Acerca de mim
- milhafre
- Quem sou eu...... as vezes queria ser apenas um escolho atirado aos ventos. outras a minha faceta de louco faz-me querer enveredar por caminhos que desconheço e espanto-me a mim próprio. diria que sou alguém que aspira a ser simples e a quem o corre corre dos dias parece estrangular as vezes deixando as palavras e os sonhos amordaçados na garganta. se um dia me for espero ser lembrado como um bom amigo .
sexta-feira, novembro 29, 2019
Ser invisível sem o ser
Gota de água caída na flor dos olhos
Por já não se sorver de sonhos
Ser ausência só na ausência
Restolho de mim mesmo
Nada de nada feito
Pleno de afetos por sentir
Transparência
Ser espelho de olhos espelhado
de um olhar findado por todos os olhares
Perfil ténue visível de um rosto que surge sem se ver.
Marca de quem está a sentir que não se está
Respício que não estando ainda fica em nós
como se sempre nos tivesse pertencido.
Transparência
Ser cavalheiro mesmo que ultrapassado
Retilíneo, verdadeiro ou apenas vácuo
Vazio fracassado num final de história
Perene e indelével como gota de água
A querer dar outros fins à história
Vago e submisso como o mais infindo dos mares
Para lá de todas as hipóteses de ser terra prometida.
Transparência
Ousar ser… sem querer ser
Ousar ficar vazio de luz até ao fim da alma
Para ser um dia restolho atirado aos ventos..
Mesmo morrendo a cada dia na partida
Mesmo depois de ser nada... nova esperança
Arrancar de nós todos os sonhos
Até estrebuchar a essência
Para que um dia seja possível refazermo-nos
Transparência
Para lá de todas as torrentes
Muito além de todo o caos
Mesmo que enfermo e dilacerado
Ser subtil na jura para podermos dar-nos com afinco...
Ousar sonhar, ousar ser
Ousar dar-me mesmo morrendo-me a cada dia vão e escasso.
vez após vez como na vez primeira
Transparência
Um olhar... O teu olhar só o teu olhar
doce e verdadeiro
Capaz de acender sem o saber
os astros, o próprio sol,
a luz do dia sublime de ternura.
Para devolver ternura a todas as coisas
Espelho de vida que devolve vida
de todas as formas.
Transparência.
Uma cor sem cor
Um som maior que todos os sons
Um olhar teu por todos os olhares
Uma palavra minha maior que todas as palavras
Um silêncio mais belo que tudo..
Sintonias. Sim sintonias..
Plenas sublimes vindas do nada...
Só para nós lembrar que estamos vivos.
sexta-feira, outubro 11, 2019
Eu como ando com a cabeça em turbilhão tenho querido abster-se de me meter nestas coisas, mas como tudo está a assumir uma gravidade tão mas tão grande tenho de mesmo a contragosto romper o silêncio.
Qual é realmente o problema que estão a ter com a eleição da JOACINE?porquê esta questão com a gaguez? Temos deputados que em quatro anos de mandato não tomaram a palavra uma vez sequer, que não se manifestaram sobre nada, que não produziram nenhuma proposta de Lei ou recomendação.... Ora não consta nos registos que tivéssemos alguém em estado vegetativo no parlamento. Ou será que tínhamos?
Opa ser gaga vai fazer perturbar os tempos do parlamento? Tretas. Já pensaram que na cabeça dela, para lidar com a sua situação ela vai ter as ideias duas ou três vezes mais ponderadas,??que vai estar mais focada??
Dai gaguejar menos quando discursa do que de improviso. Sim isso é perfeitamente normal ou será que não? Será que é preciso ser ator para saber isso???
O que??? É por causa de ter sido fotografada com a bandeira?! Eia pá que grave!!! Não interessa se a bandeira era dela.. Que não era... E se fosse? Vamos lá ver se o Pepe, depois de uma boa exibição na seleção fosse fotografado ao lado de conhecidos com a bandeira do Brasil não era grave pois não? Porque dá jeito é isso... Porque se nos servem já podem ter raízes??? Porra ainda bem que têm raízes, ainda bem que as manifestam. Ainda bem que participam. Democracia é isso. Se estão mal votem na próxima... Sim porque muitos dos que se opõem agora nem sequer votaram porque não valia a pena.
Pessoalmente estou mais preocupado com outras coisas.
Não o ventura, esse não me assusta.... Sempre gostei mais de ver inimigos nos olhos que minorias camufladas armadas em salvadores da pátria. Ele nem sequer é novo no parlamento.
Pelo menos agora já não podemos erradamente assumir que não há uma extrema direita em Portugal.. Agora temos de ser responsáveis.
Preocupa-me sim a erosão da direita, não porque seja de direita nada disso.. Apenas porque para chegar a sãos consensos faz sentido que os pratos da balança estejam equilibrados.
Ah e porque não sou perfeito confesso que o revirar dos olhos do outro gajo me deixou intimidado... Coisa do demo?? Porque será que não há uma petição para averiguar isso???
quinta-feira, setembro 05, 2019
Nem permaneças como rochedo indiferente aos tempos...
nós não nos vamos nem ficamos...
apenas fluímos no rio da vida.
e nos novos rumos que rumarmos haverão sempre momentos verdadeiros...
tão nossos que ficarão sempre lá....
para que possamos... mesmo que em vão....
ousar partir....
sem nos findarmos....”
quarta-feira, agosto 28, 2019
Foi escrito há oito anos mas o Facebook trouxe-mo hoje à memória como pinta de quem sabe que me ando a questionar sobre se crescer não será desaprender.
Escrevi-o aqui e agora vou publica-lo no meu blog revindicando a necessidade imperiosa de todos nós sermos fieis ao sonhos.
Marta Pinto, não querendo esquivar-me do desafio decidi chamar-lhe magia.
Magia.
O segredo das crianças não é a inocência mas por contrário a sensibilidade que as faz ter uma visão do mundo muito mais simples e verdadeira do que a vemos agora.. Com menos medos do que os que temos, com mais capacidade de comunicar ... com mais entrega ao outro, como igual, na partilha dos sorrisos, para vencer as lágrimas. Acreditar é possível. Sonhar é possível. Fazer viver a magia da criança que mora em nós é possível.
Sonha e dá.
Ri e recebe.
Pinta o mundo com todas as cores da vida
terça-feira, agosto 13, 2019
Amizade
Não percebi no inicio porque hesitei em faze-lo, não entendi a minha recusa, quase à partida para faze-lo em poesia….
A pessoa que me sugeriu esse tema está no fulgor dos tempos, é uma fabulosa aprendiz da vida e sabe a intensidade dos abraços e sorrisos que dá, da mesma forma que conhece a energia dos seus cabelos revoltos mas magníficos…
O quanto ela, os cabelos e os abraços são aconchego…
É AMIGA por inteiro e não foi por não saber o que é amizade que ela me pediu para escrever sobre isso.
Essa pessoa é um espirito livre… solta, intensa na amizade e na entrega… sabe o valor do sonho, mas sabe que os sonhos só conseguem ser alcançados se em conjunto… sabe que importa não deixar ninguém para trás, e não o faz, nas várias áreas e dimensões da sua vida.
Acredito que irá ser assim sempre, pois creio que não irá deixar o passar dos anos vergarem-lhe o intento….
Será com certeza uma escritora magnifica, porque quer aprender e porque há nela tanto de pureza como de entrega e acredito que aos olhos dela o mundo dificilmente será cinzento ou amorfo… por isso da escrita dela, quando aprender a verter as flores da alma para o papel nascerá sempre algo de esperança, algo de aconchego.
Talvez por isso tenha resistido a escrever sobre a amizade em poesia….
Porque a poesia obriga a uma coerência mesmo que na incoerência, e é para mim difícil falar sobre a algo livre dentro da prisão das estrofes.
Espero que essa pessoa não se sinta defraudada por lhe responder desta forma ao desafio lançado.
Ontem outro alguém que estimo muito, alguém que é também guerreira até ao tutano, alguém que é viajante e ávida de sonhos, alguém que é (mesmo para mim… eu que sou guerreiro habituado nas desmandas da vida, eu que tantas vezes não quebro), um magnífico exemplo de superação não só por tudo o que passou, mas também por toda a sabedoria e essência com que o fez, falou-me mais uma vez da vida, demonstrado mais uma vez a sua essência, mas desta vez fê-lo não guerreira como me habituei a vê-la, não plena e quase hercúlea como me habituei a senti-la… mas cansada…. Quase como se o cansaço fosse não físico mas interior, quase como resignação.
Dizia ela que às vezes a vida em geral é triste … que “a maioria das pessoas vive aprisionada a vida toda na rodinha do rato e não se questiona... vivem para ganhar dinheiro, por este ou aquele motivo … e no fim da linha vai –se a ver nunca viveram … porque estiveram sempre ali e não saíram do lugar…”
Dizia ainda essa pessoa que “ter essa consciência era triste” e que não sabia se as outras pessoas a tinham ou se era ela que “pensava demais….”
Essa pessoa não sabe que tenho lido e relido as mensagens que me mandou ontem…
Sabe o que lhe disse, que o que ela escreveu me remeteu logo para Albert Camus e para o seu Calígula, que citei no último texto que escrevi…
Soube, porque lho disse, imediatamente, ainda que que de forma não estruturada, que quase como ela, o Calígula de Camus, disse a Hélicon “os homens morrem e não são felizes” .
Que o personagem de Camus como ela refletia sobre o facto dos outros saberem ou não isso. Questionava aliás sobre … como é que sabendo isso eles não deixavam de comer ou dormir??….
Que, como ela, Calígula manifesta a necessidade de espaços abertos, “da lua ou das estrelas” …
Saberá ela antes de vocês, porque a citei e como tal é justo que ela saiba antes e autorize a contar-vos… que o pensar dela não é um “pensar demais”, nem é como a viu Camus um misto de loucura ou de absurdo, mas de forma clara, algo que é indispensável à vida, quase como uma condição de sobriedade que vem da essência das coisas…
Que ela, como eu, como Camus, como Hemingway e aliás como muitos de vocês, que às vezes, tantas vezes nos sentimos a ir… como se “estarmos a ir” fosse condição essencial para se ser, como se ser feliz fosse qualquer coisa de inatingível e não concretizável.
Somos o que somos se nos questionarmos, se almejarmos ás coisas simples, se nos atrevermos a sonhar com o infinito….
Se respeitarmos o ínfimo das pequenas coisas….
Se não nos rendermos ao vazio…
Se não ousarmos viver ante e além da dor…
Perguntar-me-ão o que é que estar a ir, a loucura, em suma toda a parte final do meu desabafo tem a ver com a amizade e com a pessoa que me desafiou a escrever sobre esta tema….
Pois bem à primeira vista nada e no ínfimo tudo… a verdade é simples… na vida ou na morte só se perpetuam os laços que mantermos, os bons gestos que fizermos, os sorrisos que ajudarmos a florir nos rostos dos que passam por nós…
Só essas pequenas grandes coisas são, depois da nossa morte, as marcas que deixaremos, as memórias que restarão de nós… a nossa quase sublime eternidade… talvez o único fértil e desafio à nossa finitude.
São em vida esses pequenos gestos, nos nossos encontros e desencontros, na nossa entrega ao próximo e ao outrem, as nossas pequenas âncoras, o último baluarte que nos impede de andar definitivamente à deriva, a boia que nos permite irmos e voltarmos ao vazio.
Se há algo que aprendi na vida é que a boia que nos impede de ir e voltar no fio da vida é precisamente a amizade….
É ela que por ser imensa nos liberta para podermos voar,
Por ser solta nos dá lastro….
Por saber o valor dos abraços nos mantém no corpo…
Por nos recordar nos faz presente….
É ela que por estar lá, como farol .. nos permite reencontramo-nos mesmo quando nos perdemos…
Que sabe o valor de uma lagrima e o por isso sabe que elas só devem ser despejadas no aconchego dos ombros…
Que a vida só faz sentido no aconchego dos ombros para que possamos sem medo viver ao máximo, cultivar afetos, viver mil viagens interiores sem medo de nos esfumarmos….
Porque eu não era o mesmo hoje se não vos tivesse conhecido…
Porque nenhum de nós seria o mesmo sem as marcas de bem querer de quem passou por nós.
Por tudo isso, e por tudo o mais que for preciso, obrigado pela vossa amizade.
quarta-feira, agosto 07, 2019
Sabes o que percebi?
terça-feira, agosto 06, 2019
Quando não sabes voar....
terça-feira, julho 30, 2019
Tinha de voltar aqui
havia qualquer coisa que me impelia a para-lo, como se aqui estivessem repousados momentos e afetos que por força do tempo e da ausência ficaram amordaçados… como se retoma-los fosse ficar refém das memórias que ao longo dos anos que escrevi aqui fui derramando letra a letra, verso a verso.. desabafo a desabafo…
Acontece que percebi, mais por força da insistência de alguns, do que por revelação própria (sim porque nestas coisas de revelações não sou grandemente avisado, que ser inteiro era também dar continuidade a este recanto….
Dai ter voltado, não sabendo se me vão ler, não me preocupando em anunciar o regresso…
apenas a confiar no que vier….
deixo-vos um texto que escrevi no inicio de 2019 e que esteve no meu face…..
porque aqui… mais do que outro lado qualquer é o espaço dele…
para que não fique ele próprio perdido no pensamento que formulou…
chama-se perdi…
Espero que gostem.
quinta-feira, outubro 25, 2012
FARTO
Tenho de estar farto
Temos todos de estar fartos.
Fartos de governantes que não conhecem o país real, com tanto medo que tem de sair dos gabinetes.
Fartos de representantes que não nos representam senão de quatro em quatro anos para nos cravar votos e que depois são apenas fiéis aos seus interesses, ignorando as vozes, os desejos, as aspirações e receios daqueles que representam por preceito constitucional - As mesmas vozes, desejos, aspirações e receios que deviam ser também os seus… uma vez que deviam ser deles fiéis signatários.
Fartos desta surdez que quem nos rege parece ter, indiferente aos alertas da sociedade civil, da maioria dos economistas e fiscalistas, bem como das restantes forças sociais, patrões, operariado, instituições de solidariedade social etc. … que alertam para a impossibilidade de continuar com esta receita de austeridade sob a pena de sangrarem o pais chupando toda a seiva produtiva incapazes que ficamos de face à delapidação dos rendimentos potenciarmos o consumo e o investimento inviabilizando assim a criação de emprego .
Fartos de estarmos desempregados, de termos pais, filhos, familiares e amigos desempregados e de vermos que apesar dos esforços para inverter a situação, por mais currículos que se mandem, por mais entrevistas a que se proponham, por mais quilómetros e quilómetros que façamos, ao fim do dia, dia após dia, o resultado é sempre o mesmo perante a incapacidade do mercado em nos absorver, mesmo que necessitando de mão-de-obra, por não ser possível comportar os custos de novas contratações.
Fartos de pais reformados, que toda a vida trabalharam e que deviam ter agora a justa recompensa pelo seu trabalho, serem agora também eles sugados, e pior que isso, ver nos seus olhos a descrença no futuro perante a insegurança em que vivem mas sobretudo a insegurança em que vão deixar os filhos e os netos.
Farto de saber que há fome, que há pessoas que não tem tecto e de perceber a ruptura das estruturas que os apoiam face ao aumento dos pedidos e a dificuldade que têm apesar do empenho de responder às necessidades.
Farto de saber o pais a envelhecer e de ver que apesar disso o nosso governo apela ao êxodo dos jovens - este ano quase 100.0000 - numa Diáspora forçada de quem não vê alternativas além da fuga.
Fartos de ver a dor desses que tem de partir e a mágoa de quem cá fica… pais que perdem a vivência dos filhos… filhos que perdem o apoio dos pais.
Fartos de termos de dizer adeus.. de partirmos ou de ver partir…
Fartos de perceber que tudo o que foi investido na preparação desses jovens , todo empenho e dedicação que eles tiveram é desperdiçado ao desbarato,
Fartos da ausência de quem faz falta nos locais de trabalho e não pode ser contratado e da exigência estúpida imposta a quem trabalha e que nos levam a aceitar tudo por mais que doa, por mais desvalorizados que sejamos, com medo de perdermos o emprego.
Fartos de ver empresas, lojas e serviços a fechar e de ver cada vez mais as cidades repletas de espaços vazios, marcos de um tecido produtivo a estagnar.
Fartos das lojas de venda de ouro que a troco de uma remuneração rápida, mas ao menor valor delapidam o património ancestral das famílias além do brio artístico de bem trabalhar as peças…
Fartos de comprar um mero artigo numa loja às seis da tarde e ver a dona da loja chorar a dizer que foi a primeira venda que fez no dia.
Fartos de ver pessoas a olhar para as montras das lojas, como peixes a olhar para fora dos aquários, sabendo que nunca poderão aspirar a comprar o que vêem.
Fartos de percebermos que apesar de tudo continuam a haver .. emprego, ordenados chorudos e regalias … para os mesmos boys, meninos de coro dos aparelhos partidários que nunca fizeram nada além de lamber botas numa jotinha qualquer.
Fartos de saber que cada vez mais a politica não é servir o povo mas servir-se do povo, repleto de deputados que se podem reformar ao fim de oito anos sem nunca ter dado o litro e de governantes que em surdina, mas à custa da cedência aos interesses privados preparam amiúde as repastas cadeiras em que sentarão os seus doutos cús na administração de um qualquer grupo privado ou PPP.
Farto da fraca qualidade dos nossos eleitos, sem carisma, sem capacidade de discurso, sem doutrina, lideranças fracas de um Portugal que se rendeu só porque a maioria de nós prefere sentar o cú nas cadeiras de casa ou do café e se abstém da participação política e até do voto.
Pior que isso farto de perceber que perante a cegueira de quererem ser fieis alunos, surdos reprodutor de um modelo irreal, ninguém neste governo percebe como eu já percebi, como quase todos nós já percebemos, que nada desta sangria vai resultar e que apesar do roubo a derrapagem do deficit continua a aumentar.
Fartos do vazio que é viver dia após dia, noite a noite na desesperança e na descrença em que o amanhã não é uma vivência mas uma sobrevivência.. Sem lugar para os sonhos.
Farto de não poder mais calar este grito
segunda-feira, março 12, 2012
fado de mim
Meu amor
Velho amor
Meu canto antigo
Esta noite sonho contigo
No vazio do meu quarto
Eu que no silencio
Me fiz vento
Derradeiro de mim mesmo
Ébrio louco
por cansaço
sabes tenho sede
desse abraço
quando envolta em mim
fazias de ti
meu firmamento
sabes tenho fome
do teu corpo
quando no meu leito
vaga de beijos e abraços
ousavas amarar
e fazias na minha pele mar e areais
só porque há noite
repousavas no meu peito
e moldavas gesto a gesto vendavais
erguendo tempestades nos lençóis
e sim ….
tenho saudades….
dos teus beijos
quando no meu corpo
tecias linhas ao destino
e fazias de mim hirto
no embaraço
dos teus braços
prendendo só em ti
meu pensamento
e eu
solto de mim
fazia dos teus contornos promontórios
onde meus dedos
teimavam naufragar
e era eu
mais que dor
mais que tormento
despido em mim,
maior que o firmamento
livre e hirto
noite a dentro
quando minha boca desaguava…
como beijos
nos teus seios…
e eu vencia a dor
a raiva
e o vento
e contigo achava vontade
de ser mar
e toda tu
depois da vaga
depois do arfar
depois de fazeres de mim
marinheiro por me achares
repousavas nua de ti
pela madrugada
e o sol ao erguer-se
desenhava pontos cardeais
na silhueta do teu corpo
e eu sem sono
sabia que a todos eles podia pertencer
e sussurrava poemas feitos mar
para te embalar serena
manhã dentro
e era muito mais que eu
corsário louco
pirata de navios
velho marinheiro
capitão de mim além das naus
e sim amor
agora que sou sombra do que fui
quem sabe porque não te tenho no meu leito
agora que não és onda
nem sou mar
sim amor
canto este fado de mim
este vazio este tormento
esta dor que em ti esgota o pensamento
e sim amor…
etéreo amor
meu vil amor
agora no meu fim
triste fado em mim
Estou-te a cantar.
terça-feira, outubro 04, 2011
oh Orquidea
oh orquídea
planta de ilusões
a despertar paixões
num sopro lunar
és mulher madura
ninfa proibida
sem qualquer tormento
em busca de ilusões
flor de mil desejos
a suspirar por beijos
Maior do que o silêncio
Perpétuo extasiar
Fragrância sem tempo
de sonhos sagrados
és beleza rara
com mil cores vestida
roupagem de vida
senhora do universo
com extravagância
sem qualquer relutância
corpo nú e hirto
de espinhos despido
seios assumidos
livres para tocar
ninfa vanilina
maior que heroína
suco que me anima
perder-me em teus lábios
sátira divina
ode estonteante
quero ser delirante
vem-me enfeitiçar
naufraga-me em beijos
que quedo das dores
morro em teu regaço
para me libertar
rebelde como huan-luan
teu corpo jaz em flor
doce maldição
volúvel turpor
queria ser muan-cay
para em mim te atracares
sem nunca te soltares
meu tronco é teu caís
resiste aos vendáveis
perpétuo abraçar
doce flor proibida
sem medo dos tempos
eu sei que sou louco
porque só em ti me solto
e momento a momento
sou só sentimento
sem pensar no mundo
louca comunhão
ardemos em paixão
mágico vulcão
etéreos pelo ar
até levitar
tua pele na minha
partir e chegar
mas sei que te vais
pois és ave solta
jardim proibido
sem seres de ninguém
mas sei que te vais
numa outra rumagem
para seguir viagem
muito além do amar
mas sei que te vais
livre caravela
longe do meu cais
solta pelos ventos
Não digas que vais
Que depoi s de ti
só fica em mim
um amargo de boca
corpo desnudado
um lençol rasgado
mapas do teu corpo
algures nos lençóis
Não digas que vais
Que sem ti sou nada
Velho louco irado
Com medo do tempo
Que depois de ires
só fica de mim
este traço marcado
Grito interrompido
Poema adiado
Preso na garganta
Canto nado-morto
Num sopro sem esperança
Não digas que vais
Volta uma vez mais
Traz-me os vendavais
Ata-me ao teu corpo
Sé meu firmamento
Sem seguir viagem
Sonho sem lamento
Rainha dos mares
Oh orquídea
Marca de baton
Sem sair do tom
Mordida nos lábios
Oh orquídea
Somos barco e cais
Velas e vendavais
Telas e pincéis
Oh orquídea .
domingo, agosto 28, 2011
Paz
Paz
Estar em paz
saber como se faz
Ouvir um murmúrio
Por todos os murmúrios
Tocar como se não mais se tocasse
Até sorver a pele
Beber na pele a lágrima de alguém
Sabendo que se lhe bebe a alma
E permanecer presente até ao fim do rio
Fazer com que o riso finde as torrentes.
Abraçar alguém até fartar
Nunca mais fartar
Apartar a saudade no aperto dos braços
Dar um beijo intenso
Até soldar os lábios
Por todos os beijos
Como os derradeiros
Viver primeiro
O mar
O ar
O luar
Uma flor
Uma paisagem
Todas as coisas
Por todas as coisas
Esgotar no frisson todas as palavras
Todos os silêncios
E inventar novas palavras e silêncios
Esgota-los também e inventar de novo
Superar os limites do sonho até ao fim de tudo
E reinventar tudo com um brilho nos olhos…
Dizer tudo…
Simplesmente tudo….
No final ser tudo
Dizer por tudo ..
De todas as formas…
Em todos os gestos…
o amor…
Ou simplesmente...
Amar
Paz
Paz
Estar em paz
saber como se faz
Ouvir um murmúrio
Por todos os murmúrios
Tocar como se não mais se tocasse
Até sorver a pele
Beber na pele a lágrima de alguém
Sabendo que se lhe bebe a alma
E permanecer presente até ao fim do rio
Fazer com que o riso finde as torrentes.
Abraçar alguém até fartar
Nunca mais fartar
Apartar a saudade no aperto dos braços
Dar um beijo intenso
Até soldar os lábios
Por todos os beijos
Como os derradeiros
Viver primeiro
O mar
O ar
O luar
Uma flor
Uma paisagem
Todas as coisas
Por todas as coisas
Esgotar no frisson todas as palavras
Todos os silêncios
E inventar novas palavras e silêncios
Esgota-los também e inventar de novo
Superar os limites do sonho até ao fim de tudo
E reinventar tudo com um brilho nos olhos…
Dizer tudo…
Simplesmente tudo….
No final ser tudo
Dizer por tudo ..
De todas as formas…
Em todos os gestos…
o amor…
Ou simplesmente...
Amar
quarta-feira, maio 25, 2011
Dar Sentido à vida

terça-feira, maio 03, 2011
Amors
apenas para acrescentar adiante, com tristeza, que em “uma cultura na qual são raras essas qualidades, atingir a capacidade de amar será sempre, necessariamente, uma rara conquista” "
sexta-feira, março 18, 2011
Patinagem
Houve um sonho
que se realizou
Pássaro que voou
Com asas de rodas
Num céu de patins
Ave que se libertou
Numa pirueta
Com gestos tão soltos
E mostrou que há céu
Num doce sorriso
Princesa do ring
a rodopiar
Rumo ao firmamento
Em cada momento
Como um bater de asas
Fénix que renasce
Num gesto encantando
Figuras recordadas
De um devir passado
Memórias da arca dos sentidos
Corpo que se solta
Ao ritmo da música
Sem sair do tom
Como se bailasse
Num mundo encantado
Tenta um avião
Num primeiro ensaio
e sorri de novo
Ternura que se redescobre
Mulher que volta a ser menina
Grifo que se solta
sem medo do espaço
Em pleno equilíbrio
E escreve poemas
Pelo campo todo
E mesmo quando cai
Traída pelas rodas
Vence o contra-tempo
num toque de orgulho
menina que cresceu e é mulher
e eu que não voo
nem tenho equilíbrio
e sou desconcertado
fico comovido
com o voo da ave
e sem nunca ter pensado
em augurio algum
nem no mais íntimo atrevimento
deste meu ser louco
ousar sequer imaginar calçar patins
dou por mim agora falar de patinagem
livre neste ring feito de papel
e vou fazendo spins e serpentinas com a caneta
com tanta comoção como se menino fosse
porque menino fico ao vê-la
e escrevo por escrever…
sem segunda intenções
só para recordar a alguém a luz que tem
só para lhe lembrar a liberdade
só para lhe agradecer por ser ave
Porque foi tão bom vê-la sorrir
E é tão bom recordar esse sorriso
Bem cá dentro na memória
No canto mais íntimo dos sonhos
Vela de amizade que se acende
Porque com ela vou percebendo
que os sonhos de menino vencem a idade
Sopros de essências antigas mas presentes
Esperanças que não devem desfazer-se a preço algum
Pois nada vale mais que os sonhos
E por tudo o que foi e o que irá ser
Por toda a magia dos sorrisos
Por toda a liberdade dos seus gestos
Por toda a ternura doce da sua presença
Lhe estou grato
E sonho , e acredito, e creio , e voo
Desafiarei o firmamento e o espaço
Calçarei patins se for preciso
Só para despertar nela o seu sorriso
Apenas porque há sorrisos que são tudo
segunda-feira, janeiro 24, 2011
Trago
Trago a alma apertada
Despida de sentido
Sou como um pássaro sem asas
Um conto perdido no meio ruído.
Sou nota musical fora do tom
Sátira de um poeta que foi bom
Navio sem âncora nem rumo
Caravela abandonada aos temporais
Despojos de papel na neblina
Aves perdidas nos céus
Golfinhos piloto sem norte
Parede construída sem ter fio-de-prumo
E sou de mim mesmo pura má sorte
Pelas vezes em que deixo soltar o coração
Pelas vezes em que a alma se converte na emoção
Pelas vezes em que devia ser só gelo
Mas pago os rumos todos que percorro
Por todos os beijos que não dei e pude dar.
Por todos os lábios que nos meus podiam ficar aprisionados
Por todas as outras vezes em que a palavra amor podia deles ter-se escapado.
E sei que sou do vazio de mim mesmo responsável
Por todas as tantas vezes em que bastava dizer quero e não disse
Por todas as pessoas que amei e não mereceram
Por todas as pessoas que mereciam e não amei
E sei a dor que se sente à noite
Quando um outro corpo nos faz lembrar que partiu do quarto
Quando nas quatro paredes se sente só o eco
Quando nas roupas não há outro perfume
Quando dou por mim no vazio das linhas
A matar os vazios que tenho cá dentro
Como se fosse eu que louco…
Não morresse a cada espaçoquinta-feira, janeiro 13, 2011
Poema para um sonho que se foi
No teu poema
Coloco o meu mundo
Destino tão solto
Meu doce fonema
Falo da alma
Que me enche os sonhos
Falo do corpo
Que se fez meu tema
Falo dos lábios
Que não toquei
Carnudos rosados
Que em sonhos beijei
Falo das tuas mãos
Perdidas nas minhas
Num encontro de dedos
Carícias divinas
Falo das lágrimas
Choradas ao vento
Quem me dera ser ombro
Para as ter suportado
Quem me dera ser anjo
Para te velar
Quando à noite o silencio
Te faz assustar
Quem me dera ser corpo
No teu enroscado
Saber-te segura
Noite a dentro ao meu lado
Embalar-te tão terna
Num abraço profundo
Ficar acordado
A ver-te sonhar
Quem me der ser ave
Para poder-te velar
Rumo ao horizonte
Na magia lunar
Porque tu és …
Rebelde maré
Bravo vento,
Mil vagas
Meu cais das tormentas
Destino traçado
Ode louca, poema
Minha perdição
Meu Caminho errado
Na senda da vida
Circe de mil histórias
Flor da paixão
Doce deusa grega
Diva de Fellini
Musa de Almodôvar
Dama de shangay
Meu canto profundo
À deriva do mundo
Princesa rebelde
Ultima salvação
Fogueira acesa, Farol
Sonho querido e guardado
Suspiro de um louco
Neste sopro cantado
Solto fogo preso
Bússola sem norte
Meu rebelde horizonte
Perdido e encontrado
porque tu es tanto, vales tanto
e eu louco sonhei
poder ser tanto...
ao teu lado