quarta-feira, maio 06, 2009

Homenagem a Vasco Granja (1925-2009)


Obrigado

Pelo encanto das bandas desenhadas que mostravas, por me teres apresentado o tintin, o lucky lucke, o Chic Bill, o Spirou e Fantasio, o gaston laggaffe, a betty boop, o Mickey Mouse, e tantos outros personagens.


Por me teres fomentado o gosto de ler e escrever e assim os sonhos e a imaginação, pilares importantes daquilo que acabou por ser o meu futuro.


Por me teres feito ver que no mundo, sobretudo com os desenhos animados vindos de paises distantes como os paises de leste havia mundos diferentes, pessoas diferentes, culturas diferentes.


Por teres tido uma preocupação activa e constante em fazer com que a selecção que fazias deixasse transparecer sempre uma mensagem de harmonia e de paz, capaz de envolver o mundo.


Obrigado sobretudo pela simpatia e boa disposição com que entravas em minha casa, pela televisão aos fins de semana e ajudavas a encantar a minha infancia.




Vou ter saudades





Vasco Granja (nascido em 1925) foi um apresentador de televisão português, reconhecido pelo seu grande contributo para a divulgação da animação e da banda desenhada em Portugal.
Apaixonado desde miúdo pelo cinema, Vasco Granja esteve envolvido no movimento cineclubista dos anos cinquenta. A sua relação com os movimentos de oposição ao Estado Novo e ao Partido Comunista Português valeram-lhe duas prisões pela PIDE, uma delas durante dezasseis meses, onde sofreu em Peniche várias torturas físicas e psicológicas, como a tortura do sono.
Em 1974 inaugurou um novo programa na televisão, "Cinema de Animação", que duraria 16 anos. Nesses programas, dava a conhecer a animação de todo o mundo, desde aquela que era realizada nos países do leste da Europa, até à proveniente da América do Norte. Pretendia, com o seu programa, divulgar, para além da própria animação, uma mensagem de paz, que considerava estar presente em muitos dos filmes da Europa de Leste que transmitia.

Em 1975, criou um curso de cinema de animação, a partir do qual viria a nascer a Associação Portuguesa de Cinema de Animação.

Em 1980, foi membro do júri da quarta edição do Animafest, o Festival Mundial de Animação de Zagreb, realizado na então Jugoslávia.

domingo, abril 26, 2009


"Os ventos que as vezes tiram algo que amamos, são os mesmos que trazem algo que aprendemos a amar...Por isso não devemos chorar pelo que nos foi tirado e sim, aprender a amar o que nos foi dado. Pois tudo aquilo que é realmente nosso, nunca se vai para sempre... "


"...Os homens pensam que possuem uma mente,
mas é a mente que os possui
Há pessoas que amam o poder,
e outras que tem o poder de amar... "

"...Difícil não é lutar por aquilo que se quer, e sim desistir daquilo que se mais ama.
Eu desisti. Mas não pense que foi por não ter coragem de lutar, e sim por não ter mais condições de sofrer..."

Bob Marley

Porque estas palavras me envolveram a alma e o espirito... e deram sentido ao lado de la do amor, o lado onde mora a entrega suprema, a dádiva mas ao mesmo tempo a necessidade de ... depois de darmos tudo... seguirmos em frente pra continuar vivos.

bem ajam

quarta-feira, abril 01, 2009

sonho

"toda a vida é um sonho, não tem regras nem livros, limita-se a estar lá... a esperar ser descoberta... não sei se este é o sonho que procurava, ou se algum dia o chegarei a encontrar, tenho por isso de me manter agarrada até a tempestade passar"


porque este texto escrito há anos por uma amiga podia hoje ser o meu texto... porque há um vendaval de sonhos que surgem e se desfazem... um não sei que de poesia que nasce e se esgota em mim.
porque há uma sede de corpo que não se sacia e a alma essa enche a vida até transbordar de sonhos.

sábado, março 28, 2009

Feliz Dia do Teatro

Porque hoje se brindam

Os fazedores de sonhos
Os contadores de estrelas
Os domadores de luzes
Os aprendizes da imaginação

Porque hoje se brinda

Cada subir de palco
A contenção do gesto
A voz dos silêncios
A magia dos sentidos

Porque hoje se brinda
O sonhar sem fim
O ser mais que o próprio sonho
O recriar da vida
O sorver da luz

Porque hoje se brinda
O amor e o ódio
A paz e a guerra
A vida e a morte
O dia a acontecer em cada peça

Porque hoje se brinda
O olhar e o gesto
A contenção e o êxtase
Os beijos e as lágrimas
Uma mão erguida por todas as mãos erguidas

Porque hoje se brinda

O dito e o não dito
O expresso e o oculto
Tudo o que se diz
E a força do que não se diz e que se sente

Porque hoje se brinda

A Moliere, a Gil Vicente, a Brecht
A todos os recriadores da vida
Que inconformados com a apatia do finito
Não deixam de rescreve-lo e conta-lo

Porque hoje se brinda
O nervoso miudinho e as superstições
A tudo de nós que se empresta aos personagens
A toda a entrega, tanta entrega, tanto querer
A ousadia de nascer e ir morrendo peça a pós peça.

Porque hoje se brindam
Às plateias cheias
Às gargalhadas e suspiros que deixam de estar amordaçados
Ao prazer que se desmancha em palmas
Aos silêncios cúmplices que dizem tanto


Porque hoje se brinda

ao teatro
aos actores
aos encenadores
ao publico


brindo a todos vocês que no palco
com amizade, engenho e alma...
amam o teatro, amam o sonho
e são corrente desta arte, deste respirar deste sorver
deste saber ser que só se é no palco

Pedro Antunes

27-03-09


nota:
este texto é dedicado às várias gerações de aprendizes de actores que conheci no Tea-to e que me brindaram com a sua amizade, é uma sentida e sincera homenagem dada a alguém que ousa sonhar e ser grande.

bem hajam

domingo, março 22, 2009

porque hoje a poesia não mora em mim

"Todo mundo então era pérfido, mentiroso e falso? E lágrimas lhe vieram aos olhos, pois choramos sempre a morte das nossas ilusões com a mesma mágoa com que choramos os nossos mortos."

segunda-feira, março 09, 2009

DOI

há algo que doi...
e a dor dilacera...
torna-nos aparentemente vazios...
lança-nos no vácuo...
como se caissemos do ninho ainda sem saber voar...

mas na queda de súbito...
quando já não esperavamos....
quando pareciamos condenados....

abrimos os braços...
dos braços surgem-nos asas..
a pele ferida transforma-se em penas...

e vemos que os céus que davamos a outrem,
os céus mesmos céus que colorimos com o que sentimos...
afinal são nossos...

e descobrimos que merecemos sonha-los por inteiro....
.... sonhar-nos por inteiro....

sonhar até sermos mais que o próprio sonho.



um comentario a um post da fenix santiagra que quis partilhar aqui.


beijo para quem for de beijo, abraço para quem for de abraço...

ou como diz alguem que admiro pela simplificação que dá a todas as coisas

abreijos :-)

quinta-feira, março 05, 2009

vento

hoje o vento mergulhou na minha alma, varreu-a por dentro... levou de mim o sopro dos sonhos, deixou-me como um quase nada de lua.. um resticio de nada qualquer que ainda não aconteceu.

terça-feira, fevereiro 24, 2009

um poeta

um poeta é um passaro
que desaprendeu de voar
não por ter medo do céu
mas por se ter esquecido simplesmente
que as penas das suas asas
não são feitas de palavras

sábado, fevereiro 14, 2009

bom dia de são valentim


"O que é belo não morre: transforma-se em outra beleza."
.....Talvez em poesia
sonhem

quarta-feira, fevereiro 11, 2009

um dia destes

esqueço-me da solidão...
dispo-me de preconceitos....
renego os maiores preceitos éticos...
e beijo....
beijo a primeira desconhecida que encontrar...
so pelo beijo....
so para sentir...
so para não escrever

segunda-feira, fevereiro 09, 2009

desculpa-me

li esta frase hoje pelas 8 e 20 da manhã, dia 09 de Fevereiro, numa faixa pendurada na ponte que atravessa a nacional n.º 1, sentido sul norte, mais ou menos na zona dos marinheiros, um km ou dois antes do corte para a entrada de Leiria, próximo da ferrus.

Dei por mim a pensar na pessoa que colocou a faixa lá...
na razão de tal gesto...
no acto praticado que levou ao pedido de desculpas....
na pessoa a quem se pediu desculpas...
no tempo que devia fazer quando esse alguém que pediu desculpas colocou a faixa lá...
no quanto deve ter custado prender a faixa, no esforço que a pessoa que a colocou, ele ou ela, deve ter feito....
no quase milagre que é a faixa ainda estar lá.... ainda continuar erguida....
ainda continuar a pedir desculpas ...
por expiação do acto praticado...
para lembrança do gesto de pedir desculpas...
por testemunho do sentimento magoado de quem se pede reconsideração...

Depois pensei na reacção da pessoa a quem se destinava a mensagem...
na reacção da pessoa ele ou ela que percebeu que a mensagem era para si...
na reacção que a mensagem deve ter desencadeado nela ou nele.
na duvida sobre se o pedido de desculpas foi aceite ou não....
na esperança quase indiscreta de que tenha sido....
de que a relação entre os dois... sejam eles quem forem se tenha refeito...

Depois pensei nas pessoas que não sendo destinatárias da mensagem se sentiram enquanto tal.
Nas pessoas que pensaram que foi o seu namorado ou namorada que colocou a faixa lá e que a sentiram como sua.
nas pessoas magoadas com a vida que sentiram que era a própria vida que lhes pede desculpa pelas maleitas e se sentiram assim reconfortadas...
Ou simplesmente nas pessoas que como eu leram a mensagem e viram nela um novo alento para este dia, apesar do frio, apesar da chuva, apesar do vento... apesar de ser inicio de semana...

Depois de tudo isto, por toda a reflexão que fiz e por todas reflexões que as pessoas que passarem por lá fizerem sobre aquela faixa, ao sentirem aquela faixa, só há uma constatação que me assalta a memória....
a verdade é que as vezes a vida é feita de pequenos grandes gestos, pequenos grandes sonhos....
a poesia também....

por isso mesmo sabendo que o texto não é para mim e que não fui eu o autor de tal pedido.... atrevo-me a dizer....

desculpamos-te....


espero que ele ou ela também...


bom dia

domingo, fevereiro 01, 2009

Paris - mais um filme a não perder



Esta não é uma história de pessoas importantes, com enredos especiais.
Por contrário... o enredo é o dia a dia, os dias mais comuns... o quotidiano dos quotidianos.
A personagem principal mais do que os actores que dão corpo à trama é própria Paris... a própria cidade, não tanto a cidade das luzes, mas a Paris real, a Paris de todas as cores... de todos os tons..
É no fundo a própria cidade que se move, que se mexe, que se movimenta, é no seu seio que os enredos se cruzam, que as vivências, sonhos, sentimentos, medos e devires dos vários personagens se desenvolvem.
Paris - o filme inova não pelos actores (que não obstante tudo o que vou dizer são reconhecidos e talentosos) mas sim pela forma como Cédric Klapisch olha a cidade e nela faz desenvolver as histórias de vida dos personagens que cria, como se fosse a nossa própria história.. sem edilismos.. sem filosofias... apenas mostrando as vivências pelas vivências.
Paris é a história de um antigo bailarino que adoece e que corre o risco de perder a vida.
A história da forma como o facto de poder morrer o faz olhar os outros, dar uma importância especial às pessoas com quem se cruza, às suas vivências ... questionar o amor, a vida.. a própria morte.
É através do seu olhar, da visão que ele tem deles ora a partir da sua janela, ora no contacto que tem com eles no dia a dia que vamos conhecendo os outros personagens, estes são Vendedores do Mercado, Padeiras, Assistentes Sociais, Dançarinos, Arquitectos, Professores Universitários, Modelos, Imigrantes Clandestinos dos Camarões (mas que poderiam ser de outro lado qualquer) , no fundo todos eles pessoas vulgares, mas que para elas são pessoas especiais, pessoas que vivem vidas banais, mas que para elas são únicas, pessoas que tem sonhos e problemas que podem ser insignificantes, mas que para elas são os mais importantes do mundo.
Pessoas que se revelam e interagem na cidade de uma forma descontraída mas quase circular como se todos os caminhos se cruzassem.
pessoas que no fundo podíamos ser nós.

sexta-feira, janeiro 30, 2009

A cor dos dias

Ficha Técnica
Texto: João Lázaro Pedro Antunes
Interpretações: Bárbara Conde, Bárbara Pereira, João Lázaro, Luciana Fernandes, Mariana Queiroz, Pedro Antunes
Apoio Técnico: Diana Moreira
Cenografia: Jorge Vieira
Direcção de Produção: Maria Manuel da Rocha Marques
Direcção de Actores: Ana Rita Santos
Encenação: João Lázaro~
Deixo parte do texto da peça que o TE-ATO vai voltar a levar à cena no próximos dias 7 e 14 de fevereiro na Sala Jaime Salazar Sampaio - Rua Pedro Nunes (Transversal Arquivo Distrital / Terreiro) em Leiria
Porque existem partilhas que dão sentido ao sonho, cores que dão sentido a vida.
com um muito obrigado às jovens grandes actrizes do Te-ato pela garra e empenho que mostram sempre e pela dedicação com que deram corpo e alma às cores, ao João que me leva sempre a desafiar os meus limites, à Sara que me deu força e foi a primeira a estimular-me a mostrar o que escrevi e aos meus amigos e família que as vezes mais próximos ás vezes mais distantes me tem dado a ancoragem necessária a todos os voos.
bons sonhos....
de todas as cores

Quando deus criou o mundo, o mundo era escuro.
Negro como a noite mais negra.
Tão escuro, que nele reinava o maior dos silêncios,

o maior dos vazios.

Então cansado da escuridão

deus criou o sol
na esperança de que ele iluminasse o mundo
e desse vida a sua obra.

Então o sol nasceu.

Forte.
Radioso.
Vivo.
E assim nasceu a cor amarela

nos seus raios
E o sol passou a iluminar os céus.

Graças ao seu brilho surgiram as aves
e o sol foi tomando o seu lugar
Dia a dia.
Hora a hora.
Minuto a minuto.
Segundo a segundo
Até que ficou cansado.
Tão cansado que teve de pedir ao deus
que o deixasse descansar.

E deus ao ver que o amarelo do sol
estava aos poucos a ficar fraco
percebeu o cansaço do sol
e pediu que o sol o avisasse
quando fosse a hora de nanar.

Assim surgiu o por do sol
e com ele o laranja das suas cores.
Mas com o deitar do sol regressava o escuro
e com o escuro o silêncio.

Então deus criou a lua e as estrelas
E estas passaram a receber o brilho que o sol lhes dava.
Depois devolviam-no ao universo
Espalhadas pelo céu numa dádiva pura.
Tão pura que o amarelo do sol
se tornou ainda mais cristalino
e assim nasceu o branco.

Deste modo os dias de sol
passaram a dar lugar às noites de lua
e fizeram-no tantas vezes
e de uma forma tão terna
que o radioso sol se apaixonou pela terna lua
e a lua aos poucos também se foi apaixonando pelo sol.
O problema é que nem o sol nem a lua podiam estar juntos
e assim ficaram tristes.
Dessa tristeza surgiu o cinzento das nuvens e a chuva.

Deus ao ver tanta dor
lá aceitou que eles se beijassem de vez em quando
e assim nasceram os eclipses.
Graças a esses beijos de vez em quando
o sol e a lua voltaram a ser alegres
e a tomarem o seu lugar no céu
um após o outro.

Como a lua era vaidosa pediu a deus um espelho
e assim deus criou o mar para que a lua se pudesse ver.
Foi assim que surgiu o azul
e assim puderam nascer os peixes para o habitar.

o amor do sol e da lua era tão intenso
que aos poucos a terra que antes era negra e sem vida
se foi tornando fértil e castanha .
Foi assim que surgiram as árvores e as flores
e com elas o verde das suas ramagens
que passaram a cobrir os campos e vales.
Foi assim também que surgiram os restantes animais
testemunhas do amor do sol pela lua.

E esse amor era tão intenso
que deus resolveu criar
os seres humanos
para que contassem esse amor
de geração em geração,
para que procurassem viver ao longo da sua vida
amores iguais…
Amores Perfeitos...

e assim os homens
foram incumbidos dessa procura.
Algo que era mais que receber.
Era um dar puro.

Uma partilha pura
para ser vivida
dia a dia
noite a noite.
De sol a sol
de lua a lua.

Para lembrar os homens dessa missão
deus criou o violeta
e com ele coloriu as pétalas de uma flor
a quem chamou amor-perfeito
para que nenhum homem se esquecesse da sua busca
e se tornasse cinzento.

Porque afinal a cor dos dias.
A cor de todos os dias
é a cor que dermos aos outros
nos nossos sorrisos.

quinta-feira, janeiro 08, 2009

parte...

parte de mim é poesia...
a outra é sobretudo vazio.


pedro

quarta-feira, dezembro 31, 2008

bom ano de 2009

Toda a vida aprendi que a verdadeira essencia da vida reside mais no facto de partilharmos a luz que temos com os outros do que em procurarmos esse brilho para nós.
Trata-se de procurarmos ser luas uns dos outros para que a escuridão não reine e o brilho dos sorrisos continue a existir.
É este pensamento que quero partilhar com voces agora que este ano de 2008 termina, na esperança de que o ano que esta prestes a nascer venha repleto de sorrisos e de partilhas.

bom ano

domingo, dezembro 07, 2008

poesis rip


como se mata afinal o poeta que há em nós

domingo, novembro 30, 2008

um outro sabado

se sabado o tempo parasse
e o sonho ficasse abraçado
o mundo seria canto
o mundo seria achado

se sabado o tempo parasse
seria alegre o meu fado
meu sorriso seria o teu
teu olhar.. o mais belo tesouro encontrado

se sabado o tempo parasse
o teu cheiro seria o ar que respirava
essencia doce em que bailava
belo fado... doce fado... luz achada...

se sabado o tempo parasse
parava no tempo, ficava encontrado
ficava achado nas asas do vento
neste pensamento ... poema sohado

se sabado o tempo parasse
poema sonhado...
voavas na voz dos versos que canto
bailavas de encanto, na luz das estrelas,

e num momento parado...
segundo vivido
sabado seria tudo
aquele abraço tudo..

se sabado o tempo parasse abraçado
seria tudo nos teus braços...
e tu nos meus poesia...
num gesto que embala a vida...
sonho concretizado....

se sabado o tempo parasse
parava no tempo encontrado
vivia um sonho sonhado
cantado num sopro do vento

serias ave
sonho
pensamento
achado

poema que canto
para não esconder
que poderia ter havido um sabado
que os sonhos poderiam acontecer.


porque poderá haver um sábado

domingo, novembro 16, 2008

ergue-se o vento pela saudade
num sopro de vento que se fez tarde.
paira na alma a falta do sonho.
verbo perdido as avessas sem sentido.
fome de grito sustido, sede do corpo sonhado
faltam-me os beijos e os gestos...perde-se o teu olhar.
já me roubaram a lembrança dos dias que hão-de chegar.
e eu que tinha esperança em fazer a essencia mais forte
e eu que tinha fé nas palavras que canto
dou por mim a duvidar por querer tanto e não ser porto.
nem ter junto a esta restea vá de corpo
navio porque zarpar

quinta-feira, outubro 30, 2008

voo

paro no tempo que passa
passando no firmamento dos acasos
ficando nos sorrisos e nos sopros
na lembrança de mãos que se tocam com ternura
num troar de vento a esvoaçar...
as vezes sonho que os meus dedos e corpo ganham penas
que os meus braços se tornam asas,
que o sopro do vento me embala...
então ai...
nesses momentos mágicos...
supero o ar, o atmo e o haperon..
e sei...
sei mesmo...
ainda que por segundos
que pertenço aos céus...

domingo, outubro 26, 2008

2005-2008 - três anos a contar-me

pois é ...
o blog faz três anos.
houve momentos de partilha
momentos de entrega
momentos de sonhos e de vazio
momentos de esperança e de conforto...
agradeço aos que aqui se partilharam comigo...
aqueles que me visitaram e me acolheram nos vossos espaços...
obrigado por me mostrarem que cada post valeu a pena...
que escrever pode ser mais que dar de beber a dor

boa semana


porque é tempo de reviver e porque foi o melhor poema que alguma vez escrevi deixo aqui o primeiro poema que coloquei no meu blog... precisamente há 3 anos


Quando ...
Quando eu morrer
leva-me no teu regaço
e embala a minha alma
no teu peitoquando eu morrer
deixa-me ir assim vão e escasso
que na ânsia de viver...
eu fui fracasso
e na gloria de sonhar-te
perdi-me por recordar-te
e nunca pernoitei
junto ao teu leito
deixa-me partir
não te peço que por mim chores
nem que grites à lua tudo o que não foste
tudo o que não me deste
acredita que és tudo,foste tudo
e não lamentes se ser tudo não soubeste
deixa-me ir
não quero que vás comigo
deixo-te a rosa encarnada
que guardei em mim
e não te soube entregar
deixo-te o brilho da vida
reencarnado nos sonhos
que plantei na flor
das minhas mágoas
nas pétalas que colori
com a lembrança dos sorrisos
que provocavas
deixo-me ...em ti
em todas as lembranças
dos momentos que vivemos
e na memória dos mundos
só teus
em que habitavas
deixo-me mesmo
nos despojos
só meus ...da vida que inspiravas
mas nunca te despeças de mim
nem nunca chores
és demasiado doce para chorar
ese eu nunca quis ver padecer alguém tão belo
tão sonho tão profundamente...luminoso e vivo
vais ver que vou estar sempre aqui
enquanto houverem alvoradas
enquanto a primeira estrela do céu
persistir em assomar à tua janela
como se te quisesse saudar.
Mas nunca me lamentes
apenas deixa que no verão
as gotas de orvalho
salpiquem a tua cara
e sente-as como se fosse eu
como se fossem os meus lábios
permite que a brisa do mar
invada suavemente os teus cabelos
e os lance no reboliço como se pairassem
por força das minhas mãos
vá ... deixa-te bailar suavemente na ode da vida
e vive-a de uma forma imensa e pura
como quem sente,
como quem ama
como quem sofre.
Mas não te impeças de sonhar
e vive cada nova gloria numa entrega
cada dança, como a dança da menina ave que sei
deixa-te pairar sobre os céus...
como se anjo fosses
sem temeres o frio ou o anoitecer
pois irei abraçar-te
nos teus sonhos
e velarei por ti para sempre...
enquanto dormes