sonho, morte, a minha necessidade de refúgio, a minha aproximação à essência, o meu grito, os meus medos, as minhas culpas e desculpas, a forma suis generis de dizer segredos de ir sobrevivendo aos dias, aos cansaços, as tiranias e aos embaraços, sobretudo a minha forma de ser, de dar, de amar, longe das grilhetas e dos marasmos, longe da prisão dos dias e das dores, como se navegasse contra a corrente e acreditasse que os dias que me vão escapando por entre os dedos quando escrevo não me doem.
sexta-feira, março 17, 2006
Bom fim de semana
Hoje vou deixar-vos um texto de pablo neruda, para que a felicidade seja hoje e sempre uma luta diária.
que na vida ousem sonhar sempre.
morre lentamente
quem não vira a mesa
quando está infeliz com o seu trabalho
quem não arrisca o certo pelo incerto
para ir atrás de um sonho,
quem não se permite
pelo menos uma vez na vida,
fugir dos conselhos sensatos.
pablo neruda.
que na vida ousem sonhar sempre.
morre lentamente
quem não vira a mesa
quando está infeliz com o seu trabalho
quem não arrisca o certo pelo incerto
para ir atrás de um sonho,
quem não se permite
pelo menos uma vez na vida,
fugir dos conselhos sensatos.
pablo neruda.
segunda-feira, março 13, 2006
se o silencio falasse
se o silencio falasse, se por traz do nada, se ouvisse o mormurio do que não sei dizer, se no sopro do vento algo de vacuo se substituisse as palavras e aos sonhos os homens fossem mais felizes e a linguagem do verdadeiro amor fosse realmente universal.
como o silencio não fala, como não aprendemos a escuta-lo, como não entendemos ainda a sua aura, andamos por aqui perdidos, uns e outros amordaçados a este reino de palavras, acorrentados as significações.
como o silencio não fala, como não aprendemos a escuta-lo, como não entendemos ainda a sua aura, andamos por aqui perdidos, uns e outros amordaçados a este reino de palavras, acorrentados as significações.
quinta-feira, março 09, 2006
a morte
as vezes a morte passa-me por entre os dedos e percorre o meu corpo, como se me quisesse sugar a pele, sorver a alma.
parece que há algo em mim que aspira ao fim,ao principio de todos os recomeços, como se me quisesse libertar dos dias maus, dos vazios.... levar-me ao sossego... depois o sopro da vida, um turpor qualquer faz-me acordar, faz-me erguer, como se encontrasse em pequenos nadas a coragem de suportar.
meu deus .... as vezes pergunto-me porque raio não nasci numa ilha deserta, uma ilha qualquer desprovida de escrita, desprovida de tecnologia e de civilização.
Sinto-me cada vez mais embrutecido pelo saber, cada vez mais longe da verdadeira luz.
parece que há algo em mim que aspira ao fim,ao principio de todos os recomeços, como se me quisesse libertar dos dias maus, dos vazios.... levar-me ao sossego... depois o sopro da vida, um turpor qualquer faz-me acordar, faz-me erguer, como se encontrasse em pequenos nadas a coragem de suportar.
meu deus .... as vezes pergunto-me porque raio não nasci numa ilha deserta, uma ilha qualquer desprovida de escrita, desprovida de tecnologia e de civilização.
Sinto-me cada vez mais embrutecido pelo saber, cada vez mais longe da verdadeira luz.
domingo, março 05, 2006
o amor.. nas maravilhosas palavras da lady x

Amor
Amor,
O que será isto?
Não sei, ainda não sei,
Talvez não me deixe saber ou,
Me não deixem saber.
Sei duas coisas,
O amor vale por dois únicos motivos,
O tudo e o nada!
Em amor, vale o tudo,
O dar sem receber,
O sorrir sem chorar,
O tocar sem mãos,
O respirar pelas nuvens,
O metal fundente agarrado ao nosso corpo,
As flores a alimentar um qualquer jardim,
Os olhares nos olhos,
Tudo.
O nada, não vale.
Quero amar,
Tenho o tudo para dar a quem o queira realmente.
Quero amar e tudo,
Não tenho é palavras para o dizer,
A alguém,
Não tenho violinos que o digam,
Não será preciso. Bastará dá-lo.
Sem o perceber,
Sem as mãos o conseguirem escrever,
Sem a boca o pronunciar,
Mas com os olhos a jorrar de tudo,
Com o corpo a ziguezaguear por entre estradas infinitas,
de tudo e de nada.
Lady X
quinta-feira, março 02, 2006
Uma flor
"Uma flor nasceu na rua!
Passem de longe, bondes, ónibus,
Rio de aço do tráfego.
Uma flor ainda desbotada
Ilude a polícia,
rompe o asfalto
Façam completo silencio,
paralisem os negócios,
Garanto que uma flor nasceu."
Cecília Meirelles
Que essa flor possa ser a liberdade ...
enfim... ser o amor... enfim... ser a vida.
A mesma vida que teima em fugir-me dia a dia,
segundo a segundo.
Que esta flor possa ser o teu sopro, o fim de todos o prantos,
o princípio de todos os cantos, ... todos os sonhos.
Que esta flor possa ser o começo de todos os recomeços,
o encontro de todos os reencontros ou mesmo o reencontro
de todos os desencontros.
Um bem querer maior do que qualquer querer,
um gesto, um abraço, o teu sorriso ou simplesmente um beijo...
esse beijo só teu
que ainda hei-de dar
Passem de longe, bondes, ónibus,
Rio de aço do tráfego.
Uma flor ainda desbotada
Ilude a polícia,
rompe o asfalto
Façam completo silencio,
paralisem os negócios,
Garanto que uma flor nasceu."
Cecília Meirelles
Que essa flor possa ser a liberdade ...
enfim... ser o amor... enfim... ser a vida.
A mesma vida que teima em fugir-me dia a dia,
segundo a segundo.
Que esta flor possa ser o teu sopro, o fim de todos o prantos,
o princípio de todos os cantos, ... todos os sonhos.
Que esta flor possa ser o começo de todos os recomeços,
o encontro de todos os reencontros ou mesmo o reencontro
de todos os desencontros.
Um bem querer maior do que qualquer querer,
um gesto, um abraço, o teu sorriso ou simplesmente um beijo...
esse beijo só teu
que ainda hei-de dar
sexta-feira, fevereiro 24, 2006
o porque de não te escrever um poema
o texto que se segue já é um bocadinho antigo mas continua tão actual como a vontade que tenho de te abraçar.
Quero escrever-te um poema...
Como posso eu escrever-te um poema.???
Como posso eu dizer-te o que me vai na alma ?
Descodificar-te o sonho?
Torna-lo tão real que nem a ode critica dos tempos o poderá sublimar .
Se ao menos pudesse esculpir o meu sonho na areia de uma praia!!!
Mas não... é impossível esculpir o sonho. Dar-lhe materialidade .
O sonho há muito que transcendeu os corpos e se sublimou num murmúrio, sem gestos, sem palavras. Porque as palavras são a mera sublimação dos sonhos que sonhamos.
Ainda assim se procurasse esculpir o meu sonho na areia por certo o mar iria rebelar-se fazendo sucumbir as formas e os contornos, desgastando os enredos como se um sinal divino insistisse em lembrar-me que é demasiado ousado retractar algo tão belo, tão doce.
Talvez esse mesmo deus, seja o deus que impede os artistas de pintar o pôr-do-sol ou aos poetas de alcançarem a verdadeira definição de amor.
No entanto essas interdições são verdadeiramente mais democráticas que a que me impede de escrever-te sobre o meu sonho pois o pôr-do-sol acontece para todos. Podes beijá-lo de lábios cerrados.... ele nunca se irá embora, nunca te irá deixar só. Quanto ao amor, talvez a impossibilidade de definir o amor seja uma dádiva, mais do que um interdito ou proibição.
Afinal a definição dos sentimentos esgota-os tornando-os na sua própria “imagem” e a imagem do sentimento não possui a essência que lhe pretendemos transmitir.
Acredito nisso, embora possa estar errado.
No fundo é também isso que me impede de dar voz ao meu sonho.
Dói-me pensar que não consigo dizer “ ... “ .
Dói-me não conseguir vomitar todas as palavras que permanecem remordidas nos meus lábios e me encantam, porque as sinto, mas que me corroem o coração por não saber dar-lhes corpo e voz.
Sinto-me egoísta por te privar do meu sonho. Embora talvez o faça para te proteger das minhas dores.
Assim poderás ser sempre luz e não sentirás vontade de penetrar no reino das minhas sombras. E eu poderei sofrer sozinho sem receio de aprisionar-te .
Pediste-me um poema...
Como posso eu escrever-te um poema..??..
Como posso descrever-te???
Que palavras irão caracterizar o teu sorriso terno e aconchegante???
Como irei retractar o teu olhar imenso e profundo, verdadeira expressão dessa capacidade de abraçar o mundo??
Não consigo. Acredita.
Se ainda assim pudesse pintar o teu retrato com aguarelas mágicas provenientes do seio da mãe terra. Talvez pudesse colorir o teu olhar com as gotas ténues do orvalho matinal, tombadas sobre a quietude dos cálidos regatos. Isso talvez retractasse a beleza do teu olhar, mas a sua profundidade e dimensão só seria retractada pela magnitude do oceano.
E conjugar de uma forma harmónica uma gota de orvalho de um regato com todo um mar é algo de tão verdadeiramente irrealizável que se compara ao desejo de sorver o mar inteiro de uma golfada.
Quanto ao teu sorriso!!! Só conseguiria retracta-lo se roubasse um pedaço á lua cheia. Pois só a lua têm o mesmo impacto que o teu sorriso exerce sobre mim. Só ela é verdadeiramente luminosa e magnética .
E mesmo ela, por mais que brilhe para todos, esta sujeita ás contrariedades deste mundo em que vivemos. O teu sorriso esse irá manter-se sempre aceso, só espero que as contrariedades da vida não apaguem também a sua luz, isso seria letal para mim, mais do que perder-me a mim próprio, pois iria significar a impossibilidade de encontrar-me.
Pediste-me um poema...
Como posso eu descrever a energia que libertas quando danças, como posso revelar-te a achese perfeita de harmonia que inspiras quando te moves, cada gesto altivo mas humilde que descreves?
Poderia fotografar o voo dos flamingos ao pôr-do-sol, num cenário africano proveniente dos veios da terra vermelha. Talvez pudesse tentá-lo embora não o tenha visualizado pessoalmente pois em tenra idade me tornei “apátrida”.
Deste modo a minha visualização do pôr-do-sol é a simples memória que tenho das descrições feitas pelo meu avó, quando me falava da saudade que tinha dos espaços abertos e das suas caçadas.
Se te deixar de ver, no palco ou na vida, irei sentir uma saudade imensa de ti, tal como ele tinha de África. Uma saudade tão grande que não saberei descrever nem colmatar pois não sei descrever a saudade que tenho de ti, se nem sequer sei falar-te da vontade que tenho de te abraçar, se nem sequer sei exprimir a importância que o facto de ouvir a tua voz desempenha nos meus dias.
Pediste-me um poema ....
Como posso eu escrever-te um poema???
Como posso eu escrever algo de vivo ?
Já escrevi muito, já me dei muito... Mas nunca renasci na presença aconchegante de alguém como tu.
Nunca me vi no espelho de um olhar que reflicta um sorriso tão terno e delicioso como o teu.
Juro-te.... nunca conseguiria dar ás palavras a eloquência e a transcendência que mereces. Todas elas já foram desgastadas e enclausuradas na masmorra das minhas dores e eu assistiria impotente a sua morte, não fosse o facto de te ter conhecido e de me teres emprestado o teu sorrir.
Agora todas elas estão ainda fracas e moribundas e permanecem escondidas nas reentrâncias que tenho nos lábios com medo que te afastes ao ouvi-las, pois todas elas parecem demasiado obsoletas para descrever o que sinto por ti.
Como posso escrever-te um poema??
Demonstrar que te quero muito???
Como posso revelar-te o brilho que a tua presença vai devolvendo ao meu olhar.
Será que sabes como faze-lo???
Sinto-me inerte, é tudo demasiado colossal.
Tão colossal como a vontade que tenho de te dizer tudo, como o medo que tenho de te magoar e de te perder.
Talvez tu entendas as palavras que não digo, talvez tu possuas o olhar que te leva a ver para além do visível como se te permitisses a oscultar-me a alma e sorver-me o que não sei dizer.
Assim talvez entendas o meu silêncio e por mais que a dor do que não sei dizer me afogue a alma essa réstia de mim estará verdadeiramente mais segura e viva no aconchego do teu coração . Pelo que poderei descansar reconfortado no alento do teu sorriso amigo.
Começará assim o sonho e findar-se-á a escuridão.
Mas sobretudo saberás que estarei sempre por perto, como e quando o quiseres. E se quiseres poderás encostar a tua cabeça no meu ombro e falar-me das tuas dores, desabafar comigo todos os sonhos. Eu estarei sempre aqui. Mesmo se me for, mesmo se me findar.
Quero escrever-te um poema...
Como posso eu escrever-te um poema.???
Como posso eu dizer-te o que me vai na alma ?
Descodificar-te o sonho?
Torna-lo tão real que nem a ode critica dos tempos o poderá sublimar .
Se ao menos pudesse esculpir o meu sonho na areia de uma praia!!!
Mas não... é impossível esculpir o sonho. Dar-lhe materialidade .
O sonho há muito que transcendeu os corpos e se sublimou num murmúrio, sem gestos, sem palavras. Porque as palavras são a mera sublimação dos sonhos que sonhamos.
Ainda assim se procurasse esculpir o meu sonho na areia por certo o mar iria rebelar-se fazendo sucumbir as formas e os contornos, desgastando os enredos como se um sinal divino insistisse em lembrar-me que é demasiado ousado retractar algo tão belo, tão doce.
Talvez esse mesmo deus, seja o deus que impede os artistas de pintar o pôr-do-sol ou aos poetas de alcançarem a verdadeira definição de amor.
No entanto essas interdições são verdadeiramente mais democráticas que a que me impede de escrever-te sobre o meu sonho pois o pôr-do-sol acontece para todos. Podes beijá-lo de lábios cerrados.... ele nunca se irá embora, nunca te irá deixar só. Quanto ao amor, talvez a impossibilidade de definir o amor seja uma dádiva, mais do que um interdito ou proibição.
Afinal a definição dos sentimentos esgota-os tornando-os na sua própria “imagem” e a imagem do sentimento não possui a essência que lhe pretendemos transmitir.
Acredito nisso, embora possa estar errado.
No fundo é também isso que me impede de dar voz ao meu sonho.
Dói-me pensar que não consigo dizer “ ... “ .
Dói-me não conseguir vomitar todas as palavras que permanecem remordidas nos meus lábios e me encantam, porque as sinto, mas que me corroem o coração por não saber dar-lhes corpo e voz.
Sinto-me egoísta por te privar do meu sonho. Embora talvez o faça para te proteger das minhas dores.
Assim poderás ser sempre luz e não sentirás vontade de penetrar no reino das minhas sombras. E eu poderei sofrer sozinho sem receio de aprisionar-te .
Pediste-me um poema...
Como posso eu escrever-te um poema..??..
Como posso descrever-te???
Que palavras irão caracterizar o teu sorriso terno e aconchegante???
Como irei retractar o teu olhar imenso e profundo, verdadeira expressão dessa capacidade de abraçar o mundo??
Não consigo. Acredita.
Se ainda assim pudesse pintar o teu retrato com aguarelas mágicas provenientes do seio da mãe terra. Talvez pudesse colorir o teu olhar com as gotas ténues do orvalho matinal, tombadas sobre a quietude dos cálidos regatos. Isso talvez retractasse a beleza do teu olhar, mas a sua profundidade e dimensão só seria retractada pela magnitude do oceano.
E conjugar de uma forma harmónica uma gota de orvalho de um regato com todo um mar é algo de tão verdadeiramente irrealizável que se compara ao desejo de sorver o mar inteiro de uma golfada.
Quanto ao teu sorriso!!! Só conseguiria retracta-lo se roubasse um pedaço á lua cheia. Pois só a lua têm o mesmo impacto que o teu sorriso exerce sobre mim. Só ela é verdadeiramente luminosa e magnética .
E mesmo ela, por mais que brilhe para todos, esta sujeita ás contrariedades deste mundo em que vivemos. O teu sorriso esse irá manter-se sempre aceso, só espero que as contrariedades da vida não apaguem também a sua luz, isso seria letal para mim, mais do que perder-me a mim próprio, pois iria significar a impossibilidade de encontrar-me.
Pediste-me um poema...
Como posso eu descrever a energia que libertas quando danças, como posso revelar-te a achese perfeita de harmonia que inspiras quando te moves, cada gesto altivo mas humilde que descreves?
Poderia fotografar o voo dos flamingos ao pôr-do-sol, num cenário africano proveniente dos veios da terra vermelha. Talvez pudesse tentá-lo embora não o tenha visualizado pessoalmente pois em tenra idade me tornei “apátrida”.
Deste modo a minha visualização do pôr-do-sol é a simples memória que tenho das descrições feitas pelo meu avó, quando me falava da saudade que tinha dos espaços abertos e das suas caçadas.
Se te deixar de ver, no palco ou na vida, irei sentir uma saudade imensa de ti, tal como ele tinha de África. Uma saudade tão grande que não saberei descrever nem colmatar pois não sei descrever a saudade que tenho de ti, se nem sequer sei falar-te da vontade que tenho de te abraçar, se nem sequer sei exprimir a importância que o facto de ouvir a tua voz desempenha nos meus dias.
Pediste-me um poema ....
Como posso eu escrever-te um poema???
Como posso eu escrever algo de vivo ?
Já escrevi muito, já me dei muito... Mas nunca renasci na presença aconchegante de alguém como tu.
Nunca me vi no espelho de um olhar que reflicta um sorriso tão terno e delicioso como o teu.
Juro-te.... nunca conseguiria dar ás palavras a eloquência e a transcendência que mereces. Todas elas já foram desgastadas e enclausuradas na masmorra das minhas dores e eu assistiria impotente a sua morte, não fosse o facto de te ter conhecido e de me teres emprestado o teu sorrir.
Agora todas elas estão ainda fracas e moribundas e permanecem escondidas nas reentrâncias que tenho nos lábios com medo que te afastes ao ouvi-las, pois todas elas parecem demasiado obsoletas para descrever o que sinto por ti.
Como posso escrever-te um poema??
Demonstrar que te quero muito???
Como posso revelar-te o brilho que a tua presença vai devolvendo ao meu olhar.
Será que sabes como faze-lo???
Sinto-me inerte, é tudo demasiado colossal.
Tão colossal como a vontade que tenho de te dizer tudo, como o medo que tenho de te magoar e de te perder.
Talvez tu entendas as palavras que não digo, talvez tu possuas o olhar que te leva a ver para além do visível como se te permitisses a oscultar-me a alma e sorver-me o que não sei dizer.
Assim talvez entendas o meu silêncio e por mais que a dor do que não sei dizer me afogue a alma essa réstia de mim estará verdadeiramente mais segura e viva no aconchego do teu coração . Pelo que poderei descansar reconfortado no alento do teu sorriso amigo.
Começará assim o sonho e findar-se-á a escuridão.
Mas sobretudo saberás que estarei sempre por perto, como e quando o quiseres. E se quiseres poderás encostar a tua cabeça no meu ombro e falar-me das tuas dores, desabafar comigo todos os sonhos. Eu estarei sempre aqui. Mesmo se me for, mesmo se me findar.
quarta-feira, fevereiro 15, 2006
há músicas eternas
Porque há músicas eternas, músicas que estão associadas a momentos, a pessoas que foram especiais e que nos fizeram sonhar deixo-vos aquela que poderia ser a música da minha vida, porque há sentimentos que podemos sentir e não saber dizer.
Simplesmente porque no amor poderia fazer tudo, menos isso.
bem ajam os que sabem o valor do amor
Meatloaf - I'D DO ANYTHING FOR LOVE (BUT I WONT DO THAT)
And I would do anything for love,
I'd run right into hell and back,
I would do anything for love,
I'll never lie to you and thats a fact.
But I'll never forget the way you feel right now
- Oh no - no way - I would do anything for love,
But I wont do that, I wont do that, anything for love,
I would do anything for love, I would do anything for love,
But I wont do that, I wont do that.
Some days it dont come easy,
Some days it dont come hard
Some days it dont come at all,
And these are the days that never end.
Some nights you breath fire,
Some nights your carved in ice,
Some nights your like nothing I've ever seen before, Or will
again.
Maybe Im crazy, But it's crazy and it's true,
I know you can save me, No one else can save me now but you.
As long as the planets are turning,
As long as the stars are burning,
As long as your dreams are coming true - You better believe it!
-
That I would do anything for love,
And I'll be there until the final act -
I would do anything for love!
And I'll take a Vow and Seal a pact -
But I'll never forgive myself if we dont go all the way -
Tonight -
I would do anything for love!
I would do anything for love,
I would do anything for love,
But I wont do that, I wont do that...
I would do anything for love,
Anything you've been dreaming of,
But I just wont do that...
Some days I pray for Silence,
Some days I pray for Soul,
Some days I just pray to the God of Sex and Drums and Rock 'N'
Roll.
Some nights I lose the feeling,
Some nights I lose control,
Some nights I just lose it all when I watch you dance and the
thunder rolls.
Maybe I'm lonely, And thats all I'm qualified to be,
There's just one and only, The one and only promise I can keep.
As long as the wheels are turning,
As long as the fires are burning,
As long as your prayers are coming true - You better believe it
- !
That I would do anything for love!
And you know it's true and thats a fact,
I would do anything for love!
And there'll never be no turning back -
But I'll never do it better than I do it with you,
So long - So long - I would do anything for love,
I would do anything for love,
I would do anything for love,
I would do anything for love,
But I wont do that, I wont do that!
I would do anything for love,
Anything you've been dreaming of,
But I just wont do that...
But I'll never stop dreaming of you
Everynight of my life - No Way -
I would do anything for love,
I would do anything for love,
I would do anything for love,
But I wont do that, I wont do that!
Girl : Will you raise me up?
Will you help me down?
Will you help get me right out of this Godforsaken town?
Will you make it a little less cold?
Boy : I can do that!
I can do that!
Girl : Will you hold me sacred?
will
you hold me tight?
Can you colorize my life I'm so sick of black and white?
Can you make it a little less old?
Boy : I can do that!
I can do that!
Girl : Will you make me some magic, with your own two hands?
Can you build an Emerald city with thes
e grains of sand?
Can you give me something that I can take home?
Boy : I can do that!
I can do that!
Girl : Will you cater to every fantasy that I've got?
Will ya hose me down with holy water - if I get too hot - ?
Will you take me to places that
I've never known?
Boy : I can do that!
I can do that!
Girl : Afert a while you'll forget everything,
It was a brief interlude, And a midsummer night's fling,
And you'll see that it's time to move on.
Boy : I wont do that!
I wont do that!
Girl : I know the territory - I've been around,
It'll all turn to dust and we'll all fall down,
And sooner or later you'll be screwing around.
Boy : I wont do that!
I wont do that!
Anything for love, I would do anything for love,
I would do anything for love,
But I wont do that, I wont do that.
Simplesmente porque no amor poderia fazer tudo, menos isso.
bem ajam os que sabem o valor do amor
Meatloaf - I'D DO ANYTHING FOR LOVE (BUT I WONT DO THAT)
And I would do anything for love,
I'd run right into hell and back,
I would do anything for love,
I'll never lie to you and thats a fact.
But I'll never forget the way you feel right now
- Oh no - no way - I would do anything for love,
But I wont do that, I wont do that, anything for love,
I would do anything for love, I would do anything for love,
But I wont do that, I wont do that.
Some days it dont come easy,
Some days it dont come hard
Some days it dont come at all,
And these are the days that never end.
Some nights you breath fire,
Some nights your carved in ice,
Some nights your like nothing I've ever seen before, Or will
again.
Maybe Im crazy, But it's crazy and it's true,
I know you can save me, No one else can save me now but you.
As long as the planets are turning,
As long as the stars are burning,
As long as your dreams are coming true - You better believe it!
-
That I would do anything for love,
And I'll be there until the final act -
I would do anything for love!
And I'll take a Vow and Seal a pact -
But I'll never forgive myself if we dont go all the way -
Tonight -
I would do anything for love!
I would do anything for love,
I would do anything for love,
But I wont do that, I wont do that...
I would do anything for love,
Anything you've been dreaming of,
But I just wont do that...
Some days I pray for Silence,
Some days I pray for Soul,
Some days I just pray to the God of Sex and Drums and Rock 'N'
Roll.
Some nights I lose the feeling,
Some nights I lose control,
Some nights I just lose it all when I watch you dance and the
thunder rolls.
Maybe I'm lonely, And thats all I'm qualified to be,
There's just one and only, The one and only promise I can keep.
As long as the wheels are turning,
As long as the fires are burning,
As long as your prayers are coming true - You better believe it
- !
That I would do anything for love!
And you know it's true and thats a fact,
I would do anything for love!
And there'll never be no turning back -
But I'll never do it better than I do it with you,
So long - So long - I would do anything for love,
I would do anything for love,
I would do anything for love,
I would do anything for love,
But I wont do that, I wont do that!
I would do anything for love,
Anything you've been dreaming of,
But I just wont do that...
But I'll never stop dreaming of you
Everynight of my life - No Way -
I would do anything for love,
I would do anything for love,
I would do anything for love,
But I wont do that, I wont do that!
Girl : Will you raise me up?
Will you help me down?
Will you help get me right out of this Godforsaken town?
Will you make it a little less cold?
Boy : I can do that!
I can do that!
Girl : Will you hold me sacred?
will
you hold me tight?
Can you colorize my life I'm so sick of black and white?
Can you make it a little less old?
Boy : I can do that!
I can do that!
Girl : Will you make me some magic, with your own two hands?
Can you build an Emerald city with thes
e grains of sand?
Can you give me something that I can take home?
Boy : I can do that!
I can do that!
Girl : Will you cater to every fantasy that I've got?
Will ya hose me down with holy water - if I get too hot - ?
Will you take me to places that
I've never known?
Boy : I can do that!
I can do that!
Girl : Afert a while you'll forget everything,
It was a brief interlude, And a midsummer night's fling,
And you'll see that it's time to move on.
Boy : I wont do that!
I wont do that!
Girl : I know the territory - I've been around,
It'll all turn to dust and we'll all fall down,
And sooner or later you'll be screwing around.
Boy : I wont do that!
I wont do that!
Anything for love, I would do anything for love,
I would do anything for love,
But I wont do that, I wont do that.
terça-feira, fevereiro 14, 2006
será
no dia dos namorados, para os que ainda amam e dizem, para os que amam e não dizem, para os que amam tanto e não precisam de o dizer, para os que amam e não sabem ou pensam ser amados sem o ser, deixo-vos um poema de augusto cacá., não porque tenha algo a vercom o amor mas porque me apetece.
mas será tão forte assim o nosso algoz?
pode alguém substarir a nossa esperança?
só se não soubermos nem quem somos nós
nem de onde brotam os sonhos de criança.
E o que somos é fruto do que fazemos
E, por isso, hoje nos reconhecemos .
operários de um país.
mas será tão forte assim o nosso algoz?
pode alguém substarir a nossa esperança?
só se não soubermos nem quem somos nós
nem de onde brotam os sonhos de criança.
E o que somos é fruto do que fazemos
E, por isso, hoje nos reconhecemos .
operários de um país.
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