Acerca de mim
- milhafre
- Quem sou eu...... as vezes queria ser apenas um escolho atirado aos ventos. outras a minha faceta de louco faz-me querer enveredar por caminhos que desconheço e espanto-me a mim próprio. diria que sou alguém que aspira a ser simples e a quem o corre corre dos dias parece estrangular as vezes deixando as palavras e os sonhos amordaçados na garganta. se um dia me for espero ser lembrado como um bom amigo .
quinta-feira, outubro 30, 2008
voo
passando no firmamento dos acasos
ficando nos sorrisos e nos sopros
na lembrança de mãos que se tocam com ternura
num troar de vento a esvoaçar...
as vezes sonho que os meus dedos e corpo ganham penas
que os meus braços se tornam asas,
que o sopro do vento me embala...
então ai...
nesses momentos mágicos...
supero o ar, o atmo e o haperon..
e sei...
sei mesmo...
ainda que por segundos
que pertenço aos céus...
domingo, outubro 26, 2008
2005-2008 - três anos a contar-me
o blog faz três anos.
houve momentos de partilha
momentos de entrega
momentos de sonhos e de vazio
momentos de esperança e de conforto...
agradeço aos que aqui se partilharam comigo...
aqueles que me visitaram e me acolheram nos vossos espaços...
obrigado por me mostrarem que cada post valeu a pena...
que escrever pode ser mais que dar de beber a dor
boa semana
porque é tempo de reviver e porque foi o melhor poema que alguma vez escrevi deixo aqui o primeiro poema que coloquei no meu blog... precisamente há 3 anos
Quando ...
Quando eu morrer
leva-me no teu regaço
e embala a minha alma
no teu peitoquando eu morrer
deixa-me ir assim vão e escasso
que na ânsia de viver...
eu fui fracasso
e na gloria de sonhar-te
perdi-me por recordar-te
e nunca pernoitei
junto ao teu leito
deixa-me partir
não te peço que por mim chores
nem que grites à lua tudo o que não foste
tudo o que não me deste
acredita que és tudo,foste tudo
e não lamentes se ser tudo não soubeste
deixa-me ir
não quero que vás comigo
deixo-te a rosa encarnada
que guardei em mim
e não te soube entregar
deixo-te o brilho da vida
reencarnado nos sonhos
que plantei na flor
das minhas mágoas
nas pétalas que colori
com a lembrança dos sorrisos
que provocavas
deixo-me ...em ti
em todas as lembranças
dos momentos que vivemos
e na memória dos mundos
só teus
em que habitavas
deixo-me mesmo
nos despojos
só meus ...da vida que inspiravas
mas nunca te despeças de mim
nem nunca chores
és demasiado doce para chorar
ese eu nunca quis ver padecer alguém tão belo
tão sonho tão profundamente...luminoso e vivo
vais ver que vou estar sempre aqui
enquanto houverem alvoradas
enquanto a primeira estrela do céu
persistir em assomar à tua janela
como se te quisesse saudar.
Mas nunca me lamentes
apenas deixa que no verão
as gotas de orvalho
salpiquem a tua cara
e sente-as como se fosse eu
como se fossem os meus lábios
permite que a brisa do mar
invada suavemente os teus cabelos
e os lance no reboliço como se pairassem
por força das minhas mãos
vá ... deixa-te bailar suavemente na ode da vida
e vive-a de uma forma imensa e pura
como quem sente,
como quem ama
como quem sofre.
Mas não te impeças de sonhar
e vive cada nova gloria numa entrega
cada dança, como a dança da menina ave que sei
deixa-te pairar sobre os céus...
como se anjo fosses
sem temeres o frio ou o anoitecer
pois irei abraçar-te
nos teus sonhos
e velarei por ti para sempre...
enquanto dormes
quarta-feira, outubro 22, 2008
seis coisas ou a resposta a sugestão deixada pela Carol
Seis coisas de que gosto
A minha família
Os meus amigos
Poesia
Conversar
Viver
sonhar
Seis coisas de que não gosto
Hipocrisia
Desdém
Corrupção
Pessoas apáticas
Vazio
Solidão
Seis coisas que me fazem sorrir
uma boa conversa entre amigos
momentos de partilha no seio da família
0 nascer e o por do sol
ser bem sucedido quando ajudo os outros
o facto da minha mãe me dizer diverte-te cada vez que termina uma conversa seja pessoalmente ou ao telefone
ler uma boa história
Seis coisas que me deixam triste
pessoas sós
falta de entre-ajuda
o desamor
A indiferença
cidades cheias de gente e vazias de pessoas
A política mesquinha de quem não vive as dores das pessoas e fala como se fosse senhor de todas as verdades
Seis coisas que me definem
A poesia
A amizade
A entrega
As minhas colecções (de lanternas e canivetes)
O querer fazer sonhar
a busca do A… que não encontro talvez porque o busque tanto
quinta-feira, outubro 16, 2008
Esta semana em mim
Aconteceu tanta coisa tão depressa.
Dias de tristeza e de alegria
Limites que superei sem pensar conseguir faze-lo
Momentos de vazio e de fulgor.
Segunda derrubei-me
Terça renasci
Quarta percebi que estou mais forte
Quinta dou-me aqui
Sexta será o que for ou o que vier
Torrente, mar chão ou intempérie
Possa eu flutuar fim de semana a dentro
e repousar depois no ninho
Que mesmo os mareantes como eu precisam de cais
E eu preciso tanto descansar
Navegantes unam os ombros como muralha
Suportemos-nos uns aos outros
Chega de olhar o chão como se fosse olhar para ontem
Chega de carapaças confortáveis
Não custa assim tanto estar atento
A dor dos outros as vezes diminui com um sorriso
Com um abraço, até com um livro....
Fazer sorrir é tão bom
E as vezes é preciso tão pouco..
Chega de depressão e de corre corre
Chega de desculpas
Precisa-se de gente atenta e consciente
Chega da crise ...
Não têm de ser como eu ...
eu sei que ser eu as vezes é de loucos
Não vos pedia isso...
Têm apenas de olhar, ver e sentir
Vão ver que há tanto que pode ser feito para inventar um mundo novo
Conto convosco,
Contem comigo
Segunda estarei pronto para as guerras todas.
Ah e se faz favor... divirtam-se
domingo, outubro 12, 2008
para A
para que não te esqueças de sonhar
SÍSIFO
Recomeça....
Se puderes
Sem angústia
E sem pressa.
e os passos que deres,
Nesse caminho duro
Do futuro
Dá-os em liberdade.
Enquanto não alcances
Não descanses.
De nenhum fruto queiras só metade.
E, nunca saciado,
Vai colhendo ilusões sucessivas no pomar.
Sempre a sonhar e vendo
O logro da aventura.
És homem, não te esqueças!
Só é tua a loucura
Onde, com lucidez, te reconheças...
Miguel Torga
sonha
sonha comigo
sonha connosco.
lutamos juntos
terça-feira, setembro 30, 2008
os tais dias melhores
estava confrontado com uma situação que gerei e que teve resultados que não previa, como daquelas vezes em que estamos a construir um castelo de peças de domino e derrubamos deliberadamente uma peça por nao estarmos contentes com a posição em que ela está mas não vemos que a seguir a ela vai cair uma, e outra e outra.. e pronto castelo ao chão.
para quem costuma ser um teorico da entropia ( como diz o grande João) devia ter pensado em todos os cenários, avaliado as consequências, colocado pesos na lingua que eu já não tenho nem cabeça nem idade para a ter tão solta, mesmo que o que diga seja o que sinta... mesmo que o que fale seja sobre o que me doi...
Como não antecipei o que fiz a tempo não me resta outra medida que não assumir os resultados do que disse e vou/estou a faze-lo... o melhor que sei.
Mas eu não quero, não estou aqui para falar nisso.
estou aqui porque cheguei a conclusão que não quero/não posso deixar-me derribar.. sei que o que não nos mata torna-nos mais fortes e ainda vou gostando de estar por cá, por isso é tempo de ir a luta, de arranjar sonhos, de viver o dia a dia.
Afinal os dias melhores só surgem se os fizermos melhores.
nisto o tio S da minha grande amiga A tem razão e é algo que subscrevo e é válido para todos os que se deparam com agruras na vida...
disse-o isto tanta vez a tanta gente e devia ter pensado nisso quando me senti a cair...
a questão é que sempre tive mais facilidade em pensar nos outros do que em mim, a minha amiga A já mo tinha dito, a M e a ML também, mas a minha amiga I, que de resto encontro como por acaso sempre que um de nós está confuso, soube-mo dizer de forma tão contundente que tive mesmo de pensar no assunto ...
de facto não sei pensar em mim...
ergui uma barreira securitaria a minha volta, fiz-me reforçado, valorizo a minha capacidade de resistencia a toda a prova, o antes quebrar que torcer, armo-me em forte..
pensando bem ... mesmo as colecções que faço, a de lanternas e a de canivetes tem a haver com isso... gosto de me sentir preparado venha o desafio que vier.
as vezes acho que sou uma tartaruga com carapaça dura... muito dura... o problema é que quase sempre o coração anda tão mole que crio conflitos dentro de mim que não sei gerir...
Tinha, tenho para mim até agora que a minha maior limitação, o meu maior medo era não ser amado ... é não ser amado, mas não sabia e hoje já sei, que na minha busca do amor andei tão perdido que ora não vi que o era ora afastei mesmo a hipótese do ser, como se fosse um cão que não se sabe se está a correr atrás da sua cauda ou a fugir dos seus dentes....
A minha amiga I mostrou-me que isso era errado ( truque n. 1 para quem gosta de apoiar os outros - o banco do terreiro em frente ao bar os Filpes em Leiria governa como spot para falar), fez-me pensar em mim, pensar no que sou...
disse-me que não posso pensar nos outros como penso sempre, que tenho de reservar espaço para as minhas batalhas, os meus sonhos...
e eu estou decidido a faze-lo pois sei que se o fizer ficarei mais forte...
continuando sempre alerta para os que passam no meus dias claro.... afinal há bichinhos que não se perdem.
Quero agradecer aos que me leem pela visita constante e pela forma como se mantêm presentes, agradecer ao tio S da A, pelo comentário no outro espaço, reflexo disso é o título deste comentario.
Agradecer à minha outra amiga A, futura socióloga que anda alidar com terras de Lisboa e que me trouxe devaneios doces de viagens e alegrou o dia.
Agradecer a minha amiga Re do café que me encanta o estomago, que soube estar lá e entendeu que não estava tão bem como dizia.
Dizer a Piquenatonta que estou contigo nas batalhas que travares, dizer-te que faço parte da tua muralha de ombros e que juntos somos fortes...
Dizer a A que ela é uma pessoa muito especial, que vai saber dar a volta aos dias maus e que pode contar comigo para a ajudar a devolver-lhe toda a luz mágica que ela dá ao mundo.
Dizer a Ml e a M que sempre as tive.. tenho como pessoas especias e que agradeço terem tentado abrir-me os olhos mesmo sem que eu o conseguisse fazer....
sei que as vezes é preciso paciencia de job
e claro dizer a I que adorei a conversa de ontem e a forma como me abriu os olhos, esperando que ela me deixe fazer o mesmo, noutra conversa de banco, para que ela pereceba a luz que mora no sorriso dela.
hoje é o primeiro dia do resto da minha vida
uma nova peça de domino para edificar um novo castelo.
segunda-feira, setembro 29, 2008
basta
basta de paz podre
basta de promessas que não se cumprem
basta de gestos que se concretizam sem vontade
basta de quereres bem quereres que mal me querem
basta de sonhos adiados e odiados
basta de amores que se desamam
basta de laços que se desunem...
basta do sonho que não se concretiza
basta da esperança no amanhã
basta do amanhã
basta do hoje
basta do agora
basta de tudo
ando cansado
cansado de mim
cansado dos meus gestos
cansado dos meus sonhos
cansado dos meus laços que se desenlaçam
cansado das fidelidades que se apagam
cansado das amizades e familiaridades eternas que se esbatem
cansado da minha cabeça que não se desliga
cansado deste vazio que ninguem alcança nem percebe
cansado de me terem por forte
cansado de se ficarem quando digo que "estou bem"
cansado de escrever sobre o que não vivo
cansado de sonhar com o beijo que não dou
cansado de me levantar dia após dia
gostava tanto de poder dormir uma semana,
não... dormir um mês...
viajar só numa terra desconhecida...
assumir a renuncia de tudo...
chegar ao vazio dos vazios
o vazio em que não estaremos realmente sós
porque saberemos depois de o atingirmos
estar connosco
terça-feira, setembro 09, 2008
SE EU TE ESQUECER
As flores deixarão de florir
As estrelas irão desertar dos céus
As andorinhas irão deixar de fazer ninhos
Os rouxinóis irão esquecer-se de cantar
Se eu te esquecer
O norte deixará de ser onde é
Os marinheiros irão perder-se no mar
As baleias não poderão guiar-se
As marés deixarão de beijar a areia
Se eu te esquecer
Deixará de fazer sentido o nascer do dia
Não valerão de nada as cores do pôr-do-sol
A noite será escura e perpétua
Prisioneira amordaçada do suceder das horas
Se eu te esquecer
As crianças deixarão de ter porque sorrir
Desalinhar-se-ão todas as notas musicais
O silencio será devastador
A pele irá enrugar-se por desistir do toque
Se eu te esquecer
Os sítios onde estivemos
Os olhares que trocamos
As conversas que tivemos
Serão escolhos de alma arrancados da imaginação
Se eu te esquecer
Irá findar-se a tua luz que trago em mim
Findar-se-ão os sonhos e a vontade de sonhar
Tornar-me-ei banal vegetativo desistente
Escoria de luz atirada pelos ventos
Se eu te esquecer
O princípio será o fim
E o fim o principio de todas as coisas
O horizonte uma prisão perpétua
O nada tudo e o tudo nada
Se eu te esquecer
Não valerá de nada o que já fui
Não quererei saber o que serei
Os abraços irão cerrar-se cansados de ser porto
Falirá para sempre o coração
Se eu te esquecer
Irei esquecer-me das viagens que não fizemos
Dos planos que não realizamos
Dos projectos adiados e adiados
Dos beijos que não ousei dar-te
Se eu te esquecer
Ficará na minha alma...
A mais rasa das tábuas
O mais desértico dos desertos
A mais inexpugnável das montanhas
Se eu te esquecer
Irei deixar-te ser ave que és para defrontares os céus
Irei deixar de querer voar sem conseguir.
Renunciarei a proteger-te
Irei enfrentar a finitude que as palavras não alcançam
Serei escolho
Vácuo,
Beata,
Resíduo,
Degredo,
...nada
serei o nada
o nada dos campos vazios onde nascem papoilas
o nada dos desertos onde despertam os rios
o nada do vento onde planam as aves
o nada desta folha branca onde escrevo tudo
o nada da alma em que se erguem os sonhos
o nada que pode ser tudo...tudo o que puder ser.
quarta-feira, setembro 03, 2008
e se a saudade fosse outra coisa- um comment ao blog da lisa que se tornou post
se não tivesse a dor a que nos habituamos???
se fosse a falta do toque???
e se o toque de repente fosse tudo???
e gesto a gesto se descobrisse o mundo.
as vezes parece que a pele cria laços com a pele da pessoa querida...fica refem dela...
o corpo da por si a pedir o corpo... o carinho a pedir carinho...o sonho a pedir sonho...
a ausencia do outrem assume-se como um quase intervalo entre o sonho que já foi e que ainda não aconteceu..
damos por nós na falta do outrem a preencher vazios na memória...
como se o outrem estivesse sempre presente...
como se não se tivesse ido...
como se as nossas células e as da outra pessoa ainda estivesserm ligadas...
sexta-feira, agosto 15, 2008
saudades
segunda-feira, julho 28, 2008
A Voz do Silêncio
Vergílio Ferreira, in 'Espaço do Invisivel I'
quinta-feira, julho 10, 2008
pára
Não eu não tenho medo do toque... não me assusta a pele.... não me abomina o sexo... eu simplesmente não estou para isto.... não nasci para isto....
Meti na cabeça que a essência é mais forte, que a alma tem luz, que o sorriso é vida.....
Que os olhares falam..... que há silêncios cúmplices.... que é importante estar ai.........
Que é importante estar presente....
Não... eu não entendo o queres dizer quando dizes - “tens de deixar que eu sinta a tua falta... tens de me deixar ter sede”
Mas eu quando não estou contigo tenho sempre sede... sinto sempre a tua falta.... tu não???
Quantas horas ou dias são precisos para que isso aconteça.... qual é o segredo do tempo que ainda não sei....
Que sentido faz querer falar contigo e não poder porque tenho que deixar que sintas a minha falta.....
É que eu sempre fui atras ... se gosto gosto, se gosto dou-me ... nunca entendi os meios termos, os joguinhos......
As cores da vida não me ensinaram a sedução do vermelho dos seus tons...... sempre apregoaram a transparência cálida da alma... a pureza do sonho....
É preciso ser recto e verdadeiro... foi o que aprendi com os filmes de cavaleiros andantes e cowboys com que cresci...
Sempre me entreguei todo... qual é a metade que não posso dar-te para que sintas falta dela.... diz-me... como posso esconder-te essa metade...
Eu nunca quis nada disto....porra... mergulhar nos teus olhos sempre foi muito mais que qualquer outra coisa.....
Sempre foi muito mais que .... tudo....
Eu só queria ser ave.... sabes.... nunca fiz parte deste jogo... nunca aprendi as regras..... os códigos... o não mostrar o baralho... o não dar tudo logo.... o não ser assim logo ...
Para mim um sim é um sim e um não é um não... ainda não entendo os sins e os nins... nem essa coisa abstracta que é o “não mas fiquei a pensar”... ou o “sim e depois se vê”
Abomino a incerteza e o “não é definitivo mas sabe bem....saboreia” ... e depois sempre desprezei as curtes ........
Cada gesto é demasiado valioso para ser mandado ao ar....
Quando se beija mesmo que para “experimentar” ficasse preso...dá-se sempre alma e
quando se da a alma ficasse agarrado... deixasse de ser um... não se fica indiferente... quando se dá a alma... abdicasse de ser uno para só se conseguir ser uno com qualquer coisa que nos é dado pela pessoa amada... e a pessoa amada só fica una com qualquer coisa que lhe demos quando abdicamos de ser perfeitos para amar.
Já alguma vez reparas-te que o coração que aprendemos a desenhar desde miúdos não é um coração apenas mas dois corações sobrepostos unidos entre sí... não um elemento único mas duas metades esquerda e direita que se unificam para dar a algo novo.
Como é que se abdica disso.... como é que se fica depois de se dar e se perder????
No amor como na guerra depois da batalha os corpos moribundos jazem pelos campos e os despojos espalhados são entregues ao vencedor......
No amor como na guerra ganha-se e perde-se, erra-se o alvo.....Fintasse a vida.....
O problema é que com o fim dos anos perder a batalha se torna cada vez mais avassalador... as feridas do velho guerreiro saram mais dificilmente, as cicatrizes ficam mais duras...
E se eu não conseguir sarar as feridas depois de tu deixares de me querer???
E se eu não conseguir abdicar da tua metade que me deste e que mora em mim????
E se eu gostar do teu beijo.......??
E se eu quiser que o beijo seja para sempre...???
Se me apetecer parar o tempo....???
Dar-te um beijo seria como ser cego e ser-lhe dado o prazer de ainda que por segundos voltar a ver a luz...
Como ficarei eu depois de ser devolvido à escuridão....
Como ficarei eu depois de ver as cores da vida.... as formas das coisas forçado a abdicar delas...
Como voltarei eu à negritude forçada depois de ter visto o meu mundo todo alterado... depois de me ter sido possível mergulhar em algo muito mais luminoso...
Como poderei eu mover-me se a percepção que tinha das coisas nunca mais será a mesma....
Pára .....
Espera....
Não... não tem a haver contigo...
Não... não perdi o interesse...
Não... não há outra...
Eu só tenho medo de ficar ligado a ti...
De não conseguir depois voltar a ser o que sou...
De não conseguir viver depois de te ires...
De beijar o lado de lá da lua, aquele lado que é reservado aos sonhos e aos elfos..
E depois como terrequeo finito que sou ter de viver sem ve-lo.....
De não conseguir nunca mais... respirar longe dos teus lábios...
De não conseguir voltar a ir-me...
sexta-feira, junho 27, 2008
A negação do anjo
Sou poeta perdido não sei onde vou
Mas a verdade é que não importam os caminhos
A meta as vezes não é o horizonte
o que importa é o sonho
e o que sentimos bem dentro do peito,
bem dentro da alma, bem dentro da vida
Metade qualquer arrancada de nós
Por isso talvez perdido me encontre
Em cada olhar que canto...
Em cada gesto que guardo
Pedaços da vida que passam por mim
Por isso talvez... o sentir que me acho
Na tua voz, no teu olhar, no teu sorriso
Naqueles momentos raros em que te encontro
E em que o tempo parece não passar
Por isso a memória de cada momento
De cada abraço, de todas as conversas
A lembrança dos passos... passo a passo
que demos na vida
Por isso cada pedaço de papel que guardo e canto
Por isso esta angustia de saber que as vezes para lá do beijo
As vezes para lá do que dizem viver
Nas sortes do amor o mundo gira ao contrário
Por isso esta dor que as vezes mora em mim
Porque sei que ter não importa
Porque sei que venha o que vier
Estamos mais perto do fim
Porque há cada vez mais alguma dor
A bater em cada porta, a esconder o olhar
Porque sei que há cada vez mais braços no ar
Pessoas que teimamos em não ver
Por isso este meu ar desprendido
Que se prende em pequenos instantes
Que o tempo, os medos...e os desassossegos
parecem não levar
Por isso este meu despir da mascara
Este não ter carapaça, este não entrar no tom
Eu sei que sou desalinhado
Mas quando o que importa é dar isso até é bom
E eu sei que sou extravagante
Sei que não me encaixo
Sei que não pertenço
Mas sei que não me escondo
E mesmo diferente
Sei que não me vergo
Sei que não me rendo
Sei que me dou
E por isso escrevo
Por não poder calar
Um beijo na praça
Uma mão a acenar
E venha o que vier
Sei que canto os sonhos
Pedras emoções
Feita de sentimentos
Guardadoras de paixões
E sei que canto acesos
Os dias que guardo
Lembranças que vivo
Até ao fim da alma
E sei que há em mim além do nada
Não um deus, um anjo, ou um cavaleiro andante
Mas apenas alguém que sabe que as vezes
Cada gesto é importante para elevar um coração
Alguém que farto de corações partidos, chamas apagadas....
Campos vazios que já não são lavrados pelas enxadas da paixão
Não se rende e não desiste.... sobretudo não se esconde...
Dá-se e é.
E acima de tudo...
Canta o sonho.
terça-feira, junho 24, 2008
eu sou
um intervalo no espaço
uma pedrada no charco
um embaraço
um naufrago perdido
sem querer cais
um poema esquecido
que não digo mais..
a saudade da voz
do sopro que das
um sonho passado
que não volta atrás
a lamina afiada
do meu canivete
o gesto magoado
num bailado qualquer
enfim talvez marasmo...
mas sobretudo sou....
ser....
mas sobretudo..
existo....
mas sobretudo ...
sou.....
mas sobretudo....
dou...
e assim aconteço...
e percebo porque existo...
mesmo que as vezes
seja vão
seja louco
seja só...
quinta-feira, junho 12, 2008
cada um de nós
sexta-feira, maio 30, 2008
Saudade....
A ausência diminui as paixões medíocres e aumenta as grandes, assim como o vento apaga as velas, mas atiça as fogueiras.
(Anónimo)
A casa da saudade chama-se memória: é uma cabana pequenina a um canto do coração.
(Henrique Maximiliano Coelho Neto - Romancista e contista brasileiro - 1864/ 1934)
Aquele que inventou a distância não conhecia a dor da saudade... (Anónimo)
Como é bom contemplar o céu, interrogar uma estrela e pensar que ao longe, bem longe, um outro alguém contempla este mesmo céu, essa mesma estrela e murmura baixinho: "Saudade!"
(Anónimo)
Debruço-me na sua ausência como se o vazio dotado fosse de ombros largos, cor, calor e pudesse me ouvir ao relento roçar o ponto mais sensível da imensa falta que você faz.
(António Carlos Mattos)
Saudade são águas passadas que se acumulam em nossos corações, inundam nossos pensamentos, transbordam por nossos olhos, deslizam em gotículas de lembranças que por fim, morrem na realidade de nossos lábios.
(Anónimo)
Bom fim de semana.
amigos...
que a chama da saudade converta um dia em solo fertil os terrenos que a dor deixou por arar.
Quando isso acontecer talvez voltem a nascer papoilas em todos os corações
quinta-feira, maio 01, 2008
A cor da vida
O azul do oceano à beira da praia.
O branco da neve das montanhas altas
O rosáceo vermelho das papoilas vermelhas
O amarelo dos campos a pedir primaveras
O castanho das folhas a despedirem-se do verão
O negro dos céus pejados de estrelas
O bege da areia que guardas nos dedos
As conchas cinzentas com que enfeitas castelos
O branco e amarelo dos ovos estrelados
O transparente da água com que molhas os lábios
O voar das joaninhas vermelhas e negras
As crianças que correm no verde dos prados
O branco e o negro das calçadas da rua
Que pisas pé no branco, pé no negro
como se o universo fosse e trilhasses caminhos
Nos quadradinhos do mundo
O vermelho das rosas
e o azul dos jasmins
Flores querubins
Que lembram amores
o laranja da cenoura
que torna belos teus olhos
e que enfeitas o nariz
do boneco de neve
os mil tons vermelhos do pôr-do-sol
João pestana do dia
e o despertar da lua
na viagem do sonho.
O saltar verde e amarelo
Da bola com que rodopio a rodopio
o ronaldo brincava em criança
ensaiando marcar os golos do futuro
as mil cores do arco-íris
que surgem no céu só para te dizer
que a chuva se vai e o sol regressa
para poderes brincar
os salpicos cinzentos da lama
que trazes na roupa
quando brincas a chuva
e pulas nas poças
todas estas são as cores
que podes usar para colorir a vida
ao ritmo dos teus sonhos
porque o amanhã é o futuro
e as cores da vida estão em tudo
para colorir o teu sorriso
para acender o teu olhar
para aquecer o teu abraço
e dar asas ao teu sonhar
porque afinal
mais do que tudo isto
a cor da vida
é a luz da tua alma
menina criança
homem do amanhã
fonte de esperança
de que o mundo tenha cor
porque afinal
es tu
quem aprendiz de feiticeiro
pinta o infinito dos sonhar
porque afinal
a cor da vida
a cor da nossa vida
és tu
domingo, abril 27, 2008
Sobre o Poema
na confusão da carne,
sobe ainda sem palavras, só ferocidade e gosto,
talvez como sangue
ou sombra de sangue pelos canais do ser.
Fora existe o mundo.
Fora, a esplêndida violência
ou os bagos de uva de onde nascem
as raízes minúsculas do sol.
Fora, os corpos genuínos e inalteráveis
do nosso amor,
os rios, a grande paz exterior das coisas,
as folhas dormindo o silêncio,
as sementes à beira do vento,
— a hora teatral da posse.
E o poema cresce tomando tudo em seu regaço.
E já nenhum poder destrói o poema.
Insustentável, único,
invade as órbitas, a face amorfa das paredes,
a miséria dos minutos,
a força sustida das coisas,
a redonda e livre harmonia do mundo.
— Embaixo o instrumento perplexo ignora
a espinha do mistério.
— E o poema faz-se contra o tempo e a carne
quarta-feira, abril 23, 2008
A Vida como Luta entre a Realidade e o Sonho
A vida é uma luta entre os seus aspectos revelados e o limbo em que eles se perdem e ampliam até à suprema distância imaginável; uma luta entre a realidade e o sonho, a Carne e o Verbo.Entre nós, o Verbo não encarnou inteiramente. Somos corpo e alma, verbo encarnado e verbo não encarnado, a matéria e o limbo, o esqueleto de pedra e um fumo que o enconbre e ondula em volta dele, e dança aos ventos da loucura...E aí tendes um pobre tolo sentimental, uma caricatura elegíaca.Neste limbo interior, neste infinito espiritual, vive a lembrança de Deus que alimenta a nossa esperança, e transfigura esse bicho do Demónio, que anda por esses boulevards, vestido à moda ou coberto de farrapos.Ardemos num incêndio de esperança, para que reste de nós uma lembrança, um fumo que sobe e não se apaga.Tudo é memória: um fumo leve, em mil visagens animadas; ou denso, em formas inertes e sombrias; e, ao longe, a grande fogueira invisível que os demónios e os anjos alimentam.Vivo, porque espero. Lembro-me, logo existo."