domingo, dezembro 31, 2006

Novo ano... nascer, renascer voltar a nascer


Dizer um corpo.
Onde nenhum.
Mente nenhuma.
Onde nenhuma.
Ao menos isso.
Um lugar.
Onde nenhum.
Para o corpo.
Estar lá dentro.
Mover-se lá dentro.
E sair.
E voltar lá para dentro.
Não.
Sair nenhum.
Voltar nenhum.
Só entrar.
Ficar lá dentro.
Em diante lá dentro.
Parado.
Tudo desde sempre.
Nunca outra coisa.
Nunca ter tentado.
Nunca ter falhado.
Não importa.
Tentar outra vez.
Falhar outra vez.
Falhar melhor.
Primeiro o corpo.
Não. Primeiro o lugar.
Não. Primeiro ambos.
Ora um deles.
Ora o outro.
Até fartar de um deles e tentar o outro.
Até fartar também deste e fartar outra vez de um deles.
Assim em diante.
Dalgum modo em diante.
Até fartar de ambos.
Vomitar e partir.
Para onde nem um nem outro.
Até fartar desse lugar.
Vomitar e voltar.
Outra vez o corpo.
Onde nenhum.
Outra vez o lugar.
Onde nenhum.
Tentar outra vez.
Falhar outra vez.
Melhor outra vez.
Ou melhor pior.
Falhar pior outra vez.
Ainda pior outra vez.
Até fartar de vez.
Vomitar de vez.
Partir de vez.
Onde nem um nem outro de vez.
De vez e tudo.

Samuel Beckett - Pioravante marche.

Bom ano amigos.. que neste ano de 2007 possamos todos "tentar outra vez, falhar outra vez, melhor outra vez", espero que todos os vossos sonhos se realizem e que o ano que ai vem seja melhor e mais justo para todos.
obrigado por fazerem parte dos meus dias

sábado, dezembro 23, 2006

BOAS FESTAS

Era uma vez um cego de nascença. Nunca tinha visto o sol, e perguntava como era este às pessoas que enxergavam.

Alguém lhe disse: O sol é como uma bandeja de latão.

O cego bateu na bandeja de latão e ouviu o som.

Depois, quando ouviu um sino, pensou que fosse o sol.

Outra vez, disse-lhe alguém: o sol é como uma vela.

O cego apalpou uma vela, e pensou que assim era o formato do sol.

A verdade é mais difícil de descrever que o sol; e quando os homens não a conhecem, são exactamente como o cego.

Ainda que façais o possível para esclarecê-la por meio de comparações e exemplos, ela ficará tão confusa como a comparação da bandeja de latão e da vela.

Su Tungp’o

Desejo-vos um optimo natal e um ano de 2007 cheio de ternura, amor, saude e paz.

Espero que no novo ano vos traga tudo o que desejam e que a humanidade possa alcançar a harmonia e a paz de que necessita para se tornar mais igual e mais justa .

gosto muito de vocés.

ps. esta citação foi uma resposta a um poema que coloquei no blog de uma pessoa muito especial há cerca de ano e meio, desde aí tem sido maravilhoso entrar neste universo da net, mas também poder partilhar da grandeza e magia do sorriso dessa pessoa, bem como das alegrias, sonhos, loucuras e tristezas de todos vocés que vem cá e me leem.

à madrinha deste espaço queria deixar aqui uma sinecra homenagem por tudo o que é, por tudo o que sente sonha e vive, mas tembém por toda a magia que ajuda a trazer aos dias daqueles que com ela se cruzam.

a todos voces o meu sincero obrigado pela imensa capacidade que tem em partilhar-se neste imenso universo que é a escrita.

O blog é vosso..

adoro-vos

segunda-feira, dezembro 04, 2006

Dizem que a paixão o conheceu

porque este poema de Al Berto exprime muito bem o modo como me tenho sentido....
Espero que nas vossas almas a paixão esteja viva e os sonhos sejam possiveis.


"Dizem que a paixão o conheceu

dizem que a paixão o conheceu
mas hoje vive escondido nuns óculos escuros
senta-se no estremecer da noite enumera
o que lhe sobejou do adolescente rosto
turvo pela ligeira náusea da velhice

conhece a solidão de quem permanece acordado
quase sempre estendido ao lado do sono
pressente o suave esvoaçar da idade
ergue-se para o espelho
que lhe devolve um sorriso tamanho do medo

dizem que vive na transparência do sonho
à beira-mar envelheceu vagarosamente
sem que nenhuma ternura nenhuma alegria
nunhum ofício cantante
o tenha convencido a permanecer entre os vivos"


Al berto